Panorama ao pôr do sol de um grande condomínio fechado residencial (Aparna’s Elixir) visto das colinas de Khajaguda, Índia. Foto de iMahesh. Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional
Aprende-se a se comportar muito antes de chegar em casa. No portão, você desacelera e aguarda. Sob vigilância, recebe autorização para passar. Um crachá é verificado, uma cancela se eleva, uma câmera pisca. Nada de dramático acontece, e esse é precisamente o objetivo. O impacto mais profundo dos condomínios fechados não é provocado por seus muros, mas sim pela coreografia de acesso que, silenciosamente, ensina a quem ali habita o que esperar, em quem confiar e a qual lugar pertence.
Das grandes coberturas e galerias industriais do século XIX aos átrios contemporâneos de museus e edifícios públicos, o vidro tem sido um material recorrente na configuração de espaços internos amplos e monumentais. Mais do que uma solução tecnológica ou de engenharia, esses planos horizontais envidraçados introduzem uma qualidade luminosa singular: a luz que vem de cima. Diferente da luz natural lateral que penetra pelas fachadas, a luz zenital distribui-se de forma mais uniforme, suaviza sombras marcadas e confere aos espaços uma sensação de continuidade e amplitude difícil de alcançar por outros meios.
Empoleirado sobre as falésias da Crimeia, o Sanatório Termal Druzhba assemelha-se menos a um edifício e mais a uma espaçonave que acabou de pousar. Suas formas circulares, deques suspensos e rampas em espiral evocam uma cena de Solaris (1972), de Andrei Tarkovsky, onde arquitetura e psicologia se fundem em uma única paisagem. Construído entre 1978 e 1985 por Igor Vasilevsky, o complexo foi concebido como um balneário termal para profissionais da indústria petrolífera, integrando a vasta rede de sanatórios da União Soviética dedicados à saúde e ao lazer.
Para além de sua função como local de recuperação, o Druzhba (cujo nome significa "amizade") personificava uma ambição política e estética mais ampla. O projeto buscava fundir a proeza tecnológica com os ideais restaurativos da modernidade socialista, traduzindo o bem-estar coletivo em forma concreta. Erguendo-se sobre uma encosta costeira íngreme com vista para o Mar Negro, sua estrutura maciça desafia a gravidade, sustentada por um núcleo central de concreto do qual se projetam alas radiais como as pás de uma enorme engrenagem. Visto à distância, o conjunto parece simultaneamente mecânico e orgânico, um híbrido entre infraestrutura e paisagem.
Mais um ano, mais uma edição de sucesso do ArchDaily China Building of the Year Awards! Mais uma vez, a premiação se consolida como o maior prêmio de arquitetura baseado na opinião do público. Por meio de uma escolha coletiva, os projetos mais relevantes do ano foram indicados e selecionados pelo nosso público leitor.
O 2026 China Building of the Year Awards acontece graças ao apoio da Dornbracht, marca reconhecida por seu design de ponta voltado à arquitetura, presente em cozinhas e banheiros de todo o mundo.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093833/vencedores-do-premio-archdaily-china-obra-do-ano-2026韩爽 - HAN Shuang
É uma tarde de verão, e a nave da Sagrada Família está saturada de cores quentes. Feixes de âmbar e carmesim varrem o piso de pedra, mudam de posição conforme uma nuvem passa sobre Barcelona e, em seguida, ganham intensidade novamente. Ao seu redor, os/as visitantes desaceleram o passo sem perceber. Alguns elevam seus celulares — não para registrar a arquitetura, mas para entrar na própria luz, posicionando-se sob uma projeção laranja ou dourada como se as cores fossem algo que pudessem vestir.
Estão, sem saber, fazendo exatamente o que Gaudí pretendia: entregando-se, ainda que por um breve instante, à sensação de serem banhados por algo maior do que si.
O potencial de edifícios existentes para moldar cidades e comunidades em constante transformação por meio do reuso e da adaptação é o foco central do HouseEurope! e de seu ativismo: enfrentar o desafio premente em grande parte da Europa, onde costuma ser mais fácil, barato e rápido demolir edifícios do que renová-los. Durante décadas, as políticas de construção, as práticas industriais e as dinâmicas de mercado favoreceram os novos empreendimentos, frequentemente subestimando a importância cultural, social e ambiental das estruturas existentes. Por seu trabalho em prol de uma mudança sistêmica na arquitetura, o HouseEurope! recebeu o Prêmio OBEL 2025 sob o tema "Ready Made". Em conversa com o ArchDaily, Alina Kolar e Olaf Grawert, integrantes do coletivo HouseEurope!, discutiram a abordagem da organização em relação à arquitetura, às políticas públicas e à ação coletiva. Operando como um laboratório de políticas públicas sem fins lucrativos, o HouseEurope! conecta a prática arquitetônica com a legislação, a pesquisa e a participação pública. Seu trabalho começa pela análise do que já existe, traduzindo essas reflexões em diretrizes práticas para legisladores/as e profissionais da área. Projetos de conversão como a renovação de 530 moradias pelo escritório Lacaton & Vassal exemplificam essa "pesquisa pela ação", mostrando como o reuso adaptativo pode ser viável e, ao mesmo tempo, um motor para mudanças sistêmicas com benefícios sociais e ecológicos. Como explica Grawert:
O que acontece quando se escolhe o reuso em vez da demolição? Em Østbirk, na Dinamarca, um antigo galpão de madeira de 30 anos foi transformado em um hub de inovação de referência internacional, com 14.000 metros quadrados, voltado para a equipe de quase 500 profissionais da VELUX. Este artigo explora como o projeto da LKR Innovation House desafia as práticas convencionais de construção, preserva o legado dos materiais e oferece lições práticas para profissionais de arquitetura que trabalham com estruturas existentes. Um novo livro documenta esse processo por meio de ensaios, entrevistas e fotografias.
Em Gabrovo, na Bulgária, o município convida arquitetos e arquitetas a projetar o Centro de Arte Contemporânea Christo e Jeanne-Claude, transformando, adaptando e modernizando a antiga Escola Técnica Têxtil e seu terreno adjacente. Com cofinanciamento da União Europeia, um orçamento definido, um júri de especialistas e uma estrutura em duas fases, este concurso reflete o próprio espírito da prática artística de Christo and Jeanne-Claude: uma criação artística audaciosa e acessível. Mais do que a encomenda de um edifício cultural, a iniciativa exige uma proposta projetual que compreenda o caráter específico de sua obra, agregando uma dimensão curatorial ao que, de outro modo, seria um simples projeto de reuso adaptativo.
Vencedor da Categoria Pequena Escala + Vencedor Estudantil: Architecture as Resilient Machine. Imagem cortesia de Buildner
Buildner lançou o Unbuilt Award 2026, a terceira edição de seu concurso anual, que oferece um prêmio total de € 100.000. Paralelamente, foram anunciados os resultados do Unbuilt Award 2025, marcando a segunda edição de uma série que celebra projetos de arquitetura ainda não realizados. A iniciativa oferece uma plataforma global para que arquitetos/as e designers apresentem seus projetos não construídos mais impactantes — sejam eles conceituais, publicados, inéditos ou totalmente desenvolvidos.
Em novembro de 2025, o ArchDaily lançou a primeira edição do seu Student Project Awards. A decisão de criar esta nova premiação surgiu de um sentimento de esperança; esperança nas próximas gerações de arquitetos/as, em seu talento e visão, e na importância de lhes dar visibilidade e reconhecimento. Afinal, o futuro da arquitetura está sendo moldado agora mesmo, em salas de aula, estúdios e oficinas por todo o mundo, e é fundamental apoiar quem o está moldando. A resposta foi extraordinária, com projetos enviados por estudantes de todos os continentes, demonstrando uma riqueza e amplitude de pontos de vista, soluções e visões.
Cinco meses após o lançamento da convocatória — e após o anúncio de uma lista longa de 104 projetos e de uma lista final de 20 semifinalistas —, nosso júri externo de arquitetos/as e profissionais do setor revisou cuidadosamente as propostas para selecionar os/as três vencedores/as e as quatro menções honrosas do ArchDaily Student Project Awards. Analisando cada proposta com cuidado, o júri olhou além dos resultados finais, concentrando-se nas ideias, questionamentos e posicionamentos que guiaram o trabalho. O resultado é uma seleção de projetos premiados que reflete tanto o espírito do prêmio quanto a mudança de prioridades que molda a arquitetura contemporânea.
A Heimtextil Colombia 2026 reúne uma oferta internacional e uma agenda de conhecimento que evidenciam o deslocamento de valor para as categorias de casa e hospitalidade, onde designers da Colômbia e de toda a América Latina estão expandindo seu DNA criativo para escalar a pirâmide, diversificar receitas e competir em mercados globais.
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Metais Dornbracht Madison para o Brenners Park-Hotel & Spa em Baden-Baden. Imagem cortesia de Dornbracht
Em projetos de reforma, a substituição costuma ser preferida em relação à restauração. Componentes antigos são removidos, novos produtos são especificados e os prazos são garantidos. Especialmente em projetos de hotelaria, nos quais interrupções são dispendiosas e as operações seguem cronogramas rígidos, a instalação de novas peças parece ser a solução mais confiável. É mais rápida, fácil de coordenar e se alinha aos fluxos de trabalho estabelecidos. A restauração, por outro lado, funciona de maneira diferente. Ela exige uma desmontagem cuidadosa em vez do descarte, avaliação em vez de substituição e confiança na qualidade do que já está lá. Trata-se de uma abordagem que introduz complexidade em um processo concebido para ser eficiente.
A recente renovação do Brenners Park-Hotel & Spa, em Baden-Baden, demonstra que, sob as circunstâncias corretas, esse esforço adicional pode se tornar uma estratégia arquitetônica deliberada para projetos semelhantes, sobretudo quando os materiais originais nunca foram concebidos para serem temporários.
E se as sobras industriais não fossem resíduos, mas o ponto de partida do projeto de arquitetura? Na sede da Rieder em Maishofen, na Áustria, mais de 1.300 metros cúbicos de madeira, 180 elementos de teto e centenas de fragmentos reciclados de concreto reforçado com fibra de vidro se unem em um edifício moldado tanto pelo reúso quanto pelo planejamento. O novo pavilhão de produção, projetado pelo escritório Kessler² Architecture, trata as sobras de materiais como recurso de projeto. Desenvolvido como parte de um investimento de longo prazo em manufatura sustentável, o edifício híbrido de madeira e concreto introduz uma técnica de fachada que inverte os fluxos de trabalho convencionais da arquitetura: em vez de projetar primeiro para depois produzir os componentes, o envelope do edifício é gerado a partir dos resquícios de materiais já disponíveis no local, estabelecendo uma nova linguagem para a arquitetura industrial.
A arquitetura frequentemente recorre à história de um lugar, traduzindo narrativas locais em formas, materiais e experiências espaciais contemporâneas. Localizado na estância termal de Bad Orb, perto de Frankfurt, o ALEA RESORT HIDEAWAY segue essa premissa, inspirando-se no histórico de extração de sal da região.
Projetado pelo escritório PLAJER + FRANZ, o projeto de hospitalidade de 5.200 m² faz referência à geometria dos cristais de sal por meio de sua linguagem arquitetônica, ao mesmo tempo em que utiliza soluções de iluminação da OLEV para moldar a atmosfera de seus espaços internos. Nesta entrevista, o arquiteto Alexander Plajer discute a relação do projeto com seu contexto, o processo de concepção e o papel da iluminação.
Ao compreender o brincar como um transformador social e fator de influência na definição do espaço público, a vida urbana se vê atravessada por múltiplos sujeitos de diferentes idades, culturas, ideologias, afinidades, classes e grupos sociais. Pensar em como o brincar habita as cidades é pensar em todas as gerações, e na necessidade de construir espaços públicos com equipamentos urbanos pensados para durar e se manter ao longo do tempo.
O desempenho das estruturas lúdicas convida a revisar as diferentes etapas de seu ciclo de vida, juntamente com o seu impacto na configuração do ambiente urbano. Analisar o ciclo de vida dos brinquedos urbanos implica conhecer desde os materiais, durabilidade e manutenção até o papel das certificações e das tecnologias aplicadas em seu processo de produção, visando ambientes mais conscientes de seu impacto ambiental.
Vencedor do Prêmio de Melhor Apresentação. Imagem cortesia de Buildner Unbuilt Award
Em um setor definido por códigos de obras, pela urgência climática e pelas pressões do mercado imobiliário, os concursos de arquitetura tornaram-se, de forma discreta, um dos espaços mais geradores da disciplina. Livres de orçamentos, clientes ou regulamentações municipais, as propostas enviadas a concursos permitem que arquitetos e arquitetas pensem no limite do que o ambiente construído poderia ser. Cada vez mais, esse trabalho especulativo é levado a sério como uma contribuição cultural e intelectual por si só. O Buildner's Unbuilt Award, atualmente em sua segunda edição, é uma dessas iniciativas, ao tratar o projeto não construído como uma plataforma para que profissionais de arquitetura e design compartilhem conceitos que desafiam fronteiras e inspiram possibilidades futuras. Desse modo, premiações como essa permitem que estudantes e profissionais da área apresentem ideias e visões que, mesmo sem serem executadas, refletem o espírito de exploração e engenhosidade na arquitetura.
Na capital do Irã, Teerã, o movimento define a cidade. Todos os dias, milhões de pessoas navegam por uma paisagem moldada por rodovias, corredores de tráfego e quadras urbanas densas. Ao longo de décadas de rápida expansão, a infraestrutura tornou-se a linguagem dominante do desenvolvimento. As ruas priorizam os veículos, as calçadas funcionam como canais estreitos de passagem e muitos espaços públicos operam principalmente como rotas de trânsito, e não como locais de encontro. Em partes da Ásia Ocidental, os conflitos contínuos também remodelaram as paisagens urbanas da região, onde ambientes arquitetônicos significativos foram danificados ou transformados. Nesse contexto mais amplo, a preservação e a criação de espaços cívicos cotidianos tornam-se cada vez mais significativas. Reconhecido com o Prêmio Aga Khan de Arquitetura, o projeto da Jahad Metro Plaza, assinado pelo escritório KA Architecture Studio, demonstra como intervenções infraestruturais modestas podem remodelar a vida cívica de uma cidade.
A rede de metrô desempenha um papel central no cotidiano de Teerã. Ela conecta distritos distantes e sustenta o ritmo da metrópole. No entanto, os pontos de encontro entre a cidade subterrânea e a superfície raramente são concebidos como ambientes cívicos. As entradas do metrô costumam se apresentar como fragmentos de infraestrutura: escadas que descem ao subsolo, cercadas por grades, quiosques e caminhos de circulação improvisados. Funcionam de maneira eficiente como portais de transição, mas raramente como espaços de permanência.
A cada três anos, o Congresso Mundial da União Internacional de Arquitetos (UIA) desembarca em uma cidade diferente, sob um tema definido com anos de antecedência. Um rápido mapeamento dessas cidades-sede revela um padrão deliberado: ao longo das décadas, a UIA escolheu intencionalmente locais diversos em todos os continentes, transformando cada edição em um retrato do que era prioritário naquele lugar específico, naquele exato momento. Como resultado dessa rotação geográfica, consolidou-se um rico caleidoscópio de debates que analisam a profissão sob múltiplos ângulos e a adaptam às transformações do tempo. No entanto, o ano de 2026 marca um ponto de inflexão; desta vez, a UIA repete uma cidade-sede pela primeira vez em sua história: Barcelona, com o tema "Tornar-se. Arquiteturas para um planeta em transição".
A história arquitetônica das cidades norte-americanas no século XX é frequentemente caracterizada pela busca da renovação urbana. Nos Estados Unidos, Boston, Portland e San Francisco são apenas alguns exemplos de momentos em que governos municipais priorizaram a infraestrutura viária de alta velocidade em detrimento do tecido urbano existente. No Canadá, Montreal teria seguido essa mesma trajetória não fosse a intervenção de diversas figuras ao longo de sua história, mais notavelmente Blanche Lemco van Ginkel (1923–2022). Planejadora e arquiteta formada em Harvard, ela, juntamente com seu marido Sandy Van Ginkel, defendeu a preservação do patrimônio urbano ao mesmo tempo em que aplicava os princípios da infraestrutura modernista.
Há dezoito anos, uma dupla de estudantes de arquitetura decidiu que tinha um projeto que valia a pena levar adiante. Não se tratava de uma estrutura construída, mas de um projeto digital que acabou revolucionando a forma como as pessoas em todo o mundo consomem conteúdo de arquitetura. Foi assim que o ArchDaily foi fundado, e essa premissa continua a guiar nosso trabalho até hoje. O futuro da arquitetura está sendo continuamente moldado em salas de aula, estúdios e workshops ao redor do mundo, e queremos continuar apoiando os/as estudantes que participam ativamente dessa evolução. Reconhecer a criatividade e a visão de estudantes que estão redefinindo o discurso arquitetônico global foi o que nos levou a criar o Student Project Awards.
Temos o prazer de apresentar os projetos selecionados para a lista longa desta primeira edição do ArchDaily Student Project Awards. Com centenas de projetos enviados de todas as partes do mundo, nossa equipe interna de arquitetos/as e editores/as analisou cuidadosamente cada proposta, reduzindo a seleção a 104 projetos na lista longa. Os/As estudantes participantes representam a própria diversidade do panorama arquitetônico, com propostas de todos os continentes, de diversos níveis acadêmicos e em variadas escalas e typologias.
https://www.archdaily.com.br/pt/1093898/explore-a-longlist-do-archdaily-student-project-awardsDaniela Porto
Porous City / MVRDV e The Why Factory. Imagem cortesia de Frans Parthesius, MVRDV e The Why Factory
Este artigo faz parte de nossa nova seção de Opinião, um espaço para ensaios argumentativos sobre questões críticas que moldam o nosso campo profissional.
Cada época da arquitetura foi definida por seus instrumentos. O compasso, a prancheta, a câmera e o computador alteraram, cada um a seu modo, a maneira como se pensa e se produz arquitetura. No entanto, o momento atual parece qualitativamente diferente. À medida que a inteligência artificial e os sistemas generativos entram nos fluxos de trabalho cotidianos, as ferramentas deixam de ser extensões passivas da mão do/a arquiteto/a e passam a operar como agentes semiautônomos. Elas propõem, otimizam e simulam, produzindo resultados que, por vezes, escapam à plena antecipação do/a autor/a.
Barcelona House - Strom Architects - Correr - Helena Lee Photography
Ao longo de grande parte da história, o peso esteve estreitamente associado à própria ideia de arquitetura. Vitrúvio, cuja noção de firmitas vinculava a construção à estabilidade e à permanência, entendia a solidez como uma de suas qualidades fundamentais, e construir significava, em grande parte, resistir aos efeitos do tempo, da gravidade e das forças naturais. Na arquitetura grega e romana, a monumentalidade dependia dos sistemas construtivos e materiais disponíveis, como a pedra e a alvenaria maciça, cuja expressão era definida pela massa, espessura e repetição estrutural. Colunas, paredes e pódios, além de sustentarem os edifícios, afirmavam sua presença no território, comunicando ordem, durabilidade e poder. A arquitetura encontrava o solo com peso.