Iwan Baan

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Ritmos do Solo: Arquitetura como Agroecologia

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Em tempos de colapso ecológico e crescente insegurança alimentar, a arquitetura é cada vez mais chamada a se engajar não apenas com as paisagens, mas com os sistemas que as sustentam e regeneram. Entre esses sistemas, a agricultura ocupa um papel paradoxal, sendo ao mesmo tempo uma das principais responsáveis pela degradação ambiental e um agente potencial de recuperação ecológica. A agricultura industrial esgotou os solos, fragmentou habitats e impulsionou as mudanças climáticas por meio de monoculturas, dependência de combustíveis fósseis e padronização territorial. Em resposta, a agroecologia surge como uma contraprática enraizada na biodiversidade, no conhecimento local e nos ritmos cíclicos da natureza. Ela ressignifica o cultivo não como extração, mas como regeneração dos ecossistemas, das comunidades e do próprio solo.

Esse reposicionamento abre espaço para que a arquitetura dê contribuições significativas. Alinhar-se à agroecologia não significa apenas apoiar a produção de alimentos, mas comprometer-se com as condições culturais, espaciais e ecológicas mais amplas que a sustentam. Isso implica projetar considerando as variações sazonais, apoiar o uso compartilhado e construir de modo a respeitar tanto a terra quanto quem nela trabalha. A arquitetura torna-se mais do que um invólucro — transforma-se em mediadora do cultivo, da reciprocidade e da coexistência.

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As cidades precisam de cuidado, não de perfeição: repensando como construímos o futuro urbano

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Como se manifesta o otimismo em cidades que já não podem contar com a perfeição como sua ambição máxima? Em todo o mundo, os ambientes urbanos carregam o peso de pressões sobrepostas: instabilidade climática, desigualdade espacial, fragmentação política, desconfiança pública e desinvestimento crônico em infraestrutura. Essas realidades tornam a ideia de uma cidade ideal cada vez mais distante da experiência vivida. Ainda assim, a esperança de construir sistemas melhores persiste. Embora as visões utópicas possam parecer uma fuga das crescentes complexidades do mundo moderno, o maior desafio para o urbanismo contemporâneo é confrontar essas complexidades, em vez de evitá-las.

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Compreendendo a arquitetura suave: a transição do monumento ao momento

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Nos últimos anos, a arquitetura tem adotado cada vez mais a adaptabilidade, a flexibilidade e a responsividade como princípios fundamentais de projeto. Essa evolução reflete uma transição das noções tradicionais de estruturas estáticas e permanentes para ambientes dinâmicos que conseguem se ajustar a necessidades e condições em constante transformação. No cerne dessa transformação está o conceito de "arquitetura maleável", que utiliza materiais flexíveis e sistemas inovadores para criar espaços funcionais, sustentáveis e centrados nas pessoas. A arquitetura maleável ganha forma por meio de membranas que respiram, fachadas que se movem, estruturas que inflam ou se dobram e superfícies que se curvam em vez de quebrar. Isso envolve projetar para a transformação — não apenas no desempenho ambiental do edifício, mas também em como ele pode acomodar funções dinâmicas, interações de quem o utiliza ou ocupações temporárias. Essa abordagem construtiva contesta as noções tradicionais de durabilidade e controle, propondo, em contrapartida, uma arquitetura mais responsiva e de caráter aberto. Isso reflete uma consciência crescente de que os edifícios, assim como as sociedades que atendem, precisam ser capazes de evoluir.

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Da fragilidade à resiliência: a curadoria da Bienal Pan-Africana de Arquitetura inaugural

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Uma Bienal Pan-Africana de Arquitetura está prevista para 2026 em Nairóbi, no Quênia. Segundo o curador, o evento "representa uma oportunidade sem precedentes para recuperar a narrativa arquitetônica da África, reafirmando o papel do continente como líder global em resiliência urbana, sustentabilidade e expressão cultural."

Omar Degan, curador em parceria com a Architectural Association of Kenya, é arquiteto atuante, professor e educador. Ele lidera o escritório de arquitetura DO Architecture Group, fundado entre a Itália e a Somália — dois lugares profundamente conectados à sua identidade. Seu trabalho se concentra no que ele descreve como "contextos frágeis" ao redor do mundo, incluindo áreas afetadas por desastres naturais, campos de refugiados, urbanização de favelas e bairros periféricos e desassistidos.

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Além do jantar privado: explorando a mesa comunitária como infraestrutura do espaço público

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O hábito de sentar-se à mesa e compartilhar um momento específico com outras pessoas está presente há séculos nas mais diversas culturas. O Simpósio Grego, o Convivium Romano, os banquetes e festivais medievais e os salões parisienses são apenas alguns exemplos de como esse costume foi construído historicamente e tem sido relevante em negociações sociais e políticas, discussões intelectuais e debates filosóficos.

A comensalidade frequentemente serve como um ritual de socialização, negociação e celebração de eventos importantes. Em muitas culturas de língua espanhola, o período após a refeição em que toda a família permanece sentada conversando é tão marcante que existe uma palavra específica para isso: sobremesa — traduzida literalmente como "sobre a mesa" (embora, em espanhol, refira-se mais precisamente à conversa pós-refeição). No entanto, apesar de frequentemente associada ao ato de compartilhar uma refeição, a mesa pode ser considerada uma plataforma flexível, aberta a inúmeras possibilidades de apropriação e interação.

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Modernismo Reconsiderado: Revisitando a complexa relação do movimento com a sustentabilidade

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O Modernismo surgiu no início do século XX como um movimento revolucionário que rejeitava os estilos históricos, priorizando a funcionalidade, a inovação e a racionalidade. Fundamentado na promessa do progresso industrial, nomes da arquitetura como Walter Gropius, Le Corbusier e Ludwig Mies van der Rohe defenderam o uso de novos materiais e métodos construtivos, buscando uma linguagem arquitetônica universal. Suas obras introduziram ideias radicais: plantas livres, extensas superfícies envidraçadas para a entrada de luz natural e pilotis que elevavam as estruturas, simbolizando uma nova era arquitetônica. Contudo, paralelamente às suas ideias inovadoras, a relação do modernismo com a sustentabilidade tem gerado debates contínuos.

Embora a arquitetura modernista buscasse responder a desafios sociais e econômicos por meio de habitações acessíveis e de um design eficiente, sua dependência de materiais com alta intensidade energética, como o concreto e o aço, gerou consequências ambientais imprevistas. A industrialização em larga escala, celebrada pelo modernismo, frequentemente desconsiderava os climas locais e os sistemas ecológicos, resultando em ineficiências. Ainda assim, os princípios de funcionalidade e adaptabilidade intrínsecos à arquitetura modernista lançaram as bases para o que hoje reconhecemos como práticas sustentáveis. Dos terraços-jardim de Le Corbusier à integração com a natureza de Frank Lloyd Wright, as sementes de um projeto ambientalmente consciente estavam inegavelmente presentes, embora limitadas em sua execução.

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Governança Provisória: Como Projetos Temporários Reconfiguram as Cidades

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Formuladores/as de políticas urbanas e incorporadores/as qualificam, cada vez mais, seus projetos como temporários, testando parques temporários, instalações artísticas e estruturas provisórias em cidades de todo o mundo. Essas iniciativas costumam ser apresentadas como intervenções experimentais voltadas à ativação de terrenos ociosos. Na prática, contudo, elas frequentemente funcionam como estratégias provisórias para gerir terras subutilizadas até que formas mais lucrativas de desenvolvimento se concretizem. O rótulo do temporário funciona como uma camuflagem urbana, ocultando agendas permanentes sob uma retórica provisória.

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Expandindo a prática: think tanks de arquitetura na interseção entre pesquisa e projeto

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Na arquitetura, a maior parte da prática profissional gira em torno da entrega de projetos aos clientes. Os escritórios são moldados por prazos, orçamentos e diretrizes (briefings) claras. Embora essa estrutura produza edifícios, raramente deixa espaço para que profissionais da arquitetura questionem questões mais amplas — sobre como vivemos, como as cidades estão mudando ou o que o futuro exige do design. Contudo, paralelamente a esse sistema focado na produção, surgiu um movimento mais silencioso: estúdios, coletivos e fundações que priorizam a pesquisa, a experimentação e a reflexão. São os chamados think tanks de arquitetura — espaços concebidos não para construir de imediato, mas para pensar primeiro.

A ideia de um think tank não é nova. Tradicionalmente presentes na política, na economia ou na ciência, os think tanks reúnem especialistas para estudar problemas complexos e propor soluções. Na arquitetura, sua ascensão revela uma tensão no cerne da disciplina. Para que a arquitetura continue social e ambientalmente relevante, ela pode continuar dependendo apenas de uma prática orientada pelo cliente? Ou deve abrir espaço para investigações mais lentas e profundas?

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Guia de arquitetura de Muharraq: 10 projetos ao longo do Caminho da Pérola em desenvolvimento na cidade do Bahrein

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O Reino do Bahrein tem ganhado grande destaque recentemente por suas contribuições arquitetônicas globais na Expo 2025 em Osaka, com o pavilhão Anatomy of a Dhow, de Lina Ghotmeh; e na Bienal de Veneza, onde a exposição Heatwave recebeu o Leão de Ouro de Melhor Participação Nacional. Contudo, nos últimos anos, cidades do Bahrein como Muharraq têm servido de palco para que arquitetos e arquitetas regionais e internacionais explorem a arquitetura típica do Golfo Pérsico e deixem suas próprias marcas nos sítios locais. É por meio de projetos de Leopold Banchini, Anne Holtrop ou Valerio Olgiati que o passado ganha nova vida, em consonância com os esforços das autoridades locais e de figuras do meio cultural.

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Capelas abertas para o exterior: integrando a natureza e a paisagem na arquitetura religiosa da América Latina

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Globalmente, a arquitetura contemporânea continua investigando ferramentas e metodologias de projeto para integrar a natureza nos espaços habitáveis, dados os seus comprovados benefícios e contribuições para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Embora existam diferentes crenças religiosas ao redor do mundo, a arquitetura religiosa geralmente vai além de seus usos e funções para conectar-se com o sagrado. Sentidos, memórias e emoções são transmitidos nesses espaços a partir do uso de certos materiais, organizações espaciais e até sons e aromas que potencializam as experiências em atmosferas de espiritualidade, divindade e reflexão. No México, Chile, Equador, Brasil ou Uruguai, projetos de espaços de culto abertos para o exterior revelam uma arquitetura capaz de se adaptar a diferentes ambientes naturais, mantendo a premissa de que cada religião está ligada a uma identidade social e exige um vínculo particular com sua comunidade e a paisagem circundante.

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Transformando o patrimônio industrial: estratégias de projeto para criar uma nova atmosfera em espaços culturais

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Criar uma atmosfera que valorize as exposições e enriqueça a experiência de quem visita e frequenta o espaço exige um equilíbrio cuidadoso entre preservar o caráter único de um local e adaptá-lo para atender às demandas da produção artística e cultural. O desafio reside em manter a atmosfera industrial da edificação ao mesmo tempo em que se acomodam as exigências específicas do design de exposições ou os diversos usos que o novo edifício exigirá. Essa delicada tarefa envolve uma reflexão minuciosa sobre a organização espacial, a escolha dos materiais e as soluções de iluminação, fatores que desempenham um papel fundamental na configuração do novo ambiente.

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As melhores entrevistas de 2025: o ano de reflexão, reparo e otimismo da arquitetura

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Em 2025, o campo da arquitetura foi marcado por um calendário intenso de exposições, por uma desaceleração moderada na construção civil em diversas regiões e por um período de reflexão que examina o impacto da inteligência (artificial e natural) — tanto na prática profissional e na cultura do ambiente de trabalho quanto em seu uso como ferramenta pedagógica. Ao longo deste ano, o ArchDaily publicou mais de 30 entrevistas em diversos formatos — perguntas e respostas, conversas presenciais, vídeos especiais e muito mais. Esses diálogos abordaram temas como sustentabilidade e natureza, habitação e desenvolvimento urbano, IA e inteligência, reuso adaptativo e vida pública, além de terem acompanhado de perto importantes plataformas de exposição, incluindo a Bienal de Veneza, a Expo 2025 Osaka, a Semana de Design de Milão, o Concentrico, entre outras.

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Da colonização a Le Corbusier: o modernismo na Índia foi uma imposição ou um convite?

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Quando a Índia conquistou a independência em 1947, a nação enfrentou uma decisão que determinaria o rumo de seu futuro arquitetônico: tijolo ou concreto. Uma escolha de material aparentemente banal estava enraizada em uma divisão filosófica mais profunda entre dois caminhos possíveis para o ambiente construído da Índia pós-colonial. Figuras pioneiras na luta pela independência indiana tinham visões opostas — Mahatma Gandhi defendia o artesanato tradicional, enquanto Jawaharlal Nehru abraçava o modernismo. A arquitetura que se vê no subcontinente hoje é um mosaico de ambos, levantando a questão: o modernismo na Índia teria sido uma imposição estrangeira ou uma importação celebrada?

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World Architecture Festival anuncia tema e datas de sua edição de 2025

O World Architecture Festival (WAF) realizará sua 17ª edição em Miami, marcando a estreia do evento nos Estados Unidos. O tema do festival deste ano, anunciado como Hearts and Minds, explorará a interseção entre estratégias de projeto racionais e ressonância emocional. Por meio de uma série de palestras e painéis de discussão, os/as palestrantes examinarão como a arquitetura opera tanto como uma busca intelectual quanto como uma experiência sensorial, envolvendo percepção, memória e afeto. Programado para ocorrer de 12 a 14 de novembro no Miami Beach Convention Center, na Flórida, o festival reunirá arquitetos/as e designers de todo o mundo em uma programação de três dias com palestras, prêmios, exposições e eventos paralelos. O evento destacará práticas internacionais, apresentará novos projetos e facilitará discussões sobre questões fundamentais que moldam o ambiente construído.

Domando a natureza: como a arquitetura está redefinindo sua relação com o meio ambiente

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A integração de elementos naturais ao projeto arquitetônico é, há muito tempo, uma busca fundamental para a criação de ambientes sustentáveis e confortáveis que melhorem tanto o bem-estar individual quanto a relação entre as edificações e seu contexto circundante. Em áreas de paisagens vastas, a incorporação de elementos naturais é essencial para conectar harmoniosamente a arquitetura ao seu local de implantação. Por outro lado, em ambientes urbanos densos e dominados por estruturas construídas, a introdução de áreas verdes torna-se também cada vez mais vital, reintroduzindo a natureza na chamada "selva de pedra".

Contudo, para além dos elementos paisagísticos convencionais — como fontes de água, paredes verdes, jardins ou pátios —, arquitetos e arquitetas estão redefinindo o que significa construir com a natureza. O foco deslocou-se para uma integração profunda da arquitetura com o seu entorno natural, criando experiências espaciais imersivas que atenuam as fronteiras entre o construído e o orgânico — de certa forma, "domesticando" a natureza. Quando executados com sucesso, esses projetos vão além de promover o bem-estar ou um estilo de vida saudável; eles evocam uma sensação profunda de tranquilidade, força e harmonia, transformando a maneira como percebemos e habitamos o espaço.

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Mesquitas Contemporâneas: Usando o contexto como força motriz em vez do simbolismo

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A configuração da mesquita, local de culto da comunidade muçulmana, remonta sua história ao pátio do fundador da religião. As primeiras mesquitas eram, portanto, simples espaços abertos destinados às orações rituais. Ao longo dos anos e séculos, esses templos incorporaram diversos elementos funcionais e normativos, como o mihrab, um nicho que indica a direção da oração, e o minbar, o púlpito de onde o pregador profere o sermão. Outros elementos também se tornaram comuns, como as cúpulas e os minaretes, historicamente utilizados para o chamado à oração. Estes tinham o propósito adicional de sinalizar a função do edifício como mesquita e eram usados por governantes e benfeitores para exaltar sua imponência.

Na contemporaneidade, as mesquitas não estão imunes ao debate arquitetônico. Elementos que não possuem função religiosa direta são questionados, assim como a relação entre o templo e seu entorno. Essa discussão é especialmente acirrada em regiões do mundo com comunidades muçulmanas relativamente novas, onde alguns teóricos defendem a eliminação de elementos simbólicos sob o argumento de que se tratam de mero "pastiche", enquanto outros manifestam nostalgia em relação à carga afetiva associada às formas históricas. Contudo, arquitetos e arquitetas contemporâneos têm elevado com sucesso a arquitetura das mesquitas, atendendo aos requisitos funcionais com criatividade ao mesmo tempo em que deixam o contexto do edifício moldar sua volumetria.

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Tocar a terra levemente: como liberar o plano do solo molda a atmosfera arquitetônica

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A arquitetura e suas qualidades atmosféricas há muito são objeto de discussão, mas alcançar um consenso sobre o assunto continua sendo uma tarefa complexa. Isso ocorre, em grande parte, porque a experiência espacial é profundamente pessoal — enraizada em emoções, percepções sensoriais e preferências individuais difíceis de articular apenas com palavras. A maneira como cada pessoa percebe, sente e interage com um espaço adiciona outra camada de complexidade, tornando desafiador definir e concordar sobre seu impacto atmosférico. Ainda assim, arquitetos/as e designers buscam continuamente moldar ambientes que não sejam apenas funcionais e confortáveis, mas também capazes de evocar emoções e deixar uma impressão duradoura em seus ocupantes.

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O ambiente construído como terceiro educador: o brincar arquitetônico em jardins de infância japoneses e chineses

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No design contemporâneo de escolas de educação infantil no Japão e na China, arquitetos e arquitetas estão transformando os espaços internos, deixando de lado o conceito de mero recipiente para criar um ambiente multissensorial ativo. Essa transição parece acompanhar estudos em psicologia do desenvolvimento que sugerem que a experiência espacial da criança começa com um engajamento sensório-motor, por meio do toque e da manipulação. Dessa forma, esses projetos dão grande ênfase ao uso de materiais e à abordagem do aprender brincando. Arquitetos e arquitetas parecem estar indo além das salas de aula tradicionais, criando ambientes táteis, estimulantes e enraizados em seus contextos específicos. Os próprios edifícios se tornam ferramentas pedagógicas, incentivando as crianças a aprender e explorar por meio do engajamento físico direto.

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