
O Complexo de Ciências da Saúde Myron e Berna Garron (SAMIH), na Universidade de Toronto Scarborough, foi moldado por uma diretriz clara e inegociável: pelo menos 20% do consumo de energia do edifício deveria ser gerado a partir de fontes renováveis instaladas no local. Para atender a essa exigência ambiciosa, a equipe de projeto investigou como a tecnologia solar poderia ir além da cobertura e se integrar à própria arquitetura, posicionando a obra em um movimento mais amplo em direção a uma arquitetura sustentável de alto desempenho. A instalação de aproximadamente 5.850 metros quadrados (63.000 pés quadrados) abriga programas de ensino, pesquisa e treinamento clínico dedicados à formação de futuros/as profissionais de saúde. Projetado por Diamond Schmitt Architects e MVRDV, o projeto inicialmente seguiu um caminho convencional, combinando uma fachada sóbria com painéis fotovoltaicos na cobertura.
A Diamond Schmitt já acumulava experiência com BIPV (sistemas fotovoltaicos integrados à edificação) em outros projetos e propôs o aproveitamento do envelope do edifício como uma superfície primária de geração de energia. Trabalhando em colaboração com a equipe de arquitetura e com a construtora EllisDon, a Mitrex projetou e fabricou um sistema BIPV sob medida. Com a integração dessa tecnologia, o que havia sido concebido como um fechamento passivo evoluiu para uma infraestrutura vertical de alto desempenho. A instalação solar completa oferece uma capacidade total instalada de 632 kW, dos quais 513 kW estão integrados diretamente na fachada e os 119 kW restantes localizam-se na cobertura. Assim, a maior parte da capacidade do sistema está incorporada no próprio envelope vertical, produzindo cerca de 420.000 kWh de energia anualmente e transformando de forma eficaz o exterior do edifício em um ativo gerador de energia.
Diferentemente das instalações em coberturas, as superfícies de BIPV exigem a conciliação simultânea de orientação solar, desempenho elétrico, seleção de cores e composição arquitetônica. O que começou como uma fachada simples com dois tamanhos de painel e um único tom evoluiu, por meio de um processo estruturado de assistência ao projeto (design-assist), para uma composição em mosaico que incorpora oito tamanhos de painéis e cinco tonalidades distintas. A Mitrex, fabricante do sistema BIPV, trabalhou em estreita colaboração no processo de projeto, desenvolvendo desenhos executivos e documentação técnica detalhada para garantir que o aumento da complexidade visual não comprometesse o rendimento energético nem a eficiência de custos.
