Uma casa ancestral no vilarejo rural de Willendorf in der Wachau parece vigiar um pomar de árvores frutíferas. As árvores resistem há gerações e, até hoje, fornecem os frutos que servem de base para o negócio da família. Delimitados de um lado pelo rio Danúbio e do outro pela encosta do vale, tanto a casa quanto o pomar testemunharam juntos a passagem de inúmeras estações. A cada transição entre a escuridão e a luz, do inverno ao verão, surge a inevitabilidade da mudança.
Artigos
Guiados pela luz natural: um vislumbre do interior da Casa junto ao Jardim de Vênus
Parte infraestrutura, parte paisagem, parte arquitetura: uma conversa com Marion Weiss e Michael Manfredi
Os/as arquitetos/as de Nova York Marion Weiss e Michael Manfredi fundaram seu escritório, Weiss/Manfredi, em 1989, após vencerem dois importantes concursos — para o Military Women's Memorial no Arlington National Cemetery e para o Olympia Fields and Community Center, perto de Chicago —, ambos construídos na década de 1990. Entre suas obras construídas mais representativas estão o Centro de Visitantes do Brooklyn Botanic Garden, o Hunter's Point South Waterfront Park e o Barnard College Diana Center, todos na cidade de Nova York. O Olympic Sculpture Park do Seattle Museum of Art, projetado pela dupla, que venceu um concurso internacional e foi construído em 2007, foi aclamado pela crítica como um dos maiores parques de esculturas do mundo e um dos melhores exemplos de urbanismo de paisagem.
Data centers, caixas cegas e nuvens digitais, segundo Marina Otero Verzier

Nicolás Valencia conversa com a arquiteta espanhola Marina Otero Verzier, vencedora do Wheelwright Prize 2022, sobre sua pesquisa a respeito do custo material e extrativo da nuvem digital, tema desenvolvido em seu livro En las profundidades de la nube, publicado em 2024 pela Ediciones Asimétricas.
De plataforma a potência: a evolução e a visão de futuro do ArchDaily

Caras leitoras, caros leitores,
A arquitetura passa por tempos de profunda transformação, assim como as plataformas que moldam a maneira como a compreendemos.
No início deste ano, dirigi-me diretamente a vocês para compartilhar nossa visão para 2025: um compromisso em reafirmar a missão do ArchDaily, elevar nossa voz editorial e fortalecer nosso papel como uma fonte confiável e crítica para arquitetos e arquitetas de todo o mundo. Aquela mensagem marcou o início de um novo capítulo, fundamentado em relevância, clareza e ação intencional.
Um legado ancestral com preocupações modernas: a história por trás dos campos agrícolas de Waru Waru no Peru

Oferecendo um caminho rumo à resiliência e à segurança alimentar nas planícies aluviais do Lago Titicaca, os campos agrícolas Waru Waru distribuem-se por todo o altiplano peruano, constituindo um antigo sistema agrícola. Ao conectar um legado ancestral a preocupações modernas sobre segurança hídrica e alimentar, resiliência climática e gestão sustentável da terra, esses sistemas agrícolas abrem o debate acerca da gestão eficiente da água e da importância da biodiversidade agrícola. Ao mesmo tempo, integram o sentimento de identidade e orgulho da comunidade aimará local, consolidando um conhecimento cultural transmitido e preservado entre gerações.
Design de ecovilas: modelos para bairros urbanos regenerativos

A fragmentação social e as divisões econômicas fraturaram o tecido dos ambientes urbanos. Nesse contexto, as ecovilas surgem como soluções potentes para as crises sociais e ecológicas, microcosmos onde a vida sustentável, a coesão social e a resiliência econômica impulsionam o crescimento urbano. Baseadas na responsabilidade ambiental e em sistemas circulares, as ecovilas oferecem um modelo escalonável para inspirar o desenvolvimento de bairros urbanos regenerativos em todo o mundo. O desenvolvimento urbano e suburbano tradicional levou à dispersão e ao isolamento social, o que gerou efeitos prejudiciais para a coesão comunitária e para o meio ambiente. Paralelamente a esse fenômeno, as cidades tornaram-se desumanas, caracterizadas pelo anonimato, pela moradia inacessível, pelo congestionamento no trânsito e pela poluição. A falta de acesso à natureza consolida esses problemas, afastando a população urbana de elementos que promovem o bem-estar e o sentimento de pertencimento.
Além dos limites do projeto: o potencial arquitetônico dos revestimentos cerâmicos extrudados

Toda arquitetura se fundamenta na terra. Essa matéria-prima maleável e resiliente é a origem das placas cerâmicas extrudadas — a argila transformada de seu estado natural em uma solução arquitetônica sem perder nada de sua autenticidade. O trabalho da Exagres está enraizado nesse material natural, transformando cuidadosamente a argila com precisão técnica e guiando-a nessa jornada em vez de forçá-la.
Renovação e vida cotidiana: como a arquitetura latino-americana reinventa os espaços existentes

Em toda a América Latina, a reforma tem se concentrado menos na mera preservação e mais na resposta às mudanças nos modos de vida. Em vez de congelar os edifícios no tempo, muitos projetos contemporâneos trabalham com estruturas existentes para adaptá-las a novas rotinas domésticas, dinâmicas sociais e necessidades espaciais. Por meio de alterações estratégicas de materiais, composição, cor e luz, essas intervenções reinterpretam os espaços cotidianos, mantendo uma forte conexão com seu contexto original.
Nesse processo, casas e apartamentos tornam-se palcos de transformação onde o fluxo, a continuidade e os espaços compartilhados são cuidadosamente reconsiderados. A reforma funciona como uma ferramenta arquitetônica precisa, que prioriza a iluminação natural, a abertura e a flexibilidade para acolher a vida cotidiana em constante evolução. Em vez de impor novas formas, esses projetos reaproveitam o que já existe, alinhando as decisões espaciais aos hábitos e rituais de quem neles habita.
Da inteligência artificial aos/às artesãos/ãs: como o MEAN* mescla o design computacional com o artesanato do Oriente Médio

Reconhecido como uma das Melhores Novas Práticas de 2024 do ArchDaily, o escritório MEAN* (Middle East Architecture Network) está redefinindo o panorama arquitetônico da região ao fundir design computacional, fabricação digital e pesquisa de materiais com o patrimônio local. Fundado em 2016, o estúdio adota uma abordagem inovadora, desenvolvendo soluções arquitetônicas site-specific que equilibram a inovação tecnológica com a continuidade cultural. Seu trabalho abrange projetos de diversas escalas, desde móveis experimentais, como a Cadeira Mawj, até intervenções de escala urbana, como o The Adaptive Majlis — uma reinterpretação fabricada digitalmente de espaços sociais e de resfriamento tradicionais. Ao integrar ferramentas avançadas como design paramétrico, IA e impressão 3D com materiais locais, o MEAN* está moldando uma nova linguagem arquitetônica que reflete tanto as aspirações do futuro quanto a profundidade do passado.
Prolongando coberturas do Brasil à Índia: elementos paralelos de projeto residencial em 10 projetos

Não é de surpreender que conceitos arquitetônicos já viajassem pelo mundo muito antes da disseminação de informações pela internet. Se, por um lado, muitas regiões compartilham certos acontecimentos históricos e, consequentemente, referências (como a colonização e os movimentos de independência ou mudanças de regimes políticos em meados do século XX), por outro, algumas podem simplesmente ter desenvolvido soluções paralelas diante de condições climáticas e disponibilidade de materiais semelhantes. Além disso, com a disseminação de uma pedagogia arquitetônica mais uniforme adquirida em estudos no exterior, seguida pelo boom da internet, era natural que encontrássemos projetos quase gêmeos em todos os cantos do mundo. Embora eles possam parecer quase idênticos sob certos ângulos, podem carregar camadas e histórias distintas. Por outro lado, também podem revelar o mesmo raciocínio e premissas compartilhados por seus pares do outro lado do oceano.
Espaços educativos como polos culturais e cívicos no Oriente Médio: 7 projetos que redefinem o engajamento público

A educação há muito tempo é uma força motriz no Oriente Médio, moldando o conhecimento, incentivando a inovação e fortalecendo a identidade cultural. Nos últimos anos, a arquitetura educacional na região expandiu-se para além de sua função acadêmica, evoluindo para espaços de encontro público e polos culturais. Essas instituições são projetadas não apenas para o aprendizado, mas também para o diálogo, a pesquisa e a colaboração, frequentemente integrando pátios abertos, áreas públicas multiuso e elementos arquitetônicos que refletem a herança local. Seja por meio de sua abertura física, adaptabilidade ou conexão com o ambiente urbano, esses espaços reforçam a ideia de que universidades e centros de pesquisa são essenciais para a vida cívica.
Salvando o patrimônio arquitetônico de Montreal: o legado de Phyllis Lambert de mudanças impulsionadas pela comunidade

Phyllis Lambert tem sido uma figura fundamental na preservação do patrimônio cultural do Canadá. Como arquiteta e defensora da conservação patrimonial, Lambert deixou uma marca indelével em Montreal e em outras cidades ao redor do mundo. Suas contribuições para o cenário arquitetônico de Montreal não devem ser avaliadas apenas em termos de edifícios individuais, mas sim pela perspectiva da cidade como um todo. Ela não apenas cofundou o Centro Canadense de Arquitetura (CCA), mas também ajudou a remodelar a forma como cidades como Montreal pensam sobre o patrimônio e sobre a importância das vozes da comunidade no planejamento urbano.
Construir Menos: Foco Editorial de Novembro do ArchDaily

Como defendia o falecido urbanista Jaime Lerner, o futuro da arquitetura não está em construir novas cidades, mas em atualizar as já existentes. Em um mundo no qual os recursos são finitos e o espaço urbano está cada vez mais saturado, sua afirmação parece mais urgente do que nunca. Ela convoca os/as arquitetos/as a olharem para dentro, a repensarem o que realmente precisa ser construído e a reconhecerem o potencial criativo do que já existe. Nas limitações das estruturas existentes reside a oportunidade de projetar de forma diferente: reparar, adaptar e reutilizar. Ou, como diria o poeta francês Louis Aragon, reinventar o passado para ver a beleza do futuro.
Este mês, o ArchDaily explora Construir Menos: Repensar, Reutilizar, Renovar, Readaptar, um tema que examina a crescente mudança na arquitetura em direção ao trabalho com o que já existe. À medida que os espaços urbanos se tornam mais densos e a terra se torna escassa, os/as arquitetos/as repensam o impulso de construir do zero. Em vez disso, prolongam a vida útil das estruturas existentes, adotando o retrofit e a reutilização adaptativa como estratégias de sustentabilidade e criatividade. A pergunta que orienta esta exploração é simples, porém urgente: como a arquitetura pode redefinir os futuros urbanos construindo menos?
Celebrando a inovação em madeira: insights do Prêmio Built by Nature 2025

As inscrições para o Built by Nature Prize 2025 já estão abertas. A premiação reconhece projetos concluídos — novas construções, reformas e ampliações — que demonstrem liderança no uso de madeira sustentável e construção com materiais de base biológica. Com o objetivo de destacar as melhores práticas globais, o Prêmio oferece a profissionais de arquitetura e equipes de projeto a oportunidade de obter visibilidade internacional e contribuir para o debate em constante evolução sobre a construção regenerativa. O prazo para envio de propostas vai até as 23h59 (CET) do dia 8 de junho de 2025. As inscrições podem ser feitas pelo site builtbn.org/prize.
"Estávamos sempre criticando, estávamos sempre jogando granadas nas coisas": Em conversa com Elizabeth Diller
Adoro reunir listas de declarações originais, quase como manifestos, de arquitetos/as em busca constante de novos caminhos. Elas nos instigam a imaginar possibilidades que antes não ousávamos considerar. Questionar convenções deveria ser o principal objetivo de um/a crítico/a ao dialogar com uma mente criativa. Caso contrário, o que haveria para discutir, afinal? É por isso que conversar com Elizabeth Diller sobre o trabalho e as intenções de seu escritório é como um sopro de ar fresco, especialmente hoje em dia, quando tantos/as arquitetos/as parecem satisfeitos/as em se alinhar ao que é esperado. Em uma de nossas conversas anteriores, Diller foi direta: "Não levamos os limites profissionais a sério. Cada vez que recebemos um programa de necessidades, nós o desconstruímos e fazemos novas perguntas continuamente. Nada é fixo." Desta vez, conversamos sobre a nova monografia do Diller Scofidio + Renfro, "Architecture, Not Architecture". O livro, um projeto em si, propõe repensar os próprios limites da arquitetura, reinventando, no processo, o que um livro pode ser. Durante nossa conversa de uma hora e meia pelo Zoom — plataforma que prefiro pelo registro de gravação frontal dupla —, ela disse entusiasmada: "Estávamos sempre criticando; sempre jogando granadas nas coisas."
Liu Jiakun: Conheça a obra do vencedor do Pritzker 2025

O Prêmio Pritzker de 2025 foi concedido este ano ao arquiteto chinês Liu Jiakun. Nascido em Chengdu em 1956, ele cresceu nessa cidade em crescente adensamento antes de ingressar e se formar no Chongqing Architecture and Engineering College (Chongqing University) em 1982, obtendo o título de Bacharel em Engenharia com especialização em Arquitetura. Com isso, tornou-se uma das primeiras pessoas graduadas a assumir a tarefa de reconstruir o país durante o período de transição chinês. No entanto, foi apenas muitos anos mais tarde que o arquiteto compreendeu que "o ambiente construído poderia ser usado como um meio de expressão pessoal". Foi a partir de então que seus projetos e sua carreira decolaram, com Liu Jiakun fundando seu escritório em 1999 e passando a se envolver em trabalhos mais colaborativos na China e na Europa. Fruto de suas vivências, suas obras ancoram-se na compreensão da realidade e no respeito à história de múltiplas tradições e à diversidade interna da China, ao mesmo tempo em que alcançam um equilíbrio fluido entre arquitetura e natureza, tradição e modernidade.
Esses conceitos não limitam sua percepção das necessidades humanas e da importância dos espaços comunitários. Por meio de seus projetos, Liu Jiakun demonstra que os espaços podem afetar o comportamento humano e evocar sentimentos positivos. Um espaço público como os que ele cria é capaz de propiciar uma atmosfera acolhedora que favorece o descanso e a colaboração, refletindo o que descreve como "minha busca por narrativa e poesia no projeto". A abrangência das obras de Liu Jiakun permite que elas não fiquem restritas a exigências ou limitações estilísticas e estéticas. O arquiteto simplesmente responde ao que o terreno, a paisagem natural, a malha urbana preexistente e as necessidades da população demandam. O resultado construído é uma síntese de todos esses elementos com as tradições vernáculas predominantes.
Refratando a luz e redefinindo o espaço: blocos de vidro em interiores contemporâneos

Os tijolos de vidro têm sido amplamente utilizados na arquitetura, tornando-se, com o tempo, uma marca registrada dos estilos arquitetônicos da década de 1980. Entre os exemplos clássicos de construção com este material estão a célebre "Maison de Verre", de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet em Paris, e a releitura mais moderna de Hiroshi Nakamura & NAP com a Optical Glasshouse no Japão. Nos últimos anos, os tijolos de vidro vêm ganhando cada vez mais popularidade, deixando de ser associados apenas a uma estética do passado. Em vez disso, eles evoluíram para elementos de design versáteis que trazem luz, textura e personalidade aos interiores contemporâneos. Sua capacidade de difundir a luz natural e artificial mantendo a privacidade reacendeu o interesse de profissionais de design que buscam maneiras inovadoras de valorizar os espaços internos, aproveitando ao máximo a iluminação natural.
Construindo entre os galhos: um panorama da arquitetura contemporânea de casas na árvore

Apesar de sua aparência lúdica, as casas na árvore oferecem uma plataforma única para inovações estruturais e explorações de projeto. As casas na árvore tradicionais dependem dos troncos para sustentação estrutural, mas, a fim de aliviar a carga suportada pela árvore, os projetos contemporâneos frequentemente introduzem sistemas adicionais, como pilares para manter o aspecto lúdico ao mesmo tempo em que oferecem suporte extra. Uma das principais vantagens de elevá-las dessa maneira é a redução da pegada ambiental. As casas na árvore podem ser projetadas de modo a deixar o solo da floresta intocado, preservando ecossistemas de pequena escala. Ao liberar o solo abaixo, minimizam-se as interferências na flora e fauna nativas, permitindo que a natureza prospere sem perturbações. Da mesma forma, muitos arquitetos e arquitetas utilizam a topografia local para criar conexões fluidas, incorporando rampas, escadas ou pontes que se integram à paisagem. Essas soluções não apenas melhoram a acessibilidade, mas também enriquecem a experiência geral, criando um passeio arquitetônico que transita entre a casa na árvore e seu entorno.
"Essa sensibilidade ao meio ambiente se reflete não apenas no projeto estrutural, mas também na seleção cuidadosa dos materiais. O uso de materiais naturais, como a madeira, também ajuda a estrutura a se mesclar com o ambiente. Algumas equipes de projeto foram além ao empregar materiais alternativos, como painéis espelhados para refletir a floresta ao redor e camuflar completamente a presença da casa na árvore, demonstrando que a escolha dos materiais pode contribuir para criar um projeto que pareça uma extensão de seu entorno, e não uma imposição a ele. Esta seleção destaca exemplos notáveis na Suécia, Dinamarca, Indonésia e França, apresentando suas diversas abordagens.
Aquecimento Global: Como a Arquitetura Vernacular é Afetada pela Crise Climática

A arquitetura vernácula é frequentemente apontada como detentora de lições valiosas para a criação de edifícios de baixo consumo energético e para o combate às mudanças climáticas. No entanto, à medida que os padrões meteorológicos se transformam, há casos em que as próprias técnicas tradicionais de construção começam a correr risco. Além das variações de temperatura, diferentes regiões têm se tornado mais úmidas ou mais secas, enfrentando um aumento no risco de secas, enchentes, tempestades e alterações na flora local. As casas pintadas de Tiébélé, em Burkina Faso, reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO, são um exemplo disso.
Fechando o ciclo da água com a reciclagem de águas cinzas no banheiro

A parceria com a Hydraloop
As mulheres pioneiras da arquitetura equatoriana, segundo Verónica Rosero e Néstor Llorca

Nicolás Valencia conversa em Quito com a arquiteta Verónica Rosero e o arquiteto Néstor Llorca, coautores/as, ao lado de María José Freire, sobre o livro Pioneras de la arquitectura ecuatoriana, publicado pela Trama Ediciones em 2021 e vencedor da Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito 2022 na categoria de publicações.
Navegando limites: o legado arquitetônico dos faróis

Os faróis se erguem ao longo das margens de continentes e ilhas há séculos como pontos de luz em vastos territórios marítimos. Solitárias sobre falésias rochosas, recifes e cabos, essas torres funcionavam como ferramentas de navegação e instrumentos de clareza espacial, moldando litorais e definindo o limite entre a terra e o mar. Construídas para guiar, alertar e localizar, elas constituíam uma rede global de visibilidade muito antes do advento do mapeamento digital. No entanto, à medida que as tecnologias marítimas evoluíram, muitas dessas estruturas perderam seu propósito original. A tipologia, outrora essencial, encontra-se hoje à beira da obsolescência. O que resta não é meramente uma relíquia arquitetônica, mas uma forma espacial poderosa — resiliente, simbólica e cada vez mais aberta a reinterpretações.
De Vancouver a Kyiv: Architecture Now apresenta projetos globais que moldam espaços sagrados, cívicos e culturais

À medida que as cidades e comunidades se adaptam a novas realidades culturais, ambientais e sociais, a arquitetura assume um papel cada vez mais amplo na criação de espaços de resiliência, encontro e imaginação. Esta edição do Architecture Now destaca seis projetos recentes que abrangem diferentes continentes e tipologias — desde a requalificação de paisagens pós-industriais até a arquitetura sacra, pavilhões culturais e centros cívicos. Seja por meio de inovações em madeira engenheirada em Vancouver e Jülich, reuso adaptativo em Ostrava, um pavilhão infantil em Londres, um centro espiritual na Índia ou uma igreja paramétrica em Kyiv, cada projeto demonstra como o design pode conectar patrimônio e inovação ao mesmo tempo em que promove conexão, cuidado e comunidade.
Ornamentação na era dos algoritmos e da robótica: a tecnologia pode trazer de volta o detalhe arquitetônico?

O ornamento arquitetônico tem sido um tema recorrente de debate no setor há décadas. Essa prática, amplamente abandonada durante o movimento modernista, pode agora estar diante de uma plataforma que viabilize seu ressurgimento, graças à convergência atual entre robótica, inteligência artificial (IA) e fabricação digital. A tecnologia parece ter eliminado o principal obstáculo ao detalhamento decorativo: o alto custo da mão de obra manual qualificada. No entanto, essa nova capacidade técnica exige um exame crítico: o que a ornamentação realmente representa e o que ganhamos ou perdemos ao ressuscitá-la por meio do design algorítmico?
















