No fechamento desta coluna, o número de óbitos supera 130 e há mais de 15 mil moradias afetadas nos megaincêndios de Valparaíso, Viña del Mar e Quilpué, ocorridos no Chile no início de fevereiro de 2024. Uma tragédia que, acima de tudo, nos faz lamentar mais uma vez a falta de planejamento urbano e a necessidade de continuar aprimorando programas de prevenção, evacuação e alerta. Esses fatos também nos convocam — novamente — a traçar um diagnóstico e cursos de ação rumo à necessária adequação.
Publicado originalmente no jornal chileno El Mercurio de Valparaíso, esta coluna escrita por Alberto Texido, presidente do Colégio de Arquitetos do Chile, aborda o cenário urbano atual de Valparaíso após a decisão da Suprema Corte chilena de declarar ilegal a licença de construção de um megashopping —Mall Plaza Barón— na orla da cidade portuária chilena.
Diante do desfecho judicial do projeto Puerto Barón, não há muito espaço para celebração, mas sim para a preocupação com os mais de 15 anos perdidos por Valparaíso, suas autoridades, o setor empresarial e cidadãos e cidadãs que não conseguiram chegar a um consenso capaz de deixar para trás o abandono e a falta de investimentos. Contudo, além da lamentável judicialização, que expôs a incapacidade coletiva de viabilizar um projeto, foi esse próprio estado de coisas que acabou superado, ao menos por parte de uma cidadania ativa e disposta a construir uma nova representação local que, desde a sua origem e diferentemente de seus predecessores, tem sido capaz de propor um contraponto e exigir máxima qualidade, melhor participação e conformidade normativa nos grandes projetos urbanos.