1. ArchDaily
  2. Artigos

Artigos

Fazer cidade por meio da participação: lições do Utopian Hours 2026

Acesso exclusivo | 

Quem tem direito à cidade? Os escritos de Henri Lefebvre questionam as estruturas que controlam o espaço urbano e, em vez disso, colocam a população no centro das tomadas de decisão. Suas ideias influenciaram a maneira como a arquitetura e o desenho urbano são praticados, impulsionando a participação comunitária e o co-design. Estes têm sido alguns dos temas mais proeminentes no Utopian Hours 2026, o festival de desenvolvimento urbano, cuja primeira parte foi realizada na cidade holandesa de Roterdã para marcar sua edição de décimo aniversário.

Fazer cidade por meio da participação: lições do Utopian Hours 2026 - 1 的图像 4Fazer cidade por meio da participação: lições do Utopian Hours 2026 - 2 的图像 4Fazer cidade por meio da participação: lições do Utopian Hours 2026 - 3 的图像 4Fazer cidade por meio da participação: lições do Utopian Hours 2026 - 4 的图像 4Fazer cidade por meio da participação: lições do Utopian Hours 2026 - Mais Imagens+ 8

Memória de Concreto: 12 Monumentos do Pós-Guerra no Leste Europeu

Acesso exclusivo | 

Um monumento costuma ser a edificação mais conservadora encomendada por um Estado. Espera-se que ele estabilize a memória, torne a história legível e dê forma pública a uma narrativa compartilhada. O século XX no Leste Europeu produziu, do Báltico aos Bálcãs, um corpo de obras inteiro que resistiu justamente a essas expectativas, desafiando a relação convencional entre monumento, memória e representação. Comumente agrupados sob a denominação de spomeniks, esses exercícios arquitetônicos são talvez os exemplos mais conhecidos de uma paisagem muito mais ampla de arquitetura memorial que emergiu na região. Tratava-se de sociedades que emergiam de ocupações, conflitos civis ou revoluções, e nenhuma delas possuía uma linguagem simbólica única capaz de abarcar a complexidade de suas histórias. Em vez de buscar novos heróis ou novos ícones, muitos/as arquitetos/as e artistas voltaram-se para o próprio espaço como o meio através do qual a lembrança poderia ser construída.

Esses monumentos ocupam uma posição incomum entre escultura e arquitetura. Em certa escala, são lidos como composições abstratas deliberadas, dispostas com a clareza de um desenho de Kandinsky. Em outra, parecem menos resolvidos, como se testassem os limites de uma linguagem espacial ainda em formação. Suas formas muitas vezes parecem suspensas entre a certeza e a experimentação: o mesmo monumento pode ser interpretado tanto como um objeto geométrico controlado quanto como uma busca em aberto sobre como a memória coletiva poderia habitar o espaço. Contudo, essas leituras coexistem e conferem a muitas dessas obras sua duradoura ambiguidade.

Memória de Concreto: 12 Monumentos do Pós-Guerra no Leste Europeu - 1 的图像 4Memória de Concreto: 12 Monumentos do Pós-Guerra no Leste Europeu - 2 的图像 4Memória de Concreto: 12 Monumentos do Pós-Guerra no Leste Europeu - 3 的图像 4Memória de Concreto: 12 Monumentos do Pós-Guerra no Leste Europeu - 4 的图像 4Memória de Concreto: 12 Monumentos do Pós-Guerra no Leste Europeu - Mais Imagens+ 11

Por que a adoção de software falha sem capacitação

Acesso exclusivo | 

Ao migrar da prancheta para a tela do computador, a digitalização de desenhos e documentações marcou a primeira fase da transformação digital nos escritórios de arquitetura. A segunda introduziu o BIM, conectando as informações do projeto por meio de plataformas em nuvem e fluxos de trabalho colaborativos. Hoje, surge uma nova fase, definida pela inteligência artificial, pela automação e por ecossistemas de software mais especializados. O paradoxo é que, enquanto as fases anteriores eram dominadas por um pequeno número de ferramentas, o cenário atual oferece uma abundância de soluções altamente especializadas, potencializadas por IA e frequentemente sobrepostas, que disputam a atenção dos profissionais. Embora a aquisição de novos softwares seja frequentemente a parte mais simples da transformação digital, o maior desafio reside em alterar fluxos de trabalho e comportamentos consolidados — razão pela qual muitas ferramentas novas enfrentam dificuldades para alcançar uma adoção duradoura.

Como a ICFF 2026 une design, cultura e comércio em Nova York

Sob o tema Common Ground, a ICFF 2026 reuniu a comunidade internacional de design por meio de um foco compartilhado na excelência artesanal e na inovação. De 17 a 19 de maio de 2026, a ICFF (International Contemporary Furniture Fair) retornou ao Javits Center para uma edição histórica que celebrou a comunidade global de design durante o NYCxDESIGN.

Eletrodomésticos como elementos arquitetônicos: Projetando a cozinha contemporânea

Acesso exclusivo | 

A cozinha evoluiu de um espaço puramente funcional para um ambiente compartilhado e o coração de muitos lares. Servindo de cenário para os rituais diários de inúmeras famílias — e até mesmo para práticas coletivas na vida urbana —, a comida aproxima as pessoas, tornando o projeto de espaços que atendam a essas necessidades essencial para a vida cotidiana. Para além dos diversos layouts, estéticas e configurações de cozinha, a integração de eletrodomésticos e equipamentos desempenha um papel fundamental no suporte ao armazenamento, à conservação e ao uso diário exigidos pelo ato de cozinhar. De tecnologias inovadoras a materiais avançados, esses elementos moldam os espaços de cozinhas contemporâneas, unindo costumes e culturas de diferentes origens.

Uma era de renovações: 6 motivos pelos quais as membranas de cobertura podem prolongar a vida útil de estruturas existentes

Acesso exclusivo | 

As coberturas dos edifícios estão avançando por meio de um processo de otimização multidimensional que abrange inovações tecnológicas, novos materiais, eficiência energética e métodos construtivos mais rápidos. De coberturas verdes e sistemas de captação de água da chuva a painéis solares, profissionais da arquitetura contemporânea buscam equilibrar estética, desempenho, durabilidade e impacto ambiental em seus projetos. A reforma de coberturas não apenas prolonga a vida útil dos edifícios, mas também reflete um compromisso ecológico ao melhorar a eficiência e a sustentabilidade.

Uma era de renovações: 6 motivos pelos quais as membranas de cobertura podem prolongar a vida útil de estruturas existentes - Imagem 2 de 4Uma era de renovações: 6 motivos pelos quais as membranas de cobertura podem prolongar a vida útil de estruturas existentes - Imagem 6 de 4Uma era de renovações: 6 motivos pelos quais as membranas de cobertura podem prolongar a vida útil de estruturas existentes - Imagem 1 de 4Uma era de renovações: 6 motivos pelos quais as membranas de cobertura podem prolongar a vida útil de estruturas existentes - Imagem 11 de 4Uma era de renovações: 6 motivos pelos quais as membranas de cobertura podem prolongar a vida útil de estruturas existentes - Mais Imagens+ 8

Por dentro da arquitetura contemporânea do Cazaquistão: Explorando a obra do NAAW

Acesso exclusivo | 

Selecionado como um dos vencedores do ArchDaily 2025 Next Practices Awards, o escritório NAAW representa uma nova geração de estúdios de arquitetura que estão remodelando a prática contemporânea na Ásia Central. Fundado em 2019 por Elvira Bakubayeva e Aisulu Uali, o estúdio atua na interseção entre pesquisa, colaboração interdisciplinar e experimentação espacial, posicionando a arquitetura como uma ferramenta de reflexão e um agente ativo na construção da identidade cazaque contemporânea.

Por dentro da arquitetura contemporânea do Cazaquistão: Explorando a obra do NAAW - 1 的图像 4Por dentro da arquitetura contemporânea do Cazaquistão: Explorando a obra do NAAW - 2 的图像 4Por dentro da arquitetura contemporânea do Cazaquistão: Explorando a obra do NAAW - 3 的图像 4Por dentro da arquitetura contemporânea do Cazaquistão: Explorando a obra do NAAW - 4 的图像 4Por dentro da arquitetura contemporânea do Cazaquistão: Explorando a obra do NAAW - Mais Imagens+ 15

Transformação Urbana de San Salvador: Placemaking Contemporâneo na América Central

Acesso exclusivo | 

A revitalização de centros históricos tem se tornado uma estratégia recorrente nas cidades centro-americanas que buscam reafirmar a relevância simbólica, econômica e funcional de seus núcleos tradicionais. Esses processos frequentemente combinam reabilitação física, investimento institucional e um controle mais rígido sobre o espaço público. San Salvador oferece um caso recente e instrutivo, que permite compreender como as intervenções em espaços cívicos herdados equilibram a melhoria da infraestrutura com a conservação do patrimônio e a regulação social. Além disso, possibilita avaliar como essas escolhas ecoam em debates mais amplos sobre a transformação urbana na região.

Transformação Urbana de San Salvador: Placemaking Contemporâneo na América Central - Imagem 1 de 4Transformação Urbana de San Salvador: Placemaking Contemporâneo na América Central - Imagem 2 de 4Transformação Urbana de San Salvador: Placemaking Contemporâneo na América Central - Imagem 3 de 4Transformação Urbana de San Salvador: Placemaking Contemporâneo na América Central - Imagem 4 de 4Transformação Urbana de San Salvador: Placemaking Contemporâneo na América Central - Mais Imagens+ 5

ARK Architects: Monumentalidade silenciosa e diálogo com a paisagem

Acesso exclusivo | 

A residência unifamiliar continua sendo um dos territórios mais complexos da arquitetura contemporânea. Ao mesmo tempo íntima e técnica, cotidiana e simbólica, ela concentra debates sobre conforto, sustentabilidade, paisagem e modos de vida, além de servir como um instrumento para projetar a identidade de quem ali habita. É nesse campo que atua o escritório ARK Architects. Sediado em Marbella e Sotogrande, o trabalho do estúdio, sob a direção criativa do cofundador Manuel Ruiz Moriche, desenvolve-se a partir de uma relação direta entre arquitetura, luz natural e contexto ambiental.

Hospitalidade como catalisadora do patrimônio: 5 estratégias de reuso adaptativo em diversas latitudes

Acesso exclusivo | 

Programas voltados à hospitalidade, especificamente cafeterias e centros sociais, são definidos em parte por seu papel como "terceiros lugares": âncoras sociais que fazem a ponte entre a vida privada e a pública. Ao contrário de programas residenciais ou comerciais de escritórios, que exigem divisões rígidas para privacidade e funcionalidade, esses espaços dependem de ambientes amplos e em plano aberto. Isso viabiliza uma estratégia arquitetônica de intervenção mínima, permitindo que o envelope estrutural permaneça intacto. Ao evitar a subdivisão do espaço, a equipe de projeto mantém linhas de visão desimpedidas para a alvenaria original, as estruturas de madeira ou os tetos decorativos, garantindo que a narrativa histórica do edifício permaneça como protagonista. Simultaneamente, a atividade comercial proporciona a manutenção necessária e o engajamento público indispensáveis para garantir a existência contínua do local.

Hospitalidade como catalisadora do patrimônio: 5 estratégias de reuso adaptativo em diversas latitudes - 1 的图像 4Hospitalidade como catalisadora do patrimônio: 5 estratégias de reuso adaptativo em diversas latitudes - 2 的图像 4Hospitalidade como catalisadora do patrimônio: 5 estratégias de reuso adaptativo em diversas latitudes - 3 的图像 4Hospitalidade como catalisadora do patrimônio: 5 estratégias de reuso adaptativo em diversas latitudes - 4 的图像 4Hospitalidade como catalisadora do patrimônio: 5 estratégias de reuso adaptativo em diversas latitudes - Mais Imagens+ 1

Terra de Poços: Projetando para os nômades do Saara

Acesso exclusivo | 

Em alguns idiomas, a própria palavra para edifício (como *immeuble*, em francês) refere-se à sua imobilidade. A disciplina de engenharia relacionada às edificações é denominada *estática*. Assim, a arquitetura está intimamente associada ao que é fixo e imóvel. No entanto, para milhões de pessoas nômades em todo o mundo, os abrigos devem ter uma estrutura leve e essencialmente móvel, enquanto o lar é a vasta paisagem onde residem. Esses estilos de vida, que carregam séculos de tradição, são constantemente ameaçados pela atração exercida pela vida sedentária em vilas e cidades. Na Tunísia, um projeto reconhece o risco de perda desse patrimônio e busca melhorar as condições de vida de pastores/as nômades.

Terra de Poços: Projetando para os nômades do Saara - Imagem 1 de 4Terra de Poços: Projetando para os nômades do Saara - Imagem 2 de 4Terra de Poços: Projetando para os nômades do Saara - Imagem 3 de 4Terra de Poços: Projetando para os nômades do Saara - Imagem 4 de 4Terra de Poços: Projetando para os nômades do Saara - Mais Imagens+ 2

Buildner e a RTA de Dubai premiam desenho urbano responsivo ao clima com € 500 mil

Buildner anunciou os resultados do Dubai Urban Elements Challenge, um marco entre os concursos internacionais de design, organizado em colaboração estratégica com a Autoridade de Estradas e Transportes de Dubai (RTA). Com um prêmio total de 2.000,000 AED (aproximadamente €500.000), a iniciativa representa uma das mais expressivas competições globais de design financiadas por recursos públicos com foco em transformação urbana.

O concurso foi concebido como uma plataforma prospectiva de inovação e contratação para um dos ambientes metropolitanos de evolução mais rápida do mundo. Os/as participantes foram convidados/as a propor elementos urbanos modulares e responsivos ao clima — sistemas de assentos, dispositivos de sombreamento, infraestrutura de iluminação, componentes de sinalização (wayfinding), áreas de descanso e estruturas de microcomércio — projetados para valorizar a vida de pedestres e fortalecer a identidade do espaço público de Dubai.

A alquimia da massa: Peter Zumthor e a percepção de leveza

Acesso exclusivo | 

A arquitetura começa como um encontro com a gravidade. Trata-se do antigo ato de assentar o peso sobre a terra, de persuadir a matéria a se erguer, sustentar e abrigar. Sob essa condição fundamental de peso, no entanto, reside uma possibilidade mais silenciosa: a de que a própria densidade pode gerar uma sensação de leveza — uma condição perceptual na qual o corpo, plenamente convencido da gravidade da matéria, passa a vivenciar o espaço como suspensão.

Grande parte da arquitetura contemporânea tem buscado a leveza por meio da redução: estruturas mais esbeltas, superfícies mais lisas e transições cada vez mais fluidas entre interior e exterior. Aqui, a leveza é equiparada ao desaparecimento, como se a gravidade pudesse ser superada ao se retirar a presença material. Contudo, existe outro registro no qual a leveza não resulta da ausência, mas sim da intensificação. Ela emerge quando a presença material se torna tão precisa, tão plenamente afirmada, que passa a alterar a própria percepção — quando a massa permanece pesada, mas deixa de se comportar de forma meramente inerte.

A alquimia da massa: Peter Zumthor e a percepção de leveza - Imagen 1 de 4A alquimia da massa: Peter Zumthor e a percepção de leveza - Imagen 13 de 4A alquimia da massa: Peter Zumthor e a percepção de leveza - Imagen 3 de 4A alquimia da massa: Peter Zumthor e a percepção de leveza - Imagen 17 de 4A alquimia da massa: Peter Zumthor e a percepção de leveza - Mais Imagens+ 16

Construindo com a paisagem: estratégias de projeto não invasivas para terrenos íngremes

Acesso exclusivo | 

A relação entre a restrição e a excelência projetual está bem estabelecida na teoria da arquitetura, mas frequentemente permanece pouco explorada nas discussões sobre práticas específicas do terreno. Quando os/as arquitetos/as enfrentam topografias extremas, deparam-se com uma escolha fundamental: transformar a paisagem para acomodar o edifício, ou modificar o edifício para se adequar à paisagem. A primeira abordagem é direta e exige realizar cortes, aterros, nivelamentos e construir sobre um plano nivelado. Essa escolha, no entanto, traz consequências em cascata, uma vez que qualquer movimentação de terra pode desestabilizar encostas, interromper a drenagem natural e fragmentar ecossistemas. Um conjunto crescente de obras de arquitetura inovadoras demonstra uma alternativa à movimentação de terra e aos muros de arrimo.

Construindo com a paisagem: estratégias de projeto não invasivas para terrenos íngremes - Imagen 1 de 4Construindo com a paisagem: estratégias de projeto não invasivas para terrenos íngremes - Imagen 2 de 4Construindo com a paisagem: estratégias de projeto não invasivas para terrenos íngremes - Imagen 3 de 4Construindo com a paisagem: estratégias de projeto não invasivas para terrenos íngremes - Imagen 4 de 4Construindo com a paisagem: estratégias de projeto não invasivas para terrenos íngremes - Mais Imagens+ 76

Como a IA está transformando o fluxo de trabalho da visualização arquitetônica

A visualização de arquitetura há muito desempenha um papel fundamental na comunicação e na formatação de ideias de projeto. Hoje, essa atribuição está se expandindo. Com o avanço da inteligência artificial, a visualização passa a se integrar de maneira mais profunda a todo o fluxo de trabalho de projeto, viabilizando iterações mais rápidas e tomadas de decisão mais fundamentadas.

Arquitetura e ideologia: como os sistemas políticos moldaram o design do século XX

Acesso exclusivo | 

A arquitetura é frequentemente apresentada como a expressão visível de seu tempo, de seus desejos, de sua fé no progresso, de sua ideia de ordem. No entanto, essa leitura tende a achatar as condições sob as quais as edificações são produzidas. Ela sugere que a arquitetura simplesmente acompanha a história quando, em muitos casos, participa ativamente dela. Poucos períodos tornam isso tão evidente quanto o século XX, quando a arquitetura se viu profundamente imbricada com programas políticos, sistemas econômicos e visões conflitantes sobre como a vida coletiva deveria ser organizada.

O que costuma ser agrupado sob o rótulo de Modernismo é frequentemente descrito como um projeto coerente, definido pela clareza formal, pelo otimismo tecnológico e pela ruptura com os estilos históricos. Contudo, essa aparente coerência se dissolve quando olhamos para além de seus centros canônicos. Os mesmos princípios espaciais (padronização, zoneamento funcional, produção industrial) foram adotados em contextos políticos e econômicos que diferiam significativamente em suas estruturas e objetivos. Um movimento aparentemente estático desdobrou-se em um sistema flexível, continuamente reorientado de acordo com as prioridades de cada regime. O que parecia uma linguagem compartilhada era, na prática, um conjunto de ferramentas aplicadas a agendas distintas.

El Pueblo de Los Angeles: As origens espanholas da malha urbana de Los Angeles

Acesso exclusivo | 

Hoje, a forma urbana de Los Angeles é caracterizada pela dispersão urbana do século XX e por uma extensa infraestrutura rodoviária. No entanto, a realidade física do núcleo original da cidade revela uma história mais complexa, profundamente enraizada na herança hispânica. De fato, Los Angeles não se originou do sistema de divisão de terras padronizado estadunidense que define a maior parte do território dos Estados Unidos. Em vez disso, é produto da tradição urbana espanhola nas Américas, que seguiu uma estrutura repetida em grandes cidades do continente. A intersecção desses sistemas criou uma história e uma geometria urbana em camadas, que permanecem visíveis no traçado viário contemporâneo da cidade.

Quando Los Angeles foi fundada em 1781 como um pueblo por Felipe de Neve, tratava-se de um posto avançado do Vice-Reino da Nova Espanha. Os vice-reinos eram divisões políticas dos territórios espanhóis na América e, no final do século XVIII, a Nova Espanha era vasta. Estendia-se desde o sul da Costa Rica até o extremo norte na Alta Califórnia, limitando-se a leste com o Rio Mississippi e os recém-independentes Estados Unidos da América. Naquela época, a Cidade do México funcionava como o principal centro administrativo e econômico, fazendo com que regiões de fronteira como a Alta Califórnia dependessem de uma tríade específica de assentamentos: missões (religiosas), presídios (militares) e pueblos (civis).

El Pueblo de Los Angeles: As origens espanholas da malha urbana de Los Angeles - Image 1 of 4El Pueblo de Los Angeles: As origens espanholas da malha urbana de Los Angeles - Image 2 of 4El Pueblo de Los Angeles: As origens espanholas da malha urbana de Los Angeles - Image 3 of 4El Pueblo de Los Angeles: As origens espanholas da malha urbana de Los Angeles - Image 4 of 4El Pueblo de Los Angeles: As origens espanholas da malha urbana de Los Angeles - Mais Imagens+ 5

Uma imagem que vale mais que mil pixels: transformando a Disneyland Paris em uma tela

Acesso exclusivo | 

Em ambientes altamente curados como a Disneyland Paris, a arquitetura opera sob um conjunto diferente de expectativas. Não se exige dos edifícios apenas desempenho técnico; eles também precisam se comunicar, muitas vezes instantaneamente. Nesse contexto, a fachada se torna um marco visual que funciona como um limiar, mediando a luz, o ar e a percepção. Uma estratégia que tem ganhado força nesse cenário é o uso de sistemas de envoltórias semiopacas. Sem serem totalmente transparentes nem completamente fechados, esses sistemas de fachada introduzem profundidade e variabilidade.

Ao contrário dos revestimentos convencionais, os sistemas de limiar opacos funcionam como filtros. Eles amenizam a exposição solar, viabilizam a ventilação natural e garantem privacidade sem romper a continuidade visual. Essas características são valiosas em contextos urbanos e comerciais, onde as edificações buscam equilibrar a resposta ambiental com o impacto da experiência espacial. Tais sistemas também se tornam portadores de narrativas, incorporando referências culturais, padrões ou imagens à própria pele arquitetônica.

Forma, Função e Financiamento: O Urbanismo High-Tech de São Francisco

Acesso exclusivo | 

San Francisco é uma cidade que sempre se reinventou sob pressão. Suas paisagens urbanas vitorianas sobreviveram a reforços estruturais sísmicos e torres de vidro, com seus bairros definidos tanto pela mudança quanto pela resistência a ela. No entanto, nenhuma força na história da cidade remodelou o ambiente construído de forma tão completa — ou tão rápida — quanto a economia da tecnologia. O que começou na dispersão urbana do pós-guerra no Vale do Silício migrou para o norte e inscreveu sua lógica no horizonte e na vida dos/as moradores/as. O resultado dessa lógica é uma cultura arquitetônica de considerável refinamento técnico e paletas de materiais sofisticadas, mas que permanece, em grande parte, alheia à população local.

O custo dessa indiferença é mensurável e crescente. San Francisco deve viabilizar mais de 82.000 unidades habitacionais adicionais até 2031, sob as diretrizes da Alocação Regional de Necessidades de Habitação (RHNA) da Califórnia, em uma cidade onde o aluguel médio já figura entre os mais altos de qualquer área metropolitana norte-americana. Profissionais da educação, da saúde e do setor de serviços são ativamente deslocados/as por um mercado imobiliário calibrado para os níveis de renda de um único setor, em vez de focado na maior parcela da força de trabalho da cidade.

Forma, Função e Financiamento: O Urbanismo High-Tech de São Francisco - Imagen 1 de 4Forma, Função e Financiamento: O Urbanismo High-Tech de São Francisco - Imagen 2 de 4Forma, Função e Financiamento: O Urbanismo High-Tech de São Francisco - Imagen 3 de 4Forma, Função e Financiamento: O Urbanismo High-Tech de São Francisco - Imagen 4 de 4Forma, Função e Financiamento: O Urbanismo High-Tech de São Francisco - Mais Imagens+ 25

Oito casas de madeira no Chile com Cristián Izquierdo

Acesso exclusivo | 

Nicolás Valencia conversa em Santiago com o arquiteto chileno Cristián Izquierdo, autor do livro Composición centralizada, uma seleção de oito ensaios sobre oito casas projetadas e construídas por Izquierdo no Chile, entrelaçando teoria e prática.

Quem é Cristián Izquierdo? É arquiteto pela Pontifícia Universidade Católica do Chile e mestre (MSc) pela Columbia University. É sócio da Izquierdo Lehmann Arquitectos e fundador do Taller Tecton, onde desenvolve projetos cívicos de baixas emissões. É autor de Composición Centralizada e El material de lo construido. Recebeu reconhecimentos como o Architectural Record Design Vanguard e a Medalha AOA de Arquiteto Jovem Destacado. É professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile.

A herança centáurica: escala equina e arquitetura monumental mexicana

Acesso exclusivo | 

In a história arquitetônica do território mexicano, o ambiente construído funcionou não apenas como um palco humano, mas como uma infraestrutura biológica projetada para organizar a proximidade entre as espécies. A lógica espacial resultante não é uma performance solo, mas uma coexistência negociada entre corpos humanos e animais. Examinar essa herança hoje significa desviar o foco analítico da autoria estilística em direção a um fenômeno mais fundamental: a persistência de práticas espaciais que surgiram para sustentar formas de vida compartilhadas.

Muitas das características arquitetônicas hoje interpretadas como marcadores culturais ou estéticos — portais monumentais, pátios amplos e superfícies duráveis — podem ser compreendidas, na verdade, como vestígios materiais de um contrato entre espécies. Durante séculos, cavalos, mulas e o gado não foram elementos externos à arquitetura, mas habitantes essenciais cuja presença física moldou a escala, a circulação e as escolhas materiais. Seus corpos deixaram marcas mensuráveis no espaço, desde a altura das entradas que acomodavam cavaleiros e amazonas até sistemas de pavimentação projetados para resistir aos cascos, ao atrito e ao desgaste biológico. Em nenhum lugar esse contrato era mais visível do que no térreo da casa colonial.

A herança centáurica: escala equina e arquitetura monumental mexicana - Imagem 1 de 4A herança centáurica: escala equina e arquitetura monumental mexicana - Imagem 2 de 4A herança centáurica: escala equina e arquitetura monumental mexicana - Imagem 3 de 4A herança centáurica: escala equina e arquitetura monumental mexicana - Imagem 4 de 4A herança centáurica: escala equina e arquitetura monumental mexicana - Mais Imagens+ 9

Legado na Matéria: Tradições Materiais na Arquitetura Sul-Americana

Acesso exclusivo | 

Em toda a América do Sul, a arquitetura resiste através dos materiais que utiliza, aqueles que persistem ao longo do tempo. O bambu, o tijolo, a madeira e o concreto surgem em diferentes regiões, conectando clima, trabalho e cultura de maneiras que garantem sua permanência através das gerações. Sua continuidade não depende exclusivamente de preservação ou tombamento. Depende do uso.

Sob essa perspectiva, a memória cultural não reside primordialmente em monumentos ou imagens, mas sim na prática. Ela sobrevive em gestos repetidos: no assentamento de tijolos, na amarração de nós de guadua, na montagem de estruturas de madeira, na concretagem de lajes que antecipam um novo pavimento. Essas ações são transmitidas menos por manuais do que pela participação direta. Com o tempo, formam sistemas de conhecimento integrados ao hábito e à necessidade. Os materiais perduram não por simbolizarem o passado, mas porque continuam cumprindo sua função.

Legado na Matéria: Tradições Materiais na Arquitetura Sul-Americana - Image 1 of 4Legado na Matéria: Tradições Materiais na Arquitetura Sul-Americana - Image 2 of 4Legado na Matéria: Tradições Materiais na Arquitetura Sul-Americana - Image 3 of 4Legado na Matéria: Tradições Materiais na Arquitetura Sul-Americana - Image 4 of 4Legado na Matéria: Tradições Materiais na Arquitetura Sul-Americana - Mais Imagens+ 12

Arquitetura como plataforma: o que faz um edifício evoluir?

Acesso exclusivo | 

Não faz muito tempo, em um período recente o suficiente para parecer atual, a arquitetura entrou em um momento no qual os edifícios passaram a ser interpretados como produtos. Essa abordagem trouxe disciplina e uma perspectiva renovada para uma indústria que, frequentemente, valoriza a novidade mais do que a clareza operacional. Ao direcionar os exercícios formais em direção à repetibilidade, experiência do usuário, desempenho e escalabilidade, preparou-se o terreno para que as edificações fossem avaliadas como "produtos". A arquitetura passou a responder de forma mais direta sobre o seu funcionamento, a clareza com que comunica seu uso e a consistência com que entrega a experiência pretendida.

A disciplina do design de produto renova a perspectiva dos profissionais de arquitetura que projetam para um futuro em constante transformação. Além de oferecer um novo vocabulário e parâmetros de projeto, a área traz consigo a responsabilidade: um produto deve funcionar de maneira confiável ao longo do tempo e em diferentes contextos. Ele deve se estruturar como um sistema de decisões, e não como uma mera coleção de partes. Desse modo, a qualidade já não é medida apenas pela singularidade, mas sim pela consistência e pela capacidade de gerar uma experiência previsível para quem o ocupa.

Arquitetura como plataforma: o que faz um edifício evoluir? - Image 1 of 4Arquitetura como plataforma: o que faz um edifício evoluir? - Image 2 of 4Arquitetura como plataforma: o que faz um edifício evoluir? - Image 3 of 4Arquitetura como plataforma: o que faz um edifício evoluir? - Image 4 of 4Arquitetura como plataforma: o que faz um edifício evoluir? - Mais Imagens+ 2

A Embarcadero Freeway: infraestrutura elevada e regeneração urbana em São Francisco

Acesso exclusivo | 
Áudio disponível

Nas últimas décadas, cidades de todo o mundo testemunharam um aumento na demolição de vias expressas elevadas de concreto. Taipé, Seul, Portland e Boston, por exemplo, vivenciaram a ascensão e a queda dessas infraestruturas para dar lugar a parques e a novas propostas de regeneração urbana. Em outros casos, como em Montreal, no Canadá, houve forte oposição popular às vias expressas antes mesmo de serem construídas, o que resultou no desvio de viadutos, na preservação do patrimônio e na liberação das vistas para a orla. Em São Francisco, nos Estados Unidos, a história da Embarcadero Freeway é uma dessas narrativas que servem como estudo de caso sobre a ambição infraestrutural de meados do século XX, a reação da comunidade ao projeto e sua eventual reversão em prol da conectividade urbana.

A Embarcadero Freeway: infraestrutura elevada e regeneração urbana em São Francisco - Image 1 of 4A Embarcadero Freeway: infraestrutura elevada e regeneração urbana em São Francisco - Image 2 of 4A Embarcadero Freeway: infraestrutura elevada e regeneração urbana em São Francisco - Image 3 of 4A Embarcadero Freeway: infraestrutura elevada e regeneração urbana em São Francisco - Image 4 of 4A Embarcadero Freeway: infraestrutura elevada e regeneração urbana em São Francisco - Mais Imagens+ 3

¡Você seguiu sua primeira conta!

Você sabia?

Agora você receberá atualizações das contas que você segue! Siga seus autores, escritórios, usuários favoritos e personalize seu stream.