Ex-alunos e ex-alunas do SCI-Arc continuam a deixar uma marca indelével no panorama global do design, liderando novas abordagens em arquitetura, tecnologia e práticas interdisciplinares. Com uma reputação consolidada no fomento à experimentação radical, a instituição formou profissionais cujos trabalhos desafiam convenções e redefinem as possibilidades espaciais. As conquistas recentes de seus diplomados e diplomadas destacam o papel do SCI-Arc na formação da próxima geração de arquitetos, arquitetas e pensadores criativos.
Que estruturas e infraestruturas mantêm os vínculos e relações entre o campo e a cidade? Como a arquitetura e as tecnologias emergentes manterão ou não essa coexistência de ambos os mundos no futuro? A redução da pegada ecológica, o impacto das mudanças climáticas, a descentralização das grandes cidades, a segurança alimentar e demais problemáticas contemporâneas interpelam profissionais de arquitetura e urbanismo em nível global sob o principal objetivo comum de melhorar a qualidade de vida da população e alcançar o bem-estar físico, mental e emocional no ambiente construído e natural.
Na preservação da arquitetura, existem muitas abordagens possíveis — que vão desde tratar um edifício como um monumento estático, restaurando-o meticulosamente in situ a ponto de limitar o acesso público, até estratégias adaptativas que reprogramam e modificam os espaços internos, mantendo elementos arquitetônicos essenciais, como a materialidade e a forma estrutural. No entanto, um método se destaca, tanto pela ambição quanto pela controvérsia: o de desmantelar deliberadamente um edifício — tijolo por tijolo —, etiquetar e documentar meticulosamente cada parte e armazená-lo até que surja um novo local, propósito ou narrativa. Em seguida, remontá-lo do zero, possivelmente para um uso totalmente diferente. Embora o contexto original se perca, essa estratégia visa preservar o significado cultural por meio da transformação, e não da estagnação. Esta é a história da Murray House em Stanley, Hong Kong.
Originalmente construída em 1846 como alojamento para oficiais militares britânicos no distrito de Central, a Murray House foi um dos primeiros exemplos de arquitetura neoclássica em Hong Kong — um vestígio único e duradouro do passado colonial da cidade. Suas robustas colunatas de granito e fachada simétrica erguiam-se como um símbolo de permanência clássica. Durante a ocupação japonesa de Hong Kong em 1941, a função do edifício foi redefinida para servir como centro de comando da polícia militar japonesa. O edifício sobreviveu à guerra e continuou a abrigar vários departamentos governamentais ao longo das décadas do pós-guerra.
À medida que as cidades continuam a se expandir verticalmente, as torres de escritórios permanecem como um dos símbolos mais visíveis da ambição arquitetônica e da evolução urbana. Não mais definida exclusivamente pela eficiência ou pela imagem corporativa, a arquitetura contemporânea dos espaços de trabalho está sendo reimaginada como um ecossistema híbrido — que equilibra densidade e iluminação natural, produtividade e bem-estar, tecnologia e integridade material e espacial. Os seguintes projetos não construídos, enviados pela comunidade do ArchDaily, revelam como profissionais de arquitetura em diferentes continentes estão repensando a tipologia da torre, transformando a verticalidade em uma oportunidade de conexão, adaptabilidade e sustentabilidade.
Do Shivalik Curv e Embassy Zenith, na Índia, onde forma e movimento se combinam para redefinir a identidade do horizonte urbano, ao Dungen, na Suécia, um edifício de escritórios de baixa altura feito de madeira que reflete a tranquilidade de um bosque, cada projeto explora como os ambientes de trabalho podem se tornar mais flexíveis, humanos e conscientes do ponto de vista ambiental. Em Kiev, o APEX Business Center se posiciona como um catalisador para a vitalidade urbana, enquanto a BNI Tower PIK 2, em Jacarta, transforma a torre corporativa em um símbolo cristalino de crescimento. Em Munique e Ancara, conceitos de uso misto como o Highrise Hufelandmark e o Rhythm Ankara exploram o escritório como parte de uma paisagem urbana mais ampla, onde trabalho, lazer e vida pública se cruzam.
Realizada em Pamplona de 23 a 26 de setembro, a Bienal de Arquitetura Latino-Americana 2025 reuniu escritórios emergentes e vozes consolidadas do continente. A edição se destacou pela qualidade e diversidade das práticas selecionadas: projetos de grande riqueza formal e conceitual, desenvolvidos por escritórios jovens, porém de uma solidez admirável, que refletem a maturidade e a vitalidade do panorama arquitetônico latino-americano atual.
Na cidade holandesa de Hilversum, um edifício municipal concluído em 1931 redefiniu a própria ideia do que um paço municipal poderia ser. Mais do que uma sede para a administração local, a Prefeitura de Hilversum tornou-se a expressão arquitetônica de uma comunidade em transformação. Com sua torre erguendo-se sobre espelhos d'água, seus volumes de tijolos articulados em torno de pátios e seus interiores detalhados minuciosamente, o edifício provou que a arquitetura cívica poderia unir função e simbolismo, eficiência e solenidade.
O/A arquiteto/a por trás dessa visão, Willem Marinus Dudok, não foi responsável apenas por edifícios isolados, mas pela própria configuração urbana de Hilversum. Atuando no planejamento e na arquitetura da cidade, projetou escolas, bairros residenciais e parques, desenvolvendo uma linguagem que fundia o artesanato holandês com a clareza modernista. A prefeitura representou o ápice dessa trajetória: uma peça central cívica onde a ambição urbana, o refinamento material e a escala humana convergiam em uma forma única e coerente.
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A fabricante italiana Mara colabora estreitamente com designers, aproveitando o controle total de seu processo industrial no local para promover a criatividade e a experimentação em sua fábrica em Brescia. Imagem cortesia de Mara
Os deuses do clima não foram muito generosos na minha chegada à fábrica da Mara, nos arredores de Brescia. Quando se pensa na Itália, sobretudo no setor de design, a imagem que vem à mente costuma ser de cenários ensolarados onde um Aperol Spritz está sempre a poucos segundos de distância.
Contudo, as condições climáticas são, francamente, a única coisa sobre a qual a fabricante italiana de móveis não tem controle. Fundada em 1960 por Camillo — avô da atual diretora-geral Laura Marchina e um experiente metalúrgico especializado na fabricação de, vejam só, canos de armas de fogo —, a empresa, assim como a própria família, mantém tudo muito perto de casa. Muito perto mesmo. A história da Mara não é apenas 100% "Made in Italy", é 100% Brescia. (Curiosidade: o nome da empresa é uma contração de "Marchina Arredamenti" ou "Mobiliário Marchina".)
De escritórios inspirados na floresta na Suécia a sedes sociais em formato de ninho na selva de Tulum, a arquitetura de uso misto continua a evoluir como uma ferramenta para a vida integrada. À medida que as cidades crescem e as nossas expectativas em relação aos espaços públicos, privados e comerciais mudam, profissionais de design e arquitetura repensam cada vez mais como diferentes funções — incluindo trabalho, lazer, descanso e aprendizado — podem coexistir em uma única linguagem arquitetônica. Esses projetos sugerem que os edifícios não precisam mais isolar as atividades em caixas, mas sim coreografá-las de modo a refletir os ritmos da vida cotidiana.
Esta seleção, enviada pela comunidade do ArchDaily, apresenta um panorama global de abordagens para o design de uso misto, desde planos diretores em grande escala até teses conceituais. O que os une é o compromisso com a sobreposição espacial, a sensibilidade ecológica e programas reinventados que priorizam a experiência do público usuário. Seja um dormitório estudantil em Teerã, uma praça pública no Cairo ou um polo comunitário no Texas, cada projeto abraça a complexidade para criar espaços dinâmicos, repletos de interação, transformação e significado.
A rica história da Itália, evidente em seus monumentos e cidades, criou um contexto único para a renovação arquitetônica. Os/as arquitetos/as italianos/as frequentemente abraçam esse patrimônio ao estabelecer um diálogo entre o antigo e o novo, em vez de buscar uma transformação completa. Essa abordagem evita deliberadamente um estilo imitativo. Em vez disso, utilizam materiais contemporâneos como aço, vidro e novas madeiras para emoldurar e destacar a cantaria de pedra e a alvenaria de tijolos históricas preexistentes. Essa justaposição transforma os materiais originais de simples elementos estruturais em protagonistas decorativos e narrativos. O resultado é uma experiência em camadas na qual a história do espaço permanece visível, garantindo que ela seja preservada, e não apagada pela reforma.
Liminal Air Space-Time, de Shinji Ohmaki, Noor Riyadh 2025. Imagem cortesia de Noor Riyadh
O festival Noor Riyadh 2025 levou instalações de luz em grande escala a espaços públicos por toda a capital da Arábia Saudita, transformando temporariamente nós de transporte, bairros históricos e marcos importantes em ambientes urbanos iluminados. De 20 de novembro a 6 de dezembro de 2025, Riade tornou-se uma galeria urbana de luz, movimento e percepções em constante mudança. A quinta edição do festival reuniu 60 obras de arte de 59 artistas de 24 países, incluindo mais de 35 novos comissionamentos, todos respondendo ao tema "Num Piscar de Olhos" (In the Blink of an Eye). Utilizando a luz tanto como meio quanto como conceito, as instalações reinterpretaram a paisagem arquitetônica em rápida evolução da capital e refletiram sobre como a percepção se transforma em espaços moldados pelo patrimônio histórico e por um ambicioso desenvolvimento urbano.
O que implica uma mudança de uso e/ou escala nos edifícios? Como uma igreja ou capela pode se transformar em habitação? Embora a arquitetura de numerosos espaços sagrados contemporâneos demonstre uma grande capacidade de adaptação e evolução, os limites da criatividade de profissionais da área se estendem para além de sua concepção apenas como estruturas de espiritualidade ou culto. Em nível global, a reconversão de grandes igrejas e pequenas capelas em residências particulares revela um amplo campo de intervenção e exploração, capaz de preservar, restaurar, adaptar e/ou renovar o caráter de espaços concebidos para outros usos e escalas que, por diversas razões, foram abandonados, tornaram-se obsoletos ou demandam uma transformação.
O que é arquitetura? Para alguns, seu papel tradicional consiste em reunir imaginação, conhecimento técnico e resolução de problemas, permitindo a arquitetos e arquitetas projetar e construir equilibrando ideias e os meios para viabilizá-las. Da pedra e da madeira das primeiras edificações ao aço e concreto do século XX, cada época exigiu não apenas a compreensão da forma, mas também das propriedades e do potencial dos materiais em uso. Esse domínio da matéria sempre foi parte fundamental do processo criativo, embora seu alcance estivesse limitado pelos conhecimentos práticos e tecnologias disponíveis na época.
Com o tempo, esse equilíbrio começou a mudar. Arquitetos e arquitetas deixaram de apenas utilizar materiais para projetá-los ativamente, aplicando princípios científicos e experimentando com processos biológicos, químicos e computacionais. Essa evolução expandiu as possibilidades da disciplina, promovendo a intersecção entre natureza, tecnologia e arte, ao mesmo tempo em que impulsionou o papel de arquitetos e arquitetas rumo a uma dimensão mais experimental e científica, na qual a manipulação e a criação de materiais passam a ser o cerne do ato criativo, e não apenas um meio para viabilizar formas ou estruturas.
Pouco se escreveu sobre a obra de Abdelmoneim Mustafa, um dos nomes mais respeitados da arquitetura em sua terra natal, o Sudão, e pioneiro da profissão em meados do século XX. Esra Akcan, que realizou uma pesquisa aprofundada sobre seu trabalho com uma equipe no Sudão durante uma breve janela de oportunidade entre 2019 e 2021, lamenta essa falta de reconhecimento da seguinte forma: "Como alguém tão talentoso quanto Moneim Mustafa… autor de alguns dos edifícios modernistas de meados do século mais instigantes do mundo, pôde ser tão negligenciado, tão ignorado fora do Sudão, a ponto de, até hoje, não haver nenhuma publicação de circulação internacional em seu nome?" Os escritos de Akcan, somados ao blog pessoal de Hashim Khalifa, que se formou sob a tutela de Mustafa, lançam luz sobre seu vasto legado.
Como o design de interiores contemporâneo cria experiências diferentes de acordo com seus materiais? Como a adaptabilidade e a reutilização de certos materiais permitem gerar atmosferas contrapostas e/ou complementares dentro de um mesmo espaço? Alinhada às texturas, proporções, cores ou propriedades de cada material, a arquitetura de interiores compreende atualmente a oportunidade de criar ambientes onde a materialidade desempenha mais do que um papel estético. Prestando atenção especial à experiência final de seus usuários e usuárias, o El Equipo Creativo se propõe a combinar projetos em que a paisagem, a natureza, a cultura e a arte se destacam em composições de interiores que acolhem amplos programas e públicos.
Comayagua é uma cidade no centro de Honduras situada em um vale de mesmo nome. A cidade ocupa um lugar central na história do país, tendo servido como sua capital colonial e do início do período republicano por mais de 300 anos. No entanto, quando a capital foi transferida para Tegucigalpa em 1880, a expansão urbana de Comayagua estagnou, o que acabou por preservar, involuntariamente, um rico e vasto patrimônio. No início da década de 1990, grande parte do legado arquitetônico da cidade encontrava-se em estado de deterioração. Diante da necessidade urgente de protegê-lo, os governos de Honduras e da Espanha iniciaram um esforço conjunto com o objetivo de lançar um programa de restauração de longo prazo, criando uma estrutura de diretrizes políticas que garantisse a preservação do centro histórico da cidade para as gerações futuras.
A perspectiva arquitetônica de Olivia Poston está profundamente enraizada em sua infância e juventude nos cenários pós-industriais no sopé das montanhas do Tennessee, onde desenvolveu um fascínio precoce pela complexa relação entre ecologia e ambientes urbanos. Essa experiência formativa moldou sua visão da arquitetura não apenas como o ato de construir, mas como uma lente para explorar sistemas sociais, culturais e ambientais em constante transformação. O trabalho de Olivia conecta pesquisa, escrita e prática editorial, concentrando-se em como cidades de diversos climas evoluem e se adaptam em resposta aos crescentes desafios ambientais.
Ela se interessa de forma especial por estratégias de projeto colaborativas que integram perspectivas de arquitetos/as, urbanistas e engenheiros/as para promover a resiliência e a equidade no ambiente construído. Sua abordagem editorial prioriza projetos que dialogam criticamente com o risco climático, mantendo, ao mesmo tempo, um senso de otimismo e possibilidade. Valoriza conteúdos que ofereçam tanto reflexão quanto caminhos práticos para o futuro, servindo como uma plataforma para destacar respostas inovadoras às demandas urgentes da sustentabilidade.
O noticiário de arquitetura deste mês destaca uma onda global de reuso adaptativo, infraestrutura de grande escala e transformação do espaço público. De expansões aeroportuárias a reconfigurações de museus, profissionais de arquitetura de todo o mundo estão repensando como os espaços cívicos atendem às comunidades no século XXI. Entre as novidades de destaque, os escritórios Sasaki, SLA e MVVA foram selecionados como finalistas para reimaginar o Aeroporto Downsview de Toronto como um corredor público voltado para pedestres, enquanto o HOK projetou a expansão de 2,8 milhões de pés quadrados (cerca de 260 mil metros quadrados) do Aeroporto Internacional de Dulles para acomodar o crescimento futuro, respeitando a visão original de Saarinen. Em Melbourne, o Fraser & Partners obteve aprovação para a reurbanização focada no patrimônio histórico do distrito da Boiler House, enquanto o COLL-BARREU ARQUITECTOS concluiu uma sutil reconfiguração do acesso público no Museu Reina Sofía, em Madri. Por fim, no Canadá, o Knight Architects revelou o projeto "Motion" para a substituição da Ponte Alexandra, uma estrutura em arco moldada por referências ecológicas e focada no espaço público inclusivo. Continue lendo para conhecer as atualizações mais recentes que moldam a arquitetura atual.
A tranquilidade é essencial ao selecionar metais sanitários para um projeto comercial. Como líder global em metais e acessórios arquitetônicos premium, a ABI Interiors tem o compromisso de entregar soluções sustentáveis e pautadas pelo design que atendem às necessidades práticas e criativas de arquitetos/as em empreendimentos comerciais, residenciais e de grande escala.
A rápida urbanização, impulsionada pelo crescimento populacional, está entre as grandes megatendências que transformam a maneira como as cidades são construídas. O mundo ganha uma nova cidade do tamanho de Madri a cada semana — e essa tendência persistirá pelas próximas décadas. Para atender a essa demanda de forma sustentável, é necessária uma abordagem colaborativa e baseada no pensamento sistêmico para a construção.
Um lugar de renascimento, a cidade de Muharraq, no Bahrein, passou por uma visionária transformação cultural e urbana, emergindo como um modelo pioneiro de regeneração impulsionada pela cultura no mundo árabe, particularmente na região do Golfo. Outrora a capital da indústria de pérolas do país, Muharraq preservou, reinterpretou e reintegrou seu legado histórico em sua malha urbana em constante evolução.
Diante do desafio de redefinir seu futuro — marcado por um traçado urbano intacto, mas com estruturas arquitetônicas em deterioração — Muharraq vislumbrou uma narrativa urbana linear, tecendo a memória da indústria por meio de uma sequência de edifícios-chave. A cidade propôs-se a conectar as propriedades individuais ligadas ao seu passado perlífero, tais como as casas de mergulhadores/as, capitães de barcos e comerciantes de pérolas.
No projeto de arquitetura de alto padrão, os fixadores tradicionais para painéis de acesso, como parafusos aparentes e fechos magnéticos, costumam comprometer a estética e a funcionalidade. Esses métodos obsoletos podem afrouxar com o tempo, carecem de durabilidade ou exigem molduras visíveis, tornando-os inadequados para espaços premium. Seja para acessar sistemas elétricos, componentes de climatização (HVAC) ou instalações hidráulicas, a escolha do método de instalação correto é crucial para uma integração perfeita ao ambiente.
As primeiras soluções ocultas, como as mãos-amigas (French cleats) e os clipes em Z (Z-clips), melhoraram a aparência, mas trouxeram novos desafios. Esses sistemas exigem a remoção sequencial dos painéis e folgas adicionais, o que dificulta a manutenção — especialmente em áreas que demandam acesso frequente. A fresta inevitável que surge no topo dos painéis também compromete o apelo estético, assim como a necessidade de recortar seções do painel para tomadas de parede.
O conceito de guarda-roupa cápsula, popularizado nos anos 1970 por Susie Faux, propõe um exercício de síntese: um conjunto compacto de peças versáteis, capazes de se combinar de inúmeras maneiras para se adaptar a diferentes ocasiões. Na cultura visual, existem algumas metáforas para isso: em desenhos animados como Doug Funnie ou O Laboratório de Dexter, abrir o armário revelava fileiras de roupas idênticas, prontas para simplificar a vida (e, no caso de quem desenhava, o próprio trabalho). No mundo real, personalidades como Steve Jobs transformaram essa lógica em método ao adotar um uniforme diário, eliminando a pequena — mas recorrente — decisão de "o que vestir?" e poupando tempo e energia para questões mais importantes.
Para outras pessoas, no entanto, essa escolha está longe de ser um fardo. Escolher o que vestir é um momento de prazer, capaz de definir o tom do dia e influenciar o humor. Sob essa perspectiva, o guarda-roupa também se torna uma extensão da identidade, um espaço onde as escolhas práticas e simbólicas se encontram. Não por acaso, expressões como "sair do armário" ou "ter um esqueleto no armário" estão profundamente enraizadas na linguagem, revelando a dimensão cultural desse elemento doméstico. No design de interiores contemporâneo, essa noção ganha novas camadas: o armário pode definir o caráter de um espaço, guiar a circulação, influenciar a percepção e até moldar a atmosfera de um ambiente.
Nos dias 23 e 24 de abril de 2025, no Campus ACCIONA, a segunda edição do NEXT IN Summit, organizada pela ACCIONA Living & Culture, reuniu líderes globais em museologia, arquitetura e arte. Inaugurado com a presença do prefeito de Madri, José Luis Martínez Almeida, o evento destacou as melhores práticas em projeto, gestão e inovação de espaços culturais. Figuras de destaque, como o arquiteto David Chipperfield, Glenn D. Lowry, diretor do MoMA, o artista digital Rafael Lozano-Hemmer e Mariët Westermann, diretora e CEO do Solomon R. Guggenheim Museum, lideraram as discussões sobre o futuro das instituições culturais.
À medida que as cidades continuam a se desenvolver, observamos abordagens cada vez mais bem planejadas, meticulosamente executadas e rigidamente regulamentadas para moldar os centros urbanos e seus espaços adjacentes — para o bem e para o mal. Conforme os códigos, restrições e diretrizes se aprimoram e se tornam mais rigorosos, os ambientes urbanos tornam-se mais seguros, equilibrados e menos propensos a surpresas. No entanto, o outro lado dessa moeda é que distritos altamente controlados podem tender a uma ordem excessiva e à higienização, desfazendo-se do caráter informal e cumulativo que outrora gerava becos, espaços residuais e sequências inesperadas de movimento — condições muitas vezes nascidas da constante improvisação comunitária nas zonas cinzentas da regulamentação.
Em resposta a isso, um número crescente de iniciativas em todo o mundo propõe instalações urbanas temporárias que testam futuros alternativos para as cidades. Essas intervenções buscam provocar um diálogo entre o que a cidade é e o que ela poderia oferecer às suas comunidades por meio de práticas espaciais reflexivas e específicas de cada contexto. Um exemplo notável é o Concéntrico, festival internacional em Logroño, Espanha, concebido como um laboratório de inovação urbana. Comemorando sua décima edição, o festival está prestes a publicar Concéntrico: Urban Innovation Laboratory, um livro que traça um panorama de uma década de desenho urbano e transformação coletiva moldados ao longo de suas sucessivas edições. O lançamento é acompanhado por uma turnê internacional voltada a compartilhar uma década de aprendizados sobre transformação e design coletivos.