Contexto Urbano Europeu. Imagem Cortesia de ReGreeneration
O projeto ReGreeneration, uma iniciativa do programa Horizon Europe liderada pela Inetum e apoiada pelo C40 Cities, pela ARUP, pela Placemaking Europe, entre outros parceiros, atua como uma colaboração ativa entre governos locais, empresas privadas, academia e organizações da sociedade civil na interseção entre regeneração urbana, espaços públicos verdes e desenho em escala de bairro. Sua premissa aborda como as cidades europeias são construídas e mantidas, e de que forma vivenciam as mudanças climáticas, defendendo que os centros urbanos precisam mudar estruturalmente para continuarem habitáveis diante das crescentes pressões climáticas.
Quando coberturas se articulam, paredes deslizam e estruturas inteiras respondem a seus/suas ocupantes, algo extraordinário acontece: os espaços arquitetônicos tornam-se componentes ativos dos rituais cotidianos. Esses momentos de abertura, fechamento, deslocamento e transposição espacial ancoram os edifícios no momento presente e exigem um engajamento ativo dos/as usuários/as. A arquitetura deixa de ser apenas um objeto ou monumento para se transformar em uma coreografia de participação.
Torre de Observação Siete Colores. Imagem cortesia da Fundación Cosmos
Como o projeto de arquitetura pode se tornar uma ferramenta ativa de conservação? Ao considerar a natureza como uma fonte inesgotável de inspiração, uma conexão harmoniosa com ela contextualiza as inúmeras inter-relações existentes entre seres humanos, organismos vivos e ciclos naturais. Projetar com a paisagem significa aprender a coexistir com suas dinâmicas temporais sem tentar controlar seus processos. Tradições, ecologia e o passado e o presente de um lugar contribuem para criar espaços que interpretam suas comunidades. A arquitetura paisagística pode se inspirar em aves, plantas e outros elementos naturais para moldar a complexa e dinâmica rede de ecossistemas e atividades humanas que compõem o meio ambiente.
No sul da China, existe um mito urbano recorrente — especialmente em Hong Kong, Shenzhen e Guangzhou — sobre a importância de escolher um imóvel que evite a luz poente. Ao longo de décadas, o sol voltado para o oeste tem se mostrado uma condição particularmente difícil de conviver: seu ângulo baixo no fim da tarde, seu agressivo ganho de calor (especialmente no verão) e a maneira como penetra profundamente nos interiores. Com o aquecimento global e as estações cada vez mais quentes e longas, aquele tão romantizado "brilho do entardecer" é cada vez menos vivenciado como romance e mais como ofuscamento, calor e fadiga. Embora essa sabedoria circule como uma regra prática popular, ela carrega uma inegável clareza arquitetônica sobre a orientação dos edifícios: evitar a luz poente não diz respeito apenas ao conforto térmico, mas também a evitar a forma mais forte e intrusiva de iluminação direta — uma luz que incide no ângulo mais implacável, lavando superfícies, achatando a profundidade e transformando os ambientes em campos de desconforto de alto contraste.
A Honduras é o segundo maior país da América Central, tanto em território quanto em população. Hoje, sua malha urbana continua fortemente influenciada por princípios modernistas da década de 1970, que priorizavam corredores arteriais de alta velocidade e uma mobilidade "ponto a ponto" dependente do automóvel. Além disso, o país enfrentou muitos desafios em relação à segurança pública durante os anos 2010, o que contribuiu para a criação de um espaço urbano caracterizado por fachadas cegas, muros altos e condomínios fechados projetados para isolar o interior da esfera pública.
Tivemos a oportunidade de conversar com Alejandra Ferrera, arquiteta hondurenha criada em Danlí, uma cidade no leste de Honduras. Com mais de 15 anos de atuação profissional passando por Brasil, Holanda e Austrália, ela defende que, embora o projeto focado na segurança tenha sido uma necessidade funcional de sua época, ele resultou em uma experiência urbana fragmentada, na qual a rua funciona apenas como um vazio de trânsito, em vez de um local de encontro social. Para a arquiteta, mesmo que esse isolamento tenha sido uma medida de segurança justificada, ele gerou um distanciamento entre as pessoas e a cidade. Ela também argumenta que, de modo geral, a situação da segurança pública contribuiu para a criação de uma identidade nacional fragilizada, que frequentemente busca referências de qualidade no exterior, desconsiderando o potencial de seu próprio contexto.
A Buildner também anunciou os resultados do Buildner's Unbuilt Award 2025, a segunda edição do concurso que celebra projetos de arquitetura ainda não realizados. Com um expressivo fundo de prêmios de 100.000 EUR, a iniciativa oferece uma vitrine global para que arquitetos/as e designers apresentem suas propostas não construídas mais instigantes, sejam elas conceituais, publicadas, inéditas ou totalmente desenvolvidas.
O Shou Sugi Ban é uma técnica tradicional japonesa de preservação de madeira que consiste na carbonização da superfície para a criação de uma camada protetora. Embora suas origens estejam enraizadas na durabilidade prática, o método foi amplamente adaptado ao ambiente construído moderno, definindo uma estética singular e marcante. Trata-se de um material contraditório: ao mesmo tempo que se impõe visualmente por seus tons escuros, ele também se apropria de seu entorno natural e o complementa, permitindo que as casas se insiram discretamente na paisagem.
O acabamento carbonizado das 22 residências selecionadas no Canadá e nos Estados Unidos serve como um fio condutor para lidar com climas extremos. De margens de lagos úmidas a florestas densas, a pele carbonizada atua como um escudo resistente contra as mais diversas intempéries. Indo além da mera proteção, estas casas demonstram como a textura do material se transforma sob a exposição à luz, passando de um tom fosco e plano na sombra para uma superfície cintilante, salpicada de prata, sob o sol direto. Os projetos também evidenciam a capacidade da técnica de definir volumes arquitetônicos, utilizando o revestimento escuro para criar silhuetas monolíticas precisas ou para destacar os vazios na volumetria do edifício, como recuos de entrada e terraços protegidos.
Sediado na Cidade do México, o Estudio Ome, fundado por Susana Rojas Saviñón e Hortense Blanchard, é um escritório de arquitetura e paisagismo que atua em florestas, terrenos vulcânicos, fragmentos urbanos e antigos sítios industriais. Vencedor do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o estúdio desenvolve projetos a partir da observação contínua das condições ecológicas e territoriais, em que as decisões de projeto decorrem diretamente do comportamento do solo, da água, da vegetação e do relevo.
Cada projeto começa com encontros sucessivos. O primeiro contato com o terreno se dá por meio de caminhadas e da observação prolongada, permitindo que os padrões de drenagem, a erosão e as variações sazonais se tornem legíveis antes de qualquer medição formal. Essas visitas constituem a base para interpretar tanto as camadas visíveis quanto as subterrâneas — a hidrologia e as transformações históricas que continuam a exercer influência sobre a superfície.
"Quero começar agradecendo à própria arquitetura." Com essas palavras, o arquiteto chileno Smiljan Radić, o 55º laureado do Prêmio Pritzker de Arquitetura, abriu seu discurso de aceitação na Cidade do México. Ao refletir sobre o que chama de "distrações", ele agradeceu pelos muitos encontros que o acompanharam ao longo de sua vida e prática profissional: da arte, cidades, materiais, estruturas e composições a paisagens, poesia, natureza, formas, histórias e memórias. Ele falou sobre o que, dentro de tudo isso, o instigou e sobre as marcas deixadas em sua imaginação arquitetônica.
Da luz negra em Chandigarh e do interior de San Salvatore em Rialto aos amontoados de pedra na ilha croata de Brač; das colunas caídas do Templo de Poseidon e dos vilarejos abandonados espalhados pelo Chile a People Meet in Architecture, a Bienal de Arquitetura de Veneza de 2010 de Kazuyo Sejima, o circo itinerante chileno e o silêncio da água nas cisternas de Santa Sofia, seu discurso se desdobrou como um tributo a momentos, encontros e distrações. Uma colagem de memórias e impressões que, juntas, moldaram o arquiteto que ele se tornou.
A abertura da nova Fondation Cartier pour l'Art Contemporain em Paris, em outubro passado, despertou novas discussões sobre o papel, a forma e o futuro dos museus. Diante da contínua proliferação de instituições culturais pelo mundo nesta era digital, o próprio museu parece necessitar, cada vez mais, de uma redefinição. Em vez de propor um modelo ou solução única, Architecture for Culture: Rethinking Museums, escrito pela historiadora da arquitetura e curadora Béatrice Grenier, defende uma compreensão mais contextual e plural do que um museu pode ser: uma instituição moldada por seu entorno, por seu público e pelas questões culturais específicas que busca abordar.
O ArchDaily teve a oportunidade de discutir essas ideias com a autora no contexto da recém-inaugurada sede da Fondation Cartier na Rue de Rivoli. Instalado em um edifício haussmaniano restaurado que outrora abrigou os Grands Magasins du Louvre, o espaço foi radicalmente reinventado por Jean Nouvel como uma arquitetura dinâmica e transformável.
As cidades do Sudeste Europeu não esperam para ser lidas. Elas acumulam, camada sobre camada, o planejamento socialista, a ruptura pós-socialista e o trabalho mais silencioso e menos legível de cidadãos e cidadãs que reconstroem o espaço a partir do zero. Aqui, o espaço e o legado impõem suas próprias condições. O que acontece com a pesquisa em arquitetura quando as cidades que observamos parecem já saber algo que nossa disciplina ainda não aprendeu a enxergar?
Nos últimos anos, tem-se observado uma mudança de paradigma na arquitetura residencial multifamiliar, com um número crescente de novos projetos construídos em madeira engenheirada, especificamente madeira laminada cruzada (CLT) e madeira laminada colada (MLC). Devido à leveza da madeira, esses sistemas conseguem reduzir as cargas permanentes e aliviar as exigências sobre as fundações, o que se mostra especialmente útil em terrenos com baixa capacidade de carga ou sobre infraestruturas existentes. Sob a ótica da sustentabilidade, a madeira retém carbono ao longo da vida útil do edifício e frequentemente reduz o carbono incorporado em comparação com os sistemas convencionais de concreto e aço. No projeto de segurança contra incêndios, elementos estruturais de grande porte podem ser dimensionados para carbonizar a uma taxa previsível, permitindo que o núcleo estrutural permaneça protegido por um tempo determinado, desde que detalhados adequadamente.
Durante grande parte do século XX, a cultura arquitetônica foi moldada pela busca da leveza. Estruturas de aço e peles de vidro reduziram o envelope edificado a uma fina camada que separa o interior do exterior, enquanto as fachadas se tornaram superfícies lisas e contínuas onde as janelas eram recortadas como aberturas precisas em um plano abstrato. No entanto, durante séculos, os edifícios foram concebidos como corpos de massa; as paredes possuíam profundidade, as janelas eram recuadas em alvenarias espessas e o espaço era frequentemente vivenciado como algo esculpido a partir da solidez da construção. Nos últimos anos, diversos projetos contemporâneos parecem revisitar essa antiga lógica espacial, reintroduzindo a espessura como uma condição arquitetônica por meio de aberturas profundas, volumes monolíticos e envelopes pesados.
Essa transição não implica uma rejeição das tecnologias construtivas modernas, tampouco representa um retorno nostálgico a formas históricas. Em vez disso, reflete um interesse renovado na relação fundamental entre material, massa e vazio. Ao reintroduzir a espessura no vocabulário arquitetônico, essas obras reconectam a prática contemporânea a tradições consagradas em que o espaço era indissociável do peso e da profundidade da construção.
Nos limites da maioria das cidades, para além dos anéis viários e entroncamentos, um outro tipo de arquitetura está ganhando forma. Ela não foi projetada para ser vista, visitada ou lembrada. Não reúne pessoas; move coisas. Em seu interior, milhares de encomendas circulam continuamente, sendo triadas, içadas, escaneadas e despachadas com o mínimo de interrupção. Esses edifícios raramente entram no debate arquitetônico, mas figuram entre os espaços com maior impacto de nosso tempo. A tipologia que define o século XXI é, cada vez mais, o galpão logístico.
A escala dessa transformação é difícil de mensurar porque se desdobra horizontalmente, ao longo de territórios e não em silhuetas urbanas. A área global destinada a galpões logísticos agora ultrapassa dezenas de bilhões de pés quadrados, expandindo-se rapidamente junto com a ascensão do e-commerce. Durante a pandemia de COVID-19, a demanda por infraestrutura logística acelerou o equivalente a vários anos, comprimindo o crescimento futuro em um presente já tensionado. Na Índia, o setor de armazenagem continua crescendo a taxas de dois dígitos, reconfigurando terras periurbanas em corredores de estocagem e distribuição. A logística não é mais um sistema de bastidores; tornou-se uma condição territorial.
Nicolás Valencia conversa com os arquitetos chilenos Emilio de la Cerda e Paulette Sirner sobreArquivo Christian de Groote: cinco décadas de arquitetura, uma publicação detalhada sobre a vasta produção de um dos principais arquitetos chilenos da segunda metade do século XX.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093896/christian-de-groote-cinco-decadas-de-arquitetura-modernaArchDaily Team
Conceito: Viver e Trabalhar na Lua. Imagem cortesia da NASA
Após o retorno da Artemis II à Terra, a NASA revelou um novo plano em fases para estabelecer uma base lunar. Embora a maior parte da atenção da mídia tenha se voltado para foguetes, orçamentos e competição geopolítica, uma questão mais sutil pairava em segundo plano para profissionais de arquitetura: como um ser humano pode realmente viver na superfície da Lua e por quanto tempo? O estabelecimento de uma presença humana permanente na Lua marca uma mudança fundamental na exploração espacial que exige um novo paradigma arquitetônico. Em sua apresentação, representantes da NASA sugeriram que a estratégia deixará de lado ambientes altamente restritos e dependentes de veículos em direção a estruturas autônomas, adaptáveis ao local e, eventualmente, permanentemente habitáveis.
Soporte oculto para vigas - CBH. Image Cortesía de Simpson Strong Tie
No campo da arquitetura, a madeira foi um dos primeiros materiais utilizados pelos seres humanos na construção, evoluindo e enfrentando diversos desafios ao longo dos anos. Desde a incorporação de novas tecnologias nos processos de produção industrial até técnicas e materiais ancestrais reinterpretados de forma contemporânea, a construção em madeira continua despertando interesse entre profissionais de arquitetura e design. Para além de sua versatilidade, resistência, aparência e sustentabilidade, a madeira laminada cruzada, conhecida como CLT, apresenta um cenário promissor para o futuro da indústria.
O episódio de estreia da série do podcast Room For Dreams, produzida em colaboração com a INDX|GLOBAL, apresenta um painel de discussão envolvente focado em materializar o futuro sob a perspectiva da arquitetura indiana e do design. Gravada ao vivo na Milan Design Week 2026 e moderada por Claire Broadka, do designboom, a conversa reúne três nomes visionários da arquitetura: Rachna Agarwal, responsável pelo Studio IAAD e Zoera; Vaibhav Dimri, sócio-fundador da Anagram Architects; e Dinesh Panwar, da Urbanscape Architects.
Como um direito humano fundamental, a inclusão exige que todas as pessoas — independentemente de sua origem, habilidades ou circunstâncias — sejam reconhecidas e respeitadas, com igual acesso aos mesmos recursos e oportunidades. Para muitas pessoas com deficiência e seus cuidadores e cuidadoras, os banheiros acessíveis ainda deixam de oferecer o que há de mais essencial: um local seguro, privado e digno para a troca assistida. Embora muitas instalações cumpram as normas de acessibilidade da ADA e do ICC, os layouts de banheiros convencionais frequentemente não acomodam usuários e usuárias que necessitam de mais espaço, tempo e apoio de assistência. Essa lacuna tem contribuído para a crescente adoção de trocadores para adultos, instalações que expandem a acessibilidade para além dos requisitos convencionais de banheiros e respondem a necessidades que os equipamentos padrão não conseguem atender.
Bread & Heart Festival 2026. Imagem cortesia de Bread & Heart Festival
Algo tem acontecido em Tirana para o qual o mundo da arquitetura ainda não encontrou uma linguagem adequada. Em questão de poucos anos, uma cidade com menos de um milhão de habitantes, em um dos países menos conhecidos da Europa, tornou-se o cenário de uma extraordinária concentração de ambição arquitetônica — um lugar onde escritórios que raramente trabalham na mesma cidade, quanto mais na mesma década, estão construindo simultaneamente, e onde as questões que preocupam a arquitetura contemporânea parecem surgir com uma urgência incomum.
A segunda edição do Bread & Heart Festival, realizada em Tirana de 3 a 5 de junho, reuniu mais de duzentos/as arquitetos/as, urbanistas, incorporadores/as e profissionais de toda a Europa, Américas, Ásia e outras regiões para discutir as "Paisagens de Abundância" (Landscapes of Abundance), um tema estruturado em torno da premissa curatorial de passar do retrato à paisagem, do edifício individual ao território como um todo. O público reunido ali seria difícil de replicar em qualquer outro momento do calendário da arquitetura: Francis Kéré, Jeanne Gang, Sumayya Vally, Pierre de Meuron, Bjarke Ingels, Reinier de Graaf, Stefano Boeri, Kersten Geers, Benedetta Tagliabue, Ma Yansong, entre outros/as.
Lançada em setembro de 2024, a série Redescobrindo o Modernismo na África somou-se a um interesse global crescente sobre o tema. Anteriormente sub-representada nos debates arquitetônicos, a produção de arquitetos/as e pesquisadores/as no continente e no exterior tem se dedicado a contar a história dessas obras modernas de alta qualidade. Esses edifícios representam o esforço de projetistas em criar uma arquitetura adaptada ao contexto local a partir de conceitos e tecnologias globais, coincidindo com grandes transformações políticas à medida que a maioria dos países africanos conquistava sua independência.
Nicolás Valencia conversa com a arquiteta chilena Macarena Cortés, autora de Turismo y Arquitectura Moderna en Chile, um olhar sobre a arquitetura que permitió tornar o Chile um país turístico desde meados dos años trinta por meio da publicidade ferroviária.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093960/hoteis-balnearios-e-trens-a-arquitetura-do-turismo-do-seculo-xx-com-macarena-cortesArchDaily Team