Nicolás Valencia conversa em Santiago com o arquiteto chileno Cristián Izquierdo, autor do livroComposición centralizada, uma seleção de oito ensaios sobre oito casas projetadas e construídas por Izquierdo no Chile, entrelaçando teoria e prática.
Quem é Cristián Izquierdo? É arquiteto pela Pontifícia Universidade Católica do Chile e mestre (MSc) pela Columbia University. É sócio da Izquierdo Lehmann Arquitectos e fundador do Taller Tecton, onde desenvolve projetos cívicos de baixas emissões. É autor de Composición Centralizada e El material de lo construido. Recebeu reconhecimentos como o Architectural Record Design Vanguard e a Medalha AOA de Arquiteto Jovem Destacado. É professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile.
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No competitivo cenário atual do design, a Modelagem de Informação da Construção (BIM) já não é apenas uma tendência — tornou-se um requisito básico. Ainda assim, muitos escritórios enfrentam dificuldades para equilibrar a complexidade e o esforço envolvidos com o valor real que obtêm em troca. Mas e se fosse possível colher os benefícios do BIM sem aumentar a carga de trabalho de forma desnecessária? Adotar uma abordagem enxuta (lean) para o BIM — focada em eficiência, clareza e resultados reais do projeto — pode ajudar as equipes de arquitetura a simplificar seus fluxos de trabalho, fortalecer a colaboração e manter o controle criativo desde a concepção até a entrega.
O escritório CRA–Carlo Ratti Associati foi selecionado para projetar o centro cultural Buzzi Heritage em Casale Monferrato, na Itália. A proposta apresenta uma treliça suspensa de 100 metros de comprimento que interliga dois antigos edifícios educacionais, consolidando funções de arquivo, pesquisa e cultura em uma única estrutura. O projeto também marca a primeira aplicação prática de um sistema estrutural patenteado, desenvolvido por meio de pesquisas do Carlo Ratti Associati em parceria com a Maestro Technologies. Posicionada sobre um sistema de espaços abertos, a intervenção reconfigura o terreno como um complexo cultural de acesso público, mantendo uma distinção clara entre as áreas construídas e as paisagísticas.
A crise habitacional atual é um fenômeno global que pode ser amplamente dividido em dois grandes problemas: a escassez de edifícios residenciais e as barreiras de acesso aos que já existem. O déficit é real e concreto no que diz respeito ao que a ONU chama de "moradia adequada para todas as pessoas". Segundo o ONU-Habitat, estima-se que 96.000 novas unidades habitacionais precisariam ser construídas por dia para atender às necessidades da população até 2030. As mudanças climáticas e as migrações forçadas estão ampliando essa lacuna. No entanto, 2,8 bilhões de pessoas em todo o mundo — o que representa quase 40% da população global — não têm acesso a um abrigo estável, terra segura e serviços básicos de saneamento, não apenas pela subprodução, mas também devido a uma barreira econômica: uma crise de acessibilidade financeira. À medida que a demanda cresce e os preços sobem, a moradia, que hoje funciona cada vez mais como uma forma de seguridade social, torna-se alvo de renda de aluguel e especulação imobiliária. Sendo a moradia adequada um direito humano, cresce em todo o mundo a pressão sobre governos e entidades privadas para limitar a especulação e garantir o acesso justo às habitações existentes. A seguir, apresentamos quatro exemplos de iniciativas na Espanha, Austrália, França e Estados Unidos que buscam ampliar com urgência o acesso à moradia e, ao mesmo tempo, conter a especulação.
Qualquer estudante de arquitetura sabe muito bem o que é passar noites em claro trabalhando sem parar, correndo para finalizar um projeto com o prazo final se aproximando. Revisando cada detalhe, dando os últimos retoques e torcendo pelo melhor. A recompensa? Ver o projeto finalizado, discuti-lo com colegas de classe e poder sonhar com a concepção ideal de como um espaço deve parecer e ser vivenciado.
Durante a seleção dos finalistas ao longo das últimas duas semanas, o júri do ArchDaily tinha plena consciência do que significa ser estudante de arquitetura. Composto por arquitetos e arquitetas, o comitê estudou, analisou e debateu cuidadosamente cada proposta, compreendendo o esforço dedicado a cada envio. O resultado é uma lista de finalistas que exemplifica o espírito do Student Project Awards e sua missão de reconhecer a criatividade e a visão de estudantes que estão redefinindo a prática e o discurso arquitetônico.
Símbolos do desenvolvimento tecnológico e da densidade urbana, os edifícios em altura, tal qual conhecemos hoje, surgiram no final do século XIX, principalmente nos Estados Unidos, como resposta ao crescimento acelerado do comércio urbano e à necessidade de expandir as cidades sem ocupar mais território. O termo arranha-céu, por exemplo, foi cunhado na década de 1880 e originalmente se referia a edifícios com cerca de 10 a 20 pavimentos — uma altura impressionante para a época.
No entanto, a ideia de construir verticalmente é bem mais antiga do que os arranha-céus de aço e vidro sugerem. Muito antes da revolução industrial, algumas sociedades já experimentavam formas de urbanização vertical como solução para limitações de espaço, defesa territorial ou adaptação ambiental.
Revestimento BIPV com substrato de colmeia de alumínio de borda fechada desenvolvido para o Complexo de Ciências da Saúde Myron e Berna Garron (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, demonstrando como a leveza permite uma instalação rápida e sem complicações. Imagem cortesia de Mitrex
O Complexo de Ciências da Saúde Myron e Berna Garron (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, foi moldado por uma diretriz clara e inegociável: pelo menos 20% do consumo de energia do edifício deveria ser gerado a partir de fontes renováveis instaladas no local. Para atender a essa exigência ambiciosa, a equipe de projeto investigou como a tecnologia solar poderia ir além da cobertura e se integrar à própria arquitetura, posicionando a obra em um movimento mais amplo em direção a uma arquitetura sustentável de alto desempenho. A instalação de aproximadamente 5.850 metros quadrados (63.000 pés quadrados) abriga programas de ensino, pesquisa e treinamento clínico dedicados à formação de futuros/as profissionais de saúde. Projetado por Diamond Schmitt Architects e MVRDV, o projeto inicialmente seguiu um caminho convencional, combinando uma fachada sóbria com painéis fotovoltaicos na cobertura.
World Trade Center Biotic, Brasília. Imagem Cortesia de Architects Office
Localizado no Parque Tecnológico de Brasília, o World Trade Center Biotic é um empreendimento de uso misto projetado pelo escritório brasileiro Architects Office como parte da expansão urbana do distrito. A proposta integra o plano diretor desenvolvido em 2020 pelo escritório Carlo Ratti Associati e está atualmente em fase de desenvolvimento. Concebido como um complexo multiuso, o projeto reúne escritórios, unidades residenciais, um hotel, espaços comerciais e instalações compartilhadas em uma única estrutura urbana. O projeto ocupa um terreno de aproximadamente 70 mil metros quadrados e prevê alcançar cerca de 180 mil metros quadrados de área construída, com uma estimativa de que 150 mil metros quadrados estejam concluídos até 2030.
Lesley Lokko OBE foi agraciada com o African Cultural Icon Award, que homenageia "líderes nas artes criativas que promovem a cultura e o patrimônio africanos em um cenário global". A honraria é um dos nove prêmios concedidos anualmente a personalidades indicadas pelo público e recomendadas pelo setor, avaliadas por um júri de toda a África. As pessoas indicadas são avaliadas com base no "impacto, inovação, sustentabilidade e contribuição para o crescimento da África". Lokko é fundadora e presidente do African Futures Institute (AFI), com sede em Acra, Gana, e diretora do Nomadic African Studio, um programa de ensino itinerante anual com duração de um mês que atua em todo o continente africano. A profissional foi reconhecida por suas contribuições transformadoras para a arquitetura, a educação e o discurso cultural dentro e fora da África, desafiando constantemente as narrativas convencionais sobre identidade, espaço e criatividade africanas.
Nos últimos anos, a construção com terra tem despertado um interesse renovado na arquitetura. Materiais como o adobe, a taipa de pilão e os blocos de terra comprimida, outrora associados principalmente a tradições vernáculas, vêm sendo cada vez mais explorados por arquitetos e arquitetas contemporâneos. Longe de representar um simples retorno ao passado, esse interesse renovado reflete uma revisão mais ampla de como a arquitetura se relaciona com os materiais, os recursos locais e as condições ambientais.
Durante séculos, a construção com terra fez parte do cotidiano construtivo de diversas regiões do mundo. Técnicas como o adobe, a taipa de pilão, o cob e outros sistemas à base de terra desenvolveram-se gradualmente por meio da adaptação ao clima, aos recursos disponíveis e às práticas construtivas locais. Esses métodos respondiam diretamente às condições ambientais ao mesmo tempo em que moldavam modos culturais de construir. Esse conhecimento circulava através de práticas coletivas, e não por meio do ensino formal de arquitetura, permitindo que as técnicas evoluíssem a partir de uma experimentação contínua.
BT Tower, um dos marcos pós-guerra mais reconhecíveis de Londres, será convertida em hotel. O escritório de arquitetura londrino Orms foi contratado para liderar a revitalização após a aquisição da torre, listada como patrimônio de Grau II, pela empresa americana de hotelaria MCR Hotels no início de 2024. Inicialmente, esperava-se que o projeto fosse liderado pelo Heatherwick Studio, mas o escritório não está mais envolvido. Agora, a Orms dará andamento ao plano e deve apresentar suas propostas iniciais durante a primeira rodada de consultas públicas, agendada para maio. As obras só poderão começar após a desativação e remoção dos equipamentos de telecomunicação pelo BT Group, processo que deve ser concluído por volta de 2030.
O recém-inaugurado Limbo Museum em Acra, Gana, apresentou no dia 12 de março uma instalação arquitetônica em duas partes realizada pelo TAELON7, liderada pelo/a arquiteto/a Juergen Benson-Strohmayer. A instalação foi encomendada pelo museu em parceria com o Art Omi, um centro de artes sem fins lucrativos no Hudson Valley, em Nova York. O projeto é a primeira comissão de uma colaboração entre as duas instituições e será instalado em ambos os locais, Acra e Nova York. Titulada Limbo Engawa, a estrutura modular e leve dialoga com o edifício brutalista anteriormente abandonado que abriga o museu, transformando sua estrutura de concreto esquelética e o terreno ao redor em espaços de uso, cuidado e encontro. O projeto propõe uma reflexão sobre os limites entre a arquitetura urbana inacabada e a paisagem, destacando o trabalho e a gestão muitas vezes invisíveis nos contextos urbano e institucional, e afirmando que mesmo locais incompletos ou negligenciados são repletos de possibilidades cívicas.
Smiljan Radić Clarke, vencedor do Prêmio Pritzker 2026, é um arquiteto chileno contemporâneo conhecido por sua abordagem projetual experimental, com uma prática que equilibra o elementar e o íntimo, o monumental e o frágil. Ao longo de mais de três décadas, Radić desenvolveu uma arquitetura que resiste à repetição e às categorizações estilísticas convencionais, priorizando intervenções profundamente site-specific, atentas à materialidade e culturalmente reflexivas.
Sua obra articula a relação entre permanência e impermanência, memória e imaginação, criando edifícios que tratam tanto da experiência e da emoção humanas quanto de estrutura e forma. Em residências, instituições culturais e instalações temporárias, a arquitetura de Radić coloca em primeiro plano a interação entre contexto, materiais e os gestos sutis que moldam a maneira como os espaços são habitados e percebidos.
Cortesia de Tom Welsh para o Prêmio Pritzker de Arquitetura
O arquiteto chileno Smiljan Radić Clarke foi anunciado como o laureado do Prêmio Pritzker de Arquitetura 2026, considerado uma das maiores honrarias no campo da arquitetura. A premiação reconhece Radić por um conjunto de obras que explora a arquitetura por meio da experimentação material, da percepção espacial e de um diálogo atento com a paisagem e o contexto. Nascido em Santiago, no Chile, onde continua a viver e trabalhar, Radić lidera o escritório Smiljan Radić Clarke, fundado em 1995. Como o segundo chileno a receber o prêmio — sucedendo a Alejandro Aravena em 2016 —, ele se junta a uma ilustre lista de laureados anteriores, que inclui Liu Jiakun em 2025, Riken Yamamoto em 2024, David Chipperfield em 2023 e Diébédo Francis Kéré em 2022.
A arquitetura de Radić opera em um território onde a experiência fenomenológica do espaço precede a explicação. Suas obras costumam se apresentar de forma silenciosa, elementar e avessa a interpretações verbais fáceis, convidando os visitantes a experimentá-las por meio do movimento, da atmosfera e da percepção, em vez de uma simples expressão formal.
O Prêmio Pritzker de 2026 foi concedido este ano ao arquiteto chileno de ascendência croata, Smiljan Radić Clarke. Nascido em Santiago, Chile, em 1965, sua prática evoca uma geografia de extremos, moldada pela tensão tectônica entre o peso monumental dos Andes e a instabilidade sísmica do território. Após se graduar na Pontifícia Universidade Católica do Chile e prosseguir seus estudos em estética em Veneza, Smiljan Radić Clarke estabeleceu sua base em Santiago. A partir dali, desenvolveu uma das visões mais singulares da arquitetura contemporânea. Sua obra privilegia a intensidade do momento por meio de uma arquitetura frágil. Nela, o edifício opera como um refúgio temporário e tátil que coloca o espectador em um estado de incerteza estética, oscilando entre a ruína ancestral e o artefato de vanguarda.
Diante da rápida expansão dos centros de dados e das economias de IA na Grande Baía—e paralelamente à celebração da inteligência artificial como ferramenta e "autora", destaque da Bi-City Biennale de Urbanismo\Arquitetura de Hong Kong-Shenzhen de 2025 (Hong Kong)—uma questão paralela torna-se inevitável: como o planejamento e a construção da infraestrutura de IA começam, de fato, a moldar a vida cotidiana? Muitas das instalações já construídas permanecem intencionalmente distantes da experiência diária. A "nuvem" pode ser comercializada como algo imaterial, mas sua arquitetura é profundamente física: ambientes de alta potência, geração intensa de calor e forte demanda de serviços, frequentemente implantados em áreas remotas ou de baixa densidade para aproveitar os custos de terra mais baixos e minimizar atritos com as comunidades vizinhas. A segurança e a gestão de riscos reforçam ainda mais essa lógica. Os centros de dados abrigam informações confidenciais e privilegiadas—ativos corporativos, registros jurídicos, dados governamentais e institucionais—de modo que o isolamento geográfico passa a integrar seu modelo operacional, mantendo as infraestruturas de IA espacial e socialmente fora de vista.
Se pedirmos a uma criança para desenhar uma casa, quase certamente surgirá uma silhueta triangular, com dois planos inclinados se encontrando em uma cumeeira. Poucas formas arquitetônicas são tão universalmente reconhecidas quanto a casa de telhado inclinado. Sob uma perspectiva semiótica, essa imagem elementar funciona como um signo condensado de abrigo que, em apenas alguns traços, sintetiza proteção, interioridade e pertencimento. O que hoje lemos como um símbolo universal, no entanto, surgiu de uma necessidade concreta. Dos chalés alpinos que escoam a neve às telhas mediterrâneas que atenuam o calor do verão, a inclinação respondeu a desafios climáticos e construtivos muito antes de se tornar um código estético.
Embora a arquitetura moderna tenha privilegiado planos horizontais e plantas ortogonais, o telhado inclinado exige que o projeto seja concebido em corte. Sua inclinação permite o aproveitamento eficiente do volume sob a cobertura e introduz variações de altura, compressão e expansão espacial. Quando aberturas são incorporadas a esse plano, essa condição se intensifica. Diferente das janelas verticais, que captam luz lateral, as aberturas na cobertura recebem uma porção maior do céu visível e uma luminância significativamente superior à do horizonte, oferecendo até três vezes mais luz do que o envidraçamento vertical em dias nublados.
O escritório RSHP venceu o concurso para requalificar a área de Rives-Défense em La Défense, o distrito de negócios de Paris. Anunciado durante o MIPIM, o projeto prevê a transformação de uma área de 8 hectares na extremidade oeste do distrito em um bairro de uso misto de baixo carbono. Encomendada pela Paris La Défense, a proposta é desenvolvida por uma equipe multidisciplinar liderada pelo RSHP, que conta com o Atelier SOIL como coarquiteto/a e urbanista, a Altitude 35 como arquiteto/a paisagista, a Arcadis como consultoria de engenharia, além de Atelier Franck Boutté, Urban Eco e Mobius.
Esta semana foi marcada pela destruição deliberada, desenfreada e injusta decorrente da guerra no Sudoeste Asiático. Como uma das manifestações mais prejudiciais do abuso de poder humano, testemunhamos a destruição de lugares que guardam memórias e sustentam a cultura, bem como a perda e os danos irreparáveis às vidas humanas que lhes conferem identidade. Na expectativa de oferecer cenários mais promissores e construtivos para o futuro, apresentamos, em contraposição a essa realidade, um panorama de avanços em relação à disparidade de gênero que caracteriza a arquitetura e os caminhos a seguir, um conjunto de projetos emblemáticos de interesse público e comunitário que avançam da Turquia ao México, além de três grandes projetos de infraestrutura de transporte multimodal que buscam melhorar a forma como circulamos e habitamos o espaço público na Europa e nos Estados Unidos.
Na Light + Building 2026, em Frankfurt, a OPPLE Lighting celebrou seu 30º aniversário com uma proposta arquitetônica, em vez de uma retrospectiva. Sob o tema "Hi Light!", a empresa revelou a Light as Cloud, um estande projetado pelo OMA. A instalação também serviu como plataforma de estreia internacional para a OLL, a nova marca de design de alto padrão da OPPLE. Longe de funcionar como uma exposição convencional de produtos, o projeto posicionou a luz como um sistema espacial — capaz de moldar a arquitetura, a circulação e a percepção.
A arquitetura é frequentemente avaliada por suas formas finais, no entanto, algumas práticas operam em um registro diferente, no qual o projeto se desenvolve por meio de relações, tempo e uso, e não por um resultado único. Para a CatalyticAction, a participação não é uma atividade social paralela, mas sim o meio pelo qual os espaços são concebidos, construídos e mantidos ao longo do tempo.
Com sedes em Beirute e Londres, o escritório trabalha no Oriente Médio e na Europa, desenvolvendo espaços públicos, escolas, parquinhos e infraestruturas urbanas cotidianas por meio da colaboração de longo prazo com comunidades locais. Baseada em pesquisa participativa e tomadas de decisão coletivas, essa abordagem foi reconhecida pelo prêmio ArchDaily's 2025 Next Practices Awards, destacando um modo de atuação no qual a arquitetura é compreendida como um processo compartilhado e em evolução, e não como um objeto estático. Nesse contexto, o valor arquitetônico é mensurado pela continuidade, pelo uso e pela apropriação coletiva, e não apenas pela forma.
Casa com Sete Jardins / Civil Architecture. Imagem Cortesia de Civil Architecture
Durante séculos, a arquitetura residencial em toda a região do Golfo organizou-se em torno do pátio interno. As casas apresentavam espessas paredes externas e aberturas limitadas para a rua, voltando-se para o interior, em direção a um jardim sombreado que estruturava a vida cotidiana. Essa disposição espacial respondia tanto ao clima quanto à cultura local. O pátio trazia luz natural para o interior de plantas profundas, permitia a ventilação cruzada e proporcionava um ambiente externo protegido em meio a tecidos urbanos densos. Na House with Seven Gardens, em Diyar Al Muharraq, no Bahrein, o escritório sediado no país Civil Architecture — uma das práticas vencedoras do prêmio ArchDaily 2025 Next Practices Awards — revisita essa tradição espacial sob as condições da habitação suburbana contemporânea. Em vez de simplesmente reproduzir a casa-pátio como um modelo histórico, o projeto reinterpreta sua lógica ambiental dentro dos marcos regulatórios e das condições espaciais que moldam grande parte do desenvolvimento urbano atual no Golfo.
Localizado em Istambul, na Turquia, um bairro de 84 hectares está atualmente em desenvolvimento na área de Riva, em Beykoz, ao longo da costa do Mar Negro. O master plan foi desenvolvido por uma equipe internacional de projeto que inclui os escritórios Snøhetta, Bjarke Ingels Group e MVRDV, ao lado das práticas locais KEYM, DB Architects, Rasa e Bilgin Architects. Conhecido como Ion Riva, o projeto foi concebido como uma comunidade residencial orientada pela paisagem que integra habitação, equipamentos culturais e programas públicos dentro de uma estrutura ecológica moldada pelo encontro da floresta, do rio e do mar. A primeira fase do empreendimento, que já recebeu aprovação de planejamento e está atualmente em construção, entregará 969 moradias projetadas para cerca de 3.000 residentes, com previsão de ocupação das primeiras residências concluídas em 2027.