A aplicação da neurociência à arquitetura, mais especificamente no âmbito da neurogastronomia, proporciona uma compreensão singular da interseção entre os domínios sensoriais humanos e o ambiente construído. Busca-se compreender o funcionamento do cérebro em função da alimentação, até agora focada unicamente na boca e no estômago. Quem come na verdade é o cérebro. Desse modo, este artigo tem como objetivo reunir os conceitos científicos relacionados à neurogastronomia aplicada à arquitetura, considerando a experiência gastronômica e os espaços arquitetônicos, com especial atenção ao envelhecimento ativo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1012075/neurogastronomia-aplicada-a-arquitetura-em-prol-do-envelhecimento-humanoCiro Férrer Herbster Albuquerque e Paulo de Tarso Souza
A “Tower 36”, do escritório KPF, recebeu aprovação unânime em Miami, na Flórida. O edifício contará com um espaço corporativo que se tornará o mais alto da região, com 193 metros de altura. Com ênfase no bem-estar dos ocupantes, a torre foi projetada integrando a paisagem circundante e ampliando o acesso a áreas externas.
A torre serve como a entrada norte para a zona de arranha-céus de Miami, na interseção da Biscayne Boulevard com a 36th Street. Funcionando como um portal para o bairro, o projeto conecta Miami Beach ao continente de Miami. Para complementar os pavimentos de escritórios, o pódio do edifício dispõe de comércio no térreo, bicicletário, estacionamento para veículos e um restaurante na cobertura ajardinada.
Cortesia de Danish Landscape Award | H.C. Andersen Garden
O Prêmio Dinamarquês de Paisagismo 2023 foi concedido ao Jardim H.C. Andersen, projetado pela MASU Planning. O prêmio busca reconhecer trabalhos de arquitetura paisagística que servem de "inspiração" para a indústria. Situado na cidade dinamarquesa de Odense, o projeto vencedor deste ano foi elogiado propor a requalificação do centro da cidade, criando um espaço que se integra ao contexto existente.
Spring Rain, pórtico, parede e escada para a Escola do Porto de Qianhai, Shenzhen, 2022. Em colaboração com Tu'an Architecture Design Company (Guangzhou). Imagem cortesia do estúdio ACF
O Royal Institute of British Architects (RIBA) e a Jencks Foundation anunciaram o escritório Dogma como vencedor do Charles Jencks Award de 2023. Anteriormente concedido a Zaha Hadid,Níall McLaughlin, Herzog & de Meuron, e OMA, o prêmio celebra outras formas de pensamento e produção que podem impulsionar a arquitetura além do design. Vencedores deste ano, Dogma é um escritório de arquitetura sediado em Bruxelas que se concentra na interação entre arquitetura e ambientes urbanos.
A relação entre a arquitetura e o meio ambiente é multifacetada e envolve uma interação dinâmica entre os espaços construídos e o contexto natural circundante, moldando a forma como os edifícios e as cidades funcionam, impactam os ecossistemas e influenciam no bem-estar dos habitantes.
São muitos os aspectos que relacionam a arquitetura e o meio ambiente, desde os mais práticos como a utilização de materiais naturais e fontes de energia renováveis, até os mais abrangentes como a incorporação e valorização da cultura local. Dentro dessa ampla gama de possibilidades, selecionamos a seguir cinco entrevistas que apresentam diferentes abordagens sobre este tema e fomentam reflexões fundamentais para o contexto arquitetônico contemporâneo.
As paisagens urbanas contemporâneas variam muito de seus precedentes iniciais, abrigando a vida urbana em espaços internos amplos como mega-hotéis, shoppings e hubs de transporte. Átrios imponentes e áreas de circulação agora são uma parte normal da experiência urbana, permitindo atividades públicas "dentro" da cidade. Interiores e urbanismo são frequentemente considerados extremos opostos do espectro espacial, com a arquitetura atuando como mediadora entre os dois. A crescente importância do "urbanismo interno" no funcionamento do ambiente construído demanda a pergunta — como as cidades podem ser reinventadas de dentro para fora?
Retrato de 1999 (do antigo escritório de Vilhelm Helander, Juha Leiviskä Architects). Imagem cortesia do Arquivo Juha Leiviskä
Juha Ilmari Leiviskä, um dos principais nomes da arquitetura finlandesa, reconhecido por seus projetos de espaços poéticos e repletos de luz, faleceu em 9 de novembro de 2023, aos 87 anos. Nascido em Helsinque e formado pela Universidade de Tecnologia de Helsinque, Leiviskä desenvolveu um estilo pessoal ao longo de seus sessenta anos de carreira, trabalhando com um repertório próprio de formas para projetar edifícios com identidades únicas, mas unificados pelo tratamento da luz e da geometria. Sua arquitetura foi aclamada por suas qualidades serenas, honestas e atemporais, o que lhe rendeu inúmeros prêmios e reconhecimento internacional.
A equipe de curadores do ArchDaily se esforça diariamente para apresentar aos nossos leitores os projetos mais significativos, inspiradores e inovadores a fim de expandir o conhecimento e repertório de estudantes, arquitetos e arquitetas do mundo todo. De pequenas reformas até projetos criados do zero, a arquitetura residencial está presente no cotidiano da maioria dos escritórios e, ano após ano, podemos observar o interesse que a tipologia desperta no público: a categoria é a mais popular entre a nossa audiência.
Arnau Rovira é um fotógrafo que chegou ao Turquemenistão por acidente. De Barcelona, ele nos lembra a história de como acabou na capital, Asgabade, acompanhando jornalistas esportivos para os Jogos Asiáticos de 2017. Este país da Ásia Central, que já fez parte da União Soviética, é reconhecido não apenas por suas fortes restrições de acesso e controle, mas também por suas construções brancas e douradas que parecem uma cidade futurista perto da fronteira com o Irã.
A 3ª edição do Shaping the City, um fórum sobre desenvolvimento urbano sustentável, ocorreu em Veneza entre os dias 24 e 25 de novembro, após eventos bem-sucedidos em Chicago e Nova Orleans. Organizado pelo European Cultural Centre, o fórum faz parte da exposição Time Space Existence, da Bienal de Arquitetura de Veneza, e reuniu urbanistas, arquitetos, acadêmicos e políticos de todo o mundo. O arquiteto japonês Kengo Kuma estava entre os especialistas convidados para falar sobre a interseção entre a natureza e o ambiente construído na arquitetura japonesa.
Ao longo de dois dias, a conferência buscou explorar temas cruciais como educação, bens comuns urbanos, deslocamento, integração da natureza e o futuro da mídia arquitetônica, assunto discutido durante um painel com a presença de Christele Harrouk, editora-chefe do ArchDaily. Enquanto estava em Veneza, a equipe do ArchDaily conversou com Kengo Kuma para discutir sua abordagem única nos projetos inspirados na natureza e específicos para cada local.
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, foi agraciada com o Prêmio ULI 2023 de Visionários em Desenvolvimento Urbano, uma das mais respeitadas distinções globais em uso do solo e desenvolvimento comunitário. A honraria reconhece a visão da prefeita Hidalgo de uma Paris mais inclusiva e sustentável, assim como o impacto global de suas políticas. Hidalgo, a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita em Paris, é reconhecida por impulsionar políticas ambiciosas que reduziram as emissões de carbono da cidade em 40% em uma década, além de aumentar a proporção de habitações acessíveis. Em 2020, Hidalgo também foi destacada na lista das 100 Pessoas Mais Influentes pela revista Time
The Second Studio (anteriormente conhecido como The Midnight Charette) é um podcast explícito sobre design, arquitetura e cotidiano. Apresentado pelos/as arquitetos/as David Lee e Marina Bourderonnet, o programa traz diferentes profissionais de áreas criativas em conversas espontâneas que dão espaço para reflexões profundas e debates pessoais.
Uma variedade de temas é abordada com honestidade e bom humor: alguns episódios trazem entrevistas, ao passo que outros oferecem dicas para colegas de profissão, análises de edifícios e outros projetos, ou explorações informais sobre o cotidiano e o design. The Second Studio também está disponível no iTunes, Spotify e YouTube.
Esta semana, David e Marina, da FAME Architecture & Design, recebem o arquiteto Jai Kumaran, sócio fundador do escritório West of West para discutir sua trajetória; a influência que o trabalho de seu pai teve em sua carreira; a passagem pela faculdade de arquitetura; os motivos que o levaram a fazer um mestrado; a fundação e o crescimento de um escritório; a exploração de diferentes tipologias de projetos; o branding na arquitetura e muito mais!
À medida que nos aproximamos do final de 2023, um ano repleto de acontecimentos que poderia ser definido como o ano das "mudanças", analisamos como eventos e tendências globais impactaram o design de espaços internos. Olhando para trás, as pessoas questionaram tudo, e a prática arquitetônica não foi exceção. Uma nova voz foi dada a nações frequentemente esquecidas, enquanto os arquitetos buscavam maneiras alternativas de projetar e construir. Questionamos o colonialismo, a cultura do consumo, o desperdício, a tradição e autenticidade, trazendo novas perspectivas dentro da disciplina. No entanto, o design de interiores em 2023 foi reservado; exploratório, mas muito mais modesto e sutil em comparação com os anos anteriores. Após anos de mudanças constantes, parece que as pessoas sentiram a necessidade de pausar, desacelerar e abraçar a simplicidade, expressando sua individualidade por meio de intervenções pontuais.
A COP28, ou a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2023, foi realizada em Dubai entre 30 de novembro e 13 de dezembro. O encontro anual reuniu representantes de 198 países, bem como líderes da indústria, para discutir e estabelecer estratégias para limitar a extensão das mudanças climáticas e seus efeitos adversos. O objetivo final dessas reuniões é encontrar maneiras de limitar o aumento da temperatura global em menos do que 1,5 graus Celsius em comparação com os tempos pré-industriais. No momento, o aumento da temperatura global já está em 1,2 graus Celsius. Como a indústria da construção em geral responde por 39% das emissões globais, arquitetos e urbanistas têm especial interesse nos resultados desta cúpula internacional.
Inspirado por referências cinematográficas e pelo espaço narrativo, o trabalho de Ole Scheeren se destaca por suas soluções inovadoras para os desafios sociais atuais e para as cidades em que vivemos. Com mais de 30 anos de carreira na arquitetura, Scheeren conquistou diversos prêmios, sendo uma de suas obras mais icônicas a sede da CCTV em Pequim, quando ainda era diretor e sócio do OMA, antes de fundar o Büro Ole Scheeren.
Nesta entrevista, registrada no World Architecture Festival 2022, Scheeren aborda a importância da narrativa de um projeto e a qualidade que a arquitetura adquire ao construir os espaços onde as pessoas vivem: "a antecipação fictícia da vida".
O escritório Stefano Boeri Architetti divulgou o projeto de um masterplan para Ramagrama Stupa, um local sagrado de peregrinação budista no Nepal. A proposta inclui um jardim rico em biodiversidade e um Prado da Paz, que circunda a reverenciada Árvore Bodhi. Localizado na região de Parasi, o município de Ramagrama possui um profundo significado cultural e religioso, abrigando uma porção preservada das relíquias de Buda.
O que há de especial na arquitetura na América do Norte — sua história, políticas, mas também códigos e leis de construção — que a torna particularmente vulnerável à crise habitacional global? E como essas falhas inerentes podem ser combatidas com um desenho habitacional com propósito e uma abordagem mais inclusiva para a disciplina da arquitetura?
O BIG divulgou recentemente o projeto da cidade de Gelephu, um masterplan que se inspira na cultura do Butão, seus princípios de felicidade e seu patrimônio espiritual. Durante o 116º Dia Nacional do Butão, o Rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck apresentou os projetos para o futuro centro econômico do país. Desenvolvido em colaboração com a Arup e a Cistri, o plano adere aos padrões sustentáveis do primeiro país do mundo a apresentar índices negativos de emissão de carbono.
As autoridades de Bolonha anunciaram planos para reparar a torre inclinada Garisenda, uma estrutura medieval localizada no centro da cidade italiana. Recentemente, a área ao redor da torre foi isolada devido a preocupações com seu colapso, pois monitoramentos identificaram deslocamentos na direção da inclinação. A torre de 47 metros de altura inclina-se a um ângulo de quatro graus, semelhante ao de sua contraparte mais famosa, a Torre de Pisa. A Torre Garisenda é um marco de Bolonha, ao lado de sua vizinha, a Torre Asinelli, que tem o dobro da altura, também se inclina, embora em um ângulo menor, e geralmente está aberta para turistas.
Ilustração "Ser Mulher nas Ruas", técnica de colagem digital, fonte Luíza Chiarelli de Almeida Barbosa, 2022
Você já parou para refletir se as ruas do centro da sua cidade influenciam na sua forma de agir?
O centro das cidades é um microcosmo urbano onde, especialmente, as experiências das mulheres são profundas e silenciosas. Em 2022, um exercício etnográfico lançou luz sobre as dinâmicas vividas por mulheres que circulam por quatro pontos da região central de Curitiba: o Terminal do Guadalupe, a esquina entre a Rua Pedro Ivo e a Travessa da Lapa, o trecho pedonal da Rua XV de Novembro, entre a Rua Marechal Floriano Peixoto e a Rua Monsenhor Celso, e a Praça General Osório.
https://www.archdaily.com.br/pt/1012023/ser-mulher-nas-ruas-da-cidade-um-olhar-filosofico-e-etnograficoLuíza Chiarelli de Almeida Barbosa e Aline Barbosa
As cidades são sistemas vibrantes que têm significado e se movem com o ritmo da vida humana que as alimenta. No tecido das paisagens urbanas, arquitetos e urbanistas colaboram para criar harmonias espaciais que vão além da estética e buscam justiça social e expressão poética. Nelas, os cidadãos se envolvem, tornando-se participantes ativos na narrativa contínua da cidade — a melodia metropolitana.
Em 2023, o ArchDaily publicou matérias sobre a poética do urbanismo, explorando um futuro em que as cidades atendem às necessidades sociais e emocionais de seus habitantes.
Projeto do Parque Bixiga criado por ativistas — Foto: Divulgação
A cidade de São Paulo, marcada por sua imensidão e diversidade cultural, por vezes também é palco de muitos conflitos relacionados à ocupação de seu espaço urbano. Uma história que se estendeu por mais de quatro décadas, a disputa pelo terreno ao lado do Teatro Oficina, projetado por Lina Bo Bardi na região do Bixiga, finalmente culminou na criação de um tão esperado equipamento público: o Parque do Rio Bixiga. Esse processo não é apenas uma vitória para a comunidade local e artística, mas também uma conquista notável na perspectiva do direito à cidade e do lazer paulistano, especialmente após anos de confronto com o Grupo Silvio Santos.
A influência do sol na vida humana abrange múltiplas dimensões, desde aspectos biológicos e de desenvolvimento até conotações religioso-mitológicas em civilizações como os egípcios e romanos. Além disso, essa influência se estende ao seu uso como recurso natural no campo da ciência. Na busca científica, o esforço contínuo para aproveitar o sol como fonte de energia tem sido uma constante ao longo dos anos. Nesse contexto, a descoberta do efeito fotovoltaico e sua aplicação abriram caminho na história dos painéis solares, partindo das primeiras observações de Becquerel aos protótipos iniciais de Charles Fritts no século XIX.
Atualmente, a energia obtida a partir do sol por meio de dispositivos como painéis solares tornou-se uma das fontes mais utilizadas em regiões como a América do Norte e a Europa, contribuindo para os esforços de uma transição completa para a energia limpa. O impulso nessa transição motivou o desenvolvimento de novas tecnologias, como os sistemas de fachadas SolarLab, que desafiam a ideia preconcebida sobre a aparência de um painel solar e onde ele pode ser instalado. Esses sistemas convergem com a arquitetura ao integrá-los como elementos estéticos, servindo de revestimento tanto para projetos de retrofit quanto para novos edifícios.
https://www.archdaily.com.br/pt/1138644/de-novos-edificios-a-projetos-de-retrofit-sistemas-de-fachadas-solares-para-uma-arquitetura-circular-e-de-baixo-carbonoEnrique Tovar