De forma simples, mas de substância complexa, "o que é arquitetura?" continua sendo uma questão instigante para muitos estudantes de arquitetura e jovens profissionais da área. Com o objetivo de definir essa questão em constante evolução e apresentar diferentes pontos de vista, a série especial WIA – What is architecture? adota o formato de curtas-metragens de entrevistas para propor quatro perguntas diretas a arquitetos/as e teóricos/as de destaque global: "O que é arquitetura? O que a arquitetura pode fazer? Qual é o seu posicionamento em relação à arquitetura? Qual é o seu método de projeto?", revelando suas visões sobre a essência e o potencial da disciplina.
Em uma colaboração entre o ArchDaily e a WIA, publicamos quatro vídeos curtos por semana, convidando o público a aceitar o desafio de responder a essas mesmas perguntas. Este artigo destaca as reflexões e visões sobre essas quatro questões trazidas por Odile Decq (Studio Decq), Kjetil Thorsen (Snøhetta), Florencia Pita e Jackilin Hah Bloom (do escritório de arquitetura Pita & Bloom, de Los Angeles) e pelo crítico e teórico de arquitetura norte-americano Jeffrey Kipnis.
Todos nós já comentamos sobre o "caráter" de um edifício. Um apartamento, por exemplo, pode tê-lo devido a algum detalhe especial em carvalho, ao passo que outro edifício pode não se enquadrar no "caráter" de seu bairro. Neste vídeo, o designer de arquitetura e professor Stewart Hicks examina de perto as origens e os significados desse conceito fluido. Por que usamos essa mesma palavra tanto para pessoas quanto para edificações? Como os personagens também fazem parte da ficção, será que isso nos ajuda a entender como os edifícios contam histórias? Dos arquitetos iluministas Ledoux, Boullée e Lequeu à casa do filme Beetlejuice, passando por práticas contemporâneas que investigam o que significa um edifício ter um rosto ou uma postura, vamos a fundo para compreender por que profissionais de arquitetura consideram o "caráter arquitetônico" uma proposta tão instigante.
Children’s Community Centre The Playscape / waa. Imagem
Em seu ensaio “Place Making and Change in learning environments”, Bruce Jilk apresenta uma visão radical da educação contemporânea que, segundo ele, está desatualizada e não atende às necessidades do mundo moderno. Em vez de preparar para um mundo de indivíduos que atuam em um ambiente urbano mais amplo, as escolas se tornaram guetos internalizados da infância, isolados das comunidades que deveriam servir e administrados de forma centralizada sob a lógica do “tamanho único”. Profissionais de arquitetura e design ao redor do mundo sempre buscaram um modelo arquitetônico mais flexível, capaz de permitir muito mais criatividade tanto no processo de aprendizagem quanto nos ambientes que o acolhem.
A ACF divulgou uma nova série de imagens que mostra o recém-concluído TAG Art Museum, projetado pelo escritório Ateliers Jean Nouvel como parte do projeto Artists’ Garden, desenvolvido em colaboração com a Shandong International Coastal Cultural Industry. O museu está localizado na Baía de West Sea, em Qingdao, na China. Dispostas ao longo de um passeio coberto que serpenteia por jardins planejados e bosques, estendendo-se pela costa em direção a uma nova marina, as estruturas são compostas por 12 salas de exposição interconectadas.
Qualquer ícone da arquitetura e do design — seja um edifício célebre, uma obra de arte ou uma peça de mobiliário consagrada — carrega consigo um elevado grau de reconhecimento, admiração e originalidade. No entanto, para além disso, um ícone deve ser capaz de manter sua relevância e atemporalidade, cativando continuamente o público sem a necessidade de se reinventar por completo. Em uma era dominada pelas redes sociais e pelo desejo de gratificação instantânea, o campo do design é, hoje mais do que nunca, pautado por tendências efêmeras, onde as criações desaparecem com a mesma velocidade com que surgem. É precisamente aí que reside o valor do design atemporal: peças clássicas, de alta qualidade e duradouras dificilmente se tornam obsoletas.
Projetada pelo/a premiado/a arquiteto/a Rudy Ricciotti — autor/a do MuCEM em Marselha, do Estádio Jean-Bouin em Paris e da ala de Arte Islâmica no Museu do Louvre —, a Manufacture de la Mode reintroduz o minucioso trabalho artesanal da Chanel em um contexto arquitetônico e urbano. O/A fotógrafo/a de arquitetura Simon Garcia revela esse recém-inaugurado polo da moda em uma série de fotografias.
O Desenvolvimento Orientado ao Transporte (TOD, na sigla em inglês) é uma estratégia abrangente de planejamento urbano que visa criar bairros densos, caminháveis e vibrantes estruturados em torno de nós de transporte público. Ao integrar de forma fluida funções residenciais, comerciais e de lazer a uma curta distância das estações, os TODs buscam reduzir a dependência do automóvel, aumentar a demanda pelo transporte público e estimular o desenvolvimento econômico local. Órgãos governamentais desempenham um papel crucial no apoio a esses empreendimentos por meio de reformas de zoneamento, flexibilização do coeficiente de aproveitamento (CA), venda de potencial construtivo e facilitação de parcerias público-privadas para viabilizar investimentos na infraestrutura pública. Embora os TODs tenham ganhado força globalmente, o Leste Asiático ostenta alguns dos exemplos mais bem-sucedidos. Por outro lado, as tentativas de replicar esses modelos em contextos distintos — como na cidade de Nova York — evidenciam a importância de adaptar os princípios do TOD às condições locais, às características geográficas e às necessidades da comunidade.
Quando a Índia conquistou a independência em 1947, a nação enfrentou uma decisão que determinaria o rumo de seu futuro arquitetônico: tijolo ou concreto. Uma escolha de material aparentemente banal estava enraizada em uma divisão filosófica mais profunda entre dois caminhos possíveis para o ambiente construído da Índia pós-colonial. Figuras pioneiras na luta pela independência indiana tinham visões opostas — Mahatma Gandhi defendia o artesanato tradicional, enquanto Jawaharlal Nehru abraçava o modernismo. A arquitetura que se vê no subcontinente hoje é um mosaico de ambos, levantando a questão: o modernismo na Índia teria sido uma imposição estrangeira ou uma importação celebrada?
E se imaginássemos os edifícios como sistemas vivos, projetados para montagem e desmontagem com o mínimo de impacto? Uma forma de arquitetura aberta, modular e adaptável, concebida para evoluir junto com o seu entorno, respondendo às mudanças sazonais e às demandas pontuais em vez de permanecer estática. À primeira vista, a ideia parece paradoxal, já que muitos edifícios foram construídos para durar, projetados para resistir à passagem do tempo e evitar a demolição. Por conta disso, reverter ou desfazer uma construção poderia ser visto como um retrocesso. Mas e se essa forma de pensar já não se aplicar a todos os cenários?
https://www.archdaily.com.br/pt/1142804/feito-para-nao-durar-como-a-arquitetura-reversivel-esta-redefinindo-a-forma-como-construimosEnrique Tovar
Os Estados Unidos são um país com uma vasta história, com edifícios que preservam legados de épocas passadas. Devido ao seu significado cultural, essas estruturas são amplamente valorizadas e protegidas; no entanto, também costumam ser isentas de certas exigências de eficiência energética. À medida que as cidades avançam em direção às metas climáticas, essas exigências passam a ser questionadas. Especialistas em preservação argumentam que os edifícios históricos merecem proteção contra intervenções potencialmente prejudiciais. Por outro lado, defensores e defensoras da sustentabilidade destacam a necessidade de melhorias na eficiência energética em todos os setores do ambiente construído. O desafio reside em alcançar um equilíbrio entre essas prioridades conflitantes: garantir a manutenção do patrimônio e a responsabilidade ambiental.
Ao discutir o modo de vida modernista, vários projetos residenciais privados icônicos podem vir à mente primeiro — a Villa Savoye de Le Corbusier, as Case Study Houses, notadamente de Richard Neutra, Pierre Koenig e Charles e Ray Eames, bem como as casas de vidro de Mies van der Rohe e Philip Johnson. A maioria desses projetos exemplificava uma visão idealizada do morar moderno, inserida em paisagens pitorescas e caracterizada pela experimentação com novos métodos construtivos, materiais e conceitos espaciais. Seus projetos abraçavam a abertura, diluindo os limites entre os espaços público e privado, em grande parte livres de restrições como densidade, eficiência, acessibilidade, integração com o transporte público ou considerações comunitárias.
Embora essas residências modernas continuem influentes no design residencial contemporâneo, elas também — talvez de forma inesperada — lançaram as bases para os princípios da habitação de alta densidade. Conceitos como a relação entre espaço público e privado, a construção modular e a pré-fabricação, inicialmente explorados nessas residências unifamiliares privadas, foram adaptados às restrições vastamente diferentes da habitação social.
A arquitetura brutalista nos Estados Unidos é um monumento ao otimismo coletivo do pós-guerra e uma reafirmação da autoridade dos governos municipais e federal. Concebidas como a personificação da força e da eficiência, as estruturas brutalistas foram rapidamente adotadas pela linguagem arquitetônica das instituições cívicas e governamentais de meados ao fim do século XX no país. Monólitos imponentes de concreto aparente ergueram-se por toda a nação, projetando uma imagem de permanência institucional e, ao mesmo tempo, provocando debates sobre seu impacto social e psicológico.
O Portão Norte de Taipé, também conhecido como Beimen, ergue-se não apenas como um lembrete da complexa história da cidade, mas também como testemunha das transformações da paisagem urbana ao seu redor e das mudanças de postura em relação aos espaços urbanos adjacentes a edifícios históricos. Inicialmente um posto de fronteira imperial chinês, poupado da demolição durante o domínio colonial japonês e sufocado por viadutos e rodovias nos esforços de modernização do pós-guerra, o portão recuperou recentemente seu status de destaque graças à criação da praça que hoje o emoldura. A resiliência do monumento frente às oscilações das prioridades urbanas e das políticas arquitetônicas revela uma trajetória de preservação patrimonial que se manifesta não apenas na forma construída, mas também nos espaços abertos que o circundam.
A Espanha conta com uma vasta diversidade de paisagens, tanto naturais quanto urbanas, onde o espaço público desempenha um papel protagonista. Nos últimos anos, sua relevância cresceu, consolidando-se como um eixo fundamental para o encontro. Para além de suas qualidades arquitetônicas e paisagísticas, o espaço público oferece aos visitantes e cidadãos ambientes de qualidade que contribuem para melhorar as condições de vida, seja em um parque urbano, em um eixo de pedestres dentro da cidade ou em um espaço para simplesmente estar em um entorno natural e em conexão com o território.
Qual é a nossa visão dos espaços públicos do passado? Pense, por exemplo, em um parque — possivelmente o exemplo mais emblemático dessa tipologia. Trata-se de um ambiente projetado com caminhos sinuosos e áreas de descanso, onde frequentemente encontramos mesas e bancos fixos ao longo do trajeto. Seu desenho prioriza a permanência e a contemplação. Mas, ao olharmos para o presente, como o concebemos agora? De fato, o conceito tradicional de espaço público não desapareceu por completo. No entanto, nossa maneira de interagir com ele mudou, impulsionada pela necessidade de flexibilidade em ambientes em constante transformação. Essa mudança estimulou a exploração de novas abordagens projetuais. Como resultado, os sistemas de assentos modulares tornaram-se um campo dinâmico de experimentação, adaptando-se continuamente às transformações de uso e percepção.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142653/os-sistemas-de-assentos-modulares-estao-redefinindo-nossa-percepcao-dos-espacos-publicosEnrique Tovar
Caleb Whiting dogbear869, CC0, via Wikimedia Commons
Dubai evoluiu de um humilde porto comercial para uma metrópole global, renomada por seu skyline futurista e feitos arquitetônicos pioneiros. No início do século XX, sua paisagem era moldada por casas árabes tradicionais com pátios internos e torres de vento, projetadas para resistir ao rigoroso clima árido. A descoberta de petróleo na década de 1960 marcou um ponto de virada, desencadeando uma rápida urbanização. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, o boom da construção civil, impulsionado pelas receitas do petróleo, levou ao surgimento de grandes edifícios de concreto e complexos de apartamentos de baixa altura, acomodando o fluxo de expatriados atraídos pela economia próspera dos Emirados Árabes Unidos (EAU). No século XXI, os EAU testemunharam avanços arquitetônicos sem precedentes. Projetos emblemáticos como o Burj Khalifa — o edifício mais alto do mundo — e a Palm Jumeirah — um arquipélago artificial — transformaram a silhueta urbana do país, consolidando a reputação dos EAU como um polo global de ambição e inovação arquitetônica.
Esse rápido crescimento também trouxe diversos desafios em todo o território dos EAU, particularmente na habitação e na dificuldade de garantir condições dignas de vida para a classe trabalhadora. Dubai serve como um exemplo notável de como a expansão urbana transformou o país, mas diferentes geografias e regiões dentro dos EAU têm necessidades distintas, moldadas por seus ambientes e comunidades locais. O concurso House of the Future — organizado pela Buildner em parceria com o Sheikh Zayed Housing Programme — convoca mentes visionárias a repensar a arquitetura residencial em todos os Emirados Árabes Unidos. Com inscrições abertas até 30 de abril, a competição oferece uma plataforma para ideias audaciosas que possam moldar as casas do amanhã, respondendo às demandas variadas de diferentes localidades.
À medida que as instituições de ensino em todo o mundo se adaptam às constantes mudanças nas demandas da sociedade, a arquitetura voltada ao aprendizado também evolui. Esta seleção com curadoria reúne projetos enviados pela comunidade global do ArchDaily, destacando como arquitetos e arquitetas estão repensando o futuro de escolas e universidades por meio do design. Essas propostas refletem preocupações globais urgentes: a importância da educaçãocentrada na comunidade, a revitalização de edifícios e bairros históricos, a integração de sistemas naturais e a busca por expressões espaciais que acomodem tanto o ensino formal quanto as trocas informais. Sejam situados em centros urbanos densos, vilas rurais ou paisagens costeiras, esses projetos respondem a contextos culturais e ambientais específicos, ao mesmo tempo em que dialogam com questões arquitetônicas mais amplas de sustentabilidade, acesso e identidade.
A escolha dos tipos de portas desempenha um papel crucial na definição da experiência e da atmosfera espacial da arquitetura. Para além do material ou do estilo, a maneira como uma porta é detalhada — seu movimento, peso e modo de operação — pode influenciar drasticamente a forma como um espaço é percebido e percorrido. No entanto, o que de fato viabiliza a funcionalidade de diferentes tipos de portas são as ferragens, um elemento frequentemente negligenciado. Mesmo para um mesmo tipo de porta, a escolha de dobradiças, trilhos, pivôs e puxadores pode afetar significativamente a maneira como as pessoas interagem com o espaço e o interpretam.
Andanzas y visiones españolas é o livro no qual Miguel de Unamuno reúne suas experiências durante excursões pelas cidades e campos da Espanha, acompanhado por amigos e colegas. Mais do que uma descrição geográfica precisa, o texto consiste em narrativas nas quais cada região e cada aspecto do território deixam uma marca profunda em seu pensamento. O discurso literário tece ativamente a diversidade do cenário, o clima e o contextualismo como fios condutores fundamentais, apresentando o território não apenas como um lugar físico, mas também como um espaço de reflexão e contemplação. Esse olhar atento para a paisagem — tão diversa na arquitetura espanhola — também ressoa no ambiente construído, promovendo na prática contemporânea uma adaptação sensível às variadas condições climáticas do país, tanto por meio de estratégias de projeto quanto de escolhas de materiais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142656/arquitetura-sensivel-ao-contexto-na-espanha-7-projetos-que-destacam-estrategias-materiaisEnrique Tovar
Localizada no sul da chamada "Land Down Under", Melbourne é uma cidade que resiste a definições simplistas. Enquanto refinadas fachadas vitorianas confrontam ruelas cobertas de grafite, jardins públicos meticulosamente cuidados coexistem com antigos galpões industriais transformados em cafés, estúdios e espaços culturais. É justamente nesse contraste entre o planejamento deliberado e a apropriação espontânea que reside a essência arquitetônica da metrópole.
Sua história começa com o povo aborígene Kulin, que por milênios habitou as margens do Rio Yarra, desenvolvendo complexos sistemas de gestão da terra, espiritualidade e organização social. Com a chegada dos colonizadores britânicos em 1835, iniciou-se o capítulo da cidade moderna — um processo marcado não apenas pelo crescimento e desenvolvimento urbano, mas também por violência, deslocamento forçado e apagamento cultural. Os efeitos desse legado ainda são sentidos hoje, mesmo diante dos esforços contemporâneos de reconhecimento e reconciliação.
Existe um tipo particular de arquitetura que não começa com uma página em branco. Ela começa no silêncio, em ruínas, em paredes moldadas pelo tempo. Começa pela escuta. Em vez de se impor, ela se aproxima, lentamente, escolhendo tocar em vez de sobrescrever. Trata-se de uma arquitetura que dialoga com o passado sob a ótica do presente, não para apagá-lo ou imitá-lo, mas para lhe oferecer continuidade.
A arquitetura contemporânea reconhece cada vez mais que construir com o passado não significa se deixar limitar por ele. O patrimônio já não é visto como um obstáculo, mas como um campo ativo para o projeto. Nessa mudança de perspectiva, a preexistência torna-se mais do que uma condição física — transforma-se em um fio condutor, uma presença estrutural e simbólica que convida ao cuidado. Em vez de impor dominância, muitos/as arquitetos/as hoje optam por responder com gestos deliberados, silenciosos e precisos. Essas intervenções emolduram em vez de substituir, protegem em vez de obscurecer. Com isso, permitem que a história permaneça visível, não como um mero pano de fundo, mas como uma camada viva da experiência arquitetônica.
Por séculos, a arquitetura tem sido moldada pela aspiração de criar uma transição suave entre o interior e o exterior. Hoje, sistemas de janelas e fachadas tecnologicamente sofisticados permitem que arquitetos/as projetem conceitos de ambientes abertos e inundados de luz sem perder calor. A janela de correr cero maximum da Solarlux pode eliminar as fronteiras entre os espaços, o que se demonstra de forma ainda mais impressionante quando elementos de grande formato substituem os cantos dos edifícios. Trata-se de uma conquista técnica realizada inteiramente sem suportes que obstruam a vista. O sistema cero cria uma conexão direta e imediata com a natureza que vai muito além do que as soluções convencionais podem oferecer.
Entre os Andes, a costa e a Amazônia, a arquitetura do Equador evoluiu como um reflexo de sua geografia em camadas, um lugar onde clima, topografia e cultura se encontram. Ao longo do território, a arquitetura tem sido um ato de adaptação: das tradições vernáculas enraizadas no trabalho coletivo e nos materiais locais às influências coloniais e modernistas que redesenharam suas cidades. Essa diversidade gerou sistemas construtivos distintos, de estruturas de bambu e cana na costa a construções de terra e pedra nos Andes, formando um acervo de design adaptativo que continua a influenciar a prática contemporânea.
Contudo, na última década, a arquitetura equatoriana passou por uma transformação silenciosa, mas profunda. Novos programas acadêmicos e referências internacionais estimularam uma conscientização crescente sobre o clima e a justiça social. Profissionais emergentes da arquitetura estão redefinindo a prática por meio de oficinas, estúdios coletivos e experimentação in loco que atenuam a fronteira entre projeto e ativismo. Longe de focar na arquitetura como um mero objeto, essa nova geração aborda o projeto como um processo — focado na colaboração, na sustentabilidade e na identidade cultural. Seus questionamentos mudaram a linguagem projetual: a pergunta já não é mais o que construir, mas com quem.
A inovação está no cerne da arquitetura, manifestando-se através de novas abordagens projetuais, da experimentação material e, naturalmente, das formas de habitar. Diante disso, a concepção de edifícios e espaços internos passa por uma constante evolução. Esse processo é especialmente evidente em regiões com um rico patrimônio cultural, como a Espanha, onde a inovação reinterpreta as maneiras tradicionais de se relacionar com o espaço. Essa atenção à memória e à vida cotidiana estende-se aos interiores, nos quais cada intervenção tem o potencial de remodelar ativamente a experiência espacial das pessoas e abrir novas possibilidades de convivência e interação.