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Memória térmica: como o clima molda o patrimônio arquitetônico

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Em uma tarde quente de maio, quando o ar sobre o oeste da Índia se torna metálico pelo calor, ninguém se lembra da composição da fachada. Lembram-se de onde a sombra se projeta. Lembram-se de qual corredor respirava. Lembram-se da casa que era mais fresca que a rua. O que permanece na memória é o conforto para além da forma. A preferência térmica repetida se estabiliza em uma configuração espacial e, com o tempo, essas configurações se tornam tipologias edilícias.

O patrimônio costuma ser catalogado por aquilo que pode ser desenhado, e não pelo que muda de temperatura. Sob o calor, os edifícios são compreendidos primeiro pela pele, e só depois pela visão. Gerações aprendem, por meio de seus corpos, o que funciona. A sombra reduz o ofuscamento e o calor radiante. O movimento do ar altera a percepção em vários graus. Paredes espessas retardam as oscilações térmicas. Com o tempo, essas experiências se acumulam em uma preferência espacial. O que gera conforto é repetido. O que se repete se estabiliza como tipologia.

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O que a prática da arquitetura pode aprender com a botânica?

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Embora a vida humana dependa fortemente das plantas para medicamentos, materiais de construção e combustíveis, elas também desempenham um papel vital em diversos processos ecológicos. Da regulação climática por meio da absorção de dióxido de carbono à fertilidade do solo e purificação do ar e da água, a diversidade vegetal oferece oportunidades para enfrentar alguns dos desafios mais urgentes deste século, incluindo a segurança alimentar, a disponibilidade de energia, as mudanças climáticas e a degradação de habitats. Nesse contexto, os jardins botânicos atuam como refúgios vivos que fomentam a inovação, a adaptação e a resiliência humana. Mas o que a prática arquitetônica pode aprender com a botânica e seus métodos?

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Quando o comer se torna espacial: 14 projetos construídos em torno de refeições compartilhadas

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Nos últimos anos, a alimentação assumiu um papel renovado na arquitetura, não apenas como um programa ou tipologia, mas como uma prática espacial compartilhada. Para além do design de restaurantes ou de espaços de refeição, as áreas destinadas ao comer coletivo são cada vez mais compreendidas como ambientes onde a presença, o ritual e o tempo se cruzam, permitindo que as pessoas se reúnam, permaneçam e coexistam. Nesses contextos, o ato de comer não ocorre apenas dentro de um espaço; ele o molda ativamente, transformando temporariamente ambientes comuns, emprestados ou improvisados em locais de troca.

Essa mudança é visível em uma ampla gama de projetos construídos, instalações e espaços comunitários que utilizam as refeições coletivas como meio de aproximar as pessoas. Iniciativas como o Fondo Supper Club estruturam o ato de jantar como uma plataforma social, usando a comida para conectar artistas, designers e comunidades locais por meio do diálogo e da colaboração. Da mesma forma, a sit.feast, apresentada durante a Semana de Design de Milão de 2024, abordou a mesa como uma instalação espacial na qual sentar-se e comer juntos se tornaram os meios primordiais para a produção coletiva do espaço.

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O pátio como o mais leve sistema de resfriamento da arquitetura

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O pátio é frequentemente lembrado como uma figura do passado, um espaço voltado para o interior, permeado de nostalgia, cultura e rituais domésticos. No entanto, essa abordagem ignora seu papel primordial. Antes de ser simbólico, o pátio era operacional. Ele organizava o fluxo de ar, controlava a luz e absorvia o calor. Não se tratava de um elemento decorativo, mas sim do que tornava a arquitetura habitável. Na habitação contemporânea, tais funções são normalmente delegadas a sistemas mecânicos instalados após a definição da forma. Nas casas com pátio, ao contrário, essas questões são resolvidas espacialmente, antes mesmo de se erguer qualquer parede.

O que aparenta ser uma tipologia recorrente em várias regiões é, na verdade, um conjunto de respostas altamente específicas ao clima. O pátio no Egito não se comporta como o pátio no Marrocos, tampouco como o da Índia. Cada um deles é calibrado para responder a um desafio ambiental distinto, utilizando o mesmo dispositivo espacial. Interpretá-los como um tipo único significa reduzir sua inteligência. Compará-los, por outro lado, permite compreender como o clima pode ser incorporado diretamente à forma arquitetônica.

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Indo além das métricas rumo a uma iluminação natural neuroinclusiva

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Ruídos altos, o zumbido contínuo de equipamentos, mudanças abruptas de luz ou reflexos intensos costumam passar despercebidos. Para pessoas neurodivergentes, esses estímulos podem provocar desconforto significativo ou mesmo reações físicas e cognitivas intensas. O termo "neurodivergente" refere-se a pessoas cujo funcionamento neurológico difere do que é considerado típico, abrangendo condições como autismo, TDAH e dislexia, uma vez que seus cérebros processam informações de maneira diferente, particularmente em relação aos estímulos sensoriais, à atenção e à regulação emocional.

No entanto, a luz não é apenas visual; ela é neurológica. A forma como ela entra em um espaço, move-se pelas superfícies e muda ao longo do tempo pode afetar profundamente o conforto cognitivo. Contrastes extremos, ofuscamento, penetração direta de raios solares e variações rápidas de brilho exigem um ajuste constante do sistema visual e, para pessoas com maior sensibilidade sensorial, esse esforço pode se traduzir em fadiga, distração ou desconforto.

Urbanismo de torre-pódio no Sudeste Asiático: densidade, gestão e o desaparecimento da rua

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Se as redes elevadas revelam uma cidade que caminha cada vez mais acima da rua, o pódio-torre é a tipologia que frequentemente faz com que essa condição pareça inevitável. Em todo o Sudeste Asiático, os projetos de pódio-torre tornaram-se uma das linguagens dominantes do crescimento metropolitano: um sistema que concentra habitação, postos de trabalho, comércio e conexões de transporte público em lotes altamente legíveis e administrados. Sob a perspectiva do planejamento urbano, o modelo pode ser incrivelmente eficaz — absorvendo o congestionamento, formalizando a circulação e gerando densidade rapidamente. No entanto, à medida que se dissemina, a tipologia também levanta uma questão mais sutil: o que ela otimiza e o que ela corrói — especialmente no nível da rua, onde a vida urbana deveria ser negociada, e não curada?

Em termos simples, o pódio-torre é uma estrutura híbrida composta por um pódio de baixa altura e alta taxa de ocupação, que serve de apoio a uma ou mais esbeltas torres verticais. O pódio geralmente carrega o peso logístico e comercial do empreendimento — lojas, estacionamento, carga e descarga, áreas de embarque e desembarque, serviços de apoio e, muitas vezes, terraços de lazer —, enquanto a torre sobrepõe os programas privados acima, sejam eles residenciais, corporativos, hoteleiros ou de uso misto. A promessa é dupla: maximizar a densidade urbana mantendo uma fachada ativa em escala humana, e separar a logística complexa da vida urbana do domínio mais reservado do morar e do trabalhar.

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Casa Dogtrot: Saber Vernacular e Projeto Responsivo ao Clima

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A casa dogtrot surgiu no sul dos Estados Unidos no final do século XIX como uma resposta direta aos climas úmidos, à disponibilidade de materiais e aos padrões de habitação rural. Presente em toda a região dos Montes Apalaches, no litoral das Carolinas e nas planícies da Louisiana, a casa dogtrot apresentava inúmeras variações regionais; no entanto, sua lógica espacial fundamental permanecia notavelmente consistente. Dois volumes habitáveis fechados são separados por uma passagem central aberta e unificados sob uma cobertura contínua, criando uma habitação que é, ao mesmo tempo, econômica e sensível aos verões longos e quentes. Embora historiadores/as da arquitetura continuem a debater as origens geográficas precisas da dogtrot, a tipologia representa uma inteligência vernacular mais ampla que surgiu da convergência entre necessidade ambiental, práticas construtivas locais e a vida rural.

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Projetando para o movimento em um espaço de trabalho feito para sentar

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Apesar de toda a experimentação espacial no espaço de trabalho contemporâneo, uma condição permanece praticamente inalterada: as pessoas continuam sentadas. Estudos sugerem que profissionais de escritório passam até 89% de sua jornada de trabalho em posição sentada — o que equivale a quase 36 horas por semana —, a despeito de décadas de conscientização ergonômica. À medida que os espaços de trabalho se tornam mais flexíveis, sociais e focados em design, essa contradição se torna cada vez mais difícil de ignorar.

O escritório já não se organiza em torno de um único modo de operação, tampouco por uma lógica espacial rígida. O trabalho tornou-se multifuncional, alternando entre colaboração e concentração, trocas coletivas e foco individual. Em resposta, a arquitetura e o design de interiores se afastam de layouts uniformes e repetitivos em direção a ambientes que refletem a variabilidade do comportamento humano.

Construindo no Limite: As Lógicas Concorrentes das Orlas de Nova York e Hong Kong

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O desenvolvimento costeiro em grandes cidades há muito tempo se configura como um terreno de oportunidades e disputas—moldado, a um só tempo, pela busca por capital (vistas privilegiadas, escassez de terras e a promessa de aterros), pelas demandas cívicas por acesso público e por uma vida coletiva à beira-mar, e pelas aspirações contemporâneas de sustentabilidade e de uma identidade urbana marcante. Justamente porque essas agendas raramente se alinham, extrair o potencial máximo de áreas de orla nunca é uma tarefa simples.

Contudo, em Nova York e em Hong Kong, é possível traçar as ambições de cada cidade—a despeito de suas diferentes estratégias, prioridades e lógicas políticas—por meio de um conjunto de projetos fundamentais que ancoram suas linhas costeiras. Lidos em conjunto, esses projetos revelam não apenas o que cada cidade escolhe valorizar, mas também do que está disposta a abrir mão para construir no limite.

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As duas catedrais de Manágua: memória arquitetônica após o terremoto de 1972 na Nicarágua

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Em 23 de dezembro de 1972, Manágua, capital da Nicarágua, foi atingida por um terremoto de magnitude 6,3. Em questão de minutos, seu núcleo urbano, que por décadas funcionara como um centro político e econômico compacto, ruiu abruptamente. No processo de reconstrução que se seguiu, as autoridades buscaram não apenas reconstruir, mas reorganizar. O objetivo era descentralizar a cidade e evitar uma paralisia futura ao dispersar as funções por múltiplas zonas. Entre os resultados arquitetônicos mais significativos dessa mudança esteve a nova Catedral Metropolitana. Sua linguagem modernista simbolizava tanto a continuidade institucional quanto a transformação urbana. Com isso, ela personificou a transição de Manágua de uma malha urbana centralizada, de estilo espanhol, para uma metrópole contemporânea e descentralizada.

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Um século de experimentos em habitação temporária: Milão–Cortina e a evolução das Vilas Olímpicas

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Com os Jogos Olímpicos de Inverno de Milano–Cortina 2026 em andamento, vale a pena analisar como a Vila Olímpica evoluiu de uma solução puramente funcional para um projeto urbano estratégico. De complexos habitacionais improvisados a peças-chave de regeneração urbana, as Vilas Olímpicas têm funcionado repetidamente como experimentos em grande escala sobre como partes de uma cidade podem ser construídas em um curto espaço de tempo.

Projetados sob intensa pressão de tempo e para uma população altamente específica, esses ambientes revelam transformações nas ideias de habitação, vida coletiva e no legado urbano de megaeventos. Ao longo de diferentes edições, a Vila Olímpica reflete as maneiras mais amplas pelas quais eventos, habitação e cidades se cruzam em condições de urgência.

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Decomposição como Expressão: Axonometria Desmontada como Ferramenta de Projeto

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Na tradução da realidade tridimensional para um plano bidimensional, a axonometria se consolida como um dos sistemas gráficos de representação que fundamentam a linguagem utilizada por profissionais de arquitetura e design. Ao lado de plantas, cortes e elevações, suas vistas explodidas frequentemente se destacam pela capacidade de estudar as múltiplas camadas que compõem um projeto. Embora a axonometria também seja empregada em outras disciplinas, como a engenharia e o planejamento urbano, ela demonstra constantemente sua capacidade de funcionar como algo que vai além de uma mera ferramenta de representação. Com isso, ela não apenas reforça a compreensão dos processos construtivos, materiais e sistemas estruturais de uma obra, mas também amplia a comunicação das ideias e processos de projeto que a moldam.

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Lu Wenyu: Radicalismo silencioso e a prática do reparo

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Lu Wenyu—cofundadora do Amateur Architecture Studio com o laureado com o Pritzker Wang Shu—moldou muitas das obras mais emblemáticas do escritório na China, incluindo o Museu de História de Ningbo e o Campus Xiangshan da Academia de Arte da China em Hangzhou. Trabalhando frequentemente fora dos holofotes, sua liderança é inequívoca na disciplina da execução e nas funções que assumiu: em 2003, junto com Wang Shu, fundou o Departamento de Arquitetura da Academia de Arte da China, onde também atua como diretora do Centro de Construção Sustentável. Sua prática e ensino formam um ciclo de reciprocidade: as pesquisas realizadas nos estúdios da Academia de Arte da China alimentam continuamente as estratégias de construção no canteiro de obras, ao passo que as lições aprendidas em campo retornam à sala de aula como inteligência material, e não como teoria abstrata.

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Um novo padrão para fachadas de alto desempenho e geradoras de energia

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​​O Myron and Berna Garron Health Sciences Complex (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, foi moldado por uma diretriz clara e inegociável: pelo menos 20% do consumo de energia do edifício deveria ser gerado a partir de fontes renováveis instaladas no próprio local. Para atender a essa exigência ambiciosa, a universidade firmou uma parceria inicial com a Mitrex, fabricante especializada em sistemas fotovoltaicos integrados à construção (BIPV), para explorar como a tecnologia solar poderia ir além da cobertura e se incorporar à própria arquitetura — posicionando o projeto em uma transição mais ampla em direção a uma arquitetura sustentável orientada pelo desempenho. O edifício de cerca de 5.850 metros quadrados (63.000 pés quadrados) abriga programas de ensino, pesquisa e treinamento clínico dedicados à formação de futuros/as profissionais de saúde. Projetado pelo escritório MVRDV em colaboração com o Diamond Schmitt Architects, o projeto inicialmente seguiu um caminho convencional, combinando uma fachada sóbria com painéis fotovoltaicos na cobertura.

Como as feiras de design contemporâneo estão redefinindo o artesanato

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Em uma era dominada por telas e imagens digitais, o caráter pleno de um objeto de design muitas vezes permanece oculto. Apenas no encontro presencial com um objeto é que se pode sentir sua textura, notar como ele interage com a luz ou até mesmo perceber seu aroma sutil. Essas qualidades sensoriais — tão difíceis de transmitir online — revelam por que as feiras de design continuam a ser relevantes. Cada vez mais, esses eventos se consolidam como espaços de experimentação no design contemporâneo, onde ideias sobre materiais, colaboração e responsabilidade social são exploradas publicamente. Programas curatoriais, exposições e instalações experimentais transformam esses encontros em ambientes onde designers, fabricantes e pesquisadores(as) testam novas possibilidades para o ambiente construído.

Como medir o ciclo de vida de um material de construção?

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Como uma das principais propulsoras do consumo de recursos naturais, do uso de energia e das emissões de gases de efeito estufa, a indústria da construção civil causa um impacto significativo no meio ambiente, consumindo 32% da energia global e contribuindo para 34% das emissões mundiais de CO₂. Os materiais de construção desempenham um papel crucial na definição do ambiente construído. Por meio dos princípios da economia circular, de soluções renováveis e autossuficientes e de inovações tecnológicas, a análise do desempenho ambiental de cada material evidencia a oportunidade de revisar e avaliar as diferentes etapas de seu ciclo de vida.

Ao estabelecer uma estrutura comum para medir e gerenciar o impacto ambiental dos materiais de construção, a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) surge como uma abordagem fundamental. Essa metodologia oferece uma avaliação abrangente dos impactos ambientais associados a produtos, processos ou atividades ao longo de todo o seu ciclo de vida. Desde a extração da matéria-prima, fabricação e transporte até a construção, o uso e o tratamento de fim de vida, a análise considera as cargas ambientais vinculadas a cada etapa. No contexto dos materiais de construção, a ACV oferece uma abordagem holística e sistemática para avaliar o desempenho ambiental e identificar oportunidades de otimização de projeto, entre outras melhorias. Dessa forma, ela quantifica impactos como as emissões de carbono, o consumo de energia, o uso de água, a poluição do ar, a geração de resíduos e o esgotamento dos ecossistemas.

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Leve, mais leve, levíssimo: Foco Editorial de Abril do ArchDaily

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A arquitetura há muito tempo é atraída para cima. Em O Ar e os Sonhos, Gaston Bachelard escreve sobre uma imaginação moldada pelo movimento; pelo desejo de subir, flutuar, escapar da atração do solo. O ar, para ele, convida a imaginação a distorcer, inventar e ir além do que é dado, em vez de simplesmente reproduzi-lo. Nesse sentido, a leveza não é apenas uma condição física, mas um sentimento: o desejo de transcender o peso da terra e avançar em direção a algo menos tangível. Esse impulso pode ser rastreado nas contínuas tentativas da arquitetura de se erguer, desde os pilotis e grandes vãos até sistemas suspensos e membranas tensionadas. Construir de forma leve, portanto, não é apenas uma ambição técnica, mas também cultural — uma maneira de alcançar o céu.

Hoje, essa busca pela leveza ganha uma urgência renovada. À medida que as preocupações ambientais, os riscos climáticos e os avanços tecnológicos remodelam o ambiente construído, construir de forma leve deixa de ser apenas uma ambição estética ou estrutural; passa a ser cada vez mais visto como um imperativo ecológico e ético.

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A Inteligência Ecológica das Paisagens Sagradas

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A arquitetura costuma tratar o design ecológico como se fosse uma descoberta recente. Corredores de biodiversidade, paisagens regenerativas, cidades-esponja e o urbanismo mais-que-humano são apresentados como respostas emergentes às crises ambientais contemporâneas. No entanto, na Índia e na região SWANA (Sudoeste Asiático e Norte da África), paisagens moldadas por práticas religiosas há muito tempo estruturam as relações entre pessoas, água, vegetação e animais. Muito antes de o desempenho ecológico se tornar uma métrica de projeto, os reservatórios dos templos armazenavam as águas das monções, os bosques sagrados protegiam a biodiversidade e os assentamentos em oásis sustentavam a vida em alguns dos ambientes mais áridos do mundo. Poucos desses lugares surgiram de agendas ambientais explícitas; pelo contrário, formaram-se a partir de práticas culturais e espirituais. Ainda assim, sua lógica ambiental continua extremamente relevante hoje. Diversas condições que hoje são discutidas sob o conceito do design mais-que-humano já existiam há séculos em paisagens que arquitetos e arquitetas raramente estudam como infraestrutura ecológica.

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Negociando Fronteiras: Clima e Envoltória na Arquitetura da América Central

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Em climas temperados e frios, a arquitetura geralmente começa com um gesto defensivo. A envoltória do edifício é um limite vedado, projetado para resistir ao ambiente externo por meio de isolamento, barreiras de vapor e controle mecânico.

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Quando o BIM se torna necessário no design de interiores?

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Profissionais de design de interiores que enfrentam parâmetros de projeto, restrições orçamentárias, exigências de clientes e a necessidade de manter uma assinatura estética precisam equilibrar uma série de fatores. Prazos de entrega reduzidos pressionam esses/as profissionais quando os/as clientes solicitam múltiplas revisões. Uma incompatibilidade entre desenhos e renderizações compromete a entrega de um projeto coeso. No cenário competitivo e digital da arquitetura contemporânea, o sucesso se consolida quando designers conseguem fornecer detalhes técnicos do conceito à construção, aproveitando tecnologias avançadas e ferramentas estratégicas em um único software de modelagem.

O que os/as arquitetos/as esperam das ferramentas de IA em 2026

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A inteligência artificial não é mais um conceito distante na prática profissional da arquitetura. Ela está se tornando rapidamente uma ferramenta prática utilizada por escritórios em todo o mundo para acelerar os fluxos de trabalho de projeto, gerar visualizações e explorar novas possibilidades criativas.

De acordo com uma nova pesquisa do setor realizada pela Chaos em colaboração com o Architizer, arquitetos, arquitetas e designers já estão integrando a IA em seu trabalho diário. Quase 800 profissionais de arquitetura e design de todo o mundo participaram do estudo, compartilhando perspectivas sobre como usam as ferramentas de IA, quanto tempo a tecnologia economiza e como acreditam que a inteligência artificial moldará o futuro da arquitetura.

Projetar com matéria viva: 5 instalações que utilizam materiais de base biológica e fabricação digital

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Em tempos de emergência ecológica, a arquitetura não pode ser separada dos sistemas extrativos de que depende. À medida que a tecnosfera se expande, interligando fluxos de materiais, consumo de energia e infraestruturas digitais, a prática projetual torna-se cada vez mais enredada nesses processos. Como o design pode intervir em sistemas antropocêntricos e transformar o processo e a estética da arquitetura por meio de uma investigação sobre a inteligência material? De forma mais ampla, de que maneira a arquitetura se relaciona com a agência e a inteligência de entidades não humanas para reequilibrar o impacto ambiental?

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Arquitetura do Pertencimento: Vision Pakistan em Islamabad, por DB Studios

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Para o DB Studios, a arquitetura não consiste apenas em construir, mas em pertencer. Trata-se de criar uma prática situada, que responda ao seu contexto, ao seu povo e à sua identidade local, expressa por meio de materiais, cores e decisões espaciais. Nesse sentido, o design torna-se uma forma de articular uma linguagem enraizada em seu contexto e moldada pelas pessoas a quem serve.

Essa postura torna-se especialmente evidente no Vision Pakistan, projeto do DB Studios recentemente reconhecido com o Prêmio Aga Khan de Arquitetura 2025. Para além do reconhecimento das qualidades arquitetônicas da proposta, a premiação destaca um compromisso mais amplo: a criação de um ambiente de acolhimento para jovens em situação de vulnerabilidade, no qual a educação, a capacitação profissional e o projeto espacial atuam em sinergia para fomentar a independência e a mobilidade social. Por meio de sua forma, fachada e organização interna, o edifício responde de maneira direta ao seu contexto, reforçando o sentimento de apropriação por parte de quem o frequenta, ao mesmo tempo em que desperta orgulho na comunidade do entorno e entre profissionais locais emergentes.

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Plástico que não é plástico: Redefinindo a circularidade no design de planta livre

 | Em colaboração
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Ao entrar em um grande espaço de convivência, no lobby de um hotel ou em um ambiente de trabalho em plano aberto, a primeira coisa que se nota não é o que divide o espaço, mas o que o mantém unido. Raramente existem limites claros, salas óbvias ou divisórias rígidas; ainda assim, o espaço parece organizado. Algumas áreas convidam à pausa; outras ditam o movimento; outras promovem a convivência. As transições são sutis, mas legíveis.

Ao mesmo tempo, espera-se mais desses interiores. Eles devem acomodar mudanças constantes, resistir ao uso intenso e responder às pressões ambientais reduzindo o desperdício, prolongando a vida útil e evitando substituições frequentes. A questão não é apenas a aparência de um espaço, mas sim o seu desempenho ao longo do tempo. O que realmente está sustentando essa carga?

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