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Cedric Price. Potteries Thinkbelt. Cedric Price fonds, Canadian Centre for Architecture, Montréal. Imagem cortesia de CCA
Todos os edifícios se movem — naturalmente, alguns mais do que outros. Há uma série de considerações projetuais que profissionais de arquitetura levam em conta para permitir, ou até mesmo promover, o movimento em quase todas as edificações. Contudo, há profissionais que recorrem à sua formação multidisciplinar e à sua capacidade de resolver problemas para conceber soluções que literalmente percorrem o mundo. Seja na forma de minicasas sobre rodas, instituições de ensino em trens ou programas de design instalados em caminhões, às vezes as edificações e a própria arquitetura precisam se deslocar até o público que atendem ou para outros ambientes. Este vídeo apresenta alguns exemplos desse espectro, a começar pela maneira como profissionais de arquitetura costumam lidar com o movimento em estruturas e fundações, passando pelo projeto Potteries Thinkbelt, de Cedric Price, e chegando ao Chicago Mobile Makers, uma oficina maker itinerante para crianças fundada por Maya Bird Murphy.
A arquitetura inflável deu asas à imaginação de visionários ambientais de todos os tipos. De figuras como Buckminster Fuller ao grupo Ant Farm, as estruturas infláveis prometem libertar as pessoas das intempéries da natureza ou da tirania da arquitetura. Desenvolvidos originalmente pelas Forças Armadas dos EUA como coberturas para radares no Ártico, os infláveis foram adotados pela NASA antes que seus segredos fossem revelados ao público, que passou a utilizá-los para resolver os mais diversos problemas, desde a cobertura de piscinas até estádios.
Como parte de um novo conceito que propõe uma experiência de turismo e descanso em um edifício art déco, em setembro deste ano abriu suas portas Campos Polanco, um espaço que se ergue em frente ao Jardín de la República del Líbano, ao lado do Bosque de Chapultepec, na Cidade do México. Trata-se de um conjunto de 12 suítes projetadas para executivos e nômades digitais que buscam se afastar dos hotéis de rede para mergulhar na cultura local em uma das áreas mais exclusivas da cidade.
Luminárias de teto pendentes Calla. Imagem cortesia de Cocoweb
Caracterizada por uma estrutura simples e telhado de duas águas, a tipologia tradicional de celeiro responde à sua função original: abrigar produtos agrícolas e gado. Nos últimos anos, no entanto, a estética dos celeiros evoluiu drasticamente, despertando o interesse de designers por seu charme rústico duradouro, forma minimalista, ornamentação refinada e modularidade — qualidades que há muito a tornam popular em refúgios de campo. Reinterpretada para se adequar a um estilo contemporâneo, essa tipologia vintage conquistou projetos modernos que buscam oferecer um refúgio da realidade densa e acelerada da vida urbana. Ao reformar fazendas históricas ou construir novas residências projetadas para se assemelharem a celeiros, arquitetos e arquitetas têm se inspirado nas origens industriais das instalações agrícolas tradicionais, mas com um toque moderno.
A seleção curada desta semana de Melhor Arquitetura Não Construída destaca projetos educacionais e culturais enviados pela comunidade do ArchDaily. A partir de exemplos de diversas partes do mundo, o artigo explora como esses espaços de conhecimento e descoberta são projetados para inspirar e informar.
Com um museu monolítico em Portugal, um centro de patrimônio digital com fachada de mídia na Coreia e um centro de pesquisa em mobilidade na Turquia, esta seleção abrange vários tipos de espaços educacionais e culturais, bem como diferentes abordagens em relação ao ambiente construído ou natural. Os projetos a seguir revelam as ideias que moldam os espaços de conhecimento em diferentes contextos, ilustrando diversas abordagens sobre o que constitui uma instituição cultural.
As escadas costumam ser um elemento inevitável no DNA de uma edificação. Hoje em dia, elas não apenas cumprem uma função prática, mas também se tornaram verdadeiros elementos de destaque, especialmente quando combinadas com uma cor que certamente atrairá olhares. Entre as cores quentes, o vermelho é considerado a mais poderosa. Se, por um lado, evoca sensações de alegria e energia, por outro, remete a alerta e perigo. O vermelho é capaz de estimular uma ampla gama de emoções e, por isso, seu uso deve ser cuidadoso, delicado e bem planejado.
Casa Moderna - De Aya: Life in Yop City por Marguerite Abouet e Clément Oubrerie, traduzido por Helge Dasche. Imagem cortesia de Drawn & Quarterly
As tiras de quadrinhos, a bande dessinée, a graphic novel. Todas fazem parte de um meio com uma conexão intrínseca com a narrativa arquitetônica. Trata-se de um meio que há muito tempo é utilizado para fantasiar e especular sobre possíveis futuros arquitetônicos ou, em um contexto menos espetacular, usado simplesmente como um recurso para mostrar o percurso em perspectiva por um projeto de arquitetura. No entanto, quando os quadrinhos mesclam ficção e imaginação arquitetônica, não ocorre apenas a especulação sobre cenários futuros. Há também o registro e a crítica das condições urbanas de nossas cidades contemporâneas ou do passado.
À medida que continuamos a lidar com as repercussões da pandemia, o futuro dos escritórios e espaços de trabalho tem sido amplamente debatido. No entanto, alguns efeitos imediatos já são evidentes: o modelo rígido, essencialmente presencial, foi rapidamente substituído pelo trabalho híbrido, no qual a adaptabilidade e o conforto se tornaram as principais prioridades. Assim, embora as consequências a longo prazo ainda não estejam totalmente claras, as empresas certamente precisarão buscar o equilíbrio ideal entre os métodos tradicionais e o trabalho remoto, visando promover a eficiência e o bem-estar das equipes. Sob a perspectiva do design e da arquitetura, a demanda se concentrará em ambientes de trabalho flexíveis que estimulem a criatividade, a produtividade e o conforto – além de responderem aos desafios tecnológicos, econômicos e de sustentabilidade associados.
É um elemento arquitetônico essencial, que costumamos notar imediatamente ao olhar para edifícios novos — o telhado. As coberturas que abrigam os edifícios de nossas cidades apresentam tipologias diversas. Telhados planos são comuns nos centros das grandes metrópoles, coberturas em quatro águas são escolhas populares para residências no mundo todo, e o telhado em duas águas é indiscutivelmente o mais comum de todos, sendo o tipo de cobertura mais frequente nas representações estilizadas de uma casa padrão.
Seja integrando-se ao contexto urbano ou destacando-se para atrair a atenção, a fachada conta a história de um edifício. Trata-se de um meio expressivo pelo qual interagimos com a arquitetura, definindo as primeiras impressões e determinando o tom do interior ao experimentar com transparência, movimento, textura e cor, entre outras possibilidades estéticas. Naturalmente, o envelope também desempenha um papel funcional crucial, atuando como barreira protetora contra condições climáticas extremas e impactando diretamente a transmissão de luz, a eficiência energética e o conforto acústico. Os arquitetos e arquitetas enfrentam, portanto, um desafio importante: alcançar o equilíbrio entre uma estética atraente e o desempenho técnico. Para tanto, é fundamental especificar os materiais adequados ainda na fase de projeto.
Com origens na Índia antiga e transmitido oralmente ao longo das eras, o yoga tornou-se uma prática amplamente difundida e popular que engaja o corpo e o espírito para alcançar a quietude da mente e uma autoconsciência clara. Embora existam variadas vertentes de yoga que refletem diferentes origens e tipos de práticas, todas elas exigem uma combinação de movimento físico com consciência mental e espiritual. Os benefícios para as saúdes física e mental que uma prática regular pode proporcionar, mesmo em tempos turbulentos ou difíceis, foram reconhecidos pelas Nações Unidas no Dia do Yoga de 21 de junho de 2022, sob o tema "Yoga pela Humanidade".
À primeira vista, Quarticciolo é um bairro atraente de Roma. Trata-se de um complexo de habitação social em escala humana, composto por edifícios de média altura vermelhos e amarelos dispostos em torno de pátios internos e jardins. Projetado pelo arquiteto Roberto Nicolini durante o regime fascista, esse aspecto de vilarejo não é encontrado nos massivos conjuntos residenciais do pós-guerra em outras partes da capital. À semelhança de outros/as arquitetos/as racionalistas, Nicolini se inspirou na cidade antiga. Baseando o traçado em uma malha ortogonal clássica, ele permitiu apenas uma estrutura alta: a Casa del Fascio (sede do partido fascista), uma torre fortificada que se impõe sobre a praça principal. A maioria dos edifícios foi construída entre 1938 e 1943 para abrigar uma população de classe trabalhadora que foi transferida à força do centro histórico de Roma para a periferia, abrindo caminho para as grandes obras públicas de Mussolini.
https://www.archdaily.com.br/pt/1135137/reconstruindo-e-destigmatizando-o-bairro-quarticciolo-em-romaMarina Engel
Os ruídos –especialmente aqueles que não podemos controlar– afetam profundamente tanto a saúde física quanto a mental. Sejam provenientes da rua, da vizinhança do andar de cima ou do cômodo ao lado, pesquisas sugerem que eles podem aumentar o estresse, reduzir a produtividade, interferir na comunicação e contribuir para o desenvolvimento de problemas como a hipertensão arterial. Em última análise, a qualidade acústica define a experiência de uso e (literalmente) dá o tom para o restante do interior. A má notícia é que a maioria dos materiais de construção convencionais utilizados hoje na arquitetura moderna –concreto, vidro, alvenaria– possui superfícies extremamente duras e propriedades acústicas limitadas, o que faz o som reverberar várias vezes e força as pessoas a elevarem a voz para se fazerem entender. Somado ao crescimento da densidade urbana e à adoção de layouts de uso misto nos projetos, tudo isso resulta em ambientes de vida e trabalho cada vez mais barulhentos, desconfortáveis e dispersivos.
Burgess Creek Promenade, Steamboat Springs, Colorado. Imagem cortesia de Wenk Associates
A necessidade de se adaptar rapidamente às mudanças climáticas assumiu, com razão, o centro das atenções. No entanto, as conexões entre as mudanças climáticas e a gestão de águas pluviais frequentemente passam despercebidas. As mudanças climáticas impactam o ciclo hidrológico ao aumentar a escassez de água e a frequência e intensidade das inundações, além de contaminar os cursos d'água. Gerenciar melhor as águas pluviais é fundamental para a gestão dos recursos hídricos e para a proteção de nossa segurança e da saúde do meio ambiente.
Como resposta a um mundo em rápida transformação, a flexibilidade tornou-se prioridade absoluta no design de interiores contemporâneo. Isso explica, por exemplo, a crescente demanda por espaços amplos e multifuncionais em detrimento de layouts rígidos e fechados — como demonstra a tendência das cozinhas integradas. Essa mudança nas necessidades espaciais sugere que projetar para o presente e para o futuro significa criar espaços capazes de se adaptar facilmente a múltiplos usos: em um dia, uma sala pode ser destinada a um grande evento; no outro, pode ser necessária para atividades menores e mais reservadas. Diante disso, materiais, produtos e outros elementos do design de interiores devem responder à altura, integrando tecnologia e inovação para criar espaços flexíveis e, ao mesmo tempo, funcionais.
O ensino de arquitetura nunca foi concebido para preparar você para o lado empreendedor da gestão de um escritório. Na mente dos criadores que construíram o sistema que hoje define o caminho para a obtenção do registro profissional, a ideia nunca foi que você iniciasse um negócio de arquitetura de forma precoce. Existe um código, um conjunto de regras que o/a impulsiona a obedecer e a seguir uma visão unilateral de sucesso.
Edifício Wolf Point East / Pappageorge Haymes. Imagem cortesia de Graphisoft
Considerada a segunda habilidade mais solicitada no setor (atrás apenas da experiência de campo) e utilizada por um número crescente de profissionais de projeto, a Modelagem de Informação da Construção (BIM) provou ser o presente da arquitetura. No entanto, com constantes novos recursos e melhorias promissoras, a tecnologia é também, em grande medida, o futuro. Há décadas, esse software revolucionário vem se consolidando como uma ferramenta poderosa, com uma longa lista de recursos valiosos: detecção de erros, redução de custos e de desperdício de materiais, mitigação de riscos, otimização de fluxos de trabalho e, acima de tudo, a viabilização de uma colaboração multidisciplinar fluida.
O mistério das cores nos intriga desde a infância. Misturar tintas para criar novos tons ou observar os raios de sol e cristais formando arco-íris torna-se uma parte fascinante da nossa infância muito antes de ouvirmos falar em química e óptica. À medida que crescemos, a cor continua a desempenhar um papel fundamental em como vivenciamos o mundo, impactando o humor, as emoções, a produtividade e o comportamento. Isso explica por que os seres humanos são naturalmente atraídos por certas tonalidades; trata-se de algo intrínseco ao cérebro humano. Há uma percepção comum, por exemplo, de que as paletas de vermelho, laranja e amarelo geram uma sensação de calor e alegria, ao passo que tons de marrom, cinza e preto evocam tristeza e melancolia. Naturalmente, o mesmo se aplica ao design e ao ambiente construído, pois, juntamente com a textura, a luz e a sombra, os espaços ao nosso redor são definidos por tons e nuances que moldam o que vemos e como nos sentimos. Assim, a cor acaba transformando a maneira como percebemos, sentimos e vivenciamos a arquitetura.
Recentemente, o economista vencedor do Prêmio Nobel Paul Krugman escreveu no New York Times sobre as causas da crise de moradia inacessível em Nova York. Ele atribuiu o problema a alguns fatores, incluindo uma poderosa "monocultura" financeira na cidade, os NIMBYs (movimento "não no meu quintal") e o fato de a própria prefeitura bloquear novas construções. Esse último argumento, contudo — o de que o poder público municipal impede novas obras —, é um mito cada vez mais difundido e que precisa ser examinado.
Como o Desenho Universal pode superar as divisões que deixaram tantas pessoas nos Estados Unidos isoladas em suas próprias comunidades? Em sua mais recente exposição, o Center for Architecture de Manhattan propõe uma “reconfiguração”. Em cartaz até 3 de setembro, Reset: Towards a New Commons apresenta projetos que “incentivam novos modos de vida colaborativa” e “abordagens mais holísticas de inclusão”.
Entre todas as tendências inusitadas de design de interiores residencial que estão voltando com força, o poço de conversa — ou espaço de conversa rebaixado — é talvez uma das mais inesperadas. Esse famoso elemento dos anos 1970, simultaneamente retrô e moderno, oferece um refúgio acolhedor na residência, totalmente livre das distrações da televisão e do cinema. Longe de ser um local para se conectar a dispositivos eletrônicos, trata-se de uma ampla área projetada para que as pessoas se sentem e conversem de verdade — um espaço de que, talvez, todos nós precisemos atualmente.
A maioria dos visitantes da Cidade do México passa o tempo explorando bairros tranquilos e idílicos como Roma e Condesa, repletos de edifícios charmosos, calçadões movimentados e atrações cosmopolitas. No entanto, a vida na capital mexicana coloca a maior parte da população do lado desfavorecido de uma desigualdade vertiginosa, marcada por salários baixos, pela constante ameaça de violência e por uma gritante falta de infraestrutura pública. As tentativas do governo de lidar com esta última questão frequentemente fracassaram; é prática comum que projetos que demandam especialidade arquitetônica sejam atribuídos a empreiteiras, resultando em propostas desprovidas de qualquer sensibilidade de design. Isso ocorre apesar de a Cidade do México ostentar hoje uma das cenas de design mais férteis do mundo e possuir um forte legado de arquitetos/as renomados/as trabalhando em parceria com o governo para realizar obras públicas excepcionais — dos conjuntos habitacionais urbanos de Mario Pani aos edifícios monumentais de Pedro Ramírez Vázquez.
Tying the Knot - Atlanta Legacy Makers por OBJ. Imagem cortesia de OBJ
Uma das principais responsabilidades de urbanistas e designers é criar locais na cidade para encontros, manifestações, lazer e descanso. A seleção a seguir de espaços públicos não construídos apresenta projetos que expandem essas áreas para além de margens ou orlas fluviais, devolvem às comunidades locais espaços antes subutilizados e buscam otimizar áreas frequentemente negligenciadas. Intervenções desse tipo são fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população e tornar as cidades mais agradáveis de se viver.
A seleção desta semana de Melhores Projetos Não Construídos destaca propostas enviadas pela comunidade do ArchDaily. Localizados próximos a um patrimônio mundial da UNESCO na Itália, sobre um lixão ilegal em Dallas, no Texas, ou em uma cidade medieval no norte da Espanha, os projetos reunidos nesta curadoria mostram como arquitetos/as e urbanistas reconhecem o potencial dos espaços urbanos.