Xu Tiantian é a sócia-fundadora do DnA_Design and Architecture, um escritório interdisciplinar que aborda tanto as dimensões físicas quanto as sociais do ambiente habitado contemporâneo, em diferentes escalas. Nascida em 1975 em Fujian, na China, ela obteve o título de Mestre em Arquitetura em Design Urbano pela Harvard Graduate School of Design e o diploma de bacharel em arquitetura pela Universidade de Tsinghua, em Pequim. Seu trabalho recente se concentra na revitalização rural por meio de uma estratégia que ela descreve como "acupuntura arquitetônica", compreendida como intervenções de pequena escala e específicas para cada local, projetadas para ativar a cultura, a agricultura e o turismo locais. Essas intervenções, concentradas principalmente nas regiões rurais da China, foram reconhecidas pelo ONU-Habitat como um modelo global para a integração urbano-rural. Nesta entrevista para o Louisiana Channel, ela reflete sobre o papel do/a arquiteto/a, questiona a própria arquitetura e o conceito de beleza, explica sua metodologia de trabalho e enfatiza a dimensão espacial da natureza.
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"A beleza em si é perigosa": Xu Tiantian fala sobre ir além da "starchitecture" em entrevista ao Louisiana Channel
Art Nouveau Revisitado: Artesania, Materialidade e Detalhe em Espaços de Hospitalidade Contemporâneos

Na virada do século XX, movimentos paralelos, mas interligados, ao redor do mundo inauguraram um novo estilo e uma nova era arquitetônica. Do Arts and Crafts na Inglaterra, passando pelo Art Nouveau e posteriormente pelo Art Deco na França, ao Jugendstil na Alemanha e Áustria, esses desdobramentos artísticos e de design se espalharam globalmente, assumindo diferentes formas de acordo com o contexto local. A premissa básica, no entanto, permaneceu semelhante, com foco no valor artesanal e no fazer manual; no uso de madeira, vidro e diversos metais; na integração de formas orgânicas nas fachadas e na estrutura interna; e na incorporação refinada da ornamentação como elemento arquitetônico, frequentemente sob a forma de motivos vegetais ou padrões geométricos.
Escuelita Lochiel: Projeto vencedor do ArchDaily Student Project Awards ressignifica a educação por meio do adobe

No deserto de altitude do Vale de San Rafael, a poucos quilômetros da fronteira entre os Estados Unidos e o México em Lochiel, Arizona, uma escola de adobe permanece de pé há mais de um século. Construída antes de 1905, antes mesmo de o Arizona se tornar um estado incorporado, a escola atendeu a gerações de estudantes de origem mexicano-americana do Arizona e de Sonora, cultivando experiências culturais compartilhadas, histórias e relações que transcendem fronteiras físicas e políticas. Ao longo de décadas de educação e histórias compartilhadas, o local tornou-se um espaço onde a língua e a narrativa fluíam livremente, mesmo com o aumento contínuo das tensões geopolíticas na fronteira. Hoje, trata-se de uma das últimas escolas de adobe de sala única ainda existentes nos Estados Unidos.
O adobe está entre as tecnologias construtivas mais antigas do sudoeste americano e figura entre as mais exigentes em termos de conservação. Em climas desérticos, as paredes de terra enfrentam um desgaste intenso decorrente de temperaturas extremas, fissuras causadas por variações sazonais e deterioração acelerada após tempestades. Essas vulnerabilidades exigem uma manutenção contínua e especializada ao longo de muitas estações e décadas consecutivas. Após anos de abandono progressivo e ameaças estruturais, um esforço de restauração que durou doze anos — promovido por membros da comunidade local que compreendiam este edifício como uma infraestrutura cultural crucial — salvou a escola da iminente demolição. O fato de a comunidade ter optado por assumir esse esforço, diante de tudo o que a construção em adobe exige de quem dela cuida, é uma afirmação clara do custo que a perda deste edifício representaria. O resultado é uma estrutura que hoje se ergue como um monumento ao patrimônio mexicano-americano e um arquivo vivo da educação rural fronteiriça.
Projetando para o movimento em um espaço de trabalho feito para sentar

Apesar de toda a experimentação espacial no espaço de trabalho contemporâneo, uma condição permanece praticamente inalterada: as pessoas continuam sentadas. Estudos sugerem que profissionais de escritório passam até 89% de sua jornada de trabalho em posição sentada — o que equivale a quase 36 horas por semana —, a despeito de décadas de conscientização ergonômica. À medida que os espaços de trabalho se tornam mais flexíveis, sociais e focados em design, essa contradição se torna cada vez mais difícil de ignorar.
O escritório já não se organiza em torno de um único modo de operação, tampouco por uma lógica espacial rígida. O trabalho tornou-se multifuncional, alternando entre colaboração e concentração, trocas coletivas e foco individual. Em resposta, a arquitetura e o design de interiores se afastam de layouts uniformes e repetitivos em direção a ambientes que refletem a variabilidade do comportamento humano.
Seleção da Semana de Design de Milão 2026 e a Wasl Tower em Dubai: O Resumo da Semana

Em plataformas culturais, sítios históricos e desenvolvimentos institucionais, as notícias desta semana refletem como o ambiente construído é remodelado por meio de processos de transformação, reinterpretação e engajamento público. De reativações arqueológicas e estratégias de reuso adaptativo a ampliações de museus e encontros internacionais de grande escala, a arquitetura opera em múltiplas temporalidades, equilibrando a preservação com o uso contemporâneo e a continuidade espacial com programas culturais em constante evolução. Nesse contexto, a seleção do ArchDaily de instalações e exposições da Semana de Design de Milão 2026 destaca como as semanas de design funcionam cada vez mais como plataformas curatoriais de experimentação, ao passo que eventos globais e projetos institucionais continuam a ampliar os formatos de produção, compartilhamento e debate da arquitetura.
Conjunto habitacional brutalista Îlot 8 de Renée Gailhoustet, em Saint-Denis, enfrenta polêmico plano de reurbanização

Saint-Denis é uma comuna nos subúrbios ao norte de Paris, na França, conhecida pela Basílica Gótica de Saint-Denis e pelo Stade de France. Em uma esquina da Place Jean-Jaurès, em seu centro histórico, adjacente à Basílica, ergue-se o complexo habitacional Îlot 8, um marco brutalista projetado pela arquiteta Renée Gailhoustet. Construído entre 1975 and 1986 para oferecer moradia aos trabalhadores no centro da cidade, contrapondo-se à tendência de relegar a habitação de interesse social às áreas periféricas, o projeto está hoje no centro de um polêmico plano de reurbanização. Muitas vezes descrita como "residencialização" e reestruturação, a proposta envolve a demolição de partes significativas do projeto original. Essa conversão faz parte do programa francês Nouveau Programme National de Renouvellement Urbain (NPNRU) e é justificada por preocupações com deficiências estruturais, segurança e manutenção.
"Instabilidade calibrada": Daryan Knoblauch sobre construir com tensão, tempo e luz

O trabalho de Daryan Knoblauch situa-se na interseção entre a arquitetura e a produção cultural ao vivo, com foco em como o espaço se torna legível por meio da tensão e da atmosfera. Em vez de tratar o trabalho temporário como uma categoria menor da arquitetura, Knoblauch aborda instalações, palcos e arquiteturas efêmeras de eventos como problemas disciplinares em sua totalidade — nos quais fechamento, estabilidade, luz e movimento devem ser resolvidos com a mesma seriedade que qualquer edifício, frequentemente sob restrições mais severas e prazos mais curtos.
Ao longo de seus projetos, um fio condutor constante é a tensão produtiva entre a precisão do alto modernismo e uma clareza de montagem intencionalmente crua. Membranas e sistemas leves não são aplicados como meros efeitos de superfície, mas como instrumentos estruturais e espaciais — ajustados ao vento, à carga e à ocupação, e calibrados para produzir uma sublimidade que é tanto sentida quanto vista. Aqui, a efemeridade não é simplesmente uma duração, mas uma condição de projeto: a temporalidade torna as forças — clima, desgaste, performance — mais visíveis e exige uma ética do fazer que é ao mesmo tempo rigorosa e adaptável.
200 anos de inovação em vidro arquitetônico

Cientificamente, o vidro é definido como um sólido amorfo, o que significa que seus átomos não estão dispostos em uma estrutura cristalina regular. É por isso que o material é frequentemente descrito como um "líquido congelado no tempo". Essa configuração estrutural explica uma de suas qualidades mais marcantes: a transparência. Sem uma rede cristalina capaz de dispersar a luz, a radiação atravessa o material com pouca interferência. Embora muitas vezes pareça delicada, essa mesma estrutura também permite que o vidro alcance um desempenho mecânico significativo. Por meio de processos industriais como têmpera, laminação e revestimentos especializados, o material pode atingir altos níveis de resistência, segurança e desempenho ambiental.
Por que queremos flutuar? A psicologia da leveza na arquitetura

Em 1962, o arquiteto Buckminster Fuller imaginou uma cidade flutuante que libertaria a humanidade da dependência da Terra. O projeto hipotético consistia em enormes esferas geodésicas aéreas que levitariam naturalmente no ar quente aquecido pelo sol e que seriam ancoradas no topo das montanhas. Propondo abrigar milhares de pessoas, as Cloud Nine de Fuller tinham como objetivo aliviar a política de propriedade da terra, a escassez de moradias e auxiliar na preservação da natureza.
Passado mais de meio século, seguimos distantes de concretizar a ideia de Fuller. Criar uma estrutura verdadeiramente flutuante na superfície da Terra permanece, até o momento, um ideal inatingível. Enquanto os suportes ainda se impõem como necessidade, manipulamos sua posição, sua intensidade, sua quantidade, desenvolvendo acrobacias para, ao menos, nos aproximarmos da ideia de vencer a gravidade, esse desejo que há tanto tempo fascina a humanidade.
Paisagens salinas regenerativas: projeto vencedor do ArchDaily Student Project Awards repensa a extração na Argentina

Quando se pensa na Argentina, costuma-se imaginar marcos como o Obelisco de Buenos Aires. No entanto, o país se estende por mais de 2.780.400 km², sendo um dos maiores da América do Sul e abrigando uma ampla diversidade de paisagens e realidades que frequentemente passam despercebidas. De fato, a província de Jujuy, no norte da Argentina, está localizada no Triângulo do Lítio: uma região de alta altitude compartilhada com a Bolívia e o Chile que concentra cerca de 54% das reservas mundiais de lítio. Nesse território encontra-se o Salar de Olaroz, um local onde hoje convergem duas dinâmicas conflitantes: a expansão da extração industrial de lítio e a preservação da cultura e das terras ancestrais habitadas pelas comunidades Kolla e Atacama, gerando um embate entre a extração industrial de alta capacidade e as práticas agrícolas tradicionais de baixo impacto.
Diante dessa problemática, uma das equipes vencedoras do ArchDaily Student Project Awards, composta por Ezequiel Lopez, Maria Victoria Echegaray e Agustina Durandez, decidiu investigar o tema. O trabalho foi desenvolvido como projeto de conclusão de curso para a graduação em Arquitetura na Universidade Nacional de Córdoba. A proposta nasce do interesse em dialogar com territórios que permanecem periféricos ao discurso arquitetônico, utilizando o trabalho de conclusão como uma oportunidade para uma pesquisa profunda e contínua. Isso possibilitou a formulação de respostas projetuais embasadas e fundamentadas nas realidades territorial e socioeconômica. Ao rejeitar a oposição binária entre extração e preservação, o projeto aborda o território como um sistema no qual ambas as dinâmicas podem coexistir por meio da mediação espacial e técnica.
Edifício Northwestern National Life, de Minoru Yamasaki, em Minneapolis, será convertido em hotel

Um edifício projetado por Minoru Yamasaki no centro de Minneapolis será convertido em um hotel, marcando uma nova fase na história da antiga sede da Northwestern National Life Insurance Company, uma das obras menos conhecidas, porém formalmente mais singulares, do arquiteto. Desocupado desde 2023, o edifício situado no número 20 da Washington Avenue South é agora objeto de uma proposta de reuso adaptativo que visa introduzir funções de hospitalidade e atividades voltadas ao público. Os planos iniciais foram apresentados em abril de 2026, delineando uma transformação da estrutura que preserva suas características arquitetônicas marcantes. Espera-se que o projeto avance após as aprovações necessárias, com previsão de abertura para 2028.
MVRDV obtém licença de construção para as Torres Tour & Taxis, de uso misto e baixo carbono, em Bruxelas

O escritório MVRDV anunciou um novo marco no desenvolvimento de suas torres Tour & Taxis, um projeto de uso misto em Bruxelas, Bélgica. O projeto foi encomendado pela incorporadora e investidora imobiliária Nextensa em 2021, no âmbito de um plano diretor de zoneamento específico também desenvolvido pelo MVRDV. O empreendimento de duas torres combina escritórios, habitação e comodidades públicas em uma área de 58.000 m², consolidando-se como um marco no bairro e alcançando 126 metros de altura em seu ponto mais alto. Com a licença de construção recém-aprovada, o projeto foi concebido para reduzir o carbono incorporado por meio de uma estrutura híbrida e elementos de fachada leves, com o objetivo de minimizar o uso de concreto tanto na estrutura quanto nas fundações. Desde as etapas iniciais, o escritório utilizou seu software CarbonSpace para orientar essas decisões.
Memória da Terra: 4 Exemplos que Reinventam as Antigas Fábricas de Cerâmica

Há um gesto ancestral em dar forma à terra. Muito antes da arquitetura se constituir como disciplina, o barro já era moldado pelas mãos e transformado pelo fogo, convertendo matéria bruta em utensílio doméstico e objeto cultural. Na história desse ofício, as fábricas de cerâmica marcam a transição do saber manual para a produção em série, ampliando sua escala sem romper completamente com a origem material. Dispersas por diferentes territórios, essas estruturas registram a relação entre técnica, paisagem e tempo. Com o passar das décadas, no entanto, muitas delas acabaram perdendo sua função original, sendo substituídas por processos mais tecnológicos ou fagocitadas pelo desenvolvimento urbano ao seu redor, passando a ocupar um estado intermediário, entre permanência e obsolescência.
Leveza Transparente: Quando a Arquitetura Pneumática se Conecta com o Meio Ambiente

Em Seis propostas para o próximo milênio, Italo Calvino explora a leveza sob uma perspectiva literária e argumenta: "À leveza se opõe o peso. Retirar peso produz leveza; ela é um valor, não um defeito." Apoiando-se na mitologia grega, ele reflete sobre um dos feitos de Perseu após decapitar a terrível Górgona Medusa sem ser transformado em pedra. Auxiliado pelos deuses Hades, Hermes e Atena, Perseu voa com suas sandálias aladas e usa um escudo de bronze como espelho para refletir a imagem dela. Apoiando-se, como muitos arquitetos e arquitetas, naquilo que há de mais leve — o vento e as nuvens —, ele também fixa o olhar no que se revela por meio de uma visão indireta: uma imagem refletida no espelho.
Historicamente, a transparência foi naturalizada como uma condição inerente à arquitetura moderna. Com a transição das pesadas paredes portantes para os fechamentos leves em vidro, este material foi introduzido na disciplina, diluindo as fronteiras entre os espaços internos e externos. Em relação à arquitetura inflável, a transparência vincula-se à leveza e à impermanência, deixando rastros temporários nas paisagens que habita. Ao utilizar tecidos ou plásticos como principais materiais e o ar como sistema estrutural, a busca pela leveza no ambiente construído agora reconhece mais de uma única atmosfera de aplicação.
UIA 2026 Barcelona anuncia programação completa, detalhando formatos, exposições e itinerários por toda a cidade

O Congresso Mundial de Arquitetos UIA 2026 Barcelona divulgou sua programação completa, detalhando a estrutura, os participantes e as diversas atividades agendadas para o período de 28 de junho a 2 de julho de 2026. A partir de um desdobramento do tema anunciado anteriormente, *Becoming. Architectures for a Planet in Transition* (Tornar-se: Arquiteturas para um Planeta em Transição), o Congresso foi concebido como um evento descentralizado, distribuído por múltiplos locais e contextos urbanos, em vez de se concentrar em um único espaço. Organizado pela União Internacional de Arquitetos (UIA) em colaboração com o Conselho Superior de Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE) e o Colégio de Arquitetos da Catalunha (COAC), o evento deve reunir cerca de 10.000 participantes e 250 palestrantes de mais de 130 países.
Bofill Taller de Arquitectura apresenta resort inspirado na paisagem em Dhërmi, Albânia

O escritório Bofill Taller de Arquitectura revelou as imagens finais de um novo resort em Dhërmi, Albânia, atualmente em construção. O projeto foi anunciado pela primeira vez em 2024, no contexto dos inúmeros empreendimentos propostos em todo o país ao longo da última década. Desta vez, o projeto não é um arranha-céu nem um edifício institucional em Tirana, mas sim um resort situado ao longo do litoral montanhoso no sul do país. O projeto responde às condições da paisagem existente, uma área costeira e montanhosa cercada por florestas que cobrem uma parte significativa da superfície terrestre da Albânia. A proposta busca preservar o caráter da floresta enquanto dialoga com o relevo acidentado, as rochas escarpadas, as encostas íngremes e as densas matas de pinheiros e ciprestes.
Inteligência de projeto e continuidade do fluxo de trabalho: Autodesk avança na integração entre o Forma e o Revit

As equipes de projeto não sofrem com a falta de ferramentas, mas sim com a falta de continuidade. Os dados dos projetos permanecem fragmentados em diversos arquivos, e as decisões frequentemente perdem o contexto à medida que o trabalho avança do planejamento para o projeto e, finalmente, para a construção. Em decorrência disso, as equipes gastam um tempo valioso reconectando informações em vez de fazer o projeto avançar.
Isso evidencia a necessidade de fluxos de trabalho que preservem a intenção de projeto e levem o conhecimento adiante em cada etapa do processo. Sob essa ótica, a ideia de "design and make intelligence" pode ser compreendida como uma transição em direção à continuidade, na qual dados, decisões e aprendizados do planejamento, projeto, construção e operações permaneçam incorporados ao empreendimento, em vez de se perderem na entrega da obra. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) e a automação operam com maior relevância, apoiando-se em informações acumuladas em vez de insumos isolados.
Primeiros Socorros para o Patrimônio Ameaçado: Entrevista com a Ambulância para Monumentos

Ambulance for Monuments é uma iniciativa de primeiros socorros dedicada a salvaguardar o patrimônio edificado ameaçado da Romênia, operando em uma corrida contra o tempo para evitar desmoronamentos e perdas irreversíveis. O projeto responde à crescente vulnerabilidade de estruturas históricas, desde igrejas saxônicas fortificadas e casarões a igrejas de madeira e marcos rurais, muitos dos quais não contam mais com as redes comunitárias que antes os sustentavam. Em um país profundamente afetado pela emigração desde 1990, onde quase metade da população ainda vive em áreas rurais, vilarejos inteiros perderam as pessoas, os ofícios e o cuidado cotidiano que mantinham esses monumentos de pé.
Estruturada em torno de uma unidade móvel de intervenção — uma "Ambulância" equipada com ferramentas, andaimes e maquinários de campo —, a iniciativa realiza obras urgentes de estabilização que ganham tempo para os edifícios ameaçados. Longe de substituir uma restauração completa, essas intervenções estratégicas preservam o tecido histórico, garantem a segurança estrutural e mantêm viáveis a conservação a longo prazo e o reúso adaptativo.
O pátio como o mais leve sistema de resfriamento da arquitetura

O pátio é frequentemente lembrado como uma figura do passado, um espaço voltado para o interior, permeado de nostalgia, cultura e rituais domésticos. No entanto, essa abordagem ignora seu papel primordial. Antes de ser simbólico, o pátio era operacional. Ele organizava o fluxo de ar, controlava a luz e absorvia o calor. Não se tratava de um elemento decorativo, mas sim do que tornava a arquitetura habitável. Na habitação contemporânea, tais funções são normalmente delegadas a sistemas mecânicos instalados após a definição da forma. Nas casas com pátio, ao contrário, essas questões são resolvidas espacialmente, antes mesmo de se erguer qualquer parede.
O que aparenta ser uma tipologia recorrente em várias regiões é, na verdade, um conjunto de respostas altamente específicas ao clima. O pátio no Egito não se comporta como o pátio no Marrocos, tampouco como o da Índia. Cada um deles é calibrado para responder a um desafio ambiental distinto, utilizando o mesmo dispositivo espacial. Interpretá-los como um tipo único significa reduzir sua inteligência. Compará-los, por outro lado, permite compreender como o clima pode ser incorporado diretamente à forma arquitetônica.
Seleção do ArchDaily: 15 instalações e exposições da Semana de Design de Milão 2026

Reunindo uma semana de exposições, instalações e intercâmbio profissional, a Milan Design Week 2026 e a 64ª edição do Salone del Mobile.Milano foram encerradas no dia 26 de abril, após seis dias de programação pelo centro de exposições e por toda a cidade. Realizados de 20 a 26 de abril, os eventos deste ano reafirmaram o papel central de Milão no calendário global de design. O próprio Salone atraiu mais de 316.000 visitantes de 167 países. Com 1.900 marcas representadas e uma forte presença internacional, a semana funcionou mais uma vez tanto como plataforma cultural quanto como motor econômico, navegando por um contexto marcado pela incerteza do mercado e mantendo sua capacidade de reunir designers, instituições e lideranças do setor em escala global.
STARTT projeta novo acesso às áreas arqueológicas atrás do Panteão em Roma

O Panteão de Roma é mundialmente conhecido como um importante ícone turístico e arquitetônico, um testemunho edificado tanto da cultura grega quanto da técnica romana, além de um símbolo do Império Romano. O monumento passou recentemente por uma intervenção do escritório de arquitetura italiano STARTT (Studio of Architecture and Territorial Transformations). O projeto, intitulado Pantheon – Micro Architectures for Archaeology, foi promovido pelo Ministério da Cultura da Itália como parte de um programa de intervenções iniciado em 2019 para abrir o acesso do público às áreas arqueológicas do Panteão. O trabalho do STARTT representa a primeira fase do programa, com foco na abertura de uma nova entrada a partir do Pozzo del Diavolo, uma área localizada atrás da Rotunda do monumento, permitindo que visitantes acessem partes do tecido arqueológico do edifício que antes eram reservadas a funções técnicas.
Hôtel de la Paix: Uma abordagem alternativa ao patrimônio moderno no Togo

No final de 2024, um evento foi realizado nos jardins do recém-reformado Palais de Lomé, de época colonial, na capital do Togo. Estudantes da faculdade de arquitetura de Lomé participaram dos primeiros Encontros de Arquitetura de Lomé (RAL #1), com curadoria do Studio NEiDA, escritório transdisciplinar, que incluiu palestras, exibições de filmes, oficinas e visitas a edifícios. Uma exposição paralela exibiu a produção arquitetônica mais significativa da história do país. O objetivo do evento era explorar o patrimônio arquitetônico do Togo, marcando o início de uma jornada que cruza fronteiras e levanta questões sobre a conservação do patrimônio moderno. Ao contrário de edifícios coloniais como o próprio Palais de Lomé, que costumam ser mais valorizados e prontamente restaurados, edifícios modernos negligenciados — como o Hôtel de la Paix — exigem abordagens criativas e de base (bottom-up) para recuperar sua antiga vitalidade.
Indo além das métricas rumo a uma iluminação natural neuroinclusiva

Ruídos altos, o zumbido contínuo de equipamentos, mudanças abruptas de luz ou reflexos intensos costumam passar despercebidos. Para pessoas neurodivergentes, esses estímulos podem provocar desconforto significativo ou mesmo reações físicas e cognitivas intensas. O termo "neurodivergente" refere-se a pessoas cujo funcionamento neurológico difere do que é considerado típico, abrangendo condições como autismo, TDAH e dislexia, uma vez que seus cérebros processam informações de maneira diferente, particularmente em relação aos estímulos sensoriais, à atenção e à regulação emocional.
No entanto, a luz não é apenas visual; ela é neurológica. A forma como ela entra em um espaço, move-se pelas superfícies e muda ao longo do tempo pode afetar profundamente o conforto cognitivo. Contrastes extremos, ofuscamento, penetração direta de raios solares e variações rápidas de brilho exigem um ajuste constante do sistema visual e, para pessoas com maior sensibilidade sensorial, esse esforço pode se traduzir em fadiga, distração ou desconforto.
The Bass Museum of Art contrata Johnston Marklee para a expansão de seu campus em Collins Park, Miami Beach

O Bass Museum of Art nomeou o escritório de arquitetura Johnston Marklee, sediado em Los Angeles, para liderar a expansão de seu campus no Collins Park, em Miami Beach, avançando com uma visão de longo prazo que integra arquitetura, paisagismo e arte contemporânea. Fundado em 1964 após a doação da coleção de John e Johanna Bass, o museu está instalado em um edifício Art Déco da década de 1930, originalmente projetado por Russell Pancoast para abrigar a Biblioteca Pública e Centro de Arte de Miami Beach. Ao longo do tempo, a instituição evoluiu por meio de intervenções arquitetônicas, com destaque para a estrutura de campus proposta por Arata Isozaki, que estabelece um diálogo entre o tecido histórico e as adições contemporâneas.



















