O escritório MVRDV revelou o projeto do WOMA, um empreendimento de uso misto planejado para Wynwood Norte, em Miami, desenvolvido em colaboração com a incorporadora Uribe Schwarzkopf, sediada em Quito, e o escritório de arquitetura Kobi Karp, como arquiteto técnico responsável local. O empreendimento está planejado para o terreno de uma antiga torrefação de café e se inspira no caráter industrial de Wynwood Norte e em sua comunidade criativa em constante evolução. Localizado ao lado da organização sem fins lucrativos Bakehouse Art Complex, o projeto visa contribuir para a crescente rede de espaços da região dedicados à arte, à moda e à criação.
Devido à grande procura, estamos reabrindo temporariamente as inscrições para o ArchDaily Student Ambassador Program 2026/2027.
O ArchDaily nasceu dentro de uma universidade, com dois estudantes de arquitetura que acreditavam que o conhecimento arquitetônico deveria circular mais. Dezoito anos depois, essa convicção não mudou — mas os insights, as ferramentas e as oportunidades cresceram. Lançamos o Student Ambassador Program para dar à próxima geração de arquitetos um papel direto na conexão entre suas universidades e a conversa arquitetônica global.
No dia 1º de setembro de 2026, o Modelo de Habitação Social das Baleares foi anunciado como o vencedor do Prêmio OBEL 2026. O foco desta edição do prêmio foi "Systems' Hack", propondo que a arquitetura dialogue criticamente com os sistemas que sustentam a sociedade contemporânea e examine como essas redes interconectadas podem ser reconfiguradas diante da aceleração dos desafios globais. O Modelo de Habitação Social das Baleares, criado pela/o economista e consultor/a independente Cris Ballester e pelo/a arquiteto/a e servidor/a público/a Carles Oliver, é uma abordagem de seis pontos para a habitação pública desenvolvida entre 2019 and 2023. A iniciativa agrega valor e conforto à tradicional habitação de interesse social ao integrar processos de licitação, arquitetura, materiais, energia, regime de posse, capacidade pública e aprendizado como respostas aos desafios sociais, ambientais e econômicos da atualidade. Nesta entrevista ao ArchDaily, a equipe criadora do modelo discute suas origens, ambições e os desafios materiais para tornar a habitação social um local desejável para se viver.
Vista a partir da água, Tallinn apresenta o perfil urbano de uma cidade mercantil hanseática. Durante o período soviético, a maior parte da orla era uma zona militar restrita, restando o porto como um dos poucos pontos de encontro entre a cidade e o mar. Até mesmo o Linnahall, a imensa arena de concreto construída para as competições de vela dos Jogos Olímpicos de Moscou de 1980, foi implantado, em parte, de modo a preservar a vista da cidade antiga para as embarcações que se aproximavam do porto. Durante meio século, Tallinn cresceu de costas para a água que outrora a transformara em uma cidade comercial. Desse modo, quando a independência foi restaurada em 1991, algumas das áreas mais valiosas da capital estavam também entre as menos familiares para a sua população.
A arquitetura recente de Tallinn é, em grande medida, uma arquitetura de reconexão. A cidade vem reabrindo o que havia sido isolado e adaptando o que perdeu sua função, ao mesmo tempo em que constrói novas estruturas onde os limites entre cidade, infraestrutura e paisagem ainda estão sendo negociados. As fábricas ao redor do centro medieval — dos moinhos de Rotermann, próximos ao porto, aos estaleiros de submarinos em Noblessner — haviam perdido seu propósito original. Desde então, sua conversão gradual tornou-se uma das narrativas definidoras da Tallinn contemporânea. Grande parte dessa arquitetura é deliberadamente discreta, extraindo seu impacto da maneira como estruturas antigas, novos usos e a orla marítima foram reintegrados à vida da cidade.
Em um momento em que arquitetos e arquitetas de todo o mundo revisitam a construção com terra, reavaliam tecnologias vernaculares e estabelecem conexões viscerais entre as comunidades e a terra sob seus pés, outros profissionais esboçam habitats para a Lua e projetam os ambientes construídos de uma colônia marciana. Escritórios de arquitetura, engenheiros/as e agências espaciais estão investindo um esforço intelectual sério em estruturas que precisariam ser erguidas do zero em outro mundo. Dois impulsos — um de retorno ao solo, outro que busca as estrelas — desdobram-se simultaneamente dentro da mesma disciplina. E a tensão entre ambos levanta uma questão desconfortável: do que, exatamente, estamos tentando escapar?
A gestão da água, a qualidade do ar e a mitigação do calor costumam ser planejadas por meio de sistemas muito maiores do que os espaços onde as pessoas realmente as vivenciam. As redes de drenagem ficam sob as ruas. A poluição do ar é medida em cidades inteiras. No entanto, essas condições são sentidas muito mais perto do corpo: ao esperar um ônibus sob o sol, ao caminhar por uma rua alagada, ao atravessar uma praça exposta ou ao procurar um lugar para sentar quando o próprio ar parece difícil de respirar.
O calor torna essa questão especialmente urgente. À medida que as cidades esquentam, ruas, parques, áreas de circulação e outros espaços públicos tornam-se, cada vez mais, locais onde o design pode reduzir a exposição por meio de sombra, vegetação, fluxo de ar e água. Para a arquitetura, isso traz parte da adaptação climática para os espaços que as pessoas utilizam no dia a dia.
O arquiteto japonês Kengo Kuma foi selecionado para receber o Andrée Putman Lifetime Achievement Award no 2027 Créateurs Design Awards (CDA). O prêmio, uma das duas distinções da categoria Legacy Awards concedidas pela organização, reconhece uma trajetória que influenciou a arquitetura e o ambiente construído ao longo de gerações e em diferentes contextos geográficos. Kuma receberá a homenagem durante a cerimônia de premiação do CDA, que será realizada no Shangri-La Paris em 16 de janeiro de 2027.
Que narrativas os materiais carregam e como os "rastros" visíveis dos/as artesãos/ãs podem dialogar com os processos de fabricação e com a industrialização?Entre a concepção e a construção, o ato de pensar através do fazer pode se tornar o princípio norteador de uma filosofia de projeto. Combinando madeira, materiais industriais e objetos reaproveitados, a abordagem do Atelier CRAFT está enraizada na arquitetura reversível, guiada por seu manifesto: "Transformar o projeto através do fazer". Sediado em Saint-Ouen, Paris, o escritório explora as relações entre o ser humano e a matéria, o ato de fazer e os processos de fabricação.
Em meio à crescente instabilidade econômica, política e climática, o OBEL Award de 2026 destaca a necessidade de abordagens arquitetônicas que repensem tanto as infraestruturas existentes quanto as emergentes. O título desta edição é "Systems' Hack", no qual "sistemas" são compreendidos como mecanismos inter-relacionados regidos por regras comuns, e o "hackeamento" é definido como uma intervenção estratégica que busca alterar o funcionamento desses mecanismos. Sob esta perspectiva, a OBEL Foundation anunciou o Modelo de Habitação Social das Baleares como o vencedor do prêmio deste ano, ao mesmo tempo em que anunciou um novo ciclo em 2027 sob a mesma temática. O Modelo de Habitação Social das Baleares foi reconhecido por "transformar o papel da gestão de habitação social nas Ilhas Baleares entre 2019 e 2023", propondo novas abordagens em resposta a uma grave escassez de moradia e a um estoque de moradias públicas para aluguel criticamente limitado na Espanha.
Elia Zenghelis. Foto: Harvard Graduate School of Design
Elia Zenghelis, arquiteto grego, cofundador do Office for Metropolitan Architecture (OMA) e um dos mais influentes educadores de arquitetura do final do século XX, faleceu ontem, 30 de agosto de 2026, aos 89 anos. Sua morte marca a partida de uma figura cuja influência no pensamento arquitetônico foi muito além dos edifícios que projetou, moldando a formação intelectual de várias gerações de arquitetos/as ao longo de décadas de docência na Europa e nos Estados Unidos.
Nascido em Atenas em 1937, Zenghelis estudou arquitetura na Architectural Association School of Architecture (AA) em Londres, concluindo seus estudos em 1961. Integrou o escritório Douglas Stephen and Partners, onde trabalhou até 1971, ao mesmo tempo em que iniciava sua trajetória docente na AA, em 1963. Na instituição, tornou-se uma voz proeminente em defesa de um discurso arquitetônico mais radical e de vanguarda, contribuindo para transformar a AA em um terreno fértil para ideias radicais.
Graves incêndios florestais no final de agosto no norte da Argélia colocaram áreas residenciais, terras agrícolas e corredores de transporte críticos diretamente no caminho de chamas em rápida propagação. A destruição em Jijel, Béjaïa e Tizi Ouzou causou pelo menos 12 mortes e forçou o fechamento emergencial de importantes rodovias nacionais. Este último surto ocorre após um verão de incêndios recorrentes em todo o país; as autoridades registraram quase 2.000 focos em nível nacional em julho, ao passo que os incêndios na província de Annaba, no nordeste do país, no fim do mês, forçaram mais de 100 pessoas a abandonarem suas casas e danificaram cerca de 150 residências. Os incêndios atuais colocaram novamente áreas residenciais, estradas e outras infraestruturas no caminho das chamas que avançam rapidamente. Incêndios florestais ocorrem regularmente no norte da Argélia durante o verão, com secas cada vez mais frequentes e períodos de calor intenso que contribuem para condições de fogo mais severas.
O ArchDaily está à procura de colaboradores/as de mídias sociais para integrar nossa equipe de conteúdo. Nossas equipes de mídias sociais transformam o conteúdo do ArchDaily em formatos digitais atraentes e de alto desempenho para diversos canais de redes sociais.
Sua função envolve a criação e a adaptação prática de conteúdo, bem como um alto nível de colaboração e criatividade para amplificar ideias de arquitetura para um público global.
Uma exposição que traça a visão por trás de dez projetos selecionados do escritório Herzog & de Meuron na China será inaugurada em 12 de setembro de 2026, no Museu M+ em Hong Kong. A mostra marca o quinto aniversário do museu; desde sua abertura, o M+ vem construindo seu acervo em torno de artes visuais, design e arquitetura, imagem em movimento e cultura visual de Hong Kong dos séculos XX e XXI. O edifício do museu, projetado pelo escritório Herzog & de Meuron entre 2012 and 2021, está localizado no West Kowloon Cultural District (WestK), um polo cultural de quarenta hectares às margens do Victoria Harbour. "Herzog & de Meuron: In Focus" tem curadoria de Ikko Yokoyama e Iris Ng e analisa projetos realizados entre 2002 e 2021, incluindo o Tai Kwun em Hong Kong (2006–2018) e o Estádio Nacional de Pequim (2002–2008).
Diante da transformação das cidades do Uzbequistão, o escritório ARC Architects desenvolve uma arquitetura que busca conectar o passado ao presente. Fundado em 2017 por Bobir Klichev, o estúdio surgiu da comunidade de arquitetura de Bucara e permanece estreitamente conectado às particularidades culturais e climáticas do país. Com escritórios em Tashkent e Bucara, o ARC combina minimalismo e referências étnicas para desenvolver uma linguagem contemporânea enraizada em seu contexto.
Em vez de reproduzir uma imagem tradicional da arquitetura uzbeque, o estúdio busca compreender como essa herança pode ser reinterpretada hoje — um exercício que dialoga necessariamente com as camadas históricas sobrepostas que atravessam o país. Durante séculos, cidades como Samarcanda e Bucara foram importantes centros comerciais e culturais da Ásia Central. Sua arquitetura desenvolveu-se em torno de pátios internos e ruelas estreitas, conformando tecidos urbanos nos quais as edificações e os espaços coletivos são indissociáveis.
Em uma era em que a fabricação digital e a automação se fazem cada vez mais presentes na prática arquitetônica, o ofício manual é frequentemente visto como um artigo de luxo — restrito a projetos de alto padrão, cujos clientes podem arcar com prazos estendidos e processos colaborativos que exigem diálogos constantes com artesãos. Esse cenário poderia soar contraditório há algumas décadas, quando Lina Bo Bardi denunciava que um processo de "desculturação" estava em curso e que se fazia urgente um balanço da civilização brasileira "popular" para enfrentar universalismos totalizantes e o folklore — este último visto por ela como um instrumento de alienação do Estado para neutralizar o caráter subversivo e transformador da cultura popular:
A arquitetura na América Latina este mês reflete uma negociação contínua entre desafios ambientais, patrimônio cultural e novas abordagens para as esferas pública e profissional. Desde o terremoto na Colômbia e seu impacto na arquitetura histórica até novos projetos culturais na Argentina e soluções de projeto sensíveis ao clima no Equador e em Medellín, os acontecimentos recentes destacam como a arquitetura continua a responder tanto às condições regionais quanto aos desafios globais. Questões de patrimônio e infraestrutura também se mantiveram em evidência, com a UNESCO manifestando preocupação com os impactos do Trem Maia no sítio de Calakmul, no México, considerado Patrimônio Mundial, ao mesmo tempo em que novas iniciativas no Chile e na Costa Rica exploraram o design ecológico e práticas sustentáveis. Os acontecimentos do mês apontam para um panorama arquitetônico regional moldado pela resiliência, adaptação e pela relação entre o ambiente construído e seus contextos sociais e naturais mais amplos.
O colapso da seção inferior de uma geleira no Himalaia na quarta-feira, 26 de agosto, provocou uma avalanche de gelo e rochas no vale do rio Lhende, desencadeando graves enchentes repentinas na fronteira entre o Nepal e o Tibete. As inundações destruíram vilarejos inteiros, com pelo menos 350 mortes confirmadas e mais de 1.300 pessoas ainda desaparecidas. Caracterizadas por sua natureza súbita e violenta, as enchentes repentinas ocorrem nas primeiras seis horas após fortes chuvas ou outra fonte de inundação. Neste caso, o evento foi atribuído ao colapso de uma geleira em uma altitude mais elevada no Himalaia, associado, segundo algumas análises, a uma onda de calor na região. A velocidade do deslocamento também é uma característica desse tipo de inundação, cujo rastro de destruição, neste caso, segue a bacia do rio Trishuli, no Nepal. De acordo com a Federação Internacional da Cruz Vermelha, as áreas mais afetadas são os distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot. Uma avaliação mais detalhada é esperada para os próximos dias, à medida que o nível da água baixar; enquanto isso, já é possível delinear algumas das consequências sob o ponto de vista territorial.
A pesquisa é um processo estruturado e ativo de análise, teste, interpretação e resolução que, em última análise, leva a um conhecimento que pode ser considerado disruptivo. O processo criativo por trás da pesquisa é um convite à imaginação: buscar respostas, soluções e alternativas para a realidade que conhecemos. Para ir além da teoria, essa prática afasta-se dos livros e computadores para adentrar espaços projetados especificamente para fomentar a experimentação. Nestes seis projetos não construídos, laboratórios, oficinas, observatórios, jardins, auditórios e espaços de exposição articulam-se como terrenos férteis para a imaginação. Trata-se de espaços que devem apoiar o trabalho colaborativo e a criatividade, permitindo que mentes curiosas e céticas encontrem caminhos para futuros alternativos.
O pátio interno de Rozzol Melara mede duzentos metros de cada lado, o que o torna maior do que qualquer praça em Trieste. Dois blocos em L de concreto aparente o circundam, sendo um deles com o dobro da altura do outro, subindo de sete a quinze pavimentos à medida que a encosta desce em direção ao golfo, quatro quilômetros abaixo. Pilares de concreto, espaçados a cada quinze metros, sustentam os blocos sobre um declive que eles nunca chegam a tocar de fato, abrindo pórticos profundos o suficiente para a circulação de pedestres, enquanto acima deles as fachadas se resolvem em loggias na escala de um único cômodo. Visto da estrada costeira, nada disso é legível; percebe-se apenas uma linha cinza traçada sobre as colinas.
No interior do complexo, o Istituto Autonomo Case Popolari de Trieste construiu o equivalente a uma cidade. Os 648 apartamentos ocupam uma parcela menor do projeto do que as escolas, a agência de correios, o centro de saúde, o salão paroquial, as cerca de vinte lojas e a garagem de dois níveis, todos acessados por ruas cobertas que percorrem toda a extensão dos blocos e cruzam o pátio em uma passarela elevada, de forma que o trajeto diário entre a porta de entrada e uma mercearia ou sala de aula passa pelo espaço coletivo sem que seja preciso sair ao ar livre. Uma equipe de vinte e nove arquitetos/as trabalhou no projeto sob a coordenação de Carlo Celli, baseando-se em estudos sociológicos encomendados antes do início do projeto.
As notícias desta semana destacaram como a arquitetura dialoga com o preexistente e se comunica para além do próprio edifício. Diversas reportagens exploraram a restauração e o reuso, desde a renovação de um salão universitário histórico até a preservação de espaços expositivos de um artista e a incorporação de materiais reaproveitados em novas construções. Em outras frentes, a arquitetura continuou a servir tanto como tema quanto como cenário de exposições, com anúncios de novos museus e espaços culturais que analisam os contextos social, tecnológico e ecológico mais amplos da disciplina. No radar, três projetos para acompanhar: em Berlim, o escritório sauerbruch hutton venceu o concurso para ampliar a sede do Ministério Federal da Defesa no Bendlerblock; em Santa Barbara, a SOM e a Mithun revelaram o projeto de um novo e importante complexo de habitação estudantil na UC Santa Barbara; e, abordando uma forma totalmente diferente de intervenção, o escritório Autonoma, liderado pelo arquiteto Paulo Tavares, lançou a Documental, uma plataforma de código aberto que permite a jornalistas, pesquisadores/as e organizações civis transformar dados, fotos e imagens de satélite em narrativas digitais geolocalizadas em defesa dos direitos humanos e ambientais.
A artista japonesa Yayoi Kusama, cuja carreira de sete décadas abrangeu pintura, escultura, instalação, performance, literatura e cinema, faleceu aos 97 anos. Kusama faleceu em um hospital em Tóquio em 14 de agosto de 2026, de acordo com um comunicado da Yayoi Kusama Inc. e da Yayoi Kusama Studio Inc. Conhecida internacionalmente por suas estampas de poá, suas abóboras e pelas salas Infinity Mirror Rooms, Kusama desenvolveu uma linguagem artística marcante em torno da repetição, do infinito, da autodissolução e da relação entre o indivíduo e o mundo.
Congresso Nacional em construção, visto do STF (Supremo Tribunal Federal), 1958. Imagem do Fundo Agência Nacional, Arquivo Nacional, Domínio Público
Construir uma cidade do zero não é tarefa fácil. Nunca foi e nunca será. A própria ideia de criar de forma planejada o que de outro modo se desenvolveria e cresceria gradualmente exige recursos, organização e, acima de tudo, mão de obra. Foi o que aconteceu em 1958, quando o Planalto Central do Brasil se transformou em um dos maiores canteiros de obras do século XX para a construção de Brasília. Dezenas de milhares de candangos (migrantes vindos predominantemente do Nordeste, muitos sem formação técnica prévia) chegaram para erguer uma capital inteira em pouco mais de três anos, sob o lema do então presidente Juscelino Kubitschek de realizar "cinquenta anos de progresso em cinco". A arquitetura de Oscar Niemeyer e o plano de Lúcio Costa não teriam sido possíveis sem a premissa de que haveria mão de obra suficiente e disposta a suportar baixos salários e condições extremamente severas para transformar concreto e curvas em um símbolo nacional.
O escritório Steven Holl Architects foi selecionado para liderar a renovação do Ida Noyes Hall na Universidade de Chicago, em Illinois. O projeto atualizará a infraestrutura do edifício de 111 anos, melhorará a acessibilidade e criará novos espaços para programas, eventos e encontros informais, preservando seu caráter histórico. Projetado por Shepley, Rutan & Coolidge e concluído em 1916, o Ida Noyes Hall foi originalmente concebido como um clube feminino e, desde então, tornou-se um espaço de convivência mais amplo no campus. O JLK Architects atuará como o escritório de preservação histórica, enquanto o Workshop Architects liderará a programação da vida estudantil e o planejamento operacional.
À medida que as cidades da Arábia Saudita se expandem por meio de projetos culturais cada vez mais ambiciosos, o escritório Syn Architects tem dedicado grande parte de sua prática a olhar para o que precede essa transformação. A participação do escritório na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025 surgiu de anos de documentação da arquitetura Najdi, de um tecido urbano em desaparecimento, de materiais locais e de formas herdadas de conhecimento. Para o Syn, o patrimônio se torna útil quando pode ser documentado, testado e reincorporado ao uso.