O evento convidou designers a refletirem sobre um dos elementos mais antigos e simbólicos da arquitetura: a escada. Indo além de seu papel funcional como conector de níveis, a escada foi posicionada aqui como um meio de narrativa arquitetônica — um convite para explorar ideias de percurso, sequência, espaço e forma.
Para esta primeira edição, solicitou-se aos participantes que conceitualizassem uma escada não como uma solução técnica, mas como um artefato expressivo — uma personificação de sua sensibilidade de projeto e de seus valores arquitetônicos. Não havia restrições de terreno, escala, material ou programa. Em vez disso, os/as designers foram desafiados/as a reimaginar a escada como uma construção escultórica, poética e até mesmo filosófica, capaz de provocar, questionar ou elevar nossa compreensão do espaço vertical.
As cidades estão se remodelando lentamente. Ruas caminháveis, redes cicloviárias e bairros de uso misto vêm se tornando prioridades de planejamento, à medida que metas climáticas, mudanças nos estilos de vida e o trabalho remoto reconfiguram as rotinas cotidianas. No entanto, mesmo com o avanço dessas propostas centradas nas pessoas, a maioria das cidades ainda depende fortemente dos carros particulares, gerando uma tensão entre os futuros urbanos que estamos projetando e os hábitos de mobilidade que persistem na atualidade.
Essa tensão tem levado arquitetos/as e incorporadores/as a repensar uma das peças mais complexas do quebra-cabeça urbano: o estacionamento. Edifícios de uso misto estão se multiplicando, sobrepondo moradias, espaços de trabalho e serviços em projeções de implantação mais compactas, o que exige o máximo aproveitamento de cada metro quadrado. O desafio já não consiste apenas em encontrar um lugar para os carros, mas em integrar o estacionamento de forma a favorecer a densidade, a habitabilidade e a adaptabilidade a longo prazo — permitindo que as cidades evoluam sem que os veículos dominem seu desenho urbano.
As etapas iniciais de projeto podem ser o ponto de partida de tudo, mas, sem uma análise criteriosa, também são o momento em que tudo pode desmoronar. Em média, os escritórios relatam que quase 15% de todo o trabalho realizado não gera faturamento, sendo grande parte disso associada ao estudo preliminar. Trabalhando com uma colcha de retalhos de ferramentas como Rhino, Excel, Revit e Miro, profissionais de arquitetura costumam passar semanas alternando entre plataformas apenas para finalizar um conceito e uma apresentação. Os dados ficam presos em capturas de tela, o retrabalho se acumula e, no momento em que o modelo finalmente está pronto para a documentação no Revit, o fôlego criativo já se perdeu. O Snaptrude 3.0 foi desenvolvido para resolver justamente isso.
Os edifícios precisam mudar mais rápido do que o ritmo para o qual foram concebidos. A constante transformação nas necessidades dos inquilinos, o endurecimento das políticas climáticas e o aumento da vacância de escritórios expõem o custo do patrimônio imobiliário estático: desperdício, ruído, períodos de inatividade e, na pior das hipóteses, ativos obsoletos. A consequência é clara: edifícios de todas as tipologias devem ser projetados para se adaptarem ao longo do tempo. A edição inaugural da Adaptable Building Conference (ABC), que ocorrerá em 22 de janeiro de 2026 no Nieuwe Instituut, em Roterdã, reunirá o setor para transformar a adaptabilidade de princípio em prática.
Série 8670 - Janela Maxim-Ar. Imagem cortesia de Western Window Systems
As janelas há muito desempenham um papel ambivalente na arquitetura, pois definem e delimitam os interiores ao mesmo tempo em que criam uma conexão com o exterior. Essa dupla função vai além de simplesmente atender às necessidades construtivas ou fornecer luz natural, influenciando diretamente a forma como os ocupantes vivenciam e se relacionam com a paisagem. O século XX testemunhou a introdução de materiais como o aço, o alumínio e o vidro, que viabilizaram diferentes tipos de janelas com caixilhos mais esguios e grandes painéis, aumentando a transparência e reforçando a conexão visual com o entorno.
Nomes da arquitetura norte-americana como Frank Lloyd Wright e Philip Johnson exploraram essas possibilidades para harmonizar a arquitetura com a paisagem. Na Casa da Cascata (Fallingwater), as janelas e os terraços conectam de forma fluida a residência à cachoeira e à floresta circundante, ao passo que a caixilharia mínima da Glass House praticamente dissolve o limite entre interior e exterior, trazendo o ambiente natural para dentro da casa. Ao longo de sua evolução, as janelas se tornaram um elemento que une espaço, materialidade e percepção, abrindo novos caminhos para explorar a relação entre a arquitetura e seu entorno.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142749/emoldurando-interiores-e-paisagens-em-aluminio-e-vidro-para-dominar-a-vistaEnrique Tovar
Este concurso internacional convidou arquitetos/as a projetar um refúgio de bem-estar boutique ao longo das margens serenas do Rio Vez, no norte de Portugal. O projeto desafiou os/as participantes a proporem um espaço de tranquilidade e renovação que se harmonizasse com seu extraordinário cenário natural e complementasse um moinho de água histórico já restaurado no local. O parceiro do projeto, proprietário do terreno, planeja construir uma das propostas vencedoras.
A trajetória diversificada de Hana Abdel conecta arquitetura de interiores, arte e um profundo apreço pelo patrimônio cultural, moldando sua abordagem singular na curadoria de conteúdo de arquitetura no ArchDaily. De origem libanesa e atualmente baseada no Canadá, Hana passou mais de uma década explorando a arquitetura de interiores em paralelo com práticas artísticas como escultura, cerâmica e desenho. Embora não atue mais diretamente na arquitetura de interiores, essas experiências continuam a enriquecer sua compreensão das narrativas espaciais e da relação entre materialidade e lugar.
Como gestora da equipe de curadoria de projetos, Hana concentra-se em identificar uma arquitetura que conte histórias instigantes para além da estética. Sua visão editorial prioriza projetos que dialogam de forma reflexiva com o contexto cultural, técnicas tradicionais e vozes emergentes, garantindo uma representação diversa e inclusiva. Ela se empenha em dar visibilidade a comunidades sub-representadas e a práticas inovadoras que expandem os limites da arquitetura.
Após duas Exposições Internacionais — Broken Nature: Design Takes on Human Survival (2019), que explorou a relação humana com os fenômenos naturais, e Unknown Unknowns (2022), que examinou os limites do conhecimento científico —, a Triennale Milano agora convoca as comunidades cultural, científica e artística globais a confrontar a questão urgente da desigualdade.
Em uma época na qual o risco de extinção de espécies, guerras e desequilíbrios geopolíticos crescentes pairam sobre o nosso futuro, Inequalities propõe lançar um novo olhar sobre a esfera das relações humanas e as crescentes desigualdades que a atravessam.
Rota do Pérola - Muharraq. Imagem via Shutterstock - Kirk Fisher
O Reino do Bahrein tem ganhado grande destaque recentemente por suas contribuições arquitetônicas globais na Expo 2025 em Osaka, com o pavilhão Anatomy of a Dhow, de Lina Ghotmeh; e na Bienal de Veneza, onde a exposição Heatwave recebeu o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional. Contudo, nos últimos anos, cidades do Bahrein como Muharraq têm servido de palco para que arquitetos e arquitetas regionais e internacionais explorem a arquitetura típica do Golfo Pérsico e deixem suas próprias marcas nos sítios locais. É por meio de projetos de Leopold Banchini, Anne Holtrop ou Valerio Olgiati que o passado ganha nova vida, em consonância com os esforços das autoridades locais e de figuras do meio cultural.
Aeroporto Internacional de Tampa. Imagem cortesia de Hensel Phelps e HNTB, em associação com Gensler
De Bangkok a Billund, uma nova onda de anúncios de projetos de arquitetura está remodelando a forma como os espaços de trabalho, cultura, mobilidade e vida pública são concebidos. Na Noruega, na Tailândia, nos Estados Unidos, na Dinamarca e na Austrália, essas propostas refletem uma ênfase cada vez maior na integração tecnológica, na construção sustentável e em ambientes flexíveis e preparados para o futuro. Seja projetando polos de produção para profissionais de criação digital, campi de mídia adaptáveis ou paisagens cívicas repletas de história e intenção ecológica, cada proposta oferece uma visão de como a arquitetura está evoluindo para dar suporte a indústrias emergentes, programação cultural e novas formas de engajamento público. Esta edição do Architecture Now reúne uma seleção de projetos anunciados recentemente que destacam a interseção entre design, tecnologia e inovação em um contexto global.
Telhas de argila vermelha estão presentes em diversas tradições arquitetônicas ao redor do mundo, mesmo em culturas geográfica ou historicamente distantes. No entanto, isso não chega a ser uma surpresa. A argila é um material de construção abundante e acessível em todo o mundo, com alguns estudos e outras fontes sugerindo que ela compõe aproximadamente de 10% a 13% dos solos do planeta. As telhas vermelhas, em especial, costumam ser o resultado da composição mineral do solo local e do processo de queima. Seu uso disseminado em regiões sem conexão direta deve-se menos a uma influência cultural compartilhada e mais a uma lógica material: a argila é barata, durável e fácil de trabalhar com ferramentas e técnicas simples. No Vietnã, por exemplo, há uma tradição singular e marcante no uso de telhas de argila que remonta a séculos. Regiões como Vinh Long, apelidada de "reino da cerâmica vermelha", dispõem de uma abundância desse material, o que sustenta uma longa história de fabricação de telhas. Em algumas partes do Vietnã, essas peças são conhecidas como telhas Yin-Yang, devido ao formato côncavo e convexo que assumem durante a produção.
A crise habitacional, a necessidade de políticas eficazes de gestão do solo e a crescente demanda por auxílio à habitação são desafios globais, e a Espanha tem dado passos significativos para enfrentar essas questões nos últimos anos. Embora esse esforço esteja intimamente ligado à reabilitação de edifícios obsoletos, ele também aborda os desafios do adensamento e da gentrificação. Esses fatores impulsionaram a exploração de novos modelos de habitação e modos de vida, resultando no desenvolvimento de edifícios residenciais acessíveis, projetados para acolher um grande número de habitantes, sem abrir mão de padrões elevados de qualidade de vida.
NDSM Lusthof / Studio Ossidiana. Imagem cortesia de Studio Ossidiana, Riccardo de Vecchi
À medida que a instabilidade climática reformula as prioridades projetuais, a arquitetura é cada vez mais atraída para os debates ecológicos, não como espectadora, mas como participante. Entre os conceitos que ganham força está o de rewilding (ou renaturalização), uma prática fundamentada na restauração de ecossistemas autossustentáveis por meio da reintrodução da biodiversidade, da remoção de barreiras e do reequilíbrio da presença humana na paisagem. Embora frequentemente associado à biologia da conservação, o rewilding também abre novos imaginários espaciais e arquitetônicos — que desafiam as noções convencionais de permanência, autoria e uso.
A inovação está prosperando em todo o mundo — e os resultados mais recentes do A' Design Award & Competition deixam isso claro. A edição de 2024–2025 reconheceu 1.823 projetos notáveis de 115 países em 157 áreas criativas. Da arquitetura e design de produtos à moda e comunicação, esses trabalhos destacam o que acontece quando a imaginação se alia à maestria técnica.
Selecionados por um júri internacional de especialistas em design, os vencedores deste ano oferecem novas perspectivas e ideias ousadas. O A' Design Award vai além do mero reconhecimento — trata-se de celebrar o pensamento original e as mentes criativas que estão remodelando a maneira como interagimos com o mundo.
Inaugurado em outubro de 2024, o Cemitério de Järva oferece a todas as pessoas, independentemente de credo ou crença, um espaço de memória, dando continuidade à longa tradição histórica de sepultamentos em Estocolmo. Após superar significativos obstáculos de planejamento, o local, projetado por Kristine Jensen Tegnestue e Poul Ingemann, foi criado para receber sepultamentos e cerimônias fúnebres, dispondo de opções para caixões, urnas, bosques de cinzas e uma floresta memorial. Durante a última edição do Open House Stockholm, o público pôde explorar as paisagens naturais do entorno e se conectar com o espaço.
Comparação entre Ghibli e Disneyworld. Imagem via J-LIGHTS / Koichiro Itamura e Theme Park Tourist no Wikipedia sob licença CC BY 2.0
No que diz respeito a projetar para a imaginação infantil, o panorama da arquitetura apresenta duas filosofias distintas. A Disneyland e o Studio Ghibli, ambos mestres na narrativa imaginativa, representam essa divisão fundamental. Suas abordagens, longe de serem casuais, refletem visões divergentes sobre como as crianças vivenciam e interagem com o espaço. Um dos modelos proporciona o espetáculo de uma fantasia construída, ao passo que o outro oferece uma paisagem propícia para uma magia latente. Esses dois modelos colocam os/as arquitetos/as diante de uma escolha fundamental ao abordar esse tipo de projeto: desenhar espaços que atendam à necessidade inata da criança por descobertas sensoriais e pessoais, ou criar uma fantasia que dialogue com sua capacidade crescente de compreender narrativas e espaços mais complexos.
Forte de Mehrangarh, Jodhpur, Rajastão, Índia. Foto por Sanhitasinha. Licença Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International
Os palácios e antigos armazéns coloniais da Índia estão testemunhando um novo tipo de restauração, que ocorre abaixo da superfície. De suportes discretos de aço embutidos atrás de alvenarias centenárias a sensores digitais inseridos em tetos com afrescos, a tecnologia está remodelando silenciosamente a forma como o patrimônio histórico é protegido para o futuro. Essas intervenções focam mais na precisão sutil do que no espetáculo — verdadeiras maravilhas invisíveis da engenharia.
À medida que o mundo avança em direção ao reúso adaptativo, profissionais de arquitetura e engenharia enfrentam o desafio constante de tornar as estruturas históricas seguras para o acesso público, mantendo ao mesmo tempo a autenticidade de sua arquitetura. Seja na modernização de palácios para um resfriamento eficiente ou no reforço sísmico de antigos armazéns vitorianos, o objetivo vai além da preservação: trata-se da coexistência inteligente entre o antigo e o novo.
O Juneteenth, celebrado anualmente em 19 de junho, comemora a emancipação dos afro-americanos escravizados nos Estados Unidos, marcando um momento de libertação e reflexão sobre uma história complexa e frequentemente negligenciada. Originalmente celebrado no Texas, o Juneteenth passou a simbolizar temas mais amplos de liberdade, resiliência e identidade cultural, promovendo debates sobre justiça e representatividade. Este dia também se apresenta como uma oportunidade para destacar as formas pelas quais a arquitetura pode servir como um meio de preservar e apresentar a história e os valores culturais afro-americanos.
Para além de suas qualidades funcionais e estéticas, a arquitetura pode refletir e reunir narrativas, valores e histórias ocultas, conferindo uma presença tangível e visual a comunidades que costumam ser sub-representadas nas paisagens urbanas. Edifícios dedicados à história e cultura afro-americanas tornam-se marcos físicos que ancoram essas narrativas no cotidiano das cidades. Funcionam como locais de aprendizado, reflexão e celebração, gerando espaços significativos que engajam o público e fortalecem o sentido de identidade comunitária.
Quase três anos após a inteligência artificial capturar a atenção do mundo, a arquitetura ainda busca um terreno firme nessa discussão. Entre declarações categóricas e testes cautelosos, profissionais da área ainda se questionam se — e como — a IA está de fato transformando a prática cotidiana.
Um novo white paper da Chaos aborda essa questão por meio de entrevistas com profissionais da área e de uma profunda pesquisa interna, revelando como a tecnologia começa a remodelar a produtividade, a autoria e a identidade criativa em todo o setor.
O white paper oferece um olhar aprofundado sobre onde a IA gera valor, onde deixa a desejar e como arquitetos e arquitetas podem navegar pelo que vem a seguir.
Em 2025, os projetos de design de maior impacto na Índia desenrolaram-se, em grande parte, longe dos olhos do público. Enquanto a atenção pública convergia para museus, marcos culturais e fachadas de forte apelo visual, a arquitetura que moldou de forma mais decisiva a vida cotidiana situava-se no subsolo, nas franjas urbanas ou no interior de complexos de segurança que poucos habitantes chegariam a adentrar. Redes de esgoto foram reconstruídas, túneis de escoamento de enchentes foram escavados sob bairros densos, subestações foram elevadas acima de planícies de inundação e data centers se multiplicaram pelas paisagens periurbanas. Estas não eram obras periféricas de engenharia; eram os sistemas espaciais que permitiram às cidades indianas manterem-se funcionais sob ondas de calor recordes, monções erráticas e um crescimento urbano acelerado.
Na histórica Stone Town, a principal cidade de Zanzibar, na Tanzânia, a história de um edifício de cinema e sua iminente restauração reflete tanto a história da cidade quanto a própria trajetória das salas de cinema em geral. O início do século XX testemunhou o surgimento da construção de cinemas, com um auge em meados do século, seguido por um declínio decorrente da concorrência com os multiplexes e a televisão doméstica. Embora muitos tenham sido demolidos ou alterados de forma irreversível, outros tantos permaneceram abandonados, como cápsulas do tempo de uma época passada. Eles constituem um registro instantâneo dos estilos e métodos arquitetônicos de seu tempo, funcionando como um lembrete de seu papel social. Restaurar e adaptar um cinema como o Majestic é um reconhecimento de seu valor patrimonial e comunitário.
Perspectivas internacionais são representadas através de destaques em países como o Brasil (acima) ou a Itália (abaixo). Fotos: Cortesia de Bell'Arte (acima) e Gaspare Asaro SRL (abaixo)
A ICFF retorna ao Javits Center de Nova York de 18 a 20 de maio deste ano com um senso de propósito renovado e uma perspectiva global. Sob o tema de 2025, 'Designing in Harmony' (Projetando em Harmonia), a feira se propõe a explorar como o design pode construir pontes — entre materiais e métodos, culturas e climas, passado e futuro.
Em uma época na qual o equilíbrio parece difícil de alcançar, a ICFF busca criá-lo por meio de uma curadoria de mobiliário, iluminação, objetos e debates sobre regeneração, resiliência e colaboração, apresentados como diretrizes práticas. A Architonic conversou com as diretoras de marca da ICFF, Odile Hainaut e Claire Pijoulat, antes da feira, para detalhar essa linha condutora e antecipar o que mais esperar do evento.
A arquitetura vernacular em Hong Kong originou-se como uma série de pequenos assentamentos costeiros — comunidades simples, semelhantes a vilas, que refletiam a identidade primordial da cidade como um polo pesqueiro. Essas vilas litorâneas eram tipicamente compostas por casas de baixa altura e estrutura de madeira, agrupadas ao redor de templos, formando comunidades coesas e intimamente ligadas aos ritmos das águas.
Um exemplo notável é Tai Hang, um dos primeiros assentamentos estabelecidos pelo povo Hakka em Hong Kong. Originalmente situada ao longo de um canal de água que descia das montanhas próximas em direção ao mar, a área servia como um ponto vital de lavagem para os moradores da vila — daí seu nome, que significa literalmente "Grande Drenagem". Antes de grandes obras de aterro marítimo, Tai Hang ficava muito próxima da linha de costa. Hoje, localiza-se a quase 700 metros terra adentro.