A indústria da construção civil, tradicionalmente dependente do uso intensivo de materiais naturais não renováveis, encontra-se em um momento decisivo para reavaliar seus processos e mitigar seu significativo impacto ambiental. Como atender à crescente demanda por infraestrutura, habitação, saúde e educação sem esgotar os recursos naturais? Embora as iniciativas de reciclagem estejam ganhando força, elas ainda se mostram insuficientes. Nesse cenário, surgem soluções mais inovadoras, que propõem o aproveitamento de resíduos agrícolas, como o bagaço da cana-de-açúcar, para criar alternativas sustentáveis e disruptivas para o setor.
Phyllis Lambert tem sido uma figura fundamental na preservação do patrimônio cultural do Canadá. Como arquiteta e defensora da conservação patrimonial, Lambert deixou uma marca indelével em Montreal e em outras cidades ao redor do mundo. Suas contribuições para o cenário arquitetônico de Montreal não devem ser avaliadas apenas em termos de edifícios individuais, mas sim pela perspectiva da cidade como um todo. Ela não apenas cofundou o Centro Canadense de Arquitetura (CCA), mas também ajudou a remodelar a forma como cidades como Montreal pensam sobre o patrimônio e sobre a importância das vozes da comunidade no planejamento urbano.
A evolução dos banheiros até sua configuração moderna remonta a civilizações antigas, como a otomana e a romana, nas quais o saneamento tinha grande importância cultural. Durante a Idade Média, contudo, as práticas de higiene pessoal entraram em declínio, atrasando o desenvolvimento do saneamento até que o Renascimento resgatasse o interesse pela limpeza. Essa mudança abriu caminho para inovações fundamentais no século XVIII, incluindo sistemas de encanamento modernos que viabilizaram a ampla adoção de espaços sanitários modernos. Hoje, é inimaginável conceber um projeto de arquitetura sem incorporar essas instalações, o que evidencia o papel essencial da higiene e do bem-estar, atualmente muito vinculados aos avanços tecnológicos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140886/o-que-impulsiona-50-anos-de-inovacao-em-secadores-de-maosEnrique Tovar
Os devastadores incêndios florestais em Los Angeles causaram destruição generalizada, desalojando milhares de pessoas e tornando necessária uma reconstrução rápida e eficiente. Dois decretos executivos foram emitidos para acelerar o processo, um pela prefeita de Los Angeles, Karen Bass, e outro pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom, ambos com o objetivo de eliminar barreiras regulatórias significativas e agilizar as aprovações de projetos.
A demolição do Hotel Jugoslavija, um exemplo notável da arquitetura modernista em Belgrado, teve início, abrindo caminho para novos empreendimentos na paisagem urbana em rápida transformação da cidade. Construído em 1969 em Nova Belgrado, o hotel já foi um dos maiores e mais proeminentes da Europa, refletindo as aspirações da República Socialista Federal da Iugoslávia (RSFI) em seu auge. Projetado pelo arquiteto de Zagreb Lavoslav Horvat, o edifício de oito andares foi um projeto fundamental sob a liderança de Josip Broz Tito. A obra exibia os princípios modernistas da época, aliando funcionalidade a formas arquitetônicas imponentes. Seus interiores apresentavam detalhes luxuosos, incluindo um lustre Swarovski composto por 40 mil cristais, que realçava a importância do edifício como símbolo da presença internacional da Iugoslávia.
Os museus e centros culturais ocupam uma posição única na sociedade como espaços de aprendizado, comunidade e conexão. Eles servem como plataformas para preservar a história e engajar o público com novas ideias e perspectivas. A arquitetura desempenha um papel fundamental na formação dessas experiências, proporcionando a estrutura física e emocional que aprimora a forma como as pessoas interagem com a arte, a cultura e entre si. De estruturas monumentais a projetos mais íntimos, esses edifícios culturais têm o potencial de refletir identidades locais, defender a sustentabilidade e inspirar visitantes, ao mesmo tempo que criam marcos culturais duradouros.
De Los Angeles a Turku e Vinh Long, esta seleção de projetos conceituais de museus e centros culturais enviados pela comunidade do ArchDaily destaca a diversidade e a criatividade de propostas não construídas. Todos os meses, a equipe editorial do ArchDaily seleciona um conjunto de projetos conceituais focados em um tema ou programa específico, enviados por arquitetos e arquitetas de todo o mundo. Nesta seleção, as propostas variam desde a expansão de um museu infantil nos Estados Unidos até um museu agrícola sustentável no Vietnã, demonstrando como a arquitetura pode responder a contextos locais distintos ao mesmo tempo que promove temas universais de educação, ludicidade e descoberta. Seja celebrando o patrimônio arqueológico no Chipre ou reimaginando espaços públicos na Finlândia, esses projetos exploram como os museus podem funcionar como polos culturais que engajam e transformam suas comunidades.
Durante décadas, o ciclo de vida dos edifícios seguiu uma fórmula simples: planejamento, projeto, construção, demolição e, claro, o grande vilão dessa história: o aterro sanitário. Com o tempo, a prática arquitetônica passou a incorporar conceitos como reuso, desmontagem e demolição circular — contudo, frequentemente como elementos secundários, integrantes de uma transição gradual em direção a uma economia circular na construção civil. Mas e se esses princípios deixassem de ser exceções? E se projetássemos ou escolhêssemos cada componente construtivo para manter seu valor e propósito muito além do uso original? A verdade é que existe vida após a demolição. Essa transição — da demolição para práticas focadas em reuso, ressignificação e desmontagem sustentável — está cada vez mais próxima da realidade. Até a chegada de 2030, poderemos remodelar fundamentalmente nossa abordagem sobre os processos, os edifícios e o próprio mercado. À medida que essas mudanças se desdobram, torna-se essencial avaliar como nossas estratégias se alinham às metas e aos desafios em constante evolução relacionados à sustentabilidade — e, evidentemente, às novas oportunidades que surgem com eles.
https://www.archdaily.com.br/pt/1142725/e-se-cada-tijolo-tivesse-um-futuro-repensando-a-demolicao-e-o-reuso-de-materiais-na-economia-circularEnrique Tovar
Arquitetos/as de todo o mundo estão convidados/as a participar do concurso "Best House in the World", uma nova competição internacional criada para descobrir e premiar projetos de arquitetura residencial inovadores que ainda não foram construídos e seguem em fase de desenvolvimento. A marca inHAUS, com o patrocínio de Geberit, Porcelanosa, Schüco, Joquer e S&P, apresenta o desafio da construção industrializada para os projetos mais ousados e criativos. Trata-se de projetos reais, com clientes e terrenos reais, desenvolvidos por profissionais que buscam alcançar novos padrões de excelência e qualidade em suas construções residenciais. Desafie os limites com o inovador sistema de construção off-site da inHAUS!
O Danish Architecture Center (DAC) inaugurará em outubro de 2024 sua nova exposição, "Water is Coming", que permanecerá em cartaz até 12 de março de 2025. A mostra aborda a crescente crise global da água, impulsionada pelo derretimento do gelo polar, pela elevação dos níveis do lençol freático e por inundações cada vez mais frequentes e intensas. Diante da realidade do aumento do nível do mar e de eventos climáticos extremos, a exposição desloca o foco da mitigação para a adaptação. O objetivo é promover uma compreensão mais profunda de nossa complexa relação com a água, explorando seu papel vital tanto como recurso essencial à vida quanto como uma ameaça potencial aos assentamentos humanos.
Em uma série de fotos marcantes, Paul Clemence registrou o Bioparque Pantanal, também conhecido como Aquário do Pantanal, um projeto arquitetônico concluído recentemente em Campo Grande, no Brasil, projetado por Ruy Ohtake. Localizada dentro do Parque das Nações Indígenas, um dos maiores parques urbanos do país, a estrutura funciona como um polo de exploração cultural, científica e ecológica no estado de Mato Grosso do Sul. A fotografia de Clemence destaca a interação entre o desenho arquitetônico do aquário e o ambiente ao seu redor, proporcionando um registro visual da forma, dos materiais e da organização espacial do projeto.
Inaugurado em outubro de 2024, o Cemitério de Järva oferece a todas as pessoas, independentemente de credo ou crença, um espaço de memória, dando continuidade à longa tradição histórica de sepultamentos em Estocolmo. Após superar significativos obstáculos de planejamento, o local, projetado por Kristine Jensen Tegnestue e Poul Ingemann, foi criado para receber sepultamentos e cerimônias fúnebres, dispondo de opções para caixões, urnas, bosques de cinzas e uma floresta memorial. Durante a última edição do Open House Stockholm, o público pôde explorar as paisagens naturais do entorno e se conectar com o espaço.
Muito antes de a humanidade construir seus primeiros abrigos permanentes, ela descobriu o poder protetor das peles de animais como barreira contra as condições climáticas adversas. Esse princípio fundamental de construir com materiais flexíveis influencia a arquitetura contemporânea, embora muitos dos precedentes históricos tenham se perdido no tempo. Os tecidos serviram como os primeiros elementos arquitetônicos da humanidade, antecedendo métodos de construção antigos, como a alvenaria de pedra. A relação entre os têxteis e o abrigo moldaria toda a história da arquitetura, desde os assentamentos pré-históricos até os arranha-céus modernos. Que lições essas origens ancestrais da arquitetura podem oferecer para os futuros avanços no projeto de edifícios?
Nas últimas duas décadas, o Holcim Foundation Awards destinou US$ 20 milhões para destacar projetos transformadores desenvolvidos por profissionais de arquitetura, design e engenharia que lideram práticas pioneiras de design e construção sustentável. Para registrar essas trajetórias, a Fundação lançou uma série de curtas-metragens intitulada Words withWinners.
A série oferece um olhar aprofundado sobre projetos premiados de design sustentável por meio de entrevistas exclusivas com suas equipes de criação. O primeiro filme apresenta o campus da Universidade BRAC, concluído recentemente em Dhaka, e traz uma entrevista exclusiva com Wong Mun Summ, arquiteto/a líder e cofundador/a do WOHA, escritório de Singapura especializado em construções verdes.
Maria Lisogorskaya e Kaye Song do Assemble: Atelier LUMA 2023 Lot 8 Le Magasin Electrique. Foto @ Joseph Halligan. Imagem cortesia de Bauhaus Earth
Maria Lisogorskaya e Kaye Song, do coletivo londrino Assemble, juntamente com a dupla de arquitetura de Lviv, Anna Pomazanna e Mykhailo Shevchenko, foram anunciadas como as pessoas selecionadas para as bolsas de pesquisa experimental de 2025 da Bauhaus Earth. Escolhidos entre 120 propostas, seus projetos explorarão a terra como material na arquitetura contemporânea. O programa anual de bolsas da Bauhaus Earth (Bauhaus Earth Fellowship) foi estabelecido em 2022 pela arquiteta e professora Regine Leibinger. Seu objetivo é apoiar projetos diversos que investigam novos modos de prática em diferentes geografias, contribuindo para a resiliência ecológica e social. Os e as participantes recebem apoio financeiro, mentoria e acesso a uma rede que incentiva a colaboração entre profissionais de arquitetura, fabricantes e agentes locais.
Ao encerrarmos o capítulo de 2024, uma análise dos projetos no extenso banco de dados do ArchDaily destaca algumas tendências marcantes de design de interiores que definiram o ano. Entre elas está o uso do aço inoxidável, frequentemente combinado com concreto e tons de cinza, criando interiores com uma elegância industrial refinada. Este artigo se aprofunda no crescente protagonismo do aço inoxidável como elemento de interiores, explorando suas aplicações, combinações e seu apelo cada vez maior, a despeito de percepções persistentes sobre sua natureza fria e industrial.
A Fondazione Teatro dell'architettura anunciou o escritório de arquitetura Al Borde (Equador) como vencedor do BancaStato Swiss Architectural Award 2024. Fundado em Quito por Pascual Gangotena, David Barragán, Maríaluisa Borja y Esteban Benavides, o Al Borde propõe uma abordagem coletiva de projeto e construção, prestando atenção especial às variáveis climáticas, à participação das comunidades locais, às técnicas tradicionais de construção e à inovação. Como a própria equipe afirma, o Al Borde“habita o território do questionamento, onde as certezas sobre o que deve ou não deve ser a arquitetura estão em constante construção”.
Fundado pela arquiteta senegalesa Nzinga Mboup e pelo arquiteto francês Nicolas Rondet, o Worofila é um estúdio dedicado à arquitetura bioclimática e ecológica. Com sede em Dakar, Senegal, o escritório explora o potencial de materiais vernaculares, como tijolos de terra e fibras vegetais, aplicando técnicas contemporâneas para criar soluções construtivas eficazes. Seu trabalho aborda questões fundamentais relacionadas ao meio ambiente, sustentabilidade e urbanização, unindo materiais tradicionais a práticas inventivas.
Nesta entrevista, Nzinga e Nicolas compartilham sua visão sobre uma modernidade africana distinta, que integra métodos contemporâneos com conhecimentos e recursos tradicionais. Eles defendem uma abordagem de desenvolvimento que não apenas atenda às necessidades imediatas, mas também empodere comunidades e promova um progresso significativo e duradouro. Suas ideias oferecem uma perspectiva instigante sobre como a arquitetura pode impulsionar um futuro mais sustentável e contextual para as cidades africanas.
A crise habitacional, a necessidade de políticas eficazes de gestão do solo e a crescente demanda por auxílio à habitação são desafios globais, e a Espanha tem dado passos significativos para enfrentar essas questões nos últimos anos. Embora esse esforço esteja intimamente ligado à reabilitação de edifícios obsoletos, ele também aborda os desafios do adensamento e da gentrificação. Esses fatores impulsionaram a exploração de novos modelos de habitação e modos de vida, resultando no desenvolvimento de edifícios residenciais acessíveis, projetados para acolher um grande número de habitantes, sem abrir mão de padrões elevados de qualidade de vida.
O recurso Animação de Fases (Phasing Animation) no D5 Render 2.9 redefine a maneira como profissionais apresentam projetos complexos. Ele simplifica a criação de visualizações dinâmicas e passo a passo, perfeitas para demonstrar etapas de construção, montagem de produtos e transformações paisagísticas. Com modelos predefinidos como Queda/Subida (Drop/Rise) ou Ascender/Descender (Ascend/Descend), usuários/as podem organizar objetos em sequência rapidamente, sem a necessidade de quadros-chave (keyframes) complexos. Isso facilita a ilustração de como uma estrutura é construída, como um produto é instalado ou de que forma os elementos crescem e evoluem em uma paisagem.
O escritório Stanton Williams foi selecionado para projetar o Fleming Centre, uma instalação de última geração voltada para a pesquisa e o engajamento público que será construída no campus do St Mary's Hospital em Paddington, Londres. Anunciado pelo Royal Institute of British Architects (RIBA), o projeto visa criar um polo global de colaboração e inovação para combater a resistência antimicrobiana (AMR), um grave desafio de saúde que afeta populações em todo o mundo. O Fleming Centre faz parte da Fleming Initiative, uma iniciativa mais ampla desenvolvida em parceria entre o Imperial College Healthcare e o Imperial College London.
Situado próximo às ruínas da Abadia de Fonthill, no interior da Inglaterra, o Pavilhão Upper Lawn — também conhecido como Pavilhão Solar — é um experimento de arquitetura experimental modesto, mas profundo, projetado por Alison e Peter Smithson. Construído entre 1959 e 1962 como um refúgio de fim de semana e laboratório de ideias, o pavilhão incorpora o ethos da dupla de economia, honestidade material e respeito pelo contexto, refletindo o espírito pioneiro do Novo Brutalismo.
A cuidadosa interação de Upper Lawn entre o novo e o existente é particularmente instigante. Construído sobre os remanescentes de uma casa de campo inglesa do século XVIII, o pavilhão reaproveita as espessas paredes de alvenaria da estrutura original, incorporando ao projeto elementos como o poço, as árvores e o gramado. Utilizando materiais pré-fabricados como madeira, vidro e alumínio, os Smithson construíram um espaço repleto de luz que se harmoniza com o entorno, materializando seu princípio de "arquitetura como encontrada" — conceito fundamentado em honrar e se adaptar às condições preexistentes em vez de se impor a elas.
A arquitetura religiosa na Ásia está evoluindo ao incorporar influências modernistas e, ao mesmo tempo, preservar sua essência espiritual. Linhas limpas, estética minimalista e materiais como o concreto, o aço e o vidro tornaram-se elementos comuns. Essas intervenções costumam substituir ou complementar a ornamentação complexa e os materiais naturais tradicionalmente associados aos espaços sagrados da região. Essa abordagem confere um apelo universal a essas estruturas, mantendo o respeito às suas bases culturais e espirituais.
Diversos exemplos destacam essa fusão entre tradição e modernidade. A Capela Cloud of Luster, no Japão, utiliza colunas esbeltas e abundante iluminação natural para criar uma atmosfera luminosa que evoca o Johnson Wax Building, de Frank Lloyd Wright. O Temple of Steps, na Índia, incorpora degraus em cascata que emulam os tradicionais Ghats, combinando simbolismo cultural com uma estética brutalista. De maneira semelhante, o Monastério Water-Moon, em Taiwan, adota concreto, linhas retas e espelhos d'água sob a influência direta dos Cinco Pontos da Arquitetura de Le Corbusier. Por fim, o Templo Budista Jetavana, na Coreia do Sul, e o Upper Cloister, na China, integram sua implantação à pedra e à encosta circundantes, estabelecendo paralelos com as casas do deserto de Wright. Em conjunto, esses projetos mostram como a arquitetura religiosa asiática vem redefinindo os espaços sagrados por meio de uma perspectiva modernista, sem deixar de honrar seu patrimônio tradicional.
Na manhã de terça-feira, incêndios florestais começaram em Pacific Palisades, um dos bairros mais ricos de Los Angeles. O fogo catastrófico deixou marcas profundas na infraestrutura e nos bairros de Los Angeles, assemelhando-se a um cenário de guerra na manhã de 8 de janeiro de 2025. Locais emblemáticos ao longo da Sunset Boulevard transformaram-se em cenas de devastação, com edifícios carbonizados. Mais de 2.000 estruturas foram destruídas, desalojando dezenas de milhares de moradores e moradoras e motivando apelos urgentes de pessoas que precisam acessar suas casas para recuperar medicamentos. Diversos hotéis em Los Angeles estão acolhendo as pessoas desabrigadas.