Diante da realidade de que as mudanças climáticas estão tornando as cidades cada vez mais inabitáveis, a população se depara com a escolha de abandonar ou transformar seus ambientes. Os projetos não construídos reunidos neste artigo oferecem alternativas transformadoras para cidades mais habitáveis, combinando estratégias de construção, arquitetura e paisagismo em parques urbanos e espaços intersticiais suburbanos. Funcionando como laboratórios ecológicos, essas propostas incorporam uma perspectiva multiespécies ao processo de projeto, adotando uma concepção de tempo mais adequada ao desenvolvimento dos ecossistemas.
A Universidade de Toronto revelou o projeto do Temerty Building, uma nova instalação voltada para a pesquisa e o ensino na área da saúde, localizada no coração do campus universitário. O projeto foi desenvolvido pelos escritórios MVRDV e Diamond Schmitt Architects em colaboração com o Two Row Architect. A proposta dá continuidade a uma parceria anterior entre os dois primeiros escritórios no campus de Scarborough da Universidade de Toronto, cuja conclusão está prevista para o final de 2026. Apresentado originalmente no Plano Estratégico Acadêmico 2018-2023 da Temerty Medicine, o projeto prevê uma ampliação de 36.000 metros quadrados do Medical Sciences Building da universidade, incluindo laboratórios de ensino superior, salas de aula e espaços compartilhados. As obras no local devem começar no segundo semestre de 2026, com os trabalhos preparatórios previstos para julho.
Cortesia de Kengo Kuma & Associates e Field Operations
O Brandywine Conservancy & Museum of Art, localizado próximo a Filadélfia, dedica-se a promover as conexões naturais e culturais entre as paisagens, os marcos históricos e os artistas da região. A Conservancy protege terras e recursos hídricos ao longo do Vale do Brandywine e outras áreas prioritárias de conservação, enquanto o museu abriga uma coleção de arte estadunidense, com destaque para a pintura de paisagens e naturezas-mortas, retratos e ilustrações. Em 6 de maio de 2026, a instituição anunciou um projeto para transformar seu campus de 15 acres (cerca de 6 hectares), o qual inclui a reforma do edifício histórico do museu, um novo edifício projetado por Kengo Kuma & Associates e intervenções de conservação e paisagismo pelo escritório Field Operations, criando uma reserva de 325 acres (cerca de 131 hectares) aberta ao público com 10 milhas (cerca de 16 quilômetros) de trilhas.
A proposta de projeto do escritório UNS para a nova Linha 2 do Metrô de Turim, desenvolvida em colaboração com Settanta7, Mijksenaar, Frigorosso, 3BA e WSP, foi selecionada por um júri internacional de especialistas presidido por Dominique Perrault. A proposta baseia-se na ideia de "fluxo", um conceito que historicamente moldou a cidade italiana, desde os rios Pó e Dora até os 18 quilômetros de pórticos em arco que estruturam a circulação de moradores/as e visitantes. O projeto prevê a Linha 2 como um novo "rio urbano", guiado por três princípios de design para facilitar esse fluxo: branding, experiência de trânsito e escalas de identidade. Com 32 estações planejadas no total, a fase inicial de projeto inclui 10 estações, entre elas Mole Giardini, San Giovanni Bosco e Carlo Alberto.
O California Science Center é um destino dinâmico onde visitantes de todas as idades podem explorar as maravilhas da ciência por meio de exposições interativas, demonstrações ao vivo, programas inovadores e filmes em grande formato. O centro e o cinema IMAX estão localizados no histórico Exposition Park, em Los Angeles, onde uma expansão está em construção desde junho de 2022. O novo Samuel Oschin Air and Space Center, projetado pela equipe de arquitetura da ZGF Architects, é uma ampliação com cerca de 18.500 metros quadrados que praticamente duplicará o espaço de exposição educativa do Science Center. A construção do edifício foi concluída em 13 de abril de 2026. Sua principal atração é o ônibus espacial aposentado Endeavour, da NASA, utilizado em missões de 1992 até sua 25ª e última viagem, em 2011.
O Southbank Centre é um complexo cultural em Londres construído entre 1963 e 1968, amplamente considerado um exemplo representativo do brutalismo britânico. Hoje, o local abriga uma ampla variedade de eventos, incluindo artes visuais, teatro, dança, música clássica e contemporânea, literatura, poesia e debates. O edifício foi projetado por uma equipe do Departamento de Arquitetura do Conselho do Condado de Londres, liderada pelo arquiteto Norman Engleback. Tornou-se um exemplo controverso de arquitetura moderna após sua inauguração em outubro de 1967, quando engenheiros/as elegeram o Queen Elizabeth Hall como o "ápice da feiura" em uma votação sobre novos edifícios, e o Daily Mail se referiu a ele como "o edifício mais feio da Grã-Bretanha". Cinquenta e nove anos depois, em 10 de fevereiro de 2026, o complexo recebeu o status de tombamento Grau II pelo Departamento de Cultura, Mídia e Esporte (DCMS) do governo britânico, após uma campanha de 35 anos que defendia sua proteção como patrimônio arquitetônico moderno.
Render da vista externa da unidade de atendimento ambulatorial e farmácia do projeto da Clínica Ineza, 2026. Imagem Cortesia de Kéré Architecture
O escritório Kéré Architecture projetou um novo centro de saúde na região de Bubanza, no Burundi, cerca de 40 quilômetros ao norte da antiga capital do país, Bujumbura. Comissionado pela ONG Ineza Clinic, o projeto visa melhorar o acesso à saúde para a população rural da região, complementando os serviços do hospital geral já existente, com foco em maternidade e atendimento cirúrgico especializado. O plano de Francis Kéré distribui o programa em dez pavilhões conectados por uma via que sobe a encosta em zigue-zague em direção a um centro de visitantes, formando um complexo de 3.000 m². O projeto combina materiais provenientes da região circundante, artesanato tradicional e transferência de conhecimento, minimizando sua pegada de carbono, apoiando a economia local e fortalecendo as equipes da região. A construção já foi iniciada, e a conclusão da primeira fase está prevista para este ano.
O Museu de Arte ARoS Aarhus, na Dinamarca, inaugurou As Seen Below – The Dome, um novo Skyspace do/a artista estadunidense James Turrell que completa o The Next Level, a expansão subterrânea de aproximadamente 4.000 metros quadrados do museu, projetada pelo escritório de arquitetura Schmidt Hammer Lassen. Aberto ao público em 19 de junho de 2026, o projeto marca o ápice de mais de duas décadas de colaboração entre a cidade de Aarhus, o ARoS e o escritório dinamarquês de arquitetura, após a conclusão do edifício do museu em 2004 e a adição de Your Rainbow Panorama, de Olafur Eliasson, em 2011. Localizada sob o renovado Musikhusparken, no centro de Aarhus, a instalação é a peça central da mais recente expansão do museu e acrescenta uma nova obra em grande escala de Turrell ao seu acervo.
BIG – Bjarke Ingels Group está perto de concluir o EVE Music Hall em Čepin, no leste da Croácia, projetado em colaboração com o SIRRAH projekt e o Theatre Projects. O projeto de 10.000 m² abriga uma casa de shows, instalações para congressos, áreas de exposição, um café e espaços para eventos na cobertura. O local deve receber concertos, conferências, exposições e atividades culturais, com capacidade para quase 4.000 pessoas em áreas cobertas e até 25.000 ao ar livre. O novo edifício cultural marca o primeiro projeto do escritório na Croácia e deve se tornar sua primeira casa de espetáculos musicais concluída, com previsão de entrega para o início de 2027.
"Mapear o Novo Mundo" é o lema do Projeto PLATEAU, liderado pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (MLIT), para desenvolver e expandir o acesso a modelos 3D que representam a diversidade das cidades de todo o país. O Japão é composto por um total de 744 cidades, incluindo 14 com populações que superam um milhão de habitantes, 190 com população entre 100 mil e um milhão, e 540 com populações entre 10 mil e 100 mil habitantes. Até o momento, modelos 3D de mais de 250 cidades foram disponibilizados como dados abertos por meio do Centro de Informações G-Espaciais público do país, podendo também ser acessados através de um visualizador online no navegador. Segundo as autoridades públicas, o projeto visa fortalecer a resiliência urbana ao fornecer à sociedade novas ferramentas para enfrentar desafios locais. Isso envolve não apenas a modelagem do espaço urbano, mas também a colaboração com governos locais, empresas privadas e comunidades de tecnologia. O projeto inclui ainda uma reconstrução digital do local da recém-encerrada Expo Mundial de Osaka.
O escultor mexicano Pedro Reyes desenvolveu uma prática multidisciplinar que abrange escultura, arquitetura, engajamento social e ativismo. Com formação como arquiteto, Reyes aborda a escultura como um processo tanto material quanto coletivo, combinando o entalhe tradicional em pedra com projetos participativos que tratam de questões sociais contemporâneas. Seu trabalho frequentemente explora a transformação, seja por meio de materiais físicos ou de ação comunitária, posicionando a escultura como uma ferramenta para reimaginar realidades sociais. Em uma entrevista de 2025 ao Louisiana Channel, Reyes discute a influência da arquitetura em sua prática artística, o conceito de "escultura social" e a importância de preservar as tradições artesanais em um mundo cada vez mais automatizado.
Unidades de Habitação Temporária Tierras em Palenque, México, por Manuel Cervantes Estudio. Imagem cortesia de International Union of Architects (UIA)
Durante uma cerimônia realizada no Fórum Urbano Mundial (WUF) em Baku, Azerbaijão, em 20 de maio de 2026, a União Internacional de Arquitetos (UIA) e o ONU-Habitat anunciaram os/as vencedores/as do terceiro ciclo do Prêmio UIA 2030. O prêmio bienal reconhece projetos construídos que trazem contribuições significativas para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Arquitetos/as foram convidados/as a enviar projetos de arquitetura, paisagismo e desenho urbano que abordassem desafios ambientais, sociais e econômicos urgentes em seis categorias: gestão sustentável da água, promoção de ambientes de trabalho seguros, habitação adequada e acessível, planejamento eficiente e inclusivo, acesso a espaços verdes e públicos e resiliência climática.
"A equidade de gênero continua sendo um problema persistente na arquitetura. As arquitetas representam cerca de um terço ou menos da profissão em todo o mundo." Esta é a declaração de abertura do documentário Transnational Narratives: A Documentary Celebrating South Asian Women in Architecture, fruto da 4ª Bolsa Lilly Reich para a Igualdade na Arquitetura. A bolsa, uma iniciativa da Fundació Mies van der Rohe, promove a igualdade de acesso a oportunidades na prática arquitetônica e apoia o estudo e a disseminação de contribuições para a arquitetura que foram injustamente invisibilizadas. Nesse contexto, o documentário, concebido pela Dra. Igea Troiani, pela Dra. Mamuna Iqbal, pela artista e pesquisadora Paula Roush e pela cineasta Rime Tsujino, traz visibilidade às experiências de seis arquitetas de origem sul-asiática: Sumita Singha, Chitra Vishwanath, Sara Khan, Fauzia Qureshi, Sajida Vandal e Neelum Naz, cujas trajetórias profissionais abrangem a Índia, o Paquistão e o Reino Unido.
O V&A East Museum, projetado pelos/as arquitetos/as O'Donnell + Tuomey, abrirá ao público em 18 de abril de 2026. Comissionado ao escritório em 2015, o novo edifício está localizado no Queen Elizabeth Olympic Park, próximo à sua instalação irmã recentemente inaugurada, o V&A East Storehouse, projetada por Diller Scofidio + Renfro. Situado na região leste de Londres, o mais novo distrito cultural do Reino Unido, apoiado pela Prefeitura de Londres, o complexo de dois edifícios tem como objetivo "destacar as diversas maneiras pelas quais artistas, designers e criadores/as de todo o mundo usam a criatividade para moldar o planeta". Dedicados à oportunidade criativa e ao seu poder de gerar mudanças, os cinco níveis públicos do museu contam com duas galerias permanentes, uma galeria de exposições temporárias de 900 m², um espaço para projetos e eventos no último pavimento, instalações de aprendizagem e um café.
Um novo museu dedicado à ciência da fibra de carbono foi inaugurado em Fiorenzuola d'Arda, Itália, em 17 de dezembro de 2025. O projeto remonta a 2021 e foi desenhado pelo escritório CRA–Carlo Ratti Associati em colaboração com o falecido arquiteto italiano Italo Rota. Encomendado pela MAE, fabricante de equipamentos para a produção de fibra de carbono, o projeto transforma um dos maiores acervos do mundo sobre fibra de carbono em um museu dinâmico, unindo a pesquisa à preservação arquivística e convertendo o arquivo em um espaço de exploração interativa. O projeto é descrito pela equipe de projeto como um "museu vivo", um lugar para ler, indagar e conectar ideias.
Battersea Power Station é uma antiga usina termoelétrica a carvão localizada na margem sul do Rio Tâmisa, em Londres, com projeto original assinado por J. Theo Halliday e Giles Gilbert Scott. Famosa por aparecer na capa do álbum de estúdio Animals, lançado pelo Pink Floyd em 1977, e no filme Sabotage, de Alfred Hitchcock, de 1936, a usina é um dos maiores edifícios de tijolos do mundo, reconhecida por seus acabamentos e decoração de interiores em estilo Art Déco. Hoje reconhecido como parte do patrimônio industrial moderno, o local começou a ser transformado em um empreendimento comercial em 2012, com a reutilização adaptativa orientada por um masterplan desenvolvido por Rafael Viñoly. No dia 16 de fevereiro, a Battersea Power Station anunciou a contratação do escritório de desenho urbano estratégico Studio Egret West para desenvolver o masterplan original para os 16 acres restantes do bairro de 42 acres à beira-rio, no sudoeste de Londres.
Tsuyoshi Tane é um arquiteto japonês nascido em 1979 em Tóquio e radicado em Paris, onde fundou o ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects em 2006. Com atuação em projetos culturais, institucionais e de paisagismo, Tane desenvolveu uma abordagem arquitetônica que posiciona a memória como diretriz fundamental do projeto. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, gravada em seu estúdio em Paris, ele reflete sobre a arquitetura como uma disciplina de observação e pensamento, argumentando que o design significativo surge de uma leitura atenta dos vestígios contidos em um terreno. Para ele, a arquitetura não é produzida a partir de uma tela em branco, mas começa com uma investigação sobre o que já existe física, cultural e emocionalmente sob a superfície de um lugar.