
Ruídos altos, o zumbido contínuo de equipamentos, mudanças abruptas de luz ou reflexos intensos costumam passar despercebidos. Para pessoas neurodivergentes, esses estímulos podem provocar desconforto significativo ou mesmo reações físicas e cognitivas intensas. O termo "neurodivergente" refere-se a pessoas cujo funcionamento neurológico difere do que é considerado típico, abrangendo condições como autismo, TDAH e dislexia, uma vez que seus cérebros processam informações de maneira diferente, particularmente em relação aos estímulos sensoriais, à atenção e à regulação emocional.
No entanto, a luz não é apenas visual; ela é neurológica. A forma como ela entra em um espaço, move-se pelas superfícies e muda ao longo do tempo pode afetar profundamente o conforto cognitivo. Contrastes extremos, ofuscamento, penetração direta de raios solares e variações rápidas de brilho exigem um ajuste constante do sistema visual e, para pessoas com maior sensibilidade sensorial, esse esforço pode se traduzir em fadiga, distração ou desconforto.
A maior parte desses estímulos provém do próprio ambiente construído, seja na escala da cidade, seja em espaços interiores, sendo, portanto, moldada por arquitetos/as. Acústica, texturas e conforto térmico hoje costumam fazer parte de discussões holísticas de projeto. A iluminação natural, no entanto, ainda é frequentemente tratada como uma variável predominantemente quantitativa, medida principalmente por níveis de iluminância e ganho de calor solar.






