Há uma década, enquanto a China se preparava para os Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim e para a Expo 2010 em Xangai, uma onda impressionante de novas construções inundou as principais cidades do país. Arquitetos e arquitetas de renome internacional propuseram e desenvolveram estruturas ousadas que rapidamente se tornaram os novos símbolos nacionais. Tendo Pequim e Xangai como portas de entrada, esse fenômeno gradualmente se espalhou por outras cidades chinesas menos conhecidas. Com o crescimento dessas cidades de "segundo escalão", o governo buscou elevar a qualidade de vida da população e desenvolver identidades locais próprias, impulsionando a construção de novos teatros, estádios, escolas e edifícios corporativos.
Após focar em Pequim e Xangai em sua primeira série fotográfica, Kris Provoost dá continuidade ao seu projeto com a série "Beautified China", realizando uma observação aprofundada da arquitetura em 12 cidades chinesas, de Harbin a Hong Kong. A premissa permanece a mesma: uma seleção de 20 fotografias minimalistas de edifícios construídos ao longo de uma década, capturadas nos últimos oito anos.
O Zeitz Museum of Contemporary Art Africa — ou simplesmente Zeitz MOCAA — conquistou recentemente o primeiro lugar no prêmio de Reforma em Arquitetura da ArchDaily, graças ao seu projeto impactante que transformou um antigo edifício industrial abandonado em um marco icônico no porto ativo mais antigo da África do Sul. Desenvolvido pela V&A Waterfront na Cidade do Cabo e projetado pelo escritório Heatherwick Studio, o empreendimento de uso misto é hoje “o maior museu do mundo dedicado à arte contemporânea da África e de sua diáspora”. Para celebrar a premiação, conversamos com o líder de grupo Matthew Cash para discutir os desafios enfrentados durante o projeto, sua importância cultural para a África e o interesse do escritório em projetos de reforma como um todo.
Lake Verea é composto por Francisca Rivero-Lake Cortina (Cidade do México, 1973) e Carla Verea Hernández (Cidade do México, 1978). Trabalham em dupla desde 2005. Sua prática se concentra na experimentação de técnicas e formatos fotográficos para alcançar um ponto de vista pessoal e íntimo. Vivem e trabalham na Cidade do México e pelo mundo. Seus temas de pesquisa centram-se no retrato da arquitetura e na arquitetura do retrato, na busca pela ruína moderna e na interpretação emocional do percurso espacial.
Sua participação mais recente consiste em uma série encomendada por Gabriela Etchegaray para a 16ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, integrando o Pavilhão do México, intitulado “Echoes of a Land”. Nela, as artistas concebem retratos arquitetônicos a partir de uma abordagem íntima, utilizando fragmentos que compõem uma narrativa na qual o sujeito arquitetônico é reinterpretado de forma pessoal.
Nas últimas três semanas, registramos um total de 230 mil votos. Com a valiosa contribuição de nossos leitores e leitoras, elegemos os vencedores do Prêmio ArchDaily Obra do Ano 2018 na China! Grande parte de nosso público é composta por profissionais da arquitetura que, a partir de mais de 300 projetos chineses publicados no ArchDaily.cn ao longo de 2017, escolheram as três obras mais representativas. Trata-se, portanto, de um reconhecimento direto entre pares, o que confere enorme relevância a esta premiação.
https://www.archdaily.com.br/pt/1118099/revelados-os-resultados-do-premio-edificio-do-ano-2018-na-chinaJoanna Wong
Willie Arthur 78 (WA78), elegido mejor proyecto de edificación hasta 10 pisos en PAU 2018. Image Cortesía de WA78
Seis projetos de destaque em quatro categorias foram reconhecidos em 2018 no Chile pelo Prêmio Aporte Urbano (PAU) 2018, iniciativa promovida pela Cámara Chilena de la Construcción (CChC), pelo Ministerio de Vivienda y Urbanismo (Minvu), pelo Colegio de Arquitectos, pela Asociación de Oficinas de Arquitectos (AOA) e pela Asociación de Desarrolladores Inmobiliarios (ADI).
O reconhecimento esteve aberto a qualquer empresa com projetos no Chile que, na qualidade de titular da proposta, representa o restante da equipe de profissionais e as empresas envolvidas na obra, como arquitetos/as, construtora, calculista, paisagista, entre outros/as.
Madri celebrará, entre 28 de setembro e 7 de outubro, a XV Semana da Arquitetura, organizada pelo Colégio Oficial de Arquitetos de Madri (COAM) e pela Fundação Arquitetura COAM, em colaboração com a Prefeitura de Madri e a Embaixada da Itália, e com o ArchDaily como media partner. Esta edição terá Milão como cidade convidada, seguindo o exemplo de Paris, Nova York e Berlim em edições anteriores.
Com esta nova edição da Semana da Arquitetura, o principal objetivo do COAM é continuar aproximando a arquitetura e o desenvolvimento da cidade de toda a sociedade, além de difundir o valioso patrimônio arquitetônico que faz de Madri uma das capitais de referência desta disciplina no mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1118106/milao-e-saenz-de-oiza-protagonistas-da-xv-semana-da-arquitetura-de-madriJavier García Librero
Há algo na água que capta continuamente a nossa imaginação. Seja tranquila, dramática ou em constante mudança, a arquitetura dos banhos públicos e das piscinas pode realçar as qualidades inerentes da água. Tradicionalmente, as casas de banho eram espaços de encontro onde as diferenças sociais se dissipavam entre a pele e o vapor. Mesmo em projetos arquitetônicos contemporâneos, os espaços para natação e banho frequentemente parecem um mundo à parte, terapêuticos e íntimos.
Abaixo, apresentamos 12 projetos que revelam espaços deslumbrantes para banhos coletivos e natação.
As histórias das mulheres na arquitetura costumam ser menos conhecidas do que as do sexo oposto. Nesta ocasião, destacamos as biografias de arquitetas que configuram um elo importante na cadeia da arquitetura e cujos perfis foram os mais visitados entre os que divulgamos por cortesia do Un día | Una arquitecta.
Un día | Una arquitecta busca dar visibilidade — com um notável catálogo de mais de 700 biografias — à contribuição das arquitetas em diferentes frentes: projeto arquitetônico, urbano e paisagístico, tecnologia, curadoria e publicações, produção artística, política, gestão do habitat social, teoria e ensino; difundindo parte de suas histórias, formação e inspirações.
Conheça, a seguir, uma série de 12 histórias de arquitetas que se destacam na arquitetura.
Lecionei história da arquitetura em duas escolas de arquitetura durante as décadas de 1980 e 1990. Naquela época, era comum que os/as estudantes tivessem uma disciplina completa de três semestres que começava na Antiguidade e terminava no modernismo, com uma breve menção à arquitetura do final do século XX. Meu livro-texto para a parte intermediária era a magistral obra de Spiro Kostof, History of Architecture: Settings and Rituals. Com tantos séculos para cobrir, ele dedicou muito pouco esforço ao século XX. No último terço do curso, os/as estudantes liam textos como Por uma arquitetura, de Le Corbusier, e Teoria e Projeto na Primeira Era da Máquina, de Reyner Banham . Meus/minhas colegas e eu sentíamos que oferecíamos aos/às estudantes um panorama plural e abrangente dos principais desdobramentos na história do ambiente construído.
Após deliberar cuidadosamente em sua sessão anual, o Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO selecionou 19 novos locais para integrar a Lista do Patrimônio Mundial, em reunião realizada na cidade de Manama, no Bahrein.
Com a inclusão de 13 sítios culturais — como os mosteiros budistas de montanha na Coreia, a cidade industrial de Ivrea na Itália e a cidade califal de Medina Azahara na Espanha —, além de três sítios naturais e três mistos (classificados simultaneamente como patrimônio cultural e natural), a lista passa a somar 1.092 bens em 167 países.
Renderização da Usina de Resíduos em Energia do BIG. Imagem cortesia de BIG.
O JP Morgan Chase anunciou esta semana que contratou o escritório Foster + Partners para projetar sua nova sede global em Nova York. O projeto, localizado em Midtown Manhattan, substituirá o edifício atual da década de 1960, projetado pelo SOM para o banco de investimentos norte-americano.
Esta não é a primeira vez que o Foster + Partners é contratado para desenvolver o projeto de uma sede corporativa: o escritório também é responsável pelos projetos da vizinha Hearst Tower, do Campus da Apple no Vale do Silício e da sede da Bloomberg em Londres, vencedora do Prêmio Stirling.
O papel do/a arquiteto/a — e até mesmo da própria arquitetura — na sociedade atual está mudando. A falta de interesse em questões sociais críticas por parte de uma profissão que detém tamanha responsabilidade perante a comunidade é um problema que não deve mais ser evitado.
Em uma exposição atualmente em cartaz no Center for Architecture and Design em Seattle, intitulada "In the Public Interest", Garrett Nelli Assoc. AIA desafia a profissão a focar em um design mais engajado com a comunidade. Com o apoio da bolsa de viagem para profissionais emergentes 2017 do AIA Seattle, Nelli viajou para Los Angeles, para o interior do Alabama, para o Haiti, para a Itália e para Nova Orleans, ao mesmo tempo em que analisava como o ambiente construído tem a capacidade de influenciar a mudança social.
Leia a seguir uma entrevista editada com Nelli sobre sua pesquisa e descubra como você pode começar a implementar elementos em sua prática projetual para ajudar a promover a mudança social em suas próprias comunidades.
Ao percorrer as ruas de Bogotá, é inevitável sentir-se envolvido pela mistura de correntes artísticas em cada quadra. As diferentes construções que refletem a história, o passar do tempo e a sobrevivência de casas e edifícios diante das iminentes transformações espaciais da cidade constroem uma espécie de palimpsesto arquitetônico, no qual algumas estruturas são reutilizadas, ou os espaços são renovados, mas a marca de sua história prevalece.
Justamente o bairro Niza Antigua foi uma das áreas declaradas patrimônio cultural: projetado pelo arquiteto Willy Drews, nos anos 1960 sua localização — na época distante do setor financeiro e comercial de Bogotá — provocou uma série de mudanças no estilo de vida de seus moradores e moradoras, ao mesmo tempo em que a ausência de grades e a proximidade entre as casas incentivaram o senso de comunidade entre a vizinhança.
Às margens do Lago Titicaca, cerca de 250 estudantes de 15 países deram início, no Peru, ao TSL Puno 2018, a 15ª edição do Taller Social Latinoamericano, dirigido pela Coordinadora Latinoamericana de Estudiantes de Arquitectura (CLEA) e pela Organización Peruana de Estudiantes de Arquitectura (OPEA).
Como já é tradição desde 2002, estudantes de arquitetura de toda a América Latina unem forças com entidades públicas e privadas, coletivos de arquitetura, oficineiros/as, docentes e membros da sociedade civil para pensar, projetar e construir equipamentos públicos nos mais diversos pontos de nossa geografia de língua espanhola.
No contexto do Real Estate Show 2018, evento que reúne os principais líderes do setor nacional e internacional, além de ser a melhor vitrine para a exibição de projetos arquitetônicos icônicos e de vanguarda, o parque La Mexicana, em Santa Fe, Cidade do México, recebeu o prêmio de primeiro lugar da Associação de Desenvolvedores Imobiliários (ADI) durante a sexta edição do Real Estate Show 2018.
O Coal Drops Yard do Heatherwick Studio, localizado em King's Cross, Londres, tem inauguração prevista para 26 de outubro de 2018. Como um novo e importante centro comercial em King's Cross, o projeto dá nova vida a dois edifícios ferroviários históricos da década de 1850. Hoje abrigando lojas, restaurantes e cafés, o Coal Drops Yard fica ao lado da Granary Square, próximo ao Regent's Canal e à renovada escola Central St. Martins. O par de galpões vitorianos de carvão foi reimaginado como um espaço para o público se apropriar.
A arquitetura é conhecida por ser um dos cursos universitários mais caros em relação aos gastos cotidianos, no mesmo nível de outras disciplinas como o design, as artes plásticas, a odontologia e a medicina. O ritmo frenético das disciplinas de projeto obriga os/as estudantes a apresentarem suas propostas por meio de peças gráficas, renders e/ou fotomontagens impressas, somando-se, na maioria dos casos, maquetes de estudo ou modelos em escala bem executados, dependendo da importância da entrega. Tudo isso gera um custo extra que parece já ser aceito como natural pelo corpo docente, estudantes e pela comunidade em geral.
Para quem não tem a sorte de ter nascido em um país onde o ensino superior é gratuito, ou pelo menos onde existem bons sistemas e bolsas de apoio, o financiamento de este gasto extraordinário (mas constante) torna-se exaustivo e precisa sair do bolso dos/as próprios/as estudantes. Com o apoio dos pais – no melhor dos casos – ou com a necessidade de trabalhar paralelamente para gerar renda, muitos/as estudantes se veem forçados/as a cumprir uma exigência normalizada que poderia ser abordada de outras maneiras.
Após o incêndio na Grenfell Tower em junho de 2017, que vitimou 72 pessoas, o RIBA lançou uma consulta pública para um novo “Plano de Trabalho para Segurança contra Incêndio”.
Após cobrar de forma consistente mudanças nos regulamentos de construção na esteira da tragédia, a organização elaborou o documento em resposta à Revisão Independente de Regulamentos de Construção e Segurança contra Incêndio de Dame Judith Hackitt, bem como ao seu apelo por “maior transparência, responsabilidade e colaboração” por parte do setor.
https://www.archdaily.com.br/pt/1117972/plano-de-trabalho-do-riba-para-seguranca-contra-incendio-e-anunciado-apos-os-desastres-de-grenfell-e-mackintoshNiall Patrick Walsh
Talvez uma das coisas mais surpreendentes no mundo seja o bambu — um material totalmente natural e sustentável, cuja impressionante resistência à tração e capacidade de crescer até 900 milímetros (3 pés) em apenas 24 horas o consagraram como um material de construção milagroso. Como muitos materiais de construção tradicionais, o bambu perdeu o amplo espaço que outrora ocupava na arquitetura da Ásia e do Pacífico, mas os esforços de Elora Hardy podem ajudar a restabelecer sua antiga glória. À frente da Ibuku, uma empresa de design especializada no uso do bambu, a recente palestra de Hardy no TED é um trabalho excepcional que exalta a elegância e as virtudes arquitetônicas do material, apresentando residências privadas sinuosas e edifícios escolares construídos de forma artesanal.
Este novo concurso intitulado 'Young Architects in Latin America' é um dos eventos colaterais da 16ª Bienal de Arquitetura de Veneza de 2018 e é organizado pela CA'ASI, após o sucesso obtido em edições anteriores como o 'New Chinese Architects' em 2010, 'Young Arab Architects' em 2012 e 'Young Architects in Africa' em 2014.
Há alguns meses, foi aberta a convocatória para jovens arquitetos e arquitetas da América Latina, representando uma oportunidade para se posicionarem na cena global da arquitetura. O júri se reuniu em Paris no final de março e divulgou o veredicto dos projetos finalistas, que serão convidados a apresentar seus trabalhos em Veneza no âmbito da 16ª Bienal de Arquitetura.
Continue lendo para conhecer a lista completa por país.
Uma das tarefas fundamentais da Universidade Nacional Autônoma do México tem sido a difusão da cultura que, somada ao desenvolvimento da pesquisa e do trabalho acadêmico, constrói espaços de reflexão fundamentais para o país. Desta vez, por meio do Museu Nacional de Arquitetura e com o apoio da Universidade Autônoma Metropolitana, realiza-se esta exposição em homenagem à obra do arquiteto Carlos Leduc Montaño, promotor de uma arquitetura funcionalista alinhada ao contexto nacional, herdeiro dos ideais da revolução e criticamente regionalista. O papel do arquiteto Carlos Leduc Montaño na produção moderna da arquitetura mexicana acabou sendo eclipsado, em muitos aspectos, devido à destruição de sua obra e à escassa pesquisa crítica e histórica realizada nos últimos anos.
Com a abertura da exposição “Pós-Modernismo: Estilo e Subversão, 1970-1990” no Victoria and Albert Museum de Londres, em 2011, antecipou-se um ressurgimento do pós-modernismo no início do século XXI. Hoje, contudo, após anos de debates sobre essa “retomada”, podemos finalmente afirmar com segurança que o termo retornou em definitivo e continuará a ocupar o centro do debate contemporâneo. Embora seja evidente que o “pós-modernismo” está novamente na moda, talvez seu real significado nos escape ao utilizá-lo. De fato, a palavra tem sido amplamente desgastada para abarcar quase tudo: na prática profissional, é usada para classificar projetos descolados e “bonitinhos”; na crítica, serve para rotular qualquer proposta colorida; e, no campo teórico, o conceito é mobilizado para provar que a arquitetura foi subjugada pela tecnologia e pelo formalismo, reduzida a uma mera caricatura moralizante.
Independentemente de concordarmos ou não com essas visões, há uma questão que ainda exige debate: o que, afinal, significa “pós-modernismo”? De forma ainda mais urgente: o que esse termo representa hoje? Afinal, se formos reutilizar uma das palavras mais amplamente mal interpretadas e controversas do vocabulário arquitetônico, deveríamos, no mínimo, discutir seu real significado antes de fazê-lo.
Junto a um arqueólogo e uma artista plástica, a equipe liderada pela arquiteta e acadêmica da Universidade do Chile Claudia Torres registrou uma série de ruínas industriais em áreas rurais ao longo de todo o Chile. Trata-se de construções nas quais a geografia e a natureza desempenharam um papel fundamental, tanto como recurso produtivo quanto como testemunhas de sua progressiva deterioração após décadas de abandono.
Intitulada “Do ruído ao silêncio, valorização de ruínas industriais em áreas rurais”, esta pesquisa financiada pelo Fondart 2017 selecionou nove casos em todo o Chile: desde o histórico uso da faixa costeira associado à mineração no deserto do norte (Caldera) até a exploração madeireira nas florestas da Patagônia, no extremo sul (Contao). Cada obra conta com um registro fotográfico e audiovisual inédito que retrata o rico entorno natural no qual foram construídas para impulsionar ou assegurar processos produtivos que moldaram a história socioeconômica e cultural de cada região.