Christopher Alexander (1936–2022) e Joseph Rykwert (n. 1926) foram dois gigantes da teoria da arquitetura do século XX que iniciaram seus trabalhos na Inglaterra e, eventualmente, deixaram legados duradouros em duas grandes escolas de arquitetura estadunidenses: a Universidade da Califórnia em Berkeley (Alexander) e a Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia (Rykwert). Suas trajetórias não apenas coincidiram com um período crítico de pesquisa social e cultural entre designers e urbanistas, mas, de diversas formas, continuam a inspirar a atual geração de críticos/as engajados/as contra o desenvolvimento capitalista tardio em nosso planeta ameaçado. No entanto, para muitas pessoas, eles ainda são pouco conhecidos.
No contexto da implementação de projetos de infraestrutura verde para a gestão da água na Bacia do México a partir de espaços públicos existentes, o Parque Hídrico La Quebradora surge como a primeira proposta de acupuntura hidrourbana. O projeto da equipe do Instituto de Pesquisas Sociais da UNAM, coordenado por Manuel Perló Cohen e Loreta Castro Reguera Mancera, propõe converter a infiltração do terreno em um marco de boa gestão da água, geração de espaço público e fortalecimento do tecido social a partir de quatro níveis: infraestrutura, parque, cidade e mirante. Ao resolver parte dos problemas hídricos e sociais enfrentados pelo território, a proposta transforma a infraestrutura urbana em um espaço público e recreativo para a comunidade, em uma área de alta densidade demográfica e escassez de espaços públicos.
Os concursos de arquitetura são ferramentas valiosas de aprendizado, oferecendo a arquitetos e arquitetas uma oportunidade única de experimentar e expandir seus limites criativos. Ao enfrentar desafios do mundo real e receber retornos críticos, os e as participantes adquirem experiência prática e uma compreensão mais profunda da profissão. Sejam conceituais ou não, as competições estimulam a inovação, incentivando profissionais de design a pensar de forma inovadora. A seleção desta semana apresenta propostas vencedoras de concursosenviadas pela comunidade do ArchDaily, proporcionando a profissionais e estudantes de arquitetura novas perspectivas e inspiração para suas próprias práticas, sejam em trabalhos de conclusão de curso, habilitações profissionais ou encomendas de projetos.
De um parque urbano imersivo em Seul, na Coreia do Sul, a um campus educacional rural na Amazônia, ou um porto reformulado na Córsega, esta seleção destaca projetos que se sobressaíram em concursos ao redor do mundo. Embora algumas das propostas tenham sido desenvolvidas por escritórios consolidados, incluindo KAAN Architecten, ArchiWorkshop, Studio Akkerhuis ou Richez Associés, essas competições também se provaram uma oportunidade para que designers emergentes demonstrem sua criatividade e capacidade de resolução de problemas.
No competitivo mercado da arquitetura e do design, dominar a arte da visualização é tão crucial quanto gerar ideias inovadoras. Seja utilizando modelos 3D do SketchUp, gerando imagens por inteligência artificial com o Diffusion [Labs] ou empregando programas externos de renderização como o V-Ray, escolher a técnica de visualização ideal pode impulsionar significativamente a sua trajetória profissional.
A seguir, apresentamos em detalhes os dez principais benefícios da visualização arquitetônica, ilustrados por casos de sucesso reais do setor.
A cobertura da estação de Fresno capta ar fresco e protege os passageiros que aguardam da forte luz solar. Imagem Cortesia de Foster + Partners
Como parte de sessões públicas de apresentação do projeto a comunidades e agências locais, os escritórios Foster + Partners e Arup revelaram o projeto das primeiras 4 estações do Trem de Alta Velocidade da Califórnia. A iniciativa integra um projeto amplo, uma vez que as novas estações do Central Valley servirão de modelo para o desenho das próximas paradas planejadas ao longo do sistema ferroviário de 500 milhas (cerca de 800 quilômetros) de extensão, que ligará Los Angeles e Anaheim a São Francisco. Os encontros públicos representam uma oportunidade para a população explorar o projeto, conversar com especialistas em planejamento da California High-Speed Rail Authority e conhecer melhor a infraestrutura do trem-bala. A obra está em andamento, e a previsão é de que a primeira linha operacional seja concluída entre 2030 e 2033.
O escritório 3XN acaba de vencer um concurso internacional fechado para projetar o Chungnam Art Center em Chungcheongnam-do, na Coreia do Sul. Desenvolvido em colaboração com a SIAPLAN e a MDA, o novo centro de arte tem como objetivo servir como um importante destino para a expressão criativa. Inspirado nos movimentos dinâmicos da arte, o centro busca criar um espaço onde todos possam vivenciar e participar das manifestações artísticas.
CUPACLAD® 201 VANGUARD. Imagem cortesia de Cupa Pizarras
A ardósia é uma rocha metamórfica natural composta por minerais argilosos, como mica e clorita, que lhe conferem uma textura laminada e tonalidades predominantes de cinza, preto e verde. Amplamente utilizada na indústria da construção, destaca-se por sua durabilidade e elegância singular, oferecendo um acabamento atemporal e sóbrio para coberturas e paredes externas. Com sua textura única, é capaz de transformar o aspecto de qualquer estrutura por meio do uso de peças retangulares—ou de outros formatos. Além disso, trata-se de um material altamente resistente às intempéries, ao fogo e aos poluentes ambientais, garantindo desempenho de longo prazo com manutenção mínima. Seu processo de produção ecológico, que envolve apenas a extração da matéria-prima e um processamento mínimo, reduz as emissões de CO₂, tornando-a a escolha ideal para a arquitetura contemporânea sustentável.
O prêmio The Enscape 4 All - Architectural Real-Time Visualization Award, uma colaboração entre o ArchDaily e a Enscape, destacou as renderizações em tempo real mais excepcionais e inovadoras produzidas com o motor de renderização Enscape 4. A premiação reconhece a excelência em quatro categorias distintas: Interiores, Exteriores, Paisagismo e Conceitual. O júri, composto por editores/as do ArchDaily e especialistas da Enscape, avaliou as propostas com base na criatividade, técnica e no uso inovador da renderização em tempo real. Candidaturas vindas de todas as partes do mundo destacaram o alcance global e o apelo da competição.
Em 2020, o Ministério da Cultura da França aprovou um amplo programa de renovação para o Centre Pompidou com o objetivo de solucionar os problemas técnicos do edifício e garantir a viabilidade a longo prazo da icônica estrutura. Projetado por Renzo Piano e Richard Rogers em 1971, o museu foi concebido como uma "máquina cultural viva", gerando controvérsia na época devido à sua arquitetura incomum. Para garantir a eficiência do processo de renovação, o edifício será totalmente fechado por um período de cinco anos, de setembro de 2025 até 2030. O escritório de arquitetura francês Moreau Kusunoki foi contratado para liderar o projeto de renovação, em colaboração com o Frida Escobedo Studio e a AIA Life Designers, responsável pela parte técnica do projeto. A equipe de arquitetura foi selecionada após um concurso internacional, que contou com Renzo Piano como um dos membros do júri.
A apenas um mês do início dos Jogos Olímpicos de Paris (XXXIII Olimpíada), a cidade realiza um esforço final para garantir que a paisagem e a infraestrutura estejam prontas para o maior evento esportivo do mundo. Com início marcado para 26 de julho e encerramento em 11 de agosto de 2024, o Conselho de Paris aprovou inúmeras iniciativas para transformar a cidade. Visando uma Paris mais verde, saudável e com melhor mobilidade, a metrópole passou por transformações massivas para exibir seus avanços modernos e repensar a própria estrutura dos Jogos Olímpicos.
Casa Passiva Acorn Glade. Imagem cortesia de Tom Bassett-Dilley Architects
Ao abordar os grandes problemas globais — como a emergência climática, a crise energética e a escassez de moradia —, costumamos buscar soluções amplas e grandiosas que possam resolver tudo de uma só vez. Por mais atraentes que pareçam, essas ideias acabam esbarrando nas inúmeras complexidades e interconexões do nosso mundo. Mas e se buscássemos soluções mais descentralizadas e de escala doméstica? O escritório de Chicago Tom Bassett-Dilley Architects vem trilhando justamente esse caminho, concentrando-se em design sustentável, projetos livres de carbono e de alta eficiência energética para residências, edifícios históricos, instituições e empreendimentos comerciais. Em seu Manifesto: The New American Dwelling, defendem que a residência unifamiliar, outrora o grande sonho americano, precisa ser redefinida para enfatizar o minimalismo, a eficiência, a saúde, a conexão com a natureza, a durabilidade e a gentileza pessoal, distanciando-se de práticas de desperdício, artificiais e tóxicas. Conversamos com Tom Bassett-Dilley, FAIA, CPHC, LFA, fundador do escritório, sobre alguns aspectos do seu trabalho.
Todo projeto começa com um programa de necessidades que esboça os espaços, áreas e requisitos essenciais para dar início ao processo de projeto. Este documento fundamental orienta profissionais de arquitetura a compreenderem as demandas do cliente, distribuírem o espaço de forma eficiente e garantirem que a proposta atenda aos requisitos funcionais do projeto.
No entanto, converter manualmente esses dados tabulares de uma planilha para dados espaciais em sua ferramenta de volumetria é uma tarefa incrivelmente tediosa e demorada. Ferramentas como o Snaptrude foram desenvolvidas para ajudar profissionais de arquitetura a realizarem iterações mais rápidas e a tomarem decisões de projeto mais fundamentadas.
A cidade espanhola de Barcelona, um dos principais destinos turísticos da Europa, anunciou um plano para proibir o aluguel de apartamentos para turistas até novembro de 2028. A iniciativa, anunciada pelo prefeito Jaume Collboni, visa atenuar a crise habitacional de longa data, reduzir os preços para a população local, melhorar a habitabilidade e aumentar a oferta de moradias acessíveis na cidade. Nos últimos dez anos, o aumento dos aluguéis de curta temporada elevou os aluguéis em 68% e o custo de compra de imóveis em 38%, contribuindo significativamente para a crise do custo de vida.
Costuma-se dizer que Roma não foi construída em um dia, e o mesmo certamente se aplica a uma das cidades mais proeminentes e deslumbrantes do mundo: a magnífica Paris. Pode até parecer que as duas cidades, de reputação lendária, são de certa forma equivalentes. Ambas foram idealizadas por um imperador que queria transmitir uma mensagem política de inovação, grandeza e opulência. Em ambos os casos, essas grandes reformas urbanas e reconstruções massivas encobriram qualquer luta ou resistência popular com uma beleza ofuscante e uma estrutura de entretenimento de massa (de gladiadores a dançarinas de cancan e *brasseries*). E assim surgiu a Paris que conhecemos hoje, uma cidade de divertimento que atrai mais de 30 milhões de turistas por ano.
Mas também é fascinante compreender como uma cidade inteira em crescimento foi tratada como um projeto de massa único, quase experimental. Por mais de vinte anos, de 1853 a 1870, Paris foi um canteiro de obras ininterrupto. Com a implementação de novas tecnologias e novos padrões de desenho, o resultado não foi apenas uma estética diferente, mas uma ordem social, uma expansão urbana e um modo de vida completamente novos.
Neste mês de junho, o Roppongi Museum em Tóquio recebe a exposição "Miss Dior: Stories of a Miss". Com projeto expográfico assinado pelo escritório OMA / Shohei Shigematsu, a mostra apresenta o legado de 78 anos do renomado perfume Miss Dior, lançado em 1946 junto com o revolucionário "The New Look" da Dior. Organizado como uma jornada por sete salas, o projeto expográfico não apenas exibe a fragrância e objetos históricos relacionados, mas também explora as diversas inspirações e colaborações que moldaram sua importância cultural.
O escritório C.F. Møller Architects acaba de ser anunciado como o vencedor do concurso de desenho urbano para desenvolver o Distrito de Luna em Södertälje, na Suécia. Sua proposta, “The Sky is Our Roof” (“O Céu é o Nosso Teto”), detalha a transformação do Distrito de Luna, conhecido como Lunagallerian, no que representa um dos projetos de desenvolvimento urbano mais abrangentes da história de Södertälje. Planejado para ser reconfigurado em diversos distritos urbanos abertos, o projeto foi selecionado entre propostas de 35 escritórios de arquitetura.
Temos a satisfação de anunciar os nossos próximos workshops de julho em parceria com o nosso parceiro do ArchDaily Plus, Parametric Architecture. Esses workshops foram cuidadosamente planejados para capacitar arquitetos/as, designers e entusiastas, proporcionando-lhes as mais recentes perspectivas e habilidades no dinâmico universo do design paramétrico. Conduzidas por especialistas e visionários do setor, essas sessões imersivas explorarão técnicas de ponta, ferramentas inovadoras e aplicações práticas, criando um ambiente de aprendizado dinâmico e inspirador no qual os/as participantes poderão elevar suas habilidades de projeto a patamares inéditos.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140020/workshops-de-julho-de-arquitetura-parametricaArchDaily Team
Casos alarmantes de desastres climáticos são uma presença constante no noticiário global. As enchentes do mês passado no sul do Brasil ganharam atenção especial, em meio a episódios que vão de ondas de calor e incêndios florestais a secas e ciclones. Essa tragédia, que deixou mais de meio milhão de pessoas desalojadas, foi compreendida como o resultado de uma combinação de fatores, incluindo ações humanas que devastaram ecossistemas para criar cidades ambientalmente irresponsáveis.
Nesse contexto, o trabalho do arquiteto baseado em Pequim, Kongjian Yu, fundador do escritório de arquitetura de paisagem Turenscape, ganhou visibilidade e reconhecimento internacional, o que incluiu receber o Prêmio Internacional de Arquitetura de Paisagem Cornelia Hahn Oberlander de 2023 (“Prêmio Oberlander”). Seu conceito de "cidades-esponja", concebido para enfrentar e prevenir enchentes urbanas diante das mudanças climáticas aceleradas, foi adotado como política nacional na China em 2013. Essa abordagem prioriza infraestruturas baseadas na natureza em grande escala, como áreas úmidas, corredores verdes e parques.
No cenário em constante evolução da arquitetura e do desenho urbano, os envelopes bioclimáticos e biogênicos apresentam uma visão instigante para as cidades do futuro. A Dra. Arta Yazdanseta, Doutora em Design com foco em energia e ambientes, investiga a interseção entre projeto, desempenho predial e ecologia biofísica vegetal. Com foco nos envelopes bioclimáticos e biogênicos, a Dra. Yazdanseta examina como essas tipologias podem aprimorar os sistemas socionaturais ao potencializar sua capacidade de auto-organização. A trajetória acadêmica da Dra. Yazdanseta inclui a obtenção dos títulos de Doutora em Design e Mestra em Design em Energia e Ambientes pela Harvard Graduate School of Design.
Suas contribuições como pesquisadora no Harvard Center for Green Buildings and Cities incluem o desenvolvimento de estratégias de design ambiental e análises de desempenho para o projeto de retrofit de baixo carbono HouseZero. Nesta entrevista, a Dra. Yazdanseta explora o conceito de envelopes bioclimáticos e sua interação com os princípios do projeto arquitetônico passivo. Com o potencial de revolucionar os ambientes urbanos, a conversa traz reflexões sobre suas pesquisas, os benefícios dos materiais de origem vegetal e o futuro da arquitetura sustentável, enfatizando a conexão fundamental entre a saúde humana e a ambiental.
À medida que cresce a conscientização sobre o desenvolvimento sustentável, o bambu desponta como uma alternativa atraente aos materiais de construção tradicionais. Esse material inovador vem ganhando espaço significativo na construção de instalações esportivas, demonstrando como práticas sustentáveis podem moldar um futuro mais verde.
O bambu se destaca como um substituto ecológico para a madeira, o concreto e o aço. Sua aplicação na construção de instalações esportivas reduz significativamente o impacto ambiental e promove a sustentabilidade. O uso de bambu de origem local em certas regiões diminui ainda mais as emissões de carbono associadas ao transporte. As vantagens do bambu, no entanto, vão além dos benefícios ambientais. Além de resistente e durável, o material é leve e flexível, tornando-se ideal para as demandas da construção moderna.
Cortesia de Saint-Gobain Architecture Student Contest
Mais de 224 universidades de 29 países participaram da final internacional da 19ª edição do Saint-Gobain Architecture Student Contest. Estudantes de todo o mundo conceberam projetos para transformar um distrito de Helsinque, na Finlândia. Os nomes vencedores acabam de ser anunciados em um evento realizado pela Saint-Gobain na capital finlandesa, entre os dias 10 e 12 de junho de 2024.
Nos vales montanhosos da província chinesa de Fujian, milhares de grandes fortalezas de taipa de pilão jazem abandonadas. Utilizada outrora tanto para defesa quanto para habitação coletiva, a tipologia tulou é parte integrante do patrimônio cultural da região, com 46 dessas estruturas reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Apesar disso, as comunidades rurais do entorno têm enfrentado dificuldades para encontrar novas funções e propósitos para esses edifícios. Indo além da simples necessidade de conservação, a arquiteta Xu Tiantian, do escritório DnA_Design and Architecture, propôs-se a desenvolver e adaptar esse patrimônio para reintroduzi-lo na vida comunitária. O projeto Fujian Tulou | Adaptive Reuse ganhou recentemente o Prêmio de Ouro do Holcim Awards 2023 para a região Ásia-Pacífico, reconhecido por criar “um modelo exemplar para iniciativas de conservação de edifícios.”Em uma entrevista em vídeo para o ArchDaily, Xu Tiantian discute os princípios que fundamentam essa iniciativa e os possíveis resultados do reuso adaptativo em comunidades rurais.
Incorporadores/as costumam fazer parecer que seu mais recente edifício de escritóriosLEED Platinum reverterá, sozinho, as mudanças climáticas. A triste realidade é que poderiam passar a vida inteira projetando e construindo todas as suas obras de acordo com os padrões ambientais mais rigorosos, mas isso não irá resolver o problema. O planeta ficará mais quente, os mares subirão e as tempestades se intensificarão. Um século de queima de combustíveis fósseis já consolidou o aquecimento global na atmosfera para o resto de nossas vidas.