A arquitetura tradicional é percebida como arquitetura histórica, tanto pelo público geral quanto por profissionais do design. Em outras palavras, “tradicional” equivale a “estilo”. Não há consciência sobre o processo de tradição que cria o que mais tarde é considerado um estilo. O modernismo leva essa percepção um passo adiante e enquadra a arquitetura tradicional como “não pertencente ao nosso tempo” e, portanto, obsoleta.
Apartamento 43 / cli·ma arquitectura. Image Cortesía de cli·ma arquitectura
Diante das diversas formas de morar que caracterizam as sociedades contemporâneas e de seu grau de adaptabilidade a futuros usos na arquitetura, a presença de mezaninos representa uma oportunidade para projetar desde espaços de armazenamento e depósito até conceber ambientes de estar, estudo, lazer ou mesmo de descanso, tanto para seus habitantes quanto para possíveis visitas. Dependendo de suas escalas, tamanhos e proporções, esses espaços em altura permitem tirar proveito dos ambientes internos de apartamentos que, por vezes, carecem de área suficiente para abrigar esse tipo de função no plano principal, mas dispõem de pé-direito adequado para viabilizá-las.
Proposta de casa modular. Imagem cortesia de Han Kuo
A habitação é uma tipologia arquitetônica diversa, cuja configuração é determinada não apenas por quem a projeta, mas também pelo uso de quem nela habita. Dessa forma, as moradias são estruturas fundamentalmente adaptáveis que evoluem em sintonia com seu tempo e com seus/as usuários/as, passando por constantes transformações que se manifestam nos modos de vida. A casa concebida hoje não será a mesma construída amanhã; portanto, torna-se necessário manter uma abordagem crítica e profunda sobre o papel que ela desempenha no ambiente construído.
Nesse sentido, a arquitetura modular tem se apresentado consistentemente como uma estratégia de projeto dinâmica que revolucionou a habitação, desenvolvendo soluções versáteis para espaços e práticas construtivas sustentáveis. Desse modo, a habitação modular tem sido um terreno fértil para explorar e aprofundar maneiras de habitar o espaço e atender às necessidades humanas. Das casas de catálogo pré-fabricadas do século XIX ao boom imobiliário pós-Segunda Guerra Mundial, sua evolução reflete tanto propostas passadas quanto a exploração de novos conceitos para o futuro.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140415/como-o-design-modular-pode-ser-usado-para-revolucionar-a-arquitetura-habitacionalEnrique Tovar
Movido por um espírito inovador, o AMDL CIRCLE, estúdio de Michele De Lucchi, fez uma parceria com a Mara para projetar uma nova cadeira, a TYPO. Imagem cortesia de Mara
Quem me conhece sabe que adoro fazer perguntas. Provavelmente até demais. No entanto, quando nos deparamos com um dos grandes nomes da arquitetura e do design italiano, como Michele De Lucchi, nossa atenção se volta inteiramente a ele, tamanho é o calibre de seu pensamento e a eloquência de sua expressão, construídos ao longo de mais de meio século de uma prática criativa experimental e, por vezes, iconoclasta. Desde sua participação em coletivos de design de vanguarda, como o Studio Alchimia e o Memphis, até a criação da luminária Tolomeo (vencedora do Compasso d’Oro) e da cafeteira Pulcina, ele já viu e realizou de tudo.
Com o aumento dos custos dos materiais de construção, construtores/as e incorporadoras buscam alternativas aos métodos tradicionais de construção residencial para enfrentar o déficit habitacional. Em resposta a esse cenário, o setor de impressão 3D surge como um campo da tecnologia de construção em franca expansão. Essa tecnologia promete uma construção mais rápida e barata, além do potencial de extrudar materiais locais e reciclados. No entanto, devido à resistência histórica do setor à mudança, uma transição radical que envolva máquinas de impressão 3D de grande porte nos canteiros de obras e uma reformulação completa dos processos construtivos parece improvável no curto prazo.
A habitação modular pré-fabricada impressa em 3D surge como uma solução atraente, pois oferece as vantagens dos avanços da impressão 3D ao mesmo tempo em que aproveita a mão de obra e os maquinários padrão da construção civil. Na construção impressa em 3D fora do canteiro (off-site), não há necessidade de transportar maquinários massivos de impressão 3D para o local da obra. Em vez disso, os componentes são impressos em um ambiente controlado e, posteriormente, montados no local. Esses tipos de kits residenciais modulares de peças impressas em 3D já estão sendo fabricados e atraem investimentos significativos.
A arte pode ser um catalisador para que arquitetos e arquitetas vejam o ambiente construído sob uma nova ótica. Ela oferece uma oportunidade única de mergulhar nas perspectivas de profissionais de arquitetura de formação que migraram para as artes visuais, bem como de artistas que exploram as cidades e suas dinâmicas internas por meio de suas trajetórias pessoais.
Sediada em Nova York, a Bienal do Whitney é considerada a mais importante e duradoura mostra de arte contemporânea dos Estados Unidos. Juntamente com a Bienal de Veneza, ela figura entre as exposições de arte periódicas mais relevantes do mundo. O tema deste ano, "Even Better Than the Real Thing", investiga conceitos de identidade e autonomia corporal, amplificando as vozes de populações historicamente marginalizadas. Isso inclui um olhar atento sobre narrativas que exploram a conexão entre trajetórias pessoais e o crescente sentimento de precariedade em relação ao mundo construído. A seguir, apresentamos artistas desta edição da Bienal do Whitney que abordam temas relacionados à arquitetura e às cidades.
O Airbnb, sem dúvida, transformou profundamente o setor hoteleiro, inspirando um ecossistema de empresas que impulsionam a economia compartilhada, como as startups de coliving. Embora essas companhias tenham alcançado um sucesso financeiro impressionante, aponta-se que elas geram efeitos problemáticos na escala urbana. O Airbnb, em particular, é acusado de inflacionar os preços dos aluguéis em cidades que já enfrentam crises de acessibilidade à moradia. De maneira análoga ao impacto do Uber na mobilidade urbana, a rápida expansão do Airbnb trouxe desafios significativos para as administrações locais, exigindo regulamentações abrangentes e uma reavaliação de sua atuação na dinâmica das cidades.
Em uma nova colaboração, a Trimo e a Pininfarina apresentam o Qbiss Notch Wall System, estabelecendo um novo padrão no design arquitetônico. A parceria une a expertise em engenharia da Trimo ao legado de inovação em design da Pininfarina, resultando em um sistema modular pré-fabricado de fachadas metálicas que promete redefinir a paisagem estética e funcional da arquitetura moderna.
Muitos edifícios religiosos do antigo Egito, da Grécia e do Islã compartilham uma característica comum conhecida como hipostilo. Definido como fileiras de colunas que sustentam uma cobertura, essa solução se desenvolveu em diferentes culturas e períodos históricos, o que explica a variedade de materiais, formas, tamanhos e distâncias entre as colunas encontrados pelo mundo. Exemplos célebres do uso desse conceito são a Grande Sala Hipóstila (c. 1290–1224 a.C.), parte do Complexo de Templos de Karnak e um dos monumentos mais visitados do Antigo Egito, e as Mesquitas Hipóstilas de Madeira da Anatólia Medieval (c. século XIII e meados do século XIV), Patrimônio Mundial localizado na atual Turquia.
Na arquitetura contemporânea, é possível encontrar diversos exemplos de como esse conceito vem sendo resgatado. Enquanto alguns projetos utilizam a ideia para fazer referência a arquiteturas vernáculas que correspondem ao mesmo programa e uso do edifício proposto — como é o caso de algumas mesquitas —, outros se apoiam na abstração do termo por meio de uma interpretação que destaca os pilares e sua organização na proposição do espaço. Em todos eles, contudo, fica claro que a relação entre a inspiração hipóstila e a arquitetura modular é estreita, praticamente intrínseca.
Seja subindo até o quarto mais alto da torre mais alta de um castelo digno da Disney, dando a alguém a chance de declarar seu amor na escada de incêndio de um edifício residencial, ou conectando um porão ou sótão por meio de um elemento decorativo de época, há algo inevitavelmente romântico nas escadas em caracol. No entanto, por trás dessas formas sinuosas há muito mais funcionalidade do que apenas sua beleza estética.
Uma teoria bastante difundida sustenta que as escadas em caracol foram instaladas originalmente em castelos históricos como barreiras verticais, exaurindo os invasores antes que conseguissem chegar ao topo. É por isso — segundo se conta — que muitas delas sobem no sentido horário, limitando o raio de movimento dos atacantes para golpear com suas armas (geralmente empunhadas com a mão direita) em comparação com os defensores que vinham descendo.
Não sou de forma alguma especialista em parcerias público-privadas. No entanto, por cerca de 10 anos, como planejador/a de campus da University of California Berkeley e, posteriormente, arquiteto/a do campus, acompanhei o desenrolar desses empreendimentos no ensino superior — às vezes da primeira fileira, às vezes como participante. Durante esse período, essa estratégia, promovida com grande entusiasmo e otimismo, era apontada como a resposta para qualquer problema que surgisse. Ainda assim, a definição de parceria público-privada era imprecisa. O próprio conceito parecia servir a múltiplos propósitos para as pessoas, dependendo do que era necessário, de quem o recomendava e de quais equivalentes (se houvesse) existiam fora da universidade. Essa tendência continua forte hoje, tornando ainda mais crucial mapear os prós e contras dessa estratégia de desenvolvimento, não apenas para faculdades e universidades, mas para todas as decisões públicas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140616/empreendimentos-com-fins-lucrativos-sao-coerentes-com-os-valores-de-uma-universidade-publicaEmily B. Marthinsen
Buildner anunciou os resultados do Museum of Emotions Competition, um concurso internacional anual de projeto que desafia os/as participantes a explorar até que ponto a arquitetura pode ser utilizada como ferramenta para evocar emoções.
O edital propõe o projeto de um museu conceitual com duas salas de exposição: uma projetada para induzir emoções negativas; a outra, para induzir emoções positivas. Os/As participantes são livres para escolher qualquer terreno de sua preferência, real ou imaginário, bem como a escala do projeto. O significado de "positivo" e "negativo" fica aberto a interpretações: quais seriam as duas emoções que um/a designer consideraria contrastantes? Como um/a arquiteto/a poderia conceber espaços que provoquem medo, raiva, ansiedade, amor ou felicidade?
Simone Farresin, do estúdio italiano Formafantasma, fala sobre sua prática profissional ao lado do parceiro Andrea Trimarchi, o trabalho desenvolvido por ambos e as diferentes abordagens em seus projetos. Ele também aborda a participação da dupla na Semana de Design de Milão e o papel político de profissionais criativos no mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140417/simone-farresin-do-formafantasma-sobre-a-semana-de-design-de-milao-e-a-responsabilidade-dos-as-designersArchDaily Team
A Milan Design Week raramente deixa de apresentar mostras impactantes de design e inovação.
Uma das exposições deste ano, idealizada pela Swatchbox, transmite o “verdadeiro custo” das abordagens tradicionais da construção. A plataforma de amostras, fundada por profissionais de arquitetura para oferecer métodos sustentáveis de amostragem à comunidade de design, lançou sua instigante mostra no coração do Brera Design District, em Milão.
A exposição confronta de forma ousada o desperdício inerente às práticas tradicionais de construção. Instalada no interior de um escritório em Brera — normalmente ocupado por um escritório de arquitetura milanês —, a mostra exibe uma grande pilha de materiais de construção que comumente teriam como destino os aterros sanitários. Os materiais foram meticulosamente organizados para evidenciar o enorme volume de resíduos gerados pela comunidade de design.
Visualizações mais realistas e fluxos de trabalho ágeis de modelagem as-built (diretamente no iPad com o Scan-to-Design [Labs]) fazem parte da versão mais recente do SketchUp, software de projeto de arquitetura. A versão 2024 traz atualizações de desempenho que impulsionam a produtividade, englobando desde um novo mecanismo gráfico até formas mais simples de compartilhar ideias com os envolvidos no projeto.
Cortesia de Feldman Architecture e Western Window Systems
Ao projetar uma residência moderna integrada à natureza em Palo Alto, Califórnia (EUA), o arquiteto Tai Ikegami levou a sério sua responsabilidade de proteger e reverenciar as magníficas árvores existentes no terreno.
“A casa foi projetada em torno de uma série de árvores no terreno — um carvalho na frente, outro carvalho na lateral e uma sequoia nos fundos. São árvores imponentes e de grande escala”, afirma Ikegami, sócio do escritório Feldman Architecture, de São Francisco.
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Redesenho conceitual de rotas do Salone del Mobile.Milano - Ph. Cristian Catania, Lombardini22. Imagem Cortesia de Salone del Mobile.Milano
A 62ª edição do Salone del Mobile no Rho Fiera reuniu designers, arquitetos/as, produtores/as e figuras proeminentes do universo do design. Com mais de 1.950 marcas expositoras, o evento de seis dias, realizado de 16 a 21 de abril de 2024, enfatizou a convivência, o bem-estar e a sustentabilidade. Concebido a partir de uma abordagem centrada no ser humano e incorporando princípios da neurociência para enriquecer a interação do público, o Salone del Mobile está revolucionando o futuro das feiras de negócios.
Presente no evento, o ArchDaily teve a oportunidade de conversar com Cristian Catania, arquiteto sênior e diretor de projetos do programa Reinventing Fairs na Lombardini22, responsável pela reformulação do Salone, sobre as principais mudanças no layout da feira e a aplicação de abordagens neurocientíficas na concepção dos espaços expositivos.
A Milan Design Week há muito se consolidou como um dos eventos mais significativos no cenário global do design, apresentando conceitos inovadores e talentos visionários, além de fomentar discussões fundamentais na comunidade criativa. Desde a grandiosa feira de negócios Salone Del Mobile na Rho Fiera até os distritos de design espalhados por toda a cidade, a Design Week reúne vozes, perspectivas e talentos diversos. De acordo com o comunicado de imprensa do Salone del Mobile, a feira deste ano teve um aumento de 17,1% no número de visitantes em relação a 2023, registrando um recorde de 361.417 participantes no total.
Atraindo visitantes da China, Alemanha, Espanha, Brasil, Índia, Turquia, Japão e de muitos outros países, a semana de design apresenta uma infinidade de exposições, instalações, palestras e painéis. Com o encerramento do evento, que ocorreu de 15 a 21 de abril de 2024, este artigo destaca diversas instalações espalhadas pela cidade que são de grande relevância para profissionais da arquitetura e do design em todo o mundo. Seja pela exploração de regeneração proposta por Mario Cucinella, pela exposição do Google que experimenta com os sentidos e as cores, ou pela investigação do escritório MAD Architects sobre os limites entre paisagens naturais e artificiais, a semana foi repleta de colaborações frutíferas que apontam para o futuro do design.
Ao assumir diversas possibilidades expressivas no design de interiores, o uso da madeira em regiões com uma ampla variedade de climas e temperaturas, como México, Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia ou Equador, permite criar espaços atraentes e cativantes que capturam a atenção de quem os utiliza ao contrastar, fundir-se ou integrar-se ao seu entorno circundante. Por ser um elemento natural e apresentar uma pegada de carbono negativa ao fim de seu ciclo de vida, a madeira oferece múltiplos acabamentos, texturas e tonalidades que podem ser associados ao estar ao ar livre e proporcionar, em algumas ocasiões, amplitude, aconchego e relaxamento ao mesmo tempo.
O podcast The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) aborda, de forma direta e sem filtros, temas como design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais do setor criativo em conversas espontâneas, abrindo espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma ampla variedade de temas é abordada com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou reflexões descontraídas sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, recebem o CEO e fundador da Peak Projects, Grant Bowen, para discutir como clientes podem alcançar o sucesso em seus projetos. No episódio, conversam sobre a trajetória de Bowen, o papel do/a representante do/a proprietário/a (owner’s representative) ao longo das etapas de projeto e obra, a colaboração com clientes e diferentes profissionais, custos de construção, honorários, diferentes tipologias de projetos e muito mais.
Em uma nação que enfrenta uma grave escassez de moradia para suas parcelas economicamente mais vulneráveis, o conceito de "habitação de baixo custo" curiosamente desapareceu da consciência pública e dos debates políticos. Como uma crise que afeta milhões de pessoas entre as mais pobres do país, a necessidade de moradias acessíveis tornou-se ainda mais urgente à medida que a população da Índia ultrapassa a da China, tornando-se a nação mais populosa do mundo. Se não for resolvida, a crise habitacional poderá resultar em desabrigo em massa e em condições de vida indignas para os cidadãos e cidadãs.
Os spots Mood Pro da Reggiani prestam-se a composições arquitetônicas limpas, enquanto a luminosidade que proporcionam pode ser controlada para ajudar a moldar atmosferas. Imagem Cortesia de Reggiani
Muito se fala sobre como o sucesso de um espaço interno depende do layout de suas paredes, portas e janelas, e talvez do tom da tinta ou do nível de conforto das cadeiras ali dispostas. A verdade, porém, é que o projeto provavelmente prosperará ou fracassará devido à qualidade de sua iluminação.
Não é novidade que a luz tende a elevar o espírito, ao passo que os longos e cinzentos dias de inverno podem desanimar; a força da luz sempre teve impacto direto na arquitetura. Basta conversar com o/a arquiteto/a britânico/a John Pawson por cinco minutos para perceber que a luz é, talvez, seu material favorito — moldando ambientes internos por meio do controle meticuloso de seus pontos de entrada. Hoje, contudo, o poder da iluminação vai muito além do gerenciamento da luz natural em um espaço; o conhecimento crescente sobre o impacto preciso de diferentes qualidades de luz nos permite começar a moldar atmosferas com a iluminação artificial em nossos interiores com grande eficácia.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140383/moldando-estados-de-espirito-reggiani-e-os-efeitos-estimulantes-da-luz-controladaEmma Moore
Imagem cortesia AFT Arquitectos - Biblioteca del Bicentenario
Os grandes equipamentos urbanos (GEUs) são geralmente edifícios ou conjuntos de edifícios — públicos ou não — e espaços onde se desenvolvem atividades complementares à habitabilidade. Portanto, são denominados como tais os edifícios que, por sua função, uso e localização, geram impacto no desenvolvimento de novas centralidades. Por seu alcance e posicionamento em nível estratégico, podem ser identificados como marcos urbanos dentro de uma rede de edifícios simbólicos que caracterizam as cidades globalizadas.
A cidade de Rosário conta com uma grande trajetória em planejamento urbano desde o Plano Regulador de 1935, de Ángel Guido, Carlos Della Paolera e Adolfo Farengo, seguido pelo Plano Regulador de 1968, de Oscar Mongsfeld. Com o retorno da democracia em 1983, as sucessivas administrações municipais mantiveram a continuidade no planejamento territorial, seguindo as principais diretrizes dos planos mencionados e formalizando outros, como o Plano Diretor (1991), o Plano Diretor de Rosário (2001) e o Plano Urbano Rosário (PUR) 2007/2017 e suas atualizações, entre outros.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140376/os-grandes-equipamentos-urbanos-na-cidade-de-rosario-paradigmas-urbanos-ou-politicas-publicasMauro Latour y Pablo Mazzaro
A infraestrutura social engloba os recursos e serviços que permitem a criação de laços comunitários e conexões sociais. No ambiente construído, ela se manifesta por meio de espaços públicos como parques, bibliotecas e centros comunitários, além de espaços de transição, como paradas de transporte público.
Esses espaços públicos sociais desempenham um papel crucial no fortalecimento das comunidades e, consequentemente, na sua capacidade de responder a eventos catastróficos relacionados ao clima. Eles podem oferecer abrigo físico às populações mais vulneráveis a esses episódios e fomentar redes resilientes de pessoas capazes de se recuperar mais rapidamente. Diante da frequência cada vez maior de eventos climáticos extremos nos Estados Unidos decorrentes das mudanças climáticas, somada às deficiências em sua infraestrutura social, torna-se vital examinar os espaços públicos como uma ferramenta crítica para a resiliência climática.