Daniela Andino

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Projetar para a Presença: Quando a Arquitetura nos Convida a Permanecer

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Cada vez mais, demanda-se da arquitetura que faça menos, e não mais. Em ambientes moldados pelo movimento constante, pelo ruído e pelas expectativas, os espaços que permitem às pessoas permanecer, pausar e estar presentes tornaram-se simultaneamente mais raros e mais necessários. Muitos espaços públicos e semipúblicos são projetados para manter as pessoas em movimento, consumindo ou reagindo, deixando pouco espaço para a permanência, a observação ou o simples existir sem um propósito.

Diante disso, um conjunto crescente de obras vem desviando o foco da ativação em direção à presença. Em vez de exigir que as pessoas usuárias interajam ou participem, esses espaços criam condições que favorecem a permanência. O conforto, a continuidade e a abertura permitem que as pessoas permaneçam sem pressão ou obrigação, transformando a presença em uma qualidade espacial, e não em uma atividade.

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Construindo o Futuro: Como os saberes vernaculares estão moldando a arquitetura contemporânea

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Em diferentes climas e culturas construtivas, diversos projetos contemporâneos estão trabalhando com as formas locais de construir a partir de novas abordagens. Paredes de terra, estruturas de bambu, limiares sombreados e processos de construção coletiva estão sendo reconsiderados não como meras referências, mas como ferramentas para lidar com as condições que a arquitetura enfrenta hoje e continuará enfrentando no futuro.

Nesses projetos, o conhecimento vernacular se manifesta por meio de decisões práticas: como resfriar um edifício sem o uso de máquinas, como construir com o que está disponível no entorno, como facilitar a manutenção de uma estrutura e de que forma manter o conhecimento construtivo dentro da comunidade que irá utilizá-la. As condições que tornam esse conhecimento indispensável não estão por vir. Elas já estão presentes.

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Sobre a água, a encosta e a floresta: arquitetura elevada na América Latina

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Na América Latina, o solo raramente é apenas uma superfície sobre a qual se constrói. Pode ser a margem de um rio, uma encosta íngreme, o chão úmido de uma floresta, uma paisagem inundável ou um território sob pressão ecológica. Em muitos casos, carrega uma história de comunidades que já sabiam como responder a essas condições, construindo sobre palafitas, plataformas ou sobre a água, muito antes de a arquitetura contemporânea formular as mesmas perguntas.

Esses projetos dão continuidade a esse diálogo. Eles interagem com condições que se movem, absorvem, sofrem erosão e crescem, em vez de tratar o solo como algo a ser nivelado ou controlado. A elevação permite que a arquitetura se adapte sem se impor completamente: a água pode passar por baixo, a vegetação pode permanecer e as encostas mantêm sua condição original. Em cada caso, a decisão de elevar a estrutura está atrelada a fatores específicos: água, umidade, topografia, vegetação ou recuperação ecológica, além do conhecimento de como construir a favor do entorno, e não contra ele.

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Quando a arte veio primeiro: experimentos espaciais que moldaram a arquitetura na América Latina

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Muitas das ideias espaciais que hoje associamos à arquitetura contemporânea, ao uso coletivo e à experiência corporal não se originaram apenas nos edifícios. Na América Latina, esses conceitos foram frequentemente explorados primeiro por meio da arte, em um momento em que artistas questionavam ativamente como o espaço poderia ser ocupado, compartilhado e vivenciado para além das formas tradicionais.

Em meados do século XX, a região passou por uma rápida urbanização e por profundas transformações sociais. Esperava-se cada vez mais que a arquitetura respondesse à vida pública, à coletividade e a novas maneiras de habitar o espaço. Paralelamente, a arte oferecia um campo de experimentação mais flexível, menos condicionado pela função, pelas regulamentações ou pela permanência. Como resultado, muitas questões espaciais foram testadas por meio de práticas artísticas antes de passarem a integrar o pensamento arquitetônico.

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Legado na Matéria: Tradições Materiais na Arquitetura Sul-Americana

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Em toda a América do Sul, a arquitetura resiste através dos materiais que utiliza, aqueles que persistem ao longo do tempo. O bambu, o tijolo, a madeira e o concreto surgem em diferentes regiões, conectando clima, trabalho e cultura de maneiras que garantem sua permanência através das gerações. Sua continuidade não depende exclusivamente de preservação ou tombamento. Depende do uso.

Sob essa perspectiva, a memória cultural não reside primordialmente em monumentos ou imagens, mas sim na prática. Ela sobrevive em gestos repetidos: no assentamento de tijolos, na amarração de nós de guadua, na montagem de estruturas de madeira, na concretagem de lajes que antecipam um novo pavimento. Essas ações são transmitidas menos por manuais do que pela participação direta. Com o tempo, formam sistemas de conhecimento integrados ao hábito e à necessidade. Os materiais perduram não por simbolizarem o passado, mas porque continuam cumprindo sua função.

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Construindo autonomia: comunidades latino-americanas trazendo os sistemas da vida para a arquitetura

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Antes que um edifício possa ser habitado, muitos outros processos precisam ocorrer. A água deve chegar, a energia deve ser gerada, o alimento precisa ser cultivado ou transportado e os resíduos devem ter uma destinação. Esses processos geralmente são tratados como algo alheio à arquitetura, embora moldem as condições mais básicas da vida cotidiana.

Por essa razão, a ideia de comunidades autossuficientes é mais complexa do que parece à primeira vista. Ela pode sugerir um lugar que provê a maior parte de suas necessidades: energia, água, alimento, abrigo e gestão de resíduos. Contudo, em muitos contextos latino-americanos, a autonomia não significa uma separação completa do mundo, mas sim uma forma de aproximar os sistemas da vida cotidiana das pessoas que os utilizam, mantêm e cuidam deles.

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Clima e uso coletivo: permeabilidade arquitetônica na América Latina

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A arquitetura é frequentemente compreendida como uma questão de fechamento. Paredes definem o espaço, separando o interior do exterior e estabelecendo limites claros. No entanto, em muitos projetos na América Latina, essa distinção se torna menos precisa. Em vez de operarem como objetos fechados, os edifícios muitas vezes permanecem abertos, permitindo a passagem do ar, da luz e do movimento.

Essa condição vai além da forma. Em toda a região, a arquitetura responde há muito tempo a climas caracterizados pelo calor, pela umidade, pela forte exposição solar e pelas chuvas sazonais, bem como a culturas construtivas moldadas pela adaptação, pelo trabalho coletivo e pelo engajamento direto com o meio ambiente. Nesses contextos, interiores totalmente vedados nem sempre são a resposta mais eficaz. O espaço é frequentemente organizado por meio da sombra, da ventilação e de zonas intermediárias que regulam, em vez de isolar.

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A arquitetura do mofo: o que os edifícios não podem controlar

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A arquitetura contemporânea aprendeu a celebrar a matéria viva. Painéis de micélio, sistemas de algas, paredes vivas — a vida agora é bem-vinda nos edifícios, sob a ótica da inovação. No entanto, a mesma disciplina que celebra esses organismos trata o mofo como contaminação. Ambos são biológicos. Ambos respondem à umidade, à temperatura e às condições dos materiais. A diferença não é científica; diz respeito a quais formas de vida a arquitetura está disposta a aceitar e quais prefere eliminar.

O mofo não se limita a edifícios abandonados ou interiores mal conservados. Ele surge em residências, escolas, escritórios, estruturas históricas e novas construções, nos mais diversos climas e contextos. Isso torna difícil ignorá-lo como um problema menor ou isolado. Se o mofo continua voltando, o que ele nos diz sobre os ambientes que os edifícios criam?

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Arquitetura no Ritmo do Tempo: Projetando Através de Ciclos Solares, Lunares e Biológicos

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À medida que o solstício marca o dia mais curto do ano no Hemisfério Norte, ele também chama a atenção para um aspecto com o qual a arquitetura lida há muito tempo, mas que muitas vezes negligencia: o tempo. Para além da forma ou da função, edifícios e espaços são continuamente moldados por ciclos de luz e escuridão, mudanças sazonais e ritmos ambientais que afetam a maneira como são habitados.

Nos últimos anos, um número crescente de projetos de arquitetura começou a trabalhar explicitamente com esses ciclos. Em vez de projetar espaços para funcionar de uma única maneira fixa, arquitetos/as estão criando ambientes que se transformam ao longo do dia, das estações ou em resposta a fenômenos naturais como o percurso do sol, as fases lunares, os padrões de vento ou os ritmos circadianos. Esses projetos operam em diálogo com o tempo, surgindo, transformando-se e ativando-se de forma diferente conforme as condições ambientais.

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Das ecologias ao cotidiano: reflexões sobre as exposições de arquitetura em 2025

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O ano que passou marcou um período de introspecção para a arquitetura. À medida que 2025 se desenrolava, a disciplina, confrontada com realidades ambientais e sociais em constante evolução, entrou em um ponto de virada mais amplo em relação a como compreende seu papel e a como as pessoas interagem com ela. Ao longo do ano, as exposições desviaram o foco dos edifícios como objetos isolados em direção a uma compreensão mais ampla das relações entre ecologia, equidade, vida cotidiana e imaginários coletivos. Em diferentes instituições e cidades, elas funcionaram menos como vitrines e mais como plataformas discursivas: espaços onde a arquitetura não era apenas apresentada, mas também imaginada, questionada e coletivamente redefinida.

Embora as exposições há muito tempo funcionem como locais de discurso, política e comunidade, esse papel tornou-se mais explícito em 2025. Como observou Carlo Ratti em uma entrevista ao ArchDaily durante a pré-abertura da Bienal de Arquitetura de Veneza 2025, as exposições de hoje podem "hibridizar a maneira como as pessoas se reúnem", uma ambição que ecoou em cidades e instituições à medida que as mostras evoluíram para espaços de debate, experimentation e reflexão coletiva. As exposições são espaços onde profissionais da arquitetura e do design se encontram, onde as conversas se desenrolam abertamente com o público e onde as ideias emergem por meio de intercâmbios espontâneos entre os passantes. As exposições tornaram-se espaços nos quais o discurso arquitetônico se estendeu para além dos círculos profissionais, abrindo conversas para públicos mais amplos por meio de encontros cotidianos, experiências compartilhadas e trocas informais.

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Arquitetura Centrada na Comunidade: Redefinindo o Papel dos/as Arquitetos/as na América do Sul

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Por toda a América do Sul, a arquitetura é cada vez mais compreendida como um ato coletivo. Em vez de impor visões externas, muitos escritórios e designers constroem com e para as comunidades, aprendendo com suas práticas locais, materiais e modos de habitar. Esses projetos reposicionam o papel do/a arquiteto/a, que deixa de ser um/a autor/a para se tornar um/a facilitador/a, transformando o projeto em um processo participativo centrado na colaboração, no cuidado e no respeito mútuo.

O que une esses esforços não é o estilo ou a escala, mas uma convicção compartilhada: a arquitetura surge do diálogo coletivo, não da imposição. Do Equador rural às periferias urbanas do Brasil, da Colômbia e do Paraguai, esses projetos revelam como o engajamento social e o fazer local produzem espaços sustentáveis não apenas do ponto de vista ambiental, mas também social. Eles respondem à desigualdade não através de soluções verticais, mas por meio da coautoria, oferecendo espaços que refletem as necessidades, os saberes e a agência das pessoas que os utilizam.

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Renovação e vida cotidiana: como a arquitetura latino-americana reinventa os espaços existentes

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Em toda a América Latina, a reforma tem se concentrado menos na mera preservação e mais na resposta às mudanças nos modos de vida. Em vez de congelar os edifícios no tempo, muitos projetos contemporâneos trabalham com estruturas existentes para adaptá-las a novas rotinas domésticas, dinâmicas sociais e necessidades espaciais. Por meio de alterações estratégicas de materiais, composição, cor e luz, essas intervenções reinterpretam os espaços cotidianos, mantendo uma forte conexão com seu contexto original.

Nesse processo, casas e apartamentos tornam-se palcos de transformação onde o fluxo, a continuidade e os espaços compartilhados são cuidadosamente reconsiderados. A reforma funciona como uma ferramenta arquitetônica precisa, que prioriza a iluminação natural, a abertura e a flexibilidade para acolher a vida cotidiana em constante evolução. Em vez de impor novas formas, esses projetos reaproveitam o que já existe, alinhando as decisões espaciais aos hábitos e rituais de quem neles habita.

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Projetando com Empatia: De Cidades Inteligentes a Cidades Sensíveis

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O futuro das cidades tem sido definido há muito tempo pela inteligência: redes de sensores, dados e sistemas de engenharia. De algoritmos de fluxo de tráfego a painéis de controle climático, a cidade inteligente prometia tornar a vida urbana otimizada, mensurável e previsível. No entanto, em meio a essa abundância tecnológica, algo essencial parece ausente: a sensibilidade. As cidades estão se tornando cada vez mais equipadas para processar informações, mas menos capazes de perceber a atmosfera, a emoção ou o cuidado.

Como revelam os debates globais recentes sobre inovação urbana, o próximo desafio não é adicionar mais dispositivos, mas sim cultivar novas formas de consciência. Uma cidade sensível escuta seu clima, se adapta a seus habitantes e responde aos ritmos sutis do ambiente. Nessa transição da computação para a percepção, a arquitetura e o desenho urbano estão redescobrindo a inteligência como uma forma de empatia.

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Do concreto ao cultivo: como a IA e a robótica estão reescrevendo a lógica material da arquitetura

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A arquitetura vive um momento crucial. À medida que as cidades continuam a crescer sob o peso de pressões climáticas e sociais, os materiais e sistemas que as moldam estão sendo redefinidos. A inteligência artificial e a robótica, outrora utilizadas para acelerar os processos de construção, estão agora sendo repensadas como ferramentas de cultivo. Estruturas impressas que crescem, respiram e se decompõem. O cultivo, neste contexto, refere-se ao projeto com materiais biológicos, em que o crescimento e a decomposição são parâmetros ativos, fundindo precisão digital e inteligência ecológica. Essa evolução demonstra a transição da eficiência para a empatia, em que a arquitetura se torna um agente de reparação ativa. A introdução do micélio e de outros materiais naturais na impressão 3D apresenta um novo paradigma na arquitetura: a lógica do vivo. Um espaço onde a computação e a fabricação encontram a adaptabilidade biológica.

A IA e a robótica, antes associadas à eficiência industrial, abrem agora novos caminhos para o projeto. Primeiros exemplos, como os protótipos de habitação impressos em 3D da ICON, focavam na velocidade e na automação, mas ofereciam pouca resposta ao seu entorno. Projetos mais recentes, como o MycoMuseum na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, reinterpretam essas ferramentas sob uma ótica biológica. Em vez de moldar o concreto, eles cultivam materiais vivos, marcando uma transição da pura otimização para a regeneração.

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Para além dos modelos universais: a virada em direção à arquitetura situada

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A especificidade ressurgiu como uma linguagem central no discurso arquitetônico. Em um campo cada vez mais globalizado, no qual os projetos muitas vezes seguem modelos conhecidos independentemente do contexto, arquitetos/as voltam-se agora para abordagens enraizadas nas particularidades de cada local. Essa atenção renovada ao contexto reflete pressões sociais, climáticas e políticas mais amplas: as cidades enfrentam calor extremo, desafios ecológicos, mudanças demográficas e novas formas de vida coletiva que exigem respostas fundamentadas em suas condições imediatas.

A arquitetura situada descreve essa mudança. Refere-se a abordagens projetuais nas quais a forma, o programa e a materialidade emergem do ambiente específico que os produz: seus microclimas, estruturas culturais e rituais cotidianos. Em vez de partirem de modelos universais, essas práticas começam com a observação, a prototipagem e o engajamento direto com as dinâmicas locais. Essa lógica é visível nos experimentos climáticos e materiais do TAKK na Espanha, como o Portable Garden e a 10k House, que funcionam como protótipos leves ajustados a gradientes térmicos e ecológicos; no Art Pavilion M do Studio Ossidiana, moldado por camadas de solo e ciclos ecológicos nos Países Baixos; nas reinterpretações de objetos vernaculares por Izaskun Chinchilla e em seus experimentos posteriores com 100 Sillas e 3 Salones Urbanos; nos espaços domésticos guiados por narrativas do Common Accounts; e nas intervenções urbanas do Raumlabor, que respondem diretamente às especificidades da Berlim pós-industrial.

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Além da arquitetura centrada no ser humano: projetando espaços com outras espécies

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À medida que a arquitetura avança para além do design centrado no ser humano, novas práticas repensam a coexistência como uma estrutura ética e ecológica. Das infraestruturas políticas aos habitats, essas abordagens nos convidam a imaginar a arquitetura como um sistema vivo compartilhado.

A arquitetura moderna foi, por muito tempo, escrita sob uma ótica antropocêntrica, colocando o ser humano no centro e tornando invisíveis as demais espécies. Contudo, esse paradigma vem se transformando, à medida que profissionais da arquitetura e da pesquisa redefinem o papel do design em mundos mais-que-humanos. Estúdios como Office for Political Innovation, Studio Ossidiana e Husos Architects questionam as narrativas centradas no ser humano e reformulam o design como uma prática compartilhada entre espécies. Nesse contexto, a arquitetura deixa de ser uma ferramenta de controle para se tornar um meio de coexistência, uma disciplina que media a relação entre espécies, ambientes e culturas.

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Arquitetura no Equador: 16 projetos enraizados no território, no ofício e na prática coletiva

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Entre os Andes, a costa e a Amazônia, a arquitetura do Equador evoluiu como um reflexo de sua geografia em camadas, um lugar onde clima, topografia e cultura se encontram. Ao longo do território, a arquitetura tem sido um ato de adaptação: das tradições vernáculas enraizadas no trabalho coletivo e nos materiais locais às influências coloniais e modernistas que redesenharam suas cidades. Essa diversidade gerou sistemas construtivos distintos, de estruturas de bambu e cana na costa a construções de terra e pedra nos Andes, formando um acervo de design adaptativo que continua a influenciar a prática contemporânea.

Contudo, na última década, a arquitetura equatoriana passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. Novos programas acadêmicos e referências internacionais estimularam uma conscientização crescente sobre o clima e a justiça social. Profissionais emergentes da arquitetura estão redefinindo a prática por meio de oficinas, estúdios coletivos e experimentação in loco que atenuam a fronteira entre projeto e ativismo. Longe de focar na arquitetura como um mero objeto, essa nova geração aborda o projeto como um processo — focado na colaboração, na sustentabilidade e na identidade cultural. Seus questionamentos mudaram a linguagem projetual: a pergunta já não é mais o que construir, mas com quem.

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Quando o modernismo encontra a resistência local: habitação e fricção urbana na América Latina

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A habitação moderna foi um dos campos em que o modernismo fez sua promessa mais audaciosa: a de que a arquitetura poderia remodelar não apenas a cidade, mas a própria maneira como as pessoas nela viviam. Como argumenta o historiador da arquitetura argentino Ramón Gutiérrez, a habitação popular é "o grande tema pendente, que geralmente não aparece nas histórias da arquitetura". Na América Latina, essa ausência é significativa. Ao longo do século XX, a expansão das cidades transformou a habitação em uma das vias mais evidentes para projetar a mudança urbana, e o modernismo penetrou não apenas em planos e desenhos, mas em apartamentos, bairros, ruas e rotinas domésticas.

No entanto, uma vez construídos, esses projetos inseriram-se em cidades moldadas pela política, pela memória, pela desigualdade e pelas dinâmicas mutáveis de ocupação. Seus significados deixaram de pertencer exclusivamente ao plano original, passando a residir nas formas como foram habitados, alterados e transformados ao longo do tempo. O que essa história revela não é uma mera adaptação, mas sim um atrito: o momento exato em que a arquitetura deixa de ser um modelo idealizado para se deparar com uma cidade que ela não consegue controlar plenamente.

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