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Cidades: O mais recente de arquitetura e notícia

Quando as águas chegam: como Lagos negocia com suas enchentes recorrentes

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Lagos é uma cidade moldada pelo tempo, pela interação humana, pelas forças da natureza e por sua relação em constante evolução — e por vezes complexa — com esses três elementos. Em nenhum lugar isso é mais visível do que quando a chuva chega.

Eko situa-se em uma planície de inundação. Sua condição geográfica precede a própria cidade, remontando a um tempo anterior à abertura da primeira rua ou à demarcação do primeiro limite territorial. Os sistemas de drenagem e os empreendimentos que gradualmente se transformaram em frentes de água privatizadas foram todos construídos sobre uma paisagem que, em sua essência, sempre esteve em constante diálogo com a água. A enchente não é uma anomalia; é a própria terra insistindo em um diálogo que inevitavelmente retornaria.

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IV Semana Acadêmica da FAU UFRJ

A quarta Semana de Encontros Acadêmicos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SemEA FAU), vai acontecer entre os dias 21/10/2026 e 23/10/2026. O evento tem como tema "Raízes em rede: rompendo fronteiras e entrelaçando territórios latino-americanos".

Mundos Digitais e os Limites do Espaço Sem Atrito: Repensando Escala e Materialidade

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Historicamente, a forma como projetamos esteve intimamente ligada à maneira como construímos. A arquitetura avançava por meio de testes físicos, tentativa e erro, desenhos de projeção, maquetes em escala real e modelos físicos: cada um introduzindo uma nova camada de abstração, mas mantendo-se atrelado à materialidade, à escala e à construção. A introdução do CAD alterou significativamente essa dinâmica. No início, ele era compreendido sobretudo como a computadorização de geometrias precisas para a construção. Com o tempo, contudo, as ferramentas digitais passaram a ser incorporadas em etapas mais precoces do processo projetual, substituindo o croqui, a tentativa e erro física, a confecção de maquetes e outras formas de pensamento que outrora mantinham a escala e a matéria sempre próximas.

A linhagem do projeto de arquitetura pode, portanto, ser compreendida em parte como uma evolução de abstrações. Algumas delas revelaram-se extraordinariamente produtivas. Plantas e cortes, por exemplo, isolam dimensões específicas da arquitetura e, ao mesmo tempo, permitem que a mente reconstrua o todo. Elas planificam, cortam e reduzem, mas não abandonam o edifício. Pela combinação desses desenhos, é possível compreender ambientes, circulação, estrutura, aberturas e relações espaciais sem se perder na complexidade do projeto. Sua abstração é disciplinada porque permanece vinculada a uma realidade arquitetônica que, eventualmente, precisará ser medida, construída e habitada.

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Guia de arquitetura de Oslo: 12 edifícios que contrastam o design histórico e o contemporâneo

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Oslo é a capital e maior cidade da Noruega, servindo como o centro político, econômico e cultural do país. Situada na cabeceira do Fiorde de Oslo e cercada por colinas florestais, abriga cerca de 700.000 pessoas em sua área urbana, com mais de um milhão de habitantes em sua região metropolitana. Fundada há cerca de mil anos, Oslo tem uma longa história como entreposto comercial e sede administrativa. No entanto, grande parte de seu caráter moderno foi moldada depois que um grande incêndio no século XVII levou a uma reconstrução completa sob o domínio dinamarquês, época em que foi temporariamente rebatizada de Cristiania. Hoje, a cidade figura constantemente entre as mais habitáveis do mundo, valorizada por sua harmonia entre a vida urbana e o fácil acesso à natureza.

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“Viver com contrastes é algo muito significativo”: Salwa e Selma Mikoü falam sobre arquitetura e ofício em entrevista ao Louisiana Channel

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As gêmeas e arquitetas franco-marroquinas Salwa e Selma Mikoü desenvolveram uma prática que une arquitetura, engenharia, artesanato e memória cultural. Fundadoras do escritório Mikoü Architecture, sediado em Paris, as irmãs se apoiam em suas diferentes abordagens de projeto, bem como na experiência de terem crescido entre o Marrocos e a França. Em uma entrevista recente ao Louisiana Channel, elas discutem a influência da arquitetura marroquina em seu trabalho, seu processo colaborativo e o interesse em colocar as tecnologias construtivas contemporâneas em diálogo com as tradições artesanais.

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As cidades mais habitáveis do mundo em 2026: Copenhague mantém o primeiro lugar com a ascensão da Ásia

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Rankings globais de cidades oferecem uma maneira de analisar como os ambientes urbanos apoiam a vida cotidiana. O Global Liveability Index da Economist Intelligence Unit (EIU) avalia 173 cidades em termos de estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura, destacando tanto padrões de longo prazo quanto mudanças de um ano para o outro. Na edição de 2026, Copenhague foi eleita a cidade mais habitável do mundo pelo segundo ano consecutivo, seguida por Viena e Melbourne. A capital dinamarquesa obteve uma pontuação geral de 98 de 100, alcançando a nota máxima em estabilidade, educação e infraestrutura. A média global permanece inalterada em 76,1, com melhorias em saúde, educação e infraestrutura compensando os declínios contínuos na estabilidade.

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O direito à ingenuidade: como a arquitetura transformou a inocência em um posicionamento

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Desde a crise de 2008, um conjunto disperso de pequenos escritórios (nenhum com mais de quinze anos de existência e nenhum grande o suficiente para precisar de um manifesto no sentido tradicional) chegou, de forma independente, a alguma versão de uma mesma recusa: a de parecer assertivo demais, cedo demais, em uma disciplina que havia passado a década anterior vendendo a autoconfiança como acabamento. É provável que esses escritórios resistam a ser classificados sob um único rótulo, mas a própria coincidência reside no fato de que exercer a arquitetura após 2008 fez com que a inocência parecesse a única postura que valia a pena tentar.

Pelo menos a partir de 2019, o Fala passou a divulgar uma descrição de si mesmo em duas palavras, repetida textualmente em dezenas de veículos de arquitetura: um "escritório de arquitetura ingênuo" (naïve architecture practice). Sem notas de rodapé, sem ironia, apenas um escritório, fundado em 2013, que construiu uma década de casas, casas de passarinho e encomendas institucionais com base em um termo que a arquitetura passara um século tentando superar. A questão que a frase levanta não é se os edifícios são bons (pois geralmente são), mas sim o que significa para um escritório escolher a inocência como posicionamento público. Onde termina a pós-ironia e começa o marketing?

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Áreas verdes e o preço dos imóveis na Costa Oeste dos EUA

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Toda crise de habitação acaba se tornando uma questão fundiária, e toda questão fundiária se torna, inevitavelmente, uma questão de valores. A Costa Oeste dos Estados Unidos chegou a esse ponto. À medida que cidades de Los Angeles a Seattle buscam terrenos para construir as moradias acessíveis que prometem há anos, elas se deparam repetidamente com a mesma alternativa: o parque ou o cinturão verde. O que parece ser uma decisão de zoneamento é, na verdade, um referendo sobre qual forma de bem-estar a cidade está disposta a sacrificar em detrimento de outra.

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De terrenos residuais a lugares cívicos: 6 parques públicos mexicanos

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O rápido crescimento urbano do México nas últimas décadas deixou muitas cidades enfrentando problemas como bairros fragmentados, altos índices de criminalidade e uma grave escassez de espaços públicos de qualidade. Em muitas áreas urbanas de baixa renda, o desenvolvimento informal ocorreu de forma paralela a infraestruturas básicas, como canais de drenagem, linhas ferroviárias e ravinas íngremes, dividindo comunidades e criando áreas vazias perigosas. Para mitigar essa segregação espacial e a falta de equipamentos urbanos, órgãos públicos e profissionais da arquitetura em todo o México estão intervindo nessas zonas de amortecimento abandonadas para construir parques públicos. Ao converter antigas barreiras físicas em corredores de pedestres acessíveis, esses projetos reconectam bairros segregados, restabelecem linhas de visão seguras e oferecem espaços para convivência comunitária e recreação diária.

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A Maison du Peuple: a reapropriação do brutalismo para a construção nacional

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Quando os países africanos conquistaram sua independência do domínio colonial europeu em meados do século XX, a construção nacional envolveu muito mais do que estabelecer novos governos e instituições políticas. Os novos Estados soberanos também precisavam estabelecer uma identidade edificada que os diferenciasse de seu passado colonial, e a arquitetura tornou-se uma ferramenta crucial nesse processo. Em todo o continente, edifícios cívicos monumentais, universidades, centros de convenções e instituições culturais foram encomendados para personificar o progresso e a unidade nacional. No entanto, isso criou uma contradição fundamental: muitos desses edifícios adotaram linguagens arquitetônicas modernistas e brutalistas de origem europeia, sendo que alguns foram inclusive projetados por profissionais de arquitetura das antigas potências coloniais. A Maison du Peuple em Ouagadougou, Burkina Faso, oferece um exemplo particularmente revelador de como uma linguagem arquitetônica associada à Europa pôde ser apropriada e transformada em uma expressão de independência pós-colonial.

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Construindo uma imagem nacional: arquitetura, capital e poder político

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A Pirâmide de Tirana foi inaugurada como um museu dedicado a Enver Hoxha em outubro de 1988, três anos após sua morte e três anos antes do colapso do regime. Nas décadas seguintes, o espaço funcionou como estação de rádio, centro de convenções, boate e base da OTAN durante a Guerra do Kosovo. Em 2023, o escritório MVRDV a reabriu como um parque e escola de tecnologia, adicionando degraus às fachadas para que as pessoas pudessem caminhar sobre o edifício. A inauguração coincidiu com a Cúpula dos Balcãs Ocidentais em 16 de outubro, data que, como apontaram alguns críticos, correspondia ao aniversário de Hoxha. Dois projetos de autodefinição nacional, separados por trinta e cinco anos e concebidos sob premissas políticas opostas, utilizaram a mesma estrutura.

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Microecossistemas: A resposta da Coreia do Sul ao morar de uso misto em alta densidade

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Com mais de 80% de sua população vivendo em centros urbanos e uma densidade nacional que supera 500 pessoas por quilômetro quadrado — chegando a mais de 15.000 em Seul —, a Coreia do Sul enfrenta uma disputa acirrada por terras aproveitáveis. Diante disso, a arquitetura contemporânea sul-coreana oferece exemplos contundentes de intervenções de uso misto que lidam com lotes urbanos estreitos para articular engajamento público e utilidade de alta eficiência. Ao sobrepor verticalmente programas distintos, integrando centros de arte pública, sedes corporativas e polos comerciais a funções residenciais e outras atividades, esses empreendimentos multifacetados transformam restrições espaciais em interfaces urbanas dinâmicas.

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Guia de arquitetura de Birmingham: esplendor industrial e experimentação moderna

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A arquitetura de Birmingham reflete a história da cidade como um dos primeiros centros industriais da Inglaterra. A riqueza gerada na cidade e na região circundante deu origem à imponência da era vitoriana no século XIX. Os intensos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial causaram destruição generalizada. A esse período seguiu-se uma rápida reconstrução entre as décadas de 1950 e 1970, que introduziu o modernismo racional e a ambição brutalista que hoje caracterizam grande parte do centro da cidade. Algumas décadas mais tarde, o apagamento urbano retornou a Birmingham, trazendo consigo a revisão de decisões tomadas em meados do século XX. Notadamente, o Bullring Centre e a Biblioteca de Birmingham foram demolidos para dar lugar a novos projetos do século XXI, acrescentando novas camadas de riqueza ao ambiente construído da cidade.

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Verdade do solo: como a sede do BCIE em Honduras falou através da pedra local

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As nações da América Central ocupam uma estreita ponte de terra entre o México e a Colômbia, mas não nasceram como países separados. Elas surgiram de uma única entidade: a República Federal da América Central em 1823. Essa federação entrou em colapso, mas o ideal de uma região unificada nunca morreu por completo. Em 1951, os governos assinaram a Carta de San Salvador, criando a ODECA, a Organização dos Estados Centro-Americanos. Quatro décadas depois, o Protocolo de Tegucigalpa de 1991 a substituiu pelo SICA, o Sistema de Integração Centro-Americana, a estrutura que norteia a cooperação regional na atualidade. No âmbito desse processo de integração, o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) foi fundado em 1960 por Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua, estabelecendo sua sede em Tegucigalpa. À primeira vista, trata-se de um complexo de escritórios convencional do final do século XX; contudo, ao observar sua fachada mais de perto, o edifício se transforma em um manifesto sobre identidade — escrito em pedra de cantaria rosada extraída das próprias colinas que cercam a capital hondurenha.

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Urbanismo Caribenho: Das Raízes Garífunas à Cidade em Camadas de La Ceiba, Honduras

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Na costa caribenha de Honduras, fica o Vale de Leán, uma estreita faixa costeira delimitada pela Cordilheira Nombre de Dios ao sul e pelo Mar do Caribe ao norte. Durante muito tempo, essa foi a última fronteira: selva densa, pântanos, nenhuma infraestrutura e um difícil acesso ao interior. No entanto, esse cenário começou a mudar com a chegada do povo Garífuna, que se estabeleceu na área entre os rios Danto e Cangrejal, lançando as bases do que viria a ser a cidade de La Ceiba. Um polo urbano no Caribe hondurenho cuja história foi definida por ondas migratórias compostas por populações centro-americanas, afro-caribenhas, europeias e o corporativismo norte-americano. Esses fluxos de várias partes do mundo não apenas contribuíram para o crescimento econômico, mas produziram ativamente a lógica espacial, a identidade e a forma arquitetônica da cidade.

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A arquitetura da Copa do Mundo da FIFA: uma retrospectiva de 2026 e as perspectivas para 2030

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O encerramento da Copa do Mundo da FIFA 2026 marca o fim da maior edição do torneio até hoje. Sediada no Canadá, México e Estados Unidos, a competição foi expandida para 48 seleções nacionais e reuniu dezesseis cidades-sede distribuídas por três países. Há décadas, as Copas do Mundo da FIFA servem como catalisadoras para a produção arquitetônica. Cada edição gerou um conjunto singular de estádios, investimentos em transporte, espaços públicos e intervenções urbanas que frequentemente permanecem integrados às cidades-sede muito após o encerramento do torneio. Embora as competições recentes tenham sido associadas a projetos de estádios monumentais e programas nacionais de construção ambiciosos, a edição de 2026 seguiu uma trajetória diferente, apoiando-se principalmente em arenas existentes adaptadas aos requisitos técnicos e operacionais da FIFA.

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Sonhar nas ruínas: como um ritual do sono em Logroño propõe uma nova arquitetura cívica

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As cidades são cada vez mais projetadas para mitigar riscos e, para isso, precisam coletar dados sobre o clima, a infraestrutura, a biodiversidade e a fragmentação social, de modo que a linguagem da resiliência se torne parte integrante do planejamento. No entanto, as condições subjacentes que produzem a polarização, o desengajamento cívico e o colapso ecológico muitas vezes não são questionadas. As ferramentas que dominam a prática urbana tendem a abordar apenas um registro da experiência humana, enquanto as dimensões emocionais e imaginativas da transformação não são tratadas como soluções viáveis.

O filósofo Félix Guattari propôs que a transformação ecológica sustentada depende da atenção simultânea a três ecologias distintas: a ecologia da mente, a ecologia da sociedade e a ecologia do meio ambiente. As políticas ambientais hegemônicas tendem a se concentrar em apenas uma ou duas delas, achatando uma condição complexa em um problema delimitado com uma resposta clara. Rituais ancestrais nos lembram que a transformação depende de práticas que engajam simultaneamente o corpo, a comunidade e o meio ambiente.

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Retomando a rua: Alejandra Ferrera sobre arquitetura e vida urbana em Honduras

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A Honduras é o segundo maior país da América Central, tanto em território quanto em população. Hoje, sua malha urbana continua fortemente influenciada por princípios modernistas da década de 1970, que priorizavam corredores arteriais de alta velocidade e uma mobilidade "ponto a ponto" dependente do automóvel. Além disso, o país enfrentou muitos desafios em relação à segurança pública durante os anos 2010, o que contribuiu para a criação de um espaço urbano caracterizado por fachadas cegas, muros altos e condomínios fechados projetados para isolar o interior da esfera pública.

Tivemos a oportunidade de conversar com Alejandra Ferrera, arquiteta hondurenha criada em Danlí, uma cidade no leste de Honduras. Com mais de 15 anos de atuação profissional passando por Brasil, Holanda e Austrália, ela defende que, embora o projeto focado na segurança tenha sido uma necessidade funcional de sua época, ele resultou em uma experiência urbana fragmentada, na qual a rua funciona apenas como um vazio de trânsito, em vez de um local de encontro social. Para a arquiteta, mesmo que esse isolamento tenha sido uma medida de segurança justificada, ele gerou um distanciamento entre as pessoas e a cidade. Ela também argumenta que, de modo geral, a situação da segurança pública contribuiu para a criação de uma identidade nacional fragilizada, que frequentemente busca referências de qualidade no exterior, desconsiderando o potencial de seu próprio contexto.

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