O escritório de arquitetura dinamarquês Dorte Mandrup acaba de divulgar o projeto para sua nova proposta na região do Ártico. Em parceria com a Norrøna, renomada marca norueguesa de artigos para atividades ao ar livre, o escritório projetou um hotel integrado à natureza. Situado em Senja, a segunda maior ilha da Noruega, o empreendimento é cercado por paisagens dramáticas compostas por montanhas íngremes, praias, vales e fiordes profundos.
Em sua primeira colaboração com a Forestier, David Fabbri projetou a cativante coleção Thésée, inspirando-se na natureza. Imagem cortesia de Forestier
É um paradoxo que, à medida que nossa sociedade se torna cada vez mais conectada por meio de viagens globais e do ambiente digital, muitas vezes nos sentimos mais desorientados e desconectados do que nunca. O poder dos interiores de nos ancorar no presente e nos ajudar a reconectar com o que valorizamos não deve ser subestimado. Uma das maneiras de trazer uma profundidade emocional autêntica ao espaço é através da iluminação atmosférica que, ao combinar luz e forma, pode transcender a função prática para atuar como um canal para a atenção plena.
Recursos limitados estão se tornando um desafio cada vez mais comum na arquitetura. Hoje, independentemente da região, os projetos são afetados pela disponibilidade de recursos, que agora são agravados por considerações ambientais. Essa situação, longe de ser restritiva, nos estimula a explorar novas possibilidades na forma como concebemos o ambiente construído. Nesse contexto, é crucial entender que os recursos não se limitam apenas à economia, mas também incluem aspectos tecnológicos, materiais e espaciais. Assim, podemos aumentar nossa criatividade e eficiência ampliando nossas considerações ao abordar o design arquitetônico e seus desafios, fazendo mais com menos.
No nível comunitário, o desafio se torna ainda mais significativo quando consideramos que nossos projetos não só devem ser projetados para superar essas "restrições", mas também para impactar positivamente suas comunidades. Portanto, os projetos contemporâneos devem apresentar diferentes estratégias para superar recursos limitados e materiais, dependendo do contexto, sempre visando alcançar um impacto positivo e se tornar propostas poderosas e engenhosas, enquanto democratizam o acesso à arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1016730/crescimento-comunitario-atraves-da-arquitetura-recursos-limitados-e-impactos-positivosEnrique Tovar
Ao ser convidado para projetar o 21º Serpentine Pavilion no Kensington Gardens, em Londres, o artista de Chicago Theaster Gates idealizou um espaço sereno que oferecesse refúgio e uma sutil exploração sobre o poder do som e da música na arquitetura. Construída em madeira tingida leve, a “Black Chapel” demonstra mais do que apenas sensibilidade artística e arquitetônica. Além do uso de materiais sustentáveis, o projeto também dedica atenção minuciosa à origem dos materiais de construção, trazendo visibilidade para o problema da escravidão moderna na cadeia de suprimentos da construção civil.
Segundo Norman Foster, "como arquiteto/a, você projeta para o presente, com a consciência do passado". Nesse sentido, a arquitetura, o design de interiores e o mobiliário contemporâneos passaram por uma evolução radical nos últimos anos, impulsionados por uma mudança de paradigma na concepção do espaço e na nossa interação com ele. Essa abordagem contemporânea tem nos direcionado para espaços multiuso, colaborativos e menos rígidos, que também são capazes de oferecer privacidade e funcionalidade. Além disso, eles devem funcionar como espaços de trabalho temporários em contextos específicos, adaptando-se ao dinamismo das necessidades e atividades contemporâneas.
A partir dessa nova abordagem, arquitetos/as e designers estão remodelando os ambientes internos para acomodar novos comportamentos, facilitando a descoberta de uma ergonomia renovada nas atividades humanas. Hoje, o pensamento arquitetônico converge para criar espaços que nos permitem viver em movimento, uma tendência particularmente evidente em ambientes dinâmicos como aeroportos, acolhendo tanto momentos individuais quanto interações sociais de pessoas em trânsito. Como consequência, um novo tipo de mobiliário ressurgiu, tornando-se comum em aeroportos e outros espaços compartilhados: as cabines de privacidade (ou booths).
https://www.archdaily.com.br/pt/1140254/um-novo-patamar-de-privacidade-funcional-em-aeroportos-a-ascensao-de-lounges-e-cabines-de-trabalhoEnrique Tovar
Noemí Blager e Tapio Snellman apresentam uma nova instalação de vídeo na Architectural Association (AA) em Londres. A exposição, intitulada “A Lot with Little” [Muito com Pouco], busca explorar e mostrar como os/as arquitetos/as podem fazer um uso mais econômico de recursos para criar obras de arquitetura que sejam ao mesmo tempo sensatas e sustentáveis. Após passar por Alemanha, Suíça, China, Chéquia, Estados Unidos e pela Bienal de Arquitetura de Veneza, a estreia em Londres busca destacar a relevância global de práticas arquitetônicas eficientes em termos de recursos. A mostra fica em cartaz na AA School, em Londres, de 26 de abril a 30 de maio de 2024.
Diante das diferentes topografias e condições naturais presentes ao longo do território argentino, as obras de Luciano Kruk propõem uma arquitetura que trabalha em unidade com o entorno, a paisagem e a natureza onde se inserem, seja imersas em um bosque, sobre um terreno em declive ou uma planície rural, entre outras geografias. Tendo o concreto como material principal na maioria de seus trabalhos, sua intenção centra-se em potencializar a relação do interior da arquitetura com o exterior.
O escritório J. Mayer H. Architects acaba de vencer o concurso para o projeto da “Cheongdam Tower” em Seul. Integrante do certame Seoul City Urban/Architecture Creation/Innovation Design Project, a competição foi promovida pela cidade de Seul com o objetivo de valorizar o espaço urbano e melhorar a qualidade de vida da população. Selecionada entre inúmeras propostas enviadas e seis projetos finalistas, a Cheongdam Tower sagrou-se vencedora.
À medida que a demanda por habitação acessível cresce e a disponibilidade de imóveis de baixo custo diminui, os agentes do setor habitacional devem buscar abordagens mais inovadoras para o desenvolvimento de habitação social. Uma das oportunidades reside na restauração e na readequação de edifícios abandonados. Embora a construção de novas moradias continue sendo a principal estratégia das autoridades e associações de habitação, a reabilitação de edifícios degradados pode se consolidar como uma opção mais econômica. Essa abordagem não apenas maximiza o aproveitamento de infraestruturas deterioradas, mas também oferece uma oportunidade econômica para expandir a oferta de moradia acessível nas cidades. Se a reabilitação de edifícios residenciais abandonados parece uma solução óbvia, a estratégia se torna ainda mais crucial quando se considera a conversão de prédios comerciais, institucionais ou históricos em habitação de interesse social.
A composição de uma cobertura plana ou de baixa inclinação é constituída por diversos componentes que precisam atuar de forma conjunta, eficiente e consistente para oferecer uma solução sustentável e de longo prazo. Embora a membrana de impermeabilização seja frequentemente a camada superior e, portanto, a mais visível, o que está sob ela tem um impacto significativo no desempenho global da cobertura. A escolha de materiais adequados e sustentáveis — bem como a garantia de sua correta instalação — é o que permite a uma cobertura resistir ao teste do tempo e estar preparada para os desafios do futuro.
O renomado arquiteto francês Jean Nouvel apresentou seu projeto para a loja pop-up da Samsung na icônica Avenue des Champs-Élysées, em Paris, França. A loja busca representar o papel da empresa como Parceira Olímpica Mundial, oferecendo aos visitantes um espaço para interagir com as mais recentes tecnologias móveis e atividades relacionadas aos Jogos Olímpicos. As primeiras imagens registradas pelo/a fotógrafo/a de arquitetura Jad Sylla destacam o projeto de Jean Nouvel para este espaço de varejo imersivo.
Simone Farresin é cofundador do Formafantasma, um estúdio de design baseado em pesquisa que explora as influências ecológicas, históricas, políticas e sociais que moldam a indústria do design. Recentemente, o estúdio participou da Milan Design Week 2024 e do Salone del Mobile.Milano com diversos produtos e exposições. Diretamente de Milão, o ArchDaily teve a oportunidade de conversar com Simone Farresin sobre a instalação do estúdio para a Cosentino no histórico Teatro Gerolamo, além de discutir a prática projetual mais ampla do Formafantasma.
A Harvard Graduate School of Design (Harvard GSD) anunciou a turma de 2025 do programa Loeb Fellows. Dez profissionais e ativistas de todo o mundo foram selecionados/as para integrar o programa Loeb Fellowship, com o objetivo de expandir suas carreiras e impulsionar iniciativas voltadas para equidade, resiliência e ação coletiva.
Os/as dez profissionais selecionados/as estão na metade de suas carreiras e vêm de trajetórias diversas. Cada um/a foi reconhecido/a por iniciar práticas que estão transformando espaços públicos e infraestruturas urbanas, abordando questões de saúde pública e injustiças ambientais, bem como demandas por habitação e esforços para preservar o patrimônio cultural, natural e arquitetônico de diversas regiões em todos os continentes.
Este artigo é o nono de uma série focada na Arquitetura do Metaverso. O ArchDaily colaborou com John Marx, AIA, sócio-fundador de projeto e Diretor Artístico da Form4 Architecture, para trazer artigos mensais que buscam definir o Metaverso, transmitir o potencial deste novo reino e compreender suas limitações. Nesta matéria, o arquiteto John Marx entrevista Peter Hirshberg, presidente, e Anna Fedorova, diretora no Maker City Project.
O tijolo é um dos materiais mais antigos e versáteis na construção civil, indo além das simples paredes de alvenaria. Suas origens remontam a 7500 a.C., com exemplares cozidos em fornos surgindo por volta de 3000 a.C., representando um avanço tecnológico para edifícios mais resistentes. Espalhando-se pela Europa e Ásia por volta de 1200 a.C., substituíram materiais como madeira e pedra em regiões escassas. Os tijolos romanos, notáveis por seu formato comprido, foram amplamente utilizados na construção de suas cidades, perdurando ainda hoje. A história dos tijolos se entrelaça com a das civilizações, sendo um material de fácil produção, resistente e versátil, permitindo uma infinidade de aplicações e alcançando resultados impressionantes e inusitados.
Projetada pelo Coletivo de Arquitetos, a Residência Thai exemplifica as múltiplas possibilidades que o tijolo oferece na arquitetura contemporânea. Situada em uma área litorânea no estado de Sergipe, essa residência não só exemplifica a estética do material, mas também sua funcionalidade e adaptabilidade às condições locais. Uma das características mais marcantes do projeto é a implantação em dois blocos distintos. O pavilhão principal abriga a maior parte do programa da casa, enquanto um segundo bloco conectado abriga a área gourmet, serviços e garagem. Essa configuração proporciona uma distribuição inteligente dos espaços e uma integração harmoniosa com o entorno.
Seja por entusiasmo ou cautela, não há como escapar do debate em torno da IA na arquitetura. Ela oferece a arquitetos/as e designers o poder de inovar, otimizar processos e criar um ambiente construído que é tão funcional quanto visualmente atraente.
No entanto, diante de uma tecnologia tão revolucionária, não surpreende que surjam preocupações. A perda de criatividade, a substituição de postos de trabalho e dilemas éticos são apenas alguns exemplos de inquietações sobre a adoção da IA na arquitetura.
Para compreender o que o setor de fato pensa sobre a IA, mais de 1.200 profissionais de arquitetura foram consultados/as sobre como a utilizam em seu cotidiano de trabalho. Investigamos de que maneira a tecnologia influencia os processos de projeto e fluxos de trabalho, e o que seu impacto representa para o futuro da profissão.
Redesenho urbano por Diller Scofidio + Renfro. Imagem cortesia de City of London
O polêmico projeto de revitalização de London Wall West, que envolve a demolição do antigo Museu de Londres e da Bastion House, deve seguir adiante. O projeto, assinado pelos escritórios de arquitetura Diller Scofidio + Renfro e Sheppard Robson, substituirá os edifícios emblemáticos da década de 1970 por um complexo de escritórios moderno. A City de Londres confirmou que o Secretário de Estado para Nivelamento, Habitação e Comunidades, Michael Gove, decidiu não intervir nos planos para reavaliar o antigo museu, permitindo que o projeto siga adiante.
Em um concurso internacional, a Initiative 99 da ICON desafiou os participantes a projetar uma residência utilizando as tecnologias de impressão 3D da empresa, mantendo o orçamento de construção abaixo de US$ 99.000. Entre as três propostas vencedoras da Categoria Aberta, o escritório neozelandês MTspace Studio propôs um projeto robusto e resistente a enchentes, desenvolvido em resposta à crise habitacional nas zonas inundáveis da Nova Zelândia. Intitulado "Wai Home" — em referência à palavra māori para água —, o conceito gira em torno da ideia de trabalhar em harmonia com esse elemento natural essencial. O projeto apresenta sistemas inovadores de captação e armazenamento de água da chuva, além de elementos voltados para aumentar a resiliência da construção diante de ameaças climáticas crescentes.
Cortesia de Neutelings Riedijk Architects / ARS Architectes
Neutelings Riedijk Architects e ARS Architects Urbanistes acabam de vencer o concurso para projetar a Cité des Imaginaires e o Grand Musée Jules Verne em Nantes, na França. Selecionada entre 160 propostas, a sua proposta busca revitalizar o histórico moinho “Moulins de Nantes”, também conhecido como CAP44. Este patrimônio industrial, notável por sua estrutura única de concreto Hennebique, será transformado em uma estrutura sustentável integrada ao Jardin Extraordinaire. Além disso, o museu celebrará o legado do renomado autor Jules Verne, nascido em Nantes.
O Sul da Ásia tem passado por transformações notáveis nas esferas econômica, política, social, entre outras. Refletindo esses padrões de mudança social, estão as práticas arquitetônicas em toda a região. Os modernos Estados-nação do Sul da Ásia — Afeganistão, Bangladesh, Butão, Índia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka — compartilham histórias semelhantes e um futuro marcado pelo rápido desenvolvimento econômico e pela urbanização acelerada. Contudo, cada região apresenta nuances distintas em relação ao estado atual e potencial da práxis arquitetônica, influenciadas por seus contextos socioculturais e climas políticos emergentes.
"Toda vez que descrevo uma cidade, digo algo sobre Veneza”, disse Marco Polo a Kublai Khan no livro seminal de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis. Outrora o coração de uma poderosa república marítima, Veneza de fato abriga muitas cidades em sua intrincada rede de canais, becos, pontes e praças. Reconhecida por sua beleza arquitetônica única, história renascentista e relevância cultural — e, naturalmente, por ter sido erguida no meio da água —, nas últimas décadas Veneza tornou-se uma das vítimas mais emblemáticas do turismo excessivo, recebendo cerca de 30 milhões de visitantes por ano.
Os números são impressionantes, superando de longe os 50 mil habitantes que fazem de Veneza seu lar — 120 mil a menos do que sua população no início da década de 1950, quando a população local começou a se afastar, incomodada pelo barulho constante e pelas vias superlotadas.
We are thrilled to announce our upcoming June workshops in collaboration with our ArchDaily Supporters partner, Parametric Architecture. These workshops have been thoughtfully curated to empower architects, designers, and enthusiasts by providing them with the latest insights and skills in the dynamic realm of parametric design. Guided by industry experts and visionaries, these immersive sessions will explore cutting-edge techniques, innovative tools, and practical applications, creating an inspiring and dynamic learning environment where participants can take their design expertise to unprecedented levels.
https://www.archdaily.com.br/pt/1016737/parametric-architecture-june-workshopsArchDaily Team
Este artigo foi publicado originalmenteno Common Edge em 2021 para celebrar o aniversário de 1.600 anos de Veneza.
"Nós, venezianos/as nativos/as e moradores/as de longa data, somamos pouco mais de 50 mil. Estamos em extinção. Em breve, desapareceremos. A cidade prefere ser habitada por outra pessoa: não tanto por outras categorias de seres humanos, mas por outra forma de estar no mundo.” – Tiziano Scarpa
O dia 25 de março de 2021 amanheceu silencioso em Veneza. A cidade ainda estava sob confinamento total, uma Zona Rossa. A Piazza estava deserta, as calli estavam estranhamente quietas. Foi um dia melancólico para celebrar o nascimento de Veneza. Segundo Marin Sanudo, historiador veneziano do século XVI, a cidade foi fundada em 421 d.C. Em uma cidade paralisada pela pandemia, o clamor alegre dos sinos ecoando por toda a parte para comemorar os 1.600 anos de existência foi um alívio bem-vindo em meio ao silêncio temido.