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Sahel e África Subsariana: O mais recente de arquitetura e notícia

O escopo ampliado do/a arquiteto/a: Centro de Inovação Moving Windmills

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O que fazem os/as arquitetos/as? Essa pergunta milenar revela a dicotomia perene entre dois aspectos da edificação – como construir e por que construir. Apesar de suas origens antigas e de seu nome derivar do grego antigo, a profissão se transformou ao longo dos séculos. Sua configuração atual, geralmente datada do Renascimento Italiano, estabelece uma distinção entre o ato de construir e a tomada de decisões intelectuais e estéticas por trás dele. No entanto, podemos estar no meio de outra transformação incipiente. Historicamente, a encomenda da arquitetura permaneceu separada da prática, mas, como se pode observar no trabalho do MASS e em projetos como o Moving Windmills Innovation Center, essa distinção começa a se diluir.

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Arquitetura como tradução: o africanofuturismo no folclore, no cinema e na arte especulativa

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"Tome seus supressores de sonhos." A frase de abertura em Pumzi, de Wanuri Kahiū, direcionada à protagonista Asha, impõe a ordem de romper laços com futuros esperançosos e memórias ancestrais em passados compartilhados para forçar seu foco no presente perpétuo da heterotopia de um enclave da Comunidade Maitu. A vista aérea de Maitu revela uma estrutura estéril, semelhante a um drone, com uma esfera panóptica no centro, onde o comportamento humano normal é medicalizado. O layout é construído em torno de sistemas de reciclagem de circuito fechado tão eficientes quanto um organismo autossustentável, projetados para escapar do ambiente tóxico de uma Terra doente, onde cada cano e corredor é planejado para coletar excreções humanas para a geração de água, absorvendo, assim, os papéis tanto da natureza quanto do Estado. A arquitetura da comunidade traduz perfeitamente a mensagem do filme por meio de sua fisicalidade.

No folclore, no cinema e na arte, o mesmo movimento se repete: a arquitetura traduz um "outro lugar" — seja ele ancestral, espiritual ou especulativo — em uma forma que pode ser vista ou adentrada. As seções a seguir acompanham essa tradução, dos Túmulos de Kasubi a Kizazi Moto, mostrando que esse "outro lugar" é uma forma de ler o presente.

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Do Jardim ao Monumento: Paisagens da Libertação nas Cidades Africanas

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A libertação nem sempre começa com um monumento. Pode começar em um jardim, quintal, clareira ou campo; na ocupação da terra e na possibilidade de se reunir ali. Ao longo de histórias moldadas pelo colonialismo e pela expropriação, o espaço tem sido mais do que o cenário onde a libertação ocorre. Ele tem sido uma de suas práticas: cultivado, ocupado, servindo de refúgio, percorrido e coletivamente refeito.

A pesquisa do escritório Wolff Architects Liberation Gardens propõe o jardim como uma forma de ler essas práticas espaciais, não simplesmente como um terreno plantado, mas como um espaço através do qual a sobrevivência, o sustento e a imaginação emancipatória podem ser mantidos. O jardim, nesse sentido, não é definido tanto pelo projeto de paisagismo, mas sim pelas relações entre as pessoas e a terra, o cultivo e o conhecimento, a ocupação e a autonomia. Ele pode abrigar a produção cultural ao lado da subsistência, além de formas de vida coletiva que emergem sob condições de violência e expropriação. A libertação, compreendida espacialmente, passa a ser tanto sobre a possibilidade de habitar de forma diferente quanto sobre alcançar uma condição final de liberdade.

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O tempo como material de construção na arquitetura de Francis Kéré

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"Afinal, o tempo é um ingrediente fundamental da minha profissão", afirma Francis Kéré em seu livro Francis Kéré: Building Stories. A arquitetura está em constante evolução e se transforma ao longo do tempo. Tijolos, portas, janelas, paredes, escadas e outros elementos tornam-se protagonistas de um processo que começa com um esboço e, eventualmente, ganha forma como obra construída.

Considerando que a arquitetura começa quando seus habitantes passam a se apropriar de um espaço, Francis Kéré desenvolve seus projetos de forma progressiva, continuando a trabalhar no desenho mesmo durante a fase de construção. À medida que sua arquitetura cresce com o tempo, integra-se ao entorno, adapta-se às necessidades de seus usuários e usuárias e responde às mudanças de maneira flexível e experimental, ela busca se tornar parte da vida de quem a habita.

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Construído para Excluir: Violência Colonial e Ecologias Urbanas na África

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A violência colonial nas cidades africanas transbordou das dimensões políticas para a esfera espacial. Ela se infunde em malhas urbanas, sistemas de posse da terra, infraestrutura de drenagem e zonas residenciais que continuam a estruturar a desigualdade e o deslocamento na atualidade. Kinshasa, Cartum e Kampala carregam, cada uma, essa sobrevida em sua morfologia urbana, agindo simultaneamente como artefatos históricos e estruturas ativas; isso molda quem tem acesso a serviços, quem ocupa áreas inundáveis e catalisa uma profunda instabilidade climática que empurra esse aparato para dimensões inteiramente novas — incluindo as geológicas.

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Asmara Heritage Project: documentando um projeto colonial que se tornou símbolo nacional da Eritreia

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Asmara, a capital da Eritreia, está situada a mais de 2.300 metros acima do nível do mar, em um planalto na borda da escarpa do Vale do Grande Rift. Embora localizada em um país pouco conhecido pelo turismo de massa, a cidade ganhou fama por sua arquitetura singular. Em julho de 2017, tornou-se Patrimônio Mundial da UNESCO, inscrita sob o título "Asmara: Uma Cidade Modernista Africana" — o primeiro sítio urbano modernista a ser tombado em sua totalidade no mundo, e o primeiro Patrimônio Mundial explicitamente modernista da África. Seu valor patrimonial resultou de uma complexa convergência de dois aspectos da história da Eritreia: um período de intensa construção colonial, impulsionado pelas ambições imperiais da Itália na África, e um longo período de relativo isolamento que preservou a cidade de remodelações urbanas.

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Quando as águas chegam: como Lagos negocia com suas enchentes recorrentes

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Lagos é uma cidade moldada pelo tempo, pela interação humana, pelas forças da natureza e por sua relação em constante evolução — e por vezes complexa — com esses três elementos. Em nenhum lugar isso é mais visível do que quando a chuva chega.

Eko situa-se em uma planície de inundação. Sua condição geográfica precede a própria cidade, remontando a um tempo anterior à abertura da primeira rua ou à demarcação do primeiro limite territorial. Os sistemas de drenagem e os empreendimentos que gradualmente se transformaram em frentes de água privatizadas foram todos construídos sobre uma paisagem que, em sua essência, sempre esteve em constante diálogo com a água. A enchente não é uma anomalia; é a própria terra insistindo em um diálogo que inevitavelmente retornaria.

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Mapeando narrativas: o que o mapa da ONU revela sobre as reparações simbólicas

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Este artigo faz parte da nossa nova seção de Opinião, um formato para ensaios argumentativos sobre questões cruciais que moldam nossa área.

Durante séculos, a maior parte do mundo se enxergou por meio de um instrumento de representação espacial do século XVI. No dia 4 de setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas votou para mudar esse cenário, adotando uma resolução que solicita a governos, escolas, veículos de imprensa e empresas de tecnologia que deixem de usar a projeção de Mercator onde o tamanho relativo dos países de fato importe, substituindo-a por alternativas de áreas equivalentes, como a projeção Equal Earth de 2018. A votação foi aprovada por 164 votos a 1, sendo os Estados Unidos o único voto contrário.

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Arquitetura como Construção Nacional: Modernismo e Independência na África

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Este artigo faz parte de "Thresholds", uma edição especial impressa desenvolvida por Cobe Notes x ArchDaily.

Lançada em setembro de 2024, a série Rediscovering Modernism in Africa somou-se a um crescente interesse global por este tema. Antes sub-representado nos debates arquitetônicos, o trabalho de profissionais da arquitetura e da pesquisa, tanto no continente quanto no exterior, vem revelando a história dessas obras modernas de alta qualidade. Tais edificações refletem o esforço de projetistas em conceber uma arquitetura adaptada ao contexto local a partir de conceitos e tecnologias globais, coincidindo com as profundas transformações políticas decorrentes da independência da maioria dos países africanos.

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Guia de arquitetura de Nairóbi: 11 projetos que constroem uma identidade pós-independência

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A identidade arquitetônica de Nairóbi foi transformada pela independência do Quênia em 1963. À medida que a nova nação buscava se definir, a cidade tornou-se um campo de testes para uma arquitetura moderna capaz de incorporar o progresso e, ao mesmo tempo, responder à cultura africana, ao clima e às condições locais. Isso deu início a um período de experimentação arquitetônica, com o surgimento de diferentes abordagens para a relação entre modernidade, identidade e lugar.

O Kenyatta International Convention Centre é talvez a expressão mais clara desse momento. Sua arquitetura uniu princípios modernistas a referências de formas africanas, estabelecendo uma resposta singular às ambições de uma nação recém-independente. Ao seu redor, arquitetos/as quenianos/as e internacionais desenvolveram outras interpretações do modernismo, desde as fachadas com brises do Reinsurance Plaza até a silhueta escultórica do Nation Centre, além de projetos religiosos, educacionais e cívicos que ampliaram o vocabulário arquitetônico da cidade.

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A Maison du Peuple: a reapropriação do brutalismo para a construção nacional

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Quando os países africanos conquistaram sua independência do domínio colonial europeu em meados do século XX, a construção nacional envolveu muito mais do que estabelecer novos governos e instituições políticas. Os novos Estados soberanos também precisavam estabelecer uma identidade edificada que os diferenciasse de seu passado colonial, e a arquitetura tornou-se uma ferramenta crucial nesse processo. Em todo o continente, edifícios cívicos monumentais, universidades, centros de convenções e instituições culturais foram encomendados para personificar o progresso e a unidade nacional. No entanto, isso criou uma contradição fundamental: muitos desses edifícios adotaram linguagens arquitetônicas modernistas e brutalistas de origem europeia, sendo que alguns foram inclusive projetados por profissionais de arquitetura das antigas potências coloniais. A Maison du Peuple em Ouagadougou, Burkina Faso, oferece um exemplo particularmente revelador de como uma linguagem arquitetônica associada à Europa pôde ser apropriada e transformada em uma expressão de independência pós-colonial.

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Como uma cultura pode ser traduzida em espaço? Por dentro do Studio NEiDA

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"Uma arquitetura que abriga multidões." Esta é a frase que o Studio NEiDA usa para se apresentar, deixando clara a sua posição diante do mundo: escutar e respeitar a pluralidade de existências que transitam por cada contexto. Mais do que uma declaração de princípios, a frase parece funcionar como um método. Afinal, o que significa projetar espaços capazes de acolher não apenas pessoas, mas também memórias, saberes e conflitos?

É inegável que a abordagem plural do Studio NEiDA está, em parte, enraizada em sua própria posição geográfica. Atuando entre o Togo e a Alemanha, o escritório opera em dois contextos aparentemente distintos que, no entanto, estão historicamente conectados. Em uma entrevista recente, Jeanne Autran-Edorh, arquiteta franco-togolesa e cofundadora do estúdio, ao lado da curadora e escritora Fabiola Büchele, relembra a história entre os dois países, observando que, como poucos sabem, antes de se tornar uma república independente, o Togo foi uma colônia alemã que mais tarde passou para o domínio francês.

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Quando a mobilidade se torna o solo: arquitetura, adaptação e a busca por continuidade

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Poucas condições moldaram o discurso arquitetônico contemporâneo de forma tão profunda quanto a incerteza. Em bienais, exposições e fóruns internacionais, a arquitetura projeta cada vez mais sua relação com o mundo por meio da flexibilidade, da reversibilidade e da capacidade de resposta — qualidades destinadas a lidar com emergências climáticas, instabilidade política e uma mobilidade humana sem precedentes. Edifícios são projetados para se transformar, infraestruturas para evoluir e cidades para acolher condições que parecem cada vez mais imprevisíveis. Essa ênfase na agilidade expandiu a capacidade da disciplina de dialogar com as mudanças ambientais, oferecendo estratégias valiosas para um mundo em constante transformação.

No entanto, essa evolução aponta para uma mudança mais profunda na forma como a arquitetura media a condição humana. Há muito tempo a arquitetura funciona como um mecanismo de orientação existencial — uma maneira de a consciência humana esculpir uma coordenada inteligível em meio a um cosmos indiferente, ancorando a memória e a identidade a um ponto fixo. Em grande parte do discurso arquitetônico contemporâneo, a incerteza aparece cada vez menos como uma condição externa a ser mitigada e mais como o próprio horizonte a partir do qual o pensamento arquitetônico se inicia. A experiência espacial é cada vez mais moldada por ambientes projetados em torno de um fluxo persistente, onde pontos de referência estáticos dão lugar a condições de transformação contínua.

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