A arquitetura na América Latina este mês reflete uma negociação contínua entre desafios ambientais, patrimônio cultural e novas abordagens para as esferas pública e profissional. Desde o terremoto na Colômbia e seu impacto na arquitetura histórica até novos projetos culturais na Argentina e soluções de projeto sensíveis ao clima no Equador e em Medellín, os acontecimentos recentes destacam como a arquitetura continua a responder tanto às condições regionais quanto aos desafios globais. Questões de patrimônio e infraestrutura também se mantiveram em evidência, com a UNESCO manifestando preocupação com os impactos do Trem Maia no sítio de Calakmul, no México, considerado Patrimônio Mundial, ao mesmo tempo em que novas iniciativas no Chile e na Costa Rica exploraram o design ecológico e práticas sustentáveis. Os acontecimentos do mês apontam para um panorama arquitetônico regional moldado pela resiliência, adaptação e pela relação entre o ambiente construído e seus contextos sociais e naturais mais amplos.
Em 2021, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou um levantamento a respeito da quantidade de equipamentos culturais e sociais existentes nas cidades do Brasil. Os resultados eram alarmantes, apenas 29,6% dos municípios brasileiros possuíam equipamentos culturais e sociais como museus, enquanto teatros e casas de espetáculos estavam presentes em apenas 23,3% das cidades. Um recorte que diz muito em relação à carência de espaços desse gênero nas cidades brasileiras. Nesse contexto, quando uma cooperativa de mulheres no Maranhão ou um grupo de voluntários na Bahia decide construir seu próprio equipamento cultural e comunitário, o gesto não apenas supre uma carência material, mas reivindica, por iniciativa própria, um direito que deveria ser garantido como política pública.
Há algumas semanas, o Instituto Real de Arquitetos Britânicos (RIBA) anunciou a estudante ganhadora do subsídio de viagem RIBA Norman Foster 2023. Trata-se da peruana Martha Pomasonco que obteve a bolsa em reconhecimento ao seu projeto intitulado “Barrios Mejorados”.
A pesquisa que conquistou o júri investigará o impacto dos mais bem-sucedidos programas de melhoria nos assentamentos informais aplicados em alguns países latino-americanos a fim de encontrar lições de projeto relacionadas à sustentabilidade social e ambiental. Sua investigação parte da ideia de que 80% da população da América Latina vive em cidades, o que a torna a região mais urbanizada do planeta. Dessa porcentagem, entretanto, estima-se que 15% viva em assentamentos informais caracterizados principalmente pela infraestrutura inadequada e baixa qualidade de vida. Por este motivo, nos últimos 30 anos, diferentes programas de melhoria foram aplicados tendo como fator chave para seu sucesso a participação dos cidadãos em todas a etapas de projeto.
"Fábrica de afetos" é uma obra em exposição de Antonio Yemail que ficou à mostra na Galeria Policroma, em Medellín, até meados de fevereiro. Ela foi criada a partir de um longo processo envolvendo diferentes estudos de caso sobre a relação entre gatos e pessoas. Há mais de uma década Antonio pesquisa uma arquitetura específica para seres esquivos a partir de vários campos, incluindo pesquisa, academia, prática arquitetônica e artística.
O diretor do Mies Crown Hall Americas Prize (MCHAP), Dirk Denison, e a presidente do júri de 2023, Sandra Barclay, anunciaram os seis finalistas do 2023 Americas Prize. O prêmio reconhece as melhores obras de arquitetura construídas das Américas concluídas entre dezembro de 2018 e junho de 2021. Trata-se da última etapa do quarto ciclo do MCHAP, lançado em Veneza, na Itália, em agosto de 2021. No dia 24 de março deste ano, o júri anunciará os vencedores, que receberão a quantia de US$ 50.000 para pesquisa além de serem contemplados em uma publicação dedicada.