Ao longo de sua história relativamente recente, os museus evoluíram para condensar aspectos específicos de uma cultura e apresentá-los de forma coerente e unificada. Desse modo, a relação entre a arquitetura e a exposição torna-se crucial, pois cabe ao/à arquiteto/a desenhar não apenas o suporte e o plano de fundo das obras de arte ou artefatos expostos, mas também se responsabilizar pelo percurso do/a visitante, aliando o enriquecimento cultural com a experiência espacial vivenciada ao percorrer as salas de exposição. Contudo, nem todos os museus foram originalmente construídos para essa finalidade.
Por toda a Europa, museus estão sendo instalados ou se expandindo a partir de monumentos históricos e edifícios que perderam sua função original. Frequentemente em estado de deterioração, a decisão de convertê-los em espaços culturais interrompe essa degradação e preserva a matéria histórica, agregando uma nova camada de complexidade às exposições planejadas. O papel do/a arquiteto/a passa a ser o de introduzir uma ordem e um sistema capazes de equilibrar o patrimônio do local com as demandas de funcionalidade modernas, garantindo a preservação da essência da estrutura original enquanto atende às necessidades das exposições contemporâneas e do engajamento do público.
No alvorecer do Modernismo, na busca fervorosa por sistemas construtivos inovadores, eficientes e econômicos, a ideia da construção modular oferecia exatamente essa promessa: um sistema industrializado composto por elementos prontos para montagem, de fácil configuração, excelente relação custo-benefício e controle de qualidade garantido. Embora a ideia não tenha ganhado tanta força quanto o esperado inicialmente, ela continuou sendo uma premissa atraente para arquitetos/as e designers. Atualmente, novos avanços no setor têm gerado um interesse renovado no assunto, à medida que a habitação modular surge como uma alternativa eficaz em diversos campos, desde a habitação acessível até abrigos de emergência, ou mesmo como plataformas para colaboração interdisciplinar, participação e codesign. O artigo a seguir explora essa promessa de acessibilidade, criatividade e viabilidade econômica que se tornou parte integrante do debate sobre a arquitetura modular.
Sanderling Beach Club, fotografia de Francis Dzikowski, Archives of the Paul Rudolph Heritage Foundation. Imagem via Paul Rudolph Institute of Modern Architecture, sob política de uso justo
Sumayya Vally, arquiteta, curadora e fundadora do escritório de arquitetura Counterspace, passa a integrar o júri do Obel Award 2024. Este prêmio internacional de arquitetura, organizado pela Henrik Frode Obel Foundation, homenageia projetos que causam um impacto significativo nas pessoas e no planeta. O tema de 2024, "Architecture WITH" (Arquitetura COM), propõe repensar a profissão, enfatizando processos colaborativos e de cocriação que integram saberes diversos no cerne do projeto. A perspectiva de Vally sobre a redefinição dos papéis na arquitetura se alinha ao foco do tema em abordagens não hierárquicas e cocriativas.
1180 - O Coro Gótico. Imagem cortesia de Histovery
Antes da reabertura oficial da Notre-Dame de Paris, marcada para 8 de dezembro, uma série de exposições está ocorrendo globalmente, utilizando tecnologias imersivas e realidade aumentada para aproximar o público tanto dos esforços de restauração quanto da trajetória desse célebre monumento. A iniciativa reconta capítulos marcantes da história da estrutura icônica, desde suas origens medievais até marcos históricos como a coroação de Napoleão e o casamento de Henrique IV, passando pela restauração do século XIX — que adicionou a agulha projetada pelo arquiteto francês Viollet-le-Duc — e pelo devastador incêndio de 2019.
De 25 de abril a 1 de maio de 2024, Logroño sedia a décima edição do Concéntrico, uma celebração da inovação e da transformação urbana. Este ano, o festival explora o futuro das cidades ao incorporar novos formatos, engajar públicos diversos e enfrentar desafios urbanos sob a perspectiva do tempo como um catalisador de mudança no design. Com 20 intervenções e atividades que envolvem mais de 100 profissionais de 17 países, a programação abrange processos como a renaturalização de espaços públicos, a reinvenção de estruturas urbanas e a integração de materiais reciclados de edições anteriores.
Além disso, parcerias com centros educacionais garantem um impacto duradouro para além do festival, fomentando novas práticas coletivas nos espaços públicos. Projetos especiais, como "A rua em 10 anos", ou iniciativas que envolvem estudantes de escolas e centros de ensino locais enriquecem ainda mais o engajamento do festival com as comunidades em toda a Espanha.
A Catedral de Notre-Dame, em Paris, foi oficialmente reaberta, cinco anos após um incêndio devastador destruir sua cobertura e agulha, ameaçando a integridade de toda a estrutura. A cerimônia de reabertura ocorreu na noite de sábado com um sermão de duas horas, que contou com a presença de líderes globais e autoridades. A cerimônia também representou a primeira oportunidade de testemunhar o resultado da restauração estimada em € 700 milhões (US$ 739 milhões), um processo que incluiu a limpeza minuciosa das pedras internas, revelando um interior gótico de um branco resplandecente.
Após o devastador terremoto que atingiu o centro da Turquia e o noroeste da Síria em fevereiro de 2023, a província de Hatay, na Turquia, teve grande parte de seu tecido urbano destruído e milhares de habitantes desalojados. O Türkiye Design Council contratou o estúdio de design SOUR para contribuir com a iniciativa de regeneração, como parte de um processo mais amplo de revitalização focado no design.
O Prêmio Aga Khan de Arquitetura anunciou o Grande Júri para o seu 16º ciclo de premiação. O painel independente inclui a arquiteta laureada com o Prêmio Pritzker Yvonne Farrell, o fundador do ArchDaily, David Basulto, e Lucia Allais, diretora do Buell Center. Criado em 1977 por Aga Khan IV, o prêmio busca destacar projetos de arquitetura que gerem um impacto positivo significativo em comunidades islâmicas de todo o mundo. A premiação é realizada em ciclos trienais e conta com uma dotação total de US$ 1 milhão.
O escritório Skidmore, Owings & Merrill (SOM) iniciou a construção da sede global do China International Marine Containers Group (CIMC) no distrito de Qianhai, em Shenzhen. A estrutura de 270 metros de altura, projetada pelo SOM após vencer um concurso internacional, terá 53 andares. O projeto visa funcionar como um hub corporativo e, ao mesmo tempo, incorporar práticas sustentáveis. A conclusão do empreendimento está prevista para 2029.
Em 29 de setembro de 2023, o “Sphere” (anteriormente conhecido como MSG Sphere), localizado no Venetian Resort em Las Vegas, abriu suas portas ao público com uma série de shows liderados pela banda de rock irlandesa U2. Projetado pelo escritório especializado em arenas Populous, o projeto foi anunciado pela primeira vez em 2018. Com 112 metros de altura e 157 metros de largura, e construído a um custo de 2,3 bilhões de dólares, o edifício é considerado a maior estrutura esférica do mundo, revestida externamente por uma tela LED de alta resolução. Localizado a leste da Las Vegas Strip e conectado ao complexo do Venetian Resort, o projeto foi concebido para abrigar diversos eventos, de concertos musicais e exibições de cinema a competições esportivas. Para revelar a experiência completa do espaço, novas imagens do interior mostram seus detalhes complexos e a atmosfera imersiva.
Comissionado pela Fundação de Istambul para a Cultura e as Artes (İKSV), o Pavilhão da Turquia apresenta a exposição intitulada "Grounded" na 19ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, em 2025. Com curadoria de Ceren Erdem e Bilge Kalfa, o projeto explora o solo como um meio que carrega memórias ecológicas e culturais, apresentando-o como um ecossistema ativo com capacidade de armazenar e transmitir informações. Apoiado em pesquisas, o projeto revela novas possibilidades que integram diversas perspectivas artísticas e interdisciplinares. A curadoria convida o público a reconsiderar sua relação com natureza e a se engajar com a complexidade e a importância do solo sob seus pés. A exposição conta com contribuições de 10 participantes individuais e 10 equipes colaborativas, além de uma seleção de obras escolhidas por meio de uma chamada aberta.
O Prêmio Europeu do Espaço Público Urbano 2024 anunciou os grandes vencedores de sua 12ª edição. Na Categoria Geral, o "Parque no Monte da Revolta de Varsóvia", na Polônia, desenvolvido pelos escritórios topoScape e Archigrest, foi reconhecido por sua capacidade de honrar o significado histórico do local; por sua vez, o prêmio da Categoria Frentes Marítimas foi concedido à "Melhoria da Praia e Reurbanização da Orla Portuária" em Porto do Son, Espanha, projeto de CREUSeCARRASCO e RVR Arquitectos, por sua integração cuidadosa entre elementos naturais e artificiais. Selecionados a partir de uma lista de 10 finalistas, os projetos foram destacados por sua resposta sensível à memória local e pela compreensão da sinergia entre as diferentes dinâmicas que interagem com a vida urbana.
Todo mês de agosto, o Deserto de Black Rock, em Nevada, transforma-se em uma cidade vibrante para o Burning Man, um festival de uma semana que culmina na queima cerimonial de uma grande efígie de madeira. Criado em 1986, o festival é conhecido por suas instalações de arte não convencionais e por seu impressionante cenário desértico. Embora variem em sua expressão, as intervenções seguem um tema central a cada ano. Para esta edição, o título “Curiouser & Curiouser” inspira-se no Chapeleiro Maluco de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, instigando os/as participantes a se conectarem com o maravilhamento e a abraçarem o lúdico e o misterioso. A instalação do templo central deste ano foi projetada por Caroline Ghosn para representar a união e o respeito mútuo. Seguindo a tradição do Burning Man, o projeto do templo é selecionado por meio de um concurso internacional.
Mais da metade da população mundial reside em áreas urbanas, com mais de 4 bilhões de pessoas dependendo das cidades como seu principal ambiente. De acordo com o último relatório sobre populações urbanas das Nações Unidas, estima-se que esse número continue a crescer nos próximos 50 anos, o que exige que as cidades em todo o mundo busquem formas melhores de acomodar sua população crescente, ao mesmo tempo em que realizam a transição para práticas urbanas mais sustentáveis. Para destacar essa responsabilidade, as Nações Unidas declararam 11 de julho como o Dia Mundial da População.
Sob o tema deste ano, "Não Deixar Ninguém para Trás, Contar Todos", a ONU também busca chamar a atenção para a importância da coleta de dados para refletir a diversidade da sociedade. O crescimento das cidades mundiais faz parte dessa equação como uma métrica importante para compreender as tendências demográficas globais. A lista a seguir apresenta as 20 maiores cidades do mundo em 2024, classificadas pelo tamanho populacional de suas áreas metropolitanas. Ao comparar os resultados com as edições anteriores, as únicas cidades que reduziram seu tamanho foram as duas do Japão: Tóquio e Osaka. As maiores taxas de crescimento podem ser observadas nas megacidades africanas de Kinshasa e Lagos, enquanto a China continua sendo o país com maior representação na lista, com cinco metrópoles no top 20: Xangai, Pequim, Chongqing, Tianjin e Guangzhou.
Mais do que um mero registro visual, a fotografia de arquitetura é um meio poderoso capaz de revelar e explorar os espaços arquitetônicos sob perspectivas únicas. Pelas lentes de um/a fotógrafo/a talentoso/a, a arquitetura manifesta seu jogo de luzes e sombras, a tectônica de seus elementos estruturais, o detalhamento meticuloso dos encontros de materiais e as narrativas mais amplas do patrimônio cultural. No Dia Mundial da Fotografia de 2024, celebramos essa forma de arte singular destacando o trabalho de 25 fotógrafos/as de destaque que capturaram a arquitetura em suas formas mais evocativas.
Entre as séries fotográficas apresentadas, Paul Clemence explora a precisão minimalista dos museus suíços, Iwan Baan oferece uma narrativa visual de Praga, enquanto Simone Bossi destaca o contraste entre as estruturas construídas pelo ser humano e o seu entorno natural. Além disso, Marc Goodwin dá continuidade à sua série sobre escritórios de arquitetura ao redor do mundo, oferecendo um vislumbre dos espaços criativos da profissão. O trabalho de Erieta Attali transporta o público a ruínas antigas para explorar justaposições históricas e paisagens culturais.
O escritório Snøhetta revelou seu projeto para um novo edifício dedicado a uma instituição muito querida pela comunidade, o Omaha Children's Museum. Localizado a apenas alguns quarteirões do Kiewit Luminarium e com vista para o rio, o novo espaço foi projetado seguindo as melhores práticas no desenvolvimento da primeira infância, oferecendo exposições e programações voltadas a fomentar a alegria, a curiosidade e a conexão entre crianças pequenas e seus cuidadores e cuidadoras.
A quarta edição da Trienal de Bruges: Spaces of Possibility, com curadoria de Shendy Gardin e Sevie Tsampalla, acontece de sábado, 13 de abril, a domingo, 1º de setembro de 2024. O evento promete transformar as ruas e o centro histórico de Bruges, na Bélgica, em uma vitrine de arte contemporânea e intervenções arquitetônicas. Com foco na exploração do potencial latente deste Patrimônio Mundial da UNESCO, o festival propõe uma reflexão sobre como conceitos como mudança e sustentabilidade podem dialogar com a preservação.
O grupo de 12 artistas e arquitetos/as selecionados/as foi instigado a desafiar os espaços existentes em Bruges. Entre os nomes convidados estão o escritório Bangkok Project Studio, de Boonserm Premthada, além de Mona Hatoum, Studio Ossidiana e Sumayya Vally (fundadora do Counterspace e curadora da primeira Bienal de Artes Islâmicas), entre outros. Até 1º de setembro, esses nomes apresentam intervenções temporárias e instalações em grande escala que buscam revelar o potencial oculto da cidade, ecoando o tema do festival. Tendo como pano de fundo a rica história de Bruges, esta edição da Trienal destaca a importância de espaços urbanos adaptáveis no mundo em constante evolução de hoje.