O Congresso Mundial de Arquitetos UIA 2026 Barcelona divulgou sua programação completa, detalhando a estrutura, os participantes e as diversas atividades agendadas para o período de 28 de junho a 2 de julho de 2026. A partir de um desdobramento do tema anunciado anteriormente, *Becoming. Architectures for a Planet in Transition* (Tornar-se: Arquiteturas para um Planeta em Transição), o Congresso foi concebido como um evento descentralizado, distribuído por múltiplos locais e contextos urbanos, em vez de se concentrar em um único espaço. Organizado pela União Internacional de Arquitetos (UIA) em colaboração com o Conselho Superior de Colégios de Arquitetos da Espanha (CSCAE) e o Colégio de Arquitetos da Catalunha (COAC), o evento deve reunir cerca de 10.000 participantes e 250 palestrantes de mais de 130 países.
As equipes de projeto não sofrem com a falta de ferramentas, mas sim com a falta de continuidade. Os dados dos projetos permanecem fragmentados em diversos arquivos, e as decisões frequentemente perdem o contexto à medida que o trabalho avança do planejamento para o projeto e, finalmente, para a construção. Em decorrência disso, as equipes gastam um tempo valioso reconectando informações em vez de fazer o projeto avançar.
Isso evidencia a necessidade de fluxos de trabalho que preservem a intenção de projeto e levem o conhecimento adiante em cada etapa do processo. Sob essa ótica, a ideia de "design and make intelligence" pode ser compreendida como uma transição em direção à continuidade, na qual dados, decisões e aprendizados do planejamento, projeto, construção e operações permaneçam incorporados ao empreendimento, em vez de se perderem na entrega da obra. Nesse contexto, a inteligência artificial (IA) e a automação operam com maior relevância, apoiando-se em informações acumuladas em vez de insumos isolados.
Ambulance for Monuments é uma iniciativa de primeiros socorros dedicada a salvaguardar o patrimônio edificado ameaçado da Romênia, operando em uma corrida contra o tempo para evitar desmoronamentos e perdas irreversíveis. O projeto responde à crescente vulnerabilidade de estruturas históricas, desde igrejas saxônicas fortificadas e casarões a igrejas de madeira e marcos rurais, muitos dos quais não contam mais com as redes comunitárias que antes os sustentavam. Em um país profundamente afetado pela emigração desde 1990, onde quase metade da população ainda vive em áreas rurais, vilarejos inteiros perderam as pessoas, os ofícios e o cuidado cotidiano que mantinham esses monumentos de pé.
Estruturada em torno de uma unidade móvel de intervenção — uma "Ambulância" equipada com ferramentas, andaimes e maquinários de campo —, a iniciativa realiza obras urgentes de estabilização que ganham tempo para os edifícios ameaçados. Longe de substituir uma restauração completa, essas intervenções estratégicas preservam o tecido histórico, garantem a segurança estrutural e mantêm viáveis a conservação a longo prazo e o reúso adaptativo.
O pátio é frequentemente lembrado como uma figura do passado, um espaço voltado para o interior, permeado de nostalgia, cultura e rituais domésticos. No entanto, essa abordagem ignora seu papel primordial. Antes de ser simbólico, o pátio era operacional. Ele organizava o fluxo de ar, controlava a luz e absorvia o calor. Não se tratava de um elemento decorativo, mas sim do que tornava a arquitetura habitável. Na habitação contemporânea, tais funções são normalmente delegadas a sistemas mecânicos instalados após a definição da forma. Nas casas com pátio, ao contrário, essas questões são resolvidas espacialmente, antes mesmo de se erguer qualquer parede.
O que aparenta ser uma tipologia recorrente em várias regiões é, na verdade, um conjunto de respostas altamente específicas ao clima. O pátio no Egito não se comporta como o pátio no Marrocos, tampouco como o da Índia. Cada um deles é calibrado para responder a um desafio ambiental distinto, utilizando o mesmo dispositivo espacial. Interpretá-los como um tipo único significa reduzir sua inteligência. Compará-los, por outro lado, permite compreender como o clima pode ser incorporado diretamente à forma arquitetônica.
Ooooh, that's EpiQ! Por Ricardo Orts Ulises, Milan Design Week 2026. Imagem cortesia de Skoda
Reunindo uma semana de exposições, instalações e intercâmbio profissional, a Milan Design Week 2026 e a 64ª edição do Salone del Mobile.Milano foram encerradas no dia 26 de abril, após seis dias de programação pelo centro de exposições e por toda a cidade. Realizados de 20 a 26 de abril, os eventos deste ano reafirmaram o papel central de Milão no calendário global de design. O próprio Salone atraiu mais de 316.000 visitantes de 167 países. Com 1.900 marcas representadas e uma forte presença internacional, a semana funcionou mais uma vez tanto como plataforma cultural quanto como motor econômico, navegando por um contexto marcado pela incerteza do mercado e mantendo sua capacidade de reunir designers, instituições e lideranças do setor em escala global.
O Panteão de Roma é mundialmente conhecido como um importante ícone turístico e arquitetônico, um testemunho edificado tanto da cultura grega quanto da técnica romana, além de um símbolo do Império Romano. O monumento passou recentemente por uma intervenção do escritório de arquitetura italiano STARTT (Studio of Architecture and Territorial Transformations). O projeto, intitulado Pantheon – Micro Architectures for Archaeology, foi promovido pelo Ministério da Cultura da Itália como parte de um programa de intervenções iniciado em 2019 para abrir o acesso do público às áreas arqueológicas do Panteão. O trabalho do STARTT representa a primeira fase do programa, com foco na abertura de uma nova entrada a partir do Pozzo del Diavolo, uma área localizada atrás da Rotunda do monumento, permitindo que visitantes acessem partes do tecido arqueológico do edifício que antes eram reservadas a funções técnicas.
No final de 2024, um evento foi realizado nos jardins do recém-reformado Palais de Lomé, de época colonial, na capital do Togo. Estudantes da faculdade de arquitetura de Lomé participaram dos primeiros Encontros de Arquitetura de Lomé (RAL #1), com curadoria do Studio NEiDA, escritório transdisciplinar, que incluiu palestras, exibições de filmes, oficinas e visitas a edifícios. Uma exposição paralela exibiu a produção arquitetônica mais significativa da história do país. O objetivo do evento era explorar o patrimônio arquitetônico do Togo, marcando o início de uma jornada que cruza fronteiras e levanta questões sobre a conservação do patrimônio moderno. Ao contrário de edifícios coloniais como o próprio Palais de Lomé, que costumam ser mais valorizados e prontamente restaurados, edifícios modernos negligenciados — como o Hôtel de la Paix — exigem abordagens criativas e de base (bottom-up) para recuperar sua antiga vitalidade.
Ruídos altos, o zumbido contínuo de equipamentos, mudanças abruptas de luz ou reflexos intensos costumam passar despercebidos. Para pessoas neurodivergentes, esses estímulos podem provocar desconforto significativo ou mesmo reações físicas e cognitivas intensas. O termo "neurodivergente" refere-se a pessoas cujo funcionamento neurológico difere do que é considerado típico, abrangendo condições como autismo, TDAH e dislexia, uma vez que seus cérebros processam informações de maneira diferente, particularmente em relação aos estímulos sensoriais, à atenção e à regulação emocional.
No entanto, a luz não é apenas visual; ela é neurológica. A forma como ela entra em um espaço, move-se pelas superfícies e muda ao longo do tempo pode afetar profundamente o conforto cognitivo. Contrastes extremos, ofuscamento, penetração direta de raios solares e variações rápidas de brilho exigem um ajuste constante do sistema visual e, para pessoas com maior sensibilidade sensorial, esse esforço pode se traduzir em fadiga, distração ou desconforto.
O Bass Museum of Art nomeou o escritório de arquitetura Johnston Marklee, sediado em Los Angeles, para liderar a expansão de seu campus no Collins Park, em Miami Beach, avançando com uma visão de longo prazo que integra arquitetura, paisagismo e arte contemporânea. Fundado em 1964 após a doação da coleção de John e Johanna Bass, o museu está instalado em um edifício Art Déco da década de 1930, originalmente projetado por Russell Pancoast para abrigar a Biblioteca Pública e Centro de Arte de Miami Beach. Ao longo do tempo, a instituição evoluiu por meio de intervenções arquitetônicas, com destaque para a estrutura de campus proposta por Arata Isozaki, que estabelece um diálogo entre o tecido histórico e as adições contemporâneas.
A Universidade de Toronto revelou o projeto do Temerty Building, uma nova instalação voltada para a pesquisa e o ensino na área da saúde, localizada no coração do campus universitário. O projeto foi desenvolvido pelos escritórios MVRDV e Diamond Schmitt Architects em colaboração com o Two Row Architect. A proposta dá continuidade a uma parceria anterior entre os dois primeiros escritórios no campus de Scarborough da Universidade de Toronto, cuja conclusão está prevista para o final de 2026. Apresentado originalmente no Plano Estratégico Acadêmico 2018-2023 da Temerty Medicine, o projeto prevê uma ampliação de 36.000 metros quadrados do Medical Sciences Building da universidade, incluindo laboratórios de ensino superior, salas de aula e espaços compartilhados. As obras no local devem começar no segundo semestre de 2026, com os trabalhos preparatórios previstos para julho.
A arquitetura começa como um encontro com a gravidade. Trata-se do antigo ato de assentar o peso sobre a terra, de persuadir a matéria a se erguer, sustentar e abrigar. Sob essa condição fundamental de peso, no entanto, reside uma possibilidade mais silenciosa: a de que a própria densidade pode gerar uma sensação de leveza — uma condição perceptual na qual o corpo, plenamente convencido da gravidade da matéria, passa a vivenciar o espaço como suspensão.
Grande parte da arquitetura contemporânea tem buscado a leveza por meio da redução: estruturas mais esbeltas, superfícies mais lisas e transições cada vez mais fluidas entre interior e exterior. Aqui, a leveza é equiparada ao desaparecimento, como se a gravidade pudesse ser superada ao se retirar a presença material. Contudo, existe outro registro no qual a leveza não resulta da ausência, mas sim da intensificação. Ela emerge quando a presença material se torna tão precisa, tão plenamente afirmada, que passa a alterar a própria percepção — quando a massa permanece pesada, mas deixa de se comportar de forma meramente inerte.
Barcelona House - Strom Architects - Correr - Helena Lee Photography
Ao longo de grande parte da história, o peso esteve estreitamente associado à própria ideia de arquitetura. Vitrúvio, cuja noção de firmitas vinculava a construção à estabilidade e à permanência, entendia a solidez como uma de suas qualidades fundamentais, e construir significava, em grande parte, resistir aos efeitos do tempo, da gravidade e das forças naturais. Na arquitetura grega e romana, a monumentalidade dependia dos sistemas construtivos e materiais disponíveis, como a pedra e a alvenaria maciça, cuja expressão era definida pela massa, espessura e repetição estrutural. Colunas, paredes e pódios, além de sustentarem os edifícios, afirmavam sua presença no território, comunicando ordem, durabilidade e poder. A arquitetura encontrava o solo com peso.
Localizado em Tomioka, na prefeitura de Fukushima, Sea of Time – TOHOKU é tanto uma obra de arte de Tatsuo Miyajima quanto um projeto arquitetônico encomendado pelo artista. Com projeto de autoria de Tsuyoshi Tane, profissional da arquitetura japonesa do Atelier Tsuyoshi Tane Architects (ATTA), a proposta prevê um museu permanente para abrigar a obra de Miyajima. Atualmente em fase de desenvolvimento, com cronograma de 2024 a 2027, a abertura está prevista para a primavera de 2028. Localizada em uma falésia com vista para o Oceano Pacífico, a proposta une arquitetura e instalação em um local marcado pelas memórias do sismo e tsunami de Tōhoku em 2011, incorporando tanto a paisagem quanto seu contexto histórico como partes fundamentais do projeto.
Ooooh, that's EpiQ! Por Ricardo Orts Ulises. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily presentes em Milão
Celebrado anualmente em 22 de abril, o Dia Internacional da Mãe Terra pauta o debate arquitetônico desta semana por meio de um apelo urgente para repensar a relação entre o ambiente construído e os sistemas naturais, destacando temas como o rewilding urbano, a restauração de ecossistemas aquáticos e a integração de saberes ancestrais nas práticas de projeto contemporâneas. Por outro lado, a abertura do Salone del Mobile.Milano 2026 e da Milan Design Week 2026 busca reforçar a relevância global do design como plataforma de intercâmbio e experimentação, movimentando a cidade de Milão com uma rede de exposições e instalações voltadas tanto para o setor quanto para o público geral. Entre os anúncios de projetos premiados nesta semana, o concurso House of No Waste (HØW), promovido pelas Nações Unidas, destaca respostas arquitetônicas emergentes aos desafios climáticos e de recursos. Os projetos premiados demonstram estratégias escaláveis para reduzir o desperdício de materiais e o carbono incorporado, ao mesmo tempo em que promovem uma infraestrutura pública adaptável, socialmente responsiva e consciente do uso de recursos.
Um prêmio de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias começam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract consolidou-se como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e como um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.
Uma premiação de arquitetura atua como um dispositivo de legitimação, capaz de indicar quais abordagens, materiais e estratégias passam a ocupar uma posição central no discurso disciplinar. Ao reunir projetos com programas, escalas e condicionantes distintos, essas iniciativas tornam visíveis prioridades e direções emergentes no campo. Nesse sentido, o Design Awards da Shaw Contract tem se consolidado como uma plataforma global de reconhecimento no design de interiores e um termômetro das transformações que atravessam a disciplina, ao promover uma reflexão sobre o papel do design na construção de ambientes mais responsáveis, inclusivos e sustentáveis.
Se as redes elevadas revelam uma cidade que caminha cada vez mais acima da rua, o pódio-torre é a tipologia que frequentemente faz com que essa condição pareça inevitável. Em todo o Sudeste Asiático, os projetos de pódio-torre tornaram-se uma das linguagens dominantes do crescimento metropolitano: um sistema que concentra habitação, postos de trabalho, comércio e conexões de transporte público em lotes altamente legíveis e administrados. Sob a perspectiva do planejamento urbano, o modelo pode ser incrivelmente eficaz — absorvendo o congestionamento, formalizando a circulação e gerando densidade rapidamente. No entanto, à medida que se dissemina, a tipologia também levanta uma questão mais sutil: o que ela otimiza e o que ela corrói — especialmente no nível da rua, onde a vida urbana deveria ser negociada, e não curada?
Em termos simples, o pódio-torre é uma estrutura híbrida composta por um pódio de baixa altura e alta taxa de ocupação, que serve de apoio a uma ou mais esbeltas torres verticais. O pódio geralmente carrega o peso logístico e comercial do empreendimento — lojas, estacionamento, carga e descarga, áreas de embarque e desembarque, serviços de apoio e, muitas vezes, terraços de lazer —, enquanto a torre sobrepõe os programas privados acima, sejam eles residenciais, corporativos, hoteleiros ou de uso misto. A promessa é dupla: maximizar a densidade urbana mantendo uma fachada ativa em escala humana, e separar a logística complexa da vida urbana do domínio mais reservado do morar e do trabalhar.
Chilean Atacama Desert. Image by European Southern Observatory with known IDsCC-BY-4.0European Southern Observatory Images ESO files uploaded by OptimusPrimeBot licensed under the Creative Commons Attribution 4.0 International license
A arquitetura já não pode ser pensada como um objeto isolado, alheia às redes técnicas que sustentam a vida contemporânea, — um cenário que exige diferentes leituras e abordagens. É nesse contexto que em março, o tema mensal do ArchDaily recaiu sobre A Tecnosfera: Arquitetura na Intersecção da Tecnologia, Ecologia e Sistemas Planetários, tópico amplo e inevitavelmente complexo. A partir do conceito de tecnosfera, cunhado pelo geólogo Peter Haff para descrever o conjunto de artefatos produzidos pela humanidade, delineia-se um panorama em que a vida contemporânea se mostra profundamente entrelaçada a máquinas, dados e redes de energia.
A Honduras é o segundo maior país da América Central, tanto em território quanto em população. Hoje, sua malha urbana continua fortemente influenciada por princípios modernistas da década de 1970, que priorizavam corredores arteriais de alta velocidade e uma mobilidade "ponto a ponto" dependente do automóvel. Além disso, o país enfrentou muitos desafios em relação à segurança pública durante os anos 2010, o que contribuiu para a criação de um espaço urbano caracterizado por fachadas cegas, muros altos e condomínios fechados projetados para isolar o interior da esfera pública.
Tivemos a oportunidade de conversar com Alejandra Ferrera, arquiteta hondurenha criada em Danlí, uma cidade no leste de Honduras. Com mais de 15 anos de atuação profissional passando por Brasil, Holanda e Austrália, ela defende que, embora o projeto focado na segurança tenha sido uma necessidade funcional de sua época, ele resultou em uma experiência urbana fragmentada, na qual a rua funciona apenas como um vazio de trânsito, em vez de um local de encontro social. Para a arquiteta, mesmo que esse isolamento tenha sido uma medida de segurança justificada, ele gerou um distanciamento entre as pessoas e a cidade. Ela também argumenta que, de modo geral, a situação da segurança pública contribuiu para a criação de uma identidade nacional fragilizada, que frequentemente busca referências de qualidade no exterior, desconsiderando o potencial de seu próprio contexto.
Metamorphosis in Motion por Lina Ghotmeh. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily em Milão
Milão reativa seu papel de capital global do design esta semana com o início da Milan Design Week 2026 no dia 20 de abril, seguida pela abertura da 64ª edição do Salone del Mobile.Milano em 21 de abril na Fiera Milano, Rho. Mais do que um evento único, a semana se desdobra como um sistema multifacetado em que a feira e a cidade operam sob diferentes temporalidades e condições espaciais. Das aberturas antecipadas nos distritos urbanos ao início formal da programação no centro de exposições, o calendário escalonado reforça um fluxo contínuo de atividades que se estende por instituições, infraestruturas e espaços públicos.
Campo agrícola Waru Waru. Imagem via World Monuments Fund
O Dia Internacional da Mãe Terra da Organização das Nações Unidas, celebrado anualmente em 22 de abril, tem como objetivo "promover a harmonia com a natureza e com a Terra". Diante da urgência imposta pelas mudanças climáticas, a data busca conscientizar sobre os desafios de preservar todas as formas de vida sustentadas pelo planeta. Trata-se de um chamado à comunidade global para salvaguardar a biodiversidade, buscando equilibrar os sistemas econômicos, sociais e ecológicos. Crimes contra a biodiversidade incluem práticas de grande escala, como desmatamento, mudança no uso do solo, agricultura intensiva, pecuária e comércio ilegal de animais silvestres, todos considerados pela ONU como fatores aceleradores da destruição do planeta.
A história da arquitetura frequentemente avança por meio de gestos icônicos ou avanços tecnológicos; no entanto, certas obras permanecem influentes precisamente por resistirem ao espetáculo. Construída entre 1972 e 1974 em Sint-Martens-Latem, na Bélgica, a Residência Van Wassenhove destaca-se como um desses projetos silenciosos, mas decisivos. Concebida como um volume único e contínuo de concreto implantado em uma paisagem arborizada, a casa desafia as ideias convencionais de conforto doméstico, privacidade e hierarquia espacial. Sua presença é direta e intransigente, evitando, contudo, a monumentalidade, posicionando-se, em vez disso, como uma estrutura vivenciada, moldada por rituais cotidianos e pela habitação de longo prazo.
A casa foi projetada por Juliaan Lampens, uma figura que atuou em grande parte à margem das narrativas arquitetônicas dominantes de sua época. Trabalhando principalmente em Flanders e frequentemente em encomendas privadas, Lampens desenvolveu uma obra centrada na redução espacial radical, na honestidade material e em uma abordagem quase ética da construção. A Residência Van Wassenhove é frequentemente descrita como sua obra mais completa, não por introduzir novas ideias, mas por consolidar muitos dos princípios que perpassam consistentemente sua carreira.