De 10 a 12 de junho de 2026, o 3daysofdesign retorna a Copenhague com uma programação que se estende por toda a cidade, englobando exposições, instalações, palestras e apresentações em showrooms organizadas sob o tema "Make This Moment Matter". Realizado em oito Distritos de Design na capital dinamarquesa, o festival deste ano reúne marcas de design, instituições culturais, estúdios e profissionais para explorar questões contemporâneas que moldam o design e o ambiente construído. Como parte da programação, o escritório Cobe e o ArchDaily realizarão o lançamento público de uma edição especial de Cobe Notes, sob o tema Thresholds, com edição convidada, no Cobe Bookcafé, em Nordhavn, no dia 10 de junho.
O artista, diretor e produtor australiano indicado ao BAFTA Liam Young cria mundos imaginários como uma forma de refletir sobre os futuros que tememos, desejamos e já estamos construindo. Como criador e designer de atmosferas, ele propõe paisagens especulativas que refletem as possibilidades de um mundo por vir, seja ele ideal ou verdadeiramente perturbador. Em sua prática de construção de mundos nas indústrias de cinema, televisão e videogames, a ficção torna-se uma ferramenta para navegar pelas urgências ambientais do presente. Ele é considerado um "futurista" que trabalha na intersecção de estratégias de design, cenários tecnológicos e imaginações coletivas, com base em suas pesquisas acadêmicas, mas alcançando um público mais amplo em exposições como "In Other Worlds" no Barbican Centre, em Londres, e "Age of Nature" no Danish Architecture Center, em Copenhague. Em fevereiro de 2026, ele foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner para o Louisiana Channel, onde compartilha suas visões sobre o nosso futuro: desde a consolidação da arquitetura como uma indústria boutique até a necessidade de um novo tipo de punk planetário na escala da crise climática.
Durante grande parte do século XX, a cultura arquitetônica foi moldada pela busca da leveza. Estruturas de aço e peles de vidro reduziram o envelope edificado a uma fina camada que separa o interior do exterior, enquanto as fachadas se tornaram superfícies lisas e contínuas onde as janelas eram recortadas como aberturas precisas em um plano abstrato. No entanto, durante séculos, os edifícios foram concebidos como corpos de massa; as paredes possuíam profundidade, as janelas eram recuadas em alvenarias espessas e o espaço era frequentemente vivenciado como algo esculpido a partir da solidez da construção. Nos últimos anos, diversos projetos contemporâneos parecem revisitar essa antiga lógica espacial, reintroduzindo a espessura como uma condição arquitetônica por meio de aberturas profundas, volumes monolíticos e envelopes pesados.
Essa transição não implica uma rejeição das tecnologias construtivas modernas, tampouco representa um retorno nostálgico a formas históricas. Em vez disso, reflete um interesse renovado na relação fundamental entre material, massa e vazio. Ao reintroduzir a espessura no vocabulário arquitetônico, essas obras reconectam a prática contemporânea a tradições consagradas em que o espaço era indissociável do peso e da profundidade da construção.
Um bloco residencial em Nova Belgrado parece ordenado quando visto de longe. Lajes de concreto se repetem com consistência disciplinada, janelas se alinham em malhas ritmadas e sacadas se sobrepõem com a confiança de um sistema seguro de si. No entanto, a proximidade altera essa leitura. Uma sacada é fechada com esquadrias de alumínio, outra é suavizada por um sombreamento improvisado. O isolamento térmico engrossa parte de uma fachada, enquanto roupas estendidas moldam outra extremidade como um estudo de elevação involuntário. O distrito ainda se revela planejado, embora a ocupação tenha tornado sua ordem menos uniforme. Dentro dessa ordem, a repetição foi gradualmente reescrita pela ocupação.
Em um setor definido por tolerâncias de engenharia e garantia de desempenho, o acabamento de interiores ainda depende de um processo que introduz variabilidade em cada projeto. Mesmo profissionais de aplicação experientes costumam depender de uma mistura baseada no julgamento subjetivo — estimando a proporção de água e ajustando pelo tato até que o material pareça maleável. Embora a habilidade reduza a variabilidade, ela não a elimina. O resultado é uma inconsistência inerente que se transfere diretamente para a superfície acabada.
Enquanto a Europa enfrenta uma das ondas de calor mais precoces e intensas dos últimos anos, o Dia Mundial do Meio Ambiente 2026 chega em meio a discussões renovadas sobre adaptação climática, resiliência urbana e a capacidade das cidades de responder a temperaturas cada vez mais extremas. Em Portugal, na França, na Itália, na Espanha, na Alemanha, na Suíça, na Irlanda e no Reino Unido, as temperaturas subiram muito acima das médias sazonais, provocando alertas de calor, fechamento de escolas, planos de contingência de emergência e uma preocupação crescente com o comportamento das edificações e da infraestrutura pública sob estresse térmico prolongado. A convergência desses episódios evidencia uma realidade cada vez mais global: as mudanças climáticas deixaram de ser apenas uma questão ambiental e passaram a ser um fator que reconfigura profundamente os espaços onde as pessoas vivem, trabalham e convivem.
BIG – Bjarke Ingels Group está perto de concluir o EVE Music Hall em Čepin, no leste da Croácia, projetado em colaboração com o SIRRAH projekt e o Theatre Projects. O projeto de 10.000 m² abriga uma casa de shows, instalações para congressos, áreas de exposição, um café e espaços para eventos na cobertura. O local deve receber concertos, conferências, exposições e atividades culturais, com capacidade para quase 4.000 pessoas em áreas cobertas e até 25.000 ao ar livre. O novo edifício cultural marca o primeiro projeto do escritório na Croácia e deve se tornar sua primeira casa de espetáculos musicais concluída, com previsão de entrega para o início de 2027.
As cidades modernas são movidas por indicadores de desempenho. Elas movem milhões de pessoas todos os dias, concentram capital, separam os usos do solo e sustentam sistemas complexos de logística e consumo. Nesse sentido, a cidade funciona como um sistema a ser continuamente ajustado e otimizado.
As métricas dominantes hoje são familiares e amplamente conhecidas: veículos por hora, tempos médios de deslocamento, coeficientes de aproveitamento, rotatividade de estacionamento, novos projetos habitacionais e receita tributária por lote. Esses números descrevem uma cidade legível por meio da eficiência. São herdados de uma lógica industrial, na qual o espaço urbano é tratado mais como um mecanismo de produção do que como um ambiente vivenciado. Sob essa perspectiva, as cidades começam a mimetizar as necessidades e métricas de uma máquina.
O que acontece quando a materialidade se torna a força motriz do design? Como uma infraestrutura cultural pode expressar sua própria identidade? O Pavilhão de Design da Espanha para a Capital Mundial do Design Frankfurt Rhein-Main 2026 reúne a inovação criativa do país para enfrentar desafios contemporâneos por meio de uma releitura do legado arquitetônico de Gaudí. Concebido como uma infraestrutura cultural reversível, o projeto ativa o espaço público ao mesmo tempo que amplia o debate sobre o uso de materiais, a circularidade e o reúso. Em vez de reproduzir formas históricas, o pavilhão adota uma abordagem contemporânea e operacional, destacando a colaboração entre a indústria, o design e a cultura espanhola aoexplorar princípios estruturais e construtivos enraizados na geometria, na eficiência material e na relação entre forma e sistema.
Esta semana, a dimensão cultural da arquitetura assumiu o papel principal através de uma série de novas plataformas, desenvolvimentos institucionais e projetos voltados ao público que expandem a forma como a disciplina é discutida, preservada e vivenciada. Desde o anúncio dos participantes da edição inaugural da Bienal Pan-Africana em Nairóbi e a revelação das intervenções urbanas do Festival Concéntrico em Logroño, até a abertura da nova sede de arquivos da La Biennale di Venezia no Arsenale, a arquitetura despontou como um vetor de pesquisa, intercâmbio e reflexão coletiva. Paralelamente a essas iniciativas, projetos como a expansão do Crystal Bridges Museum no Arkansas e a abertura do Serpentine Pavilion de 2026 demonstram como as instituições culturais continuam investindo em novos espaços de encontro e engajamento. A seleção desta semana abrange o Quênia, a Espanha, a Albânia, a Arábia Saudita, a Itália, o Líbano, o Reino Unido e os Estados Unidos, refletindo os diversos contextos nos quais as instituições culturais, eventos públicos e iniciativas arquitetônicas continuam a evoluir.
A arquitetura costuma ser avaliada pelo que é construído. No entanto, em muitos casos, o que realmente importa acontece depois: a forma como os espaços são usados, adaptados e integrados à vida cotidiana. Para o Región Austral, vencedor do prêmio 2025 Next Practices Awards do ArchDaily, é exatamente aí que o projeto começa. Trabalhando em múltiplos contextos, o escritório aborda o espaço público não como um objeto isolado, mas como algo que precisa ser ativado, negociado e mantido ao longo do tempo. Seus projetos focam menos na definição da forma e mais na criação de condições de uso, fazendo do projeto o ponto de partida.
Essa abordagem se manifesta em diferentes contextos, desde a Praça do Bairro Olímpico até a rede Playón de Chacarita. Embora cada projeto responda a uma situação específica, ambos exploram como o espaço público pode acolher a vida coletiva em áreas marcadas pela fragmentação e pela desigualdade. Em vez de adotar uma abordagem predefinida, o trabalho se adapta a diferentes condições urbanas, utilizando processos participativos e estratégias incrementais para moldar o funcionamento dos espaços ao longo do tempo.
Tanto em cidades quanto em paisagens, essas injustiças estão inscritas no tecido físico dos lugares, revelando, inclusive, disparidades extremas nas condições ambientais entre bairros e distritos. Bairros densos e com pouca cobertura vegetal, por exemplo, absorvem e retêm calor, expondo a população residente a taxas mais elevadas de enfermidades relacionadas ao calor. Rodovias, corredores industriais, portos e instalações de tratamento de resíduos concentram-se próximos a bairros de baixa renda e comunidades racializadas, moldando as condições de saúde, a qualidade do ar e do solo, e a segurança a longo prazo.
A arquitetura sempre dependeu de sistemas de representação para tornar as ideias visíveis antes de existirem. Contudo, se a perspectiva linear de Filippo Brunelleschi no século XV organizava o espaço segundo a percepção humana, hoje os/as arquitetos/as enfrentam uma saturação de imagens sem precedentes. A inteligência artificial gera atmosferas em segundos, e os projetos circulam continuamente muito antes do início da construção. Entretanto, a abundância de imagens não se traduz necessariamente em maior clareza e, à medida que os fluxos de trabalho na arquitetura se tornam mais rápidos e fragmentados, as representações visuais por vezes circulam desvinculadas das decisões, restrições e intenções que as geraram. O verdadeiro valor da visualização moderna já não se resume à renderização de uma imagem final; trata-se de como o projeto e a comunicação visual são compreendidos coletivamente ao longo de todo o processo.
Prêmio AlMusalla 2027 - Retrato do grupo, da esquerda para a direita: Jessam Al-Jawad (Al-Jawad Pike), Zeina Koreitem (MILLIØNS), Meriem Chabani (New South), Ali Ismail Karimi (Civil Architecture). Imagem cortesia de Diriyah Biennale Foundation
A segunda edição do The Bread & Heart Festival será realizada em Tirana, na Albânia, de 3 a 5 de junho de 2026. O evento anual é organizado pela The Bread & Heart Foundation e co-curado com a Cátedra NEWROPE de Arquitetura e Transformação Urbana da ETH Zürich. O objetivo da Fundação é oferecer uma plataforma aberta de diálogo sobre arquitetura, paisagem e desenvolvimento na Albânia, um país que passa por uma rápida transformação e está se tornando um dos ambientes urbanos mais ativos do Sudeste Europeu. O propósito do evento é conectar figuras internacionais da comunidade da arquitetura, como Francis Kéré, Jeanne Gang, Ma Yansong e Sumayya Vally, a profissionais locais, instituições e ao público em geral. Assim como em 2025, o festival ocorrerá no Book Building, projetado pelo escritório 51N4E e localizado na Praça Skanderbeg, reunindo os/as participantes sob o tema "Landscapes of Abundance" (Paisagens de Abundância).
O Serpentine Pavilion de 2026, intitulado "a serpentine", projetado pelo escritório de arquitetura LANZA atelier, com sede na Cidade do México, será aberto ao público em 6 de junho de 2026 no Serpentine South, em Londres.
Série Coya da Dornbracht, projetada por Sieger Design. Imagem cortesia de Dornbracht
Quando uma forma ainda é considerada circular ou retangular? No modernismo do século XX, essa pergunta praticamente não existia. A arquitetura se apoiava na clareza, na redução e na pureza formal. Sob a influência de arquitetos/as como Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe, o design modernista estabeleceu uma ordem visual baseada na geometria racional, em materiais industriais e na rejeição ao ornamento. Círculo e quadrado, função e expressão eram mantidos rigorosamente separados — uma lógica que ditou, por décadas, os layouts rígidos e modulares dos banheiros tradicionais.
A conversão de templos religiosos desativados por meio de programas culturais constitui uma das estratégias de reuso adaptativo mais instigantes no planejamento urbano contemporâneo. Essa compatibilidade funcional parece decorrer das características específicas das próprias igrejas: suas naves centrais oferecem plantas livres de grande escala e cortes monumentais que acomodam facilmente as exigências volumétricas de museus, teatros ou centros comunitários. Além disso, as propriedades acústicas inerentes aos seus tetos abobadados, combinadas com uma iluminação natural intencional filtrada por vitrais ou cúpulas, criam as condições espaciais para atividades que vão das artes cênicas à exibição de artefatos culturais. Ao assumirem um papel público e cultural, esses edifícios não apenas evitam a demolição ou o abandono físico, mas também preservam seu status de marcos urbanos e de identidade no tecido da cidade, revitalizando seu entorno imediato sem descaracterizar seu significado histórico.
Buildner anunciou os resultados do seu concurso, o Concrete Pavilion. Como parte da série Material Studies da Buildner, a competição convidou arquitetos/as e designers a explorarem o potencial arquitetônico do concreto por meio do projeto de um pavilhão experimental. O desafio era reconsiderar o material para além de seu uso convencional, investigando suas possibilidades espaciais, estruturais e sensoriais.
La Biennale di Veneziainaugurou a nova sede de seu Arquivo Histórico – Centro Internacional de Pesquisa em Artes Contemporâneas no Arsenale, transferindo as coleções de arquivos e as atividades de pesquisa da instituição para um complexo restaurado em um de seus principais locais de exposição. A abertura apresenta uma nova sede permanente para o arquivo, reunindo instalações de conservação, pesquisa, consulta pública e programação cultural no histórico Arsenale. Para marcar a ocasião, a La Biennale organizou uma programação de três dias com performances, palestras, conversas e visitas públicas, destacando o papel do arquivo no ecossistema mais amplo de exposições, festivais e iniciativas educacionais da instituição.
A tradição filosófica ocidental há muito coloca a cultura em oposição à natureza. Esse pensamento dualista moldou os cânones das ciências e das humanidades, e a arquitetura não ficou de fora. Sob essa lógica, tudo o que não é humano existe para ser explorado e recebe o nome de "recurso natural". Essa mentalidade extrativista moldou o desenvolvimento de muitas partes do mundo nos últimos séculos, deixando marcas profundas — às vezes irreparáveis — no planeta. No entanto, outras formas de viver sempre existiram. Das práticas religiosas da África Ocidental baseadas no animismo aos saberes herbais de mestres e mestras da Jurema Sagrada no Brasil; das comunidades indígenas na Índia, cujo ritmo de vida reflete as monções, aos Inuit do Ártico, capazes de enxergar dezenas de tons de branco: entre seres humanos e natureza não há distinção; o que existe é a vida.
Autores e autoras contemporâneos trazem essa discussão para os campos da filosofia e, mais especificamente, da arquitetura. Donna Haraway, Antônio Bispo dos Santos, Achille Mbembe e Beatriz Colomina são apenas alguns dos nomes cujas obras ajudam a expandir a estreita perspectiva ocidental, lançando luz sobre formas alternativas de coabitação — com outros humanos e mais-que-humanos — neste planeta.
A maioria das pessoas raramente se lembra de uma passagem. Elas se lembram da sala de aula, do apartamento, da galeria ou da praça ao final dela. As passagens costumam ser projetadas para desaparecer em segundo plano, guiando o movimento de um destino ao outro. No entanto, algumas das experiências mais memoráveis da arquitetura acontecem justamente durante o deslocamento por um lugar, e não ao chegar a ele.
A circulação costuma ser tratada como um dos elementos mais práticos da arquitetura. Corredores conectam salas, galerias oferecem acesso e passarelas organizam o movimento pelo edifício. Seu propósito parece simples: ajudar as pessoas a irem de um ponto a outro. Por conta disso, os espaços de circulação há muito tempo são considerados secundários em relação aos programas que atendem. A atenção tende a se concentrar nos destinos, enquanto os espaços intermediários passam, em grande parte, despercebidos.
Culinary Health Fund . Imagem cortesia de Longboard
Antes de compreendermos um espaço de forma racional, nós o percebemos sensorialmente. A luz, a proporção, a textura, a cor e a materialidade influenciam a maneira como o corpo interpreta um ambiente, definindo se ele parece acolhedor, frio, íntimo ou impessoal. Elementos visuais e cromáticos podem afetar diretamente a percepção de profundidade, atmosfera e escala nos interiores, sobretudo em edifícios contemporâneos caracterizados por grandes vãos e superfícies contínuas. Entre os elementos arquitetônicos que moldam essa experiência, o forro talvez seja um dos mais subestimados, apesar de sua profunda influência na maneira como o espaço é percebido e habitado.