Projetada pelo escritório Kengo Kuma & Associates em colaboração com o Cornelius Vöge Atelier for Architecture e o Vilhelm Lauritzen Architects, a KAI Water Culture House tem abertura prevista para 5 de dezembro de 2026, em Papirøen (Paper Island), em Copenhague, na Dinamarca. O equipamento público de 5.800 m² reúne dez piscinas cobertas e ao ar livre, instalações de bem-estar, espaços culturais e acesso ao porto de Copenhague. Composto por cinco torres de tijolos sobre uma base envidraçada, o projeto integra natação, lazer e programação cultural como parte da transformação contínua da orla da cidade.
Ao caminhar pela orla de Barcelona, a linha da costa parece sempre ter estado ali: areia, palmeiras, um longo calçadão, restaurantes, lojas e hotéis modernos. No entanto, a realidade é que nem sempre foi assim. Até a década de 1980, a frente marítima de Barcelona era uma barreira ativa de linhas ferroviárias, fábricas e habitações informais, com águas residuais escoando diretamente para o Mediterrâneo. A partir de 1987, a cidade começou a criar continuamente grandes calçadões e passagens entre o tecido urbano e o mar, moldando um ambiente que hoje muitos podem interpretar como um espaço outrora vazio, mas que, na verdade, resulta de décadas de intervenções de infraestrutura e complexidade social, somadas a um esforço municipal para transformar o território urbano e sua relação com a água. Acompanhar essa transformação levanta três questões que estruturam este artigo: quem foi deslocado para abrir a orla, quem a governa hoje e quem a mantém de pé?
As terras conquistadas à água são frequentemente apresentadas como um novo solo: plano, disponível e pronto para a arquitetura. Elas prometem mais espaço às cidades onde a terra é escassa, permitindo-lhes estender frentes de água e construir distritos culturais. Em alguns casos, essas novas áreas conquistadas também se convertem em centros financeiros, dão origem a parques e projetam futuros além dos limites do território existente. No entanto, a terra conquistada nunca é apenas terra. Trata-se de uma superfície de engenharia, produzida por meio de aterros, diques, sistemas de drenagem e estabilização do solo — uma negociação de longo prazo com a água que ela afirma ter deslocado.
Isso faz da conquista de terras uma das fantasias espaciais mais poderosas e ambíguas da arquitetura. Por um lado, oferece liberdade: uma tábula rasa onde ruas e edifícios podem ser planejados praticamente do zero. Por outro, essa aparente liberdade esconde uma dependência. A terra construída deve constantemente se provar como solo firme. Ela precisa resistir a inundações, suportar fundações, nutrir árvores e sustentar a vida pública sobre um terreno que antes simplesmente não existia.
A água é vida. Animais, plantas, fungos e bactérias dependem dela: a água estrutura suas células, transporta seus nutrientes e abriga as reações químicas que os mantêm vivos. Mesmo as raras exceções confirmam a regra. Algumas sementes e esporos podem perder quase toda a sua água e entrar em uma dormência tão profunda que seu metabolismo quase para, mas é a água que os traz de volta. No sentido mais literal, a água nos conecta.
Mas ela também nos divide. A cada ano, milhares de pessoas deixam o Norte da África em barcos superlotados rumo a Lampedusa, buscando melhores condições de vida na Europa; mais de 30 mil pessoas morreram ou desapareceram no Mediterrâneo desde 2014. A água desenha fronteiras e controla fluxos. Antes do início da guerra no Irã, em fevereiro de 2026, o Estreito de Ormuz transportava cerca de 25% do petróleo bruto transportado por via marítima no mundo, com efeitos sentidos nos preços dos combustíveis bem longe do Golfo. A água também está no centro do debate ambiental, onde seu excesso pode ser tão letal quanto sua ausência. Inundações severas atingem cada vez mais os países que menos contribuíram para as emissões globais, enquanto os maiores poluidores continuam mais bem equipados para resistir. Se a água é vida, ela também pode significar a morte. Em última análise, a água é política.
Oslo, Noruega. Foto por Collection Maykova, via Shutterstock
Oslo é a capital e maior cidade da Noruega, servindo como o centro político, econômico e cultural do país. Situada na cabeceira do Fiorde de Oslo e cercada por colinas florestais, abriga cerca de 700.000 pessoas em sua área urbana, com mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana. Fundada há cerca de mil anos, Oslo tem uma longa história como entreposto comercial e sede administrativa. No entanto, grande parte de seu caráter moderno foi moldada depois que um grande incêndio no século XVII levou a uma reconstrução completa sob o domínio dinamarquês, época em que foi temporariamente rebatizada de Cristiania. Hoje, a cidade figura constantemente entre as mais habitáveis do mundo, valorizada por sua harmonia entre a vida urbana e o fácil acesso à natureza.
A construção do William and Charlotte Bloomberg Public Science Common, o novo espaço do Museu de Ciência de Boston — uma das instituições científicas mais antigas dos Estados Unidos —, está em fase de conclusão. O edifício de 929 m², projetado por William Rawn Associates, Architects, Inc., tem abertura prevista para o público em 10 de outubro de 2026, seguida por um evento comemorativo no dia 28 de outubro. Com vista para o Rio Charles e para o horizonte de Boston , o novo espaço cívico envidraçado conta com paredes móveis e assentos retráteis que permitem alternar entre diferentes funções e programas. O espaço foi projetado para apoiar o diálogo público sobre as ciências, utilizando mídias imersivas, tecnologia de produção e transmissão ao vivo para alcançar públicos além dos limites da cidade.
O Belvedere de Louisville, no Kentucky, é um ponto de encontro com 53 anos de história, palco de concertos, festivais e eventos comunitários. A praça de concreto suspensa foi construída sobre a maior estrutura de estacionamento da cidade e se estende sobre um importante viaduto de rodovia. Desde 1973, o local funciona como um espaço cívico à beira-rio para eventos e grandes aglomerações, mas seu uso como espaço público cotidiano está em evidente declínio. Em seu estado atual, o espaço carece de sombra, áreas verdes e infraestrutura de lazer, enquanto a laje de concreto sofreu com o desgaste ao longo dos anos. Em fevereiro de 2025, o Heatherwick Studio revelou as primeiras imagens de sua visão para transformar o Belvedere, um projeto encomendado pelo prefeito da cidade e pelo Governo Metropolitano de Louisville. Esta semana, o escritório divulgou novas imagens do redesenho, que propõe um espaço aberto, verde e flexível integrado ao centro de Louisville.
O projeto do pavilhão de exposições e do parque da Shenzhen Bay Culture Square, desenvolvido pelo escritório MAD, de Ma Yansong, teve início em 2018, com a etapa de projeto finalizada em 2020. O edifício de 188.000 m² ocupa um terreno de aproximadamente 51,000 m² à beira-mar, no coração de Houhai, no distrito de Nanshan — polo corporativo da Greater Bay Area de Shenzhen. O plano diretor da área, que inclui o Pavilhão de Design Criativo, o Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen e uma ampla área verde pública, foi anunciado pelo MAD em 2020 com previsão de conclusão para 2023. Após oito anos de trabalho, a obra, liderada por Ma Yansong, Dang Qun e Yosuke Hayano, está concluída e servirá como um equipamento cultural voltado ao design e ao intercâmbio cultural.
O Centro de Exposições e Espetáculos de Songshan Lake, projetado pelo escritório ZHA em colaboração com o Beijing Institute of Architectural Design, é um novo complexo cultural e esportivo na cidade de Dongguan , na China. O edifício está localizado na Zona de Desenvolvimento Industrial de Alta Tecnologia da cidade, um polo de inovação tecnológica e ciência estabelecido em 2001 como um centro de pesquisa, desenvolvimento e manufatura de alta tecnologia. Com uma área construída total de 45.000 metros quadrados, o novo centro cultural foi projetado para ser uma âncora cívica e cultural para a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau (GBA). A construção do edifício à beira-rio teve início em 2021, e o complexo foi inaugurado oficialmente em 30 de março de 2026.
O escritório de paisagismo e desenho urbano SLA revelou o projeto para o espaço público e as vias urbanas de uma nova comunidade de 39,8 hectares à beira-mar em Toronto. O projeto de paisagismo urbano "Ookwemin Minising" está localizado em Port Lands, um distrito industrial e recreativo a sudeste do centro de Toronto, que atualmente passa por uma revitalização urbana para transformar a antiga zona industrial em um vale fluvial renaturalizado, bairros de uso misto e parques públicos. A transformação geral está sendo liderada pela Waterfront Toronto, uma corporação sem fins lucrativos financiada por recursos públicos, fundada em 2001 para supervisionar a regeneração da área, como parte de uma iniciativa governamental mais ampla para renaturalizar áreas urbanas e aumentar a densidade habitacional. Espera-se que a reurbanização de Ookwemin Minising seja concluída em fases entre 2031 e 2040.
MVRDV e OODA revelaram um novo plano diretor para a regeneração de uma área vaga de 28 hectares entre Marvila e Beato, na frente ribeirinha de Lisboa. Recentemente aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa, o projeto foi desenvolvido em colaboração com o escritório LOLA Landscape Architects e a empresa de engenharia Thornton Tomasetti para transformar a área em um distrito urbano pautado pelo paisagismo. Sob o título *The Marvila Masterplan*, a proposta estabelece diretrizes para a implantação de 1.400 moradias, além de equipamentos públicos, espaços comerciais e de serviços, em um território fragmentado e majoritariamente abandonado. O projeto é uma iniciativa privada liderada pelo/a principal proprietário/a do terreno e desenvolvida em coordenação com a Câmara Municipal de Lisboa e a Infraestruturas de Portugal.
Nas últimas décadas, cidades de todo o mundo testemunharam um aumento na demolição de vias expressas elevadas de concreto. Taipé, Seul, Portland e Boston, por exemplo, vivenciaram a ascensão e a queda dessas infraestruturas para dar lugar a parques e a novas propostas de regeneração urbana. Em outros casos, como em Montreal, no Canadá, houve forte oposição popular às vias expressas antes mesmo de serem construídas, o que resultou no desvio de viadutos, na preservação do patrimônio e na liberação das vistas para a orla. Em São Francisco, nos Estados Unidos, a história da Embarcadero Freeway é uma dessas narrativas que servem como estudo de caso sobre a ambição infraestrutural de meados do século XX, a reação da comunidade ao projeto e sua eventual reversão em prol da conectividade urbana.
O UNStudio, em colaboração com Arup e a empresa coreana Heerim Architecture, revelou a proposta para a "Roda do Parque da Paz". Projetada como um marco no Parque da Copa do Mundo de Sangam, em Seul, o UNStudio venceu com sucesso a competição preliminar e está pronto para se associar à Seoul Housing & Community Corp. A proposta da roda-gigante faz parte da visão do prefeito para a região, que visa criar novos espaços públicos ao longo do Rio Han para os moradores e visitantes.
Em uma cidade, celebrar o ato de caminhar tornou-se uma forma de planejamento não convencional. Na era dos carros, ao longo de quase todo o século XX, desafiar a supremacia do transporte automotivo ao promover a experiência pedestre não era muito comum. Por essa razão, as passarelas para pedestres em todo o mundo se destacam como símbolos de conectividade e engenhosidade arquitetônica. Inicialmente concebidas como soluções práticas para o gerenciamento de tráfego, essas passarelas às vezes assumem o caráter de marcos icônicos e elementos cruciais no planejamento urbano.
A importância desses projetos representa uma mudança em direção ao design centrado no ser humano e paisagens urbanas. A Ponte Kusugibashi no Japão, reconstruída por Kengo Kuma & Associates, simboliza a resiliência, enquanto a Ponte de Seda na margem do rio em Hangzhou, destaca a conectividade urbana ao revitalizar a área ribeirinha. A Ponte para Tráfego Lento na Área Central de Dongguan aborda questões de conectividade e áreas verdes, e a Ponte Vlasburg da SBE NV dedica-se a aprimorar as rotas aquáticas para a comunidade. Coletivamente, essas passarelas impulsionam a revitalização urbana para o futuro, enfatizando sustentabilidade e integração com as necessidades da comunidade.
Locais bonitos com vistas incríveis ao longo das orlas de grandes cidades são frequentemente negligenciados devido aos vestígios industriais de uma economia passada baseada no transporte marítimo e manufatura. A transição desses setores econômicos e o potencial desses locais têm levado à adaptação desses espaços para uso público. Enquanto algumas cidades optaram por demolir e começar completamente do zero, a transformação do Brooklyn Bridge Park na orla marítima da cidade de Nova York incluiu a preservação de parte de seu caráter industrial. No livro "Brooklyn Bridge Park", os arquitetos do escritório Michael Van Valkenburgh Associates discutem seu processo projetual que incorporou a materialidade e as estruturas existentes dos píeres para contar a história do lugar.
O escritório MAD Architects apresentou o plano de renovação para o depósito "Wanmicang" localizado no extremo sul da Fábrica de Cimento Zhangjiang, em Xangai. Esta transformação converterá o edifício em um espaço público multifuncional à beira-mar destinado à cultura, criatividade e comércio. Embora o projeto preserve a essência do antigo local industrial, adiciona um elemento inovador na forma de um volume metálico em forma de arca "flutuante", criando um contraste distinto entre as estruturas antigas e as novas. A conclusão do projeto está programada para o ano de 2026.
Carlo Ratti Associati divulgou o projeto de transformação da histórica orla fluvial de Turim, na Itália. O principal objetivo do projeto é enfrentar a atual crise climática e utilizar soluções arquitetônicas para criar espaços que possam resistir às enchentes recorrentes do rio Po. Ao longo do projeto, muitos elementos arquitetônicos são cinéticos, permitindo que eles se elevem acima da água. "Flutuando Acima das Enchentes" cria novas soluções para adaptações climáticas urbanas e fornece insights sobre estratégias universais para vias navegáveis urbanas.