Por Jeanette Fich Jespersen, MA, Diretora do KOMPAN Play Institute, Presidente do comitê diretivo do World Playground Research Institute, Universidade do Sul da Dinamarca, Vice-presidente da International Play Association, Dinamarca.
Em toda a América Latina, a reforma tem se concentrado menos na mera preservação e mais na resposta às mudanças nos modos de vida. Em vez de congelar os edifícios no tempo, muitos projetos contemporâneos trabalham com estruturas existentes para adaptá-las a novas rotinas domésticas, dinâmicas sociais e necessidades espaciais. Por meio de alterações estratégicas de materiais, composição, cor e luz, essas intervenções reinterpretam os espaços cotidianos, mantendo uma forte conexão com seu contexto original.
Nesse processo, casas e apartamentos tornam-se palcos de transformação onde o fluxo, a continuidade e os espaços compartilhados são cuidadosamente reconsiderados. A reforma funciona como uma ferramenta arquitetônica precisa, que prioriza a iluminação natural, a abertura e a flexibilidade para acolher a vida cotidiana em constante evolução. Em vez de impor novas formas, esses projetos reaproveitam o que já existe, alinhando as decisões espaciais aos hábitos e rituais de quem neles habita.
Phyllis Lambert tem sido uma figura fundamental na preservação do patrimônio cultural do Canadá. Como arquiteta e defensora da conservação patrimonial, Lambert deixou uma marca indelével em Montreal e em outras cidades ao redor do mundo. Suas contribuições para o cenário arquitetônico de Montreal não devem ser avaliadas apenas em termos de edifícios individuais, mas sim pela perspectiva da cidade como um todo. Ela não apenas cofundou o Centro Canadense de Arquitetura (CCA), mas também ajudou a remodelar a forma como cidades como Montreal pensam sobre o patrimônio e sobre a importância das vozes da comunidade no planejamento urbano.
Como defendia o falecido urbanista Jaime Lerner, o futuro da arquitetura não está em construir novas cidades, mas em atualizar as já existentes. Em um mundo no qual os recursos são finitos e o espaço urbano está cada vez mais saturado, sua afirmação parece mais urgente do que nunca. Ela convoca os/as arquitetos/as a olharem para dentro, a repensarem o que realmente precisa ser construído e a reconhecerem o potencial criativo do que já existe. Nas limitações das estruturas existentes reside a oportunidade de projetar de forma diferente: reparar, adaptar e reutilizar. Ou, como diria o poeta francês Louis Aragon, reinventar o passado para ver a beleza do futuro.
Este mês, o ArchDaily exploraConstruir Menos: Repensar, Reutilizar, Renovar, Readaptar, um tema que examina a crescente mudança na arquitetura em direção ao trabalho com o que já existe. À medida que os espaços urbanos se tornam mais densos e a terra se torna escassa, os/as arquitetos/as repensam o impulso de construir do zero. Em vez disso, prolongam a vida útil das estruturas existentes, adotando o retrofit e a reutilização adaptativa como estratégias de sustentabilidade e criatividade. A pergunta que orienta esta exploração é simples, porém urgente: como a arquitetura pode redefinir os futuros urbanos construindo menos?
Oferecendo um caminho rumo à resiliência e à segurança alimentar nas planícies aluviais do Lago Titicaca, os campos agrícolas Waru Waru distribuem-se por todo o altiplano peruano, constituindo um antigo sistema agrícola. Ao conectar um legado ancestral a preocupações modernas sobre segurança hídrica e alimentar, resiliência climática e gestão sustentável da terra, esses sistemas agrícolas abrem o debate acerca da gestão eficiente da água e da importância da biodiversidade agrícola. Ao mesmo tempo, integram o sentimento de identidade e orgulho da comunidade aimará local, consolidando um conhecimento cultural transmitido e preservado entre gerações.
A fragmentação social e as divisões econômicas fraturaram o tecido dos ambientes urbanos. Nesse contexto, as ecovilas surgem como soluções potentes para as crises sociais e ecológicas, microcosmos onde a vida sustentável, a coesão social e a resiliência econômica impulsionam o crescimento urbano. Baseadas na responsabilidade ambiental e em sistemas circulares, as ecovilas oferecem um modelo escalonável para inspirar o desenvolvimento de bairros urbanos regenerativos em todo o mundo. O desenvolvimento urbano e suburbano tradicional levou à dispersão e ao isolamento social, o que gerou efeitos prejudiciais para a coesão comunitária e para o meio ambiente. Paralelamente a esse fenômeno, as cidades tornaram-se desumanas, caracterizadas pelo anonimato, pela moradia inacessível, pelo congestionamento no trânsito e pela poluição. A falta de acesso à natureza consolida esses problemas, afastando a população urbana de elementos que promovem o bem-estar e o sentimento de pertencimento.
Toda arquitetura se fundamenta na terra. Essa matéria-prima maleável e resiliente é a origem das placas cerâmicas extrudadas — a argila transformada de seu estado natural em uma solução arquitetônica sem perder nada de sua autenticidade. O trabalho da Exagres está enraizado nesse material natural, transformando cuidadosamente a argila com precisão técnica e guiando-a nessa jornada em vez de forçá-la.
Não é de surpreender que conceitos arquitetônicos já viajassem pelo mundo muito antes da disseminação de informações pela internet. Se, por um lado, muitas regiões compartilham certos acontecimentos históricos e, consequentemente, referências (como a colonização e os movimentos de independência ou mudanças de regimes políticos em meados do século XX), por outro, algumas podem simplesmente ter desenvolvido soluções paralelas diante de condições climáticas e disponibilidade de materiais semelhantes. Além disso, com a disseminação de uma pedagogia arquitetônica mais uniforme adquirida em estudos no exterior, seguida pelo boom da internet, era natural que encontrássemos projetos quase gêmeos em todos os cantos do mundo. Embora eles possam parecer quase idênticos sob certos ângulos, podem carregar camadas e histórias distintas. Por outro lado, também podem revelar o mesmo raciocínio e premissas compartilhados por seus pares do outro lado do oceano.
A educação há muito tempo é uma força motriz no Oriente Médio, moldando o conhecimento, incentivando a inovação e fortalecendo a identidade cultural. Nos últimos anos, a arquitetura educacional na região expandiu-se para além de sua função acadêmica, evoluindo para espaços de encontro público e polos culturais. Essas instituições são projetadas não apenas para o aprendizado, mas também para o diálogo, a pesquisa e a colaboração, frequentemente integrando pátios abertos, áreas públicas multiuso e elementos arquitetônicos que refletem a herança local. Seja por meio de sua abertura física, adaptabilidade ou conexão com o ambiente urbano, esses espaços reforçam a ideia de que universidades e centros de pesquisa são essenciais para a vida cívica.
Nicolás Valencia conversa em Quito com a arquiteta Verónica Rosero e o arquiteto Néstor Llorca, coautores/as, ao lado de María José Freire, sobre o livro Pioneras de la arquitectura ecuatoriana, publicado pela Trama Ediciones em 2021 e vencedor da Bienal Panamericana de Arquitetura de Quito 2022 na categoria de publicações.
https://www.archdaily.com.br/pt/1143148/as-mulheres-pioneiras-da-arquitetura-equatoriana-segundo-veronica-rosero-e-nestor-llorcaArchDaily Team
Apesar de sua aparência lúdica, as casas na árvore oferecem uma plataforma única para inovações estruturais e explorações de projeto. As casas na árvore tradicionais dependem dos troncos para sustentação estrutural, mas, a fim de aliviar a carga suportada pela árvore, os projetos contemporâneos frequentemente introduzem sistemas adicionais, como pilares para manter o aspecto lúdico ao mesmo tempo em que oferecem suporte extra. Uma das principais vantagens de elevá-las dessa maneira é a redução da pegada ambiental. As casas na árvore podem ser projetadas de modo a deixar o solo da floresta intocado, preservando ecossistemas de pequena escala. Ao liberar o solo abaixo, minimizam-se as interferências na flora e fauna nativas, permitindo que a natureza prospere sem perturbações. Da mesma forma, muitos arquitetos e arquitetas utilizam a topografia local para criar conexões fluidas, incorporando rampas, escadas ou pontes que se integram à paisagem. Essas soluções não apenas melhoram a acessibilidade, mas também enriquecem a experiência geral, criando um passeio arquitetônico que transita entre a casa na árvore e seu entorno.
"Essa sensibilidade ao meio ambiente se reflete não apenas no projeto estrutural, mas também na seleção cuidadosa dos materiais. O uso de materiais naturais, como a madeira, também ajuda a estrutura a se mesclar com o ambiente. Algumas equipes de projeto foram além ao empregar materiais alternativos, como painéis espelhados para refletir a floresta ao redor e camuflar completamente a presença da casa na árvore, demonstrando que a escolha dos materiais pode contribuir para criar um projeto que pareça uma extensão de seu entorno, e não uma imposição a ele. Esta seleção destaca exemplos notáveis na Suécia, Dinamarca, Indonésia e França, apresentando suas diversas abordagens.
A arquitetura vernácula é frequentemente apontada como detentora de lições valiosas para a criação de edifícios de baixo consumo energético e para o combate às mudanças climáticas. No entanto, à medida que os padrões meteorológicos se transformam, há casos em que as próprias técnicas tradicionais de construção começam a correr risco. Além das variações de temperatura, diferentes regiões têm se tornado mais úmidas ou mais secas, enfrentando um aumento no risco de secas, enchentes, tempestades e alterações na flora local. As casas pintadas de Tiébélé, em Burkina Faso, reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO, são um exemplo disso.
O Prêmio Pritzker de 2025 foi concedido este ano ao arquiteto chinês Liu Jiakun. Nascido em Chengdu em 1956, ele cresceu nessa cidade em crescente adensamento antes de ingressar e se formar no Chongqing Architecture and Engineering College (Chongqing University) em 1982, obtendo o título de Bacharel em Engenharia com especialização em Arquitetura. Com isso, tornou-se uma das primeiras pessoas graduadas a assumir a tarefa de reconstruir o país durante o período de transição chinês. No entanto, foi apenas muitos anos mais tarde que o arquiteto compreendeu que "o ambiente construído poderia ser usado como um meio de expressão pessoal". Foi a partir de então que seus projetos e sua carreira decolaram, com Liu Jiakun fundando seu escritório em 1999 e passando a se envolver em trabalhos mais colaborativos na China e na Europa. Fruto de suas vivências, suas obras ancoram-se na compreensão da realidade e no respeito à história de múltiplas tradições e à diversidade interna da China, ao mesmo tempo em que alcançam um equilíbrio fluido entre arquitetura e natureza, tradição e modernidade.
Esses conceitos não limitam sua percepção das necessidades humanas e da importância dos espaços comunitários. Por meio de seus projetos, Liu Jiakun demonstra que os espaços podem afetar o comportamento humano e evocar sentimentos positivos. Um espaço público como os que ele cria é capaz de propiciar uma atmosfera acolhedora que favorece o descanso e a colaboração, refletindo o que descreve como "minha busca por narrativa e poesia no projeto". A abrangência das obras de Liu Jiakun permite que elas não fiquem restritas a exigências ou limitações estilísticas e estéticas. O arquiteto simplesmente responde ao que o terreno, a paisagem natural, a malha urbana preexistente e as necessidades da população demandam. O resultado construído é uma síntese de todos esses elementos com as tradições vernáculas predominantes.
Coberturas impressas em 3D da NEOM. Imagem cortesia de MEAN*
Reconhecido como uma das Melhores Novas Práticas de 2024 do ArchDaily, o escritório MEAN* (Middle East Architecture Network) está redefinindo o panorama arquitetônico da região ao fundir design computacional, fabricação digital e pesquisa de materiais com o patrimônio local. Fundado em 2016, o estúdio adota uma abordagem inovadora, desenvolvendo soluções arquitetônicas site-specific que equilibram a inovação tecnológica com a continuidade cultural. Seu trabalho abrange projetos de diversas escalas, desde móveis experimentais, como a Cadeira Mawj, até intervenções de escala urbana, como o The Adaptive Majlis — uma reinterpretação fabricada digitalmente de espaços sociais e de resfriamento tradicionais. Ao integrar ferramentas avançadas como design paramétrico, IA e impressão 3D com materiais locais, o MEAN* está moldando uma nova linguagem arquitetônica que reflete tanto as aspirações do futuro quanto a profundidade do passado.
Nos deltas de baixa altitude de Bangladesh, a água define tanto a vida quanto a perda. Todos os anos, milhões de pessoas são forçadas a reconstruir suas vidas após as inundações levarem suas casas, plantações e meios de subsistência. Nesses territórios precários, o ato de construir tornou-se um ato de resiliência. É nesse contexto que o Khudi Bari surge como uma proposta modesta, porém radical. Projetado por Marina Tabassum Architects, o projeto oferece uma habitação leve, modular e acessível para comunidades deslocadas pelas mudanças climáticas. Reconhecido como um dos vencedores do Prêmio Aga Khan de Arquitetura de 2025, ele representa uma forma de arquitetura que capacita em vez de se impor.
O som, quando emitido por uma fonte — seja uma pessoa ou um equipamento —, propaga-se em todas as direções pelo espaço, sendo refletido, absorvido, transmitido ou difratado ao encontrar superfícies e objetos. Como resultado, cada ambiente possui sua própria qualidade acústica, muitas vezes difícil de perceber sem um ouvido ou olhar treinado. No entanto, o som molda a arquitetura de maneiras sutis, porém profundas, influenciando diretamente como nos concentramos em um escritório, como estudantes se engajam em uma sala de aula, como pacientes se recuperam em um hospital ou como o público se conecta em uma sala de espetáculos. Apesar de seu papel decisivo, a acústica costuma ficar em segundo plano nas discussões de projeto, ofuscada por considerações visuais e estruturais.
Play Landscape be-MINE / Carve + OMGEVING. Imagem cortesia de Carve
Playgrounds são instrumentos espaciais por meio dos quais a sociedade projeta suas expectativas sobre a infância, testando os limites entre controle e autonomia, exposição e proteção. Eles regulam como as crianças se relacionam com o espaço, com as outras pessoas e com seus próprios corpos — codificando, muitas vezes de forma invisível, normas sociais, medos e aspirações. Nesse sentido, os playgrounds não são espaços periféricos de lazer; são construções políticas moldadas por ideologias específicas sobre o que é a infância e como ela deve se desenvolver. Desde 1989, o direito de brincar é formalmente reconhecido na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, afirmando que o brincar é uma parte fundamental do desenvolvimento humano. Projetar um playground não se resume a traçar linhas em uma planta ou instalar equipamentos em um parque; significa definir as condições sob as quais o brincar é permitido, imaginado ou restringido.
Transformar edifícios urbanos em usinas de energia limpa é uma estratégia ousada e poderosa para combater a crise climática, reduzir a dependência de redes centralizadas e promover cidades mais resilientes e sustentáveis. Desde 2010, as cidades têm sido responsáveis por mais de 75% do consumo global de eletricidade — uma demanda historicamente suprida por combustíveis fósseis à medida que a urbanização se intensificou a partir da Revolução Industrial. No final do século XIX, a energia hidrelétrica começou a ganhar relevância como alternativa renovável. No entanto, com os rápidos avanços na tecnologia solar, os edifícios urbanos agora têm um potencial sem precedentes para se tornarem hubs autossuficientes de geração de energia.
Fundado em Guangzhou em 2007 por He Jianxiang e Jiang Ying, o escritório O-office Architects (源计划建筑师事务所) busca, por meio de uma prática projetual baseada em pesquisa, construir um novo discurso espacial que conecte o crescimento acelerado e a cultura regional. Mantendo o rigor e a contenção profissional, o escritório persegue a essência do espaço interior e da vida urbana, amplamente perdidos na atualidade. O O-office compreende o projeto de arquitetura como uma construção e uma jornada dentro de uma urbanização difusa, buscando estabelecer um conjunto de estratégias integradas que transitam por diferentes escalas e disciplinas. A preservação da história e da memória urbana no Delta do Rio das Pérolas, aliada à investigação sobre novas formas de habitação urbana, constituem o foco recente de projeto e pesquisa do escritório. A prática regional singular do O-office tem atraído ampla atenção da mídia especializada nacional e internacional, com obras e ensaios publicados em periódicos acadêmicos de prestígio como The Architecture Review (Reino Unido), Architectural Record (EUA), L'Architecture d'Aujourd'hui (França), CASABELLA (Itália) e Architectural Journal (China), além de diversas publicações internacionais dedicadas ao estudo e a estudos de caso da arquitetura contemporânea chinesa.
Os projetos do O-office receberam inúmeros prêmios nacionais e internacionais de arquitetura e design, destacando-se a indicação do Museu de Fotografia de Lianzhou como um dos três finalistas do Prêmio Internacional RIBA (RIBA International Prize) de 2024, concedido pelo Royal Institute of British Architects. Além disso, o portfólio de reconhecimentos do escritório inclui a Medalha de Ouro da ARCASIA (Associação de Arquitetos da Ásia) em 2020 e 2022, o Prêmio Internacional de Excelência do RIBA em 2021 (RIBA International Award for Excellence), o Prêmio de Arquitetura de Cidade Humanista Sanlian em 2020, uma menção honrosa (Highly Recommended) no prêmio New into Old de 2017 da revista The Architecture Review, e a indicação ao Prêmio Suíço de Arquitetura BSI em 2016. Em 2015, o escritório foi nomeado pela revista norte-americana Architectural Record como uma das dez principais firmas de arquitetura de vanguarda do mundo (Design Vanguard) e, em 2020, foi eleito pela prestigiosa revista domus como um dos 50 melhores escritórios de arquitetura do mundo.
Entre as obras concluídas do O-office, destacam-se o Centro de Artes e Esportes da Escola Secundária Hongling em Shenzhen, a Escola Experimental Hongling, a Plantação de Chá de Duichuan em Gaoming (Foshan), a Comunidade Artística iD Town em Shenzhen, o Colégio Mingde em Shenzhen, o Museu de Fotografia de Lianzhou, além de uma série de projetos de pesquisa e prática em habitação coletiva desenvolvidos em parceria com a Vanke (como o complexo residencial Songshan Lake, os apartamentos Base Bo Yu em Guangzhou e a Comunidade Criativa de Tianhe). Destacam-se também os centros culturais desenvolvidos em colaboração com a Fundação Cultural e Artística EMGdotART em Guangzhou, Pequim e Xangai, bem como o Pavilhão Palazzo Zen em Veneza, Itália, concluído em 2014. Atualmente, os projetos em andamento incluem o complexo integrado do corpo de bombeiros e terminal de ônibus de Dongjiao em Liwan (Guangzhou), centros de arte rural em Linhai (Zhejiang) e Kaiping (Guangdong), e a renovação da Escola Primária de Langtou em Huadu (Guangzhou).
https://www.archdaily.com.br/pt/1143094/vagas-em-guangzhou-o-office-architects-arquiteto-a-de-projeto-arquiteto-a-arquiteto-a-assistente-especialista-em-midia-e-pesquisa-estagiario-a韩爽 - HAN Shuang
Por Jeanette Fich Jespersen, MA, Diretora do Instituto do Brincar KOMPAN, Presidenta do comitê diretivo do Instituto Mundial de Pesquisa sobre Parques Infantis, Universidade do Sul da Dinamarca, Vice-presidenta da Associação Internacional do Brincar, Dinamarca.
"Não, não quero ir àquele parquinho. É chato!". Isso pode parecer algo que nenhuma criança jamais diria. No entanto, as crianças têm opiniões claras sobre os parques infantis de que gostam desde muito cedo. A razão pela qual não apenas pais, mães e cuidadores/as, mas também urbanistas e arquitetos/as devem ouvir e se adaptar é mais importante do que nunca.
Portas estão entre os elementos arquitetônicos mais utilizados em qualquer edificação habitada, funcionando como limiares móveis que articulam a transição entre os espaços privados e públicos. Elas facilitam tanto a conexão quanto a separação entre coabitantes. Contudo, apesar de seu papel fundamental, as portas costumam ser um dos elementos de projeto mais negligenciados, especialmente pelos/as clientes. Em diálogos com profissionais do setor sobre diversos projetos de interiores, surge um consenso comum: os/as clientes geralmente prestam pouca atenção aos tipos e detalhes de portas, desde que o sentido de abertura corresponda às suas expectativas. No entanto, o universo do design de portas é complexo, oferecendo uma infinidade de possibilidades de acabamentos, métodos de instalação e modos de funcionamento — cada um deles capaz de moldar significativamente a experiência espacial, indo muito além da simples direção de abertura.
A escolha do tipo de porta e de seus detalhes pode definir ou redefinir completamente um espaço. Algumas portas oferecem um isolamento acústico superior, ao passo que outras permanecem abertas para conectar ambientes, potencializando a fluidez espacial de forma contínua. Certos modelos exigem uma instalação minuciosa e manutenção constante, enquanto outros são praticamente livres de manutenção. Além disso, o tipo de porta selecionado — especialmente o tipo de dobradiça — influencia não apenas a construção da parede, mas também as camadas de piso e as transições de acabamento, acrescentando uma camada extra de complexidade ao processo de projeto.
Pense em uma cadeira projetada para uma sala de reuniões. Sua altura, a postura ereta que proporciona e sua linguagem material são escolhas deliberadas — sinalizam presença, foco e certo grau de formalidade em um espaço onde decisões importantes são tomadas. Ao substituir essa cadeira por um sofá baixo e macio, toda a dinâmica espacial se transforma: o foco se dispersa, a postura relaxa e as hierarquias se dissolvem. Cada cadeira, banqueta ou sofá é mais do que uma simples maneira de preencher o espaço. Trata-se de um dispositivo projetado para um tipo específico de interação, uma postura definida, um ritmo particular de uso. Quando esses propósitos são ignorados, até mesmo os interiores com a curadoria mais cuidadosa podem parecer fragmentados ou incoerentes. O mobiliário desempenha um papel invisível, mas fundamental, na modelagem do comportamento das pessoas, de como se sentem e do tipo de trabalho que ali se realiza.
Por toda a América do Sul, a arquitetura é cada vez mais compreendida como um ato coletivo. Em vez de impor visões externas, muitos escritórios e designers constroem com e para as comunidades, aprendendo com suas práticas locais, materiais e modos de habitar. Esses projetos reposicionam o papel do/a arquiteto/a, que deixa de ser um/a autor/a para se tornar um/a facilitador/a, transformando o projeto em um processo participativo centrado na colaboração, no cuidado e no respeito mútuo.
O que une esses esforços não é o estilo ou a escala, mas uma convicção compartilhada: a arquitetura surge do diálogo coletivo, não da imposição. Do Equador rural às periferias urbanas do Brasil, da Colômbia e do Paraguai, esses projetos revelam como o engajamento social e o fazer local produzem espaços sustentáveis não apenas do ponto de vista ambiental, mas também social. Eles respondem à desigualdade não através de soluções verticais, mas por meio da coautoria, oferecendo espaços que refletem as necessidades, os saberes e a agência das pessoas que os utilizam.