
No fechamento desta coluna, o número de óbitos supera 130 e há mais de 15 mil moradias afetadas nos megaincêndios de Valparaíso, Viña del Mar e Quilpué, ocorridos no Chile no início de fevereiro de 2024. Uma tragédia que, acima de tudo, nos faz lamentar mais uma vez a falta de planejamento urbano e a necessidade de continuar aprimorando programas de prevenção, evacuação e alerta. Esses fatos também nos convocam — novamente — a traçar um diagnóstico e cursos de ação rumo à necessária adequação.
Apesar dos alertas, a construção realizada em morros e encostas — com ou sem a anuência de uma autoridade permissiva — fez com que, nas últimas décadas, milhares de imóveis fossem edificados na interface urbano-florestal, fora do planejamento regular. Hoje, diante das novas exigências das mudanças climáticas, essas são áreas onde a vegetação seca e os ventos de alta velocidade favorecem a propagação das chamas, somando-se à perigosa combinação com as altas temperaturas. Isso tem ocorrido sucessivamente, desde as lições do terremoto e incêndio urbano de 1906 até o grande incêndio anterior de 2014, repetindo-se em 2019 e 2022, deixando em seu rastro a perda de vidas e bens, mas também desencadeando algumas modernizações normativas que, embora iniciadas, ainda são insuficientes.
Diante desse novo fracasso do planejamento e da prevenção, como enfrentar as próximas emergências? A implantação de faixas corta-fogo retardadoras obrigatórias, fiscalizadas por órgãos técnicos nas áreas limites entre a cidade e os setores rurais, é fundamental.
