Buildner anunciou os resultados do seu concurso, o Concrete Pavilion. Como parte da série Material Studies da Buildner, a competição convidou arquitetos/as e designers a explorarem o potencial arquitetônico do concreto por meio do projeto de um pavilhão experimental. O desafio era reconsiderar o material para além de seu uso convencional, investigando suas possibilidades espaciais, estruturais e sensoriais.
La Biennale di Veneziainaugurou a nova sede de seu Arquivo Histórico – Centro Internacional de Pesquisa em Artes Contemporâneas no Arsenale, transferindo as coleções de arquivos e as atividades de pesquisa da instituição para um complexo restaurado em um de seus principais locais de exposição. A abertura apresenta uma nova sede permanente para o arquivo, reunindo instalações de conservação, pesquisa, consulta pública e programação cultural no histórico Arsenale. Para marcar a ocasião, a La Biennale organizou uma programação de três dias com performances, palestras, conversas e visitas públicas, destacando o papel do arquivo no ecossistema mais amplo de exposições, festivais e iniciativas educacionais da instituição.
A tradição filosófica ocidental há muito coloca a cultura em oposição à natureza. Esse pensamento dualista moldou os cânones das ciências e das humanidades, e a arquitetura não ficou de fora. Sob essa lógica, tudo o que não é humano existe para ser explorado e recebe o nome de "recurso natural". Essa mentalidade extrativista moldou o desenvolvimento de muitas partes do mundo nos últimos séculos, deixando marcas profundas — às vezes irreparáveis — no planeta. No entanto, outras formas de viver sempre existiram. Das práticas religiosas da África Ocidental baseadas no animismo aos saberes herbais de mestres e mestras da Jurema Sagrada no Brasil; das comunidades indígenas na Índia, cujo ritmo de vida reflete as monções, aos Inuit do Ártico, capazes de enxergar dezenas de tons de branco: entre seres humanos e natureza não há distinção; o que existe é a vida.
Autores e autoras contemporâneos trazem essa discussão para os campos da filosofia e, mais especificamente, da arquitetura. Donna Haraway, Antônio Bispo dos Santos, Achille Mbembe e Beatriz Colomina são apenas alguns dos nomes cujas obras ajudam a expandir a estreita perspectiva ocidental, lançando luz sobre formas alternativas de coabitação — com outros humanos e mais-que-humanos — neste planeta.
A maioria das pessoas raramente se lembra de uma passagem. Elas se lembram da sala de aula, do apartamento, da galeria ou da praça ao final dela. As passagens costumam ser projetadas para desaparecer em segundo plano, guiando o movimento de um destino ao outro. No entanto, algumas das experiências mais memoráveis da arquitetura acontecem justamente durante o deslocamento por um lugar, e não ao chegar a ele.
A circulação costuma ser tratada como um dos elementos mais práticos da arquitetura. Corredores conectam salas, galerias oferecem acesso e passarelas organizam o movimento pelo edifício. Seu propósito parece simples: ajudar as pessoas a irem de um ponto a outro. Por conta disso, os espaços de circulação há muito tempo são considerados secundários em relação aos programas que atendem. A atenção tende a se concentrar nos destinos, enquanto os espaços intermediários passam, em grande parte, despercebidos.
Culinary Health Fund . Imagem cortesia de Longboard
Antes de compreendermos um espaço de forma racional, nós o percebemos sensorialmente. A luz, a proporção, a textura, a cor e a materialidade influenciam a maneira como o corpo interpreta um ambiente, definindo se ele parece acolhedor, frio, íntimo ou impessoal. Elementos visuais e cromáticos podem afetar diretamente a percepção de profundidade, atmosfera e escala nos interiores, sobretudo em edifícios contemporâneos caracterizados por grandes vãos e superfícies contínuas. Entre os elementos arquitetônicos que moldam essa experiência, o forro talvez seja um dos mais subestimados, apesar de sua profunda influência na maneira como o espaço é percebido e habitado.
Cada vez mais raramente o patrimônio em interiores resume-se a uma questão de mera preservação. Com mais frequência, ele se manifesta como fricção: o encontro entre o que um edifício já é — a lógica de sua planta, suas cicatrizes, suas inconsistências estruturais — e o que a vida contemporânea dele exige.
Alguns dos projetos mais potentes da atualidade não são aqueles que "restauram" um interior de volta a um momento específico, nem os que apagam o passado sob uma nova pele homogênea. São, antes, aqueles que encenam uma relação entre o antigo e o novo — permitindo que o contraste vá além do mero relato histórico, e fazendo do embate uma ferramenta pragmática de viabilidade construtiva, orçamentária e de execução.
A madeira engenheirada deixou de ser um nicho experimental para se tornar parte central do debate contemporâneo sobre construção sustentável. A combinação de menor carbono incorporado, sistemas pré-fabricados e cronogramas de obra mais rápidos ajudou a posicionar soluções como CLT (madeira laminada cruzada) e DLT (madeira cavilhada) como alternativas viáveis ao concreto e ao aço em edifícios residenciais, escritórios, escolas e equipamentos públicos em todo o mundo. A isso somam-se a previsibilidade dos processos construtivos e as qualidades ambientais associadas à madeira, frequentemente vinculadas ao conforto de quem utiliza o espaço e à experiência espacial.
O Crystal Bridges Museum of American Art em Bentonville, Arkansas, abrirá ao público uma grande expansão de cerca de 10.600 metros quadrados (114.000 pés quadrados) nos dias 6 e 7 de junho de 2026. Projetado pelo escritório Safdie Architects, o projeto amplia a arquitetura original do museu e, ao mesmo tempo, introduz novas galerias, instalações educativas, espaços de convivência pública e conexões paisagísticas ao longo dos 54 hectares (134 acres) do campus da instituição. A adição representa a conclusão de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo para o museu, aumentando tanto sua capacidade de exposição quanto sua integração com a paisagem circundante de Ozark.
Projetado pelo Studio NEiDA, o Falcon Cinema é um centro comunitário e de artes localizado em Berekuso, Gana, comissionado por Jacqueline Nsiah, profissional à frente da curadoria de cinema e da direção fundadora do espaço. A missão do cinema é criar um espaço para cineastas preservarem o patrimônio cinematográfico da África, ao mesmo tempo em que promove o pensamento crítico e criativo sobre o cinema contemporâneo no continente, projetado e curado com uma abordagem pan-africana. O programa de necessidades inclui duas salas de projeção (com 250 e 150 assentos), um restaurante, um arquivo, espaços de convivência, um centro educacional e um cinema ao ar livre. Um segundo complexo está planejado para uma fase futura, destinado a abrigar residências para cineastas. Ainda em fase de projeto, a proposta teve início em 2024 e tem conclusão prevista para 2027.
No interior do oeste de Honduras, em um vale próximo à fronteira com a Guatemala, localiza-se a antiga cidade maia de Copán. Tendo florescido durante o período Clássico, entre os séculos V e IX d.C., a cidade desenvolveu-se como um epicentro regional por meio de redes comerciais, políticas dinásticas e uma arquitetura monumental. Hoje, o sítio é reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO devido aos seus extensos remanescentes arquitetônicos, que incluem pirâmides em degraus, estelas esculpidas e um núcleo cerimonial. Mais de um século de pesquisas arqueológicas sistemáticas documentou sua morfologia urbana, revelando distritos residenciais distintos, espaços cívicos e sistemas de circulação e visibilidade.
Esta análise examina a organização espacial de Copán sob a ótica do teórico urbano Kevin Lynch e sua obra "A Imagem da Cidade". Ao aplicar os cinco elementos estruturais de Lynch — limites, bairros, caminhos, nós e marcos — é possível analisar como Copán funcionava não apenas como um centro ritual, mas como uma paisagem urbana legível, projetada para reforçar a hierarquia política e regular o movimento coletivo. Os dados históricos para esta análise foram extraídos de livros e artigos hiperlinkados ao longo do texto, viabilizados pela colaboração do historiador Arnulfo Ramirez de la Costa, professor e coordenador do curso de História no Departamento de História da Universidade Nacional Autônoma de Honduras (UNAH) em Tegucigalpa.
Diante do crescente reconhecimento da responsabilidade da arquitetura em relação às ecologias ambiental e planetária, a prática contemporânea se orienta cada vez mais para o trabalho com o que já existe—suas condições materiais, espaciais e históricas. Nesse cenário de mudança, a estética da arquitetura e do design concentra-se, progressivamente, na reformulação de ambientes herdados. Essa abordagem fundamenta o trabalho do SSdH, um escritório de arquitetura sediado em Melbourne, fundado em 2020 por Todd de Hoog, Harrison Smart e Jean-Marie Spencer. Atuando em diversas escalas de reforma, ampliação e inserção adaptativa, o estúdio dialoga constantemente com as edificações existentes, tratando-as como agentes ativos. Vencedor do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório australiano prioriza a responsabilidade ambiental, a economia de materiais e processos colaborativos fundamentados nas condições específicas de cada local.
A ergonomia no ambiente de trabalho há muito tempo é definida pela estabilidade: posturas fixas, suporte lombar, ângulos cuidadosamente calculados e a busca incessante pela maneira "correta" de sentar. O conforto era amplamente associado à manutenção de uma postura apoiada em cadeiras projetadas para reduzir o movimento, alinhar a coluna e sustentar o corpo durante longos períodos sentado. Hoje, à medida que os espaços de trabalho contemporâneos se tornam cada vez mais flexíveis e híbridos, surgem questionamentos sobre se o conforto está realmente atrelado à permanência estática ou, pelo contrário, à própria possibilidade de movimento.
Embora as cadeiras ergonômicas tenham evoluído significativamente, muitas ainda operam sob uma lógica "corretiva", gerenciando o desconforto por meio de mecanismos e regulagens sem de fato reconsiderar a relação fundamental entre o corpo e o movimento. Pesquisas recentes sobre comportamento sedentário e ergonomia ativa têm desafiado a ideia da imobilidade como a condição ideal para o conforto. Em vez disso, transições posturais sutis e micro-movimentos contínuos são hoje entendidos como importantes aliados da circulação, da saúde musculoesquelética e do bem-estar geral. Nesse cenário, a ergonomia contemporânea começa gradualmente a se afastar de modelos baseados na contenção, direcionando-se a abordagens focadas na adaptabilidade, no equilíbrio e no movimento fluido.
Sistema de armários inteligentes da Gantner e Salto
Como os elementos mais estruturados da arquitetura podem dar origem a formas não planejadas da vida cotidiana? A "ordem espontânea" descreve como sistemas estruturados podem gerar padrões de comportamento não planejados, porém coerentes. No discurso urbano, o termo é frequentemente utilizado para descrever as cidades: malhas de ruas, lotes e edifícios que são projetados, enquanto o cotidiano não o é. Movimentos, encontros, rotinas e usos informais emergem de regras espaciais simples, e não de uma programação explícita. Nas cidades, isso fica evidente na dinâmica de calçadas, estações e limiares. A estrutura é fixa, mas a ordem social é fluida, estabelecendo condições para o comportamento humano em vez de determiná-lo.
Uma lógica semelhante pode ser observada em microinfraestruturas arquitetônicas, como os sistemas de armários. Assim como as cidades, os armários baseiam-se em estruturas organizadas que não prescrevem como a vida se desenrola em seu entorno. Um sistema de armários é altamente controlado sob a ótica da arquitetura: módulos repetitivos, grelhas rígidas, dimensões padronizadas, acesso controlado. No entanto, uma vez em funcionamento, gera comportamentos espontâneos. Pessoas fazem pausas nos corredores, retornam em horários irregulares, demoram-se perto das zonas de armários ou interagem brevemente com quem faz o mesmo. O que parece ser um sistema de armazenamento puramente infraestrutural começa a gerar comportamentos sociais e espaciais informais.
Qbiss Notch, uma nova edição de design desenvolvida pela Pininfarina para o sistema de fachadas Qbiss da Trimo, recebeu o Red Dot Design Award. Baseado na tecnologia de fachadas Qbiss da Trimo, o projeto introduz painéis modulares Qbiss instalados verticalmente, um alfabeto de curvas gravadas (Glyphs) e elementos Notch com iluminação integrada. Juntos, esses elementos permitem a projetistas criar composições de fachadas exclusivas. Apesar de sua flexibilidade visual, o sistema foi projetado com foco na eficiência e na precisão da construção pré-fabricada.
Uma antiga área industrial às margens do Rio Someș em Cluj-Napoca, na Romênia, está sendo transformada em um distrito de uso misto em grande escala que reconecta a cidade à sua orla. Projetado pelo UNStudio em colaboração com o escritório Felixx Landscape Architects and Planners para as incorporadoras IULIUS e Atterbury Europe, o projeto RIVUS combina regeneração urbana, reuso adaptativo, paisagismo e novas infraestruturas públicas em uma única proposta. Desenvolvida por meio de um processo de projeto participativo com a comunidade local, a proposta transformará a antiga plataforma industrial da Carbochim em um distrito voltado para o rio, organizado em torno do espaço público, da mobilidade e da vida urbana cotidiana.
O Festival Concéntrico 2026 acontecerá em Logroño, Espanha, de 18 a 23 de junho, transformando a cidade em um laboratório em grande escala para a arquitetura, o design e a experimentação urbana. Ao longo de seis dias, mais de vinte intervenções serão distribuídas por praças, terrenos baldios, ruas, pontes e espaços emblemáticos de toda a cidade, reunindo importantes escritórios, pesquisadores/as e criadores do cenário internacional, incluindo o arquiteto chileno Smiljan Radić, o coletivo raumlabor, Matilde Cassani, AAU Anastas e Sahra Hersi, entre outros/as. Esta edição apresenta uma transição em direção a práticas mais coletivas, festivas e performáticas no espaço público, com forte ênfase em experiências sonoras e projetos vinculados à acessibilidade, inclusão e transformação urbana. A programação se estrutura em torno de três eixos temáticos: Identidade e Ficção, Ecologias Urbanas e Agentes Efêmeros, abrangendo desde arquiteturas que compreendem o espaço público como ritual ou celebração até abordagens experimentais que exploram materiais, som e processos de reutilização.
Diferente de muitos programas industriais tradicionalmente ocultos atrás de fachadas neutras e espaços herméticos, as destilarias contemporâneas frequentemente expõem seus processos produtivos como parte essencial da experiência arquitetônica. O calor dos alambiques, os vapores da destilação ou os percursos da matéria-prima deixam de ser apenas operações técnicas para assumir protagonismo espacial.
Embora produzam bebidas distintas, os projetos selecionados a seguir compartilham desafios arquitetônicos semelhantes. Todos precisam organizar fluxos industriais, controlar condições específicas de temperatura, ventilação e armazenamento, além de compatibilizar áreas técnicas com percursos de visitação pública. Ao mesmo tempo, cada destilaria estabelece respostas particulares ao território em que se insere, revelando diferentes maneiras de relacionar produção e paisagem.
Nesta semana, revisitamos as ideias que moldam o desenho das cidades do século XXI, com um olhar voltado para um horizonte temporal mais amplo do que o que caracterizou o design moderno. Esses exemplos do desenho urbano contemporâneo apontam para as cidades do amanhã, buscando refletir a memória coletiva e a identidade social ao mesmo tempo em que enfrentam os desafios climáticos atuais. De um novo museu no Panamá inspirado na tradição arquitetônica latino-americana a uma instalação inflável sobre a ponte mais antiga de Paris, no rio Sena, projetos construídos e não construídos resgatam a arquitetura como um repositório de memória coletiva, enquanto outros exploram seu potencial transformador sob a ótica do bem-estar contemporâneo. Nesta compilação semanal de notícias, apresentamos projetos em andamento no Panamá, em diversos países africanos, na França, no Canadá, na Itália, na Austrália e nos Estados Unidos.
Em Hong Kong, onde a arquitetura é frequentemente impulsionada pela lógica imobiliária, pela infraestrutura e pelo desenvolvimento acelerado, o espaço para a experimentação cívica em escala humana pode ser surpreendentemente limitado. É aí que o Design Trust se destaca. Como uma plataforma de fomento e viabilização de projetos, a organização apoia intervenções espaciais que transitam entre arquitetura, pesquisa e programação pública — um trabalho que costuma ser modesto, coletivo ou incerto demais para se encaixar nos fluxos convencionais entre cliente e arquiteto/a.
No centro desse trabalho está Marisa Yiu, cuja liderança posiciona o Design Trust tanto como agente viabilizador quanto como ator cultural. Por meio de iniciativas como o Micro-Parks Hong Kong, além de exposições e programas públicos, a organização trata o discurso e a prototipagem como formas de agência espacial, conectando designers, comunidades, instituições e debates sobre políticas públicas, ao mesmo tempo em que coloca em primeiro plano questões de gestão, manutenção e a "sobrevida" do espaço público.
Fundador da Åvontuura, Karl van Es, com seu Guia de Arquitetura de Toronto
Karl van Es passou vinte anos atuando como arquiteto antes de deixar a profissão para resolver um problema que todo(a) arquiteto(a) enfrenta: a simples inexistência de recursos para viajar com um olhar profissional. Guias de viagem convencionais e aplicativos de turismo raramente destacam os edifícios que realmente importam para a comunidade da arquitetura. A Åvontuura nasceu dessa frustração — uma editora independente de guias ilustrados de arquitetura criada por um arquiteto para profissionais da área. Seu lançamento mais recente, Madri, mapeia 70 das obras mais significativas da cidade, com a missão de encurtar a distância entre o interesse arquitetônico e a logística de viagem.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093943/vagas-em-chengdu-e-nanjing-modum-atelier-contrata-arquitetura-design-de-interiores-pesquisa-comercial-comunicacao-e-branding-estagiarios-as韩爽 - HAN Shuang
Tsuyoshi Tane é um arquiteto japonês nascido em 1979 em Tóquio e radicado em Paris, onde fundou o ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects em 2006. Com atuação em projetos culturais, institucionais e de paisagismo, Tane desenvolveu uma abordagem arquitetônica que posiciona a memória como diretriz fundamental do projeto. Em sua entrevista ao Louisiana Channel, gravada em seu estúdio em Paris, ele reflete sobre a arquitetura como uma disciplina de observação e pensamento, argumentando que o design significativo surge de uma leitura atenta dos vestígios contidos em um terreno. Para ele, a arquitetura não é produzida a partir de uma tela em branco, mas começa com uma investigação sobre o que já existe física, cultural e emocionalmente sob a superfície de um lugar.