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De resíduos de pedra ao bambu: arquitetos/as indianos/as exploram o futuro do design regenerativo

O episódio de estreia da série do podcast Room For Dreams, produzida em colaboração com a INDX|GLOBAL, apresenta um painel de discussão envolvente focado em materializar o futuro sob a perspectiva da arquitetura indiana e do design. Gravada ao vivo na Milan Design Week 2026 e moderada por Claire Broadka, do designboom, a conversa reúne três nomes visionários da arquitetura: Rachna Agarwal, responsável pelo Studio IAAD e Zoera; Vaibhav Dimri, sócio-fundador da Anagram Architects; e Dinesh Panwar, da Urbanscape Architects.

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Cuidado Animal: 8 Hospitais Veterinários ao Redor do Mundo

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Em 2025, o mercado global de saúde animal movimentou cerca de 70 bilhões de dólares, e a projeção é de que esse número dobre até 2033. Por trás da cifra, no entanto, há também uma transformação silenciosa no espaço construído, sendo o hospital veterinário um exemplo disso. Esse programa que por décadas ocupou fundos de clínicas improvisadas e anexos de petshops, tem ganhado cada vez mais uma linguagem e identidade próprias. É a consolidação arquitetônica de um vínculo que já dura mais de 15 mil anos.

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Rumo ao Leste: O que o Festival Bread & Heart de Tirana revela sobre arquitetura e paisagem

Algo tem acontecido em Tirana para o qual o mundo da arquitetura ainda não encontrou uma linguagem adequada. Em questão de poucos anos, uma cidade com menos de um milhão de habitantes, em um dos países menos conhecidos da Europa, tornou-se o cenário de uma extraordinária concentração de ambição arquitetônica — um lugar onde escritórios que raramente trabalham na mesma cidade, quanto mais na mesma década, estão construindo simultaneamente, e onde as questões que preocupam a arquitetura contemporânea parecem surgir com uma urgência incomum.

A segunda edição do Bread & Heart Festival, realizada em Tirana de 3 a 5 de junho, reuniu mais de duzentos/as arquitetos/as, urbanistas, incorporadores/as e profissionais de toda a Europa, Américas, Ásia e outras regiões para discutir as "Paisagens de Abundância" (Landscapes of Abundance), um tema estruturado em torno da premissa curatorial de passar do retrato à paisagem, do edifício individual ao território como um todo. O público reunido ali seria difícil de replicar em qualquer outro momento do calendário da arquitetura: Francis Kéré, Jeanne Gang, Sumayya Vally, Pierre de Meuron, Bjarke Ingels, Reinier de Graaf, Stefano Boeri, Kersten Geers, Benedetta Tagliabue, Ma Yansong, entre outros/as.

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Como a ICFF 2026 une design, cultura e comércio em Nova York

Sob o tema Common Ground, a ICFF 2026 reuniu a comunidade internacional de design por meio de um foco compartilhado na excelência artesanal e na inovação. De 17 a 19 de maio de 2026, a ICFF (International Contemporary Furniture Fair) retornou ao Javits Center para uma edição histórica que celebrou a comunidade global de design durante o NYCxDESIGN.

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Quando a Função Encontra o Design: Higiene, Eficiência e Manutenção em Espaços de Banheiro

Da iluminação e dos materiais às cores, texturas e formas, cada decisão de projeto molda a maneira como as pessoas percebem, vivenciam e interagem com a arquitetura. Nos interiores contemporâneos, essas escolhas já não são compreendidas como meramente estéticas ou funcionais, influenciando o conforto, o comportamento, o humor e até mesmo a forma como quem utiliza o espaço avalia sua qualidade. O design de banheiros, em particular, cria hoje ambientes cuidadosamente concebidos e com uma identidade marcante, nos quais cada elemento contribui para a experiência espacial como um todo.

Como o design de banheiros influencia os sentimentos de quem o utiliza? Que intervenções ou inovações técnicas podem transformar a experiência de uso final?

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Projetando para Cidades Errantes: Arquitetura para Além do Humano

A arquitetura continua a desenhar as cidades como se os seres humanos as ocupassem sozinhos. Plantas traçam rotas de circulação, mapas de zoneamento atribuem funções e edifícios são avaliados de acordo com o conforto, a segurança e a eficiência humana. Caminhar por cidades na Índia e no Sudoeste Asiático, no entanto, revela algo muito mais complexo. Cães dormem sob barracas de mercado, macacos transitam por telhados, pássaros fazem ninhos em torres de templos e fachadas de mesquitas, e insetos polinizam paisagens urbanas, ocultos à vista de todos. Essas espécies estão integradas à vida urbana cotidiana com a mesma regularidade que os/as ocupantes humanos. Ruas, pátios, telhados, sistemas de drenagem, mercados e lotes baldios já são ocupados por múltiplas espécies simultaneamente. O pensamento arquitetônico, contudo, tem sido mais lento em incorporar essa realidade.

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Fazer cidade por meio da participação: lições do Utopian Hours 2026

Quem tem direito à cidade? Os escritos de Henri Lefebvre questionam as estruturas que controlam o espaço urbano e, em vez disso, colocam a população no centro das tomadas de decisão. Suas ideias influenciaram a maneira como a arquitetura e o desenho urbano são praticados, impulsionando a participação comunitária e o co-design. Estes têm sido alguns dos temas mais proeminentes no Utopian Hours 2026, o festival de desenvolvimento urbano, cuja primeira parte foi realizada na cidade holandesa de Roterdã para marcar sua edição de décimo aniversário.

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Guia de soluções para construir com madeira laminada cruzada (CLT)

No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando vários desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais da arquitetura e do design. Além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira contralaminada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.

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Guia de arquitetura de Vancouver: 20 projetos por trás da cidade mais habitável da América do Norte

Dando continuidade ao panorama das cidades da Copa do Mundo da FIFA 2026, chegamos àquela que é atualmente a cidade mais habitável da América do Norte: Vancouver. Apelidada de cidade de vidro pelo artista Douglas Coupland — em referência à estética arquitetônica predominante de aço e vidro em seu centro urbano —, a cidade apresenta, na verdade, uma arquitetura diversa, que vai de edifícios eduardianos do século XX a singulares projetos modernistas do século XXI.

Vancouver é conhecida por sua alta qualidade de vida e proximidade com a natureza. Embora isso tenha um custo elevado, a cidade oferece serviços de alto padrão e amplos espaços públicos e de lazer, refletidos em sua arquitetura. Há muitos edifícios corporativos e institucionais reaproveitados que ganharam uma nova vida como espaços públicos e de hospitalidade.

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Quando o modernismo encontra a resistência local: habitação e fricção urbana na América Latina

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A habitação moderna foi um dos campos em que o modernismo fez sua promessa mais audaciosa: a de que a arquitetura poderia remodelar não apenas a cidade, mas a própria maneira como as pessoas nela viviam. Como argumenta o historiador da arquitetura argentino Ramón Gutiérrez, a habitação popular é "o grande tema pendente, que geralmente não aparece nas histórias da arquitetura". Na América Latina, essa ausência é significativa. Ao longo do século XX, a expansão das cidades transformou a habitação em uma das vias mais evidentes para projetar a mudança urbana, e o modernismo penetrou não apenas em planos e desenhos, mas em apartamentos, bairros, ruas e rotinas domésticas.

No entanto, uma vez construídos, esses projetos inseriram-se em cidades moldadas pela política, pela memória, pela desigualdade e pelas dinâmicas mutáveis de ocupação. Seus significados deixaram de pertencer exclusivamente ao plano original, passando a residir nas formas como foram habitados, alterados e transformados ao longo do tempo. O que essa história revela não é uma mera adaptação, mas sim um atrito: o momento exato em que a arquitetura deixa de ser um modelo idealizado para se deparar com uma cidade que ela não consegue controlar plenamente.

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Diálogo com a Legislação: Calibrando Normas para o Reúso Adaptativo Prosperar

Há uma conscientização crescente em torno da sustentabilidade — e do custo ambiental de se demolir prematuramente edifícios seguros e estruturalmente íntegros apenas para substituí-los por novas construções. No esforço mais amplo para reduzir as emissões de carbono, corporações e instituições vêm dando maior ênfase ao desempenho ESG (impacto ambiental, responsabilidade social e governança). Muitas agora exigem inventários de carbono, definem metas "carbono neutro" ou compram créditos de carbono para compensar suas pegadas ecológicas.

Essa mudança, somada a uma onda de projetos exemplares de reúso adaptativo pelo mundo — como o Tai Kwun do Herzog & de Meuron em Hong Kong, o Powerhouse Arts no Brooklyn, o The Ned Doha de David Chipperfield e as transformações de fábricas, pedreiras e fortalezas de terra batida de Xu Tiantian na China —, acelerou uma revisão profunda do reúso como estratégia principal de desenvolvimento. No entanto, apesar de seus inúmeros benefícios, o reúso adaptativo ainda não é tão difundido quanto poderia ser. Por quê? E quais seriam os principais obstáculos e tensões envolvidos?

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Lógica Insular: Como o Terreno Molda a Arquitetura Costeira

As paisagens costeiras frequentemente determinam muito mais do que apenas as vistas. Encostas íngremes, formações rochosas fragmentadas, vegetação densa, enseadas escondidas e acessibilidade limitada podem moldar como a privacidade, a circulação e a ocupação se desenvolvem antes mesmo de a arquitetura intervir no local. A proximidade com a água e o clima tornam os territórios costeiros altamente desejáveis para a habitação; no entanto, sua sensibilidade ecológica e geografia restrita costumam exercer pressão sobre a forma como o desenvolvimento se materializa. Ao contrário das cidades, onde a densidade pode apoiar a caminhabilidade, a infraestrutura e a vida urbana coletiva, os territórios costeiros operam por meio de relações mais frágeis entre a terra, a vegetação e a água.

Ao longo de muitas faixas litorâneas, o desenvolvimento tende a priorizar a visibilidade e a proximidade com o mar, organizando o solo por meio de uma ocupação concentrada e de redes de circulação expandidas. Contudo, certos locais podem orientar uma abordagem diferente, na qual a própria geografia se torna a principal força organizadora. Como a arquitetura pode ocupar uma paisagem sem dissolver as qualidades que tornam o lugar singular? Localizado em uma península isolada na costa mediterrânea da Turquia, o Gokce Gemile Private Bay explora essa questão por meio de uma abordagem arquitetônica de baixa densidade, moldada pela geografia, pelo acesso controlado e pelo distanciamento espacial.

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Costurando Margens: Marinas como Instrumentos de Reconexão entre Cidade e Água

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As áreas de interface entre terra e água sempre exerceram papel fundamental na formação e no desenvolvimento das cidades. Dos antigos portos comerciais até as atuais orlas multifuncionais, as frentes marítimas e fluviais representam espaços de grande potencial econômico e social. Diante deste contexto, os complexos náuticos contemporâneos cada vez mais assumem o papel de equipamentos urbanos estratégicos, capazes de integrar diferentes atividades, promovendo a reaproximação entre a cidade e a água e contribuindo para a valorização de paisagens frequentemente subutilizadas.

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Uma era de renovações: 6 motivos pelos quais as membranas de cobertura podem prolongar a vida útil de estruturas existentes

As coberturas dos edifícios estão avançando por meio de um processo de otimização multidimensional que abrange inovações tecnológicas, novos materiais, eficiência energética e métodos construtivos mais rápidos. De coberturas verdes e sistemas de captação de água da chuva a painéis solares, profissionais da arquitetura contemporânea buscam equilibrar estética, desempenho, durabilidade e impacto ambiental em seus projetos. A reforma de coberturas não apenas prolonga a vida útil dos edifícios, mas também reflete um compromisso ecológico ao melhorar a eficiência e a sustentabilidade.

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Do resíduo à parede: bagaço de cana-de-açúcar como material de construção de baixo carbono

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De sistemas de revestimento acústico e térmico a blocos de alvenaria e tecidos produzidos a partir de resíduos agrícolas, a experimentação com materiais de base biológica continua a impulsionar soluções sustentáveis para a indústria da construção civil. Diante da necessidade urgente de repensar como concebemos e interagimos com os materiais que moldam o ambiente construído, profissionais, pesquisadores/as e educadores/as vêm abordando diferentes escalas de projeto e fases de planejamento, reconhecendo a importância de reduzir as emissões de carbono e o impacto ambiental do setor. Em parceria com o Projeto Bagaceira, o protótipo de painel acústico e térmico Sugarcrete®, desenvolvido pela University of East London (UEL), demonstra como o design de baixo carbono pode transformar resíduos agrícolas em materiais de construção de alto desempenho.

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Por que a adoção de software falha sem capacitação

Ao migrar da prancheta para a tela do computador, a digitalização de desenhos e documentações marcou a primeira fase da transformação digital nos escritórios de arquitetura. A segunda introduziu o BIM, conectando as informações do projeto por meio de plataformas em nuvem e fluxos de trabalho colaborativos. Hoje, surge uma nova fase, definida pela inteligência artificial, pela automação e por ecossistemas de software mais especializados. O paradoxo é que, enquanto as fases anteriores eram dominadas por um pequeno número de ferramentas, o cenário atual oferece uma abundância de soluções altamente especializadas, potencializadas por IA e frequentemente sobrepostas, que disputam a atenção dos profissionais. Embora a aquisição de novos softwares seja frequentemente a parte mais simples da transformação digital, o maior desafio reside em alterar fluxos de trabalho e comportamentos consolidados — razão pela qual muitas ferramentas novas enfrentam dificuldades para alcançar uma adoção duradoura.

Projetando para galinhas: repensando a forma como humanos e animais compartilham o espaço

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Durante séculos, as galinhas viveram ao lado das pessoas em assentamentos de todas as escalas, desde fazendas rurais e vilarejos até bairros urbanos densos. Em grande parte do mundo, a criação de galinhas faz parte da vida cotidiana, fornecendo ovos e carne para residentes, ou o controle de pragas para as terras agrícolas do entorno. As estruturas construídas para abrigar galinhas variavam de acordo com os materiais locais, o clima e as práticas culturais, no entanto, compartilhavam um propósito comum: criar um espaço onde galinhas e seres humanos pudessem coexistir. O galinheiro não é uma nova tipologia arquitetônica, tampouco uma resposta contemporânea à vida urbana. Trata-se, na verdade, de uma forma que se adaptou continuamente às mudanças nas condições sociais, ambientais e espaciais.

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Eletrodomésticos como elementos arquitetônicos: Projetando a cozinha contemporânea

A cozinha evoluiu de um espaço puramente funcional para um ambiente compartilhado e o coração de muitos lares. Servindo de cenário para os rituais diários de inúmeras famílias — e até mesmo para práticas coletivas na vida urbana —, a comida aproxima as pessoas, tornando o projeto de espaços que atendam a essas necessidades essencial para a vida cotidiana. Para além dos diversos layouts, estéticas e configurações de cozinha, a integração de eletrodomésticos e equipamentos desempenha um papel fundamental no suporte ao armazenamento, à conservação e ao uso diário exigidos pelo ato de cozinhar. De tecnologias inovadoras a materiais avançados, esses elementos moldam os espaços de cozinhas contemporâneas, unindo costumes e culturas de diferentes origens.

Mobiliário como Arquitetura: Micro-modernismos no Interior da Casa

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O modernismo é frequentemente vivenciado por meio da forma construída, de fachadas fotografadas, plantas canônicas, manifestos de concreto. Para a maior parte das pessoas, contudo, esse primeiro contato foi muito mais imediato. Foi uma cadeira em um escritório, uma estante em uma sala de estar, um volume compacto que reorganizou o sentar, o guardar ou o dormir. Muito antes de a arquitetura moderna poder ser amplamente encomendada, foi o mobiliário que adentrou o espaço cotidiano, trazendo consigo uma nova lógica de viver. A promessa modernista de transformar a vida era frequentemente cumprida por meio desses objetos menores e replicáveis.

Para compreender essa mudança, o mobiliário precisa ser interpretado como uma forma condensada de arquitetura, e não como mera decoração. Profissionais do design do início do século XX o tratavam exatamente dessa forma. Le Corbusier descreveu o mobiliário como équipement de l'habitation (equipamento da habitação), inserindo-o no sistema operacional do edifício, e não fora dele. Da mesma forma, a Bauhaus abordou cadeiras e mesas como protótipos industriais, incorporando princípios de padronização, eficiência e produção em massa em seus desenhos. Como argumenta a historiadora da arquitetura Beatriz Colomina, a arquitetura moderna não circulava apenas através de edifícios, mas por meio de mídias e objetos que traduziam suas ideias para a vida cotidiana. O mobiliário tornou-se arquitetura em miniatura: portátil, reproduzível e capaz de reorganizar o espaço sem reconstruí-lo.

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A arquitetura do mofo: o que os edifícios não podem controlar

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A arquitetura contemporânea aprendeu a celebrar a matéria viva. Painéis de micélio, sistemas de algas, paredes vivas — a vida agora é bem-vinda nos edifícios, sob a ótica da inovação. No entanto, a mesma disciplina que celebra esses organismos trata o mofo como contaminação. Ambos são biológicos. Ambos respondem à umidade, à temperatura e às condições dos materiais. A diferença não é científica; diz respeito a quais formas de vida a arquitetura está disposta a aceitar e quais prefere eliminar.

O mofo não se limita a edifícios abandonados ou interiores mal conservados. Ele surge em residências, escolas, escritórios, estruturas históricas e novas construções, nos mais diversos climas e contextos. Isso torna difícil ignorá-lo como um problema menor ou isolado. Se o mofo continua voltando, o que ele nos diz sobre os ambientes que os edifícios criam?

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Inteligência material: como o aço resiste às intempéries, à corrosão e ao tempo

Produzido em escala industrial desde o século XIX, o aço transformou profundamente a maneira como construímos. O ferro, refinado por meio de processos metalúrgicos controlados, deu origem a um material capaz de aliar resistência mecânica, leveza relativa e precisão construtiva, viabilizando algumas das maiores conquistas da engenharia e da arquitetura modernas. De arranha-céus e pontes a fachadas, coberturas e sistemas industrializados, poucos materiais tiveram um impacto tão significativo na configuração do ambiente construído.

Contudo, a qualidade de um material não pode ser medida apenas por seu desempenho estrutural inicial ou por sua aparência no momento da entrega. Embora os edifícios sejam frequentemente avaliados logo após a conclusão das obras, seu verdadeiro desempenho só se revela com o passar do tempo. Fotografias registram fachadas impecáveis, superfícies recém-instaladas e espaços prontos para o uso. As décadas seguintes, no entanto, expõem essas construções à radiação solar, chuva, umidade, salinidade, poluição atmosférica e variações térmicas. É nesse contato contínuo com o meio ambiente que as escolhas materiais são efetivamente colocadas à prova.

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Construindo na Lua: A estratégia arquitetônica da NASA para a habitação lunar permanente

Após o retorno da Artemis II à Terra, a NASA revelou um novo plano em fases para estabelecer uma base lunar. Embora a maior parte da atenção da mídia tenha se voltado para foguetes, orçamentos e competição geopolítica, uma questão mais sutil pairava em segundo plano para profissionais de arquitetura: como um ser humano pode realmente viver na superfície da Lua e por quanto tempo? O estabelecimento de uma presença humana permanente na Lua marca uma mudança fundamental na exploração espacial que exige um novo paradigma arquitetônico. Em sua apresentação, representantes da NASA sugeriram que a estratégia deixará de lado ambientes altamente restritos e dependentes de veículos em direção a estruturas autônomas, adaptáveis ao local e, eventualmente, permanentemente habitáveis.

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Drama Contemplativo: Como Gaudí Moldou a Luz e a Cor na Sagrada Família

É uma tarde de verão, e a nave da Sagrada Família está saturada de cores quentes. Feixes de âmbar e carmesim varrem o piso de pedra, mudam de posição conforme uma nuvem passa sobre Barcelona e, em seguida, ganham intensidade novamente. Ao seu redor, os/as visitantes desaceleram o passo sem perceber. Alguns elevam seus celulares — não para registrar a arquitetura, mas para entrar na própria luz, posicionando-se sob uma projeção laranja ou dourada como se as cores fossem algo que pudessem vestir.

Estão, sem saber, fazendo exatamente o que Gaudí pretendia: entregando-se, ainda que por um breve instante, à sensação de serem banhados por algo maior do que si.

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Quando as fachadas se tornam habitats: a arquitetura abrindo espaço para outras espécies

Quando pensamos em fachadas, raramente as imaginamos como habitats. Nós as vemos como os elementos que separam o interior do exterior, regulam a temperatura, atenuam ruídos e protegem as edificações das condições externas. Elas conferem à arquitetura sua linguagem visual, mas delas também se espera que mantenham o mundo exterior à distância. Com isso, as fachadas frequentemente acabam sendo compreendidas como barreiras: superfícies que definem onde começa o conforto humano e onde o meio ambiente deve ser mantido do lado de fora.

No entanto, o lado de fora de um edifício nunca está vazio. Durante séculos, a arquitetura involuntariamente criou oportunidades para outras formas de vida. Aves faziam ninhos sob as telhas, insetos ocupavam frestas em paredes de alvenaria e musgos ou plantas criavam raízes em beirais, calhas e superfícies ásperas de pedra. Essas condições raramente eram projetadas pensando em outras espécies, mas abriam pequenas brechas para que a vida as habitasse.

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