Em uma antiga igreja do século XVI em Vicenza, duas histórias se encontram: a da arquitetura sacra do Renascimento italiano e a do mármore, o material milenar por excelência, aqui reinterpretado sob uma perspectiva contemporânea. Nesse diálogo entre épocas, a Lithos Design apresenta a Quinte, uma divisória de dupla face que transforma o mármore em uma ferramenta de design: não apenas uma superfície, mas um elemento rítmico e modular que define e valoriza os espaços. Uma ideia concebida para arquitetos/as de interiores que buscam soluções simultaneamente funcionais e decorativas, capazes de moldar ambientes com precisão, elegância e personalidade.
Diante de uma crise climática global interconectada, da perda de biodiversidade e do esgotamento de recursos, o design regenerativo surge como um caminho para a construção de futuros rurais resilientes e ecologicamente sintonizados. Na interseção entre arquitetura, agricultura e ecossistemas locais, despontam novos modelos de práticas agrícolas resilientes e autossuficientes. Em vez de grandes sistemas industriais, esses projetos consistem em intervenções arquitetônicas em pequena escala, precisas e profundamente contextuais, que criam espaços propícios ao cultivo sustentável, respeitando os ritmos ambientais, os materiais locais e os saberes comunitários.
A lista de finalistas do prestigiado BRICK AWARD 26 foi anunciada, revelando 50 edifícios excepcionais em tijolo ao redor do mundo. Organizado pela wienerberger, o prêmio bienal celebra a inovação arquitetônica e o trabalho artesanal no design cerâmico e de tijolos, reconhecendo projetos que desafiam os limites do material, da forma e do contexto. A seleção deste ano abrange cinco continentes e 21 países, destacando a relevância duradoura do tijolo na arquitetura contemporânea — desde residências intimistas e instituições culturais até instalações industriais e espaços públicos. Os projetos vencedores serão anunciados em Viena, em junho de 2026, e todas as obras selecionadas constarão no livro BRICK 26.
Paradoxalmente, o banheiro costuma ser, ao mesmo tempo, o cômodo mais compacto de uma residência e o de maior complexidade técnica: é ali que se cruzam as redes de eletricidade, água fria e quente, esgoto, ventilação e, frequentemente, gás. Por essa razão, seu projeto deve ser otimizado para acomodar tubulações, válvulas, ralos e conexões sem comprometer a estética ou a funcionalidade. A disposição estratégica de pontos hidráulicos, acessórios, armários e iluminação deve buscar a eficiência e a funcionalidade do espaço, idealmente transformando essas áreas tipicamente compactas em santuários confortáveis e visualmente atraentes. Cada decisão é fundamental — desde a seleção do produto até a altura de instalação de uma base de chuveiro.
Na Capela de Campo Bruder Klaus, projetada por Peter Zumthor, o processo de construção contou com a participação direta de habitantes do pequeno vilarejo suíço de Mechernich. Utilizando uma fôrma interna feita de troncos de madeira dispostos verticalmente, o concreto foi preparado em pequenos lotes e vertido manualmente, dia após dia, formando camadas marcadas por variações sutis de mistura e aplicação. Ao final do processo, a estrutura de madeira foi reduzida a cinzas, deixando o interior da capela impregnado com marcas de fogo e revelando uma superfície escura e tátil. O resultado foi um espaço silencioso e profundamente significativo, onde a ação coletiva, o tempo e a transformação da matéria se tornaram parte da arquitetura. Centrado em recursos disponíveis localmente e técnicas manuais, esse método construtivo evidencia como a escolha dos materiais e do sistema construtivo pode moldar a experiência de um espaço, revelar o tempo investido e incrustar a cultura de um lugar na própria matéria da arquitetura. Dessa forma, oferece um exemplo de como a própria construção pode se tornar um ato regenerativo, restaurando significados, conectando comunidades e honrando os ciclos da matéria.
Na busca por criar um diálogo fluido entre a arquitetura e a paisagem circundante, o estudo da topografia traduz o reconhecimento e a investigación sobre a aplicação de materiais, estratégias autossuficientes, soluções de baixa manutenção e projetos paisagísticos que se integrem ao entorno natural e minimizem o impacto ambiental das obras. Mais do que apenas registrar as diferenças de níveis, orientações solares, ventos predominantes ou inclinações de escoamento dos terrenos, diversos/as profissionais de arquitetura na Argentina demonstram interesse em desenvolver soluções arquitetônicas capazes de se adaptar às geografias naturais e restaurar o vínculo entre a natureza e o ser humano.
Enel, líder global em energia renovável, lançou o "WinDesign", um concurso internacional que convida profissionais e estudantes talentosos/as das áreas de engenharia, arquitetura e design a imaginarem e projetarem novas turbinas eólicas. O objetivo é desenvolver projetos de turbinas que se integrem de forma mais harmoniosa às paisagens onde serão instaladas, fortalecendo, assim, seu papel na transição energética.
Jafar Centre no Dubai College. Imagem cortesia de Godwin Austen Johnson
Fundado nos Emirados Árabes Unidos em 1989 pelo presidente Brian Johnson e atualmente sob a direção executiva de Jason Burnside, o escritório Godwin Austen Johnson apoia-se em uma tradição britânica de projeto que remonta a 1847, tendo contribuído para o desenvolvimento do ambiente construído do Oriente Médio por mais de três décadas. Seus 110 profissionais de diversas nacionalidades, baseados em Dubai, Abu Dhabi, Sharjah e no Reino Unido, trabalham de forma integrada, combinando rigor técnico, análise contextual e metodologias digitais em um processo de projeto colaborativo.
Em Veneza, cercada por uma abundância avassaladora de beleza arquitetônica — a imponência de marcos como a Basílica de São Marcos, a Praça de São Marcos e a Ponte Rialto, para citar apenas alguns —, é fácil deixar-se envolver pela imagética icônica e pela imponência espacial da cidade. Com isso, corre-se o risco de perder de vista momentos mais discretos, porém igualmente magistrais, encontrados na execução de detalhes em sua malha urbana. Para além da grandiosidade, a cidade oferece uma riqueza em seus becos sinuosos, canais estreitos e vida urbana vibrante — cada um desses elementos contribuindo para a tapeçaria cultural que torna Veneza tão singular. Em meio a esses elementos consagrados, no entanto, residem detalhes arquitetônicos sutis, mas notáveis, que frequentemente passam despercebidos. Eles merecem uma observação e reflexão mais atentas, pois oferecem um tipo próprio de maestria — fundamentado na precisão material, no fazer artesanal e nos ritmos cotidianos da cidade.
A pouquíssimos passos da icônica Praça de São Marcos, um diálogo arquitetônico silencioso se desenrola entre duas figuras célebres. A menos de um minuto de caminhada de distância, dois projetos meticulosamente executados situam-se em estreita proximidade: o Showroom da Olivetti de Carlo Scarpa, um local de peregrinação há muito reverenciado por profissionais da arquitetura e do design, e a recently reopened Procuratie Vecchie, restaurada pelo escritório David Chipperfield Architects. Um olhar mais atento aos detalhes arquitetônicos incorporados em cada obra revela um intercâmbio fascinante através do tempo — que se desdobra por meio da linguagem material, da precisão espacial e de um compromisso inabalável com o ofício construtivo.
Na alegoria da caverna de Platão, a luz simboliza o conhecimento: é o que guia o ser humano para fora das sombras da ignorância em direção à verdade. Em muitas religiões, a luz também é associada à divindade, como uma manifestação do sagrado. Com o tempo, a luz deixou de ser apenas um símbolo da razão para se tornar um instrumento de sensibilidade, uma matéria viva capaz de moldar atmosferas, influenciar a percepção e revelar significados.
A luz é usada com maestria nos espaços silenciosos de Tadao Ando, por exemplo, onde se infiltra como uma substância sagrada entre as paredes de concreto. Nos edifícios de Alvar Aalto, ela é delicadamente modulada para dialogar com o céu nórdico. Nas instalações imersivas de James Turrell, ela se torna corpo, cor e experiência. Mas a luz também se manifesta nos gestos mais cotidianos: em cada janela precisamente orientada ou em cada sombra cuidadosamente desenhada para revelar o que não é imediatamente visível. Como um/a maestro/a diante da partitura e da orquestra, o/a arquiteto/a pode compor com a luz, acentuando volumes, suavizando limites e conferindo ritmo e intensidade aos espaços que habitamos.
O Global Award for Sustainable Architecture, criado em 2006 pela arquiteta e acadêmica Jana Revedin, reconhece anualmente cinco arquitetos/as — ou escritórios — de todo o mundo cujas práticas se baseiam nos princípios do desenvolvimento sustentável, do design participativo e de uma abordagem voltada para a comunidade. Esse reconhecimento alinha-se à urgência global em torno das questões prementes de hoje — as crises ecológica e climática, bem como os desafios sociais, culturais e econômicos. Reconhecendo o papel fundamental da arquitetura na modelagem do ambiente construído, o prêmio busca destacar o trabalho de criadores/as que enfrentam esses desafios com soluções inovadoras e criativas.
Nos últimos anos, o rosa evoluiu para além de suas associações tradicionais, tornando-se um elemento sofisticado e versátil na arquitetura e no design de interiores. Definido por um amplo espectro de matizes, o rosa abrange tons quentes e frios, variando de nuances puras de vermelho (R) a misturas com amarelo (Y80R, Y90R) ou azul (R10B, R20B, R30B), conforme classificado pelo Natural Color System (NCS). Embora seja difícil de definir por um único tom, essa cor equilibra vibração e suavidade, o que a torna adaptável a diferentes materiais e contextos. À medida que o rosa continua a ganhar destaque nos interiores contemporâneos, seu papel vai além de uma mera escolha cromática — trata-se de uma estratégia de design. A recente transição dos tons de rosa vibrantes e lúdicos da tendência "Barbiecore" para matizes mais suaves e empoeirados, vistos na moda e no design nas coleções de moda de 2025, destaca a adaptabilidade da cor. Sua presença nas paletas de cores da Pantone para 2025 também reforça seu apelo em diversas disciplinas. Quando aplicado de forma inteligente, o rosa pode transformar espaços, tornando-os acolhedores, amplos ou atemporais.
A configuração da mesquita, local de culto da comunidade muçulmana, remonta sua história ao pátio do fundador da religião. As primeiras mesquitas eram, portanto, simples espaços abertos destinados às orações rituais. Ao longo dos anos e séculos, esses templos incorporaram diversos elementos funcionais e normativos, como o mihrab, um nicho que indica a direção da oração, e o minbar, o púlpito de onde o pregador profere o sermão. Outros elementos também se tornaram comuns, como as cúpulas e os minaretes, historicamente utilizados para o chamado à oração. Estes tinham o propósito adicional de sinalizar a função do edifício como mesquita e eram usados por governantes e benfeitores para exaltar sua imponência.
Na contemporaneidade, as mesquitas não estão imunes ao debate arquitetônico. Elementos que não possuem função religiosa direta são questionados, assim como a relação entre o templo e seu entorno. Essa discussão é especialmente acirrada em regiões do mundo com comunidades muçulmanas relativamente novas, onde alguns teóricos defendem a eliminação de elementos simbólicos sob o argumento de que se tratam de mero "pastiche", enquanto outros manifestam nostalgia em relação à carga afetiva associada às formas históricas. Contudo, arquitetos e arquitetas contemporâneos têm elevado com sucesso a arquitetura das mesquitas, atendendo aos requisitos funcionais com criatividade ao mesmo tempo em que deixam o contexto do edifício moldar sua volumetria.
Em 1982, em uma conferência sobre construção com terra em Tucson, Arizona, uma apresentação incomum desafiou tudo o que os/as arquitetos/as pensavam saber sobre recursos rurais. Em vez de focar em técnicas construtivas, o apresentador, o arquiteto Pliny Fisk III, estendeu uma série de mapas desenhados à mão que revelavam algo extraordinário: o Texas rural não era escasso em recursos, como sugeria o senso comum, mas sim incrivelmente rico em materiais. Os mapas mostravam cinzas vulcânicas ideais para concreto leve, depósitos de caliche que se estendiam por vastos territórios e florestas de mesquite que podiam fornecer tanto pisos de madeira de alta densidade quanto isolamento térmico. Essa revelação redefiniu as noções predominantes de valor na arquitetura.
A fotografia de arquitetura funciona como uma janela para o mundo construído, tornando obras significativas mais acessíveis a pessoas que talvez nunca tenham a oportunidade de visitá-las. Uma boa fotografia de arquitetura captura mais do que apenas a estrutura física; ela transmite a atmosfera, a escala e o contexto de um espaço. Cada imagem é única e moldada pelo olhar do/a fotógrafo/a, o que expressa sua sensibilidade e percepção do ambiente construído através de suas lentes.
Em março de 2025, o ator Adrien Brody subiu ao palco para receber seu Oscar por interpretar o papel de László Toth no aclamado filme The Brutalist. O longa conta a história de um profissional da arquitetura formado na Bauhaus que fugiu da Alemanha nazista nos anos 1930 em direção aos Estados Unidos. Embora a história seja ficcional, ela reflete a vida de vários profissionais da arquitetura que emigraram da Europa Central em busca de melhores condições intelectuais e de trabalho. Entre eles estavam os três primeiros diretores da Bauhaus, a renomada escola alemã de design fundada em 1919. O primeiro e o terceiro diretor da escola, Walter Gropius e Mies van der Rohe, respectivamente, estabeleceram-se nos EUA, onde suas carreiras no ensino e na prática projetual floresceram. Menos conhecido, contudo, é o segundo diretor, Hannes Meyer, que seguiu um caminho bastante diferente de seus colegas.
No desenvolvimento urbano contemporâneo, o conceito de Espaço Público de Propriedade Privada (POPS, na sigla em inglês) tem ganhado cada vez mais destaque. Trata-se de espaços que, embora construídos, pertencentes e mantidos por empresas incorporadoras privadas, têm a obrigação legal de permanecer acessíveis ao público. Frequentemente resultantes de incentivos de planejamento negociados — como bônus de zoneamento ou aumento do coeficiente de aproveitamento —, os POPS tornaram-se especialmente prevalentes em ambientes urbanos densos, onde o solo é escasso e a demanda por equipamentos públicos é alta.
As lareiras moldaram profundamente o projeto arquitetônico, influenciando a forma como os espaços são organizados, vivenciados e percebidos. Mais do que meros elementos funcionais, elas representam símbolos de poder, comunidade, conforto e cultura, traçando a evolução da relação da humanidade com o ambiente construído. Das fogueiras primitivas que caracterizavam os primeiros assentamentos humanos aos sofisticados projetos ecológicos da arquitetura contemporânea, as lareiras têm refletido transformações culturais, sociais e tecnológicas mais amplas, servindo como pontos focais duradouros na narrativa espacial da arquitetura. Pesquisadores/as e acadêmicos/as frequentemente exploram a relação íntima entre a arquitetura e o fogo. Luis Fernández-Galiano, em sua obra seminal "Fire and Memory: On Architecture and Energy", defende que a arquitetura faz fundamentalmente a mediação entre a humanidade e a energia. Ao compreender como essas estruturas moldaram os espaços, simbolizaram valores culturais e impulsionaram a inovação tecnológica, obtemos uma compreensão mais profunda da complexa interação da arquitetura entre forma, função e significado.
Revitalização da Esna Histórica, Egito. Imagem cortesia de Takween ICD
Entre os sete vencedores do 16º Prêmio Aga Khan de Arquitetura deste ano esteve a revitalização da Esna Histórica, no sul do Egito. Liderado pelo escritório Takween, sediado no Cairo, o projeto foi muito além de uma simples restauração. Trata-se de um esforço de renovação abrangente que aliou um profundo engajamento comunitário à preservação do patrimônio material e imaterial. Ao gerar milhares de empregos e restaurar o centro histórico, a iniciativa ofereceu uma alternativa viável e potente à demolição. O Aga Khan Trust elogiou a proposta como um "modelo replicável de desenvolvimento sustentável".
Sem espaços dedicados à concentração individual — um elemento crucial para uma colaboração eficaz —, até mesmo a ideia mais brilhante perde o brilho. O escritório precisa, de fato, equilibrar a conectividade e o espaço pessoal de forma primorosa, permitindo que os/as profissionais transitem entre as tarefas sem atritos. Cabines como as hushFree.XS, hushFree.S.Hybrid e hushFree.S fazem parte dessa abordagem, formando juntas um trio de cabines individuais que atende à maior parte das necessidades de espaços de trabalho individuais no escritório.
As cabines hushFree.XS, hushFree.S.Hybrid e hushFree.S funcionam como um sistema completo, garantindo que os/as profissionais tenham as condições adequadas para um trabalho individual produtivo ao longo do dia, revelando-se ferramentas valiosas para arquitetos/as no desenvolvimento de projetos que atendam plenamente às variadas necessidades dos/as colaboradores/as. Cabines como essas tornam-se refúgios de alto padrão para chamadas focadas, espaços surpreendentemente imersivos para videoconferências e verdadeiras bolhas de concentração profunda.
No cruzamento entre a inevitável influência do movimento moderno internacional e a tradição arquitetônica argentina, surge o Grupo Austral, um coletivo de arquitetos/as que propõe uma reinterpretação do racionalismo corbusieriano, adaptando-o às particularidades do contexto local. Nesse contexto, podemos falar de uma arquitetura internacional que não é meramente incorporada, mas que pode ser considerada uma arquitetura "apropriada", ou seja, enraizada nas condições climáticas, nos modos de vida e nos materiais locais presentes na Argentina. Isso nos leva a perguntar: Como a arquitetura europeia se relaciona com a local? Seria o produto de uma semelhança de situações ou de um processo de transferência de imagens arquitetônicas, como ocorreu ao longo da história? Seria uma mistura de ambos os fatores? Podemos falar em arquitetura apropriada?
Embora Hong Kong seja amplamente reconhecida por sua vista icônica do porto, seu skyline cintilante e seu ritmo de vida urbano acelerado, suas origens contam uma história diferente — profundamente enraizada em sua relação com a água. Antes de se transformar em uma metrópole densa e vertical, a identidade arquitetônica de Hong Kong estava estreitamente ligada ao seu contexto marítimo. Hoje, a cidade é frequentemente associada a torres esbeltas e revestidas de vidro que simbolizam a modernidade. Embora visualmente impactantes em sua busca por altura e forma, muitos desses edifícios parecem desconectados de seu entorno imediato, muitas vezes negligenciando as condições naturais do local, a responsividade ecológica e a sensibilidade contextual.
Historicamente, no entanto, o cenário era diferente. Os primeiros ambientes construídos de Hong Kong — vilas de pescadores rurais em áreas como Tai O, Aberdeen e Shau Kei Wan — surgiram por meio de práticas espaciais orgânicas e comunitárias que dialogavam estreitamente com o entorno. Esses assentamentos costeiros e ribeirinhos desenvolveram sistemas arquitetônicos sob medida para o ambiente marinho e para os ritmos da vida pesqueira. As vilas se estruturavam ao redor da água, e as estratégias de construção eram adaptadas às marés flutuantes, ao terreno e ao uso social.
A trajetória de Agustina Iñiguez na arquitetura tem raízes em um profundo apreço pela arte, pelo desenho e pelos trabalhos manuais — interesses que naturalmente a levaram à graduação em arquitetura aos 18 anos. Radicada em Buenos Aires, Agustina concilia a prática profissional de arquitetura com uma atuação ativa na academia, trabalhando como auxiliar de ensino na Universidade de Buenos Aires e como professora assistente na Universidade Torcuato Di Tella. Desde que passou a integrar a equipe editorial do ArchDaily em 2021, ela traz uma abordagem reflexiva e interdisciplinar para a curadoria de conteúdos que conectam teoria, prática e engajamento social.
Seu foco editorial concentra-se na investigação de projetos e temas que consideram atentamente a escolha de materiais, técnicas construtivas e a integração com o entorno, sempre com ênfase na melhoria da qualidade de vida por meio do projeto. Agustina tem especial interesse pelo reúso adaptativo, pela renaturalização urbana (rewilding) e por estratégias de projeto inclusivas que respondam às necessidades de comunidades diversas. Defensora da colaboração interdisciplinar, ela apoia trabalhos que articulam, de forma sensível, a inovação arquitetônica aos contextos ambiental e cultural.
Centro Aquático Les Bains des Docks. Imagem cortesia de VELUX Commercial
Condensação, manutenção e umidade são três desafios corriqueiros que continuam a testar os edifícios que projetamos e construímos. Sejam decorrentes de condições climáticas, de uma ventilação limitada ou de especificidades no detalhamento construtivo, esses fatores afetam não apenas a durabilidade dos materiais, mas também o conforto cotidiano e o desempenho dos espaços ocupados. Tratando-se de um centro aquático ou de uma piscina coberta, as exigências são ainda maiores. A presença constante de vapor, o acúmulo de umidade e o risco de mofo podem comprometer tanto a eficiência energética quanto a experiência dos/as usuários/as. Em ambientes como esses, a ventilação e o acesso à luz natural, para além de seu valor estético, tornam-se ferramentas essenciais para manter o equilíbrio, aumentar o conforto interno e, em última análise, otimizar a forma como o espaço é percebido e usufruído.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142620/deixando-o-ceu-entrar-4-estudos-de-caso-sobre-solucoes-de-iluminacao-natural-na-arquitetura-aquaticaEnrique Tovar