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Represado entre a escassez de energia e de água: a Grande Barragem do Renascimento Etíope e o Nilo

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Toda grande barragem divide tanto quanto une, e a Grande Barragem do Renascimento Etíope não é exceção. Um feito monumental de arquitetura e engenharia, esta megabarragem uniu a todos, para o bem ou para o mal, no questionamento sobre quem tem o direito de declarar soberania sobre as riquezas do rio — seja a água ou a energia motriz — e no desafio aos tratados do Nilo da era colonial.

Inaugurada em setembro de 2025, a Grande Barragem do Renascimento Etíope, ou GERD (na sigla em inglês), é uma imponente estrutura de concreto no Nilo Azul, no oeste da Etiópia, na região de Benishangul-Gumuz, a apenas 30 quilômetros rio acima e a leste da fronteira com o Sudão. Construída para ser uma das maiores fontes de energia hidrelétrica do mundo — figurando consistentemente entre as 3 e 30 maiores globalmente —, a obra simboliza a soberania nacional da Etiópia, sua ascensão rumo ao desenvolvimento econômico exponencial e sua autodeterminação tecnológica. Diante disso, por que ela se tornou o centro de uma longa disputa sobre segurança hídrica regional e direito internacional entre Etiópia, Sudão e Egito?

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Transbordamento planejado: como Singapura equilibra inundações, canais e espaço público

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No Bishan–Ang Mo Kio Park, em Singapura, o rio não ocupa um limite fixo. Em condições normais, a água corre por um canal naturalizado ladeado por gramados, vegetação e caminhos que aproximam os/as visitantes do rio. Durante chuvas intensas, a água se espalha pelo parque ao redor, projetado para acomodar fluxos que excedem a capacidade do canal mais estreito. O que parece ser uma paisagem pública funciona também como infraestrutura ativa. A abordagem de Singapura mantém a engenharia de drenagem, ao mesmo tempo em que atribui um papel mais amplo ao território circundante.

Durante décadas, a rede de canais de concreto de Singapura foi fundamental para a gestão de águas pluviais em uma cidade densamente desenvolvida e exposta a intensas chuvas tropicais. Suas superfícies rígidas e canais definidos foram projetados para escoar a água de forma eficiente. Embora esses canais movessem as águas pluviais com eficácia, ofereciam espaço limitado para acesso público, vegetação ou outros usos ao longo das margens. Por meio de seu Programa Águas Ativas, Belas e Limpas (ABC Waters), lançado em 2006, Singapura começou a integrar as vias navegáveis a parques, sistemas ecológicos e espaços públicos. O programa vincula a gestão de águas pluviais ao desenho de parques, canais e espaços públicos.

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Construindo a vista: 4 casas brasileiras que emolduram o mar

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Ao longo da história, as pessoas têm buscado formas de ver o mundo. Na pintura renascentista, a perspectiva linear tornou esse impulso explícito ao transformar a tela em uma janela, organizando a profundidade a partir de um ponto de vista fixo. Em seu tratado De Pictura (1435), Leon Battista Alberti descreveu a pintura como uma janela aberta para aquilo que se deseja representar. A paisagem, nesse sentido, deixou de ser meramente o que estava diante dos olhos e passou a ser uma construção visual, uma realidade selecionada e organizada pelo olhar.

A arquitetura opera de maneira muito semelhante. Uma janela determina o que pode ser visto, de onde é visto e, consequentemente, o que passa a fazer parte da experiência cotidiana. Essa questão foi central para a arquitetura moderna e encontrou um de seus debates mais emblemáticos na década de 1920.

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Como as escolhas de materiais moldam as adições contemporâneas em edifícios históricos

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A ampliação vertical de um edifício histórico apresenta um desafio que vai além da criação de espaço adicional: como uma intervenção contemporânea pode dialogar com o caráter de uma estrutura existente? A escolha dos materiais desempenha um papel fundamental no estabelecimento de uma relação entre diferentes períodos construtivos, seja com o objetivo de complementar o edifício existente ou de criar uma expressão arquitetônica mais distinta. A Residência LH em Varna, na Bulgária, projetada pelo escritório STARH, exemplifica como o fibrocimento pode articular a relação entre uma ampliação contemporânea e uma preexistência histórica. Por ser um material composto por cimento, água, fibras de reforço e outros aditivos, o fibrocimento alia uma relativa leveza a altos índices de resistência e durabilidade. Sua variedade de cores, texturas, dimensões de painéis e métodos de instalação oferece a profissionais de arquitetura diversas possibilidades para o desenvolvimento de envoltórias de edifícios contemporâneos que dialoguem com seu contexto histórico. Soluções como os painéis de fibrocimento da Swisspearl oferecem variações de acabamento superficial que viabilizam essa abordagem.

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Aprendendo com o capitalismo: como a arquitetura pós-moderna se tornou a linguagem dos negócios americanos

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Em 1972, Robert Venturi, Denise Scott Brown e Steven Izenour publicaram Learning from Las Vegas, desafiando arquitetos e arquitetas a reconsiderarem a paisagem comercial subestimada e amplamente negligenciada nos Estados Unidos. A célebre distinção proposta por eles entre o "pato" (um edifício cuja forma comunica seu significado) e o "galpão decorado" (uma estrutura comum cuja identidade é transmitida por meio de signos e símbolos) questionou o pressuposto modernista amplamente aceito de que a expressão arquitetônica deveria emergir da forma e da função. Ao examinar outdoors, luzes de neon, cassinos e as avenidas comerciais de Las Vegas, os autores e a autora argumentaram que a arquitetura deveria estudar as linguagens visuais da cultura de consumo americana.

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Os olhos da rua: o conceito de Jane Jacobs e a arquitetura residencial contemporânea no Brasil

O conceito de "olhos da rua" talvez seja o mais famoso dentro da literatura arquitetônica e urbanística quando o assunto é segurança urbana. Jane Jacobs utiliza essa expressão para se referir às pessoas que – de forma consciente ou inconsciente – utilizam os espaços públicos ou os contemplam desde suas casas, gerando uma vigilância natural. Um movimento que, no âmbito da nossa disciplina, é fomentando tanto por meio de espaços públicos de qualidade quanto pela potente relação entre o público e o privado criada através das fachadas das edificações. Defendendo esse controle cotidiano, Jacobs acredita em um modo de fazer arquitetura e cidades que condena a verticalização em excesso, reforçada por edifícios isolados e de uso único os quais negam o contato com rua.

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Andaimes como arquitetura de interiores: a longevidade das estruturas temporárias

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O andaime é, talvez, uma das estruturas temporárias mais familiares da arquitetura. Ele acompanha os edifícios durante as etapas de construção, manutenção e reforma, apenas para desaparecer assim que seu trabalho é concluído. No entanto, sua aparente impermanência esconde um tipo diferente de longevidade. Os sistemas de andaimes são projetados para serem montados, desmontados, transportados e reutilizados, com componentes padronizados robustos o suficiente para suportar o manuseio repetido e as condições variáveis do canteiro de obras. Seu caráter temporário reside menos no material em si do que na duração de cada montagem.

Essa lógica não é estranha ao design de mobiliário. O Sistema de Prateleiras Universal 606 de Dieter Rams, projetado para a Vitsœ em 1960, estabeleceu uma abordagem modular na qual prateleiras, armários e outros componentes podiam ser rearranjados, expandidos ou transportados conforme as circunstâncias mudavam. De maneira semelhante, os sistemas de armazenamento modulares da IKEA popularizaram e demonstraram como o mobiliário pode ser compreendido como uma coleção de peças intercambiáveis, em vez de um objeto único e acabado. Embora difiram em termos de material e vida útil pretendida, esses sistemas compartilham um princípio importante: a longevidade pode ser alcançada por meio da adaptabilidade, e não da permanência do arranjo.

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Dois projetos em Paris vencem o Prêmio Europeu de Habitação Coletiva

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Em um cenário no qual as cidades enfrentam dificuldades para oferecer moradia adequada e acessível, a análise de exemplos construídos de habitação coletiva pode ajudar a embasar decisões sobre o que construir e de que forma. Esses projetos proporcionam a oportunidade de avaliar soluções, compreender suas limitações e considerar o que pode ser aplicado em outros contextos. Em Paris, dois exemplos recentes combinam apartamentos de diferentes tamanhos com acesso a jardins, pátios e outros espaços ao ar livre, aproveitando estruturas preexistentes.

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Pavilhões como posicionamentos: 6 propostas não construídas da comunidade ArchDaily

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Na arquitetura, a palavra "pavilhão" pode descrever uma variedade infinita de estruturas. Pode ser definido como um princípio e uma tipologia, uma estrutura autônoma, uma intervenção temporária, um ponto de encontro na cidade ou um espaço de experimentação. É essa última qualidade que une os seis projetos não construídos apresentados aqui, todos concebidos e enviados por leitores e leitoras do ArchDaily. Nesses trabalhos, a definição reside em suas qualidades escultóricas e na exploração formal, enquanto sua permanência e localização variam de acordo com o propósito de cada estrutura. As propostas também demonstram outra qualidade inerente ao pavilhão: a intenção de representar simbolicamente um posicionamento. Assim, a investigação de formas e materiais reflete uma busca por noções de limite, deslumbramento ou por um futuro compartilhado.

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Restaurando as vistas na Casa Corwin de Neutra com Sky-Frame

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A cerca de uma hora de carro de Nova York, a Corwin House localiza-se em uma região de floresta montanhosa acima do rio Saugatuck. Concluída por Richard Neutra em 1956, é uma das apenas três casas que o arquiteto projetou em Connecticut. O designer de arquitetura Aziz Osko atualizou a residência, revisitando detalhes do projeto original de Neutra que nunca haviam sido executados.

A encomenda do projeto começou quando Betty e Henry Corwin perguntaram a Neutra se ele poderia recomendar um/a arquiteto/a da Costa Leste que trabalhasse em um estilo semelhante. Neutra ficou tão encantado com o terreno arborizado acima do rio que acabou assumindo o projeto ele mesmo.

Como a Seaside House explora a relação entre o tijolo, a madeira e a paisagem costeira

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O tijolo e a madeira podem estabelecer um diálogo entre a permanência arquitetônica e as texturas das paisagens litorâneas. Em Höllviken, na costa sul da Suécia, a Seaside House, projetada pelo escritório Koistinen Hellborg Architects, explora como a materialidade, a luz e a organização espacial podem moldar uma residência em estreita relação com seu entorno natural. Situada em meio a um terreno arenoso, arbustos, musgo e pinheiros, a poucos passos do mar, a casa responde a uma paisagem marcada por variações cromáticas sutis, mudanças sazonais e uma forte conexão com o exterior.

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Casas pequenas no Uruguai: como três escritórios constroem com leveza em terrenos rurais e litorâneos

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No Uruguai, projetos residenciais de pequena escala ocupam cada vez mais as paisagens rurais e costeiras, das colinas de Villa Serrana às florestas marítimas ao longo da costa atlântica. Construir nessas áreas costuma exigir materiais estruturais que equilibrem durabilidade, eficiência térmica e viabilidade de transporte. Diante disso, os projetos nesses ambientes dependem significativamente de materiais como estrutura de madeira engenheirada, perfis estruturais de aço, revestimento externo de madeira ou fabricação offsite. Essas escolhas de projeto não apenas ajudam a reduzir o peso das matérias-primas que devem ser transportadas por vias de acesso não pavimentadas, mas também tornam a construção mais viável em locais remotos. Além disso, o contexto dos projetos desta seleção parece ter desempenhado um papel limitador em relação às áreas construídas, mantidas em 60 m² ou menos para reduzir a demanda por materiais estruturais e o impacto no terreno.

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Abrindo espaço para o descanso em interiores residenciais

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O bem-estar não está mais restrito a resorts exclusivos, spas ou ambientes de hotelaria. Hoje, tornou-se parte essencial do viver contemporâneo, inspirando moradores/as a criarem espaços privados dedicados ao relaxamento e ao autocuidado. Coleções como a Home Spa Collection da LEMI exploram esse crescente interesse pelo bem-estar residencial por meio de uma seleção de macas de massagem e espreguiçadeiras de relaxamento.

Rebeldia Criativa: Design, Conhecimento e Experimentação no interihotel MAD26

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De 17 a 19 de novembro de 2026, o interihotel MAD26 reunirá arquitetos/as, designers de interiores, operadores/as de hotelaria e marcas especializadas no IFEMA Madrid. Organizado pelo AMBIT Living Spaces Cluster, o evento deve receber mais de 14.000 profissionais, 350 marcas expositoras e mais de 200 palestrantes internacionais. Sob o tema Creative Rebellion, a programação combinará palestras, workshops, cinco fóruns especializados e espaços experimentais em escala real para explorar novas abordagens no design de hotéis e restaurantes.

O que se acumula? Lições sobre materialidade, memória e espaço público da Amman Design Week 2026

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Após uma pausa de sete anos, a Amman Design Week retornou à Jordânia com uma premissa intimamente ligada à própria cidade: a de que nada é totalmente novo. Sob o tema "Acúmulos" (Accumulations), a quarta edição do evento bienal reuniu mais de 220 designers, criadores/as, arquitetos/as e coletivos em exposições, intervenções públicas, palestras, oficinas e performances de 2 a 17 de outubro. Essa premissa mostrou-se particularmente relevante para Amã, uma cidade cuja arquitetura foi moldada por ondas de construção, migração, adaptação e reutilização — onde o acúmulo não é mera metáfora.

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Do ocultamento à presença cívica: como as estações de tratamento de esgoto entraram na cidade

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Quando o principal sistema de drenagem de Londres foi concluído ao norte do Tâmisa em 1868, o Metropolitan Board of Works celebrou a ocasião com um banquete realizado no interior de uma estação de bombeamento de esgoto. A estação de Abbey Mills havia sido construída nos três anos anteriores pelo engenheiro Joseph Bazalgette, em colaboração com o arquiteto Charles Driver, organizada sob uma planta cruciforme com oito motores de viga, dois em cada braço. Seu estilo já foi interpretado como bizantino, medieval italiano, russo, gótico ruskiniano e mourisco, e suas chaminés de ventilação gêmeas, ricamente ornamentadas, erguiam-se a mais de sessenta metros de altura. O construtor a definiu como uma estrutura elegante em meio a um pântano e considerou que ela poderia facilmente passar por uma mesquita ou um templo.

Praticamente todas as outras obras de Bazalgette foram enterradas, e essa exceção não durou mais que um século. O vapor deu lugar a motores elétricos em Abbey Mills em 1933 e as chaminés, tornadas obsoletas desde então, foram demolidas em 1941 por temor de que um bombardeio as derrubasse sobre a estação. A engenharia sanitária consolidou-se em torno de critérios mensuráveis — tais como capacidade de vazão, qualidade do efluente e gradiente hidráulico —, e a aparência estética não figurava em nenhum deles. O tratamento de resíduos migrou para as planícies aluviais, estuários e periferias urbanas, locais onde a terra era barata e a gravidade exercia um papel funcional útil.

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“A arquitetura deve retornar à sua essência”: Wang Shu e Lu Wenyu sobre a Bienal de Arquitetura de Veneza 2027

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"A arquitetura precisa retornar à sua essência." Com esta afirmação, Wang Shu e Lu Wenyu estabelecem a premissa central de sua visão curatorial para a 20ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que ocorrerá de 8 de maio a 21 de novembro de 2027, no Giardini, no Arsenale e por toda a cidade de Veneza. Intitulada "Do Architecture – For the Possibility of Coexistence Facing a Real Reality", a exposição convoca um retorno ao ato físico de fazer arquitetura, em um momento no qual, segundo a curadoria, a disciplina tem se distanciado cada vez mais da realidade vivida devido ao excesso de abstração, mercantilização e digitalização.

Em vez de focar no que a arquitetura pode vir a ser, os curadores propõem um engajamento renovado com o presente, questionando o que significa praticar a arquitetura hoje por meio de materiais, construção, saberes locais e experiência direta. Essa abordagem se baseia em ideias que há muito fundamentam o trabalho do Amateur Architecture Studio, fundado por Wang Shu e Lu Wenyu em 1997, sobretudo na exploração de técnicas tradicionais de construção, no reuso de materiais e na relação entre a arquitetura e o lugar. A exposição também coloca a questão da coexistência no centro dos debates, explorando como a arquitetura pode conciliar condições aparentemente opostas, da tecnologia ao artesanato, de modos de construir urbanos a rurais, mantendo-se fundamentada nas realidades específicas de cada lugar.

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Solo Herdado: Projetar Casas em Terrenos Contaminados

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A atividade industrial pode cessar muito antes de seus efeitos desaparecerem do território. Fábricas fecham, edifícios são demolidos e antigos distritos industriais tornam-se, gradualmente, parte de novos empreendimentos residenciais. No entanto, o solo sob eles ainda pode conter vestígios de seu uso anterior, exigindo, por vezes, intervenções complexas antes que a construção possa ser iniciada.

A requalificação dessas áreas levanta um questionamento sobre quanto do solo original pode ser mantido e o que é necessário para construir habitações sobre ele. A extensão da contaminação determina as ações necessárias antes do início das obras, ao passo que o custo de preparação do terreno pode influenciar o próprio empreendimento. Grande parte desse trabalho acaba desaparecendo sob as edificações concluídas, deixando poucos indícios da condição anterior do local.

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De quanta informação um modelo BIM realmente precisa?

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O BIM (Building Information Modeling) tornou possível associar uma enorme quantidade de informações a cada elemento de um projeto. Uma parede pode conter sua classe de resistência ao fogo e seu grupo de custos e, mais tarde, até mesmo as informações de manutenção de que o/a gestor/a predial precisará. Essa possibilidade gera uma tentação: se o modelo pode conter mais dados, ele deve conter. Nesse processo, uma questão importante de eficiência pode se perder: o projeto realmente precisa dessas informações, e precisa delas agora?

Para arquitetos/as, o BIM é frequentemente descrito como uma "única fonte de verdade". No entanto, cada propriedade adicional gera mais trabalho, coordenação e manutenção, e as informações inseridas precocemente ou sem um propósito claro podem se tornar obsoletas rapidamente. O que importa é ter a informação certa para as decisões que estão sendo tomadas em cada etapa do projeto. O escritório KUBUS360, sediado em Stuttgart, colocou essa questão no centro de seu trabalho em um complexo administrativo em Baden-Württemberg (Alemanha).

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Obter mais com menos: repensando a estrutura por meio da forma

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O que acontece quando a estrutura não é tratada como um elemento adicionado à arquitetura, mas como algo que a própria arquitetura fornece? 

Ao longo da história da arquitetura, a forma sempre forneceu estrutura. Arcos, treliças e outras geometrias estruturais utilizavam a disposição dos materiais para obter resistência, muitas vezes permitindo que elementos individuais desempenhassem múltiplas funções. Hoje, no entanto, os envelopes de edifícios frequentemente dependem de uma hierarquia de elementos isolados: uma estrutura primária suporta as cargas, apoios secundários mantêm os painéis no lugar, suportes conectam as peças e camadas adicionais fornecem fechamento ou acabamento. Juntos, esses componentes exigem mais material, peso, etapas de fabricação e coordenação no canteiro de obras. 

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O manguezal como muralha: proteção costeira e desenvolvimento urbano na Índia

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Ao longo da costa da Índia, a fronteira entre a terra e o mar nem sempre é uma linha de concreto. Em alguns trechos, ela se revela como uma floresta de raízes emaranhadas, canais de maré e sedimentos — uma paisagem que muda de caráter conforme o fluxo das águas. Os manguezais influenciam o movimento das águas, a evolução das linhas de costa e a forma como as comunidades litorâneas vivenciam o risco de inundação. Seu papel na proteção costeira depende da largura e das condições da floresta, do movimento das marés e do acúmulo de sedimentos.

Quebra-mares e diques são projetados para resistir à água em um limite definido. Os manguezais, por sua vez, funcionam por meio de um conjunto diferente de processos. Suas raízes, troncos e galhos criam resistência à água em movimento, enquanto a floresta interage com os sedimentos e os fluxos das marés ao longo do tempo. Embora essas duas formas de proteção sejam frequentemente discutidas de maneira isolada, nas costas habitadas elas ocupam o mesmo território. A expansão urbana ocorre atrás de diques, estradas cruzam paisagens de maré e as florestas de mangue persistem nos espaços que restam entre a infraestrutura e a água. A forma como esses elementos estão dispostos pode influenciar as condições sob as quais a proteção costeira opera.

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Do Papel ao Espaço: A Matéria como Arquitetura Sensorial

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Selecionar um material durante o processo projetual envolve mais do que definir uma aparência. Seu comportamento em resposta à luz, ao som, ao toque e à passagem do tempo pode transformar a maneira como um espaço é percebido e utilizado. Paralelamente, fatores como durabilidade, resistência, reciclabilidade e o impacto ambiental associado à sua produção introduzem novas variáveis na tomada de decisões na arquitetura. Para Stephanie Forsythe e Todd MacAllen, cofundadores do estúdio de design e produção molo, com sede em Vancouver, essas considerações levaram a uma exploração do papel e de seu potencial para moldar espaços flexíveis e sensoriais.

Capturando a neblina: como a arquitetura coleta água do ar

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Onde rios, reservatórios e o regime de chuvas já não oferecem um abastecimento confiável, a busca por água volta-se cada vez mais para a atmosfera. Neblina, umidade atmosférica e condensação oferecem caminhos distintos para essa captação. À medida que a arquitetura passa a extrair água do ar, superfícies, estruturas e espaços abertos integram-se ao sistema hídrico.

De acordo com o UNICEF, a Estratégia Nacional de Água da Jordânia estima que a disponibilidade anual de água renovável seja de apenas 61 metros cúbicos por habitante — patamar muito aquém dos 500 metros cúbicos usualmente adotados como limite para a escassez absoluta de água. Cerca de metade da população local recebe água encanada apenas uma vez por semana, ao passo que os aquíferos subterrâneos são explorados em um ritmo mais acelerado do que sua capacidade natural de recarga.

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Bunkers e arcas: escapando do futuro que nós mesmos construímos

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Invertendo a narrativa convencional, esta história começa pelo fim: o dia seguinte ao colapso do mundo. Enquanto quase toda a população luta para sobreviver a chamas e tempestades solares, uma fração ínfima é recebida por um guarda fortemente armado na entrada do Survival Condo Project, um antigo silo de mísseis no Kansas convertido há alguns anos em apartamentos de luxo.

Esqueça, portanto, a figura do eremita que estoca comida enlatada no porão ou o profeta do fim dos tempos. Nos últimos anos, o sobrevivencialismo expandiu-se para círculos mais abastados, criando raízes no Vale do Silício entre profissionais de tecnologia de nível executivo e da gestão de fundos de hedge. O que antes poderia ser visto meramente como excentricidade tornou-se também uma forma de pensar o futuro e, para algumas pessoas, uma oportunidade de investimento.

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