O ARoS AarhusArt Museum, na Dinamarca, inaugurou As Seen Below – The Dome, um novo Skyspace do/a artista estadunidense James Turrell que conclui The Next Level, a expansão subterrânea do museu com cerca de 4.000 metros quadrados, projetada pela equipe do Schmidt Hammer Lassen. Aberto ao público em 19 de junho de 2026, o projeto marca o ápice de mais de duas décadas de colaboração entre a Prefeitura de Aarhus, o ARoS e o escritório de arquitetura dinamarquês, após a conclusão do edifício do museu em 2004 e a adição do Your Rainbow Panorama, de Olafur Eliasson, em 2011. Localizada sob o revitalizado Musikhusparken, no centro de Aarhus, a instalação constitui a peça central da mais recente expansão do museu e adiciona uma nova obra em grande escala de Turrell ao seu acervo.
Render da vista externa da unidade de atendimento ambulatorial e farmácia do projeto da Clínica Ineza, 2026. Imagem cortesia de Kéré Architecture
Kéré Architecture projetou um novo centro de saúde na região de Bubanza, no Burundi, cerca de 40 quilômetros ao norte da antiga capital do país, Bujumbura. Encomendado pela ONG Ineza Clinic, o projeto visa melhorar o acesso à saúde para a população rural da região, complementando os serviços do hospital geral existente, com foco em maternidade e cuidados cirúrgicos especializados. O plano de Francis Kéré distribui o programa em dez pavilhões conectados por um caminho que sobe a encosta em zigue-zague em direção a um centro de visitantes, formando um complexo de 3.000 m². O projeto combina materiais provenientes da região circundante, artesanato tradicional e transferência de conhecimento, minimizando sua pegada de carbono, apoiando a economia local e fortalecendo as equipes locais. As obras já começaram, com a conclusão da primeira fase prevista para este ano.
"Mapear o Novo Mundo" é o lema do Projeto PLATEAU, liderado pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (MLIT), para desenvolver e expandir o acesso a modelos 3D que representam a diversidade das cidades de todo o país. O Japão é composto por um total de 744 cidades, incluindo 14 com mais de um milhão de habitantes, 190 com entre 100 mil e um milhão, e 540 com população entre 10 mil e 100 mil. Até o momento, os modelos 3D de mais de 250 cidades foram disponibilizados como dados abertos por meio do Centro de Informação G-Espacial do país e também podem ser acessados através de um navegador on-line. Segundo as autoridades públicas, o projeto visa fortalecer a resiliência urbana ao fornecer à sociedade novas ferramentas para enfrentar os desafios locais. Isso envolve não apenas a modelagem do espaço urbano, mas também a colaboração com governos locais, empresas privadas e comunidades de tecnologia. O projeto inclui ainda uma reconstrução digital do recém-encerrado local da Expo Mundial de Osaka.
Teatro Lampegiet em Veenendaal, Holanda. Imagem cortesia de MVRDV
Projetado pelo escritório MVRDV em colaboração com a Buro Happold, o novo Teatro Lampegiet em Veenendaal, nos Países Baixos, deve substituir o edifício teatral existente, construído em 1988. Aprovado pelo Conselho Municipal de Veenendaal em janeiro de 2026, o projeto tem previsão de início de construção para 2027, com conclusão estimada para 2029. Concebido como um espaço culturalcontemporâneo que atende tanto às exigências performáticas atuais quanto à identidade histórica da cidade, o novo teatro apresenta uma composição compacta de múltiplos volumes envolta em uma fachada de cerâmica porosa que transforma o edifício em um marco urbano iluminado.
À medida que grandes eventos culturais, transformações institucionais e novas encomendas arquitetônicas se desenrolam em diferentes geografias, o debate desta semana destaca como a arquitetura opera na interseção entre vida pública, criatividade e adaptação a longo prazo. Com a Milano Design Week 2026 colocando em primeiro plano o processo, a experimentação e a participação de toda a cidade, os projetos e iniciativas que surgem nesta semana apontam para uma transição mais ampla em direção à abertura, acessibilidade e engajamento experiencial entre disciplinas e contextos urbanos. Investimentos contínuos em infraestrutura cultural, de novos museus a reformas de grande escala e propostas vencedoras de concursos, reforçam ainda mais como as instituições continuam a recalibrar seus papéis espaciais e sociais em resposta às crescentes demandas ambientais, tecnológicas e culturais.
Qapital Tower Equador. Imagem cortesia de Kengo Kuma and Associates(KKAA)
O escritório Kengo Kuma & Associates revelou os planos para o Qapital, uma torre de uso misto de 32 andares que será construída em Quito, no Equador, em colaboração com a incorporadora local Uribe Schwarzkopf. Com conclusão prevista para 2029, o projeto marca o primeiro trabalho do arquiteto japonêsKengo Kuma no país, expandindo o portfólio internacional do escritório para o contexto sul-americano. Localizada em frente ao Parque La Carolina, no distrito financeiro de Quito, a torre de 125,8 metros de altura apresenta um programa organizado verticalmente que reúne espaços residenciais, comerciais e comodidades compartilhadas.
Projetado pelo Studio NEiDA, o Falcon Cinema é um centro comunitário e de artes localizado em Berekuso, Gana, comissionado por Jacqueline Nsiah, profissional à frente da curadoria de cinema e da direção fundadora do espaço. A missão do cinema é criar um espaço para cineastas preservarem o patrimônio cinematográfico da África, ao mesmo tempo em que promove o pensamento crítico e criativo sobre o cinema contemporâneo no continente, projetado e curado com uma abordagem pan-africana. O programa de necessidades inclui duas salas de projeção (com 250 e 150 assentos), um restaurante, um arquivo, espaços de convivência, um centro educacional e um cinema ao ar livre. Um segundo complexo está planejado para uma fase futura, destinado a abrigar residências para cineastas. Ainda em fase de projeto, a proposta teve início em 2024 e tem conclusão prevista para 2027.
O espaço público é frequentemente compreendido como um local que não pertence a ninguém em particular — coletivamente acessível, porém mantido por instituições. No entanto, um número crescente de iniciativas vem desafiando essa premissa ao testar modelos de gestão compartilhada e propriedade distribuída. Em Paris, o projeto Adoptez un banc introduz uma abordagem baseada em patrocínio, permitindo que pessoas e grupos apoiem financeiramente e assumam, de forma temporária e simbólica, a responsabilidade por mobiliários públicos históricos, sem comprometer seu uso coletivo. Em outros pontos da cidade, hortas comunitárias que operam sob a estrutura do programa Main Verte demonstram um modelo de autogestão, no qual proprietários de terras públicos e privados mantêm a titularidade dos terrenos, mas delegam o controle cotidiano a associações de cidadãos/ãs para produção de alimentos e uso compartilhado. Em Nova York, o projeto Common Corner representa um terceiro caminho, fundamentado na colaboração institucional e no design participativo, em que agências públicas, organizações sem fins lucrativos, designers e moradores/as coproduzem o espaço público no contexto da habitação social. Juntos, esses três casos sugerem que o cuidado, a autoria e a responsabilidade podem ser distribuídos entre cidadãos/ãs e instituições, gerando ambientes urbanos mais resilientes e conectados à realidade local.
A cada primavera, a Milan Design Week 2026 transforma a cidade em uma plataforma distribuída para a cultura do design, onde protótipos, lançamentos de produtos e investigações baseadas em pesquisa coexistem em múltiplas escalas, incluindo uma presença crescente de objetos projetados por arquitetos/as. Realizada de 20 a 26 de abril, a edição de 2026 voltou a se concentrar no 64º Salone del Mobile.Milano na Fiera Milano, complementada por uma rede de espaços e exposições independentes por toda a cidade — um panorama ampliado que se reflete na seleção de instalações e exposições do ArchDaily que acompanha a programação deste ano.
A Battersea Power Station é uma antiga usina termelétrica a carvão desativada localizada na margem sul do Rio Tâmisa, em Londres, com projeto original de J. Theo Halliday e Giles Gilbert Scott. Famosa por estampar a capa do álbum de estúdio de 1977 do Pink Floyd, Animals, e por aparecer no filme Sabotagem (1936), de Alfred Hitchcock, a usina é uma das maiores estruturas de tijolos do mundo, reconhecida por seus acabamentos e decorações internas em estilo Art Déco. Hoje reconhecido como patrimônio industrial moderno, o local começou a ser transformado em um empreendimento comercial em 2012, com o reuso adaptativo orientado pelo plano diretor de Rafael Viñoly. Em 16 de fevereiro, a administração da Battersea Power Station anunciou a contratação do escritório de desenho urbano estratégico Studio Egret West para atualizar o plano diretor original das fases restantes do projeto, que abrangem 16 acres do total de 42 acres do bairro ribeirinho no sudoeste de Londres.
O artista, diretor e produtor indicado ao BAFTA australiano Liam Young cria mundos imaginários como uma forma de refletir sobre os futuros que tememos, desejamos e já estamos construindo. Como criador e designer de atmosferas, ele propõe paisagens especulativas que refletem as possibilidades de um mundo por vir, seja ele ideal ou verdadeiramente inquietante. Em sua prática de construção de mundos (worldbuilding) nas indústrias de cinema, televisão e videogames, a ficção torna-se uma ferramenta para navegar pelas urgências ambientais do presente. Considerado um "futurista", ele trabalha com estratégias de design, cenários tecnológicos e imaginações coletivas, fundamentando seu trabalho em pesquisas acadêmicas que alcançam um público amplo em exposições como "In Other Worlds", no Barbican Centre, em Londres, e "Age of Nature", no Danish Architecture Center, em Copenhague. Em fevereiro de 2026, ele foi entrevistado por Marc-Christoph Wagner para o Louisiana Channel, onde compartilha suas visões sobre o futuro: desde a arquitetura se consolidando como uma indústria boutique até a necessidade de um novo tipo de punk planetário na escala da crise climática.
A exposição What is This? A Spa, a Gym, a Zoo for Tiny Animals? está em cartaz no Palau Victòria Eugènia, em Barcelona, de 11 de maio a 5 de julho de 2026. Organizada pela Fundació Mies van der Rohe e com curadoria de Anna Sala e Ivan Blasi, a exposição apresenta o acervo da instituição sob uma nova perspectiva curatorial, reunindo maquetes, desenhos, documentos, filmes e registros de intervenções artísticas realizadas no Pavilhão de Barcelona desde 1986. Com entrada gratuita e aberta diariamente, a mostra convida o público a interagir com o arquivo tanto como uma coleção histórica quanto como um registro em constante evolução do discurso arquitetônico.
Um novo museu dedicado à ciência da fibra de carbono foi inaugurado em Fiorenzuola d'Arda, na Itália, em 17 de dezembro de 2025. O projeto remonta a 2021 e foi desenvolvido pelo escritório CRA–Carlo Ratti Associati em colaboração com o falecido arquiteto italiano Italo Rota. Encomendado pela MAE, fabricante de equipamentos para produção de fibra de carbono, o projeto transforma um dos maiores acervos do mundo sobre fibra de carbono em um museu dinâmico, unindo pesquisa e preservação histórica, e convertendo o arquivo em um espaço de exploração interativa. O projeto é descrito pela equipe de projeto como um "museu vivo", um local para leitura, questionamento e conexão de ideias.
Em 28 de fevereiro de 2026, as notícias sobre a perda de vidas humanas, o padrão operacional dos ataques militares, os danos à infraestrutura, as interrupções nas comunicações e as reações internacionais após os ataques militares dos EUA e de Israel contra o Irã confirmaram ao mundo um novo foco de guerra no Sudoeste Asiático. Este conflito militar também gerou impactos humanos e na infraestrutura do Líbano, da Síria, do Iraque e da Jordânia, com zonas de combate ativas em seus territórios, além dos Estados do Golfo, onde os danos afetaram particularmente as bases militares dos EUA e a infraestrutura energética. O cenário soma um novo palco de conflito armado na região, após mais de dois anos de destruição sistemática de vidas, habitats e instalações essenciais na Faixa de Gaza, com quase 81% das estruturas destruídas até o final de 2025. Atualmente, esses territórios sofrem com a desestruturação deliberada de sua normalidade, afetando infraestruturas essenciais, cotidianas e bens culturais de relevância global. Embora as informações ainda sejam dispersas e preliminares, é possível mensurar parte dos danos ao patrimônio cultural causados por este novo desdobramento do conflito armado.
Shamballa: Laboratório para uma Vida Sustentável. Ítaca, 2026. Imagem cortesia de WASP
Shamballa, um laboratório e centro de pesquisa ao ar livre de 8 hectares dedicado ao modo de vida sustentável e à impressão 3D arquitetônica avançada, foi inaugurado em 8 de junho de 2026, nas colinas da região de Emilia-Romagna, no norte da Itália. O projeto é uma colaboração entre a WASP, empresa de tecnologia de impressão 3D, e a Olfattiva, empresa de aromaterapia e perfumery botânica, e abriga um laboratório maker, um jardim botânico medicinal e a "Itaca", uma fazenda autossuficiente construída por meio de impressão 3D. O edifício foi projetado como um modelo para a construção impressa em 3D, representando uma estrutura certificada e replicável. As áreas externas abrigam centros de pesquisa e desenvolvimento, formando um "ecossistema" experimental para conceber novas ideias em bioconstrução e habitação sustentável, além de hortas automatizadas, sistemas de captação de água da chuva e iniciativas focadas em microeconomias circulares.
Fallingwater, a icônica residência projetada por Frank Lloyd Wright, foi reaberta ao público após a conclusão de um projeto de preservação de três anos. A reabertura coincide com o 90º aniversário do edifício e o início de sua 63ª temporada de visitas, marcando um momento fundamental na conservação contínua de uma das obras mais reconhecidas da arquitetura moderna. A intervenção, liderada pela Western Pennsylvania Conservancy, concentrou-se em resolver desafios estruturais e ambientais, mantendo a integridade do projeto original de Wright.
Metamorphosis in Motion por Lina Ghotmeh. Imagem cortesia dos editores do ArchDaily em Milão
Milão reativa seu papel de capital global do design esta semana com o início da Milan Design Week 2026 no dia 20 de abril, seguida pela abertura da 64ª edição do Salone del Mobile.Milano em 21 de abril na Fiera Milano, Rho. Mais do que um evento único, a semana se desdobra como um sistema multifacetado em que a feira e a cidade operam sob diferentes temporalidades e condições espaciais. Das aberturas antecipadas nos distritos urbanos ao início formal da programação no centro de exposições, o calendário escalonado reforça um fluxo contínuo de atividades que se estende por instituições, infraestruturas e espaços públicos.
Foram iniciadas as obras do novo Aeroporto Internacional de Bishoftu (BIA), projetado pelo escritório Zaha Hadid Architects para o Ethiopian Airlines Group. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, lançou a pedra fundamental na cerimônia de início das obras no sábado, 10 de janeiro de 2026. O novo aeroporto ficará localizado a aproximadamente 40 quilômetros ao sul da capital etíope, Adis Abeba, e está planejado para se tornar o maior aeroporto da África. A primeira fase do projeto foi dimensionada para atender 60 milhões de passageiros/as por ano. As fases subsequentes deverão aumentar a capacidade para até 110 milhões de passageiros/as anuais, contando com quatro pistas e estacionamento para 270 aeronaves — mais de quatro vezes a capacidade do atual principal aeroporto da Etiópia, segundo declarações do primeiro-ministro.
Projeto finalista do MVRDV para o concurso Shift Landmark, 2026. Imagem cortesia de MVRDV
Shift, uma empresa que oferece programas digitais para reduzir as emissões de carbono por meio de mudanças de comportamento individual, anunciou as cinco equipes finalistas que avançam para a segunda etapa de seu concurso internacional de arquitetura. Lançado em janeiro de 2025, o Shift International Architecture Competition buscou propostas para projetar o "Shift Landmark": um edifício de 25.000 a 30.000 m² em Waterkant, um novo distrito à beira-rio no sul de Roterdã. O projeto inclui um hotel, um centro de conferências e reuniões e uma praça de alimentação sustentável. Seu objetivo é estabelecer um novo padrão para um destino voltado a propósitos que transforme a vida circular em "algo que indivíduos, empresas e organizações possam sentir, vivenciar e colocar em prática". Os cinco conceitos de projeto selecionados refletem diferentes visões de sustentabilidade e ação climática, desenvolvidos por equipes lideradas pelos escritórios europeus do MVRDV (Países Baixos), Heatherwick Studio (Reino Unido), Office for Political Innovation (Espanha), Mecanoo (Países Baixos) e Ecosistema Urbano (Espanha).
O AJ e a The Architectural Review anunciaram a arquiteta Barbara Buser como vencedora do Jane Drew Prize de 2026. A premiação, que leva o nome da arquiteta e urbanista modernista inglesa Jane Drew, faz parte dos W Awards e do W Programme, que reconhecem a contribuição de mulheres na profissão da arquitetura. Sediada na Suíça, Barbara Buser é conhecida por sua atuação inovadora no campo da reciclagem e do reaproveitamento, e como especialista em construção circular, sendo reconhecida pelo pioneirismo em práticas de reutilização no país. Dessa forma, o prêmio reconhece não apenas sua contribuição para a arquitetura em si, mas sobretudo seus esforços para reduzir o impacto ambiental do setor por meio de iniciativas de socialização. Esta honraria sucede a premiação de Anne Lacaton em 2025, além de outras figuras de destaque na área, como Kazuyo Sejima em 2023, Farshid Moussavi in 2022 e Yasmeen Lari em 2020.