Montreal, a segunda maior cidade do Canadá, abriga um vasto acervo de arquitetura residencial histórica, em sua maioria datada do século XIX e início do século XX. Esses exemplares são particularmente abundantes em alguns de seus bairros centrais, como o Plateau Mont-Royal. Curiosamente, sua preservação não é por acaso; é o resultado de décadas de defesa ativa por parte de figuras influentes que reconheceram o valor do ambiente construído da cidade, como Phyllis Lambert e Blanche Lemco Van Ginkel. Esforços como os delas foram fundamentais em batalhas históricas de preservação que ajudaram a garantir o atual apoio municipal. Hoje, a cidade conta com um conjunto de leis abrangentes de proteção ao patrimônio histórico, concebidas para salvaguardar a integridade de seus bairros históricos.
Na arquitetura de interiores contemporânea, as instalações prediais — sistemas mecânicos, elétricos, de climatização (HVAC) e hidráulicos — são quase sempre tratadas como elementos a serem ocultados. Cavidades de parede mais espessas, amplos forros rebaixados e, em regiões onde prevalece a construção maciça (como tijolo ou concreto), paredes falsas de gesso são rotineiramente empregadas para esconder esses sistemas. Essa abordagem tornou-se tão normalizada que frequentemente constitui a premissa inicial do planejamento espacial, limitando intrinsecamente a imaginação e reduzindo a gama de possibilidades espaciais. A prioridade passa a ser a ocultação, em vez de se explorar como esses sistemas poderiam coexistir de forma visível dentro de uma linguagem de projeto.
O espaço público há muito tempo ocupa o centro do pensamento arquitetônico, sendo frequentemente estruturado sob a ótica do planejamento, da infraestrutura e da regulamentação. De Paris de Haussmann aos masterplans contemporâneos, arquitetos e arquitetas têm trabalhado para definir e formalizar a vida coletiva por meio de ferramentas espaciais. No entanto, fora dessas estruturas, artistas têm oferecido continuamente formas alternativas de compreender e habitar o espaço público — abordagens que não dependem da construção ou da permanência, mas sim da presença, da percepção e da participação. Por meio de ações, objetos ou atmosferas, artistas abordam a cidade como um território de fricção e imaginação. Esses gestos desafiam as convenções arquitetônicas e convidam a reconsiderar o espaço público não como uma forma resolvida, mas como um processo contingente e aberto.
Sob a superfície visível das cidades jaz uma arquitetura invisível. Metrôs, túneis, sistemas de água, cabos de dados e bunkers formam uma rede densa que sustenta a vida urbana enquanto permanece, em grande parte, invisível. O solo sob nossos pés não é um vazio, mas um território complexo que abriga as infraestruturas, memórias e ansiedades de nossa época. Nos últimos anos, à medida que a terra se torna escassa e as pressões climáticas se intensificam, arquitetos/as e urbanistas voltaram seus olhares para baixo, redescobrindo o subterrâneo como uma fronteira tanto física quanto conceitual. Projetar no subsolo significa engajar-se com os mecanismos invisíveis que moldam o mundo acima.
O subterrâneo há muito tempo é um espaço de interseção entre arquitetura, política, tecnologia e crença. Das catacumbas de Roma aos metrôs industriais da modernidade, o ato de descer simboliza tanto a proteção quanto a exposição. O urbanismo do século XX transformou esse gesto em sistema: metrôs, abrigos e serviços públicos redefiniram o corte urbano como um instrumento de governança. Sob a promessa de eficiência e progresso, o subsolo absorveu as ansiedades de uma era de guerra, vigilância e colapso. Sua evolução revela não apenas como as sociedades constroem, mas também como temem.
Hoje, o solo se tornou a nova fronteira da expansão urbana e da adaptação ecológica. À medida que infraestruturas digitais, sistemas de energia e amortecedores climáticos migram para baixo do nível do solo, a arquitetura confronta um espaço que é ao mesmo tempo técnico e metafísico — essencial, porém marginal; invisível, porém decisivo. Pensar em cortes, e não em planta, é reconhecer que as cidades contemporâneas não existem mais apenas em suas silhuetas, mas também em suas profundezas. O desafio para a arquitetura não é apenas ocupar esse espaço, mas torná-lo legível, transformar o invisível em conhecimento e o oculto em um novo território de projeto.
O som, quando emitido por uma fonte — seja uma pessoa ou um equipamento —, propaga-se em todas as direções pelo espaço, sendo refletido, absorvido, transmitido ou difratado ao encontrar superfícies e objetos. Como resultado, cada ambiente possui sua própria qualidade acústica, muitas vezes difícil de perceber sem um ouvido ou olhar treinado. No entanto, o som molda a arquitetura de maneiras sutis, porém profundas, influenciando diretamente como nos concentramos em um escritório, como estudantes se engajam em uma sala de aula, como pacientes se recuperam em um hospital ou como o público se conecta em uma sala de espetáculos. Apesar de seu papel decisivo, a acústica costuma ficar em segundo plano nas discussões de projeto, ofuscada por considerações visuais e estruturais.
Transformar edifícios urbanos em usinas de energia limpa é uma estratégia ousada e poderosa para combater a crise climática, reduzir a dependência de redes centralizadas e promover cidades mais resilientes e sustentáveis. Desde 2010, as cidades têm sido responsáveis por mais de 75% do consumo global de eletricidade — uma demanda historicamente suprida por combustíveis fósseis à medida que a urbanização se intensificou a partir da Revolução Industrial. No final do século XIX, a energia hidrelétrica começou a ganhar relevância como alternativa renovável. No entanto, com os rápidos avanços na tecnologia solar, os edifícios urbanos agora têm um potencial sem precedentes para se tornarem hubs autossuficientes de geração de energia.
Pense em uma cadeira projetada para uma sala de reuniões. Sua altura, a postura ereta que proporciona e sua linguagem material são escolhas deliberadas — sinalizam presença, foco e certo grau de formalidade em um espaço onde decisões importantes são tomadas. Ao substituir essa cadeira por um sofá baixo e macio, toda a dinâmica espacial se transforma: o foco se dispersa, a postura relaxa e as hierarquias se dissolvem. Cada cadeira, banqueta ou sofá é mais do que uma simples maneira de preencher o espaço. Trata-se de um dispositivo projetado para um tipo específico de interação, uma postura definida, um ritmo particular de uso. Quando esses propósitos são ignorados, até mesmo os interiores com a curadoria mais cuidadosa podem parecer fragmentados ou incoerentes. O mobiliário desempenha um papel invisível, mas fundamental, na modelagem do comportamento das pessoas, de como se sentem e do tipo de trabalho que ali se realiza.
A luz natural é uma das ferramentas mais eficazes na arquitetura. Ela cria atmosfera, melhora o conforto e reduz a demanda de energia. No entanto, integrar a iluminação natural com sucesso exige precisão em todas as etapas do projeto, desde os primeiros esboços até o detalhamento executivo. As ferramentas BIM da VELUX oferecem a arquitetos/as a flexibilidade e os dados validados necessários para tornar isso possível.
A nova sede da Cybernet Systems foi projetada com base no conceito arquitetônico japonês de flexibilidade, promovendo bem-estar, colaboração e produtividade. Como líder global em Engenharia Auxiliada por Computador, que apoia a produção industrial por meio de soluções digitais avançadas, a empresa materializa na sede — localizada no edifício Fuji Soft Akihabara, em Tóquio — seu compromisso de criar uma comunidade dinâmica e voltada para a tecnologia.
Desenvolvido pelo escritório MB-AA (Matteo Belfiore Architect & Associates) e pela Shukoh, em colaboração com a Cybernet Systems, o projeto traduz os valores corporativos em design espacial. Minimalismo, iluminação natural e amplitude definem o ambiente. Divisórias transparentes e layouts adaptáveis estimulam a comunicação, ao mesmo tempo que permitem a cada colaborador/a personalizar seu espaço de trabalho. Bem-estar, criatividade, flexibilidade e tecnologia constituem o cerne do projeto.
Uma casa ancestral no vilarejo rural de Willendorf in der Wachau parece vigiar um pomar de árvores frutíferas. As árvores resistem há gerações e, até hoje, fornecem os frutos que servem de base para o negócio da família. Delimitados de um lado pelo rio Danúbio e do outro pela encosta do vale, tanto a casa quanto o pomar testemunharam juntos a passagem de inúmeras estações. A cada transição entre a escuridão e a luz, do inverno ao verão, surge a inevitabilidade da mudança.
Oferecendo um caminho rumo à resiliência e à segurança alimentar nas planícies aluviais do Lago Titicaca, os campos agrícolas Waru Waru distribuem-se por todo o altiplano peruano, constituindo um antigo sistema agrícola. Ao conectar um legado ancestral a preocupações modernas sobre segurança hídrica e alimentar, resiliência climática e gestão sustentável da terra, esses sistemas agrícolas abrem o debate acerca da gestão eficiente da água e da importância da biodiversidade agrícola. Ao mesmo tempo, integram o sentimento de identidade e orgulho da comunidade aimará local, consolidando um conhecimento cultural transmitido e preservado entre gerações.
A fragmentação social e as divisões econômicas fraturaram o tecido dos ambientes urbanos. Nesse contexto, as ecovilas surgem como soluções potentes para as crises sociais e ecológicas, microcosmos onde a vida sustentável, a coesão social e a resiliência econômica impulsionam o crescimento urbano. Baseadas na responsabilidade ambiental e em sistemas circulares, as ecovilas oferecem um modelo escalonável para inspirar o desenvolvimento de bairros urbanos regenerativos em todo o mundo. O desenvolvimento urbano e suburbano tradicional levou à dispersão e ao isolamento social, o que gerou efeitos prejudiciais para a coesão comunitária e para o meio ambiente. Paralelamente a esse fenômeno, as cidades tornaram-se desumanas, caracterizadas pelo anonimato, pela moradia inacessível, pelo congestionamento no trânsito e pela poluição. A falta de acesso à natureza consolida esses problemas, afastando a população urbana de elementos que promovem o bem-estar e o sentimento de pertencimento.
Toda arquitetura se fundamenta na terra. Essa matéria-prima maleável e resiliente é a origem das placas cerâmicas extrudadas — a argila transformada de seu estado natural em uma solução arquitetônica sem perder nada de sua autenticidade. O trabalho da Exagres está enraizado nesse material natural, transformando cuidadosamente a argila com precisão técnica e guiando-a nessa jornada em vez de forçá-la.
Em toda a América Latina, a reforma tem se concentrado menos na mera preservação e mais na resposta às mudanças nos modos de vida. Em vez de congelar os edifícios no tempo, muitos projetos contemporâneos trabalham com estruturas existentes para adaptá-las a novas rotinas domésticas, dinâmicas sociais e necessidades espaciais. Por meio de alterações estratégicas de materiais, composição, cor e luz, essas intervenções reinterpretam os espaços cotidianos, mantendo uma forte conexão com seu contexto original.
Nesse processo, casas e apartamentos tornam-se palcos de transformação onde o fluxo, a continuidade e os espaços compartilhados são cuidadosamente reconsiderados. A reforma funciona como uma ferramenta arquitetônica precisa, que prioriza a iluminação natural, a abertura e a flexibilidade para acolher a vida cotidiana em constante evolução. Em vez de impor novas formas, esses projetos reaproveitam o que já existe, alinhando as decisões espaciais aos hábitos e rituais de quem neles habita.
Coberturas impressas em 3D da NEOM. Imagem cortesia de MEAN*
Reconhecido como uma das Melhores Novas Práticas de 2024 do ArchDaily, o escritório MEAN* (Middle East Architecture Network) está redefinindo o panorama arquitetônico da região ao fundir design computacional, fabricação digital e pesquisa de materiais com o patrimônio local. Fundado em 2016, o estúdio adota uma abordagem inovadora, desenvolvendo soluções arquitetônicas site-specific que equilibram a inovação tecnológica com a continuidade cultural. Seu trabalho abrange projetos de diversas escalas, desde móveis experimentais, como a Cadeira Mawj, até intervenções de escala urbana, como o The Adaptive Majlis — uma reinterpretação fabricada digitalmente de espaços sociais e de resfriamento tradicionais. Ao integrar ferramentas avançadas como design paramétrico, IA e impressão 3D com materiais locais, o MEAN* está moldando uma nova linguagem arquitetônica que reflete tanto as aspirações do futuro quanto a profundidade do passado.
Não é de surpreender que conceitos arquitetônicos já viajassem pelo mundo muito antes da disseminação de informações pela internet. Se, por um lado, muitas regiões compartilham certos acontecimentos históricos e, consequentemente, referências (como a colonização e os movimentos de independência ou mudanças de regimes políticos em meados do século XX), por outro, algumas podem simplesmente ter desenvolvido soluções paralelas diante de condições climáticas e disponibilidade de materiais semelhantes. Além disso, com a disseminação de uma pedagogia arquitetônica mais uniforme adquirida em estudos no exterior, seguida pelo boom da internet, era natural que encontrássemos projetos quase gêmeos em todos os cantos do mundo. Embora eles possam parecer quase idênticos sob certos ângulos, podem carregar camadas e histórias distintas. Por outro lado, também podem revelar o mesmo raciocínio e premissas compartilhados por seus pares do outro lado do oceano.
A educação há muito tempo é uma força motriz no Oriente Médio, moldando o conhecimento, incentivando a inovação e fortalecendo a identidade cultural. Nos últimos anos, a arquitetura educacional na região expandiu-se para além de sua função acadêmica, evoluindo para espaços de encontro público e polos culturais. Essas instituições são projetadas não apenas para o aprendizado, mas também para o diálogo, a pesquisa e a colaboração, frequentemente integrando pátios abertos, áreas públicas multiuso e elementos arquitetônicos que refletem a herança local. Seja por meio de sua abertura física, adaptabilidade ou conexão com o ambiente urbano, esses espaços reforçam a ideia de que universidades e centros de pesquisa são essenciais para a vida cívica.
Como defendia o falecido urbanista Jaime Lerner, o futuro da arquitetura não está em construir novas cidades, mas em atualizar as já existentes. Em um mundo no qual os recursos são finitos e o espaço urbano está cada vez mais saturado, sua afirmação parece mais urgente do que nunca. Ela convoca os/as arquitetos/as a olharem para dentro, a repensarem o que realmente precisa ser construído e a reconhecerem o potencial criativo do que já existe. Nas limitações das estruturas existentes reside a oportunidade de projetar de forma diferente: reparar, adaptar e reutilizar. Ou, como diria o poeta francês Louis Aragon, reinventar o passado para ver a beleza do futuro.
Este mês, o ArchDaily exploraConstruir Menos: Repensar, Reutilizar, Renovar, Readaptar, um tema que examina a crescente mudança na arquitetura em direção ao trabalho com o que já existe. À medida que os espaços urbanos se tornam mais densos e a terra se torna escassa, os/as arquitetos/as repensam o impulso de construir do zero. Em vez disso, prolongam a vida útil das estruturas existentes, adotando o retrofit e a reutilização adaptativa como estratégias de sustentabilidade e criatividade. A pergunta que orienta esta exploração é simples, porém urgente: como a arquitetura pode redefinir os futuros urbanos construindo menos?
Adoro reunir listas de declarações originais, quase como manifestos, de arquitetos/as em busca constante de novos caminhos. Elas nos instigam a imaginar possibilidades que antes não ousávamos considerar. Questionar convenções deveria ser o principal objetivo de um/a crítico/a ao dialogar com uma mente criativa. Caso contrário, o que haveria para discutir, afinal? É por isso que conversar com Elizabeth Diller sobre o trabalho e as intenções de seu escritório é como um sopro de ar fresco, especialmente hoje em dia, quando tantos/as arquitetos/as parecem satisfeitos/as em se alinhar ao que é esperado. Em uma de nossas conversas anteriores, Diller foi direta: "Não levamos os limites profissionais a sério. Cada vez que recebemos um programa de necessidades, nós o desconstruímos e fazemos novas perguntas continuamente. Nada é fixo." Desta vez, conversamos sobre a nova monografia do Diller Scofidio + Renfro, "Architecture, Not Architecture". O livro, um projeto em si, propõe repensar os próprios limites da arquitetura, reinventando, no processo, o que um livro pode ser. Durante nossa conversa de uma hora e meia pelo Zoom — plataforma que prefiro pelo registro de gravação frontal dupla —, ela disse entusiasmada: "Estávamos sempre criticando; sempre jogando granadas nas coisas."
O Prêmio Pritzker de 2025 foi concedido este ano ao arquiteto chinês Liu Jiakun. Nascido em Chengdu em 1956, ele cresceu nessa cidade em crescente adensamento antes de ingressar e se formar no Chongqing Architecture and Engineering College (Chongqing University) em 1982, obtendo o título de Bacharel em Engenharia com especialização em Arquitetura. Com isso, tornou-se uma das primeiras pessoas graduadas a assumir a tarefa de reconstruir o país durante o período de transição chinês. No entanto, foi apenas muitos anos mais tarde que o arquiteto compreendeu que "o ambiente construído poderia ser usado como um meio de expressão pessoal". Foi a partir de então que seus projetos e sua carreira decolaram, com Liu Jiakun fundando seu escritório em 1999 e passando a se envolver em trabalhos mais colaborativos na China e na Europa. Fruto de suas vivências, suas obras ancoram-se na compreensão da realidade e no respeito à história de múltiplas tradições e à diversidade interna da China, ao mesmo tempo em que alcançam um equilíbrio fluido entre arquitetura e natureza, tradição e modernidade.
Esses conceitos não limitam sua percepção das necessidades humanas e da importância dos espaços comunitários. Por meio de seus projetos, Liu Jiakun demonstra que os espaços podem afetar o comportamento humano e evocar sentimentos positivos. Um espaço público como os que ele cria é capaz de propiciar uma atmosfera acolhedora que favorece o descanso e a colaboração, refletindo o que descreve como "minha busca por narrativa e poesia no projeto". A abrangência das obras de Liu Jiakun permite que elas não fiquem restritas a exigências ou limitações estilísticas e estéticas. O arquiteto simplesmente responde ao que o terreno, a paisagem natural, a malha urbana preexistente e as necessidades da população demandam. O resultado construído é uma síntese de todos esses elementos com as tradições vernáculas predominantes.
Os tijolos de vidro têm sido amplamente utilizados na arquitetura, tornando-se, com o tempo, uma marca registrada dos estilos arquitetônicos da década de 1980. Entre os exemplos clássicos de construção com este material estão a célebre "Maison de Verre", de Pierre Chareau e Bernard Bijvoet em Paris, e a releitura mais moderna de Hiroshi Nakamura & NAP com a Optical Glasshouse no Japão. Nos últimos anos, os tijolos de vidro vêm ganhando cada vez mais popularidade, deixando de ser associados apenas a uma estética do passado. Em vez disso, eles evoluíram para elementos de design versáteis que trazem luz, textura e personalidade aos interiores contemporâneos. Sua capacidade de difundir a luz natural e artificial mantendo a privacidade reacendeu o interesse de profissionais de design que buscam maneiras inovadoras de valorizar os espaços internos, aproveitando ao máximo a iluminação natural.
Apesar de sua aparência lúdica, as casas na árvore oferecem uma plataforma única para inovações estruturais e explorações de projeto. As casas na árvore tradicionais dependem dos troncos para sustentação estrutural, mas, a fim de aliviar a carga suportada pela árvore, os projetos contemporâneos frequentemente introduzem sistemas adicionais, como pilares para manter o aspecto lúdico ao mesmo tempo em que oferecem suporte extra. Uma das principais vantagens de elevá-las dessa maneira é a redução da pegada ambiental. As casas na árvore podem ser projetadas de modo a deixar o solo da floresta intocado, preservando ecossistemas de pequena escala. Ao liberar o solo abaixo, minimizam-se as interferências na flora e fauna nativas, permitindo que a natureza prospere sem perturbações. Da mesma forma, muitos arquitetos e arquitetas utilizam a topografia local para criar conexões fluidas, incorporando rampas, escadas ou pontes que se integram à paisagem. Essas soluções não apenas melhoram a acessibilidade, mas também enriquecem a experiência geral, criando um passeio arquitetônico que transita entre a casa na árvore e seu entorno.
"Essa sensibilidade ao meio ambiente se reflete não apenas no projeto estrutural, mas também na seleção cuidadosa dos materiais. O uso de materiais naturais, como a madeira, também ajuda a estrutura a se mesclar com o ambiente. Algumas equipes de projeto foram além ao empregar materiais alternativos, como painéis espelhados para refletir a floresta ao redor e camuflar completamente a presença da casa na árvore, demonstrando que a escolha dos materiais pode contribuir para criar um projeto que pareça uma extensão de seu entorno, e não uma imposição a ele. Esta seleção destaca exemplos notáveis na Suécia, Dinamarca, Indonésia e França, apresentando suas diversas abordagens.
A arquitetura vernácula é frequentemente apontada como detentora de lições valiosas para a criação de edifícios de baixo consumo energético e para o combate às mudanças climáticas. No entanto, à medida que os padrões meteorológicos se transformam, há casos em que as próprias técnicas tradicionais de construção começam a correr risco. Além das variações de temperatura, diferentes regiões têm se tornado mais úmidas ou mais secas, enfrentando um aumento no risco de secas, enchentes, tempestades e alterações na flora local. As casas pintadas de Tiébélé, em Burkina Faso, reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO, são um exemplo disso.