Com a conclusão dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, destaca-se a linguagem arquitetônica e o fenômeno urbano que transformaram a cidade para receber os locais de competição das Olimpíadas e das próximas Paralimpíadas. Distribuídas por toda a cidade e arredores, as intervenções integraram marcos icônicos e instalações modernas para abrigar uma ampla variedade de modalidades esportivas. Para além das arenas esportivas, os projetos também incluíram centros de visitantes singulares e alojamentos para atletas que continuarão a servir a população após o término dos eventos de verão.
No início dos anos 2000, uma linha ferroviária abandonada em Manhattan estava em deterioração — a lembrança de uma época em que trens de carga cruzavam a cidade. Para a maioria dos cidadãos, o local estava fadado à demolição. No entanto, um grupo de moradores/as visionários/as enxergou uma oportunidade nesse espaço negligenciado e defendeu sua transformação em uma área verde pública para a comunidade. O sucesso do projeto acabou desencadeando o "Efeito High Line", inspirando outras cidades norte-americanas a resgatarem infraestruturas obsoletas em antigas ferrovias, rodovias e áreas industriais.
Muitas das principais cidades dos Estados Unidos estão lidando com grandes edifícios industriais em desuso. Essas edificações possuem relevância histórica e arquitetônica e, frequentemente, são protegidas por leis de preservação. Diante disso, profissionais de arquitetura enfrentam o desafio e a responsabilidade de adaptar esses edifícios às funcionalidades contemporâneas. A opção por evitar a demolição reflete uma abordagem sustentável na construção civil e destaca a importância de valorizar o patrimônio edificado.
Há cerca de uma década, o termo "planejamento de resiliência" tornou-se onipresente nos círculos de debate sobre o clima. Essa mudança, impulsionada por eventos cada vez mais imprevisíveis, foi moldada em parte pelo programa 100 Cidades Resilientes da Fundação Rockefeller, um esforço de seis anos e 160 milhões de dólares para estabelecer diretores de resiliência em cidades de todo o mundo. Desse programa, encerrado em 2019, surgiu seu sucessor, o Resilient Cities Catalyst (RCC), uma organização sem fins lucrativos sediada em Nova York e dedicada a projetos de "desenvolvimento de capacidades". Por ocasião da Climate Week, conversei com Sam Carter, um dos diretores fundadores do RCC, sobre sua definição de resiliência, os métodos filantrópicos e de planejamento da organização e o desafio de escalar as ações climáticas.
Embora o trabalho híbrido e a flexibilidade de horários sejam as formas mais evidentes de melhorar esse equilíbrio para muitos, a perda de interações sociais e a falta de espaço ou funcionalidade em ambientes de home office pouco produtivos fazem com que a maioria dos jovens de 16 a 24 anos constitua a única faixa etária que prefere trabalhar presencialmente no escritório.
O ano de 2024, após um período de incerteza global, testemunhou uma complexa interação de desafios e avanços. Embora as tensões geopolíticas e os efeitos remanescentes de crises passadas tenham continuado evidentes, o foco se voltou para a reconstrução, com comunidades de todo o mundo buscando soluções locais e formas de progredir apesar das adversidades. O panorama arquitetônico de 2024 apresentou uma exploração crescente de novos sistemas construtivos e tecnologias, muitas vezes inspirados em soluções vernáculas. Em escala urbana, os espaços são reconsiderados por seu potencial de transição para atividades mais voltadas para pedestres, mais áreas naturais e oportunidades de encontro comunitário e organização de eventos.
Discussões sobre descolonização, a preservação de técnicas construtivas tradicionais e a integração de narrativas locais nos projetos continuaram a ganhar força. O foco esteve menos em estruturas singulares e icônicas e mais em projetos ambientalmente responsáveis e socialmente conscientes que atendessem às necessidades específicas das comunidades. Paralelamente, novas tecnologias, como os sistemas de IA, continuaram a impactar a profissão, mas são compreendidas cada vez mais não como substitutos, mas sim como ferramentas à disposição de profissionais de arquitetura e design para aprimorar seus processos.
Em áreas urbanas densas, a possibilidade de se conectar com o exterior para lazer e bem-estar torna-se crucial. Isso ficou particularmente evidente durante a pandemia da COVID-19, quando milhões de pessoas em todo o mundo tiveram que permanecer confinadas em suas casas por longos períodos. Independentemente disso, à medida que o mundo se urbaniza cada vez mais, o projeto habitacional de qualidade é vital, o que inclui o acesso ao ambiente externo. Em uma cidade como Londres, essa necessidade foi reconhecida, e garantir um espaço externo em cada habitação tornou-se obrigatório por volta do ano de 2010. Em edifícios multifamiliares de múltiplos pavimentos, a provisão desse espaço externo costuma assumir a forma de uma varanda. As possibilidades de projeto são infinitas; portanto, quais são as principais considerações ao incorporar varandas em um edifício residencial urbano?
Ao iniciar este novo ano, reservamos um momento para refletir sobre o impacto duradouro de célebres profissionais da arquitetura, do design e da curadoria que nos deixaram em 2023. O ano que passou testemunhou a partida de figuras influentes que, por meio de seu talento e dedicação, deixaram uma marca indelével no ambiente construído. Enquanto alguns/mas iniciaram suas carreiras com gestos ousados que remodelaram os paradigmas arquitetônicos, outros/as trabalharam de forma mais silenciosa, dedicando um olhar profundo à experiência humana ou às figuras invisíveis de nossa profissão.
Em meados do século XX, a maioria dos países do continente africano conquistou sua independência. Aquele período de euforia trouxe consigo um sentimento de otimismo em relação ao futuro e o desejo de romper com o passado. O modernismo, como movimento arquitetônico, mostrou-se ideal para a época, e as nações recém-independentes lançaram amplos programas de construção para se firmarem como estados plenamente soberanos.
Os hotéis são uma tipologia edilícia que ilustra a complexa história arquitetônica e política da época. Alguns foram construídos especificamente para acolher delegações internacionais, outros para impulsionar o turismo, e outros ainda surgiram do desejo de líderes fortes. Embora constituam uma tipologia marginal, diversos hotéis espalhados pela África funcionam como registros físicos de capítulos importantes na história de seus respectivos países.
À medida que as grandes cidades continuam a se desenvolver, enfrentamos desafios intrigantes em relação à preservação e ao reuso adaptativo de edifícios, locais e artefatos significativos. Isso propõe uma questão complexa que envolve história política, teoria da arquitetura e significado cultural. O reuso adaptativo vai além dos projetos arquitetônicos e espaciais; ele permite que cidades e comunidades reflitam, reavaliem e reinterpretem sua história sob diferentes perspectivas. Contudo, ao contrário dos livros e das palavras, os edifícios podem não resistir ao teste do tempo por si mesmos para servir como testemunhos diretos das histórias que contam. Como devemos nos questionar sobre o que preservar e o que demolir? Como as comunidades podem se envolver na restauração ativa ou na adaptação de edifícios históricos?
O conceito de arquitetura inclusiva tem ganhado destaque à medida que o ambiente construído evolui para refletir e atender às diversas necessidades da humanidade. Essa abordagem prioriza a empatia, a acessibilidade e a equidade, buscando criar espaços que ressoem com indivíduos de diferentes perfis demográficos, habilidades e contextos culturais. O conceito vai além do mero cumprimento de normas de acessibilidade ou da incorporação de elementos de desenho universal; em vez disso, representa uma mudança de paradigma que humaniza a arquitetura e a alinha a valores sociais fundamentais. Sob essa ótica, a arquitetura inclusiva estimula conexões, acolhe a diversidade e garante que os espaços físicos contribuam para o bem-estar coletivo.
Este artigo explora quatro temas interligados — Empatia, Arquitetura Inclusiva, Equidade Espacial e Acessibilidade — por meio de artigos selecionados publicados em 2024. Juntos, esses temas revelam como a arquitetura pode responder aos desafios e aspirações da sociedade, ilustrando seu potencial como catalisadora de transformação social. Desde projetar para a conexão emocional até enfrentar as desigualdades espaciais, as lições de 2024 enfatizam a responsabilidade de profissionais de arquitetura em criar espaços que transcendam a funcionalidade, promovam a inclusão em todas as escalas e fomentem ambientes onde todas as pessoas se sintam vistas, valorizadas e integradas.
As transações de direitos sobre o espaço aéreo tornaram-se fundamentais no desenvolvimento urbano, permitindo que as cidades cresçam verticalmente ao mesmo tempo em que preservam recursos de solo limitados. Tipicamente definidos como o direito de usar ou vender o espaço acima de uma propriedade, esses direitos permitem que proprietários/as de imóveis transfiram o coeficiente de aproveitamento (FAR) não utilizado para lotes vizinhos, gerando maior densidade e oportunidades de ganho financeiro. Contudo, essa definição pode variar de acordo com a localidade e a região, uma vez que cada país interpreta de maneira distinta os direitos sobre o espaço aéreo e a capacidade de construí-lo ou transferi-lo. À medida que os centros urbanos enfrentam pressões crescentes devido à escassez de terras e ao crescimento populacional, esses direitos continuam a oferecer uma solução criativa que fomenta a inovação arquitetônica e a eficiência econômica.
Dakar é uma cidade em constante desenvolvimento. Desde o período colonial, a capital do Senegal tem passado por profundas transformações em sua definição social, o que, por sua vez, afetou seu tecido urbano e arquitetônico. Desde o mandato francês, que de certa forma forçou a transição das tradições habitacionais locais para um estilo de vida mais "europeu", as engrenagens da mudança foram postas em movimento. Posteriormente, uma notável tentativa pós-colonial de redefinir Dakar tornou-se inevitável. Essa redefinição manifestou-se de diversas maneiras, ainda visíveis hoje, e moldou uma cidade de linguagens arquitetônicas híbridas que desafia as expectativas da maioria dos visitantes.
Embora o renomado modernismo de meados do século africano estivesse certamente presente nos anos que se seguiram à independência do Senegal em 1960, isso se deveu principalmente à sua popularidade entre profissionais de arquitetura atuantes na região, e não à sua relevância para os esforços de reconstrução da capital. A abordagem modernista, observada principalmente em edifícios públicos, institucionais e culturais, e que persiste hoje sob um estilo contemporâneo mais indefinido, sempre teve como objetivo projetar Dakar para o mundo. No entanto, ela não refletia a realidade do desenvolvimento da cidade nem o modo de vida de seus habitantes.
Em um esforço para trazer o foco de volta a Dakar, algumas das coberturas mais recentes do ArchDaily destacaram as diversas iniciativas de desenvolvimento e projeto que buscam proporcionar melhores condições de vida aos seus habitantes.
Uma cidade que desafia as expectativas: é o que muitos/as visitantes costumam dizer sobre a capital senegalesa, Dakar. Como a cidade portuária mais ocidental da África, que conquistou sua independência da França em 1960, Dakar é um polo regional de diversidade e cultura. Embora seja frequentemente descrita como uma cidade inesperadamente elegante e "moderna", com seus edifícios monolíticos característicos e por vezes coloridos, Dakar está, na verdade, em constante desenvolvimento, e cada um de seus distritos tende a refletir um estilo e foco diferentes, dependendo de sua população e das funções predominantes.
O documentário Tokyo Ride, de Bêka & Lemoine, apresenta o vencedor do Prêmio Pritzker Ryue Nishizawa. Imagem cortesia de Bêka & Lemoine
Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, fundadores do renomado escritório de arquitetura SANAA, foram anunciados como os vencedores do Le Prix Charlotte Perriand 2025 pelo Créateurs Design Awards. Anunciado hoje em Paris, na França, o prêmio homenageia contribuições excepcionais para a arquitetura e o design modernos. Conhecidos por seus projetos minimalistas que integram forma, função e meio ambiente, Sejima e Nishizawa seguem sendo reconhecidos como inovadores na área, tendo sido laureados anteriormente com o prestigiado Prêmio Pritzker de Arquitetura em 2010. Sejima e Nishizawa receberão o Le Prix Charlotte Perriand na cerimônia do Créateurs Design Awards em Paris, no dia 18 de janeiro de 2025.
O Prêmio Aga Khan de Arquitetura anunciou o Grande Júri para o seu 16º ciclo de premiação. O painel independente inclui a arquiteta laureada com o Prêmio Pritzker Yvonne Farrell, o fundador do ArchDaily, David Basulto, e Lucia Allais, diretora do Buell Center. Criado em 1977 por Aga Khan IV, o prêmio busca destacar projetos de arquitetura que gerem um impacto positivo significativo em comunidades islâmicas de todo o mundo. A premiação é realizada em ciclos trienais e conta com uma dotação total de US$ 1 milhão.
Em entrevista ao Louisiana Channel,Liz Diller, cofundadora do renomado escritório de arquitetura Diller Scofidio + Renfro, reflete sobre sua trajetória não convencional na arquitetura e sua abordagem inovadora de projeto. Iniciando sua carreira com a aspiração de ser artista, Liz Diller não pretendia originalmente se tornar arquiteta. Sua bagagem artística, que inclui pintura, escultura e cinema, continua influenciando seu trabalho hoje. O que a atraiu para a arquitetura foi uma combinação de curiosidade e praticidade, motivada em parte por preocupações com a viabilidade de uma carreira nas artes.