Em 2021, uma colaboração entre o escritório de arquitetura italiano Mario Cucinella Architects e a WASP, uma empresa italiana de impressão 3D, levou ao desenvolvimento da TECLA: uma casa impressa em 3D inteiramente com terra crua. Cinco anos depois, a tecnologia por trás do projeto evoluiu, espalhando-se discretamente por diversos continentes e práticas de projeto. Ao controlar a velocidade, o ângulo e a trajetória do bocal de extrusão, arquitetos e arquitetas conseguem ir muito além da criação de paredes convencionais. Ao longo dos anos, esses/as profissionais vêm experimentando maneiras de moldar o material impresso em 3D em padrões de superfície detalhados, reintroduzindo relevos, texturas e grafismos complexos diretamente na estrutura. Dessa forma, busca-se estabelecer uma ponte entre as tradições da construção com terra e a computação digital, em uma era em que o código começa a influenciar a forma e a expressão material na arquitetura.
O centro de uma planta nunca é simplesmente um espaço vazio. A partir do momento em que ambientes e fluxos passam a se organizar ao seu redor, o centro começa a estruturar todo o projeto. Ele pode conter um pátio, uma escada, um jardim ou um espaço de uso comum. Pode também preservar algo preexistente no terreno ou abrigar um processo que a arquitetura não controla totalmente. O que ocupa essa posição determina como os espaços circundantes são organizados, conectados e utilizados.
Em Uma Linguagem de Padrões, Christopher Alexander, Sara Ishikawa e Murray Silverstein descrevem os espaços compartilhados como mais eficazes quando se situam no centro de gravidade da vida cotidiana e permanecem conectados às rotas mais utilizadas pelas pessoas. O argumento dos autores sugere que um centro é importante não por ocupar o meio geométrico, mas porque os ambientes, caminhos e atividades ao redor lhe conferem peso espacial. Os projetos selecionados aqui estendem essa ideia para além do espaço comunitário, mostrando como o centro pode organizar a circulação, o uso coletivo, os sistemas ambientais e a relação entre a arquitetura e o que já existe no local.
Agosto de 2023; Uma perspectiva aérea captura a escala abrangente da sequência de construção horizontal à medida que a estrutura começa a ganhar sua forma orgânica pelo terreno.. Imagem cortesia de Clark Construction
As recém-inauguradas David Geffen Galleries no LACMA são o resultado de mais de uma década de esforços em diversas frentes: a cidade, o condado, o público, a equipe de arquitetura, as equipes de engenharia, a construtora principal e os diversos profissionais envolvidos na tradução de um projeto ambicioso e visionário em forma construída. O projeto também foi alvo de um escrutínio excepcionalmente intenso, com reações que variam da admiração por sua execução meticulosa e ambição arquitetônica a críticas sobre sua escala, custo, volume de concreto e complexidade estrutural em uma Los Angeles propensa a terremotos. Independentemente do posicionamento de cada um, o edifício continua sendo um estudo de caso excepcionalmente sofisticado de como a arquitetura se viabiliza por meio da construção.
Esta conversa aborda as David Geffen Galleries sob a perspectiva da Clark Construction, a construtora principal responsável por ajudar a concretizar o projeto de Peter Zumthor. Carlos Gonzalez, presidente de grupo na Clark Construction, supervisionou a obra e compartilhou com o ArchDaily alguns dos desafios técnicos, materiais e logísticos por trás do edifício. Estes variam de sua estrutura monolítica de concreto e do amplo sistema de pós-tensão aos 56 isoladores sísmicos que permitem que o edifício se mova durante um terremoto; das condições imprevisíveis do solo perto de La Brea Tar Pits à fabricação de montantes de bronze maciço e à integração de sistemas mecânicos dentro da estrutura de laje dupla de concreto do edifício.
As imagens dos bancos do High Line Park, em Nova York, correram o mundo quando o projeto foi inaugurado em 2009. Emergindo diagonalmente do mesmo material e padrão modular da pavimentação, eles transitam de forma fluida do concreto para a madeira, evocando os trilhos ferroviários que outrora ocupavam o local. Para resistir a décadas de exposição às intempéries, o projeto exigia uma espécie de madeira de durabilidade excepcional, e o ipê, extraído da Amazônia brasileira, foi o escolhido. Seu crescimento lento produz uma madeira de lei densa e de baixa porosidade, naturalmente resistente ao desgaste, à umidade e à deterioração biológica. Essa escolha, no entanto, gerou polêmica na época devido a preocupações com a certificação do manejo florestal da madeira. Essa perspectiva mais ampla transforma a forma como pensamos os materiais. Sua origem ainda importa, mas o que acontece após o fim da vida útil do edifício também é fundamental.
A história arquitetônica de Londres é uma rica tapeçaria que tece estilos de vários períodos e influências. No pós-guerra, a cidade experimentou um surto de arquitetura moderna, tornando-se uma tela para experimentação. Novos movimentos estilísticos viram sua expressão cristalizada através de edifícios como o Lloyd’s Building, de Richard Rogers, um dos exemplos mais representativos da arquitetura High-Tech, ou o Barbican Estate, um conjunto habitacional de grande escala que se tornou a estrutura icônica da arquitetura brutalista.
A paisagem arquitetônica contemporânea de Londres continua a evoluir, em parte através das obras de arquitetos/as de reconhecimento internacional, como Norman Foster, Zaha Hadid e Thomas Heatherwick. Essa mistura variada de estilos e formas de expressão reflete a capacidade da cidade de abraçar movimentos arquitetônicos de importância global. Como um centro de inovação, Londres continua a atrair arquitetos/as consagrados/as e emergentes que moldam seu horizonte e contribuem para o discurso arquitetônico internacional, com cada novo edifício oferecendo um vislumbre da natureza em constante mudança do tecido urbano de Londres.
Esta semana foi dedicada às artes, com a arquitetura cultural dominando as manchetes em todo o mundo. Edifícios emblemáticos de grandes instituições alcançaram marcos importantes de construção e projeto, desde a Ópera de Xangai até o novo centro de artes cênicas de Abu Dhabi, ao mesmo tempo em que duas novas encomendas de museus foram anunciadas após concursos internacionais. A arquitetura também assumiu o papel de protagonista como tema de exposição em si mesma, com a Trienal de Arquitetura de Sharjah revelando sua lista de participantes e a Áustria apresentando sua proposta para a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2027. Além dessas novidades, o compilado de notícias desta semana inclui três futuros projetos de desenho urbano: em Seul, Coreia do Sul, um novo bairro à beira-rio no distrito de Apgujeong integra torres residenciais a áreas de parque que conectam a cidade ao Rio Han; em Cardiff, País de Gales, uma ponte de pedestres e ciclistas sobre o Rio Taff conecta bairros costeiros a novas habitações à beira-mar; e em Bengaluru, no sul da Índia, o Museu de Arte e Fotografia está expandindo seu campus público, adicionando novas instalações cívicas e culturais, além de um grande parque de esculturas localizado em uma Reserva da Biosfera da UNESCO em Tamil Nadu.
A magia da arquitetura indiana reside em uma ordem invisível em meio ao caos visceral. Quando um futuro incerto bate à porta de profissionais locais, abre-se a possibilidade de olhar para dentro das próprias quatro paredes em busca de uma oportunidade de reinterpretação.
Mumbai, Déli, Bengaluru e outras grandes metrópoles são frequentemente descritas como carentes de soluções habitacionais massivas para milhões de pessoas. A resposta instintiva é previsível — planos diretores, torres densas e unidades padronizadas sobrepostas a um desenvolvimento desordenado. Esse léxico ignora uma verdade mais profunda sobre como as pessoas já vivem, trabalham e constroem na Índia. Os termos simplistas adotados em políticas públicas e no planejamento urbano — favela, assentamento informal, colônia irregular — sugerem um estado temporário a ser corrigido. O olhar do/a designer, contudo, enxerga esses lugares como histórias urbanas em camadas, moldadas pela necessidade.
Os sítios de patrimônio constituem arquivos espaciais complexos nos quais a arquitetura, a história e a memória coletiva convergem. Eles abrangem um amplo espectro de contextos—de vestígios arqueológicos, paisagens urbanas antigas e históricas e paisagens tombadas pela UNESCO a estruturas cívicas do início da era moderna e infraestruturas industriais. Contudo, esses ambientes enfrentam desafios: as mudanças climáticas, a transformação urbana, desastres, as novas demandas sociais e a erosão gradual do tecido material. Projetos de revitalização e restauração respondem a essas condições ao posicionar a prática arquitetônica e espacial como uma mediadora ativa entre a preservação e as topologias contemporâneas.
Lançada em setembro de 2024, a série Redescobrindo o Modernismo na África somou-se a um interesse global crescente sobre o tema. Anteriormente sub-representada nos debates arquitetônicos, a produção de arquitetos/as e pesquisadores/as no continente e no exterior tem se dedicado a contar a história dessas obras modernas de alta qualidade. Esses edifícios representam o esforço de projetistas em criar uma arquitetura adaptada ao contexto local a partir de conceitos e tecnologias globais, coincidindo com grandes transformações políticas à medida que a maioria dos países africanos conquistava sua independência.