Apesar de sua extensão territorial reduzida, a ilha de Taiwan é densamente povoada, com mais de 80% de sua população vivendo em áreas urbanas. Diante disso, o espaço disponível é frequentemente limitado, sobretudo em grandes cidades como Taipé, Taichung e Kaohsiung. Por esse motivo, profissionais de design e arquitetura enfrentam o desafio constante de criar interiores que pareçam amplos, funcionais e visualmente atraentes, apesar de suas plantas por vezes compactas. Em vez de encarar essas limitações como restrições, as equipes de projeto as transformam em oportunidades para experimentar layouts inteligentes e mobiliário multifuncional que melhora a habitabilidade.
Al agua patos de K37.lab (Carlos Iraburu Elizalde, Álvaro Oriol, José Rodríguez-Losada, Carlos Iraburu Bonafé), España.. Image Cortesía de k37.lab
O consolidado festival de arquitetura efêmera e cidade, Concéntrico, prepara-se para sua décima primeira edição, que, como todos os anos, acontecerá na cidade de Logroño. Em 2025, o encontro será de 19 a 24 de junho, com uma programação que incluirá diversas atividades, conferências e percursos para refletir sobre o espaço público, as cidades e nossa forma de intervir e interagir com elas.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142269/sana-frini-e-philippe-rahm-assinam-a-curadoria-da-exposicao-de-arquitetura-na-bienal-de-arquitetura-e-paisagismo-de-versalhes-de-2025ArchDaily Team
Se você ainda não viu "O Brutalista" e pretende ver, recomendo que não prossiga a leitura deste texto e o guarde para depois da sessão. Há spoilers em muitas linhas subsequentes. Caso o leitor espere ler aqui uma crítica de cinema, peço desculpas antecipadamente porque irei frustrá-lo: isto aqui é uma crítica arquitetônica a partir de assuntos abordados na película.
A frase final do filme incita um interessante debate sobre o processo de projeto de arquitetura: "Não importa o que os outros tentem lhe vender, o que importa é o destino, não é a jornada." A frase foi dita por Zsófia, sobrinha do arquiteto ficcional László Tóth, protagonista de "O Brutalista", durante o epílogo que apresenta o seu reconhecimento internacional em uma cerimônia da primeira Bienal de Arquitetura de Veneza, de 1980, cujo título era a "A presença do passado".
Em uma busca constante por encontrar novas maneiras de reduzir os custos e prazos de construção, a arquitetura modular se apresenta como uma oportunidade para implementar diversos métodos, tecnologias e técnicas que permitam projetar espaços habitáveis a partir de elementos repetitivos independentes, como os módulos. Como afirma Tom Hardiman, diretor executivo do Modular Building Institute (MBI), "modular" não se trata de um produto de construção, mas sim de um processo construtivo.
A arena United Center em Chicago, projetada por HOK Sport (hoje Populous), Marmon Mok e W.E. Simpson Company, foi construída entre 1992 e 1994. Com capacidade para mais de 20.000 pessoas em eventos esportivos e gerais, a arena conta com mais de 6.000 vagas de estacionamento em seu entorno. Esses bolsões de estacionamento ocupam cerca de 55 acres (mais de 22 hectares) no West Side de Chicago (1901 W. Madison Street). Um novo plano diretor, batizado de 1901 Project, pretende transformar essa área em um bairro de uso misto. Liderado pelo coletivo de design RIOS, com a colaboração do escritório de arquitetura de paisagem Field Operations, este projeto multifásico de longo prazo busca conectar bairros por meio da criação de novos espaços públicos e infraestrutura em escala metropolitana. A proposta recebeu aprovação recente da Comissão de Planejamento de Chicago.
O Paquistão revelou seu pavilhão nacional para a 19ª Exposição Internacional de Arquitetura - La Biennale di Venezia, que acontecerá de 10 de maio a 23 de novembro de 2025, em Veneza, Itália. Sob o título (Fr)Agile Systems), o pavilhão explora a dupla natureza da resiliência e da vulnerabilidade frente às mudanças climáticas, utilizando o rico patrimônio geológico e cultural do Paquistão como lente para examinar as desigualdades ambientais globais. Por meio de uma instalação impactante que apresenta o sal-gema — um material moldado pelo tempo, mas suscetível a transformações —, o pavilhão desafia as narrativas dominantes de adaptação climática, defendendo soluções localizadas e baseadas na natureza, em vez de abordagens universais e padronizadas.
Liu Jiakun, laureado com o Prêmio Pritzker de 2025, passou décadas redefinindo a arquitetura chinesa ao conciliar utopia e função, engajamento social e memória pessoal. Suas obras refletem a vida cotidiana das pessoas comuns, concebidas a partir de uma profunda compreensão do lugar, da cultura e da materialidade. Ao rejeitar a busca por um estilo arquitetônico fixo, Jiakun aposta em uma estratégia em detrimento de uma estética de assinatura, moldando cada projeto a seu contexto e necessidades específicas. Seu trabalho integra a história às demandas urbanas contemporâneas, o coletivismo à experiência individual e a densidade à abertura, oferecendo respostas precisas aos desafios da rápida urbanização.
A abordagem de Jiakun está profundamente enraizada na filosofia chinesa, no bom senso e no artesanato local, garantindo que a arquitetura brote naturalmente de seu entorno em vez de se impor a ele. Seus edifícios refletem uma autenticidade que dialoga tanto com o passado quanto com o presente, evitando gestos grandiosos em favor de espaços que promovem a interação, a espiritualidade e a conexão humana.
O Prêmio Pritzker de 2025 foi concedido este ano ao arquiteto chinês Liu Jiakun. Nascido em Chengdu em 1956, ele cresceu nessa cidade em crescente adensamento antes de ingressar e se formar no Chongqing Architecture and Engineering College (Chongqing University) em 1982, obtendo o título de Bacharel em Engenharia com especialização em Arquitetura. Com isso, tornou-se uma das primeiras pessoas graduadas a assumir a tarefa de reconstruir o país durante o período de transição chinês. No entanto, foi apenas muitos anos mais tarde que o arquiteto compreendeu que "o ambiente construído poderia ser usado como um meio de expressão pessoal". Foi a partir de então que seus projetos e sua carreira decolaram, com Liu Jiakun fundando seu escritório em 1999 e passando a se envolver em trabalhos mais colaborativos na China e na Europa. Fruto de suas vivências, suas obras ancoram-se na compreensão da realidade e no respeito à história de múltiplas tradições e à diversidade interna da China, ao mesmo tempo em que alcançam um equilíbrio fluido entre arquitetura e natureza, tradição e modernidade.
Esses conceitos não limitam sua percepção das necessidades humanas e da importância dos espaços comunitários. Por meio de seus projetos, Liu Jiakun demonstra que os espaços podem afetar o comportamento humano e evocar sentimentos positivos. Um espaço público como os que ele cria é capaz de propiciar uma atmosfera acolhedora que favorece o descanso e a colaboração, refletindo o que descreve como "minha busca por narrativa e poesia no projeto". A abrangência das obras de Liu Jiakun permite que elas não fiquem restritas a exigências ou limitações estilísticas e estéticas. O arquiteto simplesmente responde ao que o terreno, a paisagem natural, a malha urbana preexistente e as necessidades da população demandam. O resultado construído é uma síntese de todos esses elementos com as tradições vernáculas predominantes.
O Museu Judaico de Berlim, projetado por Daniel Libeskind, utiliza a sinestesia para evocar sentimentos de desorientação, perda e memória por meio de uma geometria fragmentada, iluminação contrastante e escolhas de materiais. Inspirado em uma Estrela de Davi despedaçada, o edifício conduz os/as visitantes por corredores inclinados e estreitos, gerando instabilidade e desconforto. A luz, ora filtrada por frestas, ora quase totalmente ausente em certas áreas, reforça a atmosfera opressiva. O concreto aparente, com sua textura fria e rígida, intensifica essa experiência, enquanto o vazio ressoa com ecos e silêncio. No espaço Shalekhet (Folhas Caídas), placas de metal em forma de rostos emitem sons perturbadores ao serem pisadas, criando uma experiência auditiva desconfortável. O museu transcende sua função como espaço expositivo e se torna uma experiência arquitetônica imersiva, na qual luz, som, textura e forma se combinam para transmitir a dor e a memória do Holocausto.
A arquitetura é uma disciplina que evolui por meio de etapas progressivas, em que cada fase se desenvolve a partir da anterior. O estudo preliminar, por exemplo, começa com conceitos amplos e explorações iniciais, seguidos por análise do terreno, croquis e modelos 3D, com ajustes realizados ao longo do processo. O verdadeiro desafio não reside apenas em seguir essa sequência, mas em equilibrar velocidade, qualidade e eficiência para gerenciar a relação entre tempo e qualidade. Nesse contexto, a integração da inteligência artificial generativa no ambiente construído remodela a dinâmica arquitetônica ao auxiliar profissionais de arquitetura, criando espaço para maior experimentação e exploração. Seu impacto é especialmente significativo na renderização, que antes representava um gargalo em diferentes etapas do projeto—em particular durante o desenvolvimento do conceito. Hoje, contudo, a renderização arquitetônica baseada em IA opera de forma fluida, permitindo maior foco na resolução criativa de problemas por meio de ferramentas e estratégias inovadoras.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143140/como-a-renderizacao-com-ia-elimina-gargalos-na-arquitetura-e-no-design-de-interioresEnrique Tovar
Após um concurso internacional, o escritório do arquiteto polonês-americano Daniel Libeskind, o Studio Libeskind, em colaboração com a La Compagnie de Phalsbourg, foi selecionado para projetar o edifício principal do distrito de Léon Blum, adjacente à futura estação da Linha 15 do Grand Paris Express. O concurso contou com oito equipes, incluindo Snøhetta, Valode et Pistre, Stefano Boeri, Sou Fujimoto e Jean-Paul Viguier. O projeto vencedor é um edifício de uso misto com mais de 20.000m², que apresenta uma parede verde e incorpora materiais de base biológica. A proposta faz parte de uma estratégia de desenvolvimento urbano mais ampla para Issy-les-Moulineaux, uma área extra-muros de Paris que atualmente passa por uma grande transformação.
A arquiteta francesa Anne Lacaton, vencedora do Prêmio Pritzker de Arquitetura de 2021, foi laureada com o prêmio Jane Drew de Arquitetura 2025, uma distinção anual que reconhece profissionais da arquitetura cujo trabalho e compromisso com a excelência do design têm contribuído para elevar a presença de mulheres na arquitetura. Integrante do W Awards, a premiação homenageia figuras que impulsionaram a prática arquitetônica por meio de inovação, engajamento e impacto. Lacaton, cofundadora do escritório parisiense Lacaton & Vassal, foi selecionada por sua abordagem pioneira em uma arquitetura sustentável e socialmente responsável.
A fascinação da humanidade pelo desconhecido é um impulso atemporal, enraizado na curiosidade e no desejo de expandir limites, desvendar mistérios e abrir portas para novas fronteiras. O que antes era representado por viagens e pela descoberta de novas ilhas e continentes, agora é buscado na vastidão do Universo. À medida que buscamos respostas, provocamos novas perguntas e abrimos portas para possibilidades infinitas, esse impulso continua a nos inspirar. Ele moldou inúmeras obras literárias e cinematográficas, transformando a exploração interestelar de um conceito de ficção científica em uma visão cada vez mais fundamentada na realidade.
Um desses projetos visionários é o Project Hyperion, liderado pela Initiative for Interstellar Studies (i4is), que desafia a humanidade a desenvolver soluções práticas para viagens interestelares por meio de um concurso de projeto. Ao conceber naves geracionais—habitats imensos e autossustentáveis capazes de abrigar sociedades multigeracionais em viagens de séculos—o projeto não apenas expande as fronteiras da tecnologia, mas também estimula a inovação social, ampliando os limites da nossa imaginação coletiva. Ainda há tempo para enviar sua proposta de projeto até 9 de março, com a Fase 2 iniciando em 4 de maio.
Disciplinas de design, como o de experiência do usuário (UX), evoluíram para se destacar na criação de experiências que tornam as interfaces digitais navegáveis. Elas alcançam esse objetivo por meio de uma compreensão profunda das necessidades do público usuário e pelo mapeamento de suas jornadas com atenção meticulosa aos detalhes. A cidade representa uma interface física vivenciada por uma diversidade de público — habitantes, turistas, pessoas de várias idades e gêneros, cada qual experimentando-a de forma única. Em uma época em que as interfaces digitais são projetadas para proporcionar experiências fluidas e sem atrito, por que muitas cidades continuam difíceis de navegar?
O escritório Renzo Piano Building Workshop (RPBW), em colaboração com o Holger Meyer Architekten, venceu o concurso para o novo projeto Midstad em Frankfurt. Liderado por Joost Moolhuijzen e Erik Volz, o projeto propõe uma nova visão para o futuro dos centros urbanos europeus, tornando-os versáteis e multifuncionais. A proposta prevê a reabilitação de 35.000 m² de uma antiga loja de departamentos na Zeil, no centro de Frankfurt, integrando uma ampliação de seis pavimentos em madeira engenheirada e um programa de uso misto voltado para a comunidade. As obras incluem a reconstrução com o edifício em funcionamento, demolição parcial e a expansão da estrutura existente.
Um novo pavilhão site-specific foi inaugurado no centro de Bradford como parte das celebrações da Cidade da Cultura do Reino Unido de 2025. Projetado pela artista Zarah Hussain e pela designer de arquitetura Fatima Mejbil, o Infinite Light marca o início do mês sagrado do Ramadã e o lançamento do Ramadan Festival 2025. O projeto foi encomendado pelo Ramadan Tent Project em colaboração com Bradford 2025 e sucede a edição inaugural do Pavilhão do Ramadã, projetada por Shahed Saleem em 2023.
Dando continuidade à nossa tradição anual, perguntamos aos nossos leitores e leitoras quem deveria receber o Prêmio Pritzker de 2025, a honraria mais prestigiosa da arquitetura.
Fundado por Jay Pritzker e administrado pela Fundação Hyatt nos Estados Unidos, o Prêmio Pritzker reconhece arquitetos e arquitetas vivos/as, independentemente de sua nacionalidade, cujo trabalho tenha gerado um impacto duradouro e significativo para a humanidade por meio da arte da arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142664/leitores-do-archdaily-escolhem-quem-deve-vencer-o-premio-pritzker-2025ArchDaily Team
A educação há muito tempo é uma força motriz no Oriente Médio, moldando o conhecimento, incentivando a inovação e fortalecendo a identidade cultural. Nos últimos anos, a arquitetura educacional na região expandiu-se para além de sua função acadêmica, evoluindo para espaços de encontro público e polos culturais. Essas instituições são projetadas não apenas para o aprendizado, mas também para o diálogo, a pesquisa e a colaboração, frequentemente integrando pátios abertos, áreas públicas multiuso e elementos arquitetônicos que refletem a herança local. Seja por meio de sua abertura física, adaptabilidade ou conexão com o ambiente urbano, esses espaços reforçam a ideia de que universidades e centros de pesquisa são essenciais para a vida cívica.
O mundo pós-pandemia passou por transformações em diversos aspectos, entre os quais o turismo urbano e as novas modalidades de viagem. Com a ascensão do trabalho remoto e freelance, muitas pessoas agora têm a liberdade de se deslocar entre cidades sem a necessidade de estabelecer uma residência fixa. Isso transformou bares, restaurantes e cafés em mais do que simples espaços de consumo: agora eles funcionam como escritórios temporários e, em muitas ocasiões, cenários para as mais diversas atividades.
Por outro lado, as lojas e espaços de varejo evoluíram para oferecer mais do que a simples venda de produtos ou serviços. Eles se tornaram parte de uma experiência de consumo integrada, que se conecta emocionalmente com o público.
Frequentemente admirado por sua simplicidade e capacidade de comunicação clara por meio de rabiscos em um guardanapo manchado de espresso martini, o esboço em guardanapo é talvez uma das formas mais reconhecidas de liderança criativa no setor. Além de icônico, esse tipo de croqui preliminar e iterativo ajuda a definir a direção do projeto de forma rápida, simples e eficaz. No entanto, o trabalho subsequente para traduzir esse esboço em um projeto propriamente dito (e, em última análise, conquistar o contrato) muitas vezes priva os escritórios de uma fase inicial de projeto lucrativa.