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Reformulando a infraestrutura cultural: sobre o Wonder Cabinet do AAU Anastas, vencedor do Prêmio Aga Khan

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Entre os vencedores do Prêmio Aga Khan de 2025 está o escritório AAU Anastas com o seu projeto Wonder Cabinet, na Palestina, cujo objetivo central é servir como um refúgio para a cultura e a criatividade e como uma ponte entre o design e a produção. Para além deste projeto expressivo, o AAU Anastas — que opera a partir de escritórios em Belém, na Palestina, e em Paris, na França — construiu um amplo portfólio desde 2015. Entre suas obras notáveis estão o Dar Al Majous, uma restauração em Belém que desafia as fronteiras entre as esferas doméstica e pública; o Tribunal de Tulkarm (2015), um de seus primeiros projetos, que redefiniu o caráter cívico e o convívio social em um terreno de esquina proeminente em Tulkarm; e The Flat Vault, uma intervenção comercial que adiciona uma abóbada de pedra justaposta a uma loja monástica existente, vinculada a uma igreja construída no século XII pelos Cruzados.

Em meio a essas obras de forte impacto, o Wonder Cabinet provavelmente atraiu a atenção do júri não apenas por sua execução refinada e complexidade espacial em camadas, mas também por sua operação como uma plataforma socialmente geradora — dissolvendo a fronteira entre infraestrutura social e arquitetura. Concebido para apoiar a cultura, a criatividade, o design e a produção, o edifício aspira acolher profissionais da arquitetura, do design, da gastronomia, do artesanato e das artes visuais e sonoras, entre outras áreas. De maneira significativa, o projeto impulsiona o espírito articulado pelo júri de 2025, que caracterizou este ciclo como um ano de fomento à resiliência e ao otimismo por meio do design, demonstrando como a arquitetura pode atuar, simultaneamente, como catalisadora de comunidades e de iniciativas empreendedoras.

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Repensando os museus: uma conversa com Béatrice Grenier sobre a arquitetura como política cultural

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A abertura da nova Fondation Cartier pour l'Art Contemporain em Paris, em outubro passado, despertou novas discussões sobre o papel, a forma e o futuro dos museus. Diante da contínua proliferação de instituições culturais pelo mundo nesta era digital, o próprio museu parece necessitar, cada vez mais, de uma redefinição. Em vez de propor um modelo ou solução única, Architecture for Culture: Rethinking Museums, escrito pela historiadora da arquitetura e curadora Béatrice Grenier, defende uma compreensão mais contextual e plural do que um museu pode ser: uma instituição moldada por seu entorno, por seu público e pelas questões culturais específicas que busca abordar.

O ArchDaily teve a oportunidade de discutir essas ideias com a autora no contexto da recém-inaugurada sede da Fondation Cartier na Rue de Rivoli. Instalado em um edifício haussmaniano restaurado que outrora abrigou os Grands Magasins du Louvre, o espaço foi radicalmente reinventado por Jean Nouvel como uma arquitetura dinâmica e transformável.

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O legado cotidiano do modernismo indiano: construindo para a classe média pós-independência

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O modernismo indiano é frequentemente narrado sob uma perspectiva restrita: um punhado de instituições icônicas, grandes arquitetos/as e experimentos formais radicais que passaram a simbolizar as aspirações pós-independência da nação. No entanto, essa versão da história ignora um acervo muito maior de arquitetura modernista que, silenciosamente, moldou a vida cotidiana em todo o país. Para além de campi célebres e edifícios canônicos, existe uma paisagem vasta e dispersa de blocos habitacionais, escritórios, alojamentos, hospitais, mercados e vilas operárias — estruturas que foram projetadas para funcionar e durar.

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Arquitetura de terra no Chile com Soledad Díaz de la Fuente e Robert Newcombe

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Nicolás Valencia conversa com a dupla chileno-britânica Soledad Díaz de la Fuente e Robert Newcombe, coautores de ⁠Guia de arquitetura de terra do vale do Loncomilla: San Javier⁠ e ⁠Material didático - arquitetura de terra do vale do Loncomilla: San Javier.⁠

Ambos os livros são um registro inédito de arquiteturas de terra no vale do Loncomilla, no Chile, destacando mais de 40 obras que evidenciam as possibilidades desse modo de construir como uma alternativa real e sustentável.

Fachadas autossuficientes: onde a proteção solar se une à energia renovável

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Analisar com mais profundidade a interação entre luz e sombra na arquitetura parece ser um tema recorrente na agenda de muitos/as profissionais da área. Espaços de luz e escuridão são concebidos para potencializar a circulação e a direcionalidade espacial, bem como para destacar as cores, texturas e formas de elementos arquitetônicos específicos. Diante disso, o impacto da luz natural nas fachadas dos edifícios revela a necessidade de desenvolver estratégias que promovam a economia de energia, melhorem o conforto térmico e visual dos espaços internos e contribuam para a redução das emissões de carbono. Considerando a luz como mais um material na arquitetura, de que maneiras o seu poder poderia contribuir para a experiência arquitetônica?

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Vagas em Xangai | Yeas Design: Especialista de Produto / Planejador/a de Exposições / Designer de Espaço / Assistente Administrativo/a / Estagiário/a

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Uma Arquitetura do Cuidado: A Direção do ArchDaily para 2026

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Estimados leitores e leitoras,

O ano que passou marcou um momento decisivo na evolução do ArchDaily: um ano de recalibração, intencionalidade e um renovado propósito editorial. 

Em um panorama de mídia cada vez mais veloz e saturado, aproveitamos a oportunidade para fazer perguntas fundamentais: O que a mídia de arquitetura precisa ser hoje? Quais responsabilidades carregamos como uma plataforma global? E de que maneira podemos contribuir significativamente para uma profissão que atravessa transformações sociais, ambientais e culturais?

Ao nos aprofundarmos nessas reflexões, assumimos plenamente o nosso papel, definindo com maior clareza a identidade do ArchDaily e a sua forma de atuar. 

O Encontro e a Criação de Lugares: Foco Editorial de Janeiro do ArchDaily

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Muito antes de a arquitetura assumir a forma de paredes, coberturas ou cidades, ela reunia as pessoas em torno do fogo. A simples fogueira foi um dos primeiros dispositivos espaciais da humanidade: um lugar de calor, alimento, contação de histórias e rituais. Ao seu redor, o espaço tomava forma pela proximidade, e não pelo fechamento; pela presença compartilhada, e não pelo uso prescrito. O fogo organizava os corpos em círculo, promovia alianças e transformava a sobrevivência em vida coletiva. Hoje, essa lógica ancestral persiste: a arquitetura tem o potencial de aproximar as pessoas não ao ditar como devem se reunir, mas ao criar as condições que tornam possível o estar junto.

Este mês, o ArchDaily explora Estar Junto e a Criação do Lugar, um tema que examina a arquitetura como um suporte para a inclusão, o cuidado e o pertencimento. O tema se alinha à primeira edição do ArchDaily Student Project Awards, prêmio que aborda o cuidado sob uma perspectiva coletiva, concentrando-se em espaços que estimulam melhores formas de convivência. Olhando além dos espaços de encontro icônicos, a cobertura editorial considera ambientes do cotidiano — de mercados públicos e mesas coletivas a praças de bairro, terceiros lugares, contextos domésticos e ambientes digitais ou híbridos de convivência remota. Em vez de tratar o estar junto como um programa rígido, o especial questiona como o desenho do espaço pode apoiar a abertura, a diversidade e a vida coletiva sem impor formas homogêneas de encontro.

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Integrando espaços criativos: projetando ampliações para ateliês de arte em casa

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A casa carrega múltiplas identidades, funcionando como abrigo, santuário, local de trabalho e palco para rituais diários. Nos últimos anos, seu papel expandiu-se de maneiras sem precedentes. A pandemia, notadamente, forçou a casa a agir como um local de extraordinária adaptabilidade para absorver funções outrora delegadas a escolas, escritórios, academias e estúdios. Essa transformação mudou a forma como imaginamos a vida doméstica, instando-nos a pensar no lar não apenas como um cenário para atividades, mas como uma estrutura dinâmica para viver, produzir e criar. Diante dessa compreensão ampliada, artistas se deparam com uma nova questão: como a casa pode oferecer a flexibilidade necessária para a prática criativa?

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Fachadas autônomas: sistemas de energia renovável para proteção solar

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Aprofundar-se nos jogos de luzes e sombras na arquitetura parece ser um tema recorrente na agenda de profissionais da disciplina. Espaços de luminosidade e escuridão são concebidos com o fim de potencializar desde percursos e direcionalidades nos espaços até destacar cores, texturas e formas de certos elementos arquitetônicos. No entanto, o impacto da luz natural sobre as fachadas dos edifícios revela a necessidade de desenvolver medidas que colaborem com a economia de energia, melhorem o conforto térmico e visual dos espaços interiores e também promovam a redução das emissões de carbono. Considerando a luz como mais um material na arquitetura, de que maneira sua potência poderia contribuir para a experiência arquitetônica?

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Wohnpark Alterlaa: A visão monumental de Viena para a vida cotidiana

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No extremo sul de Viena, um conjunto de terraços monumentais ergue-se sobre a paisagem urbana, com varandas escalonadas repletas de vegetação em cascata e coberturas coroadas por piscinas. Trata-se do Wohnpark Alterlaa, um dos projetos de habitação social mais ambiciosos da Europa do pós-guerra. Projetado pelo arquiteto austríaco Harry Glück e construído entre 1973 e 1985, o complexo fundamentou-se em um princípio provocativo: a habitação municipal não deve apenas fornecer abrigo acessível, mas também oferecer os prazeres e as comodidades normalmente reservados aos mais ricos.

Com mais de 3.000 apartamentos que abrigam quase 9.000 residentes, Alterlaa foi concebido como uma cidade dentro da cidade. Paralelamente às suas torres residenciais, o complexo incorpora lojas, escolas, serviços médicos e instalações culturais, garantindo que a vida cotidiana possa se desenrolar inteiramente dentro de seus limites. O projeto reflete um momento de otimismo na política urbana de Viena, quando a habitação era entendida como infraestrutura para o bem-estar coletivo, e não como mercadoria.

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Espólios modernos: recuperando materiais de construção em locais de demolição

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A economia circular, o que inclui o reúso de materiais de construção, está se tornando rapidamente um componente fundamental na luta contra as emissões de carbono. Isso pressupõe projetar para minimizar resíduos e utilizar materiais que possam ser reaproveitados ao final da vida útil da edificação. Em contrapartida, o reúso de componentes provenientes de edifícios parcial ou totalmente demolidos também pode reduzir o desperdício e evitar as emissões de carbono que seriam geradas pela produção de materiais virgens. Para além das questões de sustentabilidade, o reaproveitamento de materiais de construção tem uma história secular, motivado tanto por razões simbólicas quanto por pura necessidade.

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Da inteligência material à circularidade: lições da arquitetura em 2025

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Quais materiais assumiram o papel de destaque no discurso arquitetônico de 2025? Quais projetos redescobriram novas práticas e métodos construtivos por meio da inovação material? Embora o futuro dos materiais de construção ainda pareça incerto, ano após ano, a experimentação e a pesquisa continuam a revelar diversas práticas, iniciativas e esforços dedicados a compreender seu valor e responsabilidade no ambiente construído. Desde resíduos agrícolas que reduzem a pegada de carbono até plásticos reciclados que ganham uma nova vida, passando por materiais vivos que dialogam com tecnologias emergentes ao mesmo tempo em que se reconectam com a natureza, o ano de 2025 destacou e fortaleceu o papel de arquitetos/as como mediadores/as entre materiais, disciplinas, saberes e interesses de diversas origens.

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Como a Ásia construiu escolas em 2025: 5 projetos rurais com materiais do próprio local

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Nas regiões montanhosas do Vietnã, nas áreas de fronteira da Tailândia e nos relevos acidentados dos Gates Ocidentais da Índia, a construção de escolas continua sendo um desafio essencialmente logístico. Em áreas onde a infraestrutura e as cadeias de suprimentos industriais são escassas ou distantes, o transporte de cada quilograma de material pode inflacionar significativamente os custos e a complexidade logística. Ao longo de 2025, diversos projetos de escolas em contextos rurais na Ásia demonstraram como o papel do/a arquiteto/a frequentemente mudou de designer de formas para estrategista de suprimentos. O principal desafio não era meramente estético, mas sim uma questão de durabilidade: utilizar materiais disponíveis localmente e protegê-los das chuvas de monção, ventos de alta velocidade e, por vezes, da instabilidade sísmica.

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Adeus aos mestres: homenagem aos arquitetos que perdemos em 2025

Todos os anos trazem novas ideias, projetos e deslocamentos na cultura arquitetônica, mas também marcam a perda de vozes que moldaram a disciplina ao longo de décadas. A arquitetura avança, mas também se constrói por meio da ausência. Quando desaparecem figuras que ajudaram a formular sua linguagem e suas ambições, o que fica vai além de obras concluídas ou textos influentes. A ausência se torna um limiar — um momento em que a disciplina pausa para compreender o que permanece, o que se transforma e o que continua a nos orientar. Essas perdas nos lembram que a arquitetura é uma construção longa e coletiva, sustentada não apenas por quem atua no presente, mas também por aqueles cujas visões seguem moldando a maneira como pensamos cidades e paisagens.

Os arquitetos e pensadores que perdemos em 2025 vieram de contextos muito distintos, mas as questões que atravessaram seus trabalhos frequentemente se cruzam. Alguns abordaram a cidade a partir da identidade, do simbolismo e da continuidade histórica, buscando ancorar o ambiente construído na memória cultural. Outros a interpretaram por meio da precisão técnica, dos sistemas ecológicos ou da experimentação radical, expandindo os limites do que a arquitetura pode ser e de como pode ser vivenciada. Suas obras atravessam contextos tão diversos quanto a Grã-Bretanha do pós-guerra, a urbanização acelerada da China, as vanguardas centro-europeias e as instituições culturais em transformação de Berlim e Nova York. Juntos, compõem um espectro de respostas que definiu — e continua a definir — a cultura arquitetônica dos últimos cinquenta anos, revelando a multiplicidade de formas pelas quais a arquitetura pode se relacionar com a sociedade, a tecnologia e o meio ambiente.

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Pequenos Escritórios, Grandes Ideias: Estúdios Indianos Redefinindo a Atuação da Arquitetura

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No discurso arquitetônico contemporâneo, a escala é frequentemente confundida com influência. Grandes escritórios, projetos emblemáticos e planos diretores dominam a visibilidade, reforçando a ideia de que a ambição na arquitetura é medida por tamanho, alcance ou espetáculo. No entanto, na Índia e em contextos semelhantes, surge uma produção mais silenciosa, mas de igual relevância. Ela é liderada por escritórios pequenos, mas potentes, que atuam com recursos limitados, relações próximas com os clientes e uma compreensão profunda das condições locais.

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Arquitetura que molda a saúde: lições de design e bem-estar em 2025

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A saúde tornou-se uma preocupação central na arquitetura, no planejamento urbano e no design, impulsionada por uma crescente consciência sobre como o ambiente construído influencia o bem-estar físico, mental, social e ambiental. Em 2025, essa percepção foi além de tipologias de edifícios especializados ou de métricas de desempenho, passando a ocupar o centro das decisões arquitetônicas e moldando a forma como os espaços são concebidos, construídos e habitados em diversos contextos. Arquitetos e arquitetas já não tratam a saúde como um requisito externo, mas sim como uma condição fundamental da vida cotidiana.

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Arquitetura no Ritmo do Tempo: Projetando Através de Ciclos Solares, Lunares e Biológicos

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À medida que o solstício marca o dia mais curto do ano no Hemisfério Norte, ele também chama a atenção para um aspecto com o qual a arquitetura lida há muito tempo, mas que muitas vezes negligencia: o tempo. Para além da forma ou da função, edifícios e espaços são continuamente moldados por ciclos de luz e escuridão, mudanças sazonais e ritmos ambientais que afetam a maneira como são habitados.

Nos últimos anos, um número crescente de projetos de arquitetura começou a trabalhar explicitamente com esses ciclos. Em vez de projetar espaços para funcionar de uma única maneira fixa, arquitetos/as estão criando ambientes que se transformam ao longo do dia, das estações ou em resposta a fenômenos naturais como o percurso do sol, as fases lunares, os padrões de vento ou os ritmos circadianos. Esses projetos operam em diálogo com o tempo, surgindo, transformando-se e ativando-se de forma diferente conforme as condições ambientais.

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Projetando o futuro, novamente: o que o retorno da Expo Mundial a Osaka após 55 anos revela

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A Expo Osaka 2025 tem atraído atenção generalizada — não apenas por sua ambição arquitetônica e espetáculo, mas também por quebrar recordes e gerar controvérsias. Seu elemento mais icônico, um anel de madeira monumental projetado por Sou Fujimoto, já ganhou as manchetes como a maior estrutura de madeira do mundo pelo Guinness World Records. Construído sobre a ilha artificial de Yumeshima, o complexo tem despertado elogios e críticas na mesma medida. Para além de sua impressionante circunferência de 2 quilômetros — com trechos que avançam dramaticamente sobre a água —, a estrutura também gerou preocupações, incluindo questões de saúde e segurança, calor extremo e nuvens de insetos que podem afetar a experiência de quem a visita.

Este ano também marca um aniversário significativo: os 55 anos da Expo Osaka 1970, realizada sob condições socioeconômicas drasticamente diferentes. Comparar essas duas exposições — ambas sediadas na mesma cidade — oferece uma oportunidade rara de refletir sobre como a retórica, as propostas curatoriais e as ambições arquitetônicas das exposições mundiais evoluíram ao longo do tempo. De "Progresso e Harmonia para a Humanidade", em 1970, a "Projetando a Sociedade do Futuro para Nossas Vidas", em 2025, a mudança no foco temático revela transformações nas prioridades globais. Ao mesmo tempo, a escala e a natureza da participação arquitetônica também se transformaram, passando das visões futuristas do Metabolismo japonês para um grupo de profissionais de design e arquitetura mais internacionalizado e disperso, focado em sustentabilidade, tecnologia e engajamento cívico.

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Intervenções contextuais e a valorização do patrimônio: explore a arquitetura do 24 Grados em Honduras

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Como a arquitetura pode devolver a relevância a lugares esquecidos? Que diálogos podem surgir quando edifícios e paisagens são tratados não como telas em branco, mas como camadas de memória, identidade e potencial? Para o escritório de arquitetura hondurenho 24 Grados, essas perguntas moldam uma abordagem enraizada na adaptação, no reuso e no desenho contextual. Seus projetos variam desde a restauração de antigas praças espanholas e centros culturais até intervenções em parques naturais e vilas costeiras em Honduras. Cada projeto se apoia na crença de que o desenho pode tecer novamente as relações entre as pessoas, o lugar e o patrimônio.

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Expandindo a prática: think tanks de arquitetura na interseção entre pesquisa e projeto

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Na arquitetura, a maior parte da prática profissional gira em torno da entrega de projetos aos clientes. Os escritórios são moldados por prazos, orçamentos e diretrizes (briefings) claras. Embora essa estrutura produza edifícios, raramente deixa espaço para que profissionais da arquitetura questionem questões mais amplas — sobre como vivemos, como as cidades estão mudando ou o que o futuro exige do design. Contudo, paralelamente a esse sistema focado na produção, surgiu um movimento mais silencioso: estúdios, coletivos e fundações que priorizam a pesquisa, a experimentação e a reflexão. São os chamados think tanks de arquitetura — espaços concebidos não para construir de imediato, mas para pensar primeiro.

A ideia de um think tank não é nova. Tradicionalmente presentes na política, na economia ou na ciência, os think tanks reúnem especialistas para estudar problemas complexos e propor soluções. Na arquitetura, sua ascensão revela uma tensão no cerne da disciplina. Para que a arquitetura continue social e ambientalmente relevante, ela pode continuar dependendo apenas de uma prática orientada pelo cliente? Ou deve abrir espaço para investigações mais lentas e profundas?

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Pavilhões e Instalações do Sul Global: 10 Projetos que Marcaram 2025

Em um cenário global marcado por transformações aceleradas, 2025 consolidou-se como um ano decisivo para a arquitetura — não apenas pelos grandes eventos que mobilizaram o circuito internacional mas, sobretudo pelas vozes que neles se destacaram. Da Bienal de Arquitetura de Veneza à Expo Osaka, os pavilhões e instalações dos países do Sul Global deixaram de operar como meros gestos expositivos para se afirmar como territórios de memória, resistência e imaginação, articulando narrativas que ampliam os horizontes do debate arquitetônico contemporâneo.

Neles, tradição e futuro caminham lado a lado: materiais ancestrais reaparecem reinventados, feridas históricas ganham forma sensível e a urgência social se traduz em propostas que desafiam modos estabelecidos de construir e de habitar o mundo.

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A beleza de 9 apartamentos em edifícios projetados por Oscar Niemeyer

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Habitar residências projetadas por consagrados nomes da arquitetura moderna é um sonho almejado por muitos. Projetos que se tornaram icônicos são grandes atrativos para novos moradores que valorizam tanto a assinatura autoral e a história do edifício como as soluções arquitetônicas inovadoras que contribuíram para que tais projetos tenham ganhado destaque. 

No caso das obras de Oscar Niemeyer, fluidez e flexibilidade são as palavras-chave que melhor definem suas plantas e soluções tipológicas. Essas características oferecem um enorme potencial para arquitetos que realizam reformas nessas unidades. O Edifício Copan, no centro de São Paulo, é um exemplo emblemático: suas 1.160 unidades, distribuídas em seis blocos, variam de estúdios de 25 m² a apartamentos que ultrapassam os 150 m². A vasta produção do arquiteto inclui ainda outros edifícios residenciais na capital paulista — como o Montreal, o Califórnia e o Eiffel —, em cidades como Belo Horizonte e Brasília, e ultrapassa as fronteiras nacionais com o Bloco de Apartamentos da Interbau, em Berlim.

A beleza de 9 apartamentos em edifícios projetados por Oscar Niemeyer - Image 1 of 4A beleza de 9 apartamentos em edifícios projetados por Oscar Niemeyer - Image 2 of 4A beleza de 9 apartamentos em edifícios projetados por Oscar Niemeyer - Image 3 of 4A beleza de 9 apartamentos em edifícios projetados por Oscar Niemeyer - Image 4 of 4A beleza de 9 apartamentos em edifícios projetados por Oscar Niemeyer - Mais Imagens+ 5

Concurso Howard Waterfall Retreat: Vencedores da Buildner exploram a moradia multigeracional e a topografia

A Buildner anunciou os resultados do concurso de arquitetura Howard Waterfall Retreat, um desafio internacional de projeto desenvolvido em estreita colaboração com o Howard Family Trust. O concurso convidou arquitetos/as e designers a proporem um refúgio familiar multigeracional inserido em uma paisagem florestal de propriedade privada no noroeste da Pensilvânia, centrado na presença marcante das quedas d'água Howard Falls e do desfiladeiro circundante.

Em vez de prescrever uma solução arquitetônica única, o programa enfatizou um diálogo cuidadoso entre arquitetura e natureza. Solicitou-se aos/às participantes que considerassem como um refúgio poderia equilibrar a vida compartilhada e a privada, responder à topografia íngreme e aos sistemas hídricos, e integrar-se de forma sustentável em um ambiente ecológico sensível. O projeto também pedia uma interpretação do legado familiar, incentivando os/as designers a reconhecer a história do local e do chalé de verão original, ao mesmo tempo em que imaginavam um refúgio capaz de evoluir ao longo das gerações.

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