Lesley Lokko, acadêmica, escritora e curadora ganesa-escocesa, foi nomeada uma das 100 mulheres mais influentes de 2024 pela BBC. A prestigiada lista destaca mulheres de todo o mundo reconhecidas por sua resiliência e por suas contribuições para impulsionar mudanças em seus respectivos campos de atuação. A inclusão de Lokko reflete seu trabalho pioneiro na educação em arquitetura, seu compromisso com a diversidade e a inclusão, e seu foco em enfrentar desafios globais como a descolonização e a descarbonização.
No projeto arquitetônico, os materiais transmitem narrativas, moldando a forma como os espaços são percebidos e vivenciados. O aço patinável, frequentemente conhecido por sua marca registrada que se tornou genérica, o aço Corten, destaca-se por sua capacidade de evoluir, transformando-se em um meio que conta sua própria história. Trata-se de um grupo de ligas de aço que desenvolvem uma camada externa estável de ferrugem, a qual dispensa a necessidade de pintura para proteção do metal, ao mesmo tempo que lhe permite transformar-se ao longo do tempo. Sua pátina envelhecida funciona como mais do que um escudo funcional; torna-se uma linguagem estética, um testemunho da interação entre arquitetura e natureza. Essa superfície em constante mutação conecta o efêmero e o duradouro, oferecendo a arquitetos e arquitetas um material que se torna mais rico com o passar do tempo.
O conceito de arquitetura de baixa tecnologia reconhece o impacto das tecnologias e práticas construtivas intensivas em carbono e propõe uma alternativa: a redescoberta de soluções práticas, racionais e localmente adaptadas que dependem de estratégias de projeto inteligentes, em vez de sistemas de alto consumo energético, para garantir um ambiente seguro e confortável. Longe de ser um retrocesso, o conceito permanece aberto a inovações, mas busca reequilibrar a dependência da indústria em relação à mecanização. Dessa forma, privilegia-se uma arquitetura de menos componentes, com dependência minimizada de soluções de alta tecnologia e preferência por materiais com baixo carbono incorporado.
A Península Arábica representa um dos principais exportadores e consumidores de combustíveis fósseis do mundo, uma realidade econômica que influencia as visões de futuro da região e, implicitamente, o papel da arquitetura e do urbanismo nesses cenários. No entanto, diversos escritórios emergentes vêm contestando essas narrativas, recorrendo à pesquisa contextual para reformular a produção arquitetônica local. Entre eles, o estúdio de prática cultural Civil Architecture vem ganhando reconhecimento por seus trabalhos provocativos, que exploram narrativas alternativas para a identidade do Oriente Médio. Durante sua passagem pelo Bahrein, Christele Harrouk, do ArchDaily, teve a oportunidade de conversar com Ali Karimi, que, junto a Hamed Bukhamseen, fundou o Civil Architecture. Na entrevista em vídeo, eles debatem a prática da arquitetura na região do Golfo e a abordagem do escritório focada em narrativa e pesquisa.
Nesta temporada do Oscar, o fotógrafo Paul Clemence voltou suas lentes para o Academy Museum of Motion Pictures, a instituição mais famosa dedicada à arte e à ciência do cinema. Projetado e revitalizado pelos escritórios Gensler e Renzo Piano Building Workshop, o edifício está localizado na famosa "Miracle Mile", em Los Angeles, abrindo-se para vistas panorâmicas de Hollywood. Este ano, o museu abriu o seu terraço na cobertura para o Oscars Night at the Museum, um evento exclusivo em comemoração à 96ª edição do Oscar.
Um "espaço temporário" (ou *meanwhile space*) refere-se à ocupação provisória de uma área ociosa — seja uma loja vazia, um edifício desativado ou um terreno aguardando redesenvolvimento. O conceito gira em torno do aproveitamento produtivo dessas áreas durante o período de transição, antes que um uso definitivo seja estabelecido. Trata-se, essencialmente, de dar vida ao intervalo, transformando espaços subutilizados em locais vibrantes e funcionais durante períodos de incerteza ou transição.
A iniciativa Conserving Black Modernism, da Getty Foundation, lançada em 2022, representa um esforço fundamental para preservar e celebrar as contribuições arquitetônicas de arquitetos/as afro-americanos/as no movimento modernista. Essa iniciativa, realizada em parceria com o African American Cultural Heritage Action Fund, do National Trust for Historic Preservation, visa corrigir lacunas históricas e garantir que o legado desses/as arquitetos/as pioneiros/as seja protegido para as futuras gerações. Ao longo de três ciclos de financiamento, de 2023 a 2025, o programa apoia o planejamento de conservação, o treinamento profissional e a difusão de narrativas para destacar a importância cultural e arquitetônica desses locais.
Este artigo é o texto vencedor do Epistle Writing Prize 2024, uma competição anual dedicada a reconhecer trabalhos de escrita excepcionais sobre design, arquitetura e meio ambiente.
Podemos estar na era da nuvem digital — por mais celestial ou etérea que ela pareça —, mas ela não apenas é incontestavelmente material, como também constitui uma poderosa força ecológica. Atualmente, os data centers são usinas gigantescas das indústrias modernas de informação, comunicação e tecnologia, abrigando servidores colossais que armazenam e processam dados. Embora sua proliferação seja, de certa forma, uma consequência de nossos padrões de consumo, à medida que a demanda global pelo meio digital cresce, a pegada ecológica dos data centers expande-se na mesma proporção.
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM) anunciou os vencedores do Concurso de Ideias ATHIS - Prêmio Arquiteto e Urbanista Zezéu Ribeiro, que buscava promover projetos de assistência técnica em habitação de interesse social (ATHIS). A iniciativa tem como objetivo principal enfrentar os desafios habitacionais de comunidades vulneráveis no estado, através de soluções arquitetônicas acessíveis, inovadoras e socialmente responsáveis.
Os projetos vencedores destacaram-se por sua abordagem sensível e contextualizada às necessidades locais, incorporando princípios de sustentabilidade, participação comunitária e uso eficiente de recursos. Com foco em melhorias habitacionais, regularização fundiária e qualificação de espaços urbanos, as propostas alinham-se aos objetivos do programa ATHIS, instituído pela Lei Federal 11.888/2008, que assegura assistência técnica gratuita a famílias de baixa renda.
https://www.archdaily.com.br/pt/1025188/conheca-os-vencedores-do-concurso-de-athis-promovido-pelo-cau-amArchDaily Team
A busca por reflexões sobre a cidade contemporânea invariavelmente esbarra nas limitações colocadas pelos métodos do Movimento Moderno. As ciências clássicas e seus métodos deterministas, que orientaram — e ainda orientam — o urbanismo desse tempo, descrevem os fenômenos do mundo por meio de relações fortes de causalidade e, consequentemente, os define em leis universais redutoras, que excluem contradições e incertezas. O resultado frequente dessas perspectivas é um mundo idealizado e mecanicista, que nega as complexidades da natureza real de fenômenos, como por exemplo, as cidades.
https://www.archdaily.com.br/pt/1025187/a-ilusao-do-controle-na-cidade-contemporaneaPedro H. N. V. Santos
O crescimento populacional e a alta vertiginosa nos preços dos imóveis impõem desafios significativos à habitação urbana. Em uma busca urgente por opções de moradia acessíveis, os espaços de co-living surgiram como uma solução criativa, oferecendo condições de vida de qualidade por meio de estratégias inteligentes de otimização do espaço. Ao implementar técnicas de design inovadoras, essas comunidades residenciais compartilhadas maximizam cada metro quadrado para criar espaços funcionais dentro de áreas compactas.
A busca pela cidade ideal há muito tempo é tema de debate entre arquitetos/as e urbanistas. Além da identidade estética e do patrimônio cultural, a qualidade de vida representa talvez o indicador mais importante nessa busca. Este ano, a Economist Intelligence Unit (EIU), empresa irmã da publicação The Economist, divulgou seu Global Liveability Index 2024, destacando as cidades que se sobressaem nessa jornada contínua. Pelo terceiro ano consecutivo, Viena foi eleita a cidade mais habitável do mundo. Cidades europeias como Copenhague, Zurique e Genebra também ocupam posições de destaque, devido às suas populações menores, que contribuem para baixos índices de criminalidade e menor congestionamento. Em comparação ao ranking de 2023, os índices de cidades norte-americanas e australianas foram prejudicados pela atual crise habitacional.
A avaliação classifica 173 cidades de todo o mundo. Cada município recebe uma pontuação com base em 30 fatores qualitativos e quantitativos distribuídos em cinco categorias: estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura. As notas baseiam-se em dados externos, analistas internos e colaboradores/as locais. A categoria de estabilidade registrou a maior queda, reflexo do aumento de protestos e conflitos armados. Na extremidade oposta da lista, a cidade de Damasco, na Síria, continua classificada como a menos habitável da pesquisa, seguida por Trípoli, na Líbia, evidenciando uma grave instabilidade.
O Dia Internacional das Cooperativas, comemorado anualmente no primeiro sábado de julho, é uma oportunidade para conscientizar e celebrar o cooperativismo. Celebrado nesta data pelas Nações Unidas desde 1992, o cooperativismo é um movimento social e econômico que capacita indivíduos e comunidades por meio da criação de empreendimentos de propriedade coletiva e geridos de forma democrática por seus membros. O tema deste ano é "Cooperativas: Parceiras para um Desenvolvimento Sustentável Acelerado". Além de destacar o papel fundamental que as cooperativas desempenham no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o lema também enfatiza a tipologia singular das cooperativas na exploração de novas formas de vida coletiva. Pautadas pelo crescimento comunitário, as cooperativas apostam no desenvolvimento comum, priorizando as pessoas e apoiando-as na melhoria do bem-estar coletivo.
Jane Drew e Maxwell Fry com uma maquete de um de seus muitos edifícios para a Costa do Ouro, 1945. / Tropical Modernism - Architecture and Independence no V&A South Kensington. Imagem cortesia do RIBA
Ao refletir sobre 2024, observa-se que inúmeras exposições de arquitetura foram inauguradas pelo mundo, abordando variados temas, formatos expográficos e arquitetos/as de destaque. O projeto arquitetônico e a prática profissional influenciam nosso cotidiano de maneiras sutis e muitas vezes imperceptíveis, nas quais os/as usuários/as finais aceitam os ambientes construídos tais como são. Essa reação pode decorrer de uma combinação de fatores, como o sentimento de impotência para promover mudanças significativas após a construção de um edifício ou a experiência de crescer em ambientes sobre os quais as pessoas tiveram pouca ou nenhuma autonomia de transformação. Por essas razões, as exposições de arquitetura cumprem um papel fundamental, oferecendo à sociedade a oportunidade de pausar, refletir e examinar criticamente a infinidade de questões que surgem durante o processo de projeto e construção. Esses temas muitas vezes são negligenciados ou precisam de maior reconhecimento, uma vez que os/as profissionais da área tendem a priorizar a entrega de projetos em prazos rígidos em detrimento de reflexões mais profundas.
Em 2024, museus, galerias e curadores/as responderam aos desafios em constante evolução do ambiente construído por meio de diversas abordagens. Algumas exposições questionaram a ética dos materiais de construção e as práticas por trás das cadeias de suprimentos, chamando a atenção para as implicações mais amplas das escolhas materiais. Outras focaram em documentar movimentos arquitetônicos pelo mundo, enfatizando sua relevância cultural e histórica e a necessidade urgente de preservar e adaptar em vez de substituir por novas construções. Esses esforços destacam o papel das exposições na conscientização sobre questões urgentes, ao mesmo tempo em que fomentam um diálogo mais crítico sobre a disciplina arquitetônica.
Na busca por expandir e atrair novas experiências naturais para o centro das cidades, o design, o planejamento e a revitalização de determinados espaços urbanos acompanham uma série de estratégias que visam melhorar a qualidade de vida de sua população e manter uma conexão com la natureza enraizada na paisagem local. Por meio de soluções técnicas de tratamento de efluentes e drenagem de águas pluviais, mejoras na acessibilidade, incorporação de atividades recreativas e introdução de vegetação nativa, entre outras ações, inúmeros parques, praças e jardins integram-se aos tecidos urbanos e rurais. O objetivo é filtrar a poluição e purificar o ar, enfrentar problemáticas sociais e promover experiências que estimulem as relações entre a natureza, a biodiversidade e a sociedade.
Caminhar sobre um piso de vidro é uma experiência única que mistura deslumbramento com um toque de inquietação. A transparência cria a ilusão de vazio sob os pés, apesar do suporte firme, gerando uma desconexão visual que faz com que cada passo pareça hesitante, como se estivesse flutuando ou cruzando uma ponte invisível. Embora o vidro seja projetado para garantir a segurança, a mente muitas vezes o associa à fragilidade, gerando uma curiosa tensão entre confiança e dúvida. É essa mistura de emoções que torna a caminhada sobre um piso de vidro algo tão inesquecível.
Os pisos de vidro modernos são incrivelmente resistentes, graças a materiais e processos de fabricação avançados. Geralmente feitos de vidro laminado — composto por múltiplas camadas unidas por uma película intermediária durável —, eles são projetados para evitar o estilhaçamento em fragmentos cortantes. Em termos de capacidade de carga, um piso de vidro bem projetado pode suportar pesos equivalentes ou superiores aos dos materiais de revestimento tradicionais, muitas vezes ultrapassando 500 quilos por metro quadrado, dependendo do projeto e da aplicação. Ao pisar em um piso de vidro, não se trata apenas de caminhar: é flutuar, suspenso entre a realidade e a ilusão, em uma proeza emocionante do design moderno.
A inteligência artificial (IA) está reconfigurando o cenário arquitetônico, oferecendo ferramentas que potencializam a criatividade, otimizam fluxos de trabalho e redefinem os processos de projeto. Desde o auxílio no planejamento urbano até a conceituação de residências e criação de visualizações, a IA abre novas possibilidades para arquitetos/as, designers e até mesmo pessoas leigas. No entanto, à medida que os resultados gerados por IA se tornam mais frequentes, surgem preocupações quanto à possibilidade de gerar projetos com aparência genérica ou ao desaparecimento de habilidades tradicionais de projeto. Esses desafios nos levam a examinar criticamente como a IA complementa a criatividade humana e as implicações éticas em torno da autoria, originalidade e direitos de propriedade intelectual nesta era digital em rápida evolução.
Os escritórios de arquitetura Lehrer Architects LA e Arquitectura y Diseño acabam de apresentar a primeira fase do Mausoléu Gower no Hollywood Forever Cemetery, em Los Angeles,Estados Unidos. Esta inovadora estrutura vertical, com cerca de 30 metros de altura, foi projetada para abrigar o repouso eterno de mais de 50.000 pessoas, além de servir como um marco cultural e espiritual no coração de Hollywood.
À medida que as comunidades se tornam mais multiculturais e progressivamente diversas, esses locais servem como manifestações físicas de inclusão religiosa, incentivando a aceitação de minorias étnicas e religiosas em paisagens multiculturais. Sua proliferação reflete uma necessidade crescente de ambientes inclusivos que atendam a diversas necessidades espirituais e, ao mesmo tempo, promovam a compreensão inter-religiosa. Contudo, projetar e implantar esses espaços impõe desafios complexos, frequentemente gerando debates sobre representatividade, neutralidade e a própria natureza do espaço sagrado. Tais discussões evidenciam o delicado equilíbrio que profissionais de arquitetura devem encontrar ao criar ambientes que sejam ao mesmo tempo universalmente acolhedores e espiritualmente significativos.
Se existe um livro que todo/a estudante de arquitetura deve ter na estante, este livro é uma história da arquitetura. Não há alternativa mais abrangente e, ao mesmo tempo, compacta do que Kenneth Frampton's Modern Architecture: A Critical History, publicado originalmente em 1980 pela Thames & Hudson. Sua mais recente e ampliada edição — a quinta, com 734 páginas e 813 ilustrações — foi lançada em 2020. Em 2023, conversei longamente sobre o livro com o autor em uma entrevista em vídeo, agora disponível no YouTube.
Como um panorama compacto e, ao mesmo tempo, fundamental da evolução do Movimento Moderno, Modern Architecture: A Critical History é inquestionavelmente a crônica mais autoritativa, completa e aprofundada desse período. O acréscimo mais valioso ao novo livro é a introdução de novos capítulos focados em regiões como Canadá, México, Colômbia, Austrália, China, Índia e Sri Lanka, entre outras. Esses capítulos lançam luz sobre diversas práticas anteriormente negligenciadas que operavam fora dos centros tradicionais de poder, a saber, a Europa Ocidental, os Estados Unidos e o Japão.
O escritório Zaha Hadid Architects foi selecionado para projetar o Centro de Cultura e Arte do Rio Cao'e, no distrito de Shangyu, em Shaoxing, localizado em uma nova área cultural planejada na província de Zhejiang, na China. Situado às margens do Rio Cao'e, um local de relevância histórica, o projeto foi concebido para atuar como um polo cultural e artístico fundamental tanto para a comunidade local quanto para visitantes. Sua proposta busca integrar a funcionalidade contemporânea com as tradições arquitetônicas e culturais da região.