Qual papel desempenham as superfícies de vidro na conexão entre a arquitetura contemporânea, a natureza e a experiência de quem habita os espaços interiores? A evolução do fechamento de vidro acompanha o desenvolvimento da arquitetura contemporânea, tendo na transmissão da luz natural uma de suas principais qualidades. Além disso, a versatilidade do material e seu caráter transparente permitem diluir os limites entre interiores e exteriores, ao mesmo tempo em que despertam diversas percepções sensoriais e psicológicas, entre outras virtudes. Em sua busca constante por inovação, a Glasstech oferece uma ampla gama de soluções em vidro, envolvendo-se de maneira integral desde a concepção do projeto até a sua instalação. Para ilustrar suas diversas aplicações, apresentamos a Casa Bosque, no Chile, como um exemplo notável de arquitetura em harmonia com seu entorno natural.
Dequindre Cut, Detroit / The High Line Network, SmithGroup. Imagem cortesia de The Dirt
Ao longo da história, tornou-se evidente que a chave para projetos duradouros e sustentáveis é lançar bases sólidas. Nossa sociedade caminha para um futuro mais urbano, no qual a densidade das metrópoles será cada vez maior. Por isso, esse amanhã mais urbano exige um planejamento urbano moderno, capaz de erguer estruturas inovadoras, sustentáveis e flexíveis. Afinal, a única forma de fazer com que a nossa sociedade viva melhor é construir melhor.
Bali costuma ser mais associada às suas praias e ao setor de lazer. E com razão, já que a província indonésia recebeu mais de 2,9 milhões de turistas apenas este ano. Além dos visitantes temporários, Bali também abriga residentes de longo prazo e nômades digitais, o que contribuiu para o seu rápido crescimento populacional. Isso, naturalmente, impactou a densidade urbana e a demanda por novos alojamentos e serviços, abrindo espaço para propostas arquitetônicas criativas e para a exploração de novos materiais.
Essa tendência se manifesta frequentemente em projetos construídos em bambu, com a ilha servindo de palco para algumas das construções vernáculas mais antigas e complexas com o material. Esse conhecimento pode ser transmitido a arquitetos/as e profissionais de todo o mundo que desejam compreender como esse material versátil pode ser aplicado em seus próprios países. Diversos escritórios locais e globais de renome, como IBUKU e Bamboo U, têm defendido essa arquitetura ecologicamente consciente em seus projetos, sempre focados na preservação da natureza e no resgate e otimização das técnicas construtivas tradicionais.
Diana - Coleção Arcadia. Imagem cortesia de Glamora
As culturas grega e romana lançaram as bases da civilização moderna, deixando um legado duradouro na filosofia, na literatura, na matemática e na arte. Ainda que suas contribuições nessas áreas sejam significativas, por vezes elas acabam sendo negligenciadas. No entanto, em disciplinas como a escultura e a arquitetura, sua influência permanece praticamente inalterada, profundamente enraizada nos ideais clássicos de beleza. Isso se exemplifica em obras canônicas como o Partenon, o Panteão Romano e o Discóbolo, que continuam a cativar por sua proporção, simetria e riqueza de detalhes. Assim, não surpreende que o classicismo greco-romano continue relevante graças à sua atemporalidade estética, revitalizado ao longo de diferentes épocas, do neoclassicismo a propostas contemporâneas.
Nesse contexto moderno, a mitologia greco-romana, os contos épicos e os conceitos arquitetônicos clássicos inspiram um novo olhar sobre a estética dos interiores. Adotando uma abordagem vanguardista do neoclassicismo, uma nova onda de design de interiores utiliza traços marcantes para definir figuras e detalhes, como pilastras e capitéis, ecoando as sinópias dos afrescos históricos. Esses projetos transformam a monumentalidade em atmosferas acolhedoras e elegantes. Ao mesclar referências históricas e contemporâneas, oferecem soluções figurativas inovadoras que criam espaços poeticamente cenográficos. A coleção Arcadia exemplifica essa abordagem, destacando-se como um tributo ao classicismo e apresentando uma narrativa visual única por meio de seus revestimentos de parede.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140366/interiores-modernos-com-um-toque-historico-revestimentos-de-parede-figurativos-para-espacos-cenograficosEnrique Tovar
A sociedade contemporânea vem testemunhando um crescimento expressivo na construção de arranha-céus em centros urbanos de todo o mundo por diversos motivos — incluindo avanços na engenharia, o aumento da densidade urbana, restrições de espaço e, indiscutivelmente, uma disputa competitiva para construir as estruturas mais altas do mundo. A atração pelas fachadas totalmente envidraçadas e a busca por peles de vidro com painéis cada vez maiores de vidro contínuo muitas vezes ocorreram em detrimento da funcionalidade.
Nessas torres, as janelas operáveis são sacrificadas em prol da estética e das vistas panorâmicas, com uma disposição de núcleo central que maximiza as visuais em 360 graus, mas acaba gerando "monstros arquitetônicos de ganho de calor solar". Sem ventilação natural ou cruzada, esses arranha-céus de vidro retêm uma quantidade significativa de calor da radiação solar nos espaços habitáveis, dependendo quase que exclusivamente de sistemas mecânicos de HVAC para resfriá-los. Isso levanta a questão: a estratégia de ventilação passiva está se tornando obsoleta no projeto de edifícios altos, ou os sistemas operáveis podem ser integrados de forma eficaz em nossas torres de alta tecnologia?
No início dos anos 2000, uma linha ferroviária abandonada em Manhattan estava em deterioração — a lembrança de uma época em que trens de carga cruzavam a cidade. Para a maioria dos cidadãos, o local estava fadado à demolição. No entanto, um grupo de moradores/as visionários/as enxergou uma oportunidade nesse espaço negligenciado e defendeu sua transformação em uma área verde pública para a comunidade. O sucesso do projeto acabou desencadeando o "Efeito High Line", inspirando outras cidades norte-americanas a resgatarem infraestruturas obsoletas em antigas ferrovias, rodovias e áreas industriais.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com o arquiteto e crítico brasileiro Guilherme Wisnik sobre seu livro En la niebla (Editorial Bifurcaciones), uma série de ensaios em que a névoa serve de metáfora para o estado de incerteza do mundo atual, costurando debates contemporâneos sobre espaço, arte e política.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140390/guilherme-wisnik-em-um-mundo-efemero-a-arquitetura-tem-que-se-tornar-imagemArchDaily Team
Na era pós-pandemia, o excedente de igrejas subutilizadas é uma realidade crescente. Para além de oferecer oportunidades de exploração em reuso adaptativo, o que essa tendência revela sobre a espiritualidade moderna? Será que a humanidade perdeu o interesse pelo sagrado? Em um artigo recente no Common Edge, Duo Dickinson abordou essa preocupação ao afirmar que "a mudança cultural que causa o abandono das igrejas não põe fim à busca humana pelo sagrado".
Embora declare acertadamente que nenhuma fórmula é capaz de transformar a arquitetura no "sagrado", ele parecia sugerir que uma nova espiritualidade ainda poderia ser encontrada na forma arquitetônica. Ao considerarmos o significado da transformação das formas do espaço sagrado na era moderna, buscar uma revitalização da espiritualidade apenas através da arquitetura corre o risco de repetir um erro do século passado: esperar demais da estética.
A arte e a arquitetura passam por uma série de processos interpretativos anteriores à sua criação que envolvem o reconhecimento de uma capacidade de maravilhamento, experimentação, comunicação e imaginação. Compartilhando sensibilidades e buscas criativas, são capazes de modificar a vivência do mundo em resposta a um coletivo de ideias que, por vezes, desenham, pintam e escrevem sobre temáticas relacionadas à relação com a natureza, ao papel da sociedade no ambiente construído, aos sentidos que os espaços transmitem, entre outros.
Em cidades densamente povoadas, a demanda por mais espaço habitável impulsionou uma tendência crescente de ampliações residenciais. Diante das oportunidades limitadas para novas construções e do desejo de preservar a malha urbana histórica, proprietários(as) buscam cada vez mais maneiras inovadoras de expandir suas casas. As ampliações oferecem uma solução prática para as necessidades modernas, permitindo que os(as) residentes permaneçam em bairros familiares e mantenham seus laços com a comunidade.
Existem diversas abordagens para essas reformas. As ampliações residenciais assumem várias formas, desde cômodos isolados com funções específicas próximos à casa principal até volumes diretamente conectados à estrutura original. Essas ampliações podem ser construídas no térreo ou aproveitar o espaço vertical por meio de acréscimos de pavimentos sobre a edificação existente.
No sul da França, a 40 minutos de carro a leste de Montpellier, encontra-se a singular cidade balneária de La Grande Motte. Nomeada em homenagem a uma duna de areia próxima, a cidade caracteriza-se por blocos de apartamentos futuristas em formato de pirâmide e com variados relevos, adornados por uma vegetação diversa que inclui pinheiros, plátanos, oliveiras, choupos e ciprestes. Os/as artistas Charly Broyez e Laurent Kronental descrevem esse caráter único como "uma visão de conto de fadas de uma terra que emerge dos territórios inexplorados da nossa psique, carregada de memórias, imagens, sons, cores, história". Por meio de suas imagens minuciosas, eles revelam a arquitetura singular da cidade.
Dois métodos principais de construção são comumente identificados na arquitetura e no design: a construção sólida versus a construção oca. Esses métodos variam significativamente entre diferentes culturas e regiões, especificamente no que diz respeito aos sistemas de divisórias internas, mesmo quando parecem intercambiáveis. Cada um possui suas próprias práticas consolidadas, influenciadas por materiais locais, preferências da mão de obra, condições climáticas e tradições culturais. Quando arquitetos/as e designers se concentram apenas em seu contexto local, é fácil ignorar premissas construtivas mais amplas, o que limita a flexibilidade e a metodologia projetual. Isso levanta uma questão importante: como essas duas abordagens construtivas se diferenciam?
Concentrando-se principalmente nos sistemas internos, as distinções entre a construção sólida e a oca decorrem, em grande parte, da disponibilidade de materiais e das preferências da mão de obra. Por exemplo, nos Estados Unidos e no Japão, paredes estruturadas em montantes (studs), tanto de madeira quanto de metal, são frequentemente utilizadas para divisórias. Por outro lado, o tijolo continua sendo o material predominante para paredes divisórias em regiões como Hong Kong e o sul da China. Por que construímos de maneiras tão distintas, e quais são as vantagens e os desafios de cada metodologia construtiva?
Na busca por expandir e atrair novas experiências naturais para o centro das cidades, o design, o planejamento e a revitalização de determinados espaços urbanos acompanham uma série de estratégias que visam melhorar a qualidade de vida de sua população e manter uma conexão com la natureza enraizada na paisagem local. Por meio de soluções técnicas de tratamento de efluentes e drenagem de águas pluviais, mejoras na acessibilidade, incorporação de atividades recreativas e introdução de vegetação nativa, entre outras ações, inúmeros parques, praças e jardins integram-se aos tecidos urbanos e rurais. O objetivo é filtrar a poluição e purificar o ar, enfrentar problemáticas sociais e promover experiências que estimulem as relações entre a natureza, a biodiversidade e a sociedade.
O que é a renaturalização urbana? Como é possível reintegrar a natureza no ambiente urbano? Diante de um acesso cada vez mais limitado da população à natureza e de uma exposição crescente a riscos ambientais como a poluição sonora ou do ar, a escassez de recursos, as mudanças climáticas e outros fatores, o desenvolvimento de espaços "renaturalizados" nas cidades surge como uma ferramenta capaz de melhorar a qualidade de vida da população e projetar espaços de encontro, descanso e lazer para o bem comum que permitam, ao mesmo tempo, equilibrar o desenvolvimento urbano com a biodiversidade e os benefícios dos ecossistemas. Entre as muitas firmas de arquitetura que trabalham com esse conceito, destaca-se o escritório 08014 arquitectura, sediado em Barcelona, que por meio de seus projetos "Praça-jardim Rocafort" e "Passeio Comte D'Ègara" busca revitalizar setores urbanos específicos, focando especialmente na melhoria da qualidade de vida da população e em sua relação com o ambiente natural.
Muitas das principais cidades dos Estados Unidos estão lidando com grandes edifícios industriais em desuso. Essas edificações possuem relevância histórica e arquitetônica e, frequentemente, são protegidas por leis de preservação. Diante disso, profissionais de arquitetura enfrentam o desafio e a responsabilidade de adaptar esses edifícios às funcionalidades contemporâneas. A opção por evitar a demolição reflete uma abordagem sustentável na construção civil e destaca a importância de valorizar o patrimônio edificado.
A grande maioria dos/as profissionais que conheci ao longo dos anos busca recém-formados/as bem preparados/as, prontos/as para serem produtivos/as desde o primeiro dia de trabalho. No entanto, o ensino de arquitetura precisa ir muito além disso. Michael Monti — que nos últimos 20 anos atuou como diretor executivo da Association of Collegiate Schools of Architecture (ACSA), entidade que representa 5.000 docentes de arquitetura e mais de 30.000 estudantes — enfatiza que o ensino de arquitetura deve se apoiar em uma base sólida de valores compartilhados e ética. Somente assim, segundo ele, os/as egressos/as poderão contribuir de forma significativa para o que define como uma "vida civilizada", promovendo a dignidade, a liberdade, a saúde e o bem-estar das pessoas que interagem diariamente com a arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140371/as-escolas-de-arquitetura-sao-responsaveis-por-educar-o-estudante-como-um-todo-em-conversa-com-michael-montiMichael J. Crosbie
Os diretores da National Public Radio (NPR) achavam que tinham um plano sólido. Há mais de uma década, eles começaram a planejar novos escritórios no bairro de NoMa, em Washington, D.C., para consolidar 800 funcionários em três edifícios. O projeto de reuso adaptativo de um antigo galpão, orçado em US$ 201 milhões, somado a uma nova torre de sete andares, foi inaugurado em 2013 com pés-direitos monumentais, uma academia 24 horas, um café gourmet com chef residente e dezenas de bicicletários para incentivar o uso da bicicleta. Há apenas um problema: quase ninguém trabalha lá hoje em dia.
Pelo menos três quartos das baias de trabalho compactas que tomam andares inteiros do edifício estavam estranhamente vazios durante uma visita guiada da convenção anual do American Institute of Architects (AIA), realizada em junho — e isso não se devia ao fato de os repórteres estarem na rua cobrindo pautas. Devido às políticas de trabalho remoto, poucos profissionais de redação e edição usufruem dos US$ 44 milhões investidos em equipamentos de áudio e multimídia de ponta, além dos 14 estúdios e seis cabines de gravação do edifício.
Priorizar as pessoas e o planeta no âmbito da construção civil e do desenvolvimento imobiliário vem sendo visto como mais do que um mandato ético — trata-se de uma abordagem altamente lucrativa. Mudanças nas demandas do mercado, decretos municipais, regulamentações e a ênfase nos fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) estão influenciando o que define o sucesso do desenvolvimento urbano no século XXI.
Em Toronto, no Canadá, o projeto de requalificação do Aeroporto de Downsview, atualmente em andamento, exemplifica essa mentalidade na prática. Enquanto o desenvolvimento tradicional geralmente foca na maximização dos retornos de curto prazo, o projeto de Downsview oferece uma alternativa holística capaz de gerar lucros significativos a longo prazo, ao mesmo tempo em que responde a preocupações socioambientais mais amplas.
À medida que as nações africanas conquistavam sua independência, uma a uma, em meados do século XX, os programas de construção civil tornaram-se fundamentais para o processo de consolidação nacional. Em vários desses países, isso incluiu a edificação das instituições do Estado, como as suas respectivas assembleias nacionais. Essas construções não apenas viabilizam o processo legislativo, mas também simbolizam a governança, a identidade e as aspirações da nova nação. O período dos movimentos de independência coincidiu, ainda, com a introdução do Movimento Moderno no continente, associado à ideia de progresso e à ruptura com o passado colonial. Pelo território africano, algumas assembleias nacionais foram construídas precocemente, integrando o processo de nacionalização que antecedeu a independência, ao passo que outras só foram erguidas muito tempo depois.
Pietra Tiburtina - Campidoglio. Imagem cortesia de Casalgrande Padana
O travertino —conhecido como lapis tiburtinus pelos antigos romanos— perdura há séculos como um dos materiais mais emblemáticos do patrimônio do design italiano. Esta rocha calcária deixou uma marca duradoura na história da arquitetura, desde os monumentos do Império Romano até obras contemporâneas como a Igreja do Ano 2000 (Church of 2000) e o Museu Ara Pacis. Ao longo do tempo, sua estética evoluiu ao lado da arte e do design, adaptando-se aos avanços técnicos e preservando sua essência e relevância na arquitetura moderna.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140349/esculpindo-a-pietra-tiburtina-uma-abordagem-contemporanea-ao-travertino-classicoEnrique Tovar
Em algum momento, você pode ter se perguntado: "Quem é o/a principal arquiteto/a do mundo?". Trata-se de uma pergunta complexa, mas, felizmente, não existe uma única resposta definitiva. Se você tem curiosidade sobre o panorama global das indústrias de arte, arquitetura e design, o World Design Rankings (WDR) oferece um vislumbre interessante do pulso criativo das nações. Em vez de apenas citar nomes, o ranking traça um panorama amplo das potencialidades, fragilidades e do potencial inexplorado de cada país no universo do design.
Em 2024, a arquitetura continua a evoluir em resposta aos desafios globais, com um foco cada vez maior na sustentabilidade, no contexto cultural e na responsabilidade social. As entrevistas do ArchDaily com arquitetos/as de destaque, como Kengo Kuma e Anne Lacaton, destacam como o design está se voltando para soluções ambientais e centradas na comunidade. Essas conversas também lançam luz sobre vozes emergentes do Sul Global, onde práticas inovadoras enfrentam desafios sociopolíticos e ambientais singulares. Arquitetos/as de regiões como a África, Ásia e América Latina oferecem novas perspectivas, expandindo os limites da arquitetura tradicional para refletir suas diversas narrativas culturais e contextos locais.