Diogo Borges Ferreira

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Projetando uma marca: como a Apple construiu uma linguagem arquitetônica de vidro e ordem

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Em 2026, a Apple celebrou cinquenta anos de fundação. Ao longo das últimas duas décadas, a empresa desenvolveu uma linguagem arquitetônica consistente que estende sua marca ao ambiente construído, transformando lojas, locais de trabalho e espaços voltados ao público em componentes ativos de sua identidade. Esses ambientes orientam o movimento, emolduram a interação e condicionam as maneiras pelas quais o público entra em contato tanto com os produtos quanto com a própria empresa.

Do dispositivo portátil ao interior urbano, a Apple tem buscado manter um rígido controle sobre forma, materialidade e experiência. A arquitetura passa a integrar esse sistema a partir do momento em que a empresa define como é percebida e vivenciada no espaço físico. Pesquisas sobre ambientes de varejo demonstram como o layout espacial, a visibilidade e os padrões de circulação podem moldar comportamentos e interações, transformando a arquitetura em uma interface entre a marca e o público.

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Futuros Importados: A arquitetura global moldando a transformação urbana da Albânia

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Nos últimos anos, a Albânia passou por uma rápida e visível transformação, despontando como um dos ambientes urbanos mais dinâmicos do Sudeste Europeu. Esse crescimento se reflete não apenas na expansão de seu tecido construído, mas também na escala e na ambição de novas intervenções arquitetônicas que buscam redefinir a imagem do país. Ao longo de seu território, uma série de grandes empreendimentos, instituições culturais e projetos de infraestrutura vêm sendo implantados como parte de um esforço mais amplo para reposicionar a Albânia e sua capital, Tirana, em redes regionais e internacionais.

Um número significativo dessas intervenções está sendo projetado por escritórios de arquitetura de reconhecimento internacional, cuja presença se tornou uma característica definidora da atual fase de desenvolvimento da cidade. Em vez de se apoiar primordialmente em processos incrementais ou de base local, a transformação de Tirana é cada vez mais moldada por visões de autoria externa que introduzem novas linguagens formais, tipologias e estratégias urbanas. Esses projetos frequentemente operam como objetos singulares ou fragmentos em grande escala, contribuindo para uma paisagem na qual a cidade é montada a partir de gestos distintos e altamente visíveis.

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Residência Van Wassenhove: Vivendo a continuidade radical de Juliaan Lampens

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A história da arquitetura frequentemente avança por meio de gestos icônicos ou avanços tecnológicos; no entanto, certas obras permanecem influentes precisamente por resistirem ao espetáculo. Construída entre 1972 e 1974 em Sint-Martens-Latem, na Bélgica, a Residência Van Wassenhove destaca-se como um desses projetos silenciosos, mas decisivos. Concebida como um volume único e contínuo de concreto implantado em uma paisagem arborizada, a casa desafia as ideias convencionais de conforto doméstico, privacidade e hierarquia espacial. Sua presença é direta e intransigente, evitando, contudo, a monumentalidade, posicionando-se, em vez disso, como uma estrutura vivenciada, moldada por rituais cotidianos e pela habitação de longo prazo.

A casa foi projetada por Juliaan Lampens, uma figura que atuou em grande parte à margem das narrativas arquitetônicas dominantes de sua época. Trabalhando principalmente em Flanders e frequentemente em encomendas privadas, Lampens desenvolveu uma obra centrada na redução espacial radical, na honestidade material e em uma abordagem quase ética da construção. A Residência Van Wassenhove é frequentemente descrita como sua obra mais completa, não por introduzir novas ideias, mas por consolidar muitos dos princípios que perpassam consistentemente sua carreira.

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Desenterrando a terra: arquitetura e a política do solo

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O que a arquitetura deixa no solo dura mais do que aquilo que ela eleva no ar. Um edifício demolido desaparece da linha do horizonte em questão de dias, mas suas fundações permanecem cravadas na terra por gerações. A contaminação causada por um complexo industrial não se dissipa quando o complexo é posto abaixo. As fronteiras legais inscritas em um território colonial não se dissolvem com o fim da administração colonial. O solo guarda o que a arquitetura rapidamente esquece.

É isso que torna o solo um tema tão desconfortável. A disciplina tende a se orientar para cima, em direção à forma, à fachada, à experiência espacial do habitar. O chão é onde a arquitetura começa e, em certo sentido, onde termina: o ponto em que a edificação se torna geologia, o título de propriedade se torna reivindicação territorial e a construção se torna extração. Tratar o solo como um meio, e não apenas como um referencial abstrato, significa reconhecer que o ato de construir traz consequências que vão mais fundo do que o objeto visível acima do nível do solo.

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Erro 404: Memória arquitetônica na era dos algoritmos

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Antes da virada digital, a memória da arquitetura era predominantemente tangível. Vivia no peso dos desenhos, na pátina das maquetes e na espessura dos livros. Preservar a arquitetura significava preservar seus vestígios — os documentos, esboços e fotografias por meio dos quais os edifícios podiam ser lembrados muito depois de sua forma material ter se alterado ou desaparecido. O arquivo de arquitetura moderno, tal como se desenvolveu no século XX, era ao mesmo tempo um refúgio e um dispositivo de legitimação. Instituições como o Canadian Centre for Architecture, a Casa da Arquitectura ou o Deutsches Architekturmuseum foram erguidas sobre a convicção de que preservar a arquitetura era o mesmo que preservar seus documentos.

No entanto, esses arquivos não se limitavam a armazenar conhecimento. Eles determinavam o que era considerado arquitetura, quem pertencia ao seu cânone e como a história seria contada. Arquivar é editar o passado — decidir o que entra, o que é omitido e como será interpretado. O arquivo, teorizado por Michel Foucault e, posteriormente, por Jacques Derrida, nunca é neutro; é um instrumento de poder, um espaço que seleciona e exclui. Na arquitetura, essas dinâmicas são especialmente evidentes, pois registram o visível ao mesmo tempo em que silenciam o que escapa às suas categorias. O ato de colecionar sempre foi, implicitamente, um ato de julgamento.

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O que está por baixo: 10 projetos que reconfiguram o nível do solo

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A arquitetura há muito se sente atraída pela ideia de leveza. Desde os primeiros experimentos modernistas que buscavam preservar as paisagens, elevar as edificações tem sido compreendido como uma forma de poupar o solo e manter a continuidade do terreno. Volumes são erguidos sobre pilares, infraestruturas descolam a circulação da superfície e programas inteiros são suspensos acima do chão.

Isso foi formalizado no início do século XX por meio do conceito de pilotis de Le Corbusier, que propunha a liberação do pavimento térreo de qualquer fechamento. Ao elevar as edificações sobre pilares, buscava-se manter a continuidade com o terreno, permitindo que o movimento, a vegetação e o uso coletivo se desenvolvessem sob os volumes construídos. O edifício ocuparia o ar, enquanto o chão permaneceria aberto, acessível e compartilhado.

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Memória de Concreto: 12 Monumentos do Pós-Guerra no Leste Europeu

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Um monumento costuma ser a edificação mais conservadora encomendada por um Estado. Espera-se que ele estabilize a memória, torne a história legível e dê forma pública a uma narrativa compartilhada. O século XX no Leste Europeu produziu, do Báltico aos Bálcãs, um corpo de obras inteiro que resistiu justamente a essas expectativas, desafiando a relação convencional entre monumento, memória e representação. Comumente agrupados sob a denominação de spomeniks, esses exercícios arquitetônicos são talvez os exemplos mais conhecidos de uma paisagem muito mais ampla de arquitetura memorial que emergiu na região. Tratava-se de sociedades que emergiam de ocupações, conflitos civis ou revoluções, e nenhuma delas possuía uma linguagem simbólica única capaz de abarcar a complexidade de suas histórias. Em vez de buscar novos heróis ou novos ícones, muitos/as arquitetos/as e artistas voltaram-se para o próprio espaço como o meio através do qual a lembrança poderia ser construída.

Esses monumentos ocupam uma posição incomum entre escultura e arquitetura. Em certa escala, são lidos como composições abstratas deliberadas, dispostas com a clareza de um desenho de Kandinsky. Em outra, parecem menos resolvidos, como se testassem os limites de uma linguagem espacial ainda em formação. Suas formas muitas vezes parecem suspensas entre a certeza e a experimentação: o mesmo monumento pode ser interpretado tanto como um objeto geométrico controlado quanto como uma busca em aberto sobre como a memória coletiva poderia habitar o espaço. Contudo, essas leituras coexistem e conferem a muitas dessas obras sua duradoura ambiguidade.

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Arquitetura e ideologia: como os sistemas políticos moldaram o design do século XX

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A arquitetura é frequentemente apresentada como a expressão visível de seu tempo, de seus desejos, de sua fé no progresso, de sua ideia de ordem. No entanto, essa leitura tende a achatar as condições sob as quais as edificações são produzidas. Ela sugere que a arquitetura simplesmente acompanha a história quando, em muitos casos, participa ativamente dela. Poucos períodos tornam isso tão evidente quanto o século XX, quando a arquitetura se viu profundamente imbricada com programas políticos, sistemas econômicos e visões conflitantes sobre como a vida coletiva deveria ser organizada.

O que costuma ser agrupado sob o rótulo de Modernismo é frequentemente descrito como um projeto coerente, definido pela clareza formal, pelo otimismo tecnológico e pela ruptura com os estilos históricos. Contudo, essa aparente coerência se dissolve quando olhamos para além de seus centros canônicos. Os mesmos princípios espaciais (padronização, zoneamento funcional, produção industrial) foram adotados em contextos políticos e econômicos que diferiam significativamente em suas estruturas e objetivos. Um movimento aparentemente estático desdobrou-se em um sistema flexível, continuamente reorientado de acordo com as prioridades de cada regime. O que parecia uma linguagem compartilhada era, na prática, um conjunto de ferramentas aplicadas a agendas distintas.

Guia de Arquitetura de Baku: 15 projetos que redefinem a capital do Azerbaijão

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Algumas cidades crescem pela continuidade; outras se constroem em momentos de aceleração. Baku, no Azerbaijão, parece situar-se em algum ponto intermediário. Seu núcleo histórico, o Icherisheher, ainda mantém uma lógica espacial que resiste à expansão: denso, fechado, definido pela proximidade e pela repetição. No entanto, logo além de suas muralhas, a cidade começa a se transformar. A escala aumenta, as distâncias se ampliam e a relação entre os edifícios passa a se basear menos na continuidade e mais na visibilidade.

Nas últimas duas décadas, Baku tem sido palco de um esforço deliberado para construir uma imagem de si mesma. A riqueza do petróleo forneceu os meios, mas a arquitetura tornou-se uma de suas principais ferramentas. Projetos como o Centro Heydar Aliyev, do escritório Zaha Hadid Architects, ou as Flame Towers são símbolos dessa transformação, com formas projetadas para circular tanto nos meios de comunicação quanto na própria cidade. Trata-se de objetos precisos, controlados e extremamente bem resolvidos. Contudo, eles também introduzem uma lógica urbana distinta, que privilegia a singularidade em detrimento da continuidade e posiciona a arquitetura como um agente de representação.

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Guia de Arquitetura de Tirana: Negociando a identidade entre o socialismo e a reinvenção urbana

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Situada na interseção entre as paisagens do Adriático e a geopolítica dos Bálcãs, Tirana passou por uma das transformações urbanas mais aceleradas da Europa nas últimas três décadas. Outrora definida por um rígido planejamento socialista e pelo isolamento político, a cidade se reorientou progressivamente por meio de uma combinação de crescimento informal, investimento internacional e intervenções urbanas estratégicas que buscam redefinir sua imagem pública e estrutura espacial.

Desde o início dos anos 2000, uma série de políticas públicas urbanas, notadamente aquelas iniciadas durante o mandato de Edi Rama como prefeito (atual primeiro-ministro da Albânia), promoveu o uso da cor, do espaço público e da experimentação arquitetônica como ferramentas de reativação cívica. Em vez de depender exclusivamente de planos diretores, o desenvolvimento de Tirana tem se operado por meio de intervenções, nas quais edifícios individuais e espaços públicos funcionam como catalisadores em um tecido urbano fragmentado.

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Guia de Arquitetura de Nápoles: 15 projetos de história, densidade e continuidade

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Situada à beira do Mediterrâneo e moldada por séculos de ocupação contínua, Nápoles é uma cidade onde a arquitetura é indissociável do tempo. Camadas de fundações gregas, infraestruturas romanas, igrejas medievais, palácios barrocos e intervenções modernas coexistem em uma malha urbana densa e compacta. Nápoles revela-se como um acúmulo de estruturas, adaptações e reutilizações, onde os edifícios raramente são objetos isolados, mas sim partes de um sistema espacial, social e histórico mais amplo.

A arquitetura da cidade está profundamente ligada à sua geografia e à sua cultura construtiva. Construída entre o mar e o terreno vulcânico, Nápoles desenvolveu-se verticalmente e voltada para dentro, valendo-se de pátios, ruas estreitas e grossas paredes de alvenaria para mediar a luz, o clima e a circulação. Espaços subterrâneos, cisternas romanas reaproveitadas e estruturas escavadas no tufo estendem a cidade sob o solo, criando uma dimensão arquitetônica paralela que dá suporte à vida cotidiana na superfície.

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Desenterrando o Solo: Arquitetura e a Política do Petróleo

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Sob o solo encontra-se um material que, silenciosamente, moldou a arquitetura do mundo moderno. O petróleo raramente é debatido no discurso arquitetônico; no entanto, a extração, a circulação e o consumo desse recurso reorganizaram profundamente a lógica espacial dos territórios. Oleodutos, refinarias, plataformas de perfuração, portos, rodovias e complexos petroquímicos formam uma vasta paisagem de infraestrutura que sustenta a vida contemporânea, compondo uma arquitetura de energia dispersa.

Ao longo dos séculos XX e XXI, o petróleo tornou-se a base material da sociedade industrial. Ele abasteceu os transportes, alimentou fábricas e sustentou o crescimento de cidades cuja organização espacial dependia de fluxos contínuos de energia. Contudo, as infraestruturas que viabilizam esses fluxos raramente se tornam objetos de investigação arquitetônica. A atenção permanece amplamente direcionada para a forma, a tipologia ou a densidade urbana, enquanto os sistemas materiais que sustentam esses ambientes tendem a ser deslocados no âmbito da disciplina.

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O futuro das cidades inteligentes: como as tecnologias digitais estão transformando a vida urbana em Barcelona e Dublin

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À medida que o mundo testemunha um êxodo sem precedentes das áreas rurais para as urbanas, as cidades enfrentam um desafio monumental: como acomodar uma população em constante crescimento? Esse fenômeno, caracterizado pelo rápido crescimento populacional e pelo aumento da densidade, pressiona recursos, infraestruturas e serviços urbanos. Diante de problemas complexos que exigem soluções ainda maiores, torna-se mais necessário do que nunca repensar as ferramentas à nossa disposição. Nesse contexto desafiador, o surgimento de tecnologias emergentes como a Internet das Coisas (IoT), a análise de dados e a inteligência artificial (IA) apresenta-se como uma luz no fim do túnel. Essas tecnologias, inicialmente concebidas para simplificar tarefas cotidianas e facilitar a comunicação, constituem instrumentos potenciais para viabilizar respostas eficazes aos desafios urbanos contemporâneos.

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Projetando para dois mundos: como a exploração espacial está moldando o futuro da arquitetura na Terra

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A exploração espacial não é apenas um testemunho da ambição humana ou uma busca por novos territórios e recursos. Nossas incursões além da atmosfera terrestre são movidas por um propósito mais profundo: compreender melhor nosso lugar no cosmos e desenvolver inovações pioneiras capazes de transformar a vida em nosso próprio planeta.

Ainda que as viagens além do nosso planeta mexam com a imaginação, o verdadeiro impacto da exploração espacial pode ser sentido muito mais perto de nós. A opinião pública costuma encarar a exploração espacial como um esforço distante, com pouca relevância para os desafios terrestres. No entanto, essa perspectiva desconsidera as contribuições substanciais dos programas espaciais para o nosso mundo. Ao impulsionar a inovação tecnológica, expandir nosso conhecimento científico e inspirar futuras gerações, a exploração espacial tem se mostrado um catalisador inestimável para enfrentar questões globais.

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De fábricas a futuros: reuso adaptativo na cidade pós-industrial

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Em cidades de todo o mundo, as relíquias da produção industrial tornaram-se laboratórios de uma nova condição urbana. Galpões, usinas e estaleiros, outrora símbolos do trabalho e do progresso, hoje se erguem como vastas cascas vazias, à espera de serem reimaginados. Em vez de apagar essas estruturas, arquitetos e arquitetas estão encontrando maneiras criativas de adaptá-las às necessidades contemporâneas, transformando espaços de manufatura em locais de cultura, educação e vida comunitária.

Essa mudança reflete uma transformação mais ampla nas prioridades arquitetônicas: construir menos e reutilizar mais. A prática do reuso adaptativo responde simultaneamente à urgência ambiental e à necessidade de continuidade cultural nos ambientes urbanos.

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Além da Forma: Como Luz e Sombra Definem a Atmosfera Arquitetônica

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A arquitetura é frequentemente definida por sua forma física, materiais e elementos estruturais, mas são a luz e a sombra que realmente moldam a experiência do espaço. Esses elementos influenciam a percepção, guiam o movimento e evocam respostas emocionais, transformando estruturas estáticas em ambientes dinâmicos. Ao longo da história, arquitetos e arquitetas têm explorado o jogo entre luz e sombra, utilizando-o como uma ferramenta de projeto fundamental para criar atmosfera e significado.

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Desdobrando a privacidade: centralizando a casa em torno do pátio

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As casas-pátio representam uma das tipologias arquitetônicas mais perenes, sintetizando a dualidade entre abertura e reclusão ao mesmo tempo em que promovem uma profunda conexão com a natureza. Embora o termo também seja utilizado no mercado imobiliário norte-americano contemporâneo para descrever residências térreas de baixa manutenção em lotes pequenos, seu significado arquitetônico clássico refere-se a um projeto introvertido, organizado em torno de um pátio central privado. É essa forma tradicional, tema deste artigo, que remonta a milhares de anos. As casas-pátio surgiram de forma independente em várias regiões do mundo, respondendo universalmente a necessidades humanas fundamentais: privacidade, adaptabilidade climática e coerência espacial. Apesar das diversas expressões geográficas e culturais, os princípios fundamentais de introversão, abertura controlada e sensibilidade ambiental permanecem notavelmente consistentes ao longo da evolução dessa tipologia.

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Escavando o Solo: Arquitetura e a Política do Subterrâneo

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Sob a superfície visível das cidades jaz uma arquitetura invisível. Metrôs, túneis, sistemas de água, cabos de dados e bunkers formam uma rede densa que sustenta a vida urbana enquanto permanece, em grande parte, invisível. O solo sob nossos pés não é um vazio, mas um território complexo que abriga as infraestruturas, memórias e ansiedades de nossa época. Nos últimos anos, à medida que a terra se torna escassa e as pressões climáticas se intensificam, arquitetos/as e urbanistas voltaram seus olhares para baixo, redescobrindo o subterrâneo como uma fronteira tanto física quanto conceitual. Projetar no subsolo significa engajar-se com os mecanismos invisíveis que moldam o mundo acima.

O subterrâneo há muito tempo é um espaço de interseção entre arquitetura, política, tecnologia e crença. Das catacumbas de Roma aos metrôs industriais da modernidade, o ato de descer simboliza tanto a proteção quanto a exposição. O urbanismo do século XX transformou esse gesto em sistema: metrôs, abrigos e serviços públicos redefiniram o corte urbano como um instrumento de governança. Sob a promessa de eficiência e progresso, o subsolo absorveu as ansiedades de uma era de guerra, vigilância e colapso. Sua evolução revela não apenas como as sociedades constroem, mas também como temem.

Hoje, o solo se tornou a nova fronteira da expansão urbana e da adaptação ecológica. À medida que infraestruturas digitais, sistemas de energia e amortecedores climáticos migram para baixo do nível do solo, a arquitetura confronta um espaço que é ao mesmo tempo técnico e metafísico — essencial, porém marginal; invisível, porém decisivo. Pensar em cortes, e não em planta, é reconhecer que as cidades contemporâneas não existem mais apenas em suas silhuetas, mas também em suas profundezas. O desafio para a arquitetura não é apenas ocupar esse espaço, mas torná-lo legível, transformar o invisível em conhecimento e o oculto em um novo território de projeto.

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