
A arquitetura costuma tratar o design ecológico como se fosse uma descoberta recente. Corredores de biodiversidade, paisagens regenerativas, cidades-esponja e o urbanismo mais-que-humano são apresentados como respostas emergentes às crises ambientais contemporâneas. No entanto, na Índia e na região SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África), paisagens moldadas por práticas religiosas há muito tempo estruturam as relações entre pessoas, água, vegetação e animais. Muito antes de o desempenho ecológico se tornar uma métrica de projeto, os reservatórios dos templos armazenavam as águas das monções, os bosques sagrados protegiam a biodiversidade e os assentamentos em oásis sustentavam a vida em alguns dos ambientes mais áridos do mundo. Poucos desses lugares surgiram de agendas ambientais explícitas; pelo contrário, formaram-se a partir de práticas culturais e espirituais. Ainda assim, sua lógica ambiental continua extremamente relevante hoje. Diversas condições que hoje são discutidas sob o conceito do design mais-que-humano já existiam há séculos em paisagens que arquitetos e arquitetas raramente estudam como infraestrutura ecológica.
A água é o elemento que torna essas relações mais visíveis. No sul da Índia, os reservatórios dos templos ocupam uma posição que é, ao mesmo tempo, ritualística, espacial e ambiental. Escavados junto a complexos de templos, esses reservatórios coletam as chuvas sazonais, auxiliam na recarga dos lençóis freáticos, amenizam os microclimas locais e fornecem água para o uso cotidiano. Historicamente, muitos desses reservatórios não eram elementos isolados, mas componentes de sistemas de bacias hidrográficas mais amplos que conectavam os assentamentos às paisagens agrícolas do entorno. Sua importância ia muito além dos limites do próprio templo. Em períodos de seca, funcionavam como reservas; durante as fortes chuvas, absorviam e retinham o excesso de água. Em cidades como Madurai, Kanchipuram e Thanjavur, a vida urbana frequentemente se organizava em torno do reservatório, tratado como uma verdadeira infraestrutura ambiental.












