
A Antártica não tem governo, população permanente ou economia. Além disso, desde 1959, não possui proprietário legalmente reconhecido, uma vez que o Tratado da Antártica congela qualquer reivindicação territorial no continente. No papel, isso faz da Antártica o que há de mais próximo na Terra de um verdadeiro bem comum. Na prática, cerca de trinta países operam atualmente mais de setenta estações de pesquisa por lá, várias delas a uma curta distância de voo umas das outras, e uma dessas estações conta com escola, capela, cemitério e um cartório de registro civil que já registrou onze nascimentos desde 1978.
Nada nessa arquitetura é acidental, e muito pouco se explica apenas pela ciência. Uma estação de pesquisa custa milhões de dólares para ser construída e abastecida em um dos lugares logisticamente mais hostis do planeta; um país não assume esse custo apenas para medir o ozônio atmosférico que poderia, em muitos casos, monitorar de um local mais próximo. O que uma estação faz, de fato, é marcar presença em um território onde isso é legalmente proibido.



























