Em um mundo que enfrenta o esgotamento ecológico e a saturação espacial, o ato de construir passou a representar tanto criação quanto consumo. Durante décadas, o progresso arquitetônico foi medido pelo novo: novos materiais, novas tecnologias, novos monumentos à ambição. Hoje, no entanto, a disciplina é cada vez mais moldada por outra forma de inteligência, que valoriza o que já existe. Profissionais da arquitetura estão aprendendo que fazer menos pode significar projetar mais, e essa mudança marca o surgimento do que se poderia chamar de uma arquitetura da contenção: uma prática definida pelo cuidado, pela manutenção e pela escolha deliberada de não construir.
Esse princípio reconhece que o edifício mais sustentável costuma ser aquele que já está de pé, e que a transformação pode ocorrer por meio da preservação, do reparo ou até mesmo da ausência. Escolher não construir torna-se um ato político e criativo, uma resposta aos limites materiais do planeta e aos limites éticos do crescimento infinito. Essa arquitetura vai além da produção de novas formas para abraçar a continuidade, prolongando a vida útil de estruturas, materiais e memórias que já habitam o mundo.
Muito antes de a humanidade construir seus primeiros abrigos permanentes, ela descobriu o poder protetor das peles de animais como barreira contra as condições climáticas adversas. Esse princípio fundamental de construir com materiais flexíveis influencia a arquitetura contemporânea, embora muitos dos precedentes históricos tenham se perdido no tempo. Os tecidos serviram como os primeiros elementos arquitetônicos da humanidade, antecedendo métodos de construção antigos, como a alvenaria de pedra. A relação entre os têxteis e o abrigo moldaria toda a história da arquitetura, desde os assentamentos pré-históricos até os arranha-céus modernos. Que lições essas origens ancestrais da arquitetura podem oferecer para os futuros avanços no projeto de edifícios?
É com imensa gratidão e entusiasmo que compartilho minha primeira carta na editoria-chefe. Dirigir-me diretamente a vocês marca uma mudança significativa em nossa abordagem habitual, e acredito ser a maneira ideal de começar o ano. Ao assumir esta nova função, é uma honra ter a oportunidade de liderar o ArchDaily em um novo capítulo, construindo sobre nossa base sólida para alcançar patamares ainda mais altos.
No ArchDaily, sempre acreditamos que a arquitetura tem o poder de transformar vidas e ambientes. Há 17 anos, somos mais do que uma simples plataforma; nos tornamos uma comunidade e uma voz para a arquitetura — uma rede colaborativa onde profissionais da arquitetura, do design e entusiastas se encontram para moldar o ambiente construído e redefinir a vida urbana. Ao refletir sobre essa jornada, sinto profunda inspiração pelas nossas conquistas compartilhadas, viabilizadas pela dedicação de nossa talentosa equipe global e pelo apoio inabalável do nosso público. Juntos, criamos um espaço onde as ideias prosperam e a inovação floresce.
A diplomacia cultural refere-se ao uso da expressão cultural e do intercâmbio criativo para promover a compreensão e construir relacionamentos entre as nações. Nesse contexto, a arquitetura desempenha, há muito tempo, um papel de destaque. Para além de suas dimensões funcionais e estéticas, ela serve como meio de comunicação — uma linguagem pela qual os países expressam identidade, valores e ambições no cenário global.
A arquitetura opera como uma forma de soft power — de caráter persuasivo, e não coercitivo —, permitindo que as nações projetem influência por meio de sua presença material. De embaixadas modernistas no pós-guerra a pavilhões monumentais em exposições mundiais, governos e instituições reconhecem o potencial do ambiente construído para moldar percepções. Ao contratar profissionais de destaque na arquitetura e adotar linguagens projetuais específicas, os países utilizam a arquitetura para sinalizar modernidade, tradição, inovação ou estabilidade.
Sistema de porta de correr SL500. Imagem cortesia de ASSA ABLOY
Ao longo da história, as portas — e, posteriormente, as portas automáticas — desempenharam um papel muito mais amplo do que a mera marcação de uma entrada ou saída. Elas definem limiares, guiam o fluxo de movimento e moldam sutilmente a maneira como as pessoas interagem em um espaço. É possível traçar sua evolução até o século I, quando Heron de Alexandria projetou uma porta movida a vapor — um exemplo pioneiro da fusão entre tecnologia e arquitetura. Desde então, os sistemas de portas automáticas sem toque incorporaram avanços tecnológicos que aprimoram sua operação e redefinem seu papel nos edifícios. Hoje, eles estão integrados a uma variedade de tipologias e escalas de edifícios, atuando como elementos de transição que aumentam o conforto, a eficiência energética e a qualidade geral dos espaços internos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143019/o-futuro-mais-verde-dos-sistemas-de-portas-automaticas-uma-mudanca-no-design-e-no-desempenhoEnrique Tovar
Na arquitetura, o efeito da cor raramente é neutro. Ela tem o poder de acalmar ou energizar, expandir ou comprimir o espaço, unificar ou dividir. Longe de ser apenas uma camada decorativa, a cor é uma ferramenta que arquitetos/as, designers de interiores e designers utilizam para estruturar a atmosfera e a percepção. Ao lado da luz, do material e da proporção, trata-se de um dos instrumentos mais precisos disponíveis para orientar a experiência espacial. Quando tratada de forma deliberada, torna-se um sistema — que permite aos/às profissionais articular relações entre espaços, estabelecer atmosferas e criar continuidade em várias escalas.
A cor não se limita à pintura. Superfícies, materiais, acabamentos e elementos técnicos possuem, todos, peso cromático. No entanto, na prática, a cor muitas vezes permanece irregular nos detalhes mais sutis — interruptores, tomadas, interfones —, surgindo frequentemente como interrupções neutras. Essa lacuna evidencia uma questão mais ampla: se a cor deve ser considerada uma verdadeira ferramenta arquitetônica, não deveria ela se estender a cada detalhe, por menor que seja? Diante disso, a fabricante alemã JUNG estendeu a Polychromie Architecturale de Le Corbusier para as instalações elétricas, permitindo que componentes essenciais da edificação falem a mesma linguagem da arquitetura circundante.
A visita a museus e galerias há muito tempo é uma experiência meticulosamente curada. O público é conduzido por uma sequência de salas cuidadosamente orquestrada, com obras selecionadas minuciosamente para contar uma narrativa específica, apoiada por sinalização, recursos gráficos, cenografia e iluminação calibrada. Mesmo as exposições que raramente mudam — como as coleções permanentes — costumam apoiar-se em uma forte voz curatorial — liderada por artistas ou curadores/as de destaque — para definir o posicionamento institucional e moldar a interpretação.
Paralelamente, as áreas de reserva técnica de museus e galerias costumam ser mantidas separadas — muitas vezes no mesmo edifício, mas sob acesso rigidamente controlado, e não raramente fora do local, em instalações dedicadas, como o Centro de Conservação do Louvre. Essas zonas são historicamente entendidas como espaços de controle rigoroso, não apenas em termos de acesso, mas também em relação ao clima, à umidade, à organização do acervo, aos protocolos de manuseio, à manutenção e à restauração. Por receio de furtos e de que as exigências espaciais, ambientais e de catalogação do acervo fossem perturbadas, a reserva técnica tradicionalmente manteve um caráter quase secreto, atendendo prioritariamente a pesquisadores/as acadêmicos/as e profissionais da arte sob solicitação. Raramente o público em geral tem uma visão abrangente das obras salvaguardadas por uma determinada instituição.
A Buildner anunciou os resultados de sua terceira edição anual do concurso internacional de ideias de arquitetura Home of Shadows. A série de concursos foi concebida para focar na interação vital entre luz e sombra na criação de espaços residenciais funcionais e acolhedores. A iniciativa destaca a importância da luz natural no projeto residencial, essencial para criar ambientes confortáveis, convidativos e práticos.
A luz é vista como uma linguagem através da qual arquitetos/as comunicam emoções em seus projetos, com as sombras desempenhando um papel igualmente significativo ao influenciar a atmosfera de um espaço. O equilíbrio entre luz e sombra permite criar espaços com profundidade e textura, definindo diferentes humores para propósitos diversos. Muitas vezes, esse equilíbrio pode ser alcançado através do posicionamento estratégico de janelas e portas.
Quando se fala de inteligência na Bienal de Arquitetura de Veneza de 2025, a exposição principal a categoriza amplamente em três domínios: natural, artificial e coletiva. Embora as atenções se voltem principalmente para as performances robóticas e para experimentos materiais de vanguarda—como os tijolos de esterco de elefante de Boonserm Premthada ou a fascinante exibição de picoplâncton do Canadá—, uma forma de inteligência coletiva frequentemente negligenciada, porém fundamental, reside no ato de arquivar.
Diversos pavilhões nacionais expõem essa inteligência coletiva por meio de mostras belamente curadas—o Pavilhão da Espanha, por exemplo, com seu jogo perspicaz de escalas, apresenta maquetes meticulosamente elaboradas que convidam a uma leitura atenta e ao encantamento. Essas coleções curadas oferecem um retrato do presente e, em alguns casos, acenam para o futuro. No entanto, sem um envolvimento crítico com o passado, sem documentar e dar sentido ao nosso conhecimento espacial e arquitetônico compartilhado, o potencial da inteligência coletiva permanece incompleto. O arquivamento não é um mero ato de preservação; trata-se de uma ferramenta generativa para projetar novos futuros.
Para a edição de 5º aniversário do "Monaco Smart & Sustainable Marina Rendezvous", a M3 Monaco revela o novo tema de seu concurso internacional de arquitetura anual. Estudantes, jovens arquitetos/as e profissionais da área têm o desafio de conceber uma nova visão ou repensar o desenvolvimento da infraestrutura da Ilha de Certosa, em Veneza, criando um diálogo singular que integre o turismo regenerativo, a jornada marítima, o título de Patrimônio Mundial da UNESCO e o próprio contexto de "La Serenissima."
Cortesia de AIA Conference on Architecture & Design
O futuro da arquitetura não está apenas sendo desenhado — ele está sendo codificado. Desde que o matemático John W. Tukey cunhou o termo "software" em 1958 na revista *The American Mathematical Monthly*, sua influência tem se expandido constantemente, desde a revolução da ciência e da engenharia até a transformação silenciosa da arquitetura. O que antes era visto apenas como uma inovação para cálculos estruturais e desenho técnico, desde então revelou um potencial muito mais amplo, tornando-se um motor criativo na narrativa e prática arquitetônica.
Embora essa transformação já tenha se consolidado — com o software agora incorporado à nossa maneira de projetar e pensar —, ela continua a evoluir. Na recente AIA Conference on Architecture & Designem Boston, as inovações apresentadas deixaram claro que estamos entrando em um novo capítulo: um momento em que softwares e inteligência artificial não apenas aprimoram fluxos de trabalho, mas moldam ativamente a sustentabilidade, a regulamentação e a tomada de decisões. Arquitetos/as e desenvolvedores/as de software agora tratam o código com a mesma lógica de um material — moldado não por modelagem física ou escultura, mas por parâmetros, ciclos, evolução constante e feedback. Ao mesmo tempo, arquitetos/as trabalham com a IA como copiloto no processo de projeto, colaborando com ela para apoiar a tomada de decisões e aprimorar a criação.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143015/ia-e-softwares-de-arquitetura-na-aia25-do-codigo-ao-concreto-no-futuro-digitalEnrique Tovar
Frequentemente admirado por sua simplicidade e capacidade de comunicação clara por meio de rabiscos em um guardanapo manchado de espresso martini, o esboço em guardanapo é talvez uma das formas mais reconhecidas de liderança criativa no setor. Além de icônico, esse tipo de croqui preliminar e iterativo ajuda a definir a direção do projeto de forma rápida, simples e eficaz. No entanto, o trabalho subsequente para traduzir esse esboço em um projeto propriamente dito (e, em última análise, conquistar o contrato) muitas vezes priva os escritórios de uma fase inicial de projeto lucrativa.
Criado por surfistas da Califórnia que queriam trazer as linhas do surfe para o asfalto, o skate logo superou seu papel de mera alternativa para os dias sem ondas. Consolidou-se como uma prática que lê a cidade sob uma lógica diferente, reinterpretando degraus, corrimãos, muros e espaços intersticiais como potenciais linhas, desafios e oportunidades. Ao longo do tempo, evoluiu para uma cultura urbana global, uma forma de habitar e transformar o espaço público por meio do movimento. O que antes era marginal tornou-se um catalisador para a ativação urbana, a construção de comunidades e o surgimento de novos usos para espaços negligenciados. Em sua essência, o skate revela quantas cidades coexistem dentro de uma mesma cidade, dependendo de quem transita por ela e de como cada pessoa é capaz de reinterpretar o que está ao seu redor.
A cada mês de junho, a cidade espanhola de Logroño se transforma em um espaço de diálogo arquitetônico, abrindo suas ruas, praças, margens de rios e rotatórias para estruturas temporárias que redefinem como as cidades são habitadas. Ao longo de dez edições, o Concéntrico tem funcionado não como uma feira especializada ou uma bienal de arquitetura, mas sim como um museu portátil — um gesto curatorial que leva uma coleção dispersa de arquitetura contemporânea para o espaço público. Situado em uma cidade suspensa entre planícies áridas e montanhas distantes, longe dos circuitos das capitais e das grandes instituições culturais, o Concéntrico se apresenta como uma promessa temporária. É um lembrete de que mesmo cidades frequentemente negligenciadas podem acolher uma arquitetura atual, diversa e especulativa. Nesse sentido, o festival trata menos de celebração e mais de ativação.
Contudo, para além de sua lógica curatorial, o Concéntrico opera como uma estrutura política. No sentido clássico da polis, o festival convida cidadãos/ãs, arquitetos/as e instituições a reavaliarem o que o espaço público pode ser. As intervenções oferecem propostas especulativas para a vida urbana que revelam o que falta, o que é possível e o que deve ser questionado. Uma piscina temporária sobre uma fonte, uma casa de banho em uma rotatória ou uma refeição compartilhada em uma grande avenida não são meros gestos espaciais — são manifestações políticas que questionam como a infraestrutura urbana pode ser redirecionada do controle para o cuidado, da eficiência para o encontro. Dessa forma, o festival torna-se não apenas um reflexo da cidade, mas um instrumento para sua transformação.
A trajetória de Romullo Baratto na arquitetura começou cedo, influenciada por um ambiente familiar imerso na prática da engenharia e da arquitetura. Crescendo cercado de plantas e maquetes, ele desenvolveu um apreço fundamental pelos aspectos técnicos e criativos do ambiente construído. Embora seu percurso acadêmico o tenha levado a explorar o cinema e a escrita em paralelo à arquitetura, esses interesses multidisciplinares convergiram naturalmente para o trabalho editorial. Tendo começado como tradutor freelancer para o ArchDaily, a sintonia de Romullo com a missão da plataforma o levou a ingressar como Editor do site brasileiro, onde conduziu a publicação a se tornar o primeiro veículo de comunicação a receber o prestigiado Prêmio FNA.
Atualmente Editor-Chefe no ArchDaily Global, Romullo lidera iniciativas de destaque como o Building of the Year Awards, o ArchDaily New Practices e o ArchDaily Topics. Ele aborda o trabalho editorial com o compromisso de destacar projetos e narrativas que ofereçam novas perspectivas e provoquem discussões profundas—evitando a mera busca por tendências passageiras em favor de uma narrativa crítica e repleta de nuances que aprofunde o entendimento profissional.
Ao projetar espaços para contemplar, a arquitetura entra em diálogo com o território na busca por compreender a paisagem e desfrutar da realidade, seja ela natural ou construída. A partir do convite para contemplar o entorno que nos cerca, profissionais de arquitetura na América Latina embarcam no desafio de construir estruturas que interagem com a natureza, reinterpretam certas tipologias edilícias ou fazem parte do aprendizado e do ensino de arquitetura para as futuras gerações. A ampla variedade de paisagens e culturas disponíveis no contexto latino-americano revela as infinitas oportunidades em que a arquitetura desponta com potencial para fomentar o diálogo entre quem observa e o objeto observado, além de aproveitar a conexão com a flora, a fauna e as demais espécies locais que a região oferece.
As crianças vivenciam o espaço de forma diferente das pessoas adultas. Para elas, o mundo ainda não está racionalizado em termos de função e circulação, sendo experimentado por meio da emoção e da curiosidade. Enquanto as pessoas adultas tendem a percorrer os ambientes pelo hábito, as crianças os habitam pela imediatez. Um feixe de sol torna-se um acontecimento. A curva de um corredor convida ao explorar. O som dos passos sobre a madeira ou a suavidade de um tecido sob a ponta dos dedos não são mero plano de fundo, mas sim informação. Aquilo que as pessoas adultas costumam descartar como momentos periféricos medeia silenciosamente seu senso de segurança, autonomia, pertencimento e possibilidade. A arquitetura é a oportunidade para a pedagogia se materializar.
O movimento modernista mid-century foi mais do que uma transição estética ou material nos Estados Unidos; ele representou uma resposta a um mundo em rápida transformação. Emergida após a Segunda Guerra Mundial, essa revolução arquitetônica rejeitou os estilos ornamentados e tradicionais do passado em favor de linhas limpas, design funcional e da incorporação de materiais marcantes como o aço, o vidro e o concreto. O modernismo representou uma ruptura com a tradição, concentrando-se na simplicidade, na eficiência e em uma visão de futuro. Refletia o otimismo de uma nação em reconstrução, onde a tecnologia e a inovação moldavam desde as paisagens urbanas até as residências suburbanas.
Após duas intensas semanas de indicações, o público leitor do ArchDaily avaliou mais de 500 projetos e selecionou os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China. Profissionais da arquitetura e entusiastas participaram do processo de indicação, escolhendo projetos que exemplificam o que significa impulsionar a disciplina. Estes finalistas são as obras que mais inspiraram o público do ArchDaily, revelando também as tendências crescentes da arquitetura chinesa.
Entre os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China 2025, é possível observar uma mudança gradual de foco, que migra de edifícios públicos de grande escala para a revitalização rural, espaços públicos comunitários, a exploração de novas tipologias escolares e espaços internos de menor escala. Nota-se uma atenção maior às necessidades pessoais e às experiências de habitar, bem como aos espaços circundantes. Também fica evidente como diferentes escritórios estão respondendo às demandas das cidades e de seus usuários e usuárias neste período de transição do mercado imobiliário.
Antes de apresentar a lista de finalistas, gostaríamos de destacar os valores que norteiam esta premiação: como a maior plataforma de arquitetura do mundo, temos plena consciência de nossa responsabilidade para com a profissão e para com o avanço da arquitetura como disciplina. Uma vez que nossa missão está diretamente ligada à arquitetura do amanhã — inspirando e educando as mentes que projetarão o tecido urbano do futuro —, a confiança depositada em nós por nosso público para refletir as tendências arquitetônicas de todas as regiões do planeta gera desafios que assumimos com entusiasmo. De votação democrática e centrado em nossa comunidade de leitores e leitoras, o prêmio Building of the Year é um dos pilares da nossa resposta a esses desafios, com o objetivo de derrubar hierarquias estabelecidas e barreiras geográficas. Apresentamos a seguir os 15 finalistas do Prêmio Building of the Year da China 2025. O período de votação ocorre de 2 a 9 de abril de 2025, até as 23h59 (horário de Pequim), e os projetos vencedores serão anunciados em 10 de abril de 2025. Clique aqui para conferir os detalhes e saber como votar.
O Utopian Hours retorna a Turim como o principal festival da Europa dedicado à construção de cidades (*city making*) e à inovação urbana. Serão três dias repletos de inspiração, com masterclasses, palestras, workshops, mesas-redondas e exposições. Fórmulas e estudos de caso de todo o mundo revelam como ocorre a inovação urbana (e social) — e como o próprio conceito de fazer cidade está sendo ampliado em direções ousadas e inéditas. Mais de 40 convidados/as internacionais, os veículos de mídia mais influentes, grandes referências do urbanismo e os/as gestores/as públicos/as mais dinâmicos/as da Europa se reunirão em Turim para trocar ideias, ferramentas, experiências, soluções, desejos e paixões.
Em tempos de colapso ecológico e crescente insegurança alimentar, a arquitetura é cada vez mais chamada a se engajar não apenas com as paisagens, mas com os sistemas que as sustentam e regeneram. Entre esses sistemas, a agricultura ocupa um papel paradoxal, sendo ao mesmo tempo uma das principais responsáveis pela degradação ambiental e um agente potencial de recuperação ecológica. A agricultura industrial esgotou os solos, fragmentou habitats e impulsionou as mudanças climáticas por meio de monoculturas, dependência de combustíveis fósseis e padronização territorial. Em resposta, a agroecologia surge como uma contraprática enraizada na biodiversidade, no conhecimento local e nos ritmos cíclicos da natureza. Ela ressignifica o cultivo não como extração, mas como regeneração dos ecossistemas, das comunidades e do próprio solo.
Esse reposicionamento abre espaço para que a arquitetura dê contribuições significativas. Alinhar-se à agroecologia não significa apenas apoiar a produção de alimentos, mas comprometer-se com as condições culturais, espaciais e ecológicas mais amplas que a sustentam. Isso implica projetar considerando as variações sazonais, apoiar o uso compartilhado e construir de modo a respeitar tanto a terra quanto quem nela trabalha. A arquitetura torna-se mais do que um invólucro — transforma-se em mediadora do cultivo, da reciprocidade e da coexistência.
No cerne do design está a intersecção entre técnica e criatividade — um espaço onde ideias ganham forma e os ambientes são reimaginados. Em um mundo repleto de objetos produzidos em massa, o foco se volta para algo mais intencional, no qual cada decisão abre novas possibilidades e permite que o design se liberte do convencional. Pense na poltrona LC1 de Le Corbusier ou na cadeira Barcelona de Mies van der Rohe — não meramente mobiliários, mas sim resultados que ilustram a liberdade criativa de um ateliê, onde ideias, materiais e acabamentos dialogam em vez de simplesmente se conformarem. Essas peças não apenas preenchem um espaço; elas o reimaginam. Esse espírito de inovação estende-se hoje a cada detalhe, dos metais de cozinha aos de banheiro, nos quais a gama de escolhas — materiais, formas e funções — torna-se uma oportunidade para criar algo verdadeiramente único.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142999/torneiras-de-cisne-metais-de-concha-quadriculados-e-a-nova-fronteira-do-design-sob-medidaEnrique Tovar
A história dos eletrodomésticos reflete com fidelidade a transformação do lar moderno e da vida doméstica ao longo do século XX. Originados dos avanços técnicos da Revolução Industrial e impulsionados pela eletrificação urbana, esses aparelhos foram criados para mecanizar tarefas cotidianas como cozinhar, limpar e conservar alimentos. Um marco fundamental nessa evolução foi a Cozinha de Frankfurt, projetada em 1926 pela arquiteta austríaca Margarete Schütte-Lihotzky. Considerada a precursora da cozinha moderna, ela incorporava princípios de eficiência inspirados na organização científica do trabalho, com espaços otimizados e equipamentos integrados para agilizar as tarefas domésticas. Desenvolvida para a habitação social em Frankfurt, essa cozinha sintetiza o espírito funcionalista da Bauhaus e estabelece uma conexão direta com as inovações do design alemão — contexto no qual a Gaggenau também consolidaria sua identidade, aliando precisão técnica e sofisticação estética.