Muitas das principais cidades dos Estados Unidos estão lidando com grandes edifícios industriais em desuso. Essas edificações possuem relevância histórica e arquitetônica e, frequentemente, são protegidas por leis de preservação. Diante disso, profissionais de arquitetura enfrentam o desafio e a responsabilidade de adaptar esses edifícios às funcionalidades contemporâneas. A opção por evitar a demolição reflete uma abordagem sustentável na construção civil e destaca a importância de valorizar o patrimônio edificado.
A grande maioria dos/as profissionais que conheci ao longo dos anos busca recém-formados/as bem preparados/as, prontos/as para serem produtivos/as desde o primeiro dia de trabalho. No entanto, o ensino de arquitetura precisa ir muito além disso. Michael Monti — que nos últimos 20 anos atuou como diretor executivo da Association of Collegiate Schools of Architecture (ACSA), entidade que representa 5.000 docentes de arquitetura e mais de 30.000 estudantes — enfatiza que o ensino de arquitetura deve se apoiar em uma base sólida de valores compartilhados e ética. Somente assim, segundo ele, os/as egressos/as poderão contribuir de forma significativa para o que define como uma "vida civilizada", promovendo a dignidade, a liberdade, a saúde e o bem-estar das pessoas que interagem diariamente com a arquitetura.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140371/as-escolas-de-arquitetura-sao-responsaveis-por-educar-o-estudante-como-um-todo-em-conversa-com-michael-montiMichael J. Crosbie
Resistindo a um contexto adverso e contornando suas restrições, surge o Grupo Finca, um coletivo que investiga a prática da arquitetura a partir de uma dimensão artística e pedagógica em Havana, Cuba. Dada a complexidade da situação política e social do país, a arquitetura informal é prática comum: a escassez de recursos, a dificuldade para obter materiais, os altos custos e a falta de mão de obra qualificada, entre outros, são alguns dos desafios enfrentados por profissionais independentes de arquitetura. Além da ausência de um marco legal regulatório que permita trabalhar em condições formais — tanto no mercado de trabalho quanto na aquisição de materiais e insumos —, a construção da arquitetura contemporânea em Cuba vê-se relegada a processos independentes que consigam, de alguma forma, superar esses obstáculos.
Os diretores da National Public Radio (NPR) achavam que tinham um plano sólido. Há mais de uma década, eles começaram a planejar novos escritórios no bairro de NoMa, em Washington, D.C., para consolidar 800 funcionários em três edifícios. O projeto de reuso adaptativo de um antigo galpão, orçado em US$ 201 milhões, somado a uma nova torre de sete andares, foi inaugurado em 2013 com pés-direitos monumentais, uma academia 24 horas, um café gourmet com chef residente e dezenas de bicicletários para incentivar o uso da bicicleta. Há apenas um problema: quase ninguém trabalha lá hoje em dia.
Pelo menos três quartos das baias de trabalho compactas que tomam andares inteiros do edifício estavam estranhamente vazios durante uma visita guiada da convenção anual do American Institute of Architects (AIA), realizada em junho — e isso não se devia ao fato de os repórteres estarem na rua cobrindo pautas. Devido às políticas de trabalho remoto, poucos profissionais de redação e edição usufruem dos US$ 44 milhões investidos em equipamentos de áudio e multimídia de ponta, além dos 14 estúdios e seis cabines de gravação do edifício.
Priorizar as pessoas e o planeta no âmbito da construção civil e do desenvolvimento imobiliário vem sendo visto como mais do que um mandato ético — trata-se de uma abordagem altamente lucrativa. Mudanças nas demandas do mercado, decretos municipais, regulamentações e a ênfase nos fatores ambientais, sociais e de governança (ESG) estão influenciando o que define o sucesso do desenvolvimento urbano no século XXI.
Em Toronto, no Canadá, o projeto de requalificação do Aeroporto de Downsview, atualmente em andamento, exemplifica essa mentalidade na prática. Enquanto o desenvolvimento tradicional geralmente foca na maximização dos retornos de curto prazo, o projeto de Downsview oferece uma alternativa holística capaz de gerar lucros significativos a longo prazo, ao mesmo tempo em que responde a preocupações socioambientais mais amplas.
À medida que as nações africanas conquistavam sua independência, uma a uma, em meados do século XX, os programas de construção civil tornaram-se fundamentais para o processo de consolidação nacional. Em vários desses países, isso incluiu a edificação das instituições do Estado, como as suas respectivas assembleias nacionais. Essas construções não apenas viabilizam o processo legislativo, mas também simbolizam a governança, a identidade e as aspirações da nova nação. O período dos movimentos de independência coincidiu, ainda, com a introdução do Movimento Moderno no continente, associado à ideia de progresso e à ruptura com o passado colonial. Pelo território africano, algumas assembleias nacionais foram construídas precocemente, integrando o processo de nacionalização que antecedeu a independência, ao passo que outras só foram erguidas muito tempo depois.
Pietra Tiburtina - Campidoglio. Imagem cortesia de Casalgrande Padana
O travertino —conhecido como lapis tiburtinus pelos antigos romanos— perdura há séculos como um dos materiais mais emblemáticos do patrimônio do design italiano. Esta rocha calcária deixou uma marca duradoura na história da arquitetura, desde os monumentos do Império Romano até obras contemporâneas como a Igreja do Ano 2000 (Church of 2000) e o Museu Ara Pacis. Ao longo do tempo, sua estética evoluiu ao lado da arte e do design, adaptando-se aos avanços técnicos e preservando sua essência e relevância na arquitetura moderna.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140349/esculpindo-a-pietra-tiburtina-uma-abordagem-contemporanea-ao-travertino-classicoEnrique Tovar
Em algum momento, você pode ter se perguntado: "Quem é o/a principal arquiteto/a do mundo?". Trata-se de uma pergunta complexa, mas, felizmente, não existe uma única resposta definitiva. Se você tem curiosidade sobre o panorama global das indústrias de arte, arquitetura e design, o World Design Rankings (WDR) oferece um vislumbre interessante do pulso criativo das nações. Em vez de apenas citar nomes, o ranking traça um panorama amplo das potencialidades, fragilidades e do potencial inexplorado de cada país no universo do design.
Em 2024, a arquitetura continua a evoluir em resposta aos desafios globais, com um foco cada vez maior na sustentabilidade, no contexto cultural e na responsabilidade social. As entrevistas do ArchDaily com arquitetos/as de destaque, como Kengo Kuma e Anne Lacaton, destacam como o design está se voltando para soluções ambientais e centradas na comunidade. Essas conversas também lançam luz sobre vozes emergentes do Sul Global, onde práticas inovadoras enfrentam desafios sociopolíticos e ambientais singulares. Arquitetos/as de regiões como a África, Ásia e América Latina oferecem novas perspectivas, expandindo os limites da arquitetura tradicional para refletir suas diversas narrativas culturais e contextos locais.
O Buildner Unbuilt Award é um novo e instigante prêmio anual que oferece um fundo de 100.000 EUR, concebido para destacar projetos de arquitetura que ainda não foram concretizados.
Com o prazo final de inscrições se aproximando no final de outubro, o Unbuilt Award 2024 apresenta uma oportunidade única para que profissionais de arquitetura e design enviem seus melhores projetos não construídos — sejam eles publicados ou inéditos, totalmente desenvolvidos ou ainda em fase conceitual. O prêmio deste ano divide-se em três categorias baseadas na escala do projeto: pequeno, médio e grande porte. Essa estrutura permite que as propostas concorram em pé de igualdade, garantindo que cada visão, independentemente do porte, tenha a chance de ser celebrada.
Nos últimos anos, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) tornaram-se um modelo significativo para a viabilização de projetos de infraestrutura em grande escala em todo o mundo. Essas parcerias reúnem os pontos fortes tanto do setor público, representado por governos ou municípios, quanto do setor privado, combinando seus recursos, especialização e poder de investimento. No contexto da arquitetura e do desenvolvimento urbano, as PPPs vêm sendo cada vez mais utilizadas para atender às complexas demandas de cidades em crescimento, ajudando a financiar, construir e manter projetos fundamentais que seriam difíceis de realizar de forma isolada por qualquer um dos setores. Mas o que são exatamente as PPPs e como elas funcionam no ambiente construído? Este artigo explora o conceito de PPPs, trazendo exemplos globais para ilustrar como essas parcerias estão moldando o futuro dos espaços urbanos, por vezes indo além dos ganhos comerciais. Além disso, ao analisar diferentes projetos, o artigo busca desenvolver uma estrutura de reflexão sobre os potenciais impactos positivos e negativos das PPPs.
Cores, materiais, iluminação e texturas são os pilares fundamentais que moldam a atmosfera e o tom de um espaço interno. Esses elementos devem trabalhar em harmonia para criar ambientes que influenciam profundamente a maneira como nos sentimos e interagimos com o espaço ao nosso redor. De residências serenas e tranquilas a escritórios dinâmicos ou espaços de hospitalidade acolhedores, as tendências de design evoluíram para atender às necessidades específicas de cada contexto, ao mesmo tempo em que o mercado oferece uma infinidade de combinações de produtos.
Nos últimos anos, essas tendências passaram por uma transformação significativa, com um foco crescente na flexibilidade, no design biofílico e na sustentabilidade. Essas três abordagens estão redefinindo a maneira como os espaços são projetados—não apenas em termos estéticos, mas também no que diz respeito à funcionalidade, ao bem-estar e ao impacto ambiental. Dominar a interação entre esses elementos tornou-se essencial para criar espaços que se alinhem com propósito e funcionalidade, oferecendo experiências imersivas e significativas para seu público-alvo.
Em meados do século XX, a maioria dos países do continente africano conquistou sua independência. Aquele período de euforia trouxe consigo um sentimento de otimismo em relação ao futuro e o desejo de romper com o passado. O modernismo, como movimento arquitetônico, mostrou-se ideal para a época, e as nações recém-independentes lançaram amplos programas de construção para se firmarem como estados plenamente soberanos.
Os hotéis são uma tipologia edilícia que ilustra a complexa história arquitetônica e política da época. Alguns foram construídos especificamente para acolher delegações internacionais, outros para impulsionar o turismo, e outros ainda surgiram do desejo de líderes fortes. Embora constituam uma tipologia marginal, diversos hotéis espalhados pela África funcionam como registros físicos de capítulos importantes na história de seus respectivos países.
Ao iniciar este novo ano, reservamos um momento para refletir sobre o impacto duradouro de célebres profissionais da arquitetura, do design e da curadoria que nos deixaram em 2023. O ano que passou testemunhou a partida de figuras influentes que, por meio de seu talento e dedicação, deixaram uma marca indelével no ambiente construído. Enquanto alguns/mas iniciaram suas carreiras com gestos ousados que remodelaram os paradigmas arquitetônicos, outros/as trabalharam de forma mais silenciosa, dedicando um olhar profundo à experiência humana ou às figuras invisíveis de nossa profissão.
Uma superfície faz mais do que simplesmente cobrir um espaço — ela o transforma, infundindo personalidade, ritmo e alma. Deixa de ser um mero pano de fundo para se tornar um elemento ativo que molda a atmosfera por meio da interação entre material, forma e luz. O equilíbrio do toque, a espessura, as incisões, os tons e os reflexos luminosos podem transformar superfícies em experiências sensoriais. Texturas podem evocar estabilidade ou leveza, sulcos introduzem dinamismo, cores definem estados de espírito e a luz esculpe profundidade e movimento. A cerâmica, com sua versatilidade estética e funcional, é particularmente adequada para esse papel, oferecendo a arquitetos e arquitetas uma ampla paleta de possibilidades criativas.
Propostas de destaque. Imagem cortesia de Buildner
A Buildner tem o prazer de anunciar os resultados da segunda edição anual do seu Architect's Chair Competition, que recebeu excelentes propostas de todo o mundo. À medida que a série de concursos ganha força e gera mais interesse, a Buildner anuncia com entusiasmo o lançamento do concurso Architect's Chair Edition 3, com prazo de inscrição até 15 de janeiro de 2025. A Buildner também publicou seu primeiro livro sobre o tema, destacando as principais ideias e os projetos de destaque de edições passadas.
CityMakers, a comunidade global de profissionais de arquitetura que aprendem com cidades exemplares e seus idealizadores, está trabalhando em parceria com o ArchDaily para publicar uma série de artigos sobre Barcelona, Medellín e Roterdã. Os textos são de autoria de arquitetos/as, urbanistas e/ou estrategistas por trás dos projetos que transformaram essas três cidades e que são estudados nas "Schools of Cities" e nos "Documentary Courses" promovidos pela CityMakers. Nesta ocasião, Jaume Barnada, coordenador do premiado projeto de Abrigos Climáticos nas escolas de Barcelona e palestrante no "Schools of Cities", apresenta seu artigo "Barcelona: o espaço público como sinônimo de adaptação da cidade construída".
As cidades são espaços densos e construídos nos quais a pavimentação se impôs de forma eficiente sobre o solo natural. Cidades como Barcelona têm quase 75% de seu solo pavimentado e impermeável. Sem dúvida, trata-se de um excesso a ser revertido em um momento de emergência climática, no qual devemos nos reconectar com a natureza. Oriol Bohigas [1] nos dizia que a boa urbanização havia pavimentado as praças das cidades mediterrâneas e que ninguém queria viver em um lamaçal. Certamente ele tinha razão. Além disso, ele nos ensinou que o verde e, consequentemente, o solo natural deveriam ter dimensão e, sobretudo, uma inserção urbana. Praças são praças e parques são parques, e cada espaço demanda um tipo de projeto. Hoje em dia, com a frequente confusão conceitual na urbanização dos espaços públicos, deparamo-nos com projetos que acabam por descaracterizar o modelo.
Por volta de 1949, a cidade de Buenos Aires liderava a construção do Sexto Panteão no bairro da Chacarita. De caráter monumental e estilo brutalista, esta necrópole subterrânea revelou-se a primeira e maior experimentação de arquitetura moderna no âmbito funerário. Projetada por Ítala Fulvia Villa, uma das primeiras arquitetas e urbanistas argentinas, além de pioneira do modernismo sul-americano, juntamente com sua equipe formada por Leila Cornell, Raquel S. de Días, Gunter Ernest, Carlos A. Gabutti, Ludovico Koppman e Clorindo Testa, esta obra foi investigada por Léa Namer, que desenvolveu um profundo trabalho de estudo e análise, refletindo sobre o legado de uma utopia moderna e de uma releitura feminista da história.
A habitação estudantil passou por uma transformação notável ao longo do último século. Outrora vista como uma necessidade utilitária, limitada a fornecer abrigo e comodidades básicas para estudantes, essa tipologia arquitetônica evoluiu para atender a demandas sociais, culturais e urbanas cada vez mais complexas. A partir da abordagem modernista de Le Corbusier na Cité Universitaire em Paris, a moradia estudantil passou a refletir tendências mais amplas da arquitetura, do urbanismo e das transformações sociais.
Hoje, esses edifícios precisam atender a uma população altamente diversa e transitória, lidando com as pressões de acessibilidade econômica, densidade e com os novos padrões de vida dos jovens adultos. Diante da rápida urbanização e da crescente mobilidade estudantil, as universidades enfrentam agora o desafio de projetar habitações que não sejam apenas funcionais, mas também adaptáveis a diferentes contextos culturais e sociais. Isso tem levado a soluções mais flexíveis e inovadoras, que promovem tanto a privacidade quanto a vida em comunidade.
Nicolás Valencia conversa esta semana no podcast TERRAZA com a arquiteta estadunidense-venezuelana Elisa Silva sobre seu livro "Puro Espaço: Transformações do Espaço Público em Assentamentos Espontâneos da América Latina" (Actar Publishers), uma análise de uma série de intervenções no espaço público em comunidades do México, Colômbia, Venezuela, Brasil, Argentina, Peru e Chile.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140357/elisa-silva-o-assentamento-espontaneo-nao-precisa-ser-integrado-porque-ja-faz-parte-da-cidadeArchDaily Team
Nesse contexto, a adoção dos estilos neogóticos do século XIX e dos estilos neoclássicos do início do século XX tornou-se popular. Hoje, muitos desses edifícios permanecem como marcos proeminentes em todo o país e se tornaram partes integrantes das paisagens urbanas. Esta seleção explora como a arquitetura canadense integra elementos tradicionais a materiais modernos, como vidro e aço. Esses esforços preservam o significado histórico dos edifícios ao mesmo tempo em que os adaptam para atender às demandas funcionais da vida moderna.
O The Second Studio (antigo The Midnight Charette) é um podcast sem filtros sobre design, arquitetura e o cotidiano. Apresentado pelo arquiteto David Lee e pela arquiteta Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais do campo criativo em conversas espontâneas que abrem espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Diversos temas são abordados com honestidade e humor: alguns episódios trazem entrevistas, enquanto outros oferecem dicas para colegas designers, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações descontraídas sobre o cotidiano e o design. O The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, do escritório FAME Architecture & Design, compartilham o que mais gostam na profissão de arquiteto/a. Eles conversam sobre oportunidades de aprendizado contínuo; criar algo do zero; o companheirismo na arquitetura; o processo de construção; a valorização de elementos naturais e daqueles criados pelo ser humano; desenhos técnicos; o momento em que os projetos de arquitetura são concluídos; e muito mais.
https://www.archdaily.com.br/pt/1140509/the-second-studio-podcast-6-motivos-para-amar-a-arquiteturaThe Second Studio Podcast